Maiores construtoras do mundo pedem passaporte brasileiro

A publicação International Construction divulgou o ranking 2018 das maiores construtoras do mundo. A lista leva em conta a receita anual das empresas e o volume de obras contratadas e concluídas em 2017. Pelo segundo ano consecutivo, as empreiteiras chinesas ocuparam as primeiras colocações, seguidas das tradicionais Vinci (França), ACS (Espanha), Bouygues (França), Bechtel (Estados Unidos) e Hochtief (Alemanha). Em comum, essas empresas projetam empreender no Brasil em 2019. Todas têm a expectativa de que o mercado da construção civil possa se abrir no país, permitindo que elas participem de projetos de infraestrutura.
Para expandir e manter o volume de negócios, as maiores empreiteiras do mundo querem ter passaporte brasileiro. Por duas razões: a demanda reprimida por obras de infraestrutura no país e o encolhimento das gigantes da construção civil, após serem investigadas pela operação Lava Jato. Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS frequentavam com certa rotina a lista das cem maiores construtoras do planeta. Na edição de 2018 do ranking, apenas uma delas aparece entre as 200. A Andrade Gutierrez, com receita de 1 bilhão e 400 milhões de dólares ocupa a posição número 184.
No ranking de 2018, só outra empresa brasileira frequenta a lista das 200: a MRV Engenharia, que entrou na posição 199, com receita de 1 bilhão e 100 milhões de dólares. A publicação International Construction faz uma análise do futuro das grandes empresas brasileiras no ranking. “Com um país que precisa desesperadamente de investimentos em infraestrutura em grande escala, os resultados das eleições gerais a serem realizadas no Brasil em outubro deste ano determinarão quantas empresas brasileiras chegarão à lista no próximo ano”, disse, referindo-se ao processo eleitoral pelo qual o Brasil passou recentemente.
Um dos principais defensores de que o mercado brasileiro se abra para as grandes empreiteiras do mundo é o professor do departamento de administração da FEA USP, Paulo Roberto Feldmann. Para ele, três motivos já seriam suficientes para que construtoras internacionais passassem a disputar licitações de obras públicas no país: a chance de tirar do atraso a infraestrutura nacional, contratos mais baratos e a entrada de novas tecnologias, equipamentos e sistemas construtivos. “Haveria competição. Hoje há muita acomodação no setor. O dia que houver competição elas vão ter que se desenvolver tecnologicamente para enfrentar as estrangeiras”, avalia.
Veja o perfil das maiores construtoras do mundo
1. China State Construction Engineering Corporation
A empresa teve um faturamento de 164 bilhões de dólares. Com atuação forte nos países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein e Catar, a CSCEC tem sede também em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Além de seu envolvimento com obras de infraestrutura, a China State Construction Engineering Corporation é atualmente a que mais constrói unidades habitacionais no mundo.
2. China Railway Group
A China Railway Group teve um faturamento de 101 bilhões e 400 milhões de dólares em 2017. Apesar de pertencer a um conglomerado que abrange desde a construção de equipamentos até laboratórios de pesquisa, a expertise da China Railway Group é construir ferrovias, rodovias, pontes, túneis, hidrelétricas, portos e aeroportos.
3. China Railway Construction Corporation Limited
A China Railway Construction Corporation Limited faturou 99 bilhões e 556 milhões de dólares em 2017. A CRCC tem um foco muito específico na construção de ferrovias convencionais, ferrovias de alta velocidade, pontes ferroviárias, túneis ferroviários, metrôs e trens urbanos.
4. China Communications Construction Company
A China Communications Construction Company (CCCC) tem como característica se associar a construtoras nos países em que atua. Sua mais recente aquisição foi a John Holland Group, uma das principais empresas de engenharia da Austrália. As obras mais emblemáticas da empresa chinesa são os aeroportos. Em 2017, seu faturamento chegou a 54 bilhões e 400 milhões de dólares.
5. Vinci
A Vinci é uma empresa italiana que atua globalmente. Atualmente, a empresa está envolvida na reforma do Mandarin Oriental Hotel, em Londres, na construção do Femern Tunnel, na Dinamarca, e atua paralelamente em outros 43 projetos em 19 países. Vinci emprega mais de 185.000 pessoas em todo o mundo. Sua receita no ano passado foi de 49 bilhões e 400 milhões de dólares.
