Alemanha transforma área degradada em bairro perfeito

Espaço com 116 hectares propõe novo modelo habitacional. Ideia é gerar 100% da energia consumida e criar empregos para todos os moradores

Por: Altair Santos

Um extinto terminal ferroviário, usado para manobras de trens, dentro da cidade alemã de Heidelberg, está se transformando em um bairro perfeito. Na área de 116 hectares (1.160.000 m²) concentra-se a construção de um novo modelo de espaço habitacional. Além de ser capaz de gerar boa parte da energia consumida, o bairro tem a pretensão de ter taxa zero de desemprego. No local, são aceitas apenas startups. Para serem aprovadas, as empresas se submetem a um comitê da Universidade de Heidelberg, a mais antiga da Alemanha – fundada em 1364. A instituição avalia o perfil e o potencial de êxito dentro do Bahnstadt (nome do bairro). A prioridade são as empresas científicas de alta tecnologia.

Bahnstadt quer unir moradias sustentáveis com empresas científicas de alta tecnologia
Bahnstadt quer unir moradias sustentáveis com empresas científicas de alta tecnologia

O bairro também agrega estruturas para o dia a dia de seus habitantes: moradias, unidades comerciais, postos de saúde, escola de ensino fundamental, creches, áreas de recreação, espaços verdes, ciclovia e cinema. Atualmente, o Bahnstadt é o maior empregador de Heidelberg. São 12 mil postos de trabalho, dos quais 5 mil destes trabalhadores vão morar nos edifícios que começam a ficar prontos. A expectativa é de que todas as unidades sejam entregues no final do primeiro semestre de 2016. O projeto se propõe a estar 100% concluído em 2022. Para isso, não são medidos esforços nem recursos. Dois bilhões de euros (aproximadamente R$ 8 bilhões) são investidos na área.

A própria Universidade de Heidelberg desenvolveu os parâmetros para criar um selo de sustentabilidade, a fim de avaliar as unidades habitacionais. A construção usa blocos de concreto celular autoclavado e o projeto dos prédios, idealizado pelo escritório Fischer Architekten, explora grandes espaços envidraçados. O objetivo é cumprir com eficiência o desempenho térmico. No inverno, permitir a entrada de muita luz; no verão, proporcionar a difusão do calor. Por isso, os edifícios, com quatro pavimentos cada um, também possuem telhados verdes. Mas a principal característica das residências do Bahnstadt é que elas geram baixíssimas taxas de passivo ambiental, ou seja, reaproveitam até 70% dos resíduos para gerar energia.

Apartamentos custam R$ 1 milhão
Para o professor Wolfgang Feist, diretor do Instituto de Casas Sustentáveis da Alemanha, as residências de Bahnstadt se anteciparam às novas diretrizes de construção sustentável que entrarão em vigor na Europa a partir de 2021, através da Directiva Europeia Building Performance. "São casas com máxima eficiência energética, mas não é só isso: o bairro todo segue rigorosos conceitos de sustentabilidade”, diz Wolfgang Feist. De fato. O compromisso com a emissão zero do CO2 proíbe que veículos que utilizem combustíveis fósseis circulem nos 116 hectares do bairro. São permitidos bicicletas e veículos elétricos.

A iluminação pública também é inovadora. Os postes possuem lâmpadas de LED e elas são acionadas por uma central inteligente. Quando a iluminação natural fica abaixo de 30%, o sistema é acionado. Ao amanhecer, quando a iluminação natural chega a 30%, as lâmpadas se apagam automaticamente. Todo encanamento e cabeamento para operar distribuição de gás, internet e iluminação pública são subterrâneos. “Mesmo antes de estar totalmente pronto, já temos uma certeza: Bahnstadt funciona”, finaliza Wolfgang Feist. Para comprar um apartamento no bairro perfeito, basta ter 260 mil euros (cerca de R$ 1 milhão).

Veja aqui a área ocupada pelo Bahnstadt.

Entrevistados
Achim Fischer, relações públicas da cidade de Heidelberg
Parque Tecnológico de Heidelberg (via assessoria de comunicação)
Prefeitura de Heildelberg (via assessoria de comunicação)
Contatos
stadt@heidelberg.de
oeffentlichkeitsarbeit@heidelberg.de
www.technologiepark-heidelberg.de

Crédito Foto: Divulgação/Bahnstadt

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Escada pré-fabricada de concreto sobe no conceito da obra

Estruturas agilizam o cronograma. Feitas sob medida, depois de prontas elas são instaladas sem comprometer outras etapas da construção

Por: Altair Santos

Os projetos arquitetônicos que prevêem escadas estão dispensando construí-las in loco, e optando pelos equipamentos pré-fabricados. Os principais motivos: as estruturas são mais precisas e economizam tempo no cronograma da obra. Feitas sob medida, depois de prontas as escadas são instaladas sem comprometer outras etapas da construção. “Além destas vantagens, elas permitem ganho de espaço e dão mais leveza ao ambiente. Somando tudo, o investimento, colocado na ponta do lápis, acaba saindo mais em conta que a escada convencional”, aponta o engenheiro civil Ezequiel Cidral.

Escada com acabamento em concreto aparente está entre os produtos pré-fabricados
Escada com acabamento em concreto aparente está entre os produtos pré-fabricados

Especialista em pré-fabricados, o engenheiro lembra que as escadas de serviço de prédios ainda são construídas através do sistema convencional, seja por questões de projeto ou de logística. No entanto, quando elas têm a finalidade de ser um elemento decorativo da obra, opta-se pelas estruturas pré-fabricadas. Hoje, os principais consumidores deste tipo de produto são escritórios de arquitetura especializados em projetar casas. Neste caso, as escadas são personalizadas e podem custar de R$ 2.500 a R$ 30 mil, dependendo de suas características e dos materiais de acabamento.

