Linha 4 do metrô do Rio vira desafio olímpico
Maior obra de mobilidade urbana do país é estratégica para o evento que a cidade irá sediar em agosto. Mas será que fica pronta a tempo?
Por: Altair Santos
O trecho de 16 quilômetros entre Leblon e Barra da Tijuca é a futura Linha 4 do metrô da cidade do Rio de Janeiro. Trata-se da maior obra de mobilidade urbana para as Olimpíadas, e também do país. A previsão é de que entre em funcionamento no 1º de julho. Mas o cronograma se transformou em impasse. O governo federal, que financia o empreendimento, passou a fazer contingenciamento dos R$ 500 milhões necessários para finalizar as escavações e a instalação das estações. Até o começo de 2016 restavam 650 metros para que todo o trecho fosse escavado. Enfim, falta de recursos e cronograma cada vez mais apertado transformaram-se em desafio olímpico para a megaobra.

A ponto de a prefeitura do Rio, como forma de pressionar o desembolso do dinheiro que falta, chegar a anunciar em fevereiro de 2016 que já trabalhava um plano B para o caso de a Linha 4 não ficar pronta até os jogos olímpicos. A saída seria criar novos trajetos de BRT (Bus Rapid Transit) para atender o público que irá se deslocar entre o parque olímpico de Jacarepaguá e os cartões postais do Rio. No entanto, os dois consórcios de construtoras responsáveis pela obra garantem que a cidade não precisará de plano B. Segundo o mais recente relatório, divulgado dia 17 de março, 90% de toda a infraestrutura está construída. O trecho mais crítico das escavações se resume a 113 metros – ainda não concluídos.
Para Marcos Vidigal, diretor de contrato das obras de implementação da Linha 4 do Metrô do Rio, a complexidade da construção exige revisões diárias do projeto, para que o cronograma seja cumprido. “Trabalhamos com engenharia civil avançada, em um empreendimento de grande porte e alta complexidade, dentro de um centro urbano densamente povoado. A Linha 4 do Metrô é a maior obra de infraestrutura urbana em execução atualmente no Brasil. Por isso, nunca deixamos de buscar a excelência em nosso trabalho. Além disso, temos que sincronizar as diferentes frentes para que elas executem suas tarefas a contento. Estamos falando de 9.200 colaboradores atuando simultaneamente na obra”, resume.

Sob medida
Além de homens, há tecnologia de ponta envolvida no empreendimento. A máquina que cuida das escavações da obra foi importada da Alemanha e fabricada especificamente para as dimensões da Linha 4. O Tunnel Boring Machine (TBM) - apelidado de Tatuzão - tem 11,5 metros de diâmetro, o equivalente a um prédio de quatro andares, e 120 metros de comprimento. O equipamento pesa 27 mil toneladas. Conforme vai avançando, o TBM lança jatos de grout (argamassa de cimento) contra as paredes escavadas e assenta as aduelas de concreto, que formam a estrutura do túnel. São 22 mil peças pré-fabricadas para compor os 2,7 mil anéis que revestirão o trecho.
Quando pronta, estima-se que a Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro vá transportar, a partir de julho de 2016, mais de 300 mil pessoas por dia e retirar das ruas cerca de 2 mil veículos por hora. Com a nova linha, o passageiro poderá utilizar todo o sistema metroviário da cidade com uma única tarifa. Serão seis estações (Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz) ao longo dos 16 quilômetros de extensão. O empreendimento está a cargo do Consórcio Construtor Rio Barra (Queiroz Galvão, Odebrecht Infraestrutura, Carioca Engenharia, Cowan e Servix) e do Consórcio Linha 4 Sul (Odebrecht Infraestrutura, Queiroz Galvão e Carioca Engenharia).
Entrevistado
Engenheiro civil Marcos Vidigal, diretor de contrato das obras de implementação da Linha 4 do Metrô do Rio
Contato: atendimento.ccrb@ccrblinha4.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/Metrô Linha 4
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
China projeta 1º prédio com hortas em apartamentos
Como a população do país está se tornando cada vez mais urbana, arquitetura investe em protótipos de sustentabilidade, como o Agro-Housing
Por: Altair Santos
Assinado pelos arquitetos israelenses David Knafo e Tagit Klimor, um edifício projetado para a cidade de Wuhan, na China, pretende ser o primeiro a ter hortas em cada um dos andares. Batizado de Agro-Housing, o empreendimento busca um olhar mais atento às formas inovadoras de pensar sobre a urbanidade sustentável. É também a busca de uma solução para um problema que a China começa a enfrentar, e que tende a desafiar cada vez mais o país. Refere-se ao fato de que 50% da população chinesa (superior a 1 bilhão de pessoas) em breve estará vivendo em cidades, e não mais no campo.

A edificação, consideram os arquitetos que a idealizaram, é um passo à frente no conceito de prédio-verde. As varandas espaçosas são equipadas com estufas de dez metros quadrados cada uma. O sistema permite o plantio sem o uso de terra e a irrigação se dá por gotejamento, utilizando as águas pluviais coletadas a partir do telhado e da água reciclada dentro do próprio edifício. O modelo também possibilita a refrigeração natural dos apartamentos, minimizando ou dispensando integralmente o uso de ar-condicionado em determinadas épocas do ano. Wuhan, na China, é uma das cidades mais quentes do país.
