Engenharia mundial se une por 10 desafios do século 21

debate mundial sobre o futuro da engenharia
Evento na USP colocou o Brasil no debate mundial sobre o futuro da engenharia no século 21. Crédito: Youtube

A engenharia internacional elenca os 10 principais desafios que o setor terá que enfrentar no século 21. Especialistas definem os novos tempos como engineering grand challenges (grandes mudanças da engenharia), conceito que passa a ser debatido exaustivamente nas 20 principais economias mundiais, incluindo o Brasil. Entre os temas centrais, estão energia sustentável, tecnologia do sequestro de carbono, acesso a água limpa, infraestrutura urbana, tecnologia da saúde, engenharia reversa, combate à energia nuclear, realidade virtual, educação personalidade e robótica.

No Brasil, o primeiro encontro sobre engineering grand challenges ocorreu na USP, e reuniu palestrantes internacionais e estrategistas. Os debatedores salientaram que a engenharia do século 21 deve estar focada em criatividade e comprometimento. Eles também têm convicção de que apenas com tecnologia e boa engenharia o mundo conseguirá superar os desafios. “A tecnologia e a engenharia continuam sendo inevitavelmente as melhores opções para superar os grandes desafios da humanidade”, defende o professor da Poli-USP, Emílio Carlos Nelli Silva, um dos organizadores do evento.

No encontro realizado na USP, houve o consenso de que a engenharia global deve atuar de forma associativa, como explica Nelli Silva. “Isso criou um movimento global nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, chamado de convergência tecnológica”, completa. O professor lembra ainda que em outros países essa consciência já atinge estudantes antes mesmo de eles chegarem à escola de engenharia. Como explica Shimon Y. Nof, professor da Purdue University, nos Estados Unidos. “Estamos começando a trabalhar com adolescentes, para que, quando eles se tornarem estudantes de engenharia, saibam quais conceitos perseguir”, diz. 

Para a engenharia civil, a infraestrutura das cidades está entre os maiores desafios

No âmbito da engenharia civil, os estrategistas avaliam que um dos maiores desafios está na manutenção da infraestrutura das cidades, cuja prevenção ao processo de envelhecimento requer planejamento. Mantê-las em funcionamento tem relação com o equilíbrio ecológico e com a sustentabilidade dos espaços habitacionais e da mobilidade urbana. Para atingir esse objetivo, os especialistas reunidos na USP entendem que deverá existir uma nova fórmula de financiamento público. Foi citado o exemplo dos Estados Unidos, que a cada ano vê o orçamento governamental reduzir bilhões de dólares em relação ao aumento da demanda por novas obras e pela manutenção da infraestrutura existente no país.

Para William J. Perry, ex-secretário de Defesa dos EUA e atualmente professor do departamento de engenharia da Universidade de Stanford, o ponto de partida dos desafios que estão a caminho não pode deixar de ter uma visão otimista do futuro. “Não tenho dúvidas de que o quadro mundial de engenheiros buscará maneiras de colocar o conhecimento em prática para enfrentar esses grandes desafios. Aplicando as regras da razão, as descobertas da ciência, a estética da arte e a centelha da imaginação criativa, os engenheiros continuarão a tradição de criar um futuro melhor”, finaliza um dos idealizadores do movimento que debate as grandes mudanças da engenharia.

Veja vídeo do encontro na USP

Saiba mais sobre engineering grand challenges
www.engineeringchallenges.org

Entrevistado
Comitê Grandes Mudanças da Engenharia, localizado no campus da National Academy of Engineering (NAE), em Washington,D.C
(via assessoria de comunicação)
Contato: engineeringchallenges@nae.edu

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

aulas práticas nos canteiros de obras

Por que há países em que pedreiro ganha até R$ 25 mil?

aulas práticas nos canteiros de obras
Na Europa, parcerias com construtoras permitem que os alunos tenham aulas práticas nos canteiros de obras. Crédito: Divulgação

A média salarial de um pedreiro em países escandinavos, assim como na Suíça, na Alemanha, no Japão e nos Estados Unidos, equivale a 25 mil reais. No Brasil, essa média salarial varia de 1.532 reais a 4.238 reais, segundo dados dos SindusCons. A diferença está na qualificação. Nas nações em que o profissional que atua no canteiro de obras ganha bem ele se forma em cursos técnicos e profissionalizantes, já a partir da adolescência. São jovens que não priorizam chegar à universidade, mas se capacitar para exercer profissões técnicas, que, aliás, são muito valorizadas em países desenvolvidos.

Com capacitação, esses profissionais, não raramente, conseguem salários tão competitivos quanto os que concluem a universidade. Países como a Suíça, por exemplo, oferecem 250 cursos de nível profissionalizante acoplados ao ensino médio. São profissões que vão desde açougueiro, padeiro e cozinheiro até operadores de máquinas, pintores, marceneiros e pedreiros-construtores. A formação varia de dois anos a quatro anos, dependendo da complexidade da profissão. Um bom pedreiro-construtor só consegue chegar ao mercado de trabalho após quatro anos. 