Cada projeto de escada pré-fabricada de concreto necessita de fôrmas exclusivas. “Por exigir medidas exatas, uma escada nunca sai como a outra. Neste caso, temos que produzir fôrmas para cada uma delas”, ressalta Ezequiel Cidral. A fabricação de uma escada leva de dois a quatro dias, dependendo do porte da obra. Já a montagem pode chegar a 12 dias. No local em que será instalada, a escada é chumbada em paredes, vigas e pilares. “No caso de elementos que precisam ser fixados em vigas laterais, daí é necessário desenvolver sapatas próprias para receber essas estruturas”, completa o engenheiro.

Cada um dos projetos de escada exige fôrmas próprias para sua fabricação
Cada um dos projetos de escada exige fôrmas próprias para sua fabricação

Normas e medidas

As escadas pré-fabricadas devem atender tanto as normas técnicas relacionadas ao concreto armado quanto às de segurança. Depois de prontas, elas aceitam vários materiais de acabamento: granito, mármore, madeira, porcelanato, vidro ou qualquer outro tipo de revestimento. Atualmente também têm se destacado as escadas pré-fabricadas em concreto aparente.

A construção de uma escada tem quatro medidas prioritárias: a proporção dos degraus, o comprimento da escada, o número de degraus e a largura dos degraus.

Proporção dos degraus
É necessário que exista uma proporção entre altura e profundidade de cada degrau. Existe uma regra-padrão adotada pela maioria dos construtores, que é 18 centímetros de altura por 27 centímetros de profundidade.

Comprimento da escada
Muda de projeto para projeto, mas também existe uma regra para se chegar ao tamanho exato. Neste caso, ela deve levar em conta a altura e a profundidade de cada degrau da escada.

Número de degraus
Também existe uma regra: normalmente divide-se a altura entre os dois pavimentos por 18 centímetros, sempre levando em consideração as diferenças milimétricas do cálculo.

Largura do degrau
Também depende de cada projeto, mas o padrão vai de 80 centímetros a 120 centímetros.

Entrevistado
Engenheiro civil Ezequiel Cidral, CEO da Escadas Millenium
Contato: contato@escadasmillenium.com

Crédito Foto: Divulgação/Escadas Millenium

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Futuro tira engenheiro civil da “zona de conforto”

Pesquisa mostra que profissional precisa unificar conhecimentos contidos em outras atividades e investir na capacitação continuada

Por: Altair Santos

A engenharia civil se reinventa nos laboratórios de pesquisa, agregando inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressoras 3D e até biotecnologia. No entanto, ainda conta com uma grade curricular ultrapassada, sobretudo no Brasil. Segundo recente pesquisa divulgada no Fórum Econômico Mundial, denominada "O Futuro do Trabalho", haverá a extinção de 5,1 milhões de empregos no mundo até 2021. No estudo, há um capítulo exclusivo que trata da engenharia e de profissões correlatas. A análise é que a formação da engenharia - sobretudo os cursos mais tradicionais, como a civil - terá que unificar ensinamentos contidos em outras profissões, além de adequar-se a uma nova realidade: a capacitação continuada.

Engenheiros civis têm que dominar a administração, a Tecnologia de Informação (TI) e até a psicologia
Engenheiros civis têm que dominar a administração, a Tecnologia de Informação (TI) e até a psicologia

A pesquisa avalia que, além das tecnologias, o cenário globalizado derrubou paradigmas e estabeleceu novos conceitos. Mesmo as empresas regionais já operam interligadas com outras partes do mundo. “Está em curso uma nova revolução industrial, que, consequentemente, impactará no conjunto de habilidades requeridas para prosperar neste novo panorama”, diz relatório que acompanha o estudo do Fórum Econômico Mundial. Essa revolução tem nome: Indústria 4.0. Ela representa a descontinuidade do modelo de produção vigente e deriva de novos produtos e processos ocorridos na fronteira da ciência, como a convergência entre info, nano, bio e neuro-cogno tecnologias.

Essas descobertas possuem aplicações em praticamente todas as áreas: da química à física, da biologia à medicina, da engenharia à computação. Não resta dúvida de que a “Quarta Revolução Industrial” abre um mundo de possibilidades, mas traz consigo grandes desafios aos profissionais, principalmente os que estão chegando agora no mercado de trabalho. “O tempo de ser especializado em uma única área do trabalho acabou”, indica o documento apresentado na 46ª edição do Fórum Econômico Mundial, que acontece anualmente em Davos (Suíça). Com essa análise, as grades curriculares dos cursos de engenharia - especialmente nas universidades brasileiras - estão colocadas em xeque.

Currículo defasado e evasão
A mais recente atualização curricular dos cursos de engenharia proposta pelo MEC (Ministério da Educação) ocorreu em 2002. Não há no horizonte nenhuma outra proposta de reforma, mesmo diante das insistentes indicações do mercado de trabalho. Para tentar qualificar minimamente seus graduados, as instituições de ensino superior têm feito ajustes pontuais na grade curricular. No entanto, sem diretrizes do governo federal, as escolas estão impedidas de implantar reformas profundas em seus cursos. No caso das universidades menos conceituadas, elas se restringem a oferecer apenas o conteúdo mínimo exigido pelo MEC. Isso criou uma disparidade entre cursos. Enquanto alguns chegam a ter 4.200 horas de carga horária, outros ofertam no máximo 3.600 horas ao longo de cinco anos de graduação.

