Potencial da construção é de 30 milhões de empregos

O Incorpora (Fórum Brasileiro das Incorporadoras), que aconteceu em setembro de 2018 na cidade de São Paulo-SP, debateu o futuro da construção diante do cenário do novo governo, que comandará o Brasil a partir de 1º de janeiro de 2019. No entender dos palestrantes convidados pela ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) medidas que barateiem o crédito e atraiam investidores podem alavancar a retomada do crescimento do setor, que, segundo os analistas, tem potencial para gerar 30 milhões de empregos.
Entre os argumentos, um chamou a atenção. Os debatedores lembraram que Estados Unidos e China já consolidaram o potencial de atrair investidores para a construção civil. Segundo eles, a bola da vez é o Brasil, pois existe um grande delay de obras no país clamando para sair do papel. O próximo governo - estimam os analistas - só precisa dar três passos: oferecer segurança jurídica, ter disciplina fiscal e baixar os juros. “O crédito imobiliário barato é uma das alavancas para impulsionar essa demanda”, sintetiza Luiz Antonio França, CEO da ABRAINC.
Durante o fórum foi traçada uma fotografia do setor imobiliário no Brasil para os próximos 25 anos. A estimativa é de que o país precisará construir 35 milhões de moradias, segundo dados apresentados por Rubens Menin, presidente do conselho da MRV. “Isso é muito mais do que já foi construído, e é fruto do delay demográfico, ou seja, temos um país continental, com mais de 200 milhões de habitantes. Só a China e os Estados Unidos têm características semelhantes e já têm consolidados os investimentos para o setor imobiliário. Agora é a vez do Brasil. Se esse potencial for materializado, podemos gerar 30 milhões de empregos”, diz.
Veja quais são os entraves que encarecem o crédito imobiliário
Para Luiz Antonio França, o Brasil só conseguirá viabilizar recursos para tornar sustentável o segmento da construção civil voltado para o mercado imobiliário se solucionar os entraves que encarecem o crédito. Ele começou lembrando que apenas os recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e da caderneta de poupança não conseguirão atender essa demanda. “É preciso estimular novos funding e também destravar mecanismos que facilitem o crédito, como o projeto do distrato, que se encontra paralisado no Senado, e o cadastro positivo”, ressalta.
O ministro das Cidades, Alexandre Baldy, lembrou no fórum de outro entrave que, se superado, poderia injetar mais de 700 bilhões de reais no segmento da construção civil. Esse dinheiro está contemplado na medida provisória (MP 844/2018), publicada em julho de 2018, e que atualiza o marco legal do saneamento básico. A MP facilita a privatização de empresas públicas de saneamento, estimula a competitividade no setor e obriga o pagamento de tarifas mesmo sem conexão ao serviço de água e esgoto.
No entanto, ela se encontra parada no Congresso Nacional e, muito provavelmente, terá que ser reeditada pelo novo governo para que volte a entrar em votação. “Essa MP está enquadrada nas perspectivas para 2019. Hoje o capital privado só detém 6% das operações de saneamento básico no Brasil e a medida provisória abre essa janela de oportunidades para zerar o déficit no setor, que está diretamente ligado ao setor da construção imobiliária no Brasil”, resume Baldy.
Assista ao Fórum Brasileiro das Incorporadoras (Incorpora)
>> Abertura
>> Mesa Redonda - Propostas do setor de incorporação imobiliária
>> Painel 1 - Brasil 2019 – Desafios de um setor rumo ao crescimento
>> Painel 2 - O que ainda atrai investidores e até onde vai a disposição para riscos?
Entrevistado
Reportagem com base nos debates ocorridos dentro do Incorpora (Fórum Brasileiro das Incorporadoras), promovido pela ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias)
Contato: comunicacao@abrainc.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Qual o impacto do novo governo na construção civil?

É histórico que, quando o Brasil vai bem, e registra crescimento do PIB, a construção civil apresenta números ainda mais expressivos. Em 2010, o Produto Interno Bruto do país cresceu 7,5% e o setor teve alta de 11%, registrando seu pico neste século. Porém, quando a crise atinge a economia brasileira, o segmento que mais sofre é o da construção.
De acordo com o Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção, apresentado dia 8 de novembro de 2018, em São Paulo-SP, se o PIB brasileiro tivesse crescido a uma taxa de 3% ano entre 2013 e 2018, o PIB acumulado da construção civil neste período teria sido de 22%, ou seja, o setor estaria com quase pleno emprego e registrando crescimento sustentável.
