Certificação mede impacto da obra na saúde das pessoas
Prédios verdes têm que ir além do uso de materiais e sistemas construtivos sustentáveis. Eles precisam comprovar que proporcionam qualidade de vida
Por: Altair Santos
O Green Building Certification Institute (GBCI) está dando um passo à frente no modelo de certificação. Além da qualidade da obra, ele agora quer medir o impacto da construção na saúde das pessoas que utilizam os prédios com selo LEED. Para isso, foi lançada recentemente a certificação WELL, em parceria com o International WELL Building Institute (IWBI). Ela oferece parâmetros para que construtoras e incorporadoras projetem espaços que promovam qualidade de vida, bem como o aumento de produtividade e conforto dos usuários.

A certificação WELL tem validade de três anos. Após esse período, é necessário submeter à certificação novamente. Todo esse processo é responsável por desafiar arquitetos, engenheiros civis e designers a olharem não somente para o meio ambiente, mas também para as particularidades do ambiente construído, e que impactam diretamente na saúde e bem-estar das pessoas. “A importância da certificação WELL é trazer à tona essa necessidade de reinventar os edifícios, de forma que o usuário seja colocado em primeiro lugar”, avalia Paul Scialla, diretor do IWBI.
A certificação WELL baseia-se em sete categorias, com destaque para a qualidade da água, qualidade do ar, qualidade da luz e confortos térmicos e acústicos. Segundo os certificados, um olhar atento para estes conceitos mostra que eles são significativamente relevantes em um edifício, uma vez que as pessoas passam 90% do tempo em ambientes construídos. “Em edifícios habitacionais, a certificação WELL pode ajudar a melhorar o humor e os padrões de sono. Já em prédios comerciais, ela tende a aumentar a produtividade, fortalecer os esforços de responsabilidade corporativa e reduzir o absenteísmo (faltas no trabalho)”, explica Paul Scialla.
Nenhum prédio no Brasil
Atualmente, mais de 80 edifícios, com cerca de 2 milhões de m² e localizados em 12 países, já possuem a certificação WELL ou encontram-se registrados e em fase de desenvolvimento. Boa parte destes empreendimentos - cerca de 90% - são edifícios corporativos. No Brasil, ocorreu apenas o registro de um projeto na GBC Brasil, mas sem prazo para que entre em fase de execução. “Avaliamos que a certificação permite agregar ao projeto um elevado potencial comercial, fruto da redução de despesas no longo prazo, tanto na melhoria da saúde das pessoas quanto com relação à vida útil do edifício”, estima o diretor do IWBI.

O primeiro prédio do mundo a obter a certificação LEED-WELL foi a sede da CBRE (Commercial Real Estate Services), na Califórnia - Estados Unidos. Desde que a edificação ficou pronta e foi habitada, o IWBI passou a monitorar o comportamento dos usuários. No primeiro relatório, divulgado em 2015, as primeiras conclusões foram as seguintes: 83% dos ocupantes disseram sentir-se mais produtivos e 92% informaram que o novo espaço de trabalho criou efeitos positivos na sensação de bem-estar.
Lançada em 2013, a certificação WELL é fruto de sete anos de pesquisas, contando com a participação de engenheiros civis, arquitetos, designers e profissionais da medicina.
Entrevistado
Paul Scialla, diretor do IWBI e CEO da Delos, empresa com sede em Nova York especializada em medir o bem-estar das edificações
Contato: info@wellcertified.com
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Metrô do Catar é obra que mais acelera no mundo
Principal empreendimento para a Copa do Mundo de futebol de 2022 está com o cronograma avançado e deve ficar pronto três anos antes do previsto
Por: Altair Santos
Em 2010, quando o Catar foi eleito país-sede para a Copa do Mundo de futebol de 2022, foi anunciada, além das obras dos estádios, a construção simultânea de quatro linhas de metrô para atender 400 mil passageiros/dia. A pedra-fundamental do empreendimento foi lançada em 2012, com prazo para que ficasse pronto em 2022. Quatro anos depois, o cronograma já está antecipado e a obra tem nova data para ser totalmente inaugurada: 2019. A previsão é de que ao final de 2016 comecem a operar as primeiras duas linhas. Atualmente, nenhuma obra desta envergadura anda tão rápido.