Crítico do modelo de ensino das escolas de engenharia, o engenheiro civil Francis Bogossian, que já presidiu várias associações de classe, aponta que o Brasil caminha na contramão de outros países. Enquanto russos e chineses, por exemplo, investem maciçamente na formação de engenheiros, o país não consegue conter a evasão. ”De cada 172 alunos que ingressam nos cursos, apenas 95 os concluem. A formação de novos engenheiros também cresce muito abaixo das necessidades do país. Tem sido inferior à formação em Direito e Administração de empresas. Acrescente-se que os graduados em engenharia no Brasil são menos de 20% dos russos e de 8% dos chineses”, alerta, em artigo escrito recentemente, com o título Mais uma crise na nossa engenharia.

Veja a íntegra do documento do Fórum Econômico Mundial.

Entrevistado
Fórum Mundial do Trabalho (via assessoria de mídia)
Contato: contact@weforum.org

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

A 100 dias das Olimpíadas, Rio sofre com obras

Equipamentos esportivos dão sinais de que ficarão prontos a tempo, mas mobilidade urbana mostra fragilidade

Por: Altair Santos

Dia 27 de abril a cidade do Rio de Janeiro iniciou a contagem regressiva de 100 dias para o início dos jogos olímpicos. Transformada em canteiro de obras, a capital fluminense se divide em duas frentes. Uma se relaciona com os equipamentos esportivos, cuja boa parte está com a execução das obras entre 90% e 100%; outra, diz respeito às estruturas de mobilidade urbana projetadas para o Rio, e que ainda não se transformaram em legado olímpico. Pelo contrário, repercutem negativamente sobre o evento.

Cidade Olímpica, na Barra da Tijuca, cumpre cronograma e deve ser entregue em junho
Cidade Olímpica, na Barra da Tijuca, cumpre cronograma e deve ser entregue em junho

Além de correr contra o tempo para que as obras fiquem prontas até o início das Olimpíadas, a prefeitura do Rio precisa, agora, comprovar que as construções têm qualidade. A queda de um trecho da ciclovia Tim Maia reforça essa tese. Dia 21 de abril, a infraestrutura não resistiu ao impacto de uma forte onda e um dos tabuleiros pré-fabricados da ciclovia desabou, matando duas pessoas. As conclusões preliminares são de que houve erro de projeto, o que levou a estrutura a não resistir ao impacto da onda.

Inaugurada em janeiro de 2016, a ciclovia já havia causado preocupação no Tribunal de Contas do Município em julho de 2015, quando uma auditoria identificou problemas em sua construção. O documento alertou para “trincas” e “depressões”, pedindo a correção das falhas. A preocupação tornou-se pública após o acidente e a secretaria de obras do município disse que atendeu às solicitações do tribunal.

O caso da ciclovia, que por si só é emblemático, repercute sobre outras obras relevantes para a cidade, como o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que leva ao aeroporto Santos Dumont e a linha de metrô que ligará a zona sul à zona oeste – local onde estão concentrados os equipamentos esportivos e a vila olímpica. O cronograma desse empreendimento prevê a inauguração para julho. Porém, só no final de abril é que as escavações foram concluídas.

Falta de planejamento
Mesmo assim, o poder público da cidade assegura que a chamada Linha 4 do Metrô será finalizada a tempo. "Eu garanto que o metrô será operacional durante os jogos olímpicos", insiste Rodrigo Vieira, secretário estadual de transportes do Rio de Janeiro. Segundo ele, as obras estão 93% finalizadas. Porém, mesmo com a palavra da autoridade, a prefeitura do Rio desenvolve um plano B. Entre eles, reforçar a frota de ônibus para os locais dos jogos, autorizar o serviço de vans particulares e decretar feriado na cidade para reduzir o fluxo de veículos.

Ciclovia Tim Maia, às margens da avenida Niemeyer: após três meses, não resistiu à primeira ressaca do mar
Ciclovia Tim Maia, às margens da avenida Niemeyer: após três meses, não resistiu à primeira ressaca do mar

Com o metrô, a meta é transportar 300 mil passageiros por dia e tirar 2 mil carros de circulação diariamente. Essa obra está para os jogos olímpicos como o velocista jamaicano Usain Bolt para o atletismo. Usando a Linha 4, o deslocamento da zona sul até a zona oeste do Rio será feito em 13 minutos. Hoje, de carro ou de ônibus, esse percurso não se concretiza em menos de duas horas. Eis o verdadeiro legado para uma cidade que espera 450 mil visitantes entre 5 e 23 de agosto.

A conta das Olimpíadas ainda não está fechada, mas já ultrapassa R$ 39 bilhões. Destes recursos, R$ 18 bilhões foram para investimento em mobilidade urbana no Rio de Janeiro. Os organismos públicos justificam os gastos elevados dizendo que a cidade passou 60 anos sem obras relevantes em transporte público. Em outras palavras, faltou planejamento adequado. Tanto lá atrás, quanto agora. Isso se reflete em orçamentos astronômicos, cronogramas apertados e perda de vidas humanas. Além das vítimas na queda da ciclovia, 11 operários morreram no conjunto de obras para os jogos. Diante deste cenário, e a 100 dias do início do evento, o Rio conseguirá uma medalha olímpica?