No entanto, cinco anos de paralisia fizeram com que a construção civil brasileira retrocedesse a níveis de 12 anos atrás, mas não significa o fim do mundo. Se, de fato, o novo governo que assume dia 1º de janeiro de 2019 for reformista, estarão criadas as condições para recolocar o setor nos trilhos do desenvolvimento novamente.
De acordo com o estudo da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), que tem como base o volume de vendas de equipamentos para a construção civil, o início de recuperação do setor já começou. Um dado interessante é que as vendas de equipamentos da linha amarela - movimentação de terra - devem crescer 40% em 2018 ante 2017, totalizando 11,6 mil unidades comercializadas neste ano contra 8,3 mil unidades no ano anterior.
Equipamentos voltados para a área de concreto confirmam crescimento
Já o segmento de retroescavadeiras deve ter expansão de 51% em 2018, chegando a 3.150 unidades comercializadas. Além disso, a estimativa é de que as pás carregadeiras tenham uma alta de 42% nas vendas, bem como as escavadeiras hidráulicas alcancem um percentual de crescimento de 30%. O mesmo percentual de crescimento é esperado para os equipamentos da área de concreto (autobombas, bombas estacionárias, centrais de concreto e caminhões-betoneira). Um percentual bem mais positivo que o obtido em 2017.
Somadas todas as categorias - linha amarela, demais equipamentos e caminhões rodoviários -, as vendas totais de máquinas para construção devem crescer 38% em 2018 em comparação a 2017. No total, serão 17,8 mil unidades comercializadas neste ano contra 12,9 mil unidades no ano anterior. “Esse aumento foi ocasionado pela melhoria geral do mercado, pela promoção de um número maior de licitações públicas e concessões e pela estabilidade de outros segmentos nos quais são vendidas máquinas utilizadas pelo setor de construção”, resume o estudo.
Entrevistado
Reportagem com base no “Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção” (via assessoria de imprensa)
Contato: sobratema@sobratema.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Para indústria hoteleira, sustentabilidade é inovação

Ferramentas como o Airbnb levaram a indústria hoteleira a se reinventar. Não apenas na forma de atrair o cliente, mas de projetar suas edificações. O importante, agora, é fazer o hóspede se sentir em casa. Para chegar a esse resultado, não se constrói apenas com arquitetos e engenheiros civis. É preciso entender aonde o hotel será construído e o que o entorno pode oferecer para ajudar na concepção do projeto.
Essa nova realidade foi apresentada pelo vice-presidente de design e construção da AccorHotels para a América do Sul, o engenheiro civil Paulo Mancio, durante o GreenBuilding Brasil 2018, que aconteceu de 5 a 7 de novembro em Curitiba-PR. A empresa onde Mancio atua é global e vale 14 bilhões de euros na bolsa de valores de Paris. Ela agrega uma gama de mais de 20 marcas, distribuídas em 4.600 hotéis pelo mundo, e que envolvem 290 mil colaboradores.
A rede viabiliza 160 obras por ano, seja construindo novos hotéis ou reformando. Mas antes de construir, são os antropólogos que dão o primeiro parecer. Eles são contratados para diagnosticar o entorno da edificação e como isso pode ser traduzido para encantar o cliente. “Em seguida, as informações são passadas a um roteirista, que transforma os dados em um filme. É esse filme que vai embasar o projeto arquitetônico, e que vai traduzir tudo o que a obra precisa para agradar o hóspede”, revela Mancio.
No Brasil, essa nova forma de construir hotéis será testada no projeto do Twenty Five Hours que será edificado no bairro de Pinheiros, em São Paulo-SP. “Será um hotel voltado para a geração millennials”, diz Paulo Mancio, que destaca ainda que o cliente que frequenta os hotéis do grupo para o qual ele trabalha têm também uma preocupação com a sustentabilidade. “Nós cuidamos desse serviço com 60 práticas sustentáveis, sem que o hóspede perceba”, completa.
Em média, os hotéis da rede AccorHotels espalhados pelo mundo tratam de 30% a 35% de seus efluentes, além de promover a reciclagem da água e usar fontes alternativas de energia, como a fotovoltaica. No Brasil, lembra Mancio, há um paradoxo. O país tem ao mesmo tempo o hotel mais sustentável do mundo, porém esbarra na burocracia pública, que impede que outras instalações possam usufruir da mesma tecnologia.