6. Atividades de Construcción y Servicios
A Actividades de Construcción y Servicios (ACS) é uma empresa espanhola com atuação global. Porém, são nos Estados Unidos e no Chile onde se encontra o maior volume de obras atualmente. Em 2017, sua receita chegou à casa de 40 bilhões de dólares.
7. Bouygues
A francesa Bouygues é especializada em construções industriais e em obras de infraestrutura, mas atua em várias frentes. Entre seus projetos mais recentes está a construção do novo campus da Universidade de Cardiff, no País de Gales. A Bouygues emprega 118 mil pessoas e seu faturamento em 2017 chegou a 37 bilhões de dólares.
9. Bechtel
A norte-americana Bechtel tem forte atuação na Europa e na África, além do próprio Estados Unidos. A empresa possui cerca de 50 mil funcionários e seu faturamento em 2017 chegou a 32 bilhões e 800 milhões de dólares.
10. Hochtief
A alemã Hochtief fechou 2017 com pouco mais de 30 bilhões de dólares. A empresa é considerada atualmente a maior especialista em construção sustentável do mundo. Ela atua na área habitacional, mas também desenvolveu expertise na construção de rodovias verdes com pavimento de concreto.
Entrevistado
Reportagem com base no ranking 2018 da revista International Construction, publicada pela KHL Groups
Contato: info@khl.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Saiba por que as estradas do futuro serão em concreto

Se a indústria automobilística quiser viabilizar as tecnologias em curso, como carros elétricos, pistas que auto-abastecem os veículos - as chamadas e-highways - e estradas capazes de armazenar energia, as rodovias em pavimento de concreto são a solução. A avaliação parte de especialistas que participaram recentemente do seminário “Infraestrutura rodoviária para veículos elétricos, autônomos e conectados”, promovido pela EUPAVE (European Concrete Paving Association).
O evento ocorreu no Parlamento Europeu, onde há uma série de leis a serem votadas para padronizar as estradas dos países que integram a União Europeia. Isso obriga os legisladores a considerarem o tráfego de carros elétricos. “Para se tornarem conectados e autônomos, os veículos elétricos precisam de infraestrutura viária com durabilidade e previsibilidade. “Nesse sentido, os pavimentos de concreto oferecem muitas vantagens e facilitam a transição para esse novo modelo de mobilidade sobre rodas”, cita Stéphane Nicoud, presidente da EUPAVE.
Diretor-geral da Oficemen (Grupo de Fabricantes de Cimento da Espanha), Aniceto Zaragoza destacou que a nova geração de caminhões elétricos que vai começar a trafegar na Europa na próxima década “precisa de uma nova geração de infraestrutura para uma nova mobilidade”. A ideia foi reforçada pelo engenheiro Patrick Akerman, da Siemens, que trabalha no projeto de e-highways, para abastecer caminhões elétricos em movimento. “Precisamos de rotas sem ondulações para que a recarga dos caminhões não sofra interrupções”, salienta.
O Parlamento Europeu criou uma comissão para estudar os novos conceitos de infraestrutura viária. Batizada de DG Move, ela é presidida pela deputada Cristina Marolda. Para a parlamentar, o desafio é fazer a transição entre as estradas convencionais e as estradas do futuro. “Haverá um momento, nesta transição, em que dois tipos de veículos totalmente diferentes terão que coexistir, os elétricos e os a combustão. Assim, a infraestrutura rodoviária desempenhará um papel importante neste período de transição para garantir a segurança”, avalia.
França, Alemanha e Itália saem na frente para construir e-highways
França, Alemanha e Itália são os países que saem na frente para combinar a tecnologia dos carros elétricos com o pavimento de concreto. Em Versailles-França, a Qualcomm testa uma pista capaz de carregar veículos em movimento. Na Itália, em Turim, sistema instalado no pavimento em concreto abastece os ônibus quando eles param nos pontos para embarcar e desembarcar passageiros. Na Alemanha, são as e-highways que estão em operação. O país tem a meta ousada de, até 2050, não ter mais veículos a combustão trafegando em suas estradas.
Em junho de 2018, a EUPAVE promoveu em Berlim, na Alemanha, o seminário “O concreto conecta”. O objetivo foi mostrar os avanços que o país tem feito para unificar as estradas em pavimento rígido com as novas tecnologias de mobilidade. Um dos temas abrangeu as estradas com concreto pré-fabricado, que podem ser industrializadas com todas as conexões necessárias para viabilizar as e-highways a partir do próprio pavimento. “A Europa está em movimento e na direção das estradas do futuro”, concluiu o presidente da EUPAVE, Stéphane Nicoud.
