Pavimento urbano de concreto avança com foco em durabilidade e resiliência 

O pavimento urbano de concreto (PUC) vem ampliando espaço no Brasil como alternativa para vias urbanas, empreendimentos habitacionais e centros logísticos, pátios industriais. Durante o 5º Congresso ABESC de Pavimento Urbano de Concreto (PUC), realizado na Concrete Show 2026, especialistas destacaram a evolução técnica do sistema, os avanços em normalização, o uso de fibras, os ganhos de produtividade e o potencial da solução para ampliar a durabilidade e a previsibilidade do desempenho da infraestrutura urbana.

Pavimento urbano de concreto avança com foco em durabilidade e resiliência. Crédito: Marina Pastore

Segundo Álvaro Sérgio Barbosa Júnior, coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC), o desenvolvimento do PUC no Brasil parte da adaptação e consolidação de conhecimentos já empregados em pavimentos rodoviários e pisos industriais, considerando as particularidades das aplicações urbanas. “Nós não inventamos nada. O trabalho foi entender o que estava acontecendo fora do Brasil, trazer isso para uma realidade nacional e incorporar melhorias ao processo”, afirmou.

Resiliência urbana muda a lógica dos investimentos

Para Barbosa Júnior, um dos principais fatores que impulsionam o PUC é a mudança na forma de avaliar os investimentos públicos e privados. Em vez de considerar apenas o custo inicial, ganha importância a análise de durabilidade, manutenção e desempenho ao longo da vida útil.

Para Álvaro Sérgio Barbosa Júnior, um dos fatores que impulsionam o PUC é a mudança na forma de avaliar os investimentos públicos e privados. Crédito: Marina Pastore

“Quando falamos de resiliência urbana, estamos falando de obra para durar. Se eu estou falando de sustentabilidade, quero um empreendimento que permaneça. Não quero fazer um processo hoje e ter que refazê-lo daqui a dois anos”, destacou.

Nesse contexto, pavimentos projetados para apresentar maior durabilidade podem contribuir para reduzir a frequência de intervenções, os impactos sobre a mobilidade urbana e os custos associados à manutenção, além de aumentar a capacidade de resposta da infraestrutura diante de condições adversas.

De acordo com o coordenador da ABESC, o avanço do sistema também vem acompanhado da evolução das referências técnicas para apoiar municípios, projetistas e executores. A ABNT PR 1011 – Projeto de pavimentos urbanos em concreto, publicada originalmente em 2021, está atualmente em processo de revisão. O trabalho envolve diferentes entidades e especialistas do setor e busca ampliar a abordagem do documento para contemplar, de forma integrada, aspectos de projeto, execução, inspeção e gestão de ativos, incluindo critérios baseados em desempenho e tenacidade. 

Projeto é determinante para o desempenho

O engenheiro Eduardo Tartuce, da MixDesign – Tartuce Engenheiros Associados, reforçou que a competitividade do PUC depende diretamente de um dimensionamento adequado às condições de utilização. Para ele, sustentabilidade e economia não podem ser obtidas por meio da simples redução da espessura do pavimento.

Eduardo Tartuce destaca que a competitividade do PUC depende diretamente de um dimensionamento adequado. Crédito: Marina Pastore

“Não adianta fazer um piso de 10 ou 12 centímetros se ele não vai durar cinco anos. Temos que ter algo econômico e sustentável, mas sem perder a durabilidade. Se o pavimento foi feito para durar 30 anos, ele tem que durar 30 anos”, afirmou.

Entre os aspectos considerados no dimensionamento estão as características do solo (fundação e subleito), as solicitações de tráfego (cargas atuantes), as dimensões e a geometria das placas, o comportamento das juntas, os efeitos de retração e temperatura, e quando empregado concreto reforçado com fibras, o desempenho mecânico do sistema de reforço.

Entre as estratégias de projeto estão as placas de dimensões otimizadas, que podem contribuir para o controle das tensões e para o adequado comportamento das juntas. “A junta é uma fissura planejada, no local onde eu quero que ela aconteça, conforme foi projetada. Se ela não estiver na posição correta, outras fissuras podem surgir”, explicou Tartuce.

Segundo o especialista, a paginação das placas é uma das etapas mais importantes do projeto. O posicionamento e o detalhamento de juntas serradas e construtivas, bem como dos dispositivos de transferência de carga, quando previstos, devem ser compatíveis com o dimensionamento e com as condições de execução.

Macrofibras ampliam as possibilidades de reforço estrutural

Outro ponto destacado no congresso foi a utilização de macrofibras no concreto. Diferentemente das microfibras, empregadas principalmente para o controle da fissuração associada a fenômenos nas primeiras idades, como a retração plástica, as macrofibras estruturais são especificadas para proporcionar capacidade de absorção de energia e resistência residual após a fissuração da matriz, podendo participar do sistema resistente do pavimento quando consideradas no dimensionamento.

Por isso, a utilização de macrofibras não deve ser tratada apenas como uma substituição direta da armadura convencional. O desempenho estrutural depende do tipo de fibra, de suas propriedades mecânicas, da dosagem, da dispersão no concreto e, principalmente, dos parâmetros de desempenho utilizados no dimensionamento. Referências técnicas da ABESC destacam justamente a necessidade de caracterização da resistência residual das fibras para sua aplicação em pavimentos urbanos de concreto.

Barbosa Júnior alertou, que a escolha do material deve estar associada ao desempenho especificado. “Não é simplesmente comprar o concreto, comprar a fibra e adicionar na obra. É preciso corrigir o traço e conhecer a qualidade da fibra que está sendo utilizada”, afirmou.

Tartuce acrescentou que o projeto precisa considerar o desempenho da fibra e não apenas sua presença no concreto. “O PUC pode ser feito com tela, fibra metálica ou fibra sintética. Hoje a fibra sintética tem sido muito utilizada porque, em diversas situações, apresenta vantagem econômica, mas isso precisa ser dimensionado”, explicou.

Execução exige planejamento e controle

Galiano Benossi lembra que a execução do PUC demanda atenção especial à preparação da base e à regularidade do lançamento. Crédito: Marina Pastore

O engenheiro Galiano Benossi, superintendente da Gran Nobre Pisos Industriais, destacou que a execução do PUC demanda atenção especial à preparação da base, a logística de fornecimento do concreto, à regularidade do lançamento, à cura e execução das juntas.

“O planejamento da obra é essencial para se obter um concreto de qualidade e, consequentemente, um resultado final de qualidade”, afirmou.

Segundo Benossi, a ausência de armaduras convencionais em determinadas soluções facilita a descarga direta do concreto e aumenta a produtividade. Em grandes áreas, entretanto, é fundamental organizar o fornecimento do concreto de forma contínua, evitando interrupções que possam gerar juntas não previstas e diferenças de idade ou de condições de acabamento entre os trechos executados. 

A cura também é decisiva, pois tem como objetivo reduzir a perda de água do concreto e proporcionar condições adequadas para o desenvolvimento da hidratação do cimento e das propriedades mecânicas. Embora a cura úmida seja considerada eficiente, sua manutenção durante vários dias pode ser pouco viável em alguns canteiros. Por isso, a execução costuma recorrer à cura química, desde que o produto e o procedimento sejam adequadamente especificados.

Cabe ainda ressaltar que, em situações de elevada temperatura, baixa umidade relativa ou vento, o controle da evaporação nas primeiras idades torna-se ainda mais importante, especialmente para reduzir o risco de retração plástica e fissuração superficial.

Concreto permeável amplia possibilidades

O concreto permeável também apareceu como uma alternativa para áreas urbanas que precisam combinar pavimentação e drenagem. Paulo Junek, sócio-diretor da Ecocreto Brasil, explicou que o material possui poucos finos e elevado índice de vazios, permitindo a passagem da água.

O concreto permeável pode ser aplicado em calçadas, estacionamentos, praças e vias de tráfego leve, segundo Paulo Junek. Crédito: Marina Pastore

“Se houver muita formação de argamassa, o concreto perde os vazios e, consequentemente, perde a permeabilidade”, explicou.

Segundo Junek, a solução pode ser aplicada em calçadas, estacionamentos, praças, vias de tráfego leve e até áreas submetidas a cargas mais elevadas, desde que corretamente dimensionado. O projeto deve considerar tipo de solo, índice pluviométrico e utilização da área.

No Parque Villa-Lobos, em São Paulo, mais de 5 mil m² de concreto permeável foram utilizados em áreas de circulação e lazer. Para Junek, o desempenho depende da integração entre as diferentes etapas: “O concreto começa no projeto, passa pelo desenvolvimento e termina na execução. Esse tripé precisa funcionar corretamente.”

PUC ganha escala em Sergipe

No setor habitacional, o estado de Sergipe tornou-se um dos exemplos de expansão do sistema. João Faccio, head de Inovação e Offsite da Stanza, relatou que as condições geotécnicas locais e os períodos de chuva representavam desafios para a produtividade dos canteiros.