Ações a favor da sustentabilidade variam de município para município no Brasil
O Sofitel Jequitimar, localizado no Guarujá-SP, é o único do mundo que trata 100% seus efluentes líquidos. Para conseguir realizar essa operação, o hotel conta com três Estações de Tratamento de Água (ETAs). O mesmo foi tentado para um hotel Ibis em Macaé-RJ, mas o poder público municipal vetou e os efluentes são jogados diretamente no esgoto, mesmo com o hotel podendo tratá-los. “A legislação em alguns lugares é nociva, mas continuamos otimistas com o Brasil e convictos de que devemos investir mais”, diz Paulo Mancio.
Independentemente dos problemas nacionais, o vice-presidente de design e construção da AccorHotels para a América do Sul revela que sustentabilidade e inovação já estão inseridas no DNA do grupo. “Esse DNA é composto por design, sustentabilidade, inovação, tecnologia, food & beverage e originalidade. Tudo isso para atender o novo perfil de clientes de hotéis”, conclui.
Entrevistado
Reportagem com base no seminário “Sustentabilidade? Isso já fazemos. Agora a busca é por inovação”, ocorrido dentro do GreenBuilding Brasil 2018
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Edifícios autossustentáveis transformam a economia

Atualmente, o Brasil possui 18 edificações credenciadas a conseguir o selo Zero Energy da GBC Brasil (Green Building Council Brasil). Lançada há um ano no país, a certificação é uma das mais procuradas entre as que reconhecem edifícios autossustentáveis. Ela abrange escolas, centros de distribuição, prédios corporativos, instituições financeiras e indústrias, ou seja, os setores que movimentam a economia do país.
No período de crise que o Brasil vive a partir de 2014, esses segmentos buscaram soluções que minimizassem desperdícios de recursos. Gastar altos valores com o consumo de energia elétrica e de água fez as empresas se voltarem para sedes autossuficientes nestes dois quesitos. Segundo o presidente do SindusCon-PR, Sérgio Crema, foi essa razão que levou os associados do sindicato, por exemplo, a aprovarem a construção de um prédio Zero Energy.
“A construção civil brasileira historicamente vive de ciclos. Há períodos de bonança e de crise. Recentemente, estamos saindo da pior crise do setor e, neste período, concluímos que tínhamos que ter um prédio autossustentável, e que nos permitisse uma gestão mais refinada. Seguramente, as próximas gestões do SindusCon é que vão colher os frutos deste prédio que estamos finalizando e que vai gerar muitas economias de recursos”, diz.
Sérgio Crema e outros líderes empresariais e setoriais que empreendem em edifícios autossustentáveis expuseram seus cases no GreenBuilding Brasil, que aconteceu em Curitiba-PR, de 5 a 7 de novembro. A capital paranaense não foi escolhida aleatoriamente. O estado é hoje o que tem o maior número de empreendimentos credenciados a ter o selo Zero Energy.
Em Curitiba, estão a Petinelli Engenharia, a RAC Engenharia e a De Paola & Panasolo Sociedade de Advogados. Em Londrina, a Plasmetal, e em Tamboara, a Geo Energética.
Autogeração de energia passou a ser estratégica para as empresas
Os edifícios que buscam a certificação Zero Energy precisam atender os seguintes requisitos: geração da energia consumida por meio de placas fotovoltaicas, cisternas, compostagem e separação de resíduos, além de captação de água da chuva para reuso e uma arquitetura que favoreça a luz e a ventilação natural, para a economia de energia consumida por lâmpadas e sistemas de ar-condicionado.
Com o custo da energia elétrica cada vez mais caro para as operações corporativas, esses prédios geram economia significativa. Há casos que chegam a consumir cerca de 10% de Kwh, em comparação com edificações convencionais. “Para a grande maioria das empresas, o custo com energia configura a segunda principal despesa, depois apenas de recursos humanos. Estamos falando de uma questão estratégica e a autogeração passa a ser avaliada como alternativa de redução de custos”, afirma Guido Petinelli, um dos palestrantes no GreenBuilding Brasil 2018.
Entrevistado
Reportagem com base no seminário “Zero Energy avança no Brasil – Cases em operação!”, ocorrido dentro do GreenBuilding Brasil 2018
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Certificação sustentável migra para a habitação popular

Entre 2013 e 2017, o número de edificações que buscam certificação sustentável na região sul do Brasil cresceu 79,6%, enquanto nas outras regiões do país o aumento chegou a 41,4%. Foi isso que trouxe o GreenBuilding Brasil 2018 a Curitiba-PR. A capital paranaense lidera esse movimento pela construção sustentável entre os três estados (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). A cidade já tem 22 prédios-verdes - a maioria edifícios corporativos - e influencia positivamente sua região metropolitana.