Veja como funciona uma e-highways na Alemanha
Entrevistado
Reportagem com base nas palestras concedidas no seminário “Infraestrutura rodoviária para veículos elétricos, autônomos e conectados”, da EUPAVE
Contato: info@eupave.eu
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Caximba vai virar bairro sustentável em Curitiba

Um dos principais transtornos ambientais para a cidade de Curitiba-PR ganhou um projeto da prefeitura da capital paranaense, que prevê transformar a vila 29 de Outubro, na Caximba, em um bairro sustentável. O lugar tornou-se conhecido nacionalmente depois que o apresentador Luciano Huck, da TV Globo, esteve no local e o comparou ao Haiti, em agosto de 2018. O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, interveio na opinião de Huck e revelou o projeto de revitalização do local, cujo investimento está orçado em 200 milhões de reais.
Ele prevê a despoluição da área, incluindo os lagos, e a construção de um dique com 3 quilômetros de extensão, que irá mudar o cenário do bairro e permitir a construção de um parque linear. No local, as habitações irregulares construídas em áreas degradadas serão retiradas para dar lugar a um conjunto habitacional com mil unidades. As casas terão capacidade de gerar a própria energia, através de placas fotovoltaicas instaladas nos telhados, além de tecnologia para a coleta e o reaproveitamento da água da chuva.
O projeto na vila 29 de Outubro é do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e mobiliza quase todas as secretarias da prefeitura. A previsão é de que saia do papel a partir de 2021. A região da Caximba está localizada no limite de Curitiba com os municípios de Araucária e Fazenda Rio Grande. No local, atualmente, há 1.147 famílias (cerca de 4.500 pessoas) vivendo em situação irregular e em condições insalubres, e que precisam ser reassentadas do território que ocupam para habitações regularizadas.
Os recursos para a transformação da área virão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O projeto tem o nome oficial de Bairro Novo da Caximba. Em nota, a prefeitura de Curitiba define o empreendimento como desafiador. “A meta a longo prazo é ambiciosa: dotar a região com nível adequado de condições urbanísticas, sociais e ambientais”, afirma. O plano foi apresentado recentemente no Smart City Expo World Congress, que aconteceu de 13 a 15 de novembro de 2018, em Barcelona-Espanha.

Bairro é alvo de resíduos da construção depositados irregularmente
Um dos desafios na vila 29 de Outubro, antes do início de qualquer projeto, é a retirada de lixo e do entulho acumulado na região. Só neste ano, a prefeitura de Curitiba já destinou 244 toneladas de materiais depositados irregularmente na região. Entre esses materiais estão resíduos da construção civil despejados em desacordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que desde 2010 deveria ser adotada por todos os municípios brasileiros.
Antes mesmo do PNRS, a capital paranaense já possuía o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de Curitiba (Decreto 1.068/2004). Porém, segundo os dados mais recentes divulgados pelo SindusCon-PR, a cidade faz a destinação correta de apenas 25% dos entulhos recolhidos em canteiros de obras e áreas em reforma. Boa parte dos resíduos ainda são depositados irregularmente, e a maioria na região da Caximba.
Entrevistado
Prefeitura de Curitiba (via assessoria de imprensa)
Contato: smcs@smcs.curitiba.pr.gov.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Consumidor fideliza produto se tiver uma boa experiência

No CONAREC 2018 (Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente), que aconteceu em setembro na cidade de São Paulo-SP, o debate se concentrou na mudança de comportamento do consumidor. O evento foi embasado por pesquisa da PwC (PricewaterhouseCoopers), que apresentou parte do estudo “O futuro da experiência do cliente”. Nele, a consultoria identificou que o brasileiro é o cliente que mais valoriza a experiência. Prova disso é que 89% dizem que “experiência é o que mais impacta na decisão de compra”. Em outros países, onde foi realizada pesquisa semelhante, 73% citaram a experiência como prioridade.
Experiência, no caso, é a forma como o cliente é apresentado ao produto pela empresa, desfrutando de conveniência e eficiência. A conveniência vai da pré-venda até a venda, e engloba presteza do funcionário, conhecimento do produto e ética no fechamento da venda. Já a eficiência se dá no pós-venda, com a logística de entrega e a prestação de serviço na orientação de uso e manutenção do produto.