“Nós precisávamos garantir acessibilidade e trafegabilidade durante toda a obra, mantendo a produtividade mesmo nos períodos chuvosos”, afirmou.

Com a execução antecipada da pavimentação, as construtoras passaram a trabalhar sobre uma infraestrutura consolidada, reduzindo impactos logísticos e riscos ao cronograma.

João Faccio aponta que o PUC já está presente em empreendimentos de diferentes municípios sergipanos. Crédito: Marina Pastore

Segundo Faccio, o PUC já está presente em empreendimentos de diferentes municípios sergipanos. “Além da qualidade da pavimentação e do melhor andamento da obra, conseguimos eliminar boa parte dos impactos provocados pelas chuvas sobre o cronograma”, afirmou.

Para os especialistas reunidos no congresso, a consolidação do pavimento urbano de concreto dependerá justamente da combinação entre engenharia de projeto, materiais adequadamente especificados, controle executivo, normalização, planejamento e avaliação do desempenho ao longo da vida útil. Como resumiu Tartuce, “o PUC não deve ser escolhido apenas por ser concreto, mas quando sua concepção transforma engenharia em valor, entregando desempenho técnico, eficiência econômica, qualidade urbana e benefícios ambientais ao longo de sua vida útil”.

Fontes

Álvaro Sérgio Barbosa Júnior é coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC).

Eduardo Tartuce é engenheiro da MixDesign – Tartuce Engenheiros Associados.

Galiano Benossi é superintendente da Gran Nobre Pisos Industriais.

Paulo Junek é sócio-diretor da Ecocreto Brasil.

João Faccio é head de Inovação e Offsite da Stanza.

Contatos

Álvaro Sérgio Barbosa Júnior - alvaro@abesc.org.br 

Eduardo Tartuce – eduardo@mixdesign.com.br

Paulo Junek – paulo@ecocretobrasil.com

Galiano Benossi  - grannobre@grannobre.com.br

João Faccio – sac@stanza.com.br

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Congresso IBRACON aponta caminhos para estruturas de concreto mais duráveis

Monitoramento permanente de pontes e viadutos, concretos com resistência superior a 100 MPa e a evolução dos critérios de dimensionamento buscando explorar de forma mais eficiente as propriedades dos materiais estão entre os caminhos apontados para tornar as estruturas de concreto mais duráveis, eficientes e sustentáveis. Os temas foram debatidos durante o congresso “Novidades na Cadeia Produtiva das Estruturas de Concreto”, promovido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) durante a Concrete Show 2026.

As apresentações de Marcos Monteiro, secretário de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo (SIURB), Bernardo Tutikian, professor e pesquisador da Unisinos, e Paulo Helene, presidente da PhD Engenharia, mostraram diferentes frentes de uma mesma transformação: sair de uma lógica predominantemente corretiva para incorporar prevenção, novas tecnologias e critérios de projeto orientados à vida útil.

São Paulo aposta no monitoramento de pontes e viadutos

Marcos Monteiro apresentou a evolução do programa municipal de inspeção, monitoramento e recuperação das obras de arte especiais da capital paulista. Segundo ele, o episódio ocorrido em 2018, quando parte da estrutura de um viaduto na Marginal Pinheiros sofreu uma ruptura em um aparelho de apoio, reforçou a necessidade de estabelecer uma política contínua de acompanhamento dessas estruturas.

Programa municipal de inspeção, monitoramento e recuperação das obras de arte especiais em São Paulo (SP) tem investimentos de aproximadamente R$ 3 bilhões.
Crédito: Marina Pastore

“Não é só uma questão de segurança, que evidentemente é fundamental para os usuários. É também uma questão patrimonial. Quanto mais tempo demoramos para intervir em uma estrutura, mais cara e mais demorada será sua recuperação”, afirmou Monteiro.

Desde 2021, segundo o representante da SIURB, aproximadamente R$ 3 bilhões foram destinados ao programa. Até o momento, foram realizadas 2.322 inspeções, com outras 64 em andamento, além de 304 obras de recuperação concluídas e 73 em execução. O município mantém 770 estruturas monitoradas e possui cerca de 1.280 obras cadastradas, incluindo pontes, viadutos, passarelas e túneis.

O programa segue as diretrizes da ABNT NBR 9452 para inspeções de pontes, viadutos e passarelas. As estruturas que apresentam condições mais críticas são priorizadas para inspeções especiais e intervenções.

A gestão municipal também avançou para o monitoramento em tempo real. Uma central integra câmeras, informações de satélite, drones, georreferenciamento, scanners, sensores e dados de redes sociais e aplicativos de navegação.

“Hoje conseguimos acompanhar deslocamentos das estruturas e do entorno. Quando há uma movimentação fora do padrão, o sistema gera alertas e nossas equipes podem ser direcionadas ao local para verificar o que está ocorrendo”, explicou Monteiro.

Outra frente é a utilização de gêmeos digitais, capazes não apenas de representar a estrutura tridimensionalmente, mas também de armazenar informações sobre movimentações, inspeções e comportamento ao longo do tempo.

UHPC surge como alternativa para estruturas de longa vida útil

Bernardo Tutikian concentrou sua apresentação no concreto de ultra-alto desempenho, o UHPC, tecnologia que vem avançando no país e que também ganhou novo respaldo na normalização técnica brasileira.

Segundo o pesquisador, um dos desafios está diretamente relacionado à durabilidade das obras de arte especiais. Embora estruturas como pontes e viadutos sejam projetadas para vidas úteis prolongadas, problemas relacionados à deterioração dos materiais e à ação de agentes ambientais podem exigir intervenções antes do período originalmente previsto.

Para Bernardo Tutikian, tecnologias que antes estavam praticamente restritas ao ambiente acadêmico estão reduzindo custos e começando a entrar nas aplicações reais. Crédito: Marina Pastore

“O sistema tradicional de concreto armado nem sempre vem dando a resposta adequada para nossas estruturas. Temos problemas de execução, controle e uso, e grande parte das manifestações está associada à corrosão das armaduras”, afirmou.

Com elevada compacidade e baixíssima relação água-aglomerante, o UHPC dificulta a entrada de agentes agressivos e apresenta resistência à compressão a partir de aproximadamente 100 MPa, podendo alcançar valores significativamente superiores. A presença de fibras também permite reduzir, e em determinadas aplicações até substituir parcialmente, armaduras convencionais.

“O UHPC não é simplesmente um concreto de altíssima resistência. É a combinação de concreto de alta resistência, concreto autoadensável e concreto reforçado com fibras”, explicou Tutikian.

A tecnologia já é utilizada internacionalmente em passarelas, pontes, fachadas e elementos pré-fabricados e começa a ampliar suas aplicações no Brasil, inclusive em ligações, juntas e elementos de reforço de obras de arte.

Um dos desafios para a maior disseminação do UHPC, entretanto, ainda é o custo inicial. Tutikian citou especialmente a disponibilidade de fibras de elevado desempenho, muitas delas ainda importadas. Por outro lado, avanços na formulação dos concretos, no desenvolvimentode aditivos de alto desempenho e nos processos de produção vêm tornando a tecnologia progressivamente mais acessível.

“Tecnologias que antes estavam praticamente restritas ao ambiente acadêmico estão reduzindo custos e começando a entrar nas aplicações reais”, observou.

Projeto pode reduzir concreto, aço e emissões

Paulo Helene abordou outro aspecto da evolução das estruturas: o melhor aproveitamento da resistência do concreto ao longo do tempo.

Segundo o engenheiro, o concreto possui uma característica particular em relação a materiais como o aço: suas propriedades continuam se modificando após a concretagem. A resistência mecânica tende a aumentar com o avanço da hidratação do cimento, embora também possa sofrer redução relativa quando submetida a cargas elevadas de longa duração.

Paulo Helene defendeu maior flexibilidade normativa para permitir a adoção de idades de referência superiores aos tradicionais 28 dias, prática já admitida por referências internacionais.
Crédito: Marina Pastore

“A resistência do concreto cresce com a idade, mas frequentemente deixamos de aproveitar esse potencial no projeto”, afirmou Helene.

Ele defendeu maior flexibilidade normativa para permitir a adoção de idades de referência superiores aos tradicionais 28 dias, como 63 ou 91 dias, prática já admitida por referências internacionais.

Na avaliação de Helene, essa mudança pode permitir menor consumo de cimento sem comprometer a resistência especificada. “Só de mudar a idade de controle, mantendo o mesmo FCK de projeto, é possível reduzir o consumo de cimento e, consequentemente, as emissões de gases de efeito estufa”, explicou.

O professor também destacou que a sustentabilidade de uma estrutura não deve ser avaliada somente pelas emissões de um metro cúbico de concreto. Concretos de maior resistência podem exigir mais cimento por metro cúbico, mas permitem reduzir dimensões dos elementos e, principalmente, a quantidade de aço.

