Nova norma de cimento altera uma série de normas

Publicada em julho de 2018, a ABNT NBR 16697 - Cimento Portland - Requisitos - não está sozinha. Em torno dela orbita uma série de normas técnicas relacionadas ao Cimento Portland. Por isso, o CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) da ABNT está debruçado sobre esses documentos para adequá-los à nova norma de cimento.
Na coordenação de todo esse processo revisional está o gerente de laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), Arnaldo Battagin. Na entrevista a seguir, ele explica as alterações em curso, que começaram em 2015 e que buscam equiparar o cimento e o concreto produzidos no Brasil ao que há de melhor no mundo. Confira:
A ABNT NBR 16607 Cimento Portland - determinação dos tempos de pega - entrou em processo de revisão. Por qual motivo?
A rigor, tanto a norma ABNT NBR 16607 - determinação dos tempos de pega - quanto a norma NBR 16606 - determinação da pasta de consistência normal - entraram em processo de emenda, o que significa consulta à sociedade técnica sobre alterações necessárias, mas pouco expressivas. Explico melhor: a ABNT NBR 16607 tinha a forma de expressão dos resultados em horas e minutos. O que se propõe é que a expressão seja em minutos para compatibilizar com a ABNT NBR 16697 - Cimento Portland - Requisitos. Outra mudança se refere à possibilidade de realização do ensaio em temperaturas no intervalo de (20 °C ± 2), em regiões de clima temperado, o que foi eliminado, prevendo apenas a faixa padrão de (23 °C ± 2), já que ela deixou de ser norma Mercosul. Já para a norma ABNT NBR 16606 se propõe a alteração da figura esquemática do misturador de pasta e argamassa para compatibilizar com a ABNT NBR 7215 – determinação da resistência à compressão também em processo de consulta nacional.
Em função da nova norma de cimento (ABNT NBR 16697 - Cimento Portland - Requisitos), publicada recentemente, outras normas que orbitam em torno dela também devem passar por um processo de homogeneização. Quais seriam?
Sim, isso iniciou ainda em 2015 com as revisões das normas de métodos de ensaio de cimento e com a publicação da norma ABNT NBR 16372 - determinação da área especifica do cimento. Continuou em 2016, com a publicação da norma ABNT NBR 11582 (expansibilidade do cimento), e em 2017, com as ABNT NBR 16605 (massa específica), 16606 (consistência) e 16607 (tempos de pega). Agora, em 2018, está em processo de consulta nacional, além da ABNT NBR 7215, a nova norma sobre a determinação da resistência à compressão do cimento em corpos prismáticos, além da revisão de um conjunto de 13 normas de análises químicas de cimento.
Sobre essa nova norma, que propõe a adoção do método prismático para os corpos de provas, qual o motivo dela ser criada?
Os trabalhos estão praticamente concluídos e o projeto de norma deve entrar em consulta nacional proximamente. A padronização dos métodos de determinação de resistência é uma tendência mundial, tendo países como Inglaterra e Japão mudado sua metodologia para corpos de prova prismáticos, idênticos aos especificados atualmente por todos os países da União Europeia. No âmbito do Mercosul é provável a adoção de uma metodologia de corpos prismáticos em detrimento do método NBR 7215, que adota corpos de prova cilíndricos, uma vez que as normas argentinas e uruguaias já contemplam o uso dos prismáticos. Assim, as relações de importação e exportação podem ser facilitadas com metodologias padronizadas de desempenho do cimento.
Essa mudança (método prismático) permitirá avanços tecnológicos nos laboratórios e uma paridade com sistemas internacionais?
O método prismático apresenta uma série de vantagens sobre o cilíndrico, pois o adensamento mecânico é menos suscetível à influência do operador, repercutindo no resultado do ensaio, o que evita lesões por esforços repetitivos, além de dispensar o capeamento com enxofre. Isso melhora as condições ambientais com diminuição da emissão de gases tóxicos e a exposição do operador. Finalmente, é necessário esclarecer que a mudança na norma de determinação da resistência à compressão do cimento, de corpos de prova cilíndricos para prismáticos, significa mudanças de critérios para avaliar o desempenho do cimento, indubitavelmente acompanhadas de repercussões nos processos produtivos e no mercado. Essa mudança será implantada de forma gradativa, em tempo necessário para a adaptação de equipamentos, metodologias, areia normal etc. Provavelmente, haverá a convivência dos dois métodos por certo período.
“Tendência é que as comissões de estudo da ABNT se tornem permanentes.”
Outra revisão importante a caminho é a que envolve o cimento branco. O que deve mudar?
A comissão de estudo do ABNT/CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados), do qual sou coordenador, está propondo a criação de uma nova norma para a determinação da brancura aplicável a cimentos branco e cinza, além da determinação da variação de cor. Os estudos estão inspirados na nova norma espanhola UNE 80117, adaptada às condições brasileiras. Lembra-se que a NM 3, de determinação da brancura, vigente atualmente, remonta à década de 1990, e também foi inspirada na antiga norma espanhola.
Há muitas outras normas que remontam da década de 1990. Isso significa que a comissão que revisou a norma de cimento tende a se tornar uma comissão permanente daqui por diante, para atualizar todas as normas técnicas necessárias?