Mas o estudo da PwC mostra que para estimular a experiência no consumidor não significa que a empresa, necessariamente, tenha que investir em tecnologia. “Vale a pena investir em tecnologias, mas não é só isso. O cliente está preocupado em ser bem atendido”, diz trecho do relatório. A prova é que a pesquisa mostra que 80% dos consumidores esperam que haja mais interações humanas no futuro. “Cada consumidor quer sentir que estamos trabalhando para ele de forma única, fazendo o novo especialmente para ele, de forma diferente”, informa Alfredo Redondo, palestrante no CONAREC 2018, e que atua na área de softwares que detectam tendências no mercado consumidor.
Superconsumidores movimentam 400 bilhões de dólares por ano
O CONAREC 2018 também abordou um novo fenômeno, que é o superconsumidor. Trata-se daquele que tem alta fidelidade por um produto, e que aceita até pagar mais para se manter fiel à marca. Quem falou sobre o tema no CONAREC 2018 foi o consultor de negócios Eddie Yoon - criador do termo superconsumidor. Na visão do sul-coreano radicado nos Estados Unidos, os superconsumidores movimentam 400 bilhões de dólares por ano. O detalhe curioso, segundo relata Yoon, é que esse montante representa 10% dos clientes de uma empresa, mas, na prática, correspondem entre 30% e 70% das suas vendas. “O que existe entre um superconsumidor e a marca é algo mais emocional, e é isso que precisa ser buscado pelas empresas”, diz.
Eddie Yoon explica que o movimento de novos superconsumidores cresceu exponencialmente nos últimos oito anos. No entanto, a identificação desse modelo de consumidor não é tarefa fácil e exige grande esforço das empresas. “Eles agem muito nas redes sociais e funcionam como uma onda. Só que é difícil detectar o ponto de criação dessa onda. O que se sabe é que eles agem em vários setores, que vão desde a moda até produtos básicos de alimentação, passando por áreas mais sofisticadas, como a indústria automobilística, de telefonia e da arquitetura e construção”, define.
Entrevistado
Reportagem com base nos debates ocorridos dentro do CONAREC 2018 (Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente)
Contato: eventos@gpadrao.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Potencial da construção é de 30 milhões de empregos

O Incorpora (Fórum Brasileiro das Incorporadoras), que aconteceu em setembro de 2018 na cidade de São Paulo-SP, debateu o futuro da construção diante do cenário do novo governo, que comandará o Brasil a partir de 1º de janeiro de 2019. No entender dos palestrantes convidados pela ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) medidas que barateiem o crédito e atraiam investidores podem alavancar a retomada do crescimento do setor, que, segundo os analistas, tem potencial para gerar 30 milhões de empregos.
Entre os argumentos, um chamou a atenção. Os debatedores lembraram que Estados Unidos e China já consolidaram o potencial de atrair investidores para a construção civil. Segundo eles, a bola da vez é o Brasil, pois existe um grande delay de obras no país clamando para sair do papel. O próximo governo - estimam os analistas - só precisa dar três passos: oferecer segurança jurídica, ter disciplina fiscal e baixar os juros. “O crédito imobiliário barato é uma das alavancas para impulsionar essa demanda”, sintetiza Luiz Antonio França, CEO da ABRAINC.
Durante o fórum foi traçada uma fotografia do setor imobiliário no Brasil para os próximos 25 anos. A estimativa é de que o país precisará construir 35 milhões de moradias, segundo dados apresentados por Rubens Menin, presidente do conselho da MRV. “Isso é muito mais do que já foi construído, e é fruto do delay demográfico, ou seja, temos um país continental, com mais de 200 milhões de habitantes. Só a China e os Estados Unidos têm características semelhantes e já têm consolidados os investimentos para o setor imobiliário. Agora é a vez do Brasil. Se esse potencial for materializado, podemos gerar 30 milhões de empregos”, diz.
Veja quais são os entraves que encarecem o crédito imobiliário
Para Luiz Antonio França, o Brasil só conseguirá viabilizar recursos para tornar sustentável o segmento da construção civil voltado para o mercado imobiliário se solucionar os entraves que encarecem o crédito. Ele começou lembrando que apenas os recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e da caderneta de poupança não conseguirão atender essa demanda. “É preciso estimular novos funding e também destravar mecanismos que facilitem o crédito, como o projeto do distrato, que se encontra paralisado no Senado, e o cadastro positivo”, ressalta.