“O que importa é a emissão da estrutura pronta. Não adianta olhar apenas para o metro cúbico de concreto”, ressaltou.

Para Helene, a evolução das normas brasileiras pode abrir caminho para projetos mais eficientes sem tornar essas alternativas obrigatórias. “Precisamos de uma norma mais flexível, que ofereça novas possibilidades para quem tiver conhecimento e quiser utilizá-las”, concluiu.

As discussões do Congresso IBRACON evidenciaram, assim, uma mudança de perspectiva na cadeia produtiva: mais do que recuperar estruturas degradadas, o desafio passa por projetar, executar e monitorar estruturas capazes de alcançar maior vida útil, demandar menos intervenções de manutenção e recuperação e utilizar materiais e recursos de forma mais eficiente ao longo de todo o ciclo de vida.

Fontes

Marcos Monteiro é secretário de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo (SIURB).

Bernardo Tutikian é professor e pesquisador da Unisinos.

Paulo Helene é presidente da PhD Engenharia.

Contatos

Marcos Monteiro - siurbassesimprensa@prefeitura.sp.gov.br 

Bernardo Tutikian - bftutikian@unisinos.br 

Paulo Helene - paulo.helene@concretophd.com.br 

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Prédios altos ampliam desafios técnicos das paredes de concreto

O sistema de paredes de concreto, já consolidado em empreendimentos habitacionais de menor porte, avança para edifícios cada vez mais altos e traz novos desafios para projetistas, construtoras e fornecedores. No 5º Seminário ABESC de Paredes de Concreto para Prédios Altos, realizado durante a Concrete Show 2026, especialistas destacaram que a verticalização exige mais do que simplesmente reproduzir soluções utilizadas em edificações de menor altura: demanda planejamento desde a concepção do empreendimento, especificação adequada do concreto, integração entre projetos e coordenação das diferentes etapas e agentes envolvidos na cadeia produtiva.

Segundo Álvaro Sérgio Barbosa Júnior, coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC), a evolução do sistema já levou o setor a discutir edifícios com mais de 20 pavimentos. Para ele, quanto maior a altura, maiores também são as exigências técnicas e de desempenho. 

Concreto precisa ser especificado pelo desempenho

Um dos principais pontos levantados por Barbosa foi a necessidade de abandonar a lógica de comprar concreto apenas pelo FCK. Para prédios altos, segundo ele, características como fluidez, estabilidade, resistência para desforma, módulo de elasticidade e trabalhabilidade precisam ser especificadas desde o projeto e efetivamente transmitidas ao fornecedor.

“Principalmente focando em prédios altos, não dá para trabalhar com concreto ‘bem molinho’. Eu tenho que trabalhar com concreto com fluidez controlada”, afirmou Barbosa. A especificação correta, acrescentou, contribui para aumentar a velocidade de lançamento, reduzir falhas de concretagem e acabamento e melhorar a previsibilidade do processo. 

A ABESC também vem estudando o uso do método da maturidade para acelerar a liberação das formas. Barbosa relatou que, em obras-piloto, ciclos inicialmente previstos para alcançar 3 MPa em 12 horas têm permitido desformas em cerca de nove horas. Para ele, o ganho de produtividade depende justamente de conhecimento técnico e controle do concreto, não apenas da adoção do sistema construtivo.

Nos levantamentos apresentados pelo coordenador, a utilização de concreto fluido em paredes de concreto alcançou índice de produtividade de 0,95 homem-hora por metro cúbico, além de redução de aproximadamente 35% no indicador homem-hora por volume concretado. “Produtividade depende mais de gestão técnica do que da região. É muito mais a gestão do processo de como você vai trabalhar”, ressaltou. 

Verticalização exige engenharia antes do canteiro

Para Ary Fonseca Junior, sócio-diretor da Signo Engenharia, o avanço do sistema de paredes de concreto em edifícios altos evidencia a necessidade de antecipar decisões de engenharia para etapas cada vez mais iniciais do empreendimento.

Para Ary Fonseca Junior, o avanço do sistema evidencia a necessidade de antecipar decisões de engenharia para etapas iniciais do empreendimento.
Crédito: Marina Pastore

O especialista lembrou que, em pouco mais de uma década, o sistema deixou de estar associado principalmente às habitações de interesse social, especialmente às edificações vinculadas ao programa Minha Casa, Minha Vida, e passou a ser empregado também em edifícios de dezenas de pavimentos. Em sua apresentação, citou exemplos de torres de 36 andares. 

Segundo Fonseca Junior, a parede de concreto não deve ser entendida isoladamente como um processo industrializado, mas como um sistema construtivo altamente racionalizado, capaz de incorporar diversos componentes industrializados, como telas soldadas, formas, kits hidráulicos e outros subsistemas.

“O sistema de parede de concreto não é industrializado. Ele é muito racionalizado, mas acopla subsistemas que estão industrializados”, explicou. Para ele, essa combinação permite reduzir a dependência de mão de obra no canteiro, especialmente quando associada ao concreto autoadensável e a equipamentos adequados. 

A eficiência, porém, precisa nascer antes da obra. “Eu já tenho que fazer engenharia quando sentar com o incorporador, com o arquiteto e com o dono”, defendeu Fonseca Junior. A definição antecipada de soluções estruturais, instalações, logística e métodos executivos evita que decisões incompatíveis com a repetitividade do sistema comprometam posteriormente os ciclos de produção.

Pré-engenharia passa a definir a viabilidade

A experiência da Quattro Construtora mostrou como essa mudança de cultura ocorre na prática. Thales Ozório Sousa, gerente de Novos Negócios da empresa, relatou que a construtora decidiu migrar para paredes de concreto após enfrentar desperdícios, dificuldades de gestão e pressão sobre as margens em empreendimentos executados pelos sistemas tradicionais.

Na opinião de Thales Ozório Sousa, parede de concreto não é o começo, é o durante do negócio. Crédito: Marina Pastore

No projeto Estrada dos Altos, a adoção da tecnologia ocorreu em um terreno com cerca de 20 metros de desnível, originalmente pensado para uma solução convencional. A implantação exigiu rever projetos e integrar arquitetos, calculistas, especialistas em fundações, contenções, pré-moldados e instalações. 

“A engenharia a montante nada mais é do que pensar o empreendimento antes de começar a fazer. Quando você pensa antes de executar, tem ganhos extraordinários”, afirmou Sousa. Segundo ele, apenas a análise antecipada das soluções de taludes e contenções representou economia de alguns milhões de reais no empreendimento. 

A empresa também passou a reunir premissas comerciais, técnicas e de execução em um “caderno de engenharia”, entregue posteriormente ao responsável pela obra. O documento registra desde o sistema estrutural e as especificações do concreto até marcos de contratação, cronograma e histórico da execução. 

Sistema muda a organização da construtora

Para Sousa, um dos maiores aprendizados foi perceber que a parede de concreto não transforma somente a estrutura do edifício. Ela interfere na própria organização empresarial, exigindo profissionais familiarizados com o sistema, integração de departamentos e antecipação de decisões.

Parede de concreto não é o começo, é o durante do negócio”, resumiu. Antes da escolha do sistema, segundo ele, precisam existir pessoas capacitadas, gestão e processos estruturados. 

A escolha do terreno e a concepção arquitetônica também passam a ser decisivas. Embora seja tecnicamente possível adaptar o sistema a situações complexas, determinadas soluções podem eliminar justamente sua principal vantagem. “Você pode fazer qualquer coisa com parede de concreto, só que vai perder produtividade. E o conceito de usar parede de concreto é ganhar produtividade”, destacou Sousa. 

Fontes

Álvaro Sérgio Barbosa Júnior é coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC).

Ary Fonseca Junior é sócio-diretor da Signo Engenharia.

Thales Ozório Sousa é gerente de Novos Negócios da Quattro Construtora.

Contatos

Álvaro Sérgio Barbosa Júnior - alvaro@abesc.org.br  

Ary Fonseca Junior – ary.signo@terra.com.br

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Eficiência com segurança técnica: como otimizar custos sem comprometer o desempenho do concreto

Para uma concreteira, a margem de lucro é definida nos detalhes: no traço, no controle de insumos, na logística e na gestão da qualidade. O desafio é claro: como reduzir o custo por metro cúbico sem colocar em risco o desempenho do produto entregue e, consequentemente, a credibilidade técnica da concreteira?

Controle estatístico de processo e redução do desvio-padrão

Entender como está a produção do concreto por meio dos resultados de resistência e do controle estatístico é fundamental para avaliar possíveis ajustes. Um desvio-padrão elevado indica, principalmente, uma maior variabilidade no processo de produção, que pode estar relacionada à qualidade das matérias-primas, ao traço, aos procedimentos de produção ou a questões operacionais.  Essa variabilidade pode resultar em um maior custo de produção, uma vez que pode ser necessário trabalhar com maiores margens de segurança para garantir o atendimento à resistência especificada.