Normalmente, as aulas teóricas são intercaladas com estágios em construtoras. Há uma parceria intensa entre as escolas profissionalizantes e as empresas, normalmente estimuladas pelos governos locais. É comum que, entre os que concluem os cursos, as próprias empresas parceiras absorvam a mão de obra. Há também grupos de alunos que se unem para formar pequenas empreiteiras, no caso dos pedreiros-construtores. Nos países europeus em que esse sistema já está consolidado, a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos é de 4%. No Brasil, a taxa de desemprego dentro desta faixa etária é de 26,6%.

UNESCO alerta que educação profissionalizante é porta para a indústria 4.0

Dados da OCDE (Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica) revelam que um dos principais desafios globais é gerar emprego para a força de trabalho jovem. São informações corroboradas pela UNESCO, que aponta que o grande obstáculo da educação mundial está na reforma do ensino secundário, a fim de que ele possa garantir competências para os jovens poderem ingressar no mercado de trabalho. “Chamamos todos os governos e a comunidade internacional para se unirem nesse esforço”, destacou a UNESCO, em comunicado no dia mundial dos professores, em 15 de outubro de 2018.

Nos países em que o ensino profissionalizante está acoplado ao ensino médio, o acesso dos estudantes às universidades politécnicas é facilitado. Isso permite que pedreiros-construtores se tornem engenheiros civis, por exemplo. Para especialistas em educação, esses profissionais tecnólogos serão fundamentais para consolidar a quarta revolução industrial, também conhecida como indústria 4.0. “Eles possuem habilidades para atuar no novo mercado de trabalho que surge no mundo, mas é necessário que as escolas estejam preparadas para ensiná-los”, finaliza a UNESCO, em seu comunicado. 

Entrevistado
Reportagem com base em relatórios da OCDE (Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica) e da UNESCO (Organização das nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura)
(via assessoria de comunicação)

Contatos
brasília@unesco.org
news.contact@oecd.org

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Dez fatores que fazem a diferença no varejo da construção

Qual loja você quer
Qual loja você quer: o modelo do século passado ou a que segue tendências amparadas em estudos comprovados. Crédito: Divulgação

Para auxiliar o setor do varejo da construção civil, o SEBRAE mapeou, através de pesquisa com empresários do setor, quais os dez fatores que fazem a diferença para o sucesso de uma loja de materiais de construção. O que não pode faltar são estratégia de posicionamento no mercado, gestão dos produtos na loja, controle financeiro, comodidade ao cliente, parcerias com fornecedores, marketing de relacionamento, gestão dos processos dentro da loja, gestão do estoque, layout da loja e atendimento.

Confira as dicas do SEBRAE para cada um dos fatores apontados na pesquisa:

1. Posicionamento de mercado
Defina bem o público-alvo, faça pesquisas de mercado e implemente estratégias de preço e promoções para os clientes, de acordo com o perfil deles. Lembre-se que posicionamento é a “personalidade” do produto ou objeto de comercialização. É a posição que se deseja ocupar na mente do cliente.

2. Gestão de produtos
Organize os produtos por categoria, analise as necessidades dos clientes e faça um controle rígido do estoque de mercadorias. A gestão inclui a criação de um ambiente agradável, capaz de despertar o desejo do cliente para consumir. A arrumação dos produtos, por ordem de preços e prioridade aos clientes, também deve ser levada em conta.

3. Controles financeiros
Mantenha o registro do fluxo financeiro da loja e planeje os investimentos necessários para aprimorar os resultados do negócio. Para se atingir a meta é preciso ter controle de caixa (registro de todo o dinheiro movimentado pela empresa), controle de bancos (entradas e saídas da conta bancária), controle de contas a receber, controle dos vencimentos (o que pagar) e controle do fluxo de caixa (mostra a necessidade de captar empréstimos ou aplicar excedentes em operações rentáveis).

4. Comodidade
Ofereça acesso à loja sem complicações, como estacionamento e boa localização, além de facilidades de pagamento e possibilidade de entrega dos materiais em locais escolhidos pelos clientes. É importante estar preparado para atender a todos os tipos de clientes e formas de pagamento: à vista, cartões de débito e crédito, sejam eles físicos ou presentes em smarthphones. Outras tecnologias e hábitos tradicionais de pagamento, como carnês e o “caderninho”, não podem ser descartados, dependendo da região em que a loja está localizada.

5. Parcerias
Tenha um bom relacionamento com fornecedores e profissionais da construção civil, assim como empresas que trabalham com produtos específicos e oferecem serviços complementares. A recomendação é que se invista na relação ganha-ganha, onde a negociação gera bons negócios para todos os parceiros.

6. Marketing de relacionamento
Conheça as necessidades e as expectativas de compra dos clientes, aproximando-se deles, e foque em uma estratégia de relacionamento que leve em conta os objetivos do negócio.