O ministro das Cidades, Alexandre Baldy, lembrou no fórum de outro entrave que, se superado, poderia injetar mais de 700 bilhões de reais no segmento da construção civil. Esse dinheiro está contemplado na medida provisória (MP 844/2018), publicada em julho de 2018, e que atualiza o marco legal do saneamento básico. A MP facilita a privatização de empresas públicas de saneamento, estimula a competitividade no setor e obriga o pagamento de tarifas mesmo sem conexão ao serviço de água e esgoto.
No entanto, ela se encontra parada no Congresso Nacional e, muito provavelmente, terá que ser reeditada pelo novo governo para que volte a entrar em votação. “Essa MP está enquadrada nas perspectivas para 2019. Hoje o capital privado só detém 6% das operações de saneamento básico no Brasil e a medida provisória abre essa janela de oportunidades para zerar o déficit no setor, que está diretamente ligado ao setor da construção imobiliária no Brasil”, resume Baldy.
Assista ao Fórum Brasileiro das Incorporadoras (Incorpora)
>> Abertura
>> Mesa Redonda - Propostas do setor de incorporação imobiliária
>> Painel 1 - Brasil 2019 – Desafios de um setor rumo ao crescimento
>> Painel 2 - O que ainda atrai investidores e até onde vai a disposição para riscos?
Entrevistado
Reportagem com base nos debates ocorridos dentro do Incorpora (Fórum Brasileiro das Incorporadoras), promovido pela ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias)
Contato: comunicacao@abrainc.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Qual o impacto do novo governo na construção civil?

É histórico que, quando o Brasil vai bem, e registra crescimento do PIB, a construção civil apresenta números ainda mais expressivos. Em 2010, o Produto Interno Bruto do país cresceu 7,5% e o setor teve alta de 11%, registrando seu pico neste século. Porém, quando a crise atinge a economia brasileira, o segmento que mais sofre é o da construção.
De acordo com o Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção, apresentado dia 8 de novembro de 2018, em São Paulo-SP, se o PIB brasileiro tivesse crescido a uma taxa de 3% ano entre 2013 e 2018, o PIB acumulado da construção civil neste período teria sido de 22%, ou seja, o setor estaria com quase pleno emprego e registrando crescimento sustentável.
No entanto, cinco anos de paralisia fizeram com que a construção civil brasileira retrocedesse a níveis de 12 anos atrás, mas não significa o fim do mundo. Se, de fato, o novo governo que assume dia 1º de janeiro de 2019 for reformista, estarão criadas as condições para recolocar o setor nos trilhos do desenvolvimento novamente.
De acordo com o estudo da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), que tem como base o volume de vendas de equipamentos para a construção civil, o início de recuperação do setor já começou. Um dado interessante é que as vendas de equipamentos da linha amarela - movimentação de terra - devem crescer 40% em 2018 ante 2017, totalizando 11,6 mil unidades comercializadas neste ano contra 8,3 mil unidades no ano anterior.
Equipamentos voltados para a área de concreto confirmam crescimento
Já o segmento de retroescavadeiras deve ter expansão de 51% em 2018, chegando a 3.150 unidades comercializadas. Além disso, a estimativa é de que as pás carregadeiras tenham uma alta de 42% nas vendas, bem como as escavadeiras hidráulicas alcancem um percentual de crescimento de 30%. O mesmo percentual de crescimento é esperado para os equipamentos da área de concreto (autobombas, bombas estacionárias, centrais de concreto e caminhões-betoneira). Um percentual bem mais positivo que o obtido em 2017.
Somadas todas as categorias - linha amarela, demais equipamentos e caminhões rodoviários -, as vendas totais de máquinas para construção devem crescer 38% em 2018 em comparação a 2017. No total, serão 17,8 mil unidades comercializadas neste ano contra 12,9 mil unidades no ano anterior. “Esse aumento foi ocasionado pela melhoria geral do mercado, pela promoção de um número maior de licitações públicas e concessões e pela estabilidade de outros segmentos nos quais são vendidas máquinas utilizadas pelo setor de construção”, resume o estudo.