A otimização não consiste simplesmente em reduzir o custo do traço, mas em reduzir custos dentro de uma margem tecnicamente segura, mantendo a resistência e a estabilidade do processo.

Contudo, um desvio-padrão baixo não significa que não exista espaço para diminuição de custos. Neste caso, pode-se estudar a otimização dos traços, com um melhor empacotamento dos agregados, com o uso de adições minerais e aditivos mais eficientes. Para entender melhor como funciona o controle estatístico e o desvio-padrão, leia o artigo "Como fazer a interpretação técnica em ensaios de concreto?"

Como avaliar a otimização realizada nos traços?

Avaliar a viabilidade econômica de um traço de concreto apenas pelo custo do metro cúbico (R$/m³) é uma análise limitada e, em alguns casos, pode levar a conclusões equivocadas. A utilização de insumos de maior valor agregado, como aditivos com maior poder de dispersão, adições minerais ou determinados tipos de cimento, pode aumentar inicialmente o custo do traço, mas esse investimento pode ser compensado pelo ganho de resistência e pela maior eficiência da dosagem.

É justamente para avaliar essa relação entre custo e desempenho que utilizamos o indicador - R$/MPa. Ao relacionar o custo final do metro cúbico com a resistência à compressão obtida aos 28 dias, o indicador permite avaliar quanto está sendo investido para cada unidade de resistência alcançada, facilitando a identificação de dosagens que apresentam o melhor equilíbrio entre desempenho técnico e custo. Esse indicador é apresentado pela fórmula a seguir:

Exemplo de utilização do indicador R$/MPa

O exemplo apresentado na tabela a seguir mostra que, mesmo mantendo constantes os consumos de cimento e aditivo, pequenas alterações nas proporções dos agregados podem resultar em diferenças significativas no desempenho do concreto. Dessa forma, o menor custo por m³ não significa, necessariamente, que a dosagem seja a mais econômica. Ao considerar o custo em conjunto com a resistência obtida, é possível identificar a dosagem que apresenta a melhor relação entre custo e desempenho.

Conclusões do exemplo:

Traço 1: Menor custo por m³, mas menor eficiência

O Traço 1 apresentou o menor custo por m³ do estudo, de R$ 241,85, representando economia de R$ 4,33/m³ em relação ao Traço 3. Essa redução de custo está associada, principalmente, ao menor consumo de brita 1.

Entretanto, o menor custo inicial não resultou na melhor eficiência. O Traço 1 apresentou a menor resistência à compressão do estudo, de 30,56 MPa, elevando o custo por resistência para R$ 7,91/MPa. Esse valor é aproximadamente 14,8% superior ao obtido no Traço 3, evidenciando que o menor custo por m³ não representa, necessariamente, a solução mais econômica quando o desempenho do concreto também é considerado.

Traços 2 e 3: efeito da proporção entre os agregados graúdos

Os Traços 2 e 3 foram desenvolvidos mantendo praticamente constantes o teor de argamassa (55%), o consumo de cimento (271 kg/m³), o teor de aditivo (1,00%) e o custo por m³ (aproximadamente R$ 246). Dessa forma, a principal variável entre as dosagens foi a proporção entre brita 1 e brita 0, permitindo avaliar sua influência sobre o consumo de água e o desempenho do concreto.

No Traço 2, foram utilizados 361 kg/m³ de brita 0, correspondentes a aproximadamente 35% do agregado graúdo total, resultando em resistência à compressão de 34,28 MPa custo por resistência de R$ 7,19/MPa.

Já no Traço 3, a maior participação de brita 1, com 927 kg/m³, correspondente a aproximadamente 90% do agregado graúdo total, proporcionou uma condição de empacotamento mais favorável. A menor área superficial específica dos agregados também contribuiu para a redução do consumo de água, resultando na maior resistência à compressão do estudo, de 35,72 MPa.

Conclusão: melhor eficiência técnico-econômica

Adriano Souza Araújo, Assessor Técnico na Cia. de Cimento Itambé.

Embora o Traço 1 apresente o menor custo por m³, o Traço 3 apresentou a melhor relação entre custo e desempenho. Com custo de aproximadamente R$ 246,18/m³, resistência à compressão de 35,72 MPa e custo por resistência de apenas R$ 6,89/MPa, o Traço 3 demonstrou que pequenas alterações na proporção dos agregados podem proporcionar ganhos significativos de desempenho sem aumento relevante do custo da dosagem.

Assim, a análise demonstra que a escolha da dosagem mais econômica não deve considerar apenas o custo por m³, mas também o desempenho obtido e o custo associado à unidade de resistência.

É possível reduzir custos mantendo o desempenho e a segurança do concreto. Para avaliar outras possibilidades e encontrar soluções mais eficientes, conte com o apoio da Assessoria Técnica Itambé.

Autor

Adriano Souza Araujo é Engenheiro Civil (UFMS), especialista em Gestão de Projetos e Processos (IPOG). Assessor técnico da Cimento Itambé e especialista em tecnologia do concreto, qualidade e materiais de construção. Atua no desenvolvimento e aperfeiçoamento de concretos, agregados e argamassas, além de prestar consultoria técnica para a otimização do desempenho dos materiais. Possui experiência em gestão da qualidade, ensaios laboratoriais, padronização de processos, implantação de indicadores de desempenho (KPIs) e estratégias voltadas ao aumento da produtividade e à redução de custos. Atualmente, é assessor técnico da Cimento Itambé.

Contato

adriano.araujo@cimentoitambe.com.br

Revisão

Ana Carvalho

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Brazil Equipo Show destaca avanço de máquinas mais sustentáveis

Entre os dias 4 e 7 de agosto, Jaguariúna (SP) recebeu a Brazil Equipo Show (BES), realizada no Red Eventos. Voltada à cadeia de máquinas e equipamentos, a feira reuniu soluções e tecnologias para os setores de construção, mineração e agronegócio.

A edição reuniu mais de 150 marcas e recebeu mais de 18 mil visitantes, entre fabricantes, distribuidores, concessionários, locadores, prestadores de serviços, produtores rurais, gestores públicos, estudantes e profissionais de diferentes segmentos.

Um dos principais atrativos foi a possibilidade de acompanhar equipamentos em condições reais de operação. Na Arena Show, demonstrações práticas evidenciaram aspectos como desempenho, produtividade, segurança e inovação tecnológica.

Entre as soluções apresentadas estiveram caminhões elétricos, tecnologias não destrutivas para avaliação e reparo de obras subterrâneas, além de sistemas voltados à compactação, logística e movimentação de materiais. As novidades refletiram avanços em eficiência operacional e sustentabilidade no setor.

Voltada à cadeia de máquinas e equipamentos, a feira apresentou soluções e tecnologias para os setores de construção, mineração e agronegócio. Crédito: Brazil Equipo Show

Máquinas com baixa emissão de CO

De acordo com Guilherme Ramos, diretor da Brazil Equipo Show, existem diversas tecnologias sendo incorporadas aos setores destacados na feira, mas a principal delas hoje é, sem dúvida, o desenvolvimento de máquinas elétricas ou com baixíssima emissão de CO2. “Construção, mineração e agro têm operações diferentes, mas enfrentam desafios muito semelhantes: precisam produzir mais, desperdiçar menos, reduzir custos e emissões e lidar com a falta de mão de obra especializada. A tecnologia está criando uma ponte entre esses setores”, justifica.

Ramos observa que todas as marcas estão empenhadas em avançar nessa área, que também já é uma forte exigência do mercado no mundo todo. “Mas a grande transformação não é simplesmente trocar o diesel pela eletricidade. É transformar a máquina em um equipamento cada vez mais inteligente, conectado, automatizado e, gradualmente, autônomo, com possibilidade de operação remota e com o menor consumo e emissões possíveis. Essa mudança já está acontecendo, embora ainda de forma gradual. Alguns fabricantes já desenvolveram soluções, outros ainda estão em fase de estudos e desenvolvimento, mas esse é um desafio de praticamente todos os fabricantes, no Brasil e no mundo”, aponta o diretor da BES. 

Tecnologias em máquinas para aumentar produtividade

Demonstrações práticas evidenciaram aspectos como desempenho, produtividade, segurança e inovação tecnológica. Crédito: Brazil Equipo Show

Ramos comenta que entre os expositores da BES, nas três áreas, foi possível constatar algumas ondas tecnológicas que impactam diretamente a produtividade. 

“Um exemplo é a combinação de IA, automação e maior autonomia das máquinas. Outro ponto que já é realidade é a junção de telemetria, conectividade e gestão de frotas. O uso de 3D, sensores e sistemas de controle de precisão nas máquinas também está crescendo muito rapidamente. Tivemos na feira, por exemplo, demonstrações de um equipamento que, acoplado aos equipamentos de construção, é capaz de transformar informações digitais em uma nova forma de trabalhar nos canteiros”, destaca o diretor da BES.