7. Gestão de processos
Invista na melhoria dos processos de compra e venda da loja e mantenha controle dos indicadores do negócio para conseguir atingir metas de redução de custos e de aumento de vendas. Essa etapa depende de um bom entrosamento com sócios e gestores da loja. Não cabe ao empresário impor, mas refletir e absorver a visão de cada um dos envolvidos no processo.

8. Gestão de estoque
Mantenha um registro dos fornecedores e dos produtos em estoque, controlando as baixas e a necessidade de novos materiais, por meio de um sistema informatizado. Três passos são fundamentais:

  1. Registrar no controle de estoque a quantidade, o custo unitário e o custo total das mercadorias vendidas.
  2. Periodicamente, confirmar se o saldo apurado no controle de estoque confere com o estoque físico existente na empresa.
  3. Calcular no controle de estoque o saldo em quantidade, custo unitário e custo total das mercadorias que ficaram em estoque.

9. Layout da loja
Organize os produtos por categorias. Os de maior fluxo de vendas devem ficar em pontos estratégicos, para que
o cliente possa visualizá-los com mais facilidade. A ideia é deixar a circulação pela loja a mais fluida possível. Não esqueça que logotipo, vitrine, disposição dos produtos, mobiliário, iluminação, cores e limpeza são fatores importantes para atrair clientes.

10. Atendimento
Capacite continuamente os funcionários sobre os produtos e serviços oferecidos, além de investir para que eles aprendam novas técnicas de venda. Com isso, é possível gerar vendas adicionais no processo de compra. O colaborador, além de saber cativar o cliente, deve demonstrar convicção e conhecimento sobre a qualidade e a aplicação do produto, assim como os serviços que sua empresa oferece.

Veja a íntegra do documento do SEBRAE

Entrevistado
Reportagem com base em documento do SEBRAE, intitulado “Dez fatores-chave de sucesso no varejo de materiais de construção”

Contato: imprensa@sebrae.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Arbo Cabral mostra como se constrói no século 21

Arbo Cabral
Arbo Cabral está na fase de construção das superestruturas de concreto e previsão é de que seja entregue em outubro de 2020. Crédito: Huma Engenharia

O edifício residencial Arbo Cabral, em construção em Curitiba-PR, é um modelo de como se viabiliza uma obra no século 21. Ferramentas como o BIM, aliadas a plataformas de compras e indicadores de performance, ajudam a produtividade a se manter em alta. Junto a essas tecnologias, a edificação investe em sistemas construtivos que privilegiam a construção industrializada, utilizando elementos protendidos e concretos especiais.

As obras do Arbo Cabral estão a cargo da Huma Engenharia. Será um edifício de alto padrão, com 21 apartamentos (um por andar) e 30 lajes, considerando subsolos, áreas comuns e pavimentos técnicos. Trata-se de uma construção sustentável, que se credencia a obter a certificação LEED GBC Brasil Condomínio.

Segundo os fundadores da HUMA Engenharia, os engenheiros civis Marlus Doria e Thomas Gomes, a entrega do empreendimento está prevista para outubro de 2020. Com 8.400 m2 de área construída, o Arbo Cabral é um exemplo de que as construções sustentáveis estão se tornando protagonistas também no Brasil. Na entrevista a seguir, os sócios Marlus Dória e Thomas Gomes explicam as características inovadoras da obra. Confira:

Quais inovações tecnológicas foram incorporadas ao projeto do Arbo Cabral?
O projeto do Arbo Cabral, desde sua concepção, foi desenvolvido e compatibilizado na plataforma BIM. O modelo permite antecipar uma série de inconsistências construtivas e extrair quantitativos de materiais e composições com maior precisão, além de permitir simular novas soluções para incorporar ao empreendimento. Para a execução do projeto, há softwares inovadores, como a plataforma de compras Conaz, que consegue agilizar e otimizar uma série de processos internos, mantendo a produtividade da equipe sempre alta, focando em decisões estratégicas e não somente nas operacionais. Na parte de obra, conseguimos desenhar uma estratégia que prioriza a produção, adotando sistemas construtivos, indicadores de performance e contratação de empreitada que estão entre os mais modernos atualmente.

Arbo Cabral
Arbo Cabral: edifício está credenciado a buscar a certificação LEED GBC Brasil Condomínio. Crédito: Huma Engenharia

Em que fase encontra-se a obra do edifício e qual o volume de concreto estimado a ser empregado nas estruturas da edificação?
Hoje estamos finalizando a parte de escavação e iniciando os blocos e vigas baldrame da superestrutura. O volume estimado para essa fase é de aproximadamente 2,5 mil m³ de concreto.

O Arbo Cabral usará estruturas de concreto protendido, a fim de reduzir número de pilares, vigas e cargas sobre a fundação?
O Arbo contará com esta solução estrutural em quase todas as lajes do empreendimento. A tecnologia reduz o número de pilares e vigas, deixando o apartamento mais fluido e amplo aos olhos do morador.