Para David Knafo e Tagit Klimor, o conceito-inovador é também uma tentativa de antecipar mudanças de hábitos da sociedade. “Cultivando seus próprios alimentos em comunidades verticais, o morador melhora os laços com os vizinhos e se sente mais responsável pelo prédio onde mora. Além disso, o edifício inclui outras áreas verdes, tanto no telhado quanto nas áreas térreas”, explica Klimor. A dupla de arquitetos iniciou o projeto em 2007 e as obras começaram em 2012, com conclusão em 2016. Construtoras israelenses, norte-americanas e britânicas estão envolvidas no empreendimento.
O edifício é um protótipo e, desde que bem-sucedido, a ideia é transformá-lo em um bairro sustentável com 10 mil unidades. Com 11 pavimentos, o prédio é construído em sistema misto (estruturas de aço e concreto). O vidro e as fachadas ventiladas também são características do projeto. As plantas são flexíveis, o que permite que cada morador defina os espaços de seu apartamento. As únicas partes que não podem ser alteradas são os banheiros - pré-fabricados e encaixados dentro dos apartamentos. Essa foi a solução encontrada para garantir o bom funcionamento do sistema de tratamento das águas do banheiro, para ajudar na irrigação das hortas.
Confira o vídeo do Agro-Housing: https://vimeo.com/41623564
Agro-Housing / Knafo Klimor Architects from ArchDaily on Vimeo.
Entrevistados
Arquitetos David Knafo e Tagit Klimor, do escritório israelense Knafo Klimor Architects (via assessoria de imprensa)
Contato: office@kkarc.com
Crédito Foto: Divulgação/Knafo Klimor Architects
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Economia muda lista das 100 maiores construtoras
Empresas que operavam ancoradas no Minha Casa Minha Vida tiveram que se adaptar à nova realidade econômica e ajustar empreendimentos
Por: Altair Santos
A situação econômica do país rearranjou o ranking das 100 maiores construtoras do país, divulgado anualmente pela ITC Consultoria. Subiram na lista empresas que passaram a adotar modelos alternativos, como o consórcio de imóveis. Também consolidaram suas posições aquelas que mantiveram recursos para apostar no marketing do primeiro imóvel, mesmo com a redução no volume de recursos do Minha Casa Minha Vida. Neste caso, a opção para continuar atraindo compradores foi investir no financiamento próprio, como é o caso da MRV, que se manteve no topo da lista.
Segundo Viviane Guirao, consultora em pesquisa de mercado da ITC Consultoria, para compor a 12ª edição do ranking contabilizou-se 2.285 obras espalhadas em todo território nacional, nos segmentos residencial, comercial e industrial - exceto obras de infraestrutura. “Comparado ao período 2014-2015, foi verificado um declínio de 20%, em média, no volume de obras, o que resultou também na redução do total de metros quadrados individuais da maioria das construtoras, salvo algumas exceções”, disse a analista. O volume de m² das obras avaliadas chegou a 62 milhões.
Essa queda na quantidade de obras está diretamente relacionada com a desaceleração nos investimentos do Minha Casa Minha Vida. “Muitas obras do programa foram adiadas, ou até mesmo paralisadas, devido à falta de repasse dos recursos do governo federal. As construtoras que atuavam principalmente nesse segmento tiveram que se adaptar à nova realidade econômica e ajustar seus empreendimentos para um novo público”, comentou Viviane Guirao.
As que mais cresceram no ranking
Entre as empresas que mais avançaram casas no ranking está a Rodobens Negócios Imobiliários, que subiu 19 posições e alcançou a 12ª colocação. Fundada em São José do Rio Preto-SP, a construtora e incorporadora chegou à marca de 166 empreendimentos lançados em todo o Brasil e atua em 53 cidades de 11 estados brasileiros. São mais de 63 mil unidades construídas, somando 5,5 milhões de m². “Em um ano com cenário desafiador, como foi o de 2015, conquistar o 12º lugar entre as 100 maiores empresas do setor respalda nossa estratégia”, afirmou Amilton Nery, no dia da premiação, e que é diretor-comercial da Rodobens, cujo foco está nos consórcios para habitações populares.
Nenhuma construtora avançou tanto na recente edição do ranking das 100 maiores que o Grupo Pacaembu. A empresa opera no interior de São Paulo e subiu da 36ª para a 5ª posição. Sua expertise são unidades horizontais para população de baixa renda. Nenhuma casa custa mais de R$ 100 mil e todos os conjuntos habitacionais são iguais. A produção é em larga escala e a lucratividade se dá no volume de vendas. Desde o lançamento do Minha Casa Minha Vida, o Grupo Pacaembu já comercializou 41.949 unidades.
Foram políticas arrojadas e procedimentos anticíclicos que o ranking da Consultoria ITC detectou como os movimentos bem-sucedidos em 2015. No entanto, os analistas entendem como casos isolados. A maioria teve queda de produtividade e isso refletiu na perda de posições. Por isso, a ITC defende uma política urgente para a retomada do crescimento na construção civil. “Algumas ações já fariam a diferença, pois o setor é um dos pilares que sustentam a economia do país e há a necessidade de uma reação imediata do governo”, finaliza Viviane Guirao.