Outra evolução mostrada no evento é relacionada à manutenção preventiva, que acontece em função das horas de uso, orientada pelos dados e pelo estado real da máquina. 

“Esse é um grande salto em termos de produtividade proporcionado pelas novas tecnologias. A manutenção preditiva pode identificar, por exemplo, alterações de temperatura ou vibração e indicar que determinado componente precisa de intervenção. Dessa forma, é possível evitar paradas inesperadas, reduzir custos de manutenção e aumentar a disponibilidade da máquina. Isso representa muito bem o salto tecnológico dos equipamentos atuais”, pontua Ramos.

Cuidados com os operadores de máquinas

Ramos também destaca a evolução da própria cabine e da relação com o operador. Em todos esses setores, a tecnologia também está sendo usada para reduzir a fadiga e melhorar a segurança e a eficiência destes trabalhadores. 

“Na mineração, isso fica ainda mais evidente, porque o operador pode passar muitas horas em ambientes extremos, com poeira, vibração, ruído, calor, frio e terrenos irregulares. No agro, muitas vezes o desafio está na duração da jornada e na repetitividade do trabalho. Hoje já temos bancos com suspensão, aquecimento e ventilação, climatização, filtragem do ar, redução de ruído e vibração, melhor visibilidade, comandos mais intuitivos e telas que organizam as informações”, afirma.

Para o diretor da BES, à medida que as máquinas se tornam mais sofisticadas, torna-se cada vez mais importante garantir uma interação eficiente, intuitiva e segura entre o operador e o equipamento. “Na realidade, o que vimos na Brazil Equipo Show é muito diferente da ideia de IA, automação e autonomia simplesmente para substituir pessoas. São as máquinas e as tecnologias ampliando a capacidade das pessoas que as operam, permitindo que trabalhem com mais segurança, precisão, conforto e eficiência”, conclui.

Fonte

Guilherme Ramos é diretor da Brazil Equipo Show.

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Assessoria de imprensa: cbighetti@stofeiras.com.br 

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP 

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Inteligência Artificial transforma a gestão da construção civil e amplia capacidade de antecipar riscos e reduzir desperdícios

A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma ferramenta presente na rotina da construção civil. De orçamentos, planejamento e cronogramas ao monitoramento de obras, análise de imagens por drones e acompanhamento do pós-obra, as aplicações de IA crescem rapidamente e prometem aumentar a produtividade, reduzir retrabalhos, identificar desvios com maior antecedência e apoiar a tomada de decisões.

Apesar desse movimento, especialistas alertam que a adoção ainda ocorre de forma desigual. Muitas empresas utilizam soluções pontuais, enquanto poucas estruturaram uma estratégia baseada em dados, governança e qualificação das equipes. Para elas, o maior desafio não está na tecnologia, mas na preparação das organizações para utilizá-la de maneira consistente.

Câmeras 360°, drones e sistemas de visão computacional permitem registrar o canteiro e comparar automaticamente o que foi construído com o planejamento. Crédito: Envato

IA como ferramenta de decisão, não de substituição

Para a engenheira civil e mestre em Inovação na Construção Civil pela USP, Jéssica Dantas, a construção reúne características que tornam a IA especialmente relevante, como o grande volume de informações, processos fragmentados e muitas atividades repetitivas. “A IA começa justamente a transformar dados em informação e informação em decisão. Ela aumenta nossa capacidade de analisar, comparar, prever e decidir, mas a validação crítica continua sendo humana”, afirma Jéssica Dantas.

Ela ressalta que a inteligência artificial deve ser vista como um copiloto do engenheiro, nunca como substituta da responsabilidade técnica. Questões relacionadas à segurança da informação, propriedade intelectual, confiabilidade das respostas e conformidade com a LGPD exigem supervisão permanente dos profissionais.

Um levantamento internacional da Autodesk mostra que 32% das lideranças da construção em 28 países afirmam ter alcançado ou estar próximas de atingir seus objetivos de implementação de IA indicando um processo de amadurecimento das aplicações no setor.

Do canteiro ao pós-obra: onde a tecnologia já entrega resultados

As aplicações mais visíveis estão distribuídas por praticamente todo o ciclo de vida de um empreendimento. Durante a execução da obra, câmeras 360°, drones e outras tecnologias de captura da realidade, associadas à visão computacional e à IA, permitem registrar o canteiro e comparar automaticamente o que foi construído com o modelo digital e o planejamento

Engenheira Jéssica Dantas. Crédito: Acervo Pessoal

Com isso, gestores conseguem identificar atrasos, desvios de produtividade e potenciais impactos nos custos com maior rapidez. “Uma das grandes oportunidades de curto prazo é utilizar IA para reduzir o tempo que os engenheiros gastam procurando, organizando e consolidando informação. Isso libera mais tempo para aquilo que realmente exige conhecimento técnico e tomada de decisão”, explica Jéssica.

No pós-obra, a inteligência artificial também modifica a relação entre incorporadoras e clientes. Sistemas conseguem interpretar solicitações feitas em linguagem comum, identificar a provável origem do problema, consultar o histórico da unidade e encaminhar automaticamente o chamado para a equipe responsável. Mais do que agilizar o atendimento, essas informações passam a revelar padrões que ajudam a aperfeiçoar projetos futuros.

Segundo Jéssica, quando centenas de chamados são analisados em conjunto, torna-se possível detectar recorrências relacionadas a fachadas, fornecedores ou sistemas construtivos antes que elas gerem impactos maiores. O pós-obra passa, então, uma etapa predominantemente reativa para uma fonte estruturada de dados e aprendizado para todo o ciclo de desenvolvimento imobiliário

Desafio está na organização dos dados

Para Gabriel Falavina, vice-presidente da ADEMI-PR e diretor executivo da Altma Incorporadora, a maioria das empresas já utiliza inteligência artificial em algum departamento, mas a maturidade desse uso ainda é desigual. “É raro a empresa que trata a IA como estratégia, com prioridades definidas, base de dados organizada e alguém responsável pelo tema. Essa distância entre uso disperso e uso estruturado é o retrato mais honesto do setor neste momento”, avalia.

Ele explica que uma incorporadora normalmente opera com ERP, CRM, BIM, sistemas de obra, plataformas de atendimento ao cliente, WhatsApp e inúmeras planilhas. Sem integração e padronização, diferentes áreas podem trabalhar com bases, conceitos e indicadores distintos para responder à mesma pergunta.

A chamada arquitetura integrada de dados ajuda a reduzir esse problema ao reunir informações em um repositório único, padronizar conceitos, estabelecer regras de governança e criar indicadores compartilhados por toda a empresa. Só depois dessa etapa a IA consegue gerar previsões, automações e relatórios confiáveis. “A IA consome a camada tratada, nunca o sistema cru. Sem essa arquitetura, cada solução funciona como uma ilha. Com ela, cada nova aplicação nasce mais barata e mais rápida”, destaca Gabriel Falavina.

Pessoas continuam no centro da transformação

Gabriel Falavina. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Embora ferramentas generativas, algoritmos e automações ganhem espaço, os dois especialistas concordam que a vantagem competitiva será construída pela combinação entre tecnologia e capacitação profissional. Jéssica acredita que o maior debate não deve ser sobre substituição de empregos, mas sobre formação de engenheiros capazes de utilizar IA de forma ética, crítica e estratégica. “O profissional que conhece engenharia e sabe utilizar inteligência artificial provavelmente terá uma capacidade de análise e produtividade muito maior”, afirma.

Falavina acrescenta que a cultura organizacional tende a ser o fator decisivo nos próximos anos. Para ele, empresas que começam agora a estruturar seus dados acumulam um patrimônio difícil de ser reproduzido posteriormente. “O dado histórico não se compra. A empresa que começou a organizar sua base agora terá, em dois anos, um acervo que a concorrência não consegue adquirir. O aprendizado é organizacional e cultural”, conclui.

Entrevistados

Jéssica Dantas é engenheira civil, mestre em Inovação na Construção Civil pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em industrialização, tecnologias emergentes e inteligência artificial aplicada ao setor. Palestrante nacional e internacional, com forte atuação em entidades técnicas como IBRACON e ALCONPAT, conectando tendências globais à realidade do mercado brasileiro com foco em eficiência, escala e impacto.

Gabriel Falavina é engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), sócio-fundador e diretor executivo da ALTMA Incorporadora e 1º vice-presidente administrativo da ADEMI-PR. Com atuação no mercado imobiliário, tem experiência em desenvolvimento de empreendimentos, inovação e novos modelos de moradia, conectando estratégia, tecnologia e as transformações do setor para criar soluções alinhadas às novas demandas do mercado.