Existe o uso de algum tipo de concreto especial, em termos de resistência e durabilidade, previsto para a obra?
A obra conta com soluções estruturais interessantes. Para isso, precisamos contar com o melhor concreto que há no mercado e, por isso, contratamos
a Concrebras para produzir três tipos de concretos especiais:
1. Concreto
fck – 20 MPa de slump 22±3 cm para as lamelas da parede diafragma (contenção). Este é um concreto bem fluido, pois não há como vibrá-lo, uma vez que ele é aplicado no solo. Desta forma, é necessário um concreto que se adense bem, garantindo a uniformidade da parede.
2. Concreto
fck – 35 MPa de slump 10±2 para as lajes protendidas. É um concreto especial, desenvolvido especificamente para estruturas protendidas.
3. Concreto
fck – 30 MPa de alta resistência superficial, específico para os pisos das garagens. É um concreto aditivado, que garante que o piso das garagens seja resistente, especialmente na superfície, ao fluxo constante de veículos.

 “O Arbo Cabral possui um projeto-piloto junto à Cia. de Cimento Itambé para a logística reversa dos sacos de cimento.”

Thomas Gomes e Marlus Doria
Thomas Gomes e Marlus Doria, fundadores e diretores da Huma Engenharia: Arbo Cabral segue as boas práticas da construção civil moderna. Crédito: Huma Engenharia

No canteiro de obras, o Arbo Cabral tem adotado quais práticas de sustentabilidade?
O Arbo Cabral está buscando a certificação LEED GBC Brasil Condomínio, que é o braço brasileiro da certificação internacional, especificamente desenhado para o mercado do Brasil. Para atingir a certificação no nível que desejamos, adotamos uma série de medidas de sustentabilidade no canteiro. Entre elas, instalar lava-rodas para os caminhões que entram e saem do canteiro, impedindo que resíduos de escavação cheguem na rede pública. Também instalamos reservatórios de captação de água da chuva para utilizar em serviços do canteiro, reduzindo o consumo de água. Ainda foram criadas baias específicas para a separação dos resíduos gerados durante toda a obra, além de um projeto-piloto junto à Cia. de Cimento Itambé para a logística reversa dos sacos de cimento utilizados. Por fim, adotamos materiais ambientalmente corretos e certificados por selos internacionais, que garantem a procedência e a sustentabilidade.

Em termos da Norma de Desempenho, o Arbo Cabral busca atendê-la integralmente?
Todos os nossos projetos foram concebidos sob a alçada da nova Norma de Desempenho. A execução seguirá estritamente os projetos e, consequentemente, a norma, garantindo a maior performance possível de utilização da edificação.

No que se refere à eficiência energética, o que o Arbo Cabral incorpora ao seu projeto?
Um dos três pilares que pautam o projeto do Arbo é justamente a sustentabilidade. Ao longo do processo de incorporação, realizaram-se estudos termoacústicos para garantir a maior performance possível ao morador. Optou-se pela utilização de vidros low-e de alta tecnologia, iluminação de LED ativada por sensores em todas as áreas comuns, assim como a implantação de um telhado verde para auxiliar na qualidade do ar ao redor do empreendimento. Executivamente falando, temos todos os requisitos construtivos e de compra de materiais para certificação, além da gestão inteligente de resíduos durante a obra.

Qual a previsão para que o Arbo Cabral tenha sua execução finalizada?
A entrega do empreendimento está prevista para outubro de 2020.

Entrevistado
Engenheiros civis Marlus Doria e Thomas Gomes, fundadores da Huma Engenharia

Contato: thomas@huma.eng.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Bloco de concreto

Grafeno amplia resistência e durabilidade do concreto

Especialistas da Exeter University, na Inglaterra, conseguiram incorporar partículas de grafeno no concreto, através da nanotecnologia. O material desenvolvido em laboratório tem o dobro da resistência do concreto convencional de 30 MPa, e é quatro vezes mais resistente à penetração da água. Os pesquisadores tiveram o cuidado de adequar as amostras de concreto à normalização britânica e europeia para a construção civil.

Bloco de concreto
Bloco de concreto com nanopartículas de grafeno, desenvolvido na Exeter University: viabilidade depende do custo do material. Crédito: Exeter University

Além de elevar resistência e durabilidade, o grafeno também permitiu reduzir drasticamente a pegada de carbono em comparação aos métodos convencionais de produção de concreto, o que torna o material mais sustentável e mais ecológico. Os pesquisadores Dimitar Dimov e Monica Craciun, ambos do departamento de nanoengenharia da Exeter University, publicaram os resultados do estudo na revista britânica Advanced Functional Materials.

Segundo Craciun, o novo material é um divisor de águas em termos de reforço do concreto tradicional para enfrentar desafios como poluição, urbanização sustentável e fenômenos naturais que geram catástrofes. “Encontrar maneiras mais ecológicas de construir é um passo crucial na redução das emissões de carbono em todo o mundo. Este é um passo importante para tornar a construção civil mais sustentável”, completa Dimitar Dimov.