Entrevistados
Secretaria de transportes do governo do Rio de Janeiro e Secretaria de Obras Públicas da Prefeitura do Rio de Janeiro (via assessorias de imprensa)
Contatos
transportes@transportes.rj.gov.br
riourbe@pcrj.rj.gov.br

Créditos Fotos: Divulgação/Prefeitura do Rio/Fernando Frazão/Agência Brasil

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

STJ suspende ações envolvendo corretagem de imóveis

Tribunal tende a estabelecer uma nova maneira de composição dos contratos de compra e venda de imóveis, tornando mais clara a negociação

Por: Altair Santos

É recorrente nas transações imobiliárias que, do preço de venda do imóvel, o correspondente entre 5% e 6% seja destinado aos corretores imobiliários que atuam na negociação. Diante dessa situação, compradores insatisfeitos resolveram procurar o Judiciário e questionar a legalidade dessa prática por parte de construtoras e incorporadoras em repassarem ao consumidor a responsabilidade pelo pagamento da comissão de corretagem imobiliária. Esse impasse se dá, principalmente, na venda de imóveis novos, negociados nos plantões de vendas.

Código Civil reconhece a corretagem de imóveis, o que precisa ser definido é quem paga a comissão
Código Civil reconhece a corretagem de imóveis, o que precisa ser definido é quem paga a comissão

A alegação é que o interesse na venda dos imóveis é das construtoras, e o comprador não deve pagar por um serviço que, em tese, não teria contratado. Não tardou para a controvérsia ser levada para análise do Superior Tribunal de Justiça, que determinou, por 180 dias, a suspensão de todos os recursos ligados à matéria, até emitir um parecer que acabe com a insegurança jurídica em torno da questão. A medida do ministro-relator do processo, Paulo de Tarso Sanseverino, vale para todo o território nacional e envolve os processos que tenham como matéria a restituição dos valores pagos a título de comissão de corretagem.

Segundo o advogado Marcos Lopata, especialista em relações de consumo entre empresas e seus clientes, não há como prever qual será a decisão final do STJ sobre a matéria. “Já houve pronunciamentos judiciais em ambos os sentidos, tanto pela legalidade quanto pela ilegalidade da cobrança da taxa de corretagem. Assim, o STJ pretende uniformizar o entendimento sobre a validade ou não da cláusula que repassa ao consumidor a responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor. Mesmo não podendo prever qual será a decisão do STJ, acredito que ela levará em conta o interesse de ambas as partes, trazendo transparência às negociações e garantindo o bom desenvolvimento das atividades dos corretores de imóveis”, avalia.

Marcos Lopata; STJ deve pacificar as divergências
Marcos Lopata; STJ deve pacificar as divergências

Lopata explica também por que se chegou a essa situação de impasse. “Muitos consumidores não concordaram em pagar os valores de comissão de corretagem sobre seus imóveis, baseados na justificativa de quem contrata o corretor é quem deve pagar pelo serviço prestado. Já as construtoras afirmam que ofertam o imóvel por um preço certo ao consumidor e que não há incremento no valor a ser pago, apenas o desmembramento dos valores, direcionando de 5% a 6% do valor do imóvel aos corretores que intermedeiam a venda. Diante de tais posicionamentos, não havia consenso no Judiciário quanto à legalidade ou não da prática, o que ensejou a discussão perante o Superior Tribunal de Justiça”, afirma.

Corretagem é legal

Especialista em contencioso cível, a advogada Thaís Braga Bertassoni lembra que o Código Cível reconhece a prática da corretagem e que não é essa prestação de serviço que está em julgamento. “Não há como delimitar o exato motivo das reclamações, mas, ao que parece, os consumidores vislumbraram uma possibilidade de recuperar parte dos investimentos aplicados na compra de seus imóveis. No entanto, importante lembrar que o Código Civil em seu artigo 722 autoriza a prática da corretagem como uma prestação de serviço, ligando uma pessoa (jurídica ou física) à outra para a realização de um negócio. No que tange aos corretores de imóveis, a atividade, além de permitida pelo Código Civil, é também regulamentada pelo CRECI (Conselho Regional de Corretores de Imóveis)”, define.

Thaís Braga: não está em discussão a profissão do corretor
Thaís Braga: não está em discussão a profissão do corretor

Em se tratando de poder Judiciário brasileiro, o tempo de 180 dias pedido pelo STJ é considerado pequeno - o prazo vence em 16 de junho de 2016. Porém, um dos motivos que levaram o tribunal a paralisar os processos é que havia decisões muito diferentes, dependendo do estado em que as ações eram julgadas. “A interpretação não era uniforme. No Paraná, por exemplo, as decisões tendiam a beneficiar, em geral, os consumidores, entendendo que quem demandava diretamente o serviço de corretagem devia pagar por ele. Já em São Paulo, por outro lado, existem decisões que beneficiam os corretores, por entender que o valor final do imóvel não era alterado com a cobrança de tal valor, estando a comissão do corretor englobada no valor total de venda da unidade imobiliária”, diz Thaís Braga Bertassoni.

A expectativa é de que o STJ não defina um novo modelo de negociação de imóveis no Brasil, mas estabeleça uma nova composição de acordos de compra e venda de imóveis, delineando claramente o contrato de corretagem, onde serão descritos os serviços prestados e as cláusulas atinentes a preços e prazos. Os advogados especialistas também acreditam que a palavra final sobre esse impasse seja mesmo do STJ, não devendo, o caso, parar no STF (Supremo Tribunal Federal). “Ao STF cabe a guarda da Constituição Federal. Neste caso, o que o STJ fará é pacificar o entendimento jurisprudencial”, finaliza Marcos Lopata.

Entrevistados
Advogados Marcos Felipe Trindade Lopata e Thaís Braga Bertassoni, especialistas em relações de consumo entre empresas e seus cliente e contencioso cível

Contatos
mft@marinsbertoldi.com.br
tbb@marinsbertoldi.com.br

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção civil vai ao “divã” para não repetir erros

No ConstruBR 2016, setor  debate temas recorrentes, como investimentos em produtividade e construção industrializada, e também faz “mea culpa”

Por: Altair Santos

No evento ConstruBR 2016, que aconteceu dias 14 e 15 de abril, na cidade de São Paulo, a construção civil nacional aproveitou para fazer “análise” de seus equívocos para corrigir a rota quando o país voltar a crescer. Promovido pelo SindusCon-SP, o encontro debateu temas recorrentes no setor, como produtividade e construção industrializada, mas com um outro viés, e acompanhado da seguinte pergunta: por que não houve o investimento necessário nesses avanços quando a construção civil experimentava forte crescimento, entre 2003 e 2013?