Confira aqui as 100 maiores construtoras do ranking
Veja aqui as vencedoras por categoria
http://rankingitc.com.br/categorias-vencedoras-ranking-itc-2015/
Entrevistada
Viviane Guirao, consultora em pesquisa de mercado da ITC (Inteligência Empresarial da Construção)
Contatos
viviane@itc.etc.br
marketing@itc.etc.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Mercado de imóveis de alto padrão está no paraíso
Construtoras e incorporadoras mudam o foco: passam a centralizar seus negócios em empreendimentos de luxo, onde as vendas nunca desaquecem
Por: Altair Santos
O segmento que envolve empreendimentos com valor superior a R$ 3 milhões por unidade corre por uma pista livre, diferentemente de outros setores do mercado imobiliário. Significa que as vendas seguem aquecidas, lastreadas principalmente pela cotação do dólar. Quem adquire esse tipo de residência tem suas economias em moeda estrangeira, sejam brasileiros ou estrangeiros. Por isso, construtoras e incorporadoras que atendem a esse público desconhecem a palavra crise. Para elas, os imóveis de alto padrão estão no paraíso.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, o volume de lançamentos de imóveis voltados para a classe média (Valor geral de venda [VGV] até R$ 1 milhão) fechou 2015 com queda de 38%. No entanto, os empreendimentos de luxo cresceram 20%, de acordo com dados do Secovi-SP (Sindicato da Habitação do estado de São Paulo). Em Curitiba, não é diferente. Relatório da Ademi-PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná) mostra que o número de lançamentos de edifícios superluxo praticamente dobrou na capital paranaense de 2014 para 2015, saltando de 12 para 22 empreendimentos.
De acordo com o diretor de Pesquisa de Mercado da Ademi-PR, Fábio Tadeu Araújo, de fato não há crise para esse segmento. “Trata-se de um padrão de imóvel que sofre menos o efeito das variações econômicas e financeiras no país, pois seu púbico comprador é menos dependente do financiamento habitacional”, explica. “Esse tipo de imóvel tem outra característica, que é a valorização consistente, ou seja, o metro quadrado não para de crescer”, completa Lucas Vargas, vice-presidente executivo do Viva Real - portal especializado em análises do mercado imobiliário.
Balneário Camboriú
Em algumas regiões do país, o m² do imóvel de alto padrão já se encontra na faixa de R$ 23 mil. É o que ocorre na cidade de Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Proporcionalmente ao tamanho de sua área (46,8 km²), o município é o que concentra o maior número de prédios superluxo do país. Entre 2014 e 2015, foram lançadas 2.832 unidades com esse perfil no local e, segundo dados do Secovi-SC, a possibilidade é que as vendas cheguem a 100% até o final do primeiro trimestre de 2016. Não é à toa que, em Balneário Camboriú, 22 construtoras e incorporadoras disputam acirradamente os terrenos disponíveis para erguer novos empreendimentos.
Como as áreas estão cada vez mais restritas, os construtores optam pela verticalização dos projetos. Resultado: Balneário Camboriú é hoje o município que concentra os prédios mais altos do Brasil. É também a região onde os principais escritórios de arquitetura do país e do mundo investem em projetos. Como o Pininfarina, que assina o Residencial Club Yatchouse, da construtora Pasqualotto & GT Empreendimentos. No local, o jogador Neymar, do Barcelona e da seleção brasileira de futebol, comprou duas unidades. Além das celebridades, os empresários do agronegócio dos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins estão também entre os que mais compram imóveis de alto padrão na cidade catarinense.
Veja a lista de construtoras que operam no setor de imóveis superluxo em Balneário Camboriú:
Embraed Empreendimentos, FG Empreendimentos, RV Empreendimentos, Ciaplan Empresarial, Cechinel Construtora, Procave, H-Pio Construtora, Carelli, Riviera Concept, J. A. Russi, Fórmula F-10, Venturin, Pasqualotto & GT Empreendimentos, Amores da Brava, San Remo, Mirage, Costa Esmeralda, Mendes Sibara, Grupo Brava Beach, Haras Rio do Ouro, Rogga, Marina Itajaí
Entrevistados
Fábio Tadeu Araújo, diretor de Pesquisa de Mercado da Ademi-PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná)
Lucas Vargas, vice-presidente executivo do Viva Real
Secovi-SP e Secovi-SC (via assessoria de imprensa)
Contatos
ademipr@ademipr.com.br
vargas@vivareal.com
aspress@secovi.com.br
secovi-sc@secovi-sc.com.br
Crédito Foto: Clio Luconi/Camboriú Alto Padrão
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Indústria 4.0: ela vai chegar à construção civil?
Chão de fábrica nos setores automobilístico, aeronáutico e de óleo & gás já experimenta nova era; empreiteiras também se sensibilizam
Por: Altair Santos
O mundo começa a viver sua quarta revolução industrial. É a indústria 4.0, onde a robótica já permite que máquinas inteligentes ocupem quase completamente o chão de fábrica. Na Alemanha, sobretudo na indústria automobilística, esse processo já é realidade. Os segmentos da aeronáutica e de óleo & gás também já adotam processos 100% mecanizados. A pergunta que se faz é: a indústria 4.0 pode chegar à construção civil? Há quem garanta que sim. Para estudiosos, os processos que usam impressoras 3D e utilizam softwares como o BIM são os primeiros passos nessa direção. Existem também as máquinas pré-programadas, como as que assentam pavers sem a interferência humana. Mas é possível que toda essa tecnologia chegue aos canteiros de obras, principalmente os brasileiros?

O diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Santa Catarina, Jefferson Gomes, avalia que, no caso do Brasil, será preciso superar alguns obstáculos. “Para isso acontecer, temos alguns entraves, como ambiente macroeconômico, qualidade de educação dos trabalhadores, eficiência do mercado e desenvolvimento do mercado financeiro para viabilizar negócios. No Brasil, numa escala de zero a sete dos relatórios de competitividade global, beiramos algo por volta de 3,5 a 4. O tamanho do mercado é enorme, mas em todos os outros quesitos o Brasil precisa caminhar para ir ao encontro da indústria 4.0”, diz.