Entre as aplicações práticas do concreto com grafeno estão a possibilidade de se construir paredes mais finas e mais resistentes, o que abre novas possibilidades de projetos para engenheiros civis e arquitetos que constroem com sistemas de paredes de concreto. Outra alternativa viável é construir estradas com pavimento rígido que possam ser aquecidas para derreter a neve acumulada, já que o grafeno é excelente condutor de eletricidade.

Material é considerado a supercommodity do século 21

Atento à pesquisa desenvolvida na Exeter University, o professor-doutor do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Franz-Josef Ulm, concorda que a descoberta pode revolucionar a construção civil, mas, por enquanto, ele vê a pesquisa apenas como um “estudo conceitual”, devido ao alto custo do grafeno. Atualmente, um grama do material custa uma vez e meia mais que a do ouro, cuja cotação tem variado entre R$ 142,00/g e R$ 145,00/g.

Recentemente, há uma concentração de estudos que buscam reduzir o custo de produção do grafeno. O material é pesquisado desde o pós-guerra, porém ficou confinado ao meio acadêmico até 2004, quando o grafeno passou a ser testado em transistores e semicondutores. Em 2010, as pesquisas com o compósito renderam aos cientistas Konstantin Novoselov (russo-britânico) e Andre Geim (russo-holandês), ambos da Universidade de Manchester, o prêmio Nobel de física.

Derivado do grafite, cujas maiores reservas mundiais estão no Brasil, o grafeno é 200 vezes mais resistente que o aço, porém superleve e superfino. É considerado a supercommodity do século 21. Com um quilo de grafite é possível produzir 150 gramas de grafeno. Um quilo de grafite custa o equivalente a um dólar. Já um grama de grafeno é vendido por cerca de 100 dólares.

Veja pesquisa publicada na revista Advanced Functional Materials

Entrevistados
Pesquisadores Dimitar Dimov e Monica Craciun, da Exeter University

Contatos
M.F.Craciun@exeter.ac.uk
dd270@exeter.ac.uk

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

BNT NBR 15575

Revisão da Norma de Desempenho vai criar novas normas

BNT NBR 15575
Para acelerar o processo de revisão da ABNT NBR 15575, grupos de trabalho se dividiram em oito temas. Crédito: CBIC

Dia 14 de setembro, em São Paulo-SP, o Comitê Brasileiro da Construção Civil reativou a comissão de estudo (ABNT/CE-002:136.001) para revisar a ABNT NBR 15575 - partes 1 a 6 -, mais conhecida como Norma de Desempenho. O encontro definiu o coordenador e o secretário da comissão de estudo. Foram eleitos o engenheiro civil Fábio Villas Bôas, que atualmente coordena o comitê de Meio Ambiente (Comasp) e o comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP, e o engenheiro civil Luiz Henrique Manetti, da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (ANFACER). O objetivo é trabalhar em cima dos principais pontos da revisão, que tende a desencadear mudanças em outras normas técnicas, assim como o cancelamento e a criação de outras normativas.

O foco da revisão da ABNT NBR 15575 estará em aspectos como segurança contra incêndio, desempenho térmico, lumínico, acústico e durabilidade. Para cada um deles, um conjunto de ajustes e avanços necessários foi identificado, envolvendo aspectos como a definição de conceitos, atualização de normas referenciadas e a harmonização com outras normas e legislações. Será buscada, por exemplo, a harmonização com a ABNT NBR 16626 (Classificação da reação ao fogo de produtos de construção) e também com a ABNT NBR 9077 (Saídas de Emergência), a ABNT NBR 5628 (Método de ensaio de resistência ao fogo) e a ABNT NBR 15220 (Transmitância Térmica e Capacidade Térmica). A Norma de Desempenho também deverá se alinhar com a ABNT NBR ISO 8995, que passou a substituir a ABNT NBR 5413 – Iluminância de Interiores.

Revisão levará em conta características climáticas de cada estado brasileiro

Para Fábio Villas Bôas a revisão da Norma de Desempenho tem a seu favor o amadurecimento do meio técnico e dos consumidores em relação à norma técnica. “Hoje, podemos perceber que o posicionamento das pessoas é mais maduro do que em 2011 quando foi produzida a norma. Chegou o momento de consolidar o que está aí e aumentar a segurança para a aplicação”, disse, no evento que marcou o lançamento da revisão da ABNT NBR 15575. O coordenador ainda alertou que a norma tem peculiaridades de uma obra para outra. “Detectamos que ensaios para ruídos de impactos nas lajes mostraram que a norma funciona em um apartamento, mas em outra obra não funciona. Tem também os casos de paredes de vedação, que possuem desempenhos diferentes, em relação ao conforto térmico, nos estados brasileiros. Isso a revisão vai buscar corrigir”, avisa.