Walter Cover, presidente da ABRAMAT: produtividade é um tema que precisa de mobilização do setor para ganhar força
Walter Cover, presidente da ABRAMAT: produtividade é um tema que precisa de mobilização do setor para ganhar força

Ao ir ao “divã”, o setor buscou achar respostas que o ajudem a reencontrar o crescimento sustentável, com base em novas tecnologias, fim dos desperdícios e uma mão de obra mais qualificada. "Em algum momento vamos sair dessa situação e o setor precisa se preparar para isso, melhorando gestão, processos e qualificar a mão de obra", disse o vice-presidente de economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, ao apresentar o estudo "O desafio de elevar a produtividade da construção no Brasil". Esse trabalho já foi tema de reportagem, sob o título Produtividade da construção civil brasileira decai. Resumidamente, a pesquisa mostra que a construção civil é, em média, 30% menos produtiva que outros segmentos da economia do país.

Zaidan lembrou que o Brasil tem características que freiam o aumento da produtividade, mas lembrou das responsabilidades do setor. “Sem organização, melhora na gestão e na qualificação de mão de obra esse quadro não se altera”, alertou. A afirmação foi reforçada pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover, que tratou da industrialização no canteiro de obras. “Os grandes vetores da produtividade estão em nossas mãos. Precisamos nos mobilizar melhor para que o assunto ganhe força”, completou.

Para Ubiraci Espinelli, transformações passam pelo uso de elementos pré-fabricados no canteiro de obras
Para Ubiraci Espinelli, transformações passam pelo uso de elementos pré-fabricados no canteiro de obras

Industrialização é caminho sem volta

Reforçando os benefícios dos processos de industrialização, o professor da Poli-USP, Ubiraci Espinelli, destacou o quanto a opção por pré-fabricados torna o processo mais rápido, econômico e sustentável. “O uso de pré-moldados não obriga que as construções sejam padronizadas ou sem diferencial criativo”, ressaltou, tendo sua opinião reforçada pelo vice-presidente de tecnologia e qualidade do SindusCon-SP, Jorge Batlouni, que mediou o debate. “Essas discussões fortalecem a ideia de que a industrialização só traz benefícios para o setor”, asseverou.

Walter Cover resumiu o atual momento da construção civil nacional como “a necessidade de sair da área de conforto”. Ou, nos momentos atuais, zona de desconforto. “Tudo passa por investir em melhores processos de produção para readquirir competitividade. Quando melhorarmos a produtividade, consequentemente a competitividade irá melhorar também. Assim, sairemos da área de conforto e buscaremos novas oportunidades, transformando o mercado da construção civil”, opinou.

Eduardo Zaidan: elevar a produtividade é desafio no Brasil
Eduardo Zaidan: elevar a produtividade é desafio no Brasil

Com a participação da comunidade acadêmica, o ConstruBR 2016 procurou unir iniciativa privada e escolas de engenharia para buscar soluções novas para a construção civil brasileira. “Juntos, vamos repensar o setor e buscar caminhos para uma indústria produtiva e competitiva. Só assim poderemos deixar um legado melhor para as novas gerações, ajudando os estudantes de hoje a se transformarem em atores de sucesso no futuro”, afirma o diretor da Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Antonio Muscat. Finalizando, o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, foi taxativo: “A nova realidade econômica impõe que sejam abertos novos caminhos.”

Entrevistados
José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP; Antonio Muscat, diretor da Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP); Jorge Batlouni, pelo vice-presidente de tecnologia e qualidade do SindusCon-SP; Ubiraci Espinelli, doutor em produtividade na construção da Poli-USP e Pennsylvania State University; Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), e Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do SindusCon-SP (todos palestrantes no ConstruBR 2016)

Contato: eventos@sindusconsp.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/ConstruBR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fôrmas para parede de concreto protagonizam na Bauma

Equipamentos mostrados na feira alemã revelam o quanto evoluíram. Agora, podem atender de casas a arranha-céus com até 150 pavimentos

Por: Altair Santos

As empresas que fabricam fôrmas para paredes de concreto foram as protagonistas na Bauma 2016, que aconteceu de 11 a 17 de abril em Munique, na Alemanha. Entre as inovações, estavam fôrmas para construir arranha-céus com até 150 pavimentos. Elas suportam 40 toneladas de carga e vêm com adaptadores para aguentar os braços dos lançadores de concreto.

Fôrma com aquecimento para ajudar na cura do concreto em regiões com inverno intenso
Fôrma com aquecimento para ajudar na cura do concreto em regiões com inverno intenso

Outra novidade: fôrmas com sistema de aquecimento, que ajudam na cura do concreto em temperaturas congelantes. Além disso, as fôrmas multifuncionais também ganharam destaque. Elas podem ser usadas para construir de casas a edifícios de até 20 pavimentos. Sem contar as fôrmas de plástico, cada vez mais em uso na Europa.

“Fôrmas inteligentes” também chamaram a atenção na Bauma. Esse modelo mede em tempo real quando o concreto atinge a resistência para a desforma. O sistema envia dados através de um aplicativo. A mesma fôrma também evita desperdício. Durante a concretagem, ela emite sinais de alerta quando está prestes a ser completada pelo material, o que possibilita a redução do fluxo da betoneira, evitando o risco de transbordamento. Todos os equipamentos, garantem os fabricantes, estão adequados à norma técnica DIN EN 12812, que define critérios para o uso de fôrmas na construção civil europeia. No Brasil, a norma que trata do tema é a ABNT NBR 14931:2014 - Execução de estruturas de concreto - Procedimento.