Outro ponto importante para o desenvolvimento da indústria 4.0 para a construção civil nacional é a formação de engenheiros com especialidade em construção, mecânica e eletroeletrônica atuando em conjunto. “Definitivamente, o Brasil não vai entrar nessa era tendo apenas 5% dos egressos no ensino superior formados em engenharia. Engenheiro, no caso da indústria 4.0, é um indivíduo com alta capacidade de conhecimento sobre um determinado assunto e alta capacidade de congregar conhecimentos com outros parceiros de trabalho. Mas do jeito que nós estamos formando para o mercado não é compatível para esse tipo de avanço tecnológico”, alerta.

Parcerias com a Alemanha
Por enquanto, para se conectar à indústria 4.0, a construção civil tem procurado importar equipamentos e acompanhar feiras internacionais que focam nesta nova era. O país mais avançado na área é a Alemanha, que neste ano, de 11 a 17 de abril, realiza a 31ª edição da Bauma. O evento acontece a cada três anos na cidade de Munique, e é considerado o principal da construção civil no que tange a máquinas, veículos e aparelhos para movimentação de terra, perfurações, escavações, mineração, extração, elevação, guindastes, veículos, maquinários, materiais e serviços. Em 2016, a indústria 4.0 será o centro das atenções da Bauma.
No Brasil, o estado mais atento à indústria 4.0 é Santa Catarina. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) vem incentivando parcerias entre empresas filiadas a ela e desenvolvedores alemães. O objetivo é melhorar a competitividade. “Segundo estudos, os processos relacionados à manufatura avançada poderão reduzir os custos de manutenção de equipamentos entre 10% e 40% e o consumo de energia de 10% a 20%, assim como a eficiência do trabalho, que também pode aumentar de 10% a 20%”, explica Glauco José Côrte, presidente da FIESC. O organismo também busca preparar profissionais para atuar com as tecnologias envolvidas nessa nova revolução industrial, que sinaliza ser um caminho sem volta.
Entrevistado
Jefferson Gomes, doutor em engenharia mecânica, professor do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Santa Catarina (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@cni.org.br
Créditos Fotos: Divulgação/SENAI-SC
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Impor metas de venda pode ser estratégia errada
Definir objetivos factíveis ajuda trabalho em equipe e na implantação de uma cultura de meritocracia na empresa
Por: Altair Santos
Vender é o que toda empresa quer nos tempos atuais. Mas como conseguir? Empresas que impõem metas extremamente rigorosas aos seus vendedores, no atual cenário brasileiro, podem estar cometendo um equívoco. O momento não é de impor, mas de negociar e definir objetivos em conjunto. A meta deve ser estabelecida levando em conta a capacidade do vendedor, o tempo médio que ele gasta para fazer uma venda e os recursos que lhe são oferecidos para isso. “Definir metas factíveis ajuda o trabalho em equipe e na implantação de uma cultura de meritocracia na empresa. Assim, todos têm à disposição dados quantitativos do desempenho das vendas e podem pensar soluções para melhorá-las”, diz Renato Morsch, líder de vendas corporativas da Salesforce para a América Latina.

A Salesforce é uma empresa provedora de tecnologias de relacionamento e entre suas expertises está prospectar soluções de vendas para o mercado. Recentemente, com base em pesquisa com seus clientes - incluindo o setor da construção civil -, ela elencou erros que têm sido cometidos pelas companhias para tentar superar o cenário de crise da economia brasileira. Entre elas, a questão das metas de vendas. No estudo, é feita a seguinte análise: “Todo o departamento comercial ou equipe de vendas precisa ter metas simples e claras. Ela deve ser feita levando em conta a capacidade do vendedor, o tempo médio que ele gasta para fazer uma venda e os recursos que lhe são oferecidos para isso”.
O estudo também apontou outros parâmetros, como: tentar vender para quem ainda não está pronto para comprar. São apontados três modelos de consumidores: 1) os que apenas têm intenção de comprar; 2) os que querem comprar, mas não sabem de quem; 3) os decididos a comprar de determinada empresa, mas que podem mudar de ideia dependendo da oferta e do perfil do vendedor. “Para evitar perder a venda, conheça o seu cliente e respeite os seus momentos. Sua equipe de vendas deve estar treinada para saber em que estágio de interesse o cliente está e qual a melhor forma de atendê-lo naquele momento”, destaca a análise da Salesforce.

Público-alvo e ferramentas de internet
Outro ponto relatado no levantamento está relacionado com a identificação do público-alvo da empresa. Isso se consegue através de dados demográficos, geográficos, psicográficos e comportamentais, que constituem um perfil ideal de pessoas adeptas a um determinado produto ou serviço. “Todo negócio precisa ter clareza na hora de identificar seu público-alvo, caso contrário isso implicará no segundo erro cometido por equipes de vendas: tentar vender para segmentos onde o seu produto não se encaixa”, alerta. “Dessa forma, para evitar o erro de investir esforços em quem não está interessado, a equipe de vendas deve conhecer a fundo os seus consumidores. É importante estudá-lo, avaliar seus desejos e anseios e, com isso em mente, pensar na sua abordagem de venda”, completa Renato Morsch.
Para o executivo, o momento é de usar ao máximo as possibilidades da internet para chegar ao cliente. “Além das várias ferramentas e redes sociais, a internet fornece uma série de benefícios para as empresas que sabem explorá-la. Por essa razão, sugerimos duas ações simples para usar melhor a web: interagir e prospectar”, aponta Morsch. As ferramentas para isso são os e-mails, blogs, redes sociais e sites que especificam a expertise da empresa. “A chave aqui é a palavra interação”, finaliza o especialista em vendas.