A previsão é de que o texto revisado da Norma de Desempenho passe a vigorar a partir de março de 2019. O foco será na redação de textos que não ficaram muito claros e na atualização, levando em conta a evolução dos materiais. Para acelerar o processo de revisão, o planejamento aprovado contará com a formação de grupos de trabalho nas seguintes temáticas: desempenho estrutural, segurança contra incêndio, desempenho térmico, desempenho lumínico, desempenho acústico, estanqueidade, durabilidade e manutenibilidade, cada um dos grupos contará com um relator específico, a fim de que o texto já saia pronto para ser incorporado na revisão.

Veja os principais pontos que a revisão da Norma de Desempenho vai abordar. Clique aqui.

Entrevistado
Reportagem com base na 1ª reunião da comissão de estudos ABNT/ CE-002:136.001, que marcou o lançamento da revisão da Norma de Desempenho

Contato: cb002@sindusconsp.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Política Nacional de Trabalho no Âmbito do Sistema Prisional

Decreto obriga contratação de presos e egressos em obras

Política Nacional de Trabalho no Âmbito do Sistema Prisional
Ministros Raul Jungmann, da Segurança Pública, e Gustavo Rocha, dos Direitos Humanos, no lançamento da Política Nacional de Trabalho no Âmbito do Sistema Prisional
. Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Durante sua interinidade na presidência da República, a ministra do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia, assinou decreto que institui a Política Nacional de Trabalho no Âmbito do Sistema Prisional, cujo objetivo é dar oportunidades de trabalho para presos e ex-detentos. A lei assinada dia 24 de julho atinge as contratações de obras públicas feitas pela União. A empresa vencedora de licitação deverá ter uma parcela de empregados vindos do sistema prisional. A medida vale para a contratação de serviços, inclusive os de engenharia, com valor anual acima de R$ 330 mil.

Presos provisórios, presos em regime fechado, semiaberto e aberto estão incluídos na política. Além disso, os egressos – aqueles que já cumpriram pena e foram postos em liberdade – também podem ser contratados dentro da cota. Deverão ser reservados aos presos ou egressos 3% das vagas quando o contrato demandar 200 trabalhadores ou menos; 4% das vagas, no caso de 200 a 500 funcionários; 5% das vagas, no caso de 501 a 1.000 funcionários; e 6% quando o contrato exigir a contratação de mais de 1.000 funcionários.

A legislação ainda define que a empresa contratada deverá providenciar os seguintes benefícios aos presos e egressos: transporte, alimentação, uniforme idêntico ao utilizado pelos demais terceirizados, equipamentos de proteção, inscrição do preso em regime semiaberto, na qualidade de segurado facultativo, e o pagamento da respectiva contribuição ao Regime Geral de Previdência Social, além de remuneração nos termos da legislação pertinente.

Lei tem boa intenção, mas pode desvirtuar a licitação pública e a empregabilidade

Para o vice-presidente de Infraestrutura, PPPs e Concessões do SindusCon-SP, Luiz Antonio Messias, as empresas terão dificuldades em cumprir a obrigatoriedade estabelecida. “Embora o estabelecimento de uma política para a ressocialização de presos ou egressos seja louvável, o decreto desvirtua a licitação pública, distanciando-a de sua finalidade de selecionar a proposta mais vantajosa para a administração pública”, diz. O dirigente ainda afirma que a lei é uma tentativa do poder público transferir para a iniciativa privada a ressocialização de presos e egressos, a qual fracassou como política pública.

A definição de qual preso poderá participar do programa será do poder judiciário, que fará a análise dos requisitos para verificar se determinado preso tem possibilidade efetivamente de sair para trabalhar. Mensalmente, o judiciário deverá receber um relatório enviado pela empresa sobre o desempenho do detento. Para o vice-presidente do SindusCon-SP, a política pode suprimir vagas de profissionais capacitados, exatamente quando há mais de 1,3 milhão de trabalhadores da construção civil desempregados. “A construção civil exige níveis cada vez mais elevados de qualificação profissional”, completa.

Para os ministros da Segurança Pública, Raul Jungmann, e dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, a política tem a função de assegurar a ressocialização e a reeducação dos presos, com a possibilidade de impactar no combate à criminalidade de base prisional, bastante vulnerável às facções criminosas.

Entrevistado
Ministério da Justiça e Segurança Pública e SidunsCon-SP
(via assessoria de imprensa)
Contatos
sindusconsp@sindusconsp.com.br
imprensa@mj.gov.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Mulheres que atuam na construção civil

Mulheres já são mais de 200 mil na construção civil

Mulheres que atuam na construção civil
Mulheres que atuam na construção civil possuem maior escolaridade que os homens e mais cuidado com a qualidade da obra. Crédito: Divulgação

A construção civil está em crise? Para as mulheres, não parece. Elas descobriram um mercado de trabalho positivo nos canteiros de obras e já são mais de 200 mil atuando no país. O mercado para as mulheres no setor cresceu cerca de 120% de 2007 até o primeiro semestre de 2018, segundo os dados mais atuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2007, existiam 109.006 trabalhadoras registradas. Em 2018, são 239.242.