A cidade de Pinhais-PR, por exemplo, está construindo o primeiro condomínio Minha Casa Minha Vida do Brasil com certificação LEED ™ (Leadership in Energy and Environmental Design). O empreendimento vai buscar o selo GBC CASA & CONDOMÍNIO, cujo foco é a saúde e o bem-estar dos moradores. Para isso, deverá atender, além das seis partes da Norma de Desempenho (NBR ABNT 15575), o uso eficiente da água, a economia de energia, a utilização de materiais certificados e a destinação comprovada dos resíduos. O Pinhais Park Residence terá 136 unidades em três torres de quatro pavimentos. O canteiro de obras está em fase de implantação.
A arquiteta Agatha Carvalho, coordenadora-técnica do Green Building Council Brasil, explicou no GreenBuilding Brasil 2018 como funciona a certificação GBC CASA & CONDOMÍNIO. “O processo de certificação segue um checklist rigoroso, que se dá desde o registro, passando pela verificação técnica do projeto, revisão e, por fim, a certificação, de fato. Ao implementar o selo objetivamos impactar diretamente, e positivamente, nas mudanças climáticas, na saúde e no bem-estar das pessoas, nos benefícios econômicos proporcionados por esses projetos, nos recursos hídricos e na biodiversidade”, salienta.
GBC CASA & CONDOMÍNIO almeja levar qualidade ao Minha Casa Minha Vida
A certificação GBC CASA & CONDOMÍNIO foi lançada no segundo semestre de 2017, e, até o momento, existem 58 projetos registrados no país, dos quais 9 já estão certificados. Para a engenheira civil Ana Rocha Melhado, coordenadora da pós-graduação em construções sustentáveis da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), que também palestrou no GreenBuilding Brasil 2018, o selo voltado para o mercado habitacional tem a oportunidade de diminuir as diferenças entre empreendimentos de alto padrão e as construções mais populares. “Podemos incorporar essas tecnologias em todos os tipos de empreendimentos, de alto padrão aos mais populares, que começarão a ganhar volume a partir de agora”, afirma.
A expectativa dos debatedores é de que, no médio prazo, a construção sustentável deixe de ser um ramo da construção civil para estar totalmente integrada ao setor. “Tenho uma visão positiva acerca dessa questão. Acredito que o setor caminha sempre em busca do desenvolvimento sustentável. Além disso, dados do GBC Brasil indicam que, dentre as razões da ascensão das construções sustentáveis, está o desejo das corporações de gerar economia. Prédios-verdes, por exemplo, possuem taxas de condomínio menores, bem como garantem aos consumidores que a edificação em que moram ou trabalham, isto é, onde passam a maior parte do tempo de suas vidas, apresente desempenho acima de todas as normas técnicas que disciplinam os diversos sistemas de uma edificação”, completa a professora-doutora da FAAP.
Entrevistado
Reportagem com base no seminário “O Promissor Setor Residencial: Principais Aspectos, Oportunidades e Lideranças”, ocorrido dentro do GreenBuilding Brasil 2018
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Prédios-verdes dão lucro, desde que haja manutenção

O Brasil surpreende pela quantidade de edifícios com certificação LEED ™ (Leadership in Energy and Environmental Design). São 490 construções com o selo de prédio-verde, o que coloca o país em 4º lugar no mundo. Isso levou a escola de arquitetura da Universidade de Harvard a medir qual a economia que a profusão de edifícios sustentáveis gera ao Brasil. Os números levantados apontam que essas edificações pouparam o equivalente a R$ 931 milhões em consumo de energia, entre 2000 e 2017, e, no mesmo período, geraram R$ 319 milhões de economia associada à redução do absenteísmo, no que se refere à perda de dias de trabalho por razões médicas.
Segundo o Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), esses números poderiam ser mais significativos se os prédios-verdes tivessem um desempenho operacional mais rigoroso, ou seja, se realizassem todos os procedimentos para que a certificação fosse efetivamente seguida após a ocupação. Segundo o arquiteto e urbanista Luís Leal, que palestrou no GreenBuilding Brasil 2018 - ocorrido de 5 a 7 de novembro, em Curitiba-PR -, isso passa pela educação de quem utiliza o edifício. “Principalmente em edificações corporativas, é preciso que haja uma comunicação que priorize o usuário, a fim de que ele entenda e colabore com questões como manutenção preventiva, reciclagem e reformas que podem comprometer requisitos da certificação”, afirma.