Entrevistado
Renato Morsch, Head de Enterprise Sales LATAM na Salesforce (líder de vendas corporativas da Salesforce para a América Latina)
Contato: latam@salesforce.com
Créditos Fotos: Divulgação/Salesforce
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Estais solucionam instabilidade em ponte no Paraná
Tecnologia sanou problema geológico que comprometia pilares em uma das cabeceiras da estrutura localizada na rodovia Régis Bittencourt
Por: Altair Santos
O reforço com estais foi a solução encontrada pela engenharia da concessionária Autopista Régis Bittencourt para recuperar a ponte sobre a represa do Capivari, no município de Campina Grande do Sul, no Paraná. A estrutura, construída em 2000, teve parte desabada em 2005, foi recuperada em 2006 e interditada em 2012, por causa de uma instabilidade geológica que comprometia um dos pilares na cabeceira sentido norte. “Em uma inspeção de rotina, detectamos que o pilar sofreu um deslocamento na ordem de 40 centímetros. Tivemos que fazer minuciosos estudos, com prospecção por meio de sondagens, que nos revelaram uma falha geológica profunda, uma cisão no substrato rochoso, causando um desnível de 15 metros. O pilar estava nessa área de instabilidade”, revela Eneo Palazzi, diretor-superintendente da Autopista Régis Bittencourt.

Cogitou-se implodir a ponte e construir outra naquele trecho da BR-116, mas pesquisas de engenharia concluíram que sustentar a estrutura com estais a livraria da instabilidade. A solução foi aplicada. “A construção de uma estrutura estaiada de sustentação possibilitou a eliminação do apoio 8, que se encontrava em área de instabilidade, e o integral aproveitamento da superestrutura de três vãos que dependiam dele. Comparada com outras possíveis, essa solução se revelou técnica e economicamente mais adequada”, afirma Eneo Palazzi. Foi a primeira vez no Brasil que essa tecnologia foi empregada em obras deste porte. Para tal, os vãos aproveitados foram os reconstruídos em 2005, por ocasião do primeiro acidente na ponte, e que são constituídos de longarinas metálicas e laje de concreto.
Trinta mil veículos por dia
Não se cogitou instalar estais na cabeceira sul da ponte, pois nessa parte da estrutura as fundações não apresentam problemas. A Autopista Régis Bittencourt também avalia que nenhuma obra de arte em outros trechos da rodovia necessite deste tipo de tecnologia. A concessionária, no entanto, já realizou 184 obras de recuperação, reforço e reforma em pontes e passagens inferiores no trecho de pouco mais de 400 quilômetros, que liga São Paulo a Curitiba. No caso da ponte sobre a represa do Capivari, a liberação do tráfego aconteceu na tarde de 12 de fevereiro de 2016, por volta das 16h, quando o trânsito foi restabelecido na pista sentido São Paulo, sendo que a sentido sul voltou a operar normalmente, para os usuários que seguem no sentido Curitiba. Diariamente, em dias normais, trafegam pelo local aproximadamente 30 mil veículos.

A ponte sobre a represa Capivari tem 280 metros de comprimento e em 2005 desabaram 70 metros. Na ocasião, a manutenção da ponte estava a cargo do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), pois a rodovia ainda não havia sido privatizada. Na recente obra, para erguer as torres que sustentam os estais, a engenharia dispôs de concretos cuja resistência é usual em obras de ponte e viadutos com essa característica. A única novidade é que a concessionária passará a fazer avaliações menos espaçadas da nova obra. “As inspeções continuarão normais anualmente, com procedimento especial nos estais”, diz o diretor-superintendente da Autopista Régis Bittencourt.
Entrevistado
Engenheiro civil Eneo Palazzi, diretor-superintendente da Autopista Régis Bittencourt
Contato: eneo.palazzi@arteris.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/Autopista Régis Bittencourt
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Déficit no saneamento básico fomenta epidemias
Brasil tem cerca de 40 milhões de habitantes que não possuem acesso à água tratada e nem a banheiros com encanamento e fossa séptica
Por: Altair Santos
Dados do Ministério das Cidades, através do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), revelam que mais da metade da população brasileira (51,4%) ainda não possui acesso às redes de coleta de esgotos e que somente 39% dos resíduos são tratados. Há ainda 35 milhões de brasileiros que não recebem água tratada e mais de 5 milhões que não possuem banheiros em suas casas. Além disso, 37% da água potável se perde em vazamentos, “gatos” ou problemas de medição. O déficit em saneamento básico fomenta também as epidemias. Entre elas, as que afligem o Brasil atualmente e são causadas pelo mosquito aedes aegypti, como dengue, febre chikungunya e vírus Zika.

O déficit de saneamento básico é tão gritante no Brasil que a campanha da fraternidade de 2016 está focada no tema. A opção da CNBB (Confederação nacional dos Bispos do Brasil) se deu pelo fato de o saneamento ser um direito humano e uma infraestrutura essencial ao meio ambiente e à saúde das pessoas, em especial aos mais vulneráveis. Além disso, essa é uma problemática com pouca visibilidade no país, apesar da correlação com doenças gerar dados alarmantes. Segundo o Instituto Trata Brasil, sete crianças morrem todo dia no país - vítimas de diarréia - e outras 700 mil pessoas são internadas a cada ano nos hospitais públicos devido à falta de tratamento de esgoto. Nas zonas rurais, a coleta atinge apenas 4% da população.