O que explica esse avanço pode estar relacionado com o desemprego gerado pela lei das domésticas, de 2015, mas também pelo fechamento de vagas em outras áreas, como o de serviços, comércio e alimentação. Para conseguir trabalho, as mulheres buscam cursos profissionalizantes e hoje já rivalizam com os homens em três ocupações: azulejista, pintura e eletricista.

Também existem no país vários programas que estimulam a capacitação das mulheres. Dois exemplos: no Rio de Janeiro, o projeto Mão na Massa já capacitou mais de 1.500 profissionais. No Rio Grande do Sul, a ONG Mulher em Construção colocou mais de 4 mil profissionais para atuar em funções como pedreiras, azulejistas, pintoras, eletricistas e ceramistas. A justificativa de quem contrata é que as mulheres são mais precisas e têm mais foco nos detalhes, principalmente em operações de acabamento.

A mão de obra feminina na construção civil também está beneficiada pelos avanços tecnológicos no canteiro de obra, que cada vez mais dispensa a força física e privilegia a qualificação profissional. Além disso, alguns estados possuem leis que estabelecem cotas para mulheres na construção civil. O pioneiro é Minas Gerais, que desde 2015 reserva 5% das vagas para trabalhadoras em obras públicas.

Próximas barreiras a serem vencidas são salário e cargos de gestão

Porém, as mulheres seguem ganhando menos. Até mesmo as mais qualificadas. Engenheiras civis, por exemplo, têm média salarial de R$ 8,1 mil contra R$ 10 mil que são pagos aos homens que desempenham função semelhante. Esse não é um fenômeno exclusivo do Brasil ou da construção civil, mas global. Em todo o mundo, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a renda das mulheres é menor que a dos homens. No Brasil, há funções em que a diferença chega a 42,7% do salário pago aos homens.

Mas há exceções. Na cidade de Joinville-SC, de acordo com dados do Observatório da Indústria Catarinense, vinculado à FIESC, as mulheres na construção civil têm salário médio superior aos dos homens: R$ 2.161,00 ante R$ 1.948,00. Um dos fatores é o grau de escolaridade das trabalhadoras. Na cidade catarinense, 79,4% das que atuam nos canteiros de obras possuem ensino básico completo. Entre eles, esse percentual é de 54,9%.

A barreira que as mulheres ainda não conseguiram romper na construção civil está nos cargos de gestão. Poucas ainda ocupam funções decisivas nas empresas ligadas ao setor e isso pode estar relacionado ao fato de que, nas escolas de engenharia do Brasil, elas ainda são minoria. Representam 30% dos acadêmicos, mas o índice de evasão entre as mulheres é bem menor que o registrado entre os homens. Entre as estudantes, 15% não finalizam a graduação contra 25% dos homens, de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC).

Entrevistado
Reportagem com base em dados do IBGE, do
Ministério do Trabalho, do Ministério da Educação e da CBIC

Contato: comunica@ibge.gov.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Hidrelétrica de Hidroituango

Na América do Sul, Colômbia lidera obras de infraestrutura

Hidrelétrica de Hidroituango
Hidrelétrica de Hidroituango: um dos quatro megaprojetos que fazem a infraestrutura da Colômbia se destacar na América do Sul. Crédito: Agencias

Dos 10 principais projetos de infraestrutura na América do Sul, quatro estão em andamento na Colômbia. O maior deles é a ferrovia de 280 quilômetros entre as cidades de Ibagué e Armenia. O desafio da obra é um túnel de 44,2 quilômetros. O país também viabiliza uma linha de metrô em Bogotá, com 24 quilômetros de extensão, além da hidrelétrica de Hidroituango, com capacidade de gerar 2.400 megawatts.

A Colômbia ainda investe em infraestrutura portuária no rio Magdalena. O porto terá acesso direto a vias fluviais, ferrovias e rodovias no centro da Colômbia, permitindo economia de 60% no custo de transporte de mercadorias. A previsão de investimento nos quatro projetos é de 17 bilhões de dólares (cerca de 68 bilhões de reais), segundo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

O segundo país que mais investe em infraestrutura atualmente na América do Sul é o Peru. Entre as grandes obras está o gasoduto que atravessa o país, o plano de descontaminação do Lago Titicaca e a ferrovia Huancayo-Huancavelica. São investimentos que, de acordo com o CEPAL, beiram 1 bilhão de dólares – perto de 4 bilhões de reais. Apesar de, para um país, ser um montante de recursos relativamente pequeno, o que o Peru investe nesses projetos é mais do que o Brasil disponibilizou para novos projetos de infraestrutura em 2018.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe estima que, para combater a defasagem por infraestrutura na América Latina, o continente teria que investir o equivalente a 6,2% do PIB ao longo de oito anos para conseguir viabilizar as obras necessárias. Isso significaria 320 bilhões de dólares anuais (aproximadamente 1,2 trilhão de reais).