Profissionais da arquitetura e da engenharia civil orientam edifícios sobre como manter a certificação
Na prática, boa parte dos empreendimentos com certificação LEED ™ apresenta desempenho abaixo do esperado depois que entra em operação. O que o CTE busca é aprimorar o processo de monitoramento e análise de desempenho das edificações, a fim de corroborar para que as estratégias e tecnologias embarcadas nos empreendimentos certificados resultem na eficiência projetada e, consequentemente, reduzam o impacto ambiental dos edifícios na fase de operação. De acordo com Luís Leal, o CTE faz esse acompanhamento de duas formas: pesquisas “in loco” nos edifícios e através da ferramenta ARC, que permite aprimorar o monitoramento de desempenho dos prédios. Atualmente, 50 empreendimentos já compartilham suas informações operacionais pela plataforma ARC.
É importante monitorar os prédios-verdes e também educar os usuários, pois a certificação LEED ™ só é renovada a cada cinco anos se a manutenção e a operação perseguirem as normas ao longo da vida útil do prédio. A preservação do selo é uma garantia de gestão consistente do empreendimento, embasada em políticas e processos de manutenção de equipamentos, que englobam consumo de energia e de água, destinação dos resíduos e serviços como os de limpeza e paisagismo. O objetivo é maximizar a eficiência operacional e minimizar danos da edificação ao meio ambiente. Tudo isso é alcançado com a correta manutenção, que é o que verdadeiramente garante a vida útil de um prédio-verde.
Entrevistado
Reportagem com base no seminário “Desempenho operacional, o futuro dos Greenbuilding”, ocorrido dentro do GreenBuilding Brasil 2018
Contato: contato@gbcbrasil.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Öresund: de “ponte impossível” a ícone da engenharia

Dezoito anos depois de sua inauguração, a ponte de Öresund segue ganhando prêmios. Também frequenta uma série de livros que listam recordes. A obra que liga a Dinamarca à Suécia é um ícone da engenharia moderna. De “ponte impossível”, transformou-se em modelo de projeto. Uma das lições que a megaobra deixa é que ela é fruto dos erros. Equívocos em outras superobras realizadas pelo mundo serviram para orientar os engenheiros que atuaram na Öresund de como não repeti-los.
A execução da ponte cumpriu rigorosamente o cronograma. Começou a ser construída em 1995 e foi inaugurada em junho de 2000. Antes do canteiro de obras ser efetivamente instalado, o projeto foi estudado por quatro anos. Todas as variáveis foram levadas em consideração para que o empreendimento atingisse a perfeição. Até a manutenção da ponte foi planejada antes que ela saísse do papel. Não é à toa que na literatura da construção civil a ponte de Öresund é citada como uma “aula de engenharia” em todos os seus aspectos.
Öresund tem 16 quilômetros de extensão, incluindo o trecho de ponte estaiada e o túnel submarino. Ela cruza o mar Báltico e liga Copenhague, na Dinamarca, a Malmö, na Suécia. A estrutura atende o fluxo de veículos e de trens. A parte superior é uma autoestrada pavimentada com concreto e destinada ao tráfego rodoviário, ao longo de suas 6 pistas – quatro para a circulação de carros, motocicletas e caminhões e duas que só são liberadas em situação de emergência. A parte inferior da ponte atende duas vias férreas.
O túnel submarino acoplado à ponte percorre 4 quilômetros debaixo do mar Báltico. Já o tabuleiro da ponte tem 8 quilômetros, sendo um quilômetro suspenso pelos estais. O vão central mede 490 metros, com altura de 57 metros acima do nível do mar, para possibilitar o tráfego marítimo. As torres que sustentam os estais estão a 240 metros de altura, equivalente a um edifício com mais de 60 andares. O projeto complexo ainda exigiu a construção de uma ilha com 4 km2, e que ficou pronta em 14 meses.
Estrutura consumiu trilhões de quilos de rocha e de concreto para viabilizar a ilha e o túnel
A construção da ponte de Öresund tem números superlativos. Para viabilizar a ilha, foram consumidos quase 2 trilhões de quilos de rocha, areia retirada do fundo mar e entulhos de construção que vieram de várias partes da Europa. Na ponte e no túnel submarino foram usados 280 mil m³ de concreto estrutural, 82 mil toneladas de aço estrutural e 60 mil toneladas de aço corrugado para protensão. Com exceção do concreto usado nos tabuleiros, todos os outros elementos foram pré-fabricados na Suécia.