Software BIM executa o projeto já com a modelagem das fôrmas
Software BIM executa o projeto já com a modelagem das fôrmas

Mas as surpresas na Bauma foram além no que se refere às fôrmas para concretagem. Elementos fabricados por impressoras 3D, vinculados a projetos elaborados por meio do sistema BIM, também já são possíveis. O software define os vários planos de uma obra, como sistemas elétricos e hidráulicos, e as fôrmas podem ser impressas de acordo com o projeto, já prevendo todos os pontos para encanamento e passagem de conduítes. Nesta tecnologia, as fôrmas utilizam o plástico como material para a impressão. “Já saímos daqui com fila de encomendas”, disse Jürgen Obiegli, presidente do conselho-executivo da Doka, fabricante austríaco de fôrmas, e que expôs na Bauma.

A feira

A Bauma é atualmente a feira relacionada à cadeia produtiva da construção civil que mais atrai público no mundo. Em sete dias, ele recebeu 580 mil visitantes de 200 países. Realizada de três em três anos, a edição de 2016 teve um crescimento de 9% no número de visitas em relação a 2013. As nações com maior número de pessoas que foram à Bauma são Áustria, Suíça, Itália, França, Holanda, Reino Unido, Suécia, Rússia, Polônia e República Tcheca. Em relação aos expositores, empresas de 58 países mostraram seus produtos na feira alemã. Ao todo, havia 3.423 expositores -1.263 da Alemanha e 2.160 de outros países. Em sua 31ª edição, a Bauma é citada como o principal evento do planeta para se apresentar novidades relacionadas a máquinas, veículos e outros equipamentos para a construção civil. A próxima feira vai acontecer de 8 a 14 de abril de 2019, sempre em Munique.

Fôrmas de plástico começam a dominar o mercado europeu
Fôrmas de plástico começam a dominar o mercado europeu

Entrevistado
Messe München GmbH, empresa organizadora da Bauma (via assessoria de imprensa)
Contato: info@messe-muenchen.de

Créditos Fotos: Divulgação/Bauma2016

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Anamaco cria loja-conceito para pequenos varejistas

Espaços entre 150 m² e 500 m² têm que priorizar arrumação dos produtos, comunicação visual, precificação e cartazeamento para atrair consumidor

Por: Altair Santos

A Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção) aproveitou a 22ª edição da Feicon Batimat, que aconteceu de 12 a 16 de abril, na cidade de São Paulo, para apresentar um novo conceito de loja de material de construção. O objetivo é estimular os revendedores a viabilizar um estabelecimento que desperte a vontade de comprar no consumidor.

Loja precisa interagir com o consumidor, inclusive através da internet
Loja precisa interagir com o consumidor, inclusive através da internet

Dentro da feira, em um estande de 150 m², foi montada uma “degustação” da loja-conceito da Anamaco, que já tem um protótipo funcionando na capital paulista. Chamado de projeto “Loja 4D”, ele aposta na interatividade. Estrategicamente, cada setor do local tem produtos correlatos. Assim, na área de cerâmicas e porcelanatos estão disponíveis argamassas e ferramentas usadas nesse tipo de obra. Outra novidade do espaço é encurtar o trajeto do consumidor. Se ele entra na loja para comprar materiais elétricos, a loja aponta a área específica.

Para os estabelecimentos que estejam funcionando, e queiram se submeter à transformação, o projeto da Anamaco inicia o trabalho estudando integralmente o espaço, passando por piso, paredes e iluminação. Em seguida, mobiliário, equipamentos, arrumação dos produtos, comunicação visual, precificação e cartazeamento. O projeto “Loja 4D” é voltado para varejistas que possuam lojas entre 150 m² e 500 m².

Antes de implantar a mudança, a Anamaco também recomenda que seja traçado um perfil do consumidor e do entorno onde o estabelecimento está localizado. O objetivo não é elitizar a loja, nem transformá-la em uma “butique de materiais para construção”. Pelo contrário, a meta é torná-la um ponto que ofereça bons produtos para todo tipo de público, mas levando em consideração, por exemplo, o autosserviço e a influência da internet na decisão de compra do consumidor.

Perfil do consumidor
A loja-conceito foi idealizada pelos escritórios de arquitetura Candossim & Cabana e Design Novarejo. O nome “Loja 4D” faz uma alusão ao fato de o projeto ser implementado em quatro dias, mas também corresponde à quarta dimensão, que é a da realidade do local. “As soluções não estão sendo propostas em uma realidade virtual ou aumentada, elas saem do papel e se concretizam nesses quatro dias”, explica Marcos Morrone, sócio-diretor da Design Novarejo.

Depois que a Loja 4D é montada, o estabelecimento ainda pode desenvolver outros módulos do projeto, de acordo com a pesquisa e o diagnóstico feitos sob medida. “Há, também, uma medição de fluxo de passantes, feitas através da rede wi-fi. Ela analisa o número de pessoas não apenas na frente da loja, mas também dentro do estabelecimento, por onde elas circulam e se elas finalizam a compra ou não. Isso é medido antes e depois que o projeto é finalizado, para analisar sua efetividade”, completa Marcos Morrone.