Falta de investimento em infraestrutura reflete no aumento da pobreza

Os efeitos desta defasagem se refletem nos níveis de pobreza e de extrema pobreza na América Latina, que voltou a crescer desde 2015, após mais de uma década de redução na maioria dos países, diagnostica o CEPAL. Em 2014, 28,5% da população do continente encontrava-se em situação de pobreza (168 milhões de pessoas), porcentagem que aumentou para 29,8% em 2015 (178 milhões), para 30,7% em 2016 (186 milhões) e 31,2% em 2017 (189 milhões). Entretanto, a extrema pobreza passou de 8,2% em 2014 (48 milhões) para 10,5% em 2017 (62 milhões).

A escassez de investimento em infraestrutura também levará a América Latina a ter um crescimento modesto em 2018, projeta a CEPAL. A previsão é de que o continente crescerá, em média, 1,5%. O bloco dos países da América do Sul crescerá menos (1,2%), enquanto a América Central crescerá 3,4% e o Caribe 1,7%. Com relação aos países, República Dominicana e Panamá irão liderar o crescimento da região, com um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,4% e 5,2%, respectivamente, seguidos por Paraguai (4,4%), Bolívia (4,3%), Antigua e Barbuda (4,2%), Chile e Honduras (ambos 3,9%).

O estudo acrescenta que esse crescimento regional ocorre em um cenário global complexo, caracterizado por conflitos comerciais entre Estados Unidos e China, por riscos geopolíticos crescentes, queda nos fluxos de capitais para os mercados emergentes e depreciações das moedas locais em relação ao dólar.

Entrevistado
Reportagem com base em relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL)

Contato: prensa@cepal.org

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

conceitos de coworking e coliving

Coworking e coliving já influenciam construção civil


conceitos de coworking e coliving
Construções versáteis, capazes de se adaptarem à necessidade do usuário, e não o contrário: esses são os conceitos de coworking e coliving. Crédito: Divulgação

Conceitos de coworking (compartilhamento de local de trabalho) e coliving (compartilhamento de moradia) já influenciam a arquitetura de edificações com finalidades corporativas e habitacionais. Os projetos arquitetônicos se voltam para atender a economia compartilhada. De que forma? Não se constrói mais para uma classe social, uma faixa etária, um modelo de negócio. Antes de consolidar o perfil da edificação, a arquitetura agora precisa intensificar as pesquisas sobre as várias comunidades que a construção possa atender.

No Brasil, algumas obras já estão saindo do papel com essas características. Em Porto Alegre-RS, uma incorporadora decidiu direcionar seus produtos para o público que se interessa por coworking e coliving. A empresa entende que empreendimentos imobiliários sejam 100% fruto da inteligência coletiva, ou seja, o desafio para a arquitetura é atingir o equilíbrio entre as várias tendências que vão habitar os novos espaços construídos. No entender de quem atua nesse tipo de mercado, os conceitos de economia compartilhada permeiam todas as fases do projeto.

Em São Paulo-SP, o setor imobiliário também começa a se preparar para essa nova realidade e o Secovi já promove até workshop sobre construções com foco no coliving. Entre os palestrantes convidados, se destaca a arquiteta norte-americana Laura Fitch, especializada em coliving e com projetos já consolidados na Dinamarca e nos Estados Unidos. Ela conta que para montar um empreendimento com características de coliving é preciso primeiro detectar os grupos interessados e promover reuniões que ajudem a delinear o projeto da moradia. “É decisivo entender como eles querem morar e quais espaços comuns estão dispostos a compartilhar”, diz.

Fitch lembra que a construção de um projeto para coliving é mais longo. “A consolidação pode levar de dois a três anos ou mais. Para ter êxito, é recomendável que seja conduzido por um profissional como mediador. Seu papel é essencial e pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso”, explica.

Coworking valoriza o retrofit e o coliving as obras sob medida

Já no caso do coworking, o que tem predominado é o retrofit de espaços já construídos, e que são adaptados para o compartilhamento de profissionais. Neste caso, deve ser priorizada a pluralidade de quem frequenta o local, o que obriga que a adaptação do ambiente seja guiada pela neutralidade na escolha do mobiliário e das cores. A proposta luminotécnica do projeto também é muito importante. Outra tendência é que os coworking sejam voltados para segmentos profissionais. Por exemplo, coworking só para arquitetos, só para advogados, só para jornalistas e publicitários, o que também influencia na arquitetura.

Na opinião dos arquitetos alemães Susanne Brandherm e Sabine Krumrey, do escritório Brandherm + Krumrey (b-k-i), está consolidado que os espaços para coworking serão construídos a partir de retrofit e os coliving a partir de novas construções, pensadas para essa finalidade. “Estes espaços estão se desenvolvendo em escala global. No caso do coworking, são necessárias soluções de retrofit. Já para o coliving é importante pensar projetos arquitetônicos exclusivos”, reforçam Brandherm e Krumrey.

Entrevistados
Reportagem com base em workshop promovido pelo Secovi-SP sobre coliving e coworking
(via assessoria de imprensa)

Contato: aspress@secovi.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330