Dois motivos fazem a construção do metrô do Catar avançar em velocidade espantosa: recursos fartos e um conjunto de empreiteiras internacionais especializadas em projetos e em execução de megaobras. O empreendimento está avaliado em US$ 24 bilhões (cerca de R$ 96 bilhões) e o consórcio reúne construtoras árabes, australianas e europeias (inglesas, italianas e alemãs). O conjunto de empresas foi escolhido por dominar a construção de metrôs escavados em terrenos com pouca estabilidade, como é o caso do Catar. O tipo de obra exigiu escavações mais profundas e volumes gigantescos de concreto.
São 25 tuneladoras - Tunnel Boring Machine (TBM) - operando simultaneamente, e atuando a profundidades entre 20 metros e 30 metros (quatro na Red Line North, cinco na Red Line South, dez para Green Line e seis na Gold Line). Elas escavam e já revestem o túnel com concreto jateado, para estabilizar o terreno. Em seguida, são aplicadas as aduelas pré-fabricadas de concreto para dar acabamento aos túneis. Em trechos abertos são utilizados superguindastes para assentar as peças, a fim de formar os corredores do metrô e, sobre as quais, serão construídas grandes avenidas.

Números superlativos
O volume de concreto empregado na obra é de 3,5 milhões de m³. Há 32 usinas operando 24 horas por dia, para produzir concreto de alto desempenho. Quatro fabricantes de cimento fornecem material para o metrô do Catar. O empreendimento está consumindo também 80 mil toneladas de aço. Mais um número superlativo é a quantidade de operários empregada na obra. Em 2016, quando a construção encontra-se no pico, são aproximadamente 5 mil trabalhadores. Já houve cerca de 600 mortes, que levaram o Catar a ser denunciado na OIT (Organização Internacional do Trabalho) por não cuidar da segurança dos operários.
As quatro linhas de metrô envolvem 76 quilômetros. O mais longo é o trecho que atravessa o Catar de norte a sul, conhecido como Red Line North e Red Line South. São 40 quilômetros, que contarão com 18 estações e que devem atender 280 mil passageiros por dia. A Green Line é o segundo trecho mais longo. Envolve 22 quilômetros, com 11 estações para atender 140 mil pessoas por dia. Já a Gold Line terá 14 quilômetros, com 11 estações e capacidade para 180 mil passageiros/dia. A estação de Msheireb será a principal do complexo do metrô, pois fará interligação com todas as quatro linhas.

O projeto do metrô não para após a Copa do Mundo de 2022. O Catar projeta uma quinta linha de 32 quilômetros até 2026, que será interligada a um trem de alta velocidade com 230 quilômetros extensão, e que também já está em construção.
Entrevistado
Qatar Rail, empresa que gerencia o consórcio do metrô do Catar (via departamento de comunicação)
Contato:
Info@qr.com.qa
Créditos Fotos: Divulgação/Qatar Rail
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

São Paulo terá torre de 135 metros em “ilha urbana”
Empreendimento conta com a assinatura do arquiteto Daniel Libeskind, conhecido por atuar na reconstrução do novo World Trade Center, em Nova York
Por: Altair Santos
A construtora e incorporadora JHSF pretende construir um shopping center em uma ilha artificial no rio Pinheiros, na cidade de São Paulo. O projeto já ganhou aval da prefeitura paulistana e será erguido na zona sul da cidade. O empreendimento terá um centro comercial de quatro andares acoplado a um edifício de escritórios com 135 metros de altura. Envidraçada, a torre será construída sobre uma ilha de 15,3 mil m², que foi arrematada por R$ 16,1 milhões pela construtora.