Entrevistado
Reportagem com base no “Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção” (via assessoria de imprensa)
Contato: sobratema@sobratema.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Para indústria hoteleira, sustentabilidade é inovação

Ferramentas como o Airbnb levaram a indústria hoteleira a se reinventar. Não apenas na forma de atrair o cliente, mas de projetar suas edificações. O importante, agora, é fazer o hóspede se sentir em casa. Para chegar a esse resultado, não se constrói apenas com arquitetos e engenheiros civis. É preciso entender aonde o hotel será construído e o que o entorno pode oferecer para ajudar na concepção do projeto.
Essa nova realidade foi apresentada pelo vice-presidente de design e construção da AccorHotels para a América do Sul, o engenheiro civil Paulo Mancio, durante o GreenBuilding Brasil 2018, que aconteceu de 5 a 7 de novembro em Curitiba-PR. A empresa onde Mancio atua é global e vale 14 bilhões de euros na bolsa de valores de Paris. Ela agrega uma gama de mais de 20 marcas, distribuídas em 4.600 hotéis pelo mundo, e que envolvem 290 mil colaboradores.
A rede viabiliza 160 obras por ano, seja construindo novos hotéis ou reformando. Mas antes de construir, são os antropólogos que dão o primeiro parecer. Eles são contratados para diagnosticar o entorno da edificação e como isso pode ser traduzido para encantar o cliente. “Em seguida, as informações são passadas a um roteirista, que transforma os dados em um filme. É esse filme que vai embasar o projeto arquitetônico, e que vai traduzir tudo o que a obra precisa para agradar o hóspede”, revela Mancio.
No Brasil, essa nova forma de construir hotéis será testada no projeto do Twenty Five Hours que será edificado no bairro de Pinheiros, em São Paulo-SP. “Será um hotel voltado para a geração millennials”, diz Paulo Mancio, que destaca ainda que o cliente que frequenta os hotéis do grupo para o qual ele trabalha têm também uma preocupação com a sustentabilidade. “Nós cuidamos desse serviço com 60 práticas sustentáveis, sem que o hóspede perceba”, completa.
Em média, os hotéis da rede AccorHotels espalhados pelo mundo tratam de 30% a 35% de seus efluentes, além de promover a reciclagem da água e usar fontes alternativas de energia, como a fotovoltaica. No Brasil, lembra Mancio, há um paradoxo. O país tem ao mesmo tempo o hotel mais sustentável do mundo, porém esbarra na burocracia pública, que impede que outras instalações possam usufruir da mesma tecnologia.
Ações a favor da sustentabilidade variam de município para município no Brasil
O Sofitel Jequitimar, localizado no Guarujá-SP, é o único do mundo que trata 100% seus efluentes líquidos. Para conseguir realizar essa operação, o hotel conta com três Estações de Tratamento de Água (ETAs). O mesmo foi tentado para um hotel Ibis em Macaé-RJ, mas o poder público municipal vetou e os efluentes são jogados diretamente no esgoto, mesmo com o hotel podendo tratá-los. “A legislação em alguns lugares é nociva, mas continuamos otimistas com o Brasil e convictos de que devemos investir mais”, diz Paulo Mancio.
Independentemente dos problemas nacionais, o vice-presidente de design e construção da AccorHotels para a América do Sul revela que sustentabilidade e inovação já estão inseridas no DNA do grupo. “Esse DNA é composto por design, sustentabilidade, inovação, tecnologia, food & beverage e originalidade. Tudo isso para atender o novo perfil de clientes de hotéis”, conclui.
Entrevistado
Reportagem com base no seminário “Sustentabilidade? Isso já fazemos. Agora a busca é por inovação”, ocorrido dentro do GreenBuilding Brasil 2018
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Edifícios autossustentáveis transformam a economia

Atualmente, o Brasil possui 18 edificações credenciadas a conseguir o selo Zero Energy da GBC Brasil (Green Building Council Brasil). Lançada há um ano no país, a certificação é uma das mais procuradas entre as que reconhecem edifícios autossustentáveis. Ela abrange escolas, centros de distribuição, prédios corporativos, instituições financeiras e indústrias, ou seja, os setores que movimentam a economia do país.
No período de crise que o Brasil vive a partir de 2014, esses segmentos buscaram soluções que minimizassem desperdícios de recursos. Gastar altos valores com o consumo de energia elétrica e de água fez as empresas se voltarem para sedes autossuficientes nestes dois quesitos. Segundo o presidente do SindusCon-PR, Sérgio Crema, foi essa razão que levou os associados do sindicato, por exemplo, a aprovarem a construção de um prédio Zero Energy.