Os elementos para o túnel são, até hoje, os maiores já produzidos pela indústria de pré-fabricados de concreto em todo o mundo. Cada uma das 20 peças tem 75 metros de comprimento, 38 metros de largura e 8,5 metros de altura, consumindo o equivalente a 8 trilhões de litros de concreto. Um único elemento possui tamanho semelhante a dois campos e meio de futebol e pesa aproximadamente 55 mil toneladas. Todos foram instalados com perfeição milimétrica, possibilitando que a ponte de Öresund se tornasse realidade. Atualmente, a estrutura recebe tráfego de 25 milhões de pessoas por ano, que transitam entre a Dinamarca e a Suécia.
Veja vídeo sobre a construção da ponte de Öresund
Entrevistado
Administração da ponte de Öresund (via assessoria de imprensa) e dados do documentário da National Geographic Channel
Contato: press@oresundsbron.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Edifícios-garagem de megacondomínio priorizam a qualidade

Imagine 16 carretas se deslocando diariamente pela rodovia Régis Bittencourt, no trecho de 400 quilômetros que separam Curitiba-PR de São Paulo-SP, todas transportando elementos pré-fabricados de concreto. Cada caminhão carrega peças que chegam a quase 21 metros de comprimento, para atender a um cliente que está construindo edifícios-garagem em um megacondomínio na zona norte da capital paulista. Neste caso, a logística se impôs, pois a prioridade é a qualidade das estruturas.
A MRV projeta 25 edifícios-garagem no Grand Reserva Paulista, considerado o maior empreendimento da construtora. Nove destas edificações já estão em obras. A complexidade dos elementos pré-fabricados de concreto fez a construtora buscar os serviços da MARNA PRÉ-FABRICADOS, localizada em Pinhais-PR, na região metropolitana de Curitiba. A empresa usa Cimento Itambé como matéria-prima para a fabricação de suas peças. Nesses 9 edifícios-garagem em construção, o consumo de concreto chega a 11.770 m3.
Na entrevista a seguir, o diretor da MARNA, Guilherme Fiorese Philippi, explica os desafios que envolveram o projeto estrutural, a fabricação, o transporte e a montagem das obras. Os elementos que compõem os 9 edifícios-garagem incluem pilares, vigas armadas, vigas protendidas, lajes alveolares, painéis de fechamento e escadas. A precisão das peças virou case para a Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), que cita a obra do megacondomínio da MRV como a comprovação da versatilidade das estruturas pré-fabricadas de concreto. Confira a entrevista:
A MARNA PRÉ-FABRICADOS é protagonista na construção de 9 edifícios-garagem em um condomínio da MRV na cidade de São Paulo-SP. Quais os principais desafios para viabilizar a obra?
Dentre os principais desafios se destacam a alta complexidade das peças na fase de fabricação, em especial os pilares com muitos consolos. A logística de transporte das peças para a obra também foi desafiadora, pois houve momentos com 4 obras sendo montadas simultaneamente. Finalmente, a montagem das obras trouxe outros cuidados, pois os edifícios são muito altos e esbeltos, chegando a 8 pavimentos de laje.
Qual o volume total de concreto a ser empregado na produção dos elementos pré-fabricados para essa obra?
O volume de concreto pré-fabricado para as 9 obras é de 11.770 m3 e a área total é de 71.110 m2.
Essa é a maior obra de que a MARNA participa?
Considerando a soma das 9 obras, é a maior obra de que a MARNA PRÉ-FABRICADOS participou até agora.
Quais as características do concreto usado nos elementos pré-fabricados?
A obra foi projetada com fck 40 MPa. No entanto a resistência média de nosso concreto para 28 dias é superior a 50 MPa. Utilizamos concreto autoadensável para pilares, vigas, painéis de fechamento e escadas.

A MARNA se responsabilizou apenas pela fabricação e logística dos elementos pré-fabricados ou também está envolvida na montagem?