Desde 2012, a JHSF tenta viabilizar o empreendimento, que irá se chamar JHSF Tower. A expectativa é de que o projeto executivo comece ainda em 2016. Para a instalação do canteiro de obras, a construtora precisa oferecer contrapartida ambiental e apresentar um plano de mobilidade urbana para construir uma pista auxiliar na Marginal Pinheiros, que permita o acesso ao edifício. Essa extensão da avenida tem a aprovação da Câmara Técnica de Legislação Urbanística (CTLU), ligada à prefeitura de São Paulo.
O empreendimento, no entanto, enfrenta resistência de associações ambientais, que recorreram ao ministério público de São Paulo para inviabilizar a obra. A alegação é que o edifício deverá causar a derrubada de 62% das árvores localizadas na ilha. Entre elas, 29 exemplares nativos, 91 exóticos e 18 eucaliptos e pinheiros. Os críticos também se apegam ao Código Florestal. Para eles, a área é de proteção permanente e não deveriam ser permitidas construções no local.
Concreto, aço e vidro
A JHSF assegura, através de nota à imprensa, que “firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o ministério público estadual, inclusive para agregar ao empreendimento um estacionamento com 3,8 mil vagas”. Sobre o projeto, a construtora, no entanto, procura manter sigilo. Até agora, o que se sabe é que será assinado pelo arquiteto polonês Daniel Libeskind, conhecido internacionalmente pelas formas irregulares e por investir em construções mistas que unem concreto, aço e vidro.
No final de 2015 foi exposta uma maquete, mas a JHSF não assegura que ela seja a definitiva. O que se sabe é que o estilo de Daniel Libeskind tende a se impor na obra. Radicado nos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o arquiteto de raízes judaicas não abre não do concreto aparente nas partes internas das edificações, principalmente no hall de entrada dos prédios que projeta. O pé-direito alto, com mais de 3 metros de altura também são características do arquiteto.
Daniel Libeskind está entre os arquitetos que atuaram na concepção do novo complexo de prédios do World Trade Center, em Nova York. Uma de suas marcas registradas – as fachadas envidraçadas – está presente no empreendimento. O JHSF Tower terá concepção parecida. Libeskind costuma dizer definir seus trabalhos com a seguinte frase: “Minha obra fala de vida a partir da catástrofe”. Ele também gosta que seus empreendimentos sirvam de referência para as cidades. É o conceito que pretende aplicar no JHSF Tower.
Entrevistado
Construtora e incorporadora JHSF (via assessoria de imprensa)
Contato: jhsf@A4COM.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/JHSF
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Pavimento de concreto agrega pista de painéis solares
Coladas sobre as estradas, as faixas fabricadas com silicone policristalino podem gerar energia para cinco mil pessoas a cada quilômetro
Por: Altair Santos
As rodovias com pavimento de concreto da Europa foram as escolhidas para receber uma nova tecnologia: faixas de painéis solares com 7 milímetros de espessura, fabricadas com silicone policristalino. Coladas sobre as estradas, elas podem gerar energia para cinco mil pessoas a cada quilômetro. O concreto é o material mais indicado, por refletir melhor a luz solar, ainda que o asfalto não tenha contraindicação.