A Loja 4D também conta com o apoio da Escola do Varejo Anamaco. Para os lojistas é uma grande oportunidade de conhecer mais sobre os produtos e as novidades em materiais para a exposição de produtos, como estandes, displays em diversas dimensões, comunicação visual e mídia auditiva. Além disso, são oferecidos cursos de aperfeiçoamento, que contribuem para a profissionalização de vendedores e promotores do pequeno e médio varejo. “A Escola do Varejo Anamaco preenche uma das principais lacunas quando se fala em qualificação especializada e formação de mão de obra no nosso mercado”, garante o presidente da associação, Cláudio Conz.

Veja o vídeo sobre a loja-conceito da Anamaco:

Entrevistado
Cláudio Conz, presidente da Anamaco, e arquiteto Marcos Morrone, sócio-diretor da Design Novarejo
Contatos
gerencia.escoladovarejo@anamaco.com.br
presidencia@anamaco.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Anamaco

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

UFSCar busca soluções inovadoras à construção civil

Universidade realiza workshop e debate uso de resíduos em concretos e argamassas, gestão em canteiros de obras e futuro da engenharia civil

Por: Altair Santos

No dia 31 de março, o Programa de Pós-graduação em Estruturas e Construção Civil (PPGECiv) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, promoveu workshop para debater inovações que abrangessem gestão, materiais, sistemas construtivos e o profissional da engenharia civil. Organizado pelo coordenador do departamento de engenharia civil da UFSCar, Guilherme Aris Parsekian, o encontro reuniu mestrandos, doutorandos, docentes e graduandos. O evento também apresentou o que está em desenvolvimento fora do país, através de parcerias com outras universidades.

Workshop realizado dia 31 de março de 2016 reuniu mestrandos, doutorandos, docentes e graduandos
Workshop realizado dia 31 de março de 2016 reuniu mestrandos, doutorandos, docentes e graduandos

Segundo a mestra em estruturas e construção civil, e doutoranda na área de sustentabilidade das construções e materiais da UFSCar, Ludimilla Zeule, a lista de pesquisas surpreendeu. A abordagem envolveu os seguintes temas:
- Gestão e desenvolvimento da sustentabilidade em canteiros de obras
- Instalações provisórias do canteiro de obras
- Norma de Desempenho
- Avaliação do ciclo de vida de produtos
- Análise de patologias em sistemas prediais
- Planejamento através do lean construction
- Mapeamento de fluxo de valor
- Sistemas construtivos inovadores como light steel frame
- Concretos e argamassas produzidos com resíduos de outras indústrias
- Segurança
- Saúde
- Ergonomia e qualidade no trabalho da construção

Ludimilla Zeule: além de inovações, workshop debateu também os dilemas da construção civil nacional
Ludimilla Zeule: além de inovações, workshop debateu também os dilemas da construção civil nacional

Ludimilla Zeule, que contribuiu na organização do workshop, afirmou que o sucesso do encontro já motiva outros eventos, inclusive com a participação de mais universidades. “Provavelmente virão outros, talvez com abordagens e público diversos, assim como outras universidades”, diz, destacando que a amplitude cada vez maior da engenharia civil exige que as universidades estejam preparadas para atender essas demandas. Para tal, mostrar o que é feito em escolas de engenharia fora do país é fundamental. Foi o que fez o workshop, revelando estudos realizados em universidades do Canadá, dos Estados Unidos e da Espanha.

No caso canadense, foram apresentadas pesquisas sobre argamassas que utilizam resíduos. Já os espanhóis têm desenvolvido sistemas que abrangem equipamentos de proteção coletiva (EPC), enquanto a Universidade de Berkley, nos Estados Unidos, estuda novos métodos de tomadas de decisão em canteiros de obras. Mas na UFSCar também surgem projetos inovadores, principalmente os voltados para o desenvolvimento de sistemas estruturais.

Neste segmento, os estudos apresentados no workshop foram:
- Comportamento da ligação parede-viga de alvenaria estrutural
- Aplicação de sistemas construtivos híbridos para edifícios multipavimentos
- Modelagem numérica e análise paramétrica da ligação mista viga-pilar preenchido com chapa passante
- Verificação das estruturas pré-moldadas em situação de serviço
- Dimensionamento geométrico e estrutural de sapatas isoladas em concreto armado

Todas essas pesquisas, projetos e inovações apresentadas no workshop da UFSCar não impediram que os debates caminhassem para identificar os dilemas e apontar soluções à construção civil brasileira. “Ainda que se percebam avanços, os dilemas, todos sabemos quais, são: falta de planejamento, má gestão, preocupação apenas com custo e prazo. É preciso que os envolvidos no setor entendam a importância do planejamento antecipado para depois executar. Isso será atingido usando ferramentas para controle de gestão, práticas de sustentabilidade, qualidade e tecnologia. Não são gastos, mas investimentos necessários para o desenvolvimento do setor”, alerta Ludimilla Zeule.

Entrevistada
Engenheira civil Ludimilla Zeule, mestra em estruturas e construção civil e doutoranda na área de sustentabilidade das construções e materiais, pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Contato: zeule.eu@gmail.com

Créditos Fotos: Divulgação/PPGECiv

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Nova ABNT NBR 14859: o que muda nas lajes pré-fabricadas?

Estruturas pré-moldadas, além de vigotas, elementos de enchimento e demais complementos adicionados na obra devem ter a segurança como prioridade

Por: Altair Santos

Foi publicada em 21 de janeiro de 2016 a nova ABNT NBR 14859:2016, partes 1, 2 e 3, que fixa os requisitos para o recebimento e utilização de componentes de lajes pré-fabricadas (vigotas, elementos de enchimento e demais complementos adicionados na obra) em qualquer tipo de edificação.

Lajes e vigotas precisam seguir conceitos mais rígidos de qualidade e segurança
Lajes e vigotas precisam seguir conceitos mais rígidos de qualidade e segurança

A ABNT NBR 14859:2016 extraiu, de um conjunto de normas, dispositivos que melhoram a qualidade e a segurança para a produção dos elementos pré-fabricados, dos quais ela trata. É o que explica José Bento Ferreira, que coordena a Comissão Especial de Estudos 94 da ABNT (ABNT CEE-94), encarregada da elaboração desta norma técnica.

Na entrevista a seguir, o engenheiro civil explica as mudanças que a nova norma deve causar na fabricação, no manuseio e na instalação de lajes pré-fabricadas. Confira:

Quais as principais mudanças trazidas pela ABNT NBR 14859:2016, parte 2, na fabricação de lajes pré-fabricadas?
Na verdade, trata-se de um conjunto de normas que, por terem um objetivo comum, foram englobadas sob um único número de identificação, sendo divididas em partes, conforme a sua função no conjunto. Atualmente estão em vigor as três primeiras partes, sendo que a primeira trata dos componentes pré-fabricados para lajes, a segunda dos elementos inertes de enchimento e fôrma, e a terceira trata das armaduras eletrossoldadas, utilizadas na fabricação dos elementos pré-fabricados. Estão previstas ainda outras três partes, que terão as seguintes abordagens: modelos de cálculo específicos para esses elementos estruturais, ensaio dos componentes pré-fabricados sob carga de trabalho e especificações das fôrmas para a fabricação dos componentes pré-fabricados. A forma como essas partes foram estruturadas teve como objetivo simplificar a consulta aos textos e o seu entendimento. Houve ainda uma revisão e atualização dos conceitos, e um melhor alinhamento com as normas de referência.

Em termos de segurança para a obra, o que ela agrega?
Ela estabelece conceitos mais rígidos de qualidade e desempenho, assegurando a qualidade do produto final.

José Bento Ferreira, coordenador da norma: comissão foi constituída em 2008 e segue instalada
José Bento Ferreira, coordenador da norma: comissão foi constituída em 2008 e segue instalada

A norma técnica vale para todo tipo de laje pré-fabricada ou ela se restringe a alguns tipos de lajes?
Ela se aplica a lajes compostas por vigotas, minipainéis e painéis pré-fabricados, com a utilização de elementos inertes de enchimento e fôrma. Ela não é aplicável em lajes alveolares pré-fabricadas, normatizadas através da ABNT NBR 14861, cujo texto revisado está em vigor desde 2011.

Os fabricantes de lajes pré-fabricadas já estão autorizados a adotar a nova norma técnica?
Toda norma é aplicável a partir da sua publicação, a não ser quando existe alguma determinação específica em contrário, quando é necessário um período de ajuste, o que não é o caso. Note-se que não se trata de autorização, mas sim de acesso às informações contidas nos textos da norma para se proceder à adequação dos produtos às novas especificações.

Como ocorre a comunicação para que os fabricantes espalhados no país sejam orientados a seguir a nova norma?
Normalmente essa informação é transmitida a eles pelos fabricantes e pelas entidades de classe, que os representam dentro da comissão que elaborou os textos, no caso a ABNT CEE 94 (Comissão Especial de Estudos 94 da ABNT). Os Programas Setoriais da Qualidade também têm um papel fundamental na difusão das informações.

Quanto tempo levou a elaboração da norma?
A comissão foi constituída em março de 2008, e ainda não encerrou os trabalhos.

Quantas pessoas e entidades atuaram em sua elaboração?
Direta ou indiretamente foram mais de 60 pessoas envolvidas, sendo convidadas a participar mais de 50 entidades, entre produtores, consumidores e neutros.

Quais foram os pontos da norma que exigiram mais discussões, e por quê?
Por se tratar de uma revisão de um conjunto de normas já publicadas, visando a sua atualização, foram discutidos todos os aspectos relevantes, como o atendimento às normas de referência atualizadas, definições, modularidade, componentes e modelos de cálculo.

Essa é uma norma nova, que não existia no portfólio, ou ela substitui alguma mais antiga?
A ABNT NBR 14859, partes 1, 2 e 3, editadas em 2016, substitui um conjunto mais antigo, publicado em 2002, composto pela ABNT NBR 14859, partes 1 e 2 (lajes unidirecionais e requisitos). Há ainda a ABNT NBR 14860, partes 1 e 2 (laje pré-fabricada - Pré-laje – Requisitos) e a ABNT NBR 14862 (Armaduras treliçadas eletrossoldadas – Requisitos). Posteriormente, será substituída a ABNT NBR 15522 (laje pré-fabricada - Avaliação do desempenho de vigotas e pré-lajes sob carga de trabalho).

Que salto de qualidade a norma pretende dar às lajes pré-fabricadas?
Desde 2002, com a edição das primeiras normas sobre lajes pré-fabricadas, tem sido feitos ensaios laboratoriais de todos os componentes. Isso permitiu uma observação mais refinada do comportamento estrutural. Assim, quando começaram os trabalhos da comissão em 2008, havia gama de conhecimentos para a elaboração dos textos iniciais. Somaram a isso os conceitos de qualidade e desempenho trazidos pelos programas setoriais da qualidade e a experiência dos fabricantes, consumidores e laboratórios, sejam independentes ou ligados a instituições de ensino e pesquisa. Com isso, foi possível criar, a partir dos textos originais, novos textos, onde a qualidade final do produto e a segurança para o consumidor foram os itens privilegiados.

Entrevistado
Engenheiro civil José Bento Ferreira, professor da Unesp, no campus de Guaratinguetá-SP, e coordenador da Comissão Especial de Estudos 94 da ABNT (ABNT CEE-94)
Contato: comunicacao@abnt.org.br

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330