“A construção civil brasileira historicamente vive de ciclos. Há períodos de bonança e de crise. Recentemente, estamos saindo da pior crise do setor e, neste período, concluímos que tínhamos que ter um prédio autossustentável, e que nos permitisse uma gestão mais refinada. Seguramente, as próximas gestões do SindusCon é que vão colher os frutos deste prédio que estamos finalizando e que vai gerar muitas economias de recursos”, diz.
Sérgio Crema e outros líderes empresariais e setoriais que empreendem em edifícios autossustentáveis expuseram seus cases no GreenBuilding Brasil, que aconteceu em Curitiba-PR, de 5 a 7 de novembro. A capital paranaense não foi escolhida aleatoriamente. O estado é hoje o que tem o maior número de empreendimentos credenciados a ter o selo Zero Energy.
Em Curitiba, estão a Petinelli Engenharia, a RAC Engenharia e a De Paola & Panasolo Sociedade de Advogados. Em Londrina, a Plasmetal, e em Tamboara, a Geo Energética.
Autogeração de energia passou a ser estratégica para as empresas
Os edifícios que buscam a certificação Zero Energy precisam atender os seguintes requisitos: geração da energia consumida por meio de placas fotovoltaicas, cisternas, compostagem e separação de resíduos, além de captação de água da chuva para reuso e uma arquitetura que favoreça a luz e a ventilação natural, para a economia de energia consumida por lâmpadas e sistemas de ar-condicionado.
Com o custo da energia elétrica cada vez mais caro para as operações corporativas, esses prédios geram economia significativa. Há casos que chegam a consumir cerca de 10% de Kwh, em comparação com edificações convencionais. “Para a grande maioria das empresas, o custo com energia configura a segunda principal despesa, depois apenas de recursos humanos. Estamos falando de uma questão estratégica e a autogeração passa a ser avaliada como alternativa de redução de custos”, afirma Guido Petinelli, um dos palestrantes no GreenBuilding Brasil 2018.
Entrevistado
Reportagem com base no seminário “Zero Energy avança no Brasil – Cases em operação!”, ocorrido dentro do GreenBuilding Brasil 2018
Contato: contato@gbcbrasil.org.br
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Certificação sustentável migra para a habitação popular

Entre 2013 e 2017, o número de edificações que buscam certificação sustentável na região sul do Brasil cresceu 79,6%, enquanto nas outras regiões do país o aumento chegou a 41,4%. Foi isso que trouxe o GreenBuilding Brasil 2018 a Curitiba-PR. A capital paranaense lidera esse movimento pela construção sustentável entre os três estados (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). A cidade já tem 22 prédios-verdes - a maioria edifícios corporativos - e influencia positivamente sua região metropolitana.
A cidade de Pinhais-PR, por exemplo, está construindo o primeiro condomínio Minha Casa Minha Vida do Brasil com certificação LEED ™ (Leadership in Energy and Environmental Design). O empreendimento vai buscar o selo GBC CASA & CONDOMÍNIO, cujo foco é a saúde e o bem-estar dos moradores. Para isso, deverá atender, além das seis partes da Norma de Desempenho (NBR ABNT 15575), o uso eficiente da água, a economia de energia, a utilização de materiais certificados e a destinação comprovada dos resíduos. O Pinhais Park Residence terá 136 unidades em três torres de quatro pavimentos. O canteiro de obras está em fase de implantação.
A arquiteta Agatha Carvalho, coordenadora-técnica do Green Building Council Brasil, explicou no GreenBuilding Brasil 2018 como funciona a certificação GBC CASA & CONDOMÍNIO. “O processo de certificação segue um checklist rigoroso, que se dá desde o registro, passando pela verificação técnica do projeto, revisão e, por fim, a certificação, de fato. Ao implementar o selo objetivamos impactar diretamente, e positivamente, nas mudanças climáticas, na saúde e no bem-estar das pessoas, nos benefícios econômicos proporcionados por esses projetos, nos recursos hídricos e na biodiversidade”, salienta.
GBC CASA & CONDOMÍNIO almeja levar qualidade ao Minha Casa Minha Vida
A certificação GBC CASA & CONDOMÍNIO foi lançada no segundo semestre de 2017, e, até o momento, existem 58 projetos registrados no país, dos quais 9 já estão certificados. Para a engenheira civil Ana Rocha Melhado, coordenadora da pós-graduação em construções sustentáveis da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), que também palestrou no GreenBuilding Brasil 2018, o selo voltado para o mercado habitacional tem a oportunidade de diminuir as diferenças entre empreendimentos de alto padrão e as construções mais populares. “Podemos incorporar essas tecnologias em todos os tipos de empreendimentos, de alto padrão aos mais populares, que começarão a ganhar volume a partir de agora”, afirma.