Contato

je_adantas@hotmail.com

gabriel@altma.com.br

Jornalista responsável

Ana Carvalho

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Construsul 2026 destaca industrialização, digitalização e novas soluções para a construção

Entre os dias 04 e 07 de agosto, aconteceu em Porto Alegre (RS) a 27ª Construsul – Feira Internacional da Construção

Segundo Paulo Richter, diretor da Construsul, um dos principais destaques desta edição da feira foi o investimento dos expositores na estrutura e apresentação dos estandes, o que contribuiu para tornar a feira mais atrativa. A edição também apresentou novidades em máquinas, ferramentas sem fio e inteligência artificial, com aplicações na execução de projetos e no controle da produção.

“Entre as tecnologias que mais chamaram a atenção está o conceito off-site, que consiste na produção de componentes fora do local onde a construção será realizada. A inteligência artificial também ganhou espaço, especialmente na racionalização e transformação dos processos relacionados a projetos e à produção”, destaca Richter.

Para Richter, sustentabilidade, industrialização e digitalização deixaram de ser tendências passageiras e passaram a fazer parte da transformação estrutural do setor. “Isso aí entrou, veio para racionalizar os projetos, veio para racionalizar os processos construtivos”, afirma.

Construsul 2026 recebeu 35 mil visitantes e gerou R$ 900 milhões em negócios. Crédito: Guilherme Gargioni/Sul Eventos

A percepção de Richter também aparece na avaliação dos expositores. Para Mateus Tiecher, coordenador de vendas do Grupo JR Cimento/JR Pronto, cliente da Cimento Itambé, um dos aspectos observados durante a feira foi a mudança no comportamento dos clientes, que estariam mais interessados em soluções capazes de gerar ganhos reais do que apenas em preço.

“O que mais me chamou atenção foi ver um mercado mais interessado em solução do que simplesmente em preço. Como expositor, isso ficou muito claro para mim. Tivemos conversas muito boas com clientes que queriam entender como ganhar tempo na obra, reduzir desperdício e ter mais segurança no processo”, afirma.

Segundo Tiecher, a experiência deixou uma impressão positiva sobre o momento do setor. “Vi um setor ativo, interessado e, principalmente, aberto a fazer diferente”, declara.

Industrialização ganha espaço

Segundo Richter, a tecnologia já está presente em praticamente todas as etapas da construção, com soluções voltadas à racionalização e à melhoria dos processos. Entre os exemplos estão aditivos e produtos químicos utilizados em concretos e argamassas, capazes de modificar propriedades e contribuir para otimizar determinadas etapas da execução.A principal exceção ainda está nas atividades que dependem diretamente de trabalho manual, como carregar e empilhar tijolos e transportar materiais”, afirma.

Para Tiecher, a industrialização da construção é uma das principais tendências observadas durante a feira. “Tudo aquilo que chega pronto, padronizado e reduz etapas está ganhando espaço”, explica.

Esse movimento aparece, segundo ele, em soluções envolvendo aço, corte e dobra, telas, treliças e peças prontas. “E não é só uma questão de praticidade. Hoje o cliente olha para produtividade, desperdício, mão de obra e prazo”, afirma.

Construsul 2026, realizada em Porto Alegre (RS), reuniu empresas e profissionais para apresentar novas tecnologias e soluções para o setor da construção. Crédito: Guilherme Gargioni/Sul Eventos

O coordenador de vendas também destaca o avanço de tecnologias voltadas à gestão, eficiência e sustentabilidade. Para ele, porém, a principal mudança está na própria forma de enxergar o mercado. “Não basta vender material; precisamos ajudar o cliente a construir melhor.”

Expectativa de negócios

Em relação a movimentação comercial, a organização havia estabelecido uma expectativa inicial de R$ 900 milhões em negócios durante a feira. Ao todo, recebeu 35 mil visitantes. De acordo com Richter, entre os segmentos de maior movimentação estavam máquinas e equipamentos, além da indústria química, com produtos como colas e materiais de PVC.

“Destaco ainda a diversidade do mix da feira, que reúne desde máquinas para venda e locação até equipamentos de menor porte, como tratores compactos”, afirma.

A experiência também foi positiva para o Grupo JR Cimento. A Construsul 2026 marcou a terceira participação da empresa com a JR Pronto. Segundo Tiecher, a companhia levou ao evento sua linha de aço e soluções para a construção, incluindo produtos de corte e dobra, estribos, colunas, estacas, treliças e telas, além de telhas de aluzinco simples e termoacústicas.

“Foram dias muito intensos. Tivemos mais de 25 vendedores atendendo, muitos clientes passando pelo estande, novos contatos, novos negócios e um resultado comercial que nos deixou muito satisfeitos”, relata.

Para o executivo, porém, o principal resultado foi a percepção de um mercado ativo. “O mais importante foi sentir o mercado vivo. Ver cliente querendo conversar, conhecer solução, fazer negócio e olhar para frente traz uma energia muito boa.”

O Grupo JR Cimento/JR Pronto, cliente da Cimento Itambé, participou da Construsul 2026 apresentando seu portfólio de soluções para a construção. Crédito: Divulgação acervo pessoal

Inovação e workshops

A programação também contou com atividades voltadas à inovação e tecnologia na construção. No primeiro dia, foi realizado o ITCOM, Seminário de Inovação e Tecnologia na Construção, com palestras sobre novas tecnologias, produtos e conceitos para o setor.

Além do seminário, a feira contou com uma programação diversificada de workshops promovidos pelas empresas expositoras, com foco na apresentação de lançamentos, tecnologias e novas soluções para o setor. Segundo Richter, estavam previstos cerca de 60 workshops ao longo do evento. A agenda também reuniu encontros organizados por empresas e entidades como ABESC, Mulher em Construção, SISECON, ITT Performance, ANAPRE, ABRAPP, entre outros.

A programação técnica reforçou uma característica importante da feira: além de apresentar produtos e lançamentos, o evento funciona como espaço de troca de conhecimento, relacionamento profissional e discussão sobre os caminhos tecnológicos da construção.  Tiecher afirma que as próprias conversas com clientes e profissionais de diferentes regiões proporcionaram aprendizados sobre o mercado.

“O que ficou para mim é que a construção está evoluindo rápido, mas continua tendo uma base muito simples: quem entende a necessidade do cliente, entrega solução e constrói confiança, continua tendo espaço”, avalia.

Próxima edição

A 28ª Construsul – Feira Internacional da Construção já tem data marcada. O evento será realizado de 3 a 6 de agosto de 2027, novamente no Centro de Exposições da FIERGS, além da 4ª Construsul BC, em Balneário Camboriú (SC), de 1º a 4 de junho de 2027.

Para Tiecher, a participação na edição deste ano reforçou uma perspectiva positiva para o setor. “Saí da Construsul bastante otimista. Tem muita coisa mudando, muita oportunidade surgindo e, para quem estiver disposto a evoluir junto com o mercado, eu acredito que vem muita coisa boa pela frente”, conclui.

Fontes

Paulo Richter é diretor da Construsul.

Mateus Tiecher é coordenador de vendas do Grupo JR Cimento/JR Pronto.

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP

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IDD lança pós-graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto

O IDD lançou a primeira pós-graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto (PUC) no Brasil. Realizada na modalidade on-line ao vivo, o curso terá duração de outubro de 2026 a novembro de 2027, com carga horária de 440 horas-aula.

A Pós-Graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto oferece uma formação especializada, com abordagem prática, voltada a profissionais que buscam aprofundar seus conhecimentos em projeto, execução, controle tecnológico e gestão de pavimentos de concreto em ambientes urbanos. A formação aborda todas as etapas do processo, desde a análise da interação entre solo e estrutura, incluindo caracterização dos solos, ensaios geotécnicos e métodos de estabilização das camadas de base e sub-base. O curso também contempla conteúdos relacionados à tecnologia do concreto aplicado à pavimentação, incluindo microestrutura, propriedades no estado fresco e endurecido, durabilidade e métodos de dosagem aplicados a pisos e pavimentos. Além disso, prepara os participantes para o controle tecnológico e a realização de ensaios de campo em concretos especiais.

Para Alvaro Sérgio Barbosa Júnior, coordenador da Pós-Graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto – IDD, o momento é de convergência. “Vivemos uma demanda crescente das municipalidades por soluções que ofereçam menor custo de manutenção e maior durabilidade nas vias das cidades. O setor de pavimento urbano de concreto amadureceu tecnologicamente, e a engenharia brasileira está pronta para aplicar conceitos avançados de sustentabilidade e desempenho específicos para o tecido urbano. Lançar este curso agora é suprir a carência de um corpo técnico capaz de transformar essa demanda em projetos executáveis de alta qualidade, distintos de outras aplicações como rodovias ou pisos industriais”, pontua.