A MARNA se responsabilizou pelo projeto estrutural, fabricação, transporte e montagem das obras. O planejamento rigoroso da sequência das peças transportadas foi fundamental para o êxito das obras, principalmente devido à distância de 400 quilômetros entre a fábrica, em Pinhais-PR, e o canteiro de obras em São Paulo-SP. Houve momentos em que foram necessárias 16 cargas de carreta por dia. Quanto à montagem, devido à altura e esbelteza das obras, houve a necessidade de solidarizar as mesmas com a execução do capeamento durante a fase de montagem de maneira intercalada. Também houve um cuidado muito grande com as ligações entre vigas e pilares, utilizando-se solda e grauteamento no local. Outro desafio foi o grande número de pilares com emenda. Foram fabricados pilares com 29,28 metros, divididos em 2 elementos de 20,93 metros e 8,35 metros. Porém, a principal questão técnica da obra, devido à complexidade e à altura, está nas ligações. Foram necessárias ligações com solda, ranhuras entre vigas e pilares com posterior grauteamento, vigas e painéis com armaduras para serem desdobradas e solidarizadas à capa, dentre outras soluções.
Comparativamente ao emprego de sistemas convencionais, no que a construção industrializada traz de economia aos edifícios-garagem da MRV?
A principal vantagem para o cliente é a velocidade da execução da obra e a possibilidade de vencer maiores vãos utilizando estruturas protendidas. Nesses edifícios tivemos lajes com vãos de até 14 metros com uso de lajes alveolares protendidas. Outra vantagem para a MRV foi a opção pelo uso de painéis de fechamento pré-fabricados, em substituição à execução de paredes com alvenaria em blocos de concreto. Isso trouxe uma grande agilidade de execução. Outro elemento que trouxe muita agilidade para a construtora foi o uso de escadas pré-fabricadas. Cada edifício garagem leva em torno de 90 dias para ficar pronto e o cronograma tem sido cumprido rigorosamente. Um aspecto interessante é que conforme os edifícios-garagem são finalizados estes passam a ser utilizados como áreas de apoio durante a obra, como escritório, áreas de vivência, almoxarifado e refeitório.
Quanto ao emprego de mão de obra, o que foi necessário para viabilizar os edifícios-garagem?
Para a fase de montagem foram necessárias equipes de 6 pessoas para cada edifício.
Entrevistado
Guilherme Fiorese Philippi, diretor da MARNA PRÉ-FABRICADOS
Contato: marna@marna.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Lajes de subpressão estanques: saiba como construir

A demanda por edifícios altos, com mais de 20 pavimentos, têm obrigado escavações cada vez mais profundas para as fundações. Não raramente, isso pode interceptar os aquíferos e levar a engenharia a buscar dois tipos de solução: o rebaixamento definitivo, usando estruturas de contenção, ou o uso de lajes de subpressão estanques.
A primeira opção começa a cair em desuso. Em muitas cidades brasileiras já se proíbe a utilização do rebaixamento definitivo devido aos prejuízos causados ao meio ambiente. Além disso, no longo prazo, essa solução se torna de elevado custo devido aos gastos com o acionamento das bombas d’água, para que elas mantenham o rebaixamento, retirando o excedente de água, além da manutenção dos equipamentos.
Portanto, a execução de estruturas estanques projetadas para receber os carregamentos de aquíferos é solução adequada do ponto de vista ambiental e econômico. O engenheiro-projetista Renato Salles Cortopassi aplicou essa técnica na construção de um edifício de 30 pavimentos na cidade-satélite de Águas Claras, no Distrito Federal, cujas escavações atingiram 10,5 metros de profundidade e ficaram 7 metros abaixo do nível do lençol freático que passava pelo subsolo do terreno.
O engenheiro explica que antes de optar pela técnica adequada foi importante determinar o nível do aquífero, através de sondagem STP. O processo, cuja sigla vem do inglês “Standard Penetration Test” (Teste de Penetração Padrão), é muito usado para conhecer o subsolo e fornecer subsídios indispensáveis para escolher o tipo de fundação. A norma técnica ABNT NBR 6484:2001 - Solo - Sondagens de simples reconhecimentos com SPT - Método de ensaio, é que define os padrões para a sondagem STP.
O engenheiro-projetista revela que também foram usados poços de pesquisa para confirmar o nível de água do lençol freático atingido pela obra. Esses poços podem incorporar medidores pontuais (medidores de fita) ou medidores automáticos (transdutores de pressão), que permitem um monitoramento contínuo da variação do nível de água do lençol freático ao longo do tempo.
Concretagem da laje de subpressão precisa atender requisitos especiais
Definida a escolha pela laje de subpressão, Renato Salles Cortopassi explica que o plano de concretagem precisa ser cumprido com exatidão, a fim de que se evitem retrações e trincas que podem gerar vazamentos. “Esse risco é evitado com o uso de aditivo cristalizante de profundidade, também conhecido como aditivo cristalizante integral. Sem o uso do aditivo, a possibilidade de fissuração é grande, já que o aditivo tampa a porosidade do concreto e cicatriza eventuais fissuras”, alerta o engenheiro-estrutural.