A expectativa dos debatedores é de que, no médio prazo, a construção sustentável deixe de ser um ramo da construção civil para estar totalmente integrada ao setor. “Tenho uma visão positiva acerca dessa questão. Acredito que o setor caminha sempre em busca do desenvolvimento sustentável. Além disso, dados do GBC Brasil indicam que, dentre as razões da ascensão das construções sustentáveis, está o desejo das corporações de gerar economia. Prédios-verdes, por exemplo, possuem taxas de condomínio menores, bem como garantem aos consumidores que a edificação em que moram ou trabalham, isto é, onde passam a maior parte do tempo de suas vidas, apresente desempenho acima de todas as normas técnicas que disciplinam os diversos sistemas de uma edificação”, completa a professora-doutora da FAAP.
Entrevistado
Reportagem com base no seminário “O Promissor Setor Residencial: Principais Aspectos, Oportunidades e Lideranças”, ocorrido dentro do GreenBuilding Brasil 2018
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Prédios-verdes dão lucro, desde que haja manutenção

O Brasil surpreende pela quantidade de edifícios com certificação LEED ™ (Leadership in Energy and Environmental Design). São 490 construções com o selo de prédio-verde, o que coloca o país em 4º lugar no mundo. Isso levou a escola de arquitetura da Universidade de Harvard a medir qual a economia que a profusão de edifícios sustentáveis gera ao Brasil. Os números levantados apontam que essas edificações pouparam o equivalente a R$ 931 milhões em consumo de energia, entre 2000 e 2017, e, no mesmo período, geraram R$ 319 milhões de economia associada à redução do absenteísmo, no que se refere à perda de dias de trabalho por razões médicas.
Segundo o Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), esses números poderiam ser mais significativos se os prédios-verdes tivessem um desempenho operacional mais rigoroso, ou seja, se realizassem todos os procedimentos para que a certificação fosse efetivamente seguida após a ocupação. Segundo o arquiteto e urbanista Luís Leal, que palestrou no GreenBuilding Brasil 2018 - ocorrido de 5 a 7 de novembro, em Curitiba-PR -, isso passa pela educação de quem utiliza o edifício. “Principalmente em edificações corporativas, é preciso que haja uma comunicação que priorize o usuário, a fim de que ele entenda e colabore com questões como manutenção preventiva, reciclagem e reformas que podem comprometer requisitos da certificação”, afirma.
Profissionais da arquitetura e da engenharia civil orientam edifícios sobre como manter a certificação
Na prática, boa parte dos empreendimentos com certificação LEED ™ apresenta desempenho abaixo do esperado depois que entra em operação. O que o CTE busca é aprimorar o processo de monitoramento e análise de desempenho das edificações, a fim de corroborar para que as estratégias e tecnologias embarcadas nos empreendimentos certificados resultem na eficiência projetada e, consequentemente, reduzam o impacto ambiental dos edifícios na fase de operação. De acordo com Luís Leal, o CTE faz esse acompanhamento de duas formas: pesquisas “in loco” nos edifícios e através da ferramenta ARC, que permite aprimorar o monitoramento de desempenho dos prédios. Atualmente, 50 empreendimentos já compartilham suas informações operacionais pela plataforma ARC.
É importante monitorar os prédios-verdes e também educar os usuários, pois a certificação LEED ™ só é renovada a cada cinco anos se a manutenção e a operação perseguirem as normas ao longo da vida útil do prédio. A preservação do selo é uma garantia de gestão consistente do empreendimento, embasada em políticas e processos de manutenção de equipamentos, que englobam consumo de energia e de água, destinação dos resíduos e serviços como os de limpeza e paisagismo. O objetivo é maximizar a eficiência operacional e minimizar danos da edificação ao meio ambiente. Tudo isso é alcançado com a correta manutenção, que é o que verdadeiramente garante a vida útil de um prédio-verde.
Entrevistado
Reportagem com base no seminário “Desempenho operacional, o futuro dos Greenbuilding”, ocorrido dentro do GreenBuilding Brasil 2018
Contato: contato@gbcbrasil.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330