Curso é voltado a profissionais que buscam aprofundar seus conhecimentos em projeto, execução e gestão de vias urbanas rígidas de baixo tráfego. Crédito: Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)

Ainda de acordo com o coordenador, algumas mudanças no mercado de infraestrutura urbana impulsionaram a criação desse curso – em especial, a transição do paradigma de “custo inicial” para “custo de ciclo de vida”. “Gestores públicos perceberam que o pavimento urbano de concreto oferece uma vida útil superior e maior resiliência face às solicitações das cidades, o que impacta positivamente o orçamento municipal. As características das vias urbanas — como a canalização do tráfego, o frequente contato com redes subterrâneas e a geometria restrita — exigem um profissional que domine a tecnologia de pavimento urbano de concreto especificamente”, comenta.

Demanda do mercado

Para Barbosa Júnior, há uma lacuna na formação de profissionais especializados em projeto e execução de pavimentos de concreto. “Embora tenhamos excelentes engenheiros, a transição para a especificidade do pavimento urbano de concreto — que possui mecânica, logística de canteiro e exigências estéticas/funcionais muito distintas de rodovias ou pisos industriais — é um gargalo. Esse déficit impacta diretamente na qualidade da execução, na especificação técnica inadequada para vias de tráfego variado e na falta de planejamento para as interferências típicas de áreas urbanas, resultando em custos desnecessários para os municípios”, explica.

Ainda segundo o coordenador, o mercado busca o “Engenheiro Gestor de Vias Urbanas”. Isso inclui a capacidade de realizar dimensionamentos compatíveis com as condições de tráfego e suporte do pavimento, o domínio da dosagem de concreto para pavimentos expostos a ciclos urbanos, o entendimento do comportamento das juntas em travessias e a habilidade de planejar o processo construtivo em centros adensados. “É uma competência que difere drasticamente do conhecimento exigido para pavimentos rodoviários ou pisos industriais”, afirma.

Barbosa Júnior acredita que iniciativas como essa podem contribuir para ampliar a utilização e o conhecimento técnico sobre o assunto e tragam uma mudança estrutural: o pavimento urbano de concreto deixará de ser visto como uma “exceção” e se consolidará como o padrão de qualidade para as vias das nossas cidades.

“Espero ver profissionais liderando projetos onde a escolha do pavimento urbano de concreto é baseada em ciência, durabilidade e custo-benefício de longo prazo. Com a formação técnica de alto nível, vamos elevar a qualidade das nossas cidades, garantindo que o investimento público seja transformado em infraestrutura durável e eficiente”, opina. 

Pavimento Urbano de Concreto traz desempenho e durabilidade para diferentes aplicações em cidades. Conheça a solução e fale com a Concrebras.
Crédito: Divulgação

Ouça o podcast de Álvaro Barbosa Júnior sobre pavimento urbano de concreto aqui.

Diferenciais da pós-graduação

Barbosa Júnior aponta que o curso tem foco específico nos desafios relacionados ao pavimento urbano de concreto. “Diferente de um curso focado em rodovias ou aplicações industriais, nossa pós-graduação lida com a geometria complexa das cidades, as interferências de redes de utilidades (esgoto, gás, fibra ótica) e a logística restrita de concretagem. O curso é desenhado para a realidade da malha urbana, com foco total na tecnologia aplicada a esse ambiente específico”, expõe.

A especialização aborda metodologias de dimensionamento para vias de tráfego urbano, o uso de concretos sustentáveis, técnicas de estabilização de solo em áreas urbanas, sistemas de drenagem integrados e técnicas de restauração e manutenção sem interrupção prolongada do tráfego. “Além disso, vamos trabalhar a fundo e detalhar a prática recomendada de pavimento urbano de concreto no Brasil — a PR 1011 —, que já está em processo de revisão para seu aprimoramento. Isso garante que os alunos estejam na vanguarda técnica e completamente atualizados com as exigências e diretrizes mais recentes do mercado”, conclui Alvaro.

Fonte:

Alvaro Sérgio Barbosa Júnior é coordenador da Pós-Graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto – IDD.

Contato:

alvaro@abesc.org.br 

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Marina Pastore – DRT 48378/SP 

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Construção civil mantém geração de empregos no primeiro semestre, mas juros altos freiam o ritmo de crescimento

A construção civil brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com sinais de resiliência. Mesmo diante de um cenário de juros elevados, inflação persistente e custos de produção acima da média nacional, o setor gerou quase 169 mil novos empregos formais e mantém a projeção de crescimento de 1,2% para o ano. Os dados foram apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante a divulgação dos indicadores econômicos do segundo trimestre.

A análise da entidade revela um mercado dividido entre resultados positivos e desafios estruturais. De um lado, o avanço das obras de infraestrutura, das concessões e dos investimentos em saneamento sustenta a atividade e amplia a contratação de trabalhadores. De outro, a permanência da Selic em patamar elevado reduz a confiança dos empresários e limita lançamentos, investimentos e financiamentos.

Segundo a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o ambiente macroeconômico continua pressionando a construção, embora o setor preserve sua capacidade de gerar empregos. “Nos primeiros seis meses deste ano, a construção civil gerou quase 169 mil novos empregos, o que representa um incremento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado”, afirmou.

Infraestrutura lidera a criação de vagas

O grande destaque do semestre foi o segmento de infraestrutura

Segmento de infraestrutura foi um dos grandes destaques do primeiro semestre. Crédito: Envato

Das quase 169 mil vagas abertas, cerca de 65 mil vieram de obras de saneamento, rodovias e grandes projetos de concessão, superando pela primeira vez a construção de edifícios em um primeiro semestre desde a criação do novo Caged, em 2020.

Para Ieda Vasconcelos, esse movimento reflete o aumento dos investimentos públicos e, principalmente, privados. “O número de novas vagas na infraestrutura cresceu 30% em relação ao ano passado. As obras de saneamento, as PPPs e as concessões que estão saindo do papel explicam esse dinamismo”, destacou.

O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, reforçou que o marco legal do saneamento tem papel decisivo nesse desempenho. “O grande responsável pelos investimentos foi o setor privado, com 84% do total. Isso demonstra como o marco legal foi fundamental para que esse segmento continuasse gerando emprego e renda.”

Selic reduz confiança e limita investimentos

Apesar do mercado de trabalho aquecido, os indicadores de confiança mostram um cenário menos favorável. A sondagem realizada pela CBIC em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) registrou queda na confiança dos empresários, mantendo o índice abaixo dos 50 pontos, patamar que indica falta de confiança.

Eduardo Aroeira relaciona diretamente esse comportamento ao custo do crédito. “A Selic elevada impacta principalmente a produção de edifícios. A atividade continua importante, mas vem perdendo ritmo com o passar do tempo”, afirmou.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, observa que a falta de confiança do empresariado deixou de ser pontual e passou a ser persistente. “Essa falta de confiança tende a refletir nas decisões dos empresários em relação a investimentos, contratações e lançamentos de novos empreendimentos”, avaliou.

Custos seguem acima da inflação

Outro fator que preocupa o setor é o avanço dos custos da construção. Nos últimos 12 meses encerrados em julho, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,44%, enquanto a inflação oficial ficou em 4,44%. Materiais e equipamentos subiram 6,02%, e a mão de obra registrou aumento de 7,30%.

Entre os insumos com maior elevação aparecem fio de cobre, cimento, concreto, vidro e esquadrias. Para a CBIC, a pressão sobre esses materiais está relacionada ao aumento dos custos energéticos e aos efeitos prolongados dos conflitos internacionais sobre a cadeia de suprimentos.

A situação preocupa especialmente os empreendimentos de habitação popular. “Nossa preocupação é que os contratos do Minha Casa Minha Vida são firmados com preço fixo. Se os custos continuam subindo, os novos contratos deixam de ser atrativos e isso pode reduzir a oferta de moradias para quem mais precisa”, explicou Eduardo Aroeira.

Juventude e perspectivas para 2026

Os indicadores também revelam um dado relevante sobre o perfil da mão de obra. Quase metade das vagas abertas no semestre foi ocupada por jovens entre 18 e 29 anos, contrariando a percepção de que a construção civil perdeu capacidade de atrair novos trabalhadores.

Segundo o presidente da CBIC, o desafio atual não está na entrada desses profissionais, mas na permanência deles no setor. “O problema não é a entrada dos jovens. A realidade mostra que eles estão chegando. O desafio é conseguir retê-los na construção civil”, afirmou.

Para o restante de 2026, a CBIC mantém expectativa de crescimento moderado de 1,2%. A entidade avalia que os investimentos recordes em infraestrutura, os lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos e o mercado de trabalho aquecido devem compensar, ao menos parcialmente, os efeitos negativos da taxa de juros elevada, do endividamento das famílias e da dificuldade de contratação de mão de obra qualificada.

Fonte

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Contato

imprensa@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)

Jornalista responsável

Ana Carvalho

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Normas da ABNT atualizam requisitos para blocos de concreto e pavimentos intertravados e permeáveis

Em 2026, revisões das séries NBR 6136 e NBR 9781, NBR 15953 e da série NBR 16416 atualizaram requisitos para blocos de concreto, pavimentos intertravados e pavimentos permeáveis. As mudanças são resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de quase três anos, com participação de representantes da indústria, universidades, laboratórios e entidades técnicas.

As atualizações trazem mudanças que impactam fabricantes, projetistas, construtoras e empresas responsáveis pela execução e manutenção desses sistemas. Entre as principais novidades estão alterações nos critérios de desempenho e resistência, aperfeiçoamentos nos procedimentos de inspeção, amostragem e ensaios, além da atualização de requisitos para execução e manutenção.  As normas de produtos, especialmente as NBR 6136 e NBR 9781, também passam a incorporar critérios e indicadores relacionados ao desempenho ambiental, ampliando a abordagem de sustentabilidade na avaliação dos componentes de concreto. 

Para Cláudio Oliveira Silva, mestre em Engenharia Civil e gerente de inovação e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), a atualização acompanha a própria evolução da construção civil.

“A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem como diretriz que todas as normas nacionais devem ser revisadas ou revalidadas a cada cinco anos”, pontua.

Segundo ele, o processo de revisão deve considerar a evolução tecnológica dos materiais, equipamentos e práticas construtivas, tendo como objetivo o aprimoramento do desempenho dos sistemas construtivos. 

O trabalho foi conduzido pelos comitês ABNT/CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) e ABNT/CB-002 (Comitê Brasileiro da Construção Civil).  

Blocos de concreto ganham critérios mais claros

Entre as principais novidades estão alterações nos critérios de resistência e métodos de controle de qualidade.
Crédito: Envato

Na ABNT NBR 6136, que trata dos blocos vazados de concreto destinados à execução de alvenaria com ou sem função estrutural, foram mantidas três classes de blocos, mas os critérios de classificação e destinação foram atualizados.

A classe A, com resistência característica à compressão igual ou superior a 8,0 MPa, permanece destinada à alvenaria estrutural e permite utilização abaixo do nível do solo. A classe B, com resistência entre 4,0 MPa e 6,0 MPa, também é destinada à alvenaria estrutural, mas sem essa permissão. Já a classe C, com resistência mínima de 3,0 MPa, pode ser utilizada em alvenaria estrutural ou de vedação, desde que acima do nível do solo. Para a utilização estrutural da classe C, entretanto, a norma estabelece limitações de acordo com a largura do bloco e o número de pavimentos da edificação.

“Um ponto de atenção prática é que a altura dos blocos utilizados no encontro da parede com a laje passa a poder ser definida entre fornecedor e consumidor, em função do projeto”, explica Silva.

Segundo o gerente de Inovação e Sustentabilidade da ABCP, essa possibilidade é relevante porque não existe um padrão único para o pé-direito das edificações, permitindo adequar a altura desses componentes às necessidades específicas do projeto.  A revisão também estabelece raios mínimos para as mísulas dos blocos vazados: 40 mm para as classes A e B e 20 mm para a classe C. 

Outro aspecto alterado envolve a absorção de água. A atualização mantém critérios para essa propriedade, mas o ensaio passa a ter caráter opcional na sistemática estabelecida para qualificação e controle dos produtos. Já o índice de absorção inicial de água não possui critério de aceitação na nova edição e seu resultado pode ser utilizado pelo projetista na avaliação do potencial de aderência de um eventual sistema de revestimento aplicado à alvenaria.

“Este requisito está diretamente relacionado com o potencial de aderência entre o bloco e a argamassa”, comenta Silva.

A mudança considera, segundo o especialista, as condições climáticas brasileiras e a relevância prática da propriedade para o desempenho do sistema. 

Novo critério aumenta rigor no controle de qualidade

A revisão da ABNT NBR 9781, que estabelece requisitos para componentes vibroprensados de concreto destinados à pavimentação intertravada e à pavimentação intertravada permeável, introduziu mudanças importantes nos critérios de avaliação e aceitação dos produtos. A revisão também foi acompanhada pela publicação da ABNT NBR 9781-2:2026, que estabelece os métodos de ensaio aplicáveis aos componentes. 

Uma das alterações mais relevantes está no critério estatístico para aceitação da resistência característica à compressão. O novo procedimento modifica a forma de avaliação dos lotes e reduz a possibilidade de que valores médios elevados compensem resultados individuais ou uma maior dispersão dos resultados.

Silva explica que o modelo anterior permitia que uma média elevada compensasse desvios-padrão maiores. “Isso, na prática, possibilitava a aprovação de lotes com peças com resistências abaixo do valor adequado”, pondera. 

A norma revisada passou a adotar uma abordagem não paramétrica, com amostragem parcial. Para o especialista, a mudança torna o critério mais rigoroso e reduz a margem para compensação estatística.

“Isso deve exigir maior controle de processo na fabricação, para evitar desvios elevados de resistência entre as peças de um mesmo lote”, afirma.

Os valores mínimos de resistência continuam organizados conforme à solicitação de uso. Peças de concreto destinadas à pavimentação intertravada devem atingir pelo menos 35 MPa para tráfego de pedestres, veículos leves e o mínimo de 50 MPa para tráfego intenso ou abrasivo.  

Pavimentos permeáveis: novos parâmetros de desempenho

As alterações também chegam aos pavimentos permeáveis. A atualização da norma introduziu novos critérios para avaliação do desempenho hidráulico dos sistemas e aprimorou conceitos relacionados à infiltração, permeabilidade, dimensionamento hidráulico e manutenção. 

A ABNT NBR 16416 foi reorganizada em partes.  A NBR 16416-1:2026 estabelece requisitos para a execução de pavimento permeável intertravado, enquanto a NBR 16416-2:2026 trata da execução de pavimento permeável de concreto moldado no local. A nova estrutura substitui a NBR 16416:2015, que foi cancelada em 27 de fevereiro de 2026.

Na avaliação de Silva, a atualização aproxima os parâmetros brasileiros de referências internacionais e estabelece critérios mais objetivos para acompanhar o desempenho dos sistemas.

Um dos pontos destacados pelo gerente de Inovação e Sustentabilidade da ABCP é a diferenciação entre taxa de infiltração e permeabilidade. A primeira corresponde à velocidade com que a água penetra através da superfície do pavimento, podendo ser reduzida ao longo do tempo em razão da colmatação dos poros e vazios do sistema. Já a permeabilidade está relacionada à facilidade com que um meio poroso permite a passagem da água, dos poros e vazios do sistema.

Execução e manutenção também entram no foco

A revisão da ABNT NBR 15953, voltada à execução de pavimentos intertravados, detalha requisitos relacionados à paginação, camada de assentamento, juntas e manutenção.

Para pavimentos sujeitos ao tráfego de veículos, por exemplo, a definição do padrão de assentamento deve considerar as características do projeto, as condições de tráfego e as contenções do pavimento. Entre os arranjos possíveis está o padrão em espinha de peixe, que contribui para o intertravamento das peças e pode ser orientado conforme as condições estabelecidas em projeto.

 A norma também estabelece requisitos para instalações mecanizadas. Silva chama atenção ainda para os requisitos relacionados às juntas e à camada de assentamento, incluindo espessura, material de rejuntamento, umidade e granulometria.

“A camada de assentamento deve ter espessura de (4 ± 1) cm na condição não compactada”, explica, destacando que ela deve ser espalhada uniformemente, sem compactação prévia. 

A manutenção passa a ser tratada de forma mais detalhada. O projeto deve estabelecer sua periodicidade de acordo com as condições de exposição e o tráfego, incluindo procedimentos de limpeza, recomposição de rejuntamento e reparos localizados. 

Sustentabilidade ganha espaço nas normas

Um dos avanços destacados na revisão é a inclusão de requisitos relacionados ao desempenho ambiental.

As normas ABNT NBR 6136 e ABNT NBR 9781 passaram a recomendar que fabricantes informem indicadores ambientais de seus produtos, calculados segundo a metodologia da ABNT NBR 14025. Entre os indicadores estão emissões de CO, demanda de energia primária, consumo de água e geração de resíduos. 

Para Silva, essa mudança representa um passo importante para o setor. “A inclusão de requisitos de desempenho ambiental, mesmo que como opcional, é um marco importante no mercado de materiais de construção no Brasil”, destaca.

A adoção desses indicadores também pode contribuir para que projetistas e especificadores disponham de informações adicionais para comparar soluções e considerar aspectos ambientais na escolha dos materiais,complementando os critérios tradicionais de desempenho técnico, funcionalidade, durabilidade e custo.

Fonte

Cláudio Oliveira Silva é Mestre em Engenharia Civil e Gerente de Inovação e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Atuou na coordenação das normas ABNT c13c, ABNT S781, ABNT 15S53 e ABNT 1c41c, com secretaria do Eng. Fernando Dalbon – Gerente da Ǫualidade da ABCP. 

Contato

claudio.silva@abcp.org.br

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP

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