Manutenção é o que dá vida ao "prédio verde"

Manutenção é o que dá vida ao "prédio verde"

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Não basta construir uma edificação dentro dos padrões de sustentabilidade. É preciso engajamento do condomínio para que o conceito sobreviva

Por: Altair Santos

De acordo com o Green Building Council Brasil, o país ocupa atualmente o quarto lugar no ranking de prédios verdes com certificados LEED ™ (Leadership in Energy and Environmental Design). O conceito tem se destacado nos processos decisórios de players importantes da construção civil, principalmente quando envolve empreendimentos comerciais. No entanto, os padrões de sustentabilidade não se encerram nas etapas de projeto e construção do edifício. A certificação só se renova a cada cinco anos se a manutenção e a operação perseguirem as normas ao longo da vida útil do prédio.

Prédio verde tem três etapas: projeto, construção e manutenção.

Prédio verde tem três etapas: projeto, construção e manutenção.

Segundo João Alves Pacheco, diretor de engenharia e sustentabilidade da Cushman & Wakefield – empresa especializada em gestão de serviços e operação de edifícios verdes -, é fundamental assegurar que as premissas adotadas no projeto sejam mantidas para que os benefícios previstos se concretizem. “É imprescindível o engajamento e deve ocorrer uma campanha constante para que todos os ocupantes do condomínio entendam e se envolvam com as questões de sustentabilidade implantadas”, explica. ” É importante focar no desempenho contínuo dos sistemas que consomem recursos e também no conforto ambiental”, complementa Tatiana Tostes, coordenadora de sustentabilidade da Cushman & Wakefield.

A certificação que trata da manutenção e da operação de prédios verdes é a LEED™ EB O&M (Existing Buildings: Operation & Maintenance) que possui validade e deve ser renovada a cada cinco anos. Ela ocorre após a etapa de construção, quando o prédio já está ocupado e operando. O selo é uma garantia de gestão consistente do empreendimento, embasada em políticas e processos de manutenção de equipamentos, que englobam consumo de energia e de água, destinação dos resíduos e serviços como os de limpeza e o paisagismo. O objetivo é maximizar a eficiência operacional e minimizar os impactos ambientais. “Por isso, é recomendável que os gestores do edifício recebam capacitação adequada”, diz João Alves Pacheco.

A Green Building Council Brasil destaca que, apesar de receber investimento maior que o de um edifício comum – entre 2% e 7% do valor da obra -, os “prédios verdes” permitem uma redução do consumo de energia de até 30% e queda no consumo de água entre 30% e 50%. “Algum custo adicional que ocorra em função da inclusão de equipamentos ou sistemas deve ser coberto pelo melhor desempenho do edifício. Sua boa performance, através do monitoramento dos seus gastos, deve resultar em economia financeira, além de reduzir a agressão ao meio ambiente. Contudo, essa nossa afirmação considera que serão contratados serviços de gestão e operação de facilities de boa qualidade”, ressalta Tatiana Tostes.

Confira os requisitos do LEED™ EB O&M

Terreno sustentável

– Substituição de produtos de limpeza convencionais por produtos com certificação Green Seal, que agridem muito menos o meio ambiente.
– Substituição de produtos utilizados para controle de pestes por outros menos tóxicos e com baixo impacto ambiental.
– Substituição de cortadores de grama movidos a combustão por equipamentos movidos a energia elétrica, o que reduz a emissão de poluente e o ruído durante a operação.
– Mais de 30% de todo o volume de chuvas é mantido no empreendimento, devido à infiltração da água em áreas verdes e ao sistema de captação e retenção de água pluvial.
– O paisagismo recebe espécies catalogadas  e as plantas existentes são adequadas ao habitat natural da região.
– Localização do empreendimento estimula o uso de transporte coletivo.

Uso racional de água

– As caixas acopladas dos vasos sanitários são reguladas para eliminar vazamentos e garantir um consumo de 6 litros por acionamento.
– Os restritores de vazão existentes nas torneiras dos lavatórios foram aferidos, garantindo um consumo médio máximo de 0,5 litro por acionamento.
– Redução de, pelo menos, 35% no consumo de água.
– 100% da água utilizada para irrigação é proveniente de água de chuva.

Uso racional de energia

– Alteração de horário de funcionamento de determinadas áreas de estacionamento, permitindo a redução no consumo de energia com iluminação.
– Substituição de lâmpadas fluorescentes por instalações de LEDs.
– Instalação de um banco de capacitores, reduzindo a zero o custo de energia capacitiva e reativa.
– Alterações no sistema de automação para permitir que chillers de menor capacidade, antes utilizados apenas para circuitos 24 horas, assumam automaticamente a demanda de refrigeração dos escritórios durante o horário de ponta, reduzindo o consumo de energia. Os chillers são equipamentos responsáveis por refrigerar a água utilizada para condicionamento dos prédios.
– Reestruturação da iluminação do hall dos elevadores dos andares, permitindo que apenas parte da iluminação, a necessária para eficiência, fique acessa durante o período noturno.

Materiais e recursos

– Plano de gestão de resíduos sólidos do empreendimento inclui coleta de pilhas e baterias, cartuchos e toners de impressoras e bitucas de cigarros, sendo todos esses resíduos encaminhados para reciclagem.
– As lâmpadas fluorescentes são armazenadas em local específico e tratadas por empresa especializada.

Qualidade do ambiente interno

– Instalação, próximo às catracas (em caso de edifícios comerciais) de capachos com 3 metros de comprimento, capazes de reter mais de 80% dos contaminantes que seriam carreados para outros pavimentos pelas solas dos sapatos dos ocupantes.
– Medição rigorosa dos sistemas de fornecimento de ar, garantindo que o volume mínimo de ar necessário para manter a qualidade do ambiente interno seja fornecido aos ocupantes.
– Delimitação de área para fumantes, com permissão apenas à área do “fumódromo”, distante de qualquer entrada ou tomada de ar das edificações para evitar a contaminação das áreas internas.

Entrevistados
João Alves Pacheco e Tatiana Tostes, da Cushman & Wakefield

Currículos
– João Alves Pacheco é graduado em Tecnologia Mecânica pela FATEC-SP e mestre em Administração de Empresas pela PUC-SP. Também é profissional acreditado (LEED™-AP) pelo USGBC (Conselho Americano de Prédios Verdes).
– Possui grande experiência em gerenciamento de facilities, tendo trabalhado como gestor nas áreas de engenharia e manutenção predial. Na Cushman & Wakefield há 14 anos, João Alves Pacheco é atualmente o diretor responsável pelas áreas de suprimentos, qualidade, planejamento, engenharia de manutenção e consultoria de certificação de edifícios verdes.
– Tatiana Tostes é coordenadora de Sustentabilidade da Cushman & Wakefield, com formação acadêmica em administração na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na Universidade de São Paulo (USP) e na Fundação Getúlio Vargas

Contatos:   joao.pacheco@sa.cushwake.com / tatiana.tostes@sa.cushwake.com / http://www.cushwake.com

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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