Essa é uma tendência das comissões de estudo da ABNT, tendo em vista manter atualizado o acervo de normas brasileiras e que, certamente, poderá ser uma diretriz desta comissão de estudo. Pelos dados do último levantamento de que tenho conhecimento, já se atingiu índice da ordem de 90% de atualização e a intenção é manter ou até mesmo elevar esse índice.
Por exigir tanto trabalho, quantas pessoas estão envolvidas na comissão de estudo?
Até o momento, participaram da comissão de estudo mais de 120 pessoas, representando cerca de quarenta e cinco empresas/entidades. Certamente, poucos participam de todas as reuniões, mas vale salientar que os trabalhos de normalização da ABNT são abertos aos interessados, de forma que novos integrantes podem tomar parte, contribuindo para o aprimoramento das normas brasileiras.
Entrevistado
Geólogo Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e representante da ABCP nas comissões de estudos de normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
Contatos
arnaldo.battagin@abcp.org.br
cb-18@abcp.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Alemanha desenvolve concreto-têxtil com fibras de linho

Pesquisadores do Instituto Fraunhofer de Pesquisa em Madeira, também conhecido como Wilhelm-Klauditz-Institut (WKI) ou Fraunhofer WKI, estão desenvolvendo concreto-têxtil a partir de fibras in natura de linho. Nos testes realizados na Alemanha, o material se mostrou tão eficiente quanto os costumeiramente usados para produzir o concreto-têxtil, que são polímeros, fibras de carbono, fibras de vidro e resinas epóxi.
O concreto-têxtil pode ter características superiores ao concreto armado, em termos de resistência à compressão e tração. O tecido, no caso, substitui as armaduras de aço. Desenvolvido na Alemanha, esse tipo de material permite construir estruturas mais esbeltas e é apontado como um elemento que pode revolucionar a construção industrializada do concreto.
Os pesquisadores do Fraunhofer WKI desenvolveram também um tear para tecer os fios a serem usados na malha do concreto-têxtil. A máquina é a única do gênero na Europa e pode compor várias estruturas têxteis para serem incorporadas por concretos de alto desempenho. Nos testes com fibras de linho, o centro de pesquisa para edifícios leves e ecológicos do WKI desenvolveu um concreto autoadensável especial para ser despejado sobre o tecido.
Segundo Jan Binde, que atua no centro de pesquisa, a qualidade do concreto-têxtil alcançado supera, e muito, a do concreto armado convencional. “A estrutura é tão densa que substâncias nocivas que podem causar patologias não conseguem penetrar no componente. Isso resulta em uma vida útil mais longa para o material”, diz.
Primeira ponte capaz de suportar veículos está em construção na Alemanha
A combinação entre a malha de linho e o concreto autoadensável reforçado com fibras de carbono, vidro e polímeros comprovou, durante os testes, ser um compósito durável, resistente a cargas e com baixa emissão de CO2. "As fibras naturais se encaixam muito bem no concreto. Temos elementos suficientes para construir estruturas leves e esbeltas, capazes de suportar carros”, afirma o pesquisador, que com sua equipe trabalha na construção de uma ponte para ser apresentada na BAU 2019, feira sobre arquitetura, materiais e sistemas, que acontece de 14 a 19 de janeiro, em Munique, na Alemanha.
A estrutura terá 15 metros de extensão, 40 centímetros de espessura e usará uma malha de linho com 12 centímetros de espessura. A ponte atende as normas técnicas europeias e se submeterá aos organismos alemães de fiscalização antes de ser apresentada.
No Brasil, a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) desenvolve pesquisa sobre concreto-têxtil no LEME (Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais). Em 2015, havia o projeto de construir duas passarelas para pedestres dentro do campus da universidade, em Porto Alegre-RS, mas que não foi viabilizado. Apesar dos esforços na UFRGS, os estudos sobre concreto-têxtil registram poucos avanços no país.
Entrevistado
Wilhelm-Klauditz-Institut (WKI) (via assessoria de imprensa)
Contato: info@wki.fraunhofer.de
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Obra sem problemas passa por saber recrutar mão de obra

Antes da compra de insumos e da adoção de boas práticas construtivas, uma obra precisa ter o comprometimento da equipe. Para chegar aos profissionais que irão formar o time, o construtor precisa ter um bom plano de recrutamento. Por isso, existem procedimentos a serem seguidos. O primeiro passo é definir os comandos técnico, administrativo e operacional da obra, como ensina o engenheiro civil Fausto Sabino, com 37 anos de experiência como engenheiro de obras e que palestrou no 1º Congresso Nacional da Eficiência em Edifícios e no Congresso Nacional da Produtividade na Construção Civil.
Sabino defende que para essas funções, além dos tradicionais testes realizados pelo RH das empresas, é recomendável aplicar provas, a fim de que o processo de seleção realmente indique o mais capacitado para os cargos a serem ocupados. O engenheiro sugere um mínimo de oito perguntas para os pretendentes a comando técnico, administrativo e operacional da obra. A saber:
- Como você gerencia o setor de almoxarifado e de suprimento de insumos de sua obra e de toda a logística de abastecimento, armazenamento e distribuição de materiais?