No caso da concretagem no edifício construído na cidade-satélite de Brasília, Renato Salles Cortopassi afirma que tecnologistas foram responsáveis pelo controle tecnológico do concreto. Em função das características do microclima na região da obra, a concretagem só podia ocorrer quando a temperatura ambiente estivesse abaixo de 30 °C. Também foi necessário realizar a aspersão de água antes do lançamento do concreto, para que a umidade do ar no microclima em que a edificação se localiza ficasse acima de 50%, já que a umidade média na época da construção era de 25%, o que é proibitivo para esse tipo de concretagem.
Para saber mais, acesse o web seminário. Clique aqui.
Entrevistado
Reportagem com base no web seminário “Estruturas estanques submetidas a carregamentos de aquíferos - Lajes de subpressão”, da AECweb, concedido pelo engenheiro-projetista Renato Salles Cortopassi
Contato: contato@email.aecweb.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Troque grandes estoques no canteiro de obras por TI
O uso da Tecnologia da Informação (TI) na logística de suprimentos permite que o estoque de materiais dentro do canteiro de obras possa condizer com o momento de cada etapa da construção. Isso evita perdas por superlotação, mau armazenamento e desperdício. Através da TI, também é possível desenvolver o planejamento estratégico da logística junto aos fornecedores, o que cria uma cadeia com comunicação eficiente, velocidade nas respostas e qualidade de atendimento.
Porém, é necessário um projeto que permita à Tecnologia da Informação coletar dados suficientes para compreender a logística de suprimentos. Isso é feito por um profissional que vem ganhando cada vez mais espaço nos canteiros de obras que operam com planejamento: o analista de materiais. Geralmente, a função é exercida por um engenheiro civil especialista em logística aplicada na construção civil. Ele também não atua sozinho, mas em equipe, a qual vai controlar a entrada, o recebimento e armazenamento de materiais no canteiro de obras.
No entender de engenheiros que palestraram no CONAPROC (Congresso Nacional de Produtividade na Construção Civil), a aplicação da tecnologia para desenvolver logística de suprimentos no canteiro de obras requer quebra de paradigmas. O primeiro deles é substituir a negligência com produção, automação, qualificação, produtividade e treinamentos por processos, programas de qualificação, programas setoriais, certificações e normalização. São medidas para combater improvisação, retrabalho, perdas e desperdícios.
Logística de suprimentos propõe que a autossuficiência dê lugar ao planejamento compartilhado
Outro paradigma a ser quebrado é o que inviabiliza construtoras e incorporadoras de obterem vantagens na cadeia de suprimentos, a qual engloba fornecimento, compra de materiais, produção, estocagem, armazenamento e distribuição. Isso possibilita um círculo virtuoso, que envolve comprar bem, construir bem e vender bem. Para tal - alertam os palestrantes -, precisa ser esquecida a máxima de que engenheiro bom é aquele que “bate escanteio e corre para cabecear”. Ou seja, faz desde a gestão da obra até a compra dos materiais.
O que a logística de suprimentos propõe é que a autossuficiência dê lugar ao planejamento e ao foco nos processos que compartilhem dados de TI e integrem os fornecedores ao projeto. Um exemplo citado pelos engenheiros que palestraram no CONAPROC é que a cadeia de suprimentos não pode nunca comprometer o trabalho no canteiro de obras por falta de materiais.
Então, se a obra estiver a 100 quilômetros do fabricante do material, é preciso a garantia do fornecedor de que o pedido será entregue de acordo com o cronograma estabelecido. Da mesma forma, é necessário pensar em situações em que a construtora possua obras ocorrendo simultaneamente em lugares diferentes. Neste caso, o recomendável não é buscar um fornecedor para cada obra, mas verificar se a estrutura de um único fornecedor consegue cobrir o raio de ação dos empreendimentos. Neste caso, a sugestão é optar pelo fabricante que tenha centros de distribuição e expertise em logística. Assim, ele também poderá contribuir com a TI da construtora no planejamento estratégico da obra.
Veja vídeo-aula sobre engenharia logística aplicada na construção civil
Entrevistado
Reportagem com base em vídeo-aula apresentada no CONAPROC (Congresso Nacional de Produtividade na Construção Civil)
Contato: luchezzi@luchezzi.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330