A experiência começará na França, que pretende estender os painéis de silicone ao longo de mil quilômetros de rodovias. A invenção, batizada de Wattway, suporta veículos de grande porte, mas a iniciativa é o primeiro passo dado pelo governo francês para estimular a frota de carros movidos por energia elétrica.
“Há várias possibilidades, e essa de estimular uma frota de veículos limpos não pode ser descartada. Mas a prioridade é que, a cada quilômetro linear coberto pela película fotovoltaica, será possível atender cinco mil pessoas com energia elétrica”, ressalta Philippe Raffin, diretor-técnico da Colas – empresa francesa voltada à inovações na construção civil, e que desenvolveu o invento.
Raffin define a tecnologia como uma “estrada para o futuro”. Segundo o diretor da Colas, o formato de paralelepípedo das células fotovoltaicas é proposital. “Eles ajudam a integrar melhor o sistema e também interferem pouco na visibilidade dos motoristas, que estão acostumados com esse desenho na Europa”, justifica.
A invenção ganhou uma moção de apoio na COP21 – a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima -, sob a alegação de que a película de painéis solares ajudará o continente europeu a reduzir a emissão de carbono. Antes, a Colas precisa minimizar o custo das placas fotovoltaicas. Hoje, cada conjunto custa cerca de 5 mil euros.
Apoio da COP21
O peso é outro fator que coloca obstáculo na popularização do sistema. Cada conjunto de placas chega a 9 quilos, apesar da pouca espessura. “É uma tecnologia inovadora e, como tal, precisa superar processos até que se torne totalmente viável”, avalia Gaëtan Siew, presidente da comissão de cidades inteligentes da COP21.
A francesa Colas também quer intensificar os testes da película fotovoltaica em condições climáticas adversas, como chuva intensa e nevasca. “Estamos refinando a invenção, o que é natural”, reconhece o diretor de inovações da Colas, Christophe Lienard.
Outro aperfeiçoamento está relacionado à perda entre a energia captada e a efetivamente gerada. Nos primeiros testes, essa diferença variou de 6% a 10%. O objetivo é que a perda fique entre 3% e 4%, no máximo. “Não estamos falando de um sistema como o que estamos acostumados a ver nos telhados das casas. Estamos falando de algo inovador, uma membrana colada sobre a pista de concreto ou de asfalto. Não tenho dúvidas de que em uma década nossas estradas não serão mais as mesmas”, finaliza Christophe Lienard.
Entrevistados
Philippe Raffin, diretor-técnico da Colas, e Christophe Lienard, diretor de inovação da Colas (via departamento de comunicação)
Contato: communication@colas.fr
Crédito Foto: Divulgação/Colas
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Empresa familiar precisa ter estratégia como herança
Ao propagar seus conceitos e preparar os sucessores, empreendedor dá passo importante na direção da sustentabilidade e da longevidade do negócio
Por: Altair Santos
A tese de que empresas familiares não têm estratégias definidas não é verdadeira. Os empreendedores que formam as primeiras gerações de um negócio possuem, sim, projetos bem consolidados. Porém, os planos ficam em “suas cabeças”, o que não é o ideal.