- De que forma é administrado o setor de recursos humanos de sua obra?
- Como é tratada a qualidade da sua obra no dia a dia e nas diversas etapas de serviços existentes ao longo da execução do empreendimento?
- Qual prioridade você dá para a área de segurança de sua obra?
- Como você avalia o desperdício na obra e faz para combatê-lo?
- Você faz o acompanhamento diário da produtividade das equipes de sua obra?
- De que forma é feito o acompanhamento dos custos e o cronograma físico-financeiro de sua obra?
- Você é adepto do uso de inovações na obra sob sua responsabilidade?
É importante evitar um “estado de emergência” constante no canteiro de obras
O engenheiro destaca também que é importante que não haja negligência no processo de recrutamento e nem excessos. “Não é recomendável contratar observando apenas a redução de custos com a mão de obra, o que pode ocasionar na contratação de um número de profissionais abaixo do que a obra exige. Também é importante não contratar em excesso. Existem ferramentas para fazer esse dimensionamento corretamente, a fim de evitar a sobrecarga e a ociosidade dentro do canteiro de obras. Começa com um bom anúncio para recrutar, seguido da captação de currículos, a triagem e a submissão dos melhores aos testes de RH”, afirma.
Em sua palestra, Fausto Sabino destaca que equívocos no recrutamento da mão de obra geralmente resultam em um “estado de emergência” constante no canteiro de obras. “Acaba transformando a rotina diária do gestor da obra em ‘apagar um incêndio atrás do outro’. Por isso, além do bom recrutamento, o responsável pela execução do empreendimento precisa transformar em tarefa diária o acompanhamento da produtividade da obra, assim como deve ser diária a verificação do cronograma da obra e do cronograma físico-financeiro. Seguindo esses passos, as chances da obra ser bem-sucedida são bem maiores”, finaliza.
Veja a íntegra da palestra no 1º Congresso Nacional da Eficiência em Edifícios e no Congresso Nacional da Produtividade na Construção Civil
Entrevistado
Engenheiro civil Fausto Sabino, com formação acadêmica na Universidade Mackenzie e 37 anos de experiência como engenheiro de obras. Atualmente é diretor-executivo da Converge - Soluções em construção civil
Contato: contato@conaprocbrasil.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Estudo mostra que otimismo voltou à construção civil
As recentes edições do Termômetro da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) sinalizam que o otimismo voltou ao setor da construção civil. O indicador é medido mensalmente e capta o ânimo dos empresários com a economia do país. Desde outubro, os dados coletados mostram confiança crescente. Na mais recente edição, de 30 de novembro de 2018, o estudo aponta que 45% das empresas estão confiantes sobre as ações do governo federal para o setor da construção civil nos próximos 12 meses. Esse percentual não era alcançado desde abril de 2012.
Segundo o presidente da ABRAMAT, Rodrigo Navarro, as expectativas em torno do novo governo alimentam o otimismo. "Historicamente, o Termômetro da ABRAMAT só apontou este nível de otimismo em abril de 2012, com indicativos de 66%, e em setembro do mesmo ano, com 58%. Estas ocasiões foram impulsionadas por medidas como o lançamento de obras do PAC e do Minha Casa Minha Vida. Agora, a expectativa de estabilidade econômica e de medidas para a retomada do crescimento alavancam a confiança e o otimismo na indústria de materiais de construção", afirma.
A confiança não se reflete apenas na expectativa de venda, mas de investimento. A recente pesquisa mostra que 73% das indústrias de materiais pretendem investir nos próximos 12 meses. As prioridades são modernização de equipamentos e aumento da capacidade de produção. Das empresas consultadas, apenas 5% se posicionaram com pessimismo sobre 2019. Para consolidar as previsões positivas, a ABRAMAT encomendou outro estudo à Fundação Getulio Vargas (FGV), a fim de medir se o clima de otimismo é de curto, médio ou longo prazo. De acordo com Navarro, o setor vive um momento de "otimismo consciente".
FGV traça quatro cenários para a construção civil de 2019 a 2022
Pela projeção da FGV, a produção de materiais de construção deverá ter crescimento anual médio em torno de 5%, entre 2019 e 2022. Para chegar a esse percentual, o levantamento traçou quatro cenários:
- “Tempestade perfeita”
- “Aos trancos e barrancos”
- “Superando obstáculos”
- “Os limites do possível”
Sempre levando em conta o período dos próximos quatro anos, o cenário menos otimista estima 0% de crescimento para o PIB do país, -0,5% para a construção, 0,5% para o varejo de materiais e -2,6% para a indústria de materiais, ou seja, o setor encolheria -2,6% no período.
Já o cenário "Aos trancos e barrancos" prevê crescimento médio de 1% do PIB, de 0,5% para a construção, de 0,75% para o varejo de materiais e de 0,6% para a indústria de materiais, com crescimento geral do setor de 1,85% ao ano. Na projeção "Superando obstáculos", as variáveis anuais consideradas são: PIB nacional de 2%, crescimento da construção de 1%, varejo de materiais com expansão de 2% e indústria de materiais com alta de 1,5% (4,5% no geral). Para "Os limites do possível", o PIB cresceria 3% em média; a construção 2%, o varejo de materiais 3% e a indústria de materiais 2,5%.
Esse último cenário, que para a FGV e a ABRAMAT é o mais provável de se materializar, permitiria que a construção civil voltasse a crescer 7,5% em um ou dois anos do próximo quadriênio. Por isso, a expectativa de que a cadeia produtiva do setor cresça, em média, 5% de 2019 a 2022. Já para 2018, a ABRAMAT mantém a estimativa de que o ano feche com crescimento de 1,5% para a indústria da construção, interrompendo três quedas anuais consecutivas (2015, 2016 e 2017).
Entrevistado
ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) (via assessoria de imprensa)
Contato: abramat@abramat.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Tecnologia terá força para definir a boa engenharia?

Doutor em engenharia pela Poli-USP, e professor da pós-graduação do Insper, além de sócio da Schedio Engenharia Consultiva, o engenheiro civil Alonso Mazini Soler é autor de uma série de artigos que fazem reflexões sobre os profissionais da área e o futuro da construção civil. Sua abordagem tem foco, sobretudo, na convivência entre a tecnologia e a mão de obra que atua no canteiro de obras.
Em um de seus escritos, o professor avalia que a tecnologia é bem-vinda, mas não basta. Ele escreve que “dificilmente a máquina será capaz de trabalhar em equipe, acumular experiência, produzir e utilizar o conhecimento tácito, se motivar, pensar e agir como o trabalhador profissional, humano!”. Porém, alerta que o novo profissional da construção não deve lutar contra a tecnologia, mas aprender a utilizá-la em seu favor. Na entrevista a seguir, Alonso Mazini Soler explica de que forma isso pode ser alcançado. Confira:
Em seu artigo, “Na obra, a tecnologia é bem-vinda, mas não se basta”, o senhor faz uma reflexão sobre o impacto da indústria 4.0 na construção civil. Como se poderá alcançar o equilíbrio entre homem e máquina no canteiro de obras?
A interpretação adequada do artigo não remete a um contraponto entre a adoção da tecnologia (indústria 4.0) e o ser humano, mas, exatamente, lança luz sobre o equilíbrio entre ambos. Pelo menos no tempo de um futuro previsível, homens e máquinas se acostumarão a trabalhar juntos no canteiro de obras.
O Brasil já vive essa realidade, de máquinas inteligentes se sobrepondo a homens, ou ainda estamos longe deste cenário?
Conheço exemplos de empresas que já vivem essa realidade no Brasil – tanto no segmento de infraestrutura quanto no de edificações. Elas estão fazendo a lição de casa de eficiência para quando o mercado for retomado em toda sua potencialidade. Quiçá, que seja rápido. Recomendo a leitura de um artigo meu intitulado “Uma ficção sobre inovação na construção civil”. Nele, concluo afirmando que “... Apesar do conservadorismo típico da indústria da construção, as inovações tecnológicas que a cercam florescem de modo exponencial. O ecossistema das startups de construção (construtechs) exibe uma dinâmica energizada capaz de mudar rapidamente o modelo de negócios atual...”
Os defensores da indústria 4.0 na construção civil justificam que a máquina traz aumento de produtividade. O que o senhor acha dessa tese?
Eu concordo totalmente com essa tese. Não há como impor reação contrária ao avanço da tecnologia e deixar de reconhecer suas vantagens e benefícios. Entretanto, meu ponto de complementação à tese é que a máquina sozinha não substituirá a experiência, a criatividade e a capacidade laboral do ser humano numa obra.
Como o trabalhador poderá proteger seu emprego diante deste cenário de “ocupação das máquinas” na construção civil?
Em primeiro lugar, reconhecendo que o trabalho mudou (e vai continuar mudando), o que exige desse profissional é o ajuste de suas competências. Recomendo a leitura de um artigo meu intitulado “Recolocação na construção depois dos 50 anos”. Nele, dou dicas sobre o perfil do novo profissional da construção: “Diante do novo que sustenta a transformação experimentada pelo setor da construção, configura-se o perfil necessário de um (igualmente) novo profissional: íntimo do uso e das potencialidades da tecnologia digital, intuitivo, pragmático, colaborativo, flexível em suas ideias, internacionalizado em sua networking e sensível às causas ambientais e sociais, aberto e disponível a aprender ininterruptamente...”
E os engenheiros civis, qual o papel deles neste cenário?
Volto a mencionar outro artigo meu, intitulado “Reskiling de profissionais de engenharia e construção”. A conclusão é a de que, neste momento, permanecer na carreira de engenharia e construção tende a ser menos arriscado do que se aventurar fora dela. Obviamente, considerando que permanecer na carreira implica em atualizações constantes e aprendizagem contínua.
Existem os engenheiros civis mais experientes e os da nova geração, que se alinham ao uso de máquinas e computadores na construção civil. Como adequar esse “conflito de gerações”?
As respostas estão nos dois artigos mencionados acima. Mas respondendo de forma direta, diria que o engenheiro mais experiente, que traz consigo a vivência, o aprendizado tácito obtido de acertos e erros em anos de trabalho, deve levar em consideração que o mundo mudou e que ele precisa se adaptar rápida e continuamente ao novo mundo da tecnologia, sem o qual ele será considerado um profissional obsoleto.
Quem está mais suscetível à indústria 4.0 na construção civil: as grandes obras de infraestrutura ou as do setor imobiliário?
As obras de edificação, do setor imobiliário, são mais simples e rápidas para se introduzir novas tecnologias. E a viabilidade dos investimentos nesse sentido são mais visíveis a curto prazo.
A construção industrializada, como a do concreto, não é uma alternativa para equacionar esse conflito entre máquina e homem?
Sim, essa é uma tendência visível. O Lean Construction pode ser aplicado imediatamente para a solução de problemas de habitação nas cidades, por exemplo. O programa Minha Casa Minha Vida seria muito mais eficiente e eficaz se as empreiteiras adotassem o modelo lean de industrialização com notório ganhos de escala.
Nossos cursos de engenharia estão preparando os futuros engenheiros para essa realidade?
Não estão. As faculdades não sabem ainda o que fazer para se adaptar. Veja relatório do “Mapa do ensino Superior 2018”, publicado pelo SEMESP em 1º de outubro de 2018, que aponta o curso de engenharia civil como um dos que precisam ser remodelados fortemente sob risco de serem extintos.
O senhor sabe se algum país está conseguindo boas soluções no canteiro de obras, usando máquinas e homens sem conflitos e desperdício de mão de obra?
A China nos divulga um avanço significativo na engenharia civil, adotando tudo de novo que se apresenta em termos de tecnologia, sem abrir mão do homem. Faço essa análise no artigo “Sim! Provavelmente você terá chefes chineses”.
Entrevistado
Alonso Mazini Soler, doutor em engenharia civil pela Poli-USP, professor da pós-graduação do Insper e sócio da Schedio Engenharia Consultiva
Contato: alonso.soler@schedio.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Minha Casa Minha Vida não combate déficit habitacional

O estudo “Análise das Necessidades Habitacionais e suas Tendências para os Próximos Dez Anos”, realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e contratado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), revela que até 2027 será necessária a construção de 11 milhões e 982 mil moradias no Brasil. O número representa o volume necessário para que o país não mergulhe em um hiato habitacional que pode tornar incontrolável o atual déficit, estimado em 7 milhões e 770 mil unidades segundo os dados mais recentes, de 2017.
Para atingir a meta estabelecida no estudo será necessário o investimento de 240 bilhões e 700 milhões de reais por ano, entre 2019 e 2027. A análise destaca ainda a importância da manutenção do Minha Casa Minha Vida (MCMV), mas alerta: sozinho, o programa não conseguirá atender a demanda reprimida de moradias no Brasil, principalmente para as famílias de baixa renda. Desde a sua criação, em 2009, até julho de 2018, mês de abrangência do estudo da FGV, o MCMV entregou 5 milhões e 311 mil unidades.
O crescimento de 6% na taxa de déficit habitacional entre 2009 e 2018 mostra que o Minha Casa Minha Vida não conseguiu dar conta do desafio. No período de existência do programa, apenas em 2012 a produção de moradias superou a demanda anual. O volume de construções daquele ano fez o déficit cair 7,9%, porém a escassez voltou a crescer a partir de 2013, anulando a melhora do período anterior. De acordo com o estudo da FGV, o grande gargalo do programa está localizado nos grandes centros urbanos.
MCMV não tem sido eficaz para atingir as famílias que vivem de aluguel
Confira o diagnóstico feito pela pesquisa: “Um dos pontos críticos recorrentes diz respeito à dificuldade de equacionar a questão habitacional. O programa não tem sido eficaz para atingir as famílias que vivem de aluguel nos grandes centros urbanos. O elevado preço da terra dificulta a produção de unidades habitacionais dentro dos parâmetros do programa, levando a oferta para áreas mais distantes dos centros urbanos, indicando a necessidade de se pensar outras soluções para o problema.”
Nas cidades do interior, o problema do Minha Casa Minha Vida é outro: ele tem dificuldades de agregar infraestrutura às unidades construídas. “Por outro lado, a produção de unidades habitacionais fora dos centros urbanos traz consigo outras demandas, tornando imprescindível a conjunção com o desenvolvimento da infraestrutura urbana, ou ainda, a inserção do programa dentro de um contexto mais amplo de política urbana”, destaca o estudo.
O relatório conclui que o Minha Casa Minha Vida não deve ser abandonado, mas aprimorado. “Há, portanto, diversas questões que permeiam a avaliação do programa e que apontam para a necessidade de aperfeiçoamentos e de inseri-lo dentro de uma política habitacional mais ampla, o que significa resgatar o próprio PlanHab. A formulação de uma política habitacional permanente de Estado, de combate ao déficit habitacional e de atendimento à população de baixa renda, conjugada a uma gestão urbana fortalecida confeririam uma maior eficácia ao programa. De todo modo, a importância do programa e a necessidade de sua continuidade são inquestionáveis.”
Veja a íntegra do estudo “Análise das Necessidades Habitacionais e suas Tendências para os Próximos Dez Anos”. Clique aqui.
Entrevistado
Reportagem com base no relatório do estudo “Análise das Necessidades Habitacionais e suas Tendências para os Próximos Dez Anos”, realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e contratado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).
Contato: comunicacao@abrainc.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Maiores construtoras do mundo pedem passaporte brasileiro

A publicação International Construction divulgou o ranking 2018 das maiores construtoras do mundo. A lista leva em conta a receita anual das empresas e o volume de obras contratadas e concluídas em 2017. Pelo segundo ano consecutivo, as empreiteiras chinesas ocuparam as primeiras colocações, seguidas das tradicionais Vinci (França), ACS (Espanha), Bouygues (França), Bechtel (Estados Unidos) e Hochtief (Alemanha). Em comum, essas empresas projetam empreender no Brasil em 2019. Todas têm a expectativa de que o mercado da construção civil possa se abrir no país, permitindo que elas participem de projetos de infraestrutura.
Para expandir e manter o volume de negócios, as maiores empreiteiras do mundo querem ter passaporte brasileiro. Por duas razões: a demanda reprimida por obras de infraestrutura no país e o encolhimento das gigantes da construção civil, após serem investigadas pela operação Lava Jato. Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS frequentavam com certa rotina a lista das cem maiores construtoras do planeta. Na edição de 2018 do ranking, apenas uma delas aparece entre as 200. A Andrade Gutierrez, com receita de 1 bilhão e 400 milhões de dólares ocupa a posição número 184.
No ranking de 2018, só outra empresa brasileira frequenta a lista das 200: a MRV Engenharia, que entrou na posição 199, com receita de 1 bilhão e 100 milhões de dólares. A publicação International Construction faz uma análise do futuro das grandes empresas brasileiras no ranking. “Com um país que precisa desesperadamente de investimentos em infraestrutura em grande escala, os resultados das eleições gerais a serem realizadas no Brasil em outubro deste ano determinarão quantas empresas brasileiras chegarão à lista no próximo ano”, disse, referindo-se ao processo eleitoral pelo qual o Brasil passou recentemente.
Um dos principais defensores de que o mercado brasileiro se abra para as grandes empreiteiras do mundo é o professor do departamento de administração da FEA USP, Paulo Roberto Feldmann. Para ele, três motivos já seriam suficientes para que construtoras internacionais passassem a disputar licitações de obras públicas no país: a chance de tirar do atraso a infraestrutura nacional, contratos mais baratos e a entrada de novas tecnologias, equipamentos e sistemas construtivos. “Haveria competição. Hoje há muita acomodação no setor. O dia que houver competição elas vão ter que se desenvolver tecnologicamente para enfrentar as estrangeiras”, avalia.
Veja o perfil das maiores construtoras do mundo
1. China State Construction Engineering Corporation
A empresa teve um faturamento de 164 bilhões de dólares. Com atuação forte nos países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein e Catar, a CSCEC tem sede também em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Além de seu envolvimento com obras de infraestrutura, a China State Construction Engineering Corporation é atualmente a que mais constrói unidades habitacionais no mundo.
2. China Railway Group
A China Railway Group teve um faturamento de 101 bilhões e 400 milhões de dólares em 2017. Apesar de pertencer a um conglomerado que abrange desde a construção de equipamentos até laboratórios de pesquisa, a expertise da China Railway Group é construir ferrovias, rodovias, pontes, túneis, hidrelétricas, portos e aeroportos.
3. China Railway Construction Corporation Limited
A China Railway Construction Corporation Limited faturou 99 bilhões e 556 milhões de dólares em 2017. A CRCC tem um foco muito específico na construção de ferrovias convencionais, ferrovias de alta velocidade, pontes ferroviárias, túneis ferroviários, metrôs e trens urbanos.
4. China Communications Construction Company
A China Communications Construction Company (CCCC) tem como característica se associar a construtoras nos países em que atua. Sua mais recente aquisição foi a John Holland Group, uma das principais empresas de engenharia da Austrália. As obras mais emblemáticas da empresa chinesa são os aeroportos. Em 2017, seu faturamento chegou a 54 bilhões e 400 milhões de dólares.
5. Vinci
A Vinci é uma empresa italiana que atua globalmente. Atualmente, a empresa está envolvida na reforma do Mandarin Oriental Hotel, em Londres, na construção do Femern Tunnel, na Dinamarca, e atua paralelamente em outros 43 projetos em 19 países. Vinci emprega mais de 185.000 pessoas em todo o mundo. Sua receita no ano passado foi de 49 bilhões e 400 milhões de dólares.
6. Atividades de Construcción y Servicios
A Actividades de Construcción y Servicios (ACS) é uma empresa espanhola com atuação global. Porém, são nos Estados Unidos e no Chile onde se encontra o maior volume de obras atualmente. Em 2017, sua receita chegou à casa de 40 bilhões de dólares.
7. Bouygues
A francesa Bouygues é especializada em construções industriais e em obras de infraestrutura, mas atua em várias frentes. Entre seus projetos mais recentes está a construção do novo campus da Universidade de Cardiff, no País de Gales. A Bouygues emprega 118 mil pessoas e seu faturamento em 2017 chegou a 37 bilhões de dólares.
9. Bechtel
A norte-americana Bechtel tem forte atuação na Europa e na África, além do próprio Estados Unidos. A empresa possui cerca de 50 mil funcionários e seu faturamento em 2017 chegou a 32 bilhões e 800 milhões de dólares.
10. Hochtief
A alemã Hochtief fechou 2017 com pouco mais de 30 bilhões de dólares. A empresa é considerada atualmente a maior especialista em construção sustentável do mundo. Ela atua na área habitacional, mas também desenvolveu expertise na construção de rodovias verdes com pavimento de concreto.
Entrevistado
Reportagem com base no ranking 2018 da revista International Construction, publicada pela KHL Groups
Contato: info@khl.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Saiba por que as estradas do futuro serão em concreto

Se a indústria automobilística quiser viabilizar as tecnologias em curso, como carros elétricos, pistas que auto-abastecem os veículos - as chamadas e-highways - e estradas capazes de armazenar energia, as rodovias em pavimento de concreto são a solução. A avaliação parte de especialistas que participaram recentemente do seminário “Infraestrutura rodoviária para veículos elétricos, autônomos e conectados”, promovido pela EUPAVE (European Concrete Paving Association).
O evento ocorreu no Parlamento Europeu, onde há uma série de leis a serem votadas para padronizar as estradas dos países que integram a União Europeia. Isso obriga os legisladores a considerarem o tráfego de carros elétricos. “Para se tornarem conectados e autônomos, os veículos elétricos precisam de infraestrutura viária com durabilidade e previsibilidade. “Nesse sentido, os pavimentos de concreto oferecem muitas vantagens e facilitam a transição para esse novo modelo de mobilidade sobre rodas”, cita Stéphane Nicoud, presidente da EUPAVE.
Diretor-geral da Oficemen (Grupo de Fabricantes de Cimento da Espanha), Aniceto Zaragoza destacou que a nova geração de caminhões elétricos que vai começar a trafegar na Europa na próxima década “precisa de uma nova geração de infraestrutura para uma nova mobilidade”. A ideia foi reforçada pelo engenheiro Patrick Akerman, da Siemens, que trabalha no projeto de e-highways, para abastecer caminhões elétricos em movimento. “Precisamos de rotas sem ondulações para que a recarga dos caminhões não sofra interrupções”, salienta.
O Parlamento Europeu criou uma comissão para estudar os novos conceitos de infraestrutura viária. Batizada de DG Move, ela é presidida pela deputada Cristina Marolda. Para a parlamentar, o desafio é fazer a transição entre as estradas convencionais e as estradas do futuro. “Haverá um momento, nesta transição, em que dois tipos de veículos totalmente diferentes terão que coexistir, os elétricos e os a combustão. Assim, a infraestrutura rodoviária desempenhará um papel importante neste período de transição para garantir a segurança”, avalia.
França, Alemanha e Itália saem na frente para construir e-highways
França, Alemanha e Itália são os países que saem na frente para combinar a tecnologia dos carros elétricos com o pavimento de concreto. Em Versailles-França, a Qualcomm testa uma pista capaz de carregar veículos em movimento. Na Itália, em Turim, sistema instalado no pavimento em concreto abastece os ônibus quando eles param nos pontos para embarcar e desembarcar passageiros. Na Alemanha, são as e-highways que estão em operação. O país tem a meta ousada de, até 2050, não ter mais veículos a combustão trafegando em suas estradas.
Em junho de 2018, a EUPAVE promoveu em Berlim, na Alemanha, o seminário “O concreto conecta”. O objetivo foi mostrar os avanços que o país tem feito para unificar as estradas em pavimento rígido com as novas tecnologias de mobilidade. Um dos temas abrangeu as estradas com concreto pré-fabricado, que podem ser industrializadas com todas as conexões necessárias para viabilizar as e-highways a partir do próprio pavimento. “A Europa está em movimento e na direção das estradas do futuro”, concluiu o presidente da EUPAVE, Stéphane Nicoud.
Veja como funciona uma e-highways na Alemanha
Entrevistado
Reportagem com base nas palestras concedidas no seminário “Infraestrutura rodoviária para veículos elétricos, autônomos e conectados”, da EUPAVE
Contato: info@eupave.eu
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Caximba vai virar bairro sustentável em Curitiba

Um dos principais transtornos ambientais para a cidade de Curitiba-PR ganhou um projeto da prefeitura da capital paranaense, que prevê transformar a vila 29 de Outubro, na Caximba, em um bairro sustentável. O lugar tornou-se conhecido nacionalmente depois que o apresentador Luciano Huck, da TV Globo, esteve no local e o comparou ao Haiti, em agosto de 2018. O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, interveio na opinião de Huck e revelou o projeto de revitalização do local, cujo investimento está orçado em 200 milhões de reais.
Ele prevê a despoluição da área, incluindo os lagos, e a construção de um dique com 3 quilômetros de extensão, que irá mudar o cenário do bairro e permitir a construção de um parque linear. No local, as habitações irregulares construídas em áreas degradadas serão retiradas para dar lugar a um conjunto habitacional com mil unidades. As casas terão capacidade de gerar a própria energia, através de placas fotovoltaicas instaladas nos telhados, além de tecnologia para a coleta e o reaproveitamento da água da chuva.
O projeto na vila 29 de Outubro é do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e mobiliza quase todas as secretarias da prefeitura. A previsão é de que saia do papel a partir de 2021. A região da Caximba está localizada no limite de Curitiba com os municípios de Araucária e Fazenda Rio Grande. No local, atualmente, há 1.147 famílias (cerca de 4.500 pessoas) vivendo em situação irregular e em condições insalubres, e que precisam ser reassentadas do território que ocupam para habitações regularizadas.
Os recursos para a transformação da área virão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O projeto tem o nome oficial de Bairro Novo da Caximba. Em nota, a prefeitura de Curitiba define o empreendimento como desafiador. “A meta a longo prazo é ambiciosa: dotar a região com nível adequado de condições urbanísticas, sociais e ambientais”, afirma. O plano foi apresentado recentemente no Smart City Expo World Congress, que aconteceu de 13 a 15 de novembro de 2018, em Barcelona-Espanha.

Bairro é alvo de resíduos da construção depositados irregularmente
Um dos desafios na vila 29 de Outubro, antes do início de qualquer projeto, é a retirada de lixo e do entulho acumulado na região. Só neste ano, a prefeitura de Curitiba já destinou 244 toneladas de materiais depositados irregularmente na região. Entre esses materiais estão resíduos da construção civil despejados em desacordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que desde 2010 deveria ser adotada por todos os municípios brasileiros.
Antes mesmo do PNRS, a capital paranaense já possuía o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de Curitiba (Decreto 1.068/2004). Porém, segundo os dados mais recentes divulgados pelo SindusCon-PR, a cidade faz a destinação correta de apenas 25% dos entulhos recolhidos em canteiros de obras e áreas em reforma. Boa parte dos resíduos ainda são depositados irregularmente, e a maioria na região da Caximba.
Entrevistado
Prefeitura de Curitiba (via assessoria de imprensa)
Contato: smcs@smcs.curitiba.pr.gov.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Consumidor fideliza produto se tiver uma boa experiência

No CONAREC 2018 (Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente), que aconteceu em setembro na cidade de São Paulo-SP, o debate se concentrou na mudança de comportamento do consumidor. O evento foi embasado por pesquisa da PwC (PricewaterhouseCoopers), que apresentou parte do estudo “O futuro da experiência do cliente”. Nele, a consultoria identificou que o brasileiro é o cliente que mais valoriza a experiência. Prova disso é que 89% dizem que “experiência é o que mais impacta na decisão de compra”. Em outros países, onde foi realizada pesquisa semelhante, 73% citaram a experiência como prioridade.
Experiência, no caso, é a forma como o cliente é apresentado ao produto pela empresa, desfrutando de conveniência e eficiência. A conveniência vai da pré-venda até a venda, e engloba presteza do funcionário, conhecimento do produto e ética no fechamento da venda. Já a eficiência se dá no pós-venda, com a logística de entrega e a prestação de serviço na orientação de uso e manutenção do produto.
Mas o estudo da PwC mostra que para estimular a experiência no consumidor não significa que a empresa, necessariamente, tenha que investir em tecnologia. “Vale a pena investir em tecnologias, mas não é só isso. O cliente está preocupado em ser bem atendido”, diz trecho do relatório. A prova é que a pesquisa mostra que 80% dos consumidores esperam que haja mais interações humanas no futuro. “Cada consumidor quer sentir que estamos trabalhando para ele de forma única, fazendo o novo especialmente para ele, de forma diferente”, informa Alfredo Redondo, palestrante no CONAREC 2018, e que atua na área de softwares que detectam tendências no mercado consumidor.
Superconsumidores movimentam 400 bilhões de dólares por ano
O CONAREC 2018 também abordou um novo fenômeno, que é o superconsumidor. Trata-se daquele que tem alta fidelidade por um produto, e que aceita até pagar mais para se manter fiel à marca. Quem falou sobre o tema no CONAREC 2018 foi o consultor de negócios Eddie Yoon - criador do termo superconsumidor. Na visão do sul-coreano radicado nos Estados Unidos, os superconsumidores movimentam 400 bilhões de dólares por ano. O detalhe curioso, segundo relata Yoon, é que esse montante representa 10% dos clientes de uma empresa, mas, na prática, correspondem entre 30% e 70% das suas vendas. “O que existe entre um superconsumidor e a marca é algo mais emocional, e é isso que precisa ser buscado pelas empresas”, diz.
Eddie Yoon explica que o movimento de novos superconsumidores cresceu exponencialmente nos últimos oito anos. No entanto, a identificação desse modelo de consumidor não é tarefa fácil e exige grande esforço das empresas. “Eles agem muito nas redes sociais e funcionam como uma onda. Só que é difícil detectar o ponto de criação dessa onda. O que se sabe é que eles agem em vários setores, que vão desde a moda até produtos básicos de alimentação, passando por áreas mais sofisticadas, como a indústria automobilística, de telefonia e da arquitetura e construção”, define.
Entrevistado
Reportagem com base nos debates ocorridos dentro do CONAREC 2018 (Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente)
Contato: eventos@gpadrao.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330