Entre 2011 e 2015, o investimento em saneamento básico foi de 0,22% do PIB, quando deveria ser, no mínimo, de 0,63%. A análise que especialistas fazem é a de que em cada real investido em saneamento se economizam quatro reais em gastos com saúde. Outro benefício é que, se houvesse investimento para a universalização do saneamento, isso geraria 550 mil novos empregos por ano, principalmente nos setores ligados à construção civil, como empreiteiras especializadas nesse tipo de obra e fabricantes de tubos de concreto. Esse segmento, especificamente, experimentou seu auge entre 2010 e 2012, quando o país chegou a ter cinco mil fábricas em funcionamento - de acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Concreto (ABTC).
Internações em vez de saneamento
A atual redução no volume de produção de tubos de concreto não é por falta de demanda, mas por ausência de uma política realmente interessada em expandir o saneamento básico no país. A meta do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) de universalizar os serviços de coleta e tratamento de esgoto, além de abastecimento de água, deveria ser cumprida em 2033, mas vai atrasar 21 anos. É o que aponta estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), denominado Burocracia e Entraves no Setor de Saneamento. No ritmo atual, a população só será plenamente atendida com água encanada em 2043 e com acesso à rede de esgoto em 2054. Para universalizar os serviços em 2033, seriam necessários R$ 15,2 bilhões por ano. Hoje, metade disso é investido (R$ 7,6 bilhões).
Para o gerente de infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso, que coordenou o estudo Burocracia e Entraves no Setor de Saneamento, há um “círculo vicioso” que perpetua o déficit de saneamento básico no país. “A gente tem burocracia, tem falta de recursos, tem perdas, tem roubo de água, tem um planejamento muito ruim e tem baixa eficiência das empresas de saneamento”, listou. Diante desse contexto, Wagner Cardoso avalia que o Brasil fez a opção errada de não ter saneamento básico universalizado, trocando-o por internações hospitalares. Os casos de dengue, febre chikungunya e vírus Zika estão aí para comprovar a tese.
Confira aqui o estudo Burocracia e Entraves no Setor de Saneamento.
Entrevistado
Ministério das Cidades, Instituto Trata Brasil, Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Concreto (ABTC) e Confederação Nacional da Indústria (CNI) (via assessorias de imprensa)
Contatos
ascom@cidades.gov.br
atendimento.abtc@abtc.com.br
infra@cni.org.br
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Crédito Foto: Divulgação/Instituto Trata Brasil
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Empresa precisa manter agenda positiva na crise
Consultor Marcelo Ortega aponta medidas que ajudam a fazer uma leitura diferente do momento atual que a economia do Brasil atravessa
Por: Altair Santos
A palavra crise se tornou um mantra no Brasil. Seus efeitos já estão além do impacto econômico. Começam a interferir diretamente no desempenho de profissionais – principalmente os que continuam empregados. Para evitar um clima que afete a produtividade, a empresa precisa se blindar e criar uma agenda positiva, alerta o consultor Marcelo Ortega.

Segundo o especialista, nestas horas existe uma espécie de “Dez mandamentos positivos” que devem nortear as companhias. O foco deve ser na melhoria de métodos de produção, estratégias inovadoras de venda e visão otimista do futuro. Além disso, Ortega recomenda a busca de um ambiente de trabalho que procure retirar a pressão, trocando-a pela eficácia. Confira a entrevista:
Em seu artigo, “Dez maneiras de blindar sua empresa contra a crise”, o senhor prega que as empresas tenham uma agenda positiva na crise. Das dez maneiras, qual seria a primeira medida a ser tomada?
A melhor maneira de enfrentar crises é investir nela. Investir no treinamento de sua equipe, na consolidação de processos de vendas mais eficazes, fazendo com que seu negócio seja percebido pelos diferenciais de atendimento, consultoria ao cliente, esforço extra no pós-venda, enfim, fazer mais com menos. Empresas inteligentes retêm seus talentos nessa hora, e isso se dá com desafios e responsabilidades. Treinar é apostar na pessoa e dar a ela competências que permitam fazer até mais do que aquilo que se é pago para fazer. Sem dúvida, fico com a frase: é melhor investir no conhecimento, do que pagar o preço da ignorância.
Existem setores mais vulneráveis ao impacto psicológico da crise do que outros?
Todos os setores são percebidos ou se posicionam como commodities, pois não têm valor percebido, valor agregado. Portanto, só podem ser diferenciados por preço e prazo. O varejo sofre muito, em especial setores de alimentação. Restaurantes fast foods acusam queda de mais de 40% no faturamento nos últimos 12 meses. Foi o que me revelou uma importante rede de franquias no segmento. Vemos o mercado imobiliário também em queda, pelo simples fato de que as pessoas tiveram seu poder de compra afetado, com alta de juros e com redução das vantagens no financiamento imobiliário. O corretor de hoje tem que ser muito mais criativo que em outros tempos. Em geral, tirando agronegócio e alguns setores ligados ao mercado externo, comércio exterior, os demais foram prejudicados com a desconfiança do mercado, a queda no consumo e as perspectivas terríveis que estão traçando os especialistas em macroeconomia. O caminho é criar novos produtos, adequar preços, estratégias inovadoras que mesclem produtos e serviços no mix de solução, para criar o sentimento de urgência, de vantagem em comprar agora. Irá se diferenciar quem resistir ao turbulento voo que iremos alçar neste ano. Sem criatividade, inspiração e transpiração, não há blindagem.
A construção civil é um setor que tem sido bem impactado pelo cenário econômico, sobretudo os engenheiros. Esses profissionais precisam de uma injeção de ânimo maior?
Não são os engenheiros que precisam de mais motivação. São todos que participam da cadeia produtiva no setor da construção civil. Devemos entender que a crise é uma espécie de filtro. Iremos agora ver quem é quem e, em qualquer setor afetado, ver aqueles que estão dispostos a pagar o preço do mercado desaquecido, que inspira mudanças. O conceito agora é fazer vendas. Todos somos vendedores, e se pensarmos assim, engenheiros, arquitetos, serralheiros, vidraceiros, mestres de obras, enfim, todos, precisam se inspirar na onda da mudança de hábito, da remodelagem de seus modus operandi. Não dá pra ficar atrás da mesa. É preciso redesenhar a agenda, criar mecanismos de encantamento do cliente, fazendo pesquisas de mercado, criando empreendimentos que satisfaçam muito mais necessidades de seus consumidores. Canso de ver empresas que pensam de forma exata, pouco humana e, assim, não visam oferecer soluções criativas, desejáveis, customizáveis a necessidades e momento do mercado.
As iniciativas de mudar o clima na empresa devem partir de quem, a princípio?
Sem dúvida, depende da liderança. Líderes criam comportamentos e o clima favorável à motivação. Tem chefe que não vê o quanto mina a energia de sua equipe, praticando apenas a arte da pressão, de dar ordens e cobrar. Ser cognitivo, atuar junto com seus liderados e promover eventos de relacionamento, de aprendizagem, de reciclagem ajudam muito nessa hora.
As dez maneiras de blindar a empresa mudam conceitualmente de uma startup, por exemplo, para uma fábrica?
Uma startup ou uma grande indústria têm diferenças, é claro. No entanto, as dez maneiras de blindar-se contra a crise, não se relaciona ao tamanho, porte ou ramo de atividade. É um olhar profundo para as pessoas, para o desenvolvimento de estratégias, táticas e operações que podem reduzir gastos, eliminar retrabalhos, aumentar a eficiência e prover soluções para a empresa ter mais lucro. Máquinas não sentem a crise, as pessoas sim. O emocional é muito importante na superação dos fatos negativos, que são muitos. Ocupar o espaço de seu concorrente dependerá de fazer mais que ele, com mais qualidade. No entanto, as empresas estão ficando muito parecidas do ponto de vista técnico. O lado comercial, do relacionamento com o bem mais valioso de qualquer negócio - ou seja, o cliente -, fica um pouco esquecido na crise. O primeiro a sentir cortes é o RH; segundo, o Marketing. Sem pessoas treinadas, sem estratégias de conquista de clientes, sem reter os principais contratos ou carteira de clientes estratégica, sua empresa ou negócio fracassará.
A crise tende a gerar melhores procedimentos nas empresas? Quais, por exemplo?
Há três exemplos que quero citar. Nesta empresa que mencionei na entrevista, ligada à área de alimentação (rede de franquias fast food), eles inovaram realizando parcerias com cinemas dos principais shoppings e fazendo o cliente ter vantagens na compra casada do ingresso e de seus pratos mais acessíveis, criados para aumentar a demanda em crise. Perceberam que o cliente, mesmo em tempos difíceis, continua buscando entretenimento e, portanto, indo ao cinema, pelo menos. No setor de concreteiras, em uma grande empresa que atendi com palestras em fevereiro de 2016, a inovação se deu pela intensa carga de treinamento que fizeram. Aumentaram a convenção de vendas em um dia, para explorar não só a parte técnica de produtos, mas detalhamento de metas e números obtidos no ano anterior. Começaram o ano investindo mais tempo na reciclagem de equipe, para que não estejam reféns de um mercado tão “comoditizado”, em que o valor agregado é perto de zero. A solução foi vender tecnologia do concreto, com a criação de laboratórios e centros de suporte específicos para cada tipo de obra, e do material a ser empregado. A equipe de vendas, em especial, conheceu os diferenciais a fundo e simulou situações de negociação em que a concorrência era desleal, e mesmo assim, conseguiu contra-argumentar e convencer o cliente. Clientes especiais e fornecedores participaram dos eventos. Isso aumentou o nível de relacionamento deles com o mercado em que atuam. Por fim, quero citar o Uber. Esse é o grande case. Uma empresa que conheço de perto há muitos anos, e que chega no Brasil com força total, gerando uma polêmica gigantesca pela concorrência que promove com taxistas. O Uber é uma opção, uma evolução, uma contradição à crise. Outro dia fui à praia de Uber e recebi um kit contendo protetor solar, água de coco na caixinha e outros apetrechos para praia. Carros de qualidade, motoristas educados e um conforto que faz você pagar até um pouco mais, porque recebe muito mais. Surpreender o cliente no final com esse kit foi sensacional.
Produtividade, competitividade e transparência podem ser elementos novos a serem acrescidos nas empresas?
São três valores fundamentais. Produtividade depende de disciplina, de dizer não a algumas coisas. Falta foco a muita gente, por isso tanta improdutividade. Competição e cooperação são duas palavrinhas que deviam andar juntas, pois advêm do latim: competir significa partir junto (dar a largada) e cooperar significa querer chegar junto. O mundo anda muito competitivo e pouco cooperativo. O grande competidor treina e ajuda seus principais adversários, aprende com eles, mira os melhores. Para estar entre os melhores é preciso andar com eles, trocar algo, buscar cooperação como arma de competição, de melhoria contínua. E transparência é uma questão ética, outro ponto escasso no meio corporativo. As pessoas optam pela ilusão de esconder fatos, defeitos, limitações, informações relevantes ao bom desempenho. O país vive uma crise de ética por isso, pelo jeitinho brasileiro, de empurrar para debaixo do tapete aquilo que não lhe é conveniente. É um cessar imediato desta atitude que permitirá nas organizações muito mais aderência e preferência de seus clientes.
Empresas que, por conta da crise, já demitiram bastante, e ainda podem demitir mais, têm ambiente para gerar uma agenda positiva?
É melhor um fim trágico que uma tragédia sem fim. Tem outra frase, esta de Dale Carnegie, que diz: coopere com o inevitável. Simples assim. Eu não entendo que uma pessoa possa ter uma agenda negativa se está engajada com metas e com os objetivos da empresa. Engajamento não se compra, é algo pessoal. A maioria das demissões ocorre por incompetência dos demitidos, e claro, motivos de força maior. A crise é um filtro, como eu disse. É boa para ver quem está disposto a mudar, a pensar de forma diferente, a se engajar com os novos desafios e metas maiores. Fatalmente alguns serão injustiçados, mas faz parte. A disrupção é um conceito interessante. Quando vivemos o caos, temos que ser capazes de transcender, de inovar, de superar. Aqueles que permanecem na empresa devem se sentir prestigiados, convidados ao sucesso, a fazer mais do que aquilo que são pagos para fazer. Os que se vão, paciência e persistência. Cooperem com o inevitável e enxerguem isso como uma oportunidade de renovar suas competências, e partir para novos desafios. Entropia é um conceito a ser aprendido por todos nós. Significa entrar para sair do caos. Quem aprende com a crise, melhora, e muito. Isso é muito positivo.
Entrevistado
Marcelo Ortega é especialista no desenvolvimento de técnicas e atitudes que determinam crescimento, lucratividade e aumento de produtividade. É autor dos livros "Sucesso em Vendas" e "Inteligência em Vendas".
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Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Rodoanel ajuda a resgatar botânica da Mata Atlântica
BID considera obra como modelo em preservação, capaz de comprovar ser possível conciliar empreendimentos de infraestrutura com meio ambiente
Por: Altair Santos
Ao longo da construção do Rodoanel, que começou em 1998, a DERSA - Desenvolvimento Rodoviário S/A -, em parceria com o Instituto de Botânica de São Paulo, aproveitou o avanço das obras para catalogar todas as espécies de plantas vinculadas à Mata Atlântica. Passados 18 anos, o que se tem é um estudo quase completo das áreas verdes da região.

Além disso, houve a preservação em laboratório de espécies que eram consideradas praticamente extintas. Agora, o acervo técnico e científico sobre a rica botânica ao longo do percurso do Rodoanel será resgatada e devolvida à Mata Atlântica. Por causa deste trabalho, a obra é considerada modelo em preservação e comprova ser possível conciliar empreendimentos de infraestrutura com meio ambiente.
Chamada de Programa de Conservação de Flora, a parceria entre DERSA e Instituto de Botânica de São Paulo já resgatou mais de 22 mil plantas, além de realizar um levantamento pioneiro nas áreas de influência direta e indireta do empreendimento. Houve a classificação de espécies, com orientação do resgate, realocação e monitoramento da flora com fins de preservação.
Também teve como objetivo a restauração florestal por meio da compensação ambiental. Trata-se de um abrangente conjunto de conhecimentos, tais como inventários florestais e complexos modelos de repovoamento vegetal. Além disso, estabelece parâmetros de avaliação e monitoramento de reflorestamentos induzidos, incluindo coleta, guarda e conservação de sementes, entre outras especialidades.
Os resultados já representam avanços significativos em termos de reflorestamento: segundo o Instituto de Botânica, recriar as florestas que se perderam e que somam cerca de 1,3 milhão de hectares em território paulista levaria apenas 63 anos, e não mais dois séculos, como se estimava há 15 anos.

Elogios do BID
O estudo rendeu elogios do gerente do setor de infraestrutura e meio ambiente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Pablo Pereira dos Santos. “O Rodoanel combina elementos de desenvolvimento de infraestrutura sustentável, enfatizados pelo BID, com planejamento sócio-ambiental. É uma combinação que permite a gestão do crescimento econômico, com estabilidade social e preservação ambiental”, ressalta. Para o Programa de Conservação de Flora, o BID autorizou financiamento de 1,148 milhão de dólares (R$ 4,36 milhões).
Com seus 176,5 quilômetros, o Rodoanel - cujo objetivo é desviar o tráfego pesado da cidade de São Paulo - é a maior obra rodoviária urbana da América Latina e do Caribe. O empreendimento encontra-se, atualmente, em sua última etapa: a construção do trecho norte. Iniciada em 2013, será concluída em 2017. “Projetos de infraestrutura carregam impactos inevitáveis ao meio ambiente, mas o Rodoanel conseguiu mitigar ao máximo os problemas. É, sem dúvida, um exemplo de obra”, exalta Pablo Pereira dos Santos.
Além dos cuidados com a flora, o avanço das obras do Rodoanel exigiu o resgate de quase dois mil animais silvestres, realocando-os em ambientes semelhantes aos que viviam. A preocupação com o habitat exigiu também que o empreendimento inovasse em sistemas de drenagem, controle de erosão e uso da terra. Para isso, o BID participou com 11,6 milhões de dólares (R$ 44,08 milhões) para o programa de compensação ambiental às áreas protegidas de Mata Atlântica.
Entrevistados
- DERSA - Desenvolvimento Rodoviário S/A (via assessoria de imprensa)
- Pablo Pereira dos Santos, gerente do setor de infraestrutura e meio ambiente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)
Contatos
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Créditos Fotos: Divulgação/Eduardo Saraiva/DERSA