A prática demonstra que o confinamento da estratégia pelo empreendedor faz com que a continuidade do negócio demande esforço adicional. “Uma avaliação mais detalhada do modelo de empresa familiar demonstra que cada empreendedor traçou uma ou várias estratégias, até que seu sonho fosse alcançado. Consolidada a empresa, ele segue calibrando as estratégias de acordo com o seu melhor julgamento, mas de forma isolada. Portanto, desconhecido dos demais. O ideal é que ele estruture o negócio para que seus sucessores entendam o DNA da empresa, possam absorvê-lo e tocá-lo adiante”, avalia Cláudia Tondo, coordenadora do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
Ao abrir seus conceitos e preparar os sucessores, o empreendedor está dando um passo importante na direção da sustentabilidade e da longevidade de seu negócio, independentemente do tamanho da empresa e do ramo de atividade. “A prática demonstra que a existência da estratégia apenas na cabeça do empreendedor faz com que a continuidade do negócio e das relações familiares demande um esforço adicional, já que é preciso estruturar o negócio, a família e o patrimônio. O desafio não é pequeno, mas o seu grau de dificuldade não exime ninguém de encará-lo. Desatar esse nó revela-se o verdadeiro desafio e, porque não, um grande estímulo”, alerta Robert Juenemann, conselheiro de administração do IBGC.
O especialista lembra que quando o empreendedor-sênior não prepara seus sucessores, sejam executivos familiares ou não-familiares, pode estar selando o futuro da empresa. Isso, normalmente, resulta na demora da companhia em modernizar-se ou, simplesmente, na venda do negócio.
Governança corporativa familiar
Uma solução para a empresa é adotar a governança corporativa familiar. Ela facilita a montagem de uma estrutura que permite o diálogo sobre assuntos essenciais para a continuidade dos negócios.
Entre eles, direcionar empreendimentos, formalizar objetivos e alinhar expectativas. “No ambiente da família, recomenda-se a criação de fóruns que estimulem o diálogo respeitoso sobre os temas importantes para seus membros e crie uma ponte entre as pessoas que compõem o topo da hierarquia empresarial. Na medida em que estes diálogos se estabelecem, os empreendedores acabam percebendo que outras pessoas também estão comprometidas para o sucesso e a continuidade dos negócios”, explica Claudia Tondo.
A coordenadora do IBGC ainda sugere que, para facilitar esse diálogo, o conselho familiar elabore uma agenda temática e inclua em sua pauta assuntos considerados relevantes para a prosperidade da empresa.
Por fim, Robert Juenemann acrescenta que estruturas de governança propiciam diálogos respeitosos e facilitam desatar nós que poderiam comprometer a estratégia da empresa familiar. “É muito comum encontrarmos membros da nova geração dizendo: precisamos fazer um planejamento estratégico. Por outro lado, membros da geração sênior ficam mudos em relação ao assunto, achando que isso é exagero de quem, em geral, estudou formalmente mais do que eles. E, aí, o nó entre as gerações não é desatado e quem pega o preço é a empresa”, diz, finalizando que uma estratégia transparente deve ser a principal herança das empresas familiares.
Saiba mais
Entre os dias 13 e 14 de abril, o IBGC estará em Curitiba, ministrando o curso Governança Corporativa em Empresas Familiares. Para mais informações, acesse o link:
http://www.ibgc.org.br/inter.php?id=19607/governanca-corporativa-em-empresas-familiares
Entrevistados
Cláudia Tondo, coordenadora-geral do Capítulo Sul do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)
Robert Juenemann, conselheiro de administração do IBGC
Contato: ibgc@planin.com
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Navios de concreto ajudaram a ganhar até guerras
Tecnologia perdeu a corrida para a indústria do aço, mas foi útil para a produção de embarcações, principalmente até a metade dos anos 1940
Por: Altair Santos
Entre 1942 e 1945, a escassez de aço levou Inglaterra e Estados Unidos a investirem na fabricação de navios usando concreto armado. Um exemplo foi o SS Arthur Talbot, lançado ao mar em 1943. Estaleiros especializados em fabricar embarcações de concreto proliferaram também por outros países, como a Holanda. Durante a Segunda Guerra Mundial, a própria marinha nazista fabricou embarcações de concreto.

Até 1969, um destes navios, que servia para transportar carvão mineral e abastecer a frota da Alemanha nos combates em alto-mar, estava ancorado no Rio de Janeiro. Rebatizada de Esmeralda, a embarcação foi arrematada em leilão por um comerciante português que fazia o transporte de bacalhau entre Porto, em Portugal, e o Rio Janeiro.
Mais tarde, o Esmeralda foi comprado por um empresário de Luanda, na África, para fins turísticos. Porém, sem receber manutenção, o navio acabou apresentando infiltrações e foi afundado propositadamente na costa do país africano. A citação faz parte de um estudo coordenado pelo professor de engenharia mecânica naval da Universidade Federal de Pernambuco, Juraci Nóbrega.
Recentemente, Nóbrega estimulou um grupo de alunos a construir uma canoa de concreto, usando um varão de ferro, tela de arame e cimento. O protótipo, desenvolvido em parceria com o programa de intercâmbio Brasil-França (Brafitec), foi apresentado como uma alternativa para os pescadores de baixa renda de Pernambuco, já que o custo da embarcação (R$ 600), comparado com canoas de madeira, é quase três vezes menor.

Estaleiro Kiptopeke
Porém, nada se iguala à produção em série de navios de concreto que operou até o início dos anos 1950 na cidade de Tampa, na Flórida-EUA. O estaleiro Kiptopeke especializou-se na fabricação deste tipo de embarcações para fins comerciais, transportando principalmente açúcar, café e minério entre os Estados Unidos, países do Caribe e da América do Sul.
Após a interrupção da fabricação de navios de concreto, o estaleiro Kiptopeke vendeu parte dos cascos para servir de quebra-mar ao longo das costas leste e oeste dos Estados Unidos e do Canadá. O auge da produção do estaleiro se deu entre 1945 e 1949, no pós-guerra, quando ainda havia escassez de aço para a produção de navios. O Kiptopeke chegou a empregar mais de duas mil pessoas.
No Brasil, alguns dos primeiros navios-plataformas da Petrobras para a exploração de petróleo em águas marinhas foram construídos em concreto. A tecnologia aperfeiçoou-se, mas nos anos 1960 começou a ser sufocada pela indústria do aço, mesmo parecendo mais segura. Segundo estudiosos, o Titanic não teria afundado, em 1912, se tivesse sido construído em concreto armado e se a tecnologia para fabricar navios de betão já existisse naquela época.

De acordo com o professor da UFPE, Juraci Nóbrega, atualmente a fabricação de embarcações de concreto se limita a pequenos barcos, principalmente no continente africano. “Na África, é comum a construção de barcos de concreto armado que pesam cerca de 500 quilos e conseguem transportar até 1,5 tonelada de carga”, afirma.
Entrevistado
Engenheiro mecânico e professor do curso de engenharia naval da Universidade Federal de Pernambuco, Juraci Nóbrega
Contatos
juraci.nobrega@ufpe.br
jccnobrega@gmail.com
Créditos Fotos: US Army/Divulgação/UFPE
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Linha 4 do metrô do Rio vira desafio olímpico
Maior obra de mobilidade urbana do país é estratégica para o evento que a cidade irá sediar em agosto. Mas será que fica pronta a tempo?
Por: Altair Santos
O trecho de 16 quilômetros entre Leblon e Barra da Tijuca é a futura Linha 4 do metrô da cidade do Rio de Janeiro. Trata-se da maior obra de mobilidade urbana para as Olimpíadas, e também do país. A previsão é de que entre em funcionamento no 1º de julho. Mas o cronograma se transformou em impasse. O governo federal, que financia o empreendimento, passou a fazer contingenciamento dos R$ 500 milhões necessários para finalizar as escavações e a instalação das estações. Até o começo de 2016 restavam 650 metros para que todo o trecho fosse escavado. Enfim, falta de recursos e cronograma cada vez mais apertado transformaram-se em desafio olímpico para a megaobra.

A ponto de a prefeitura do Rio, como forma de pressionar o desembolso do dinheiro que falta, chegar a anunciar em fevereiro de 2016 que já trabalhava um plano B para o caso de a Linha 4 não ficar pronta até os jogos olímpicos. A saída seria criar novos trajetos de BRT (Bus Rapid Transit) para atender o público que irá se deslocar entre o parque olímpico de Jacarepaguá e os cartões postais do Rio. No entanto, os dois consórcios de construtoras responsáveis pela obra garantem que a cidade não precisará de plano B. Segundo o mais recente relatório, divulgado dia 17 de março, 90% de toda a infraestrutura está construída. O trecho mais crítico das escavações se resume a 113 metros – ainda não concluídos.
Para Marcos Vidigal, diretor de contrato das obras de implementação da Linha 4 do Metrô do Rio, a complexidade da construção exige revisões diárias do projeto, para que o cronograma seja cumprido. “Trabalhamos com engenharia civil avançada, em um empreendimento de grande porte e alta complexidade, dentro de um centro urbano densamente povoado. A Linha 4 do Metrô é a maior obra de infraestrutura urbana em execução atualmente no Brasil. Por isso, nunca deixamos de buscar a excelência em nosso trabalho. Além disso, temos que sincronizar as diferentes frentes para que elas executem suas tarefas a contento. Estamos falando de 9.200 colaboradores atuando simultaneamente na obra”, resume.

Sob medida
Além de homens, há tecnologia de ponta envolvida no empreendimento. A máquina que cuida das escavações da obra foi importada da Alemanha e fabricada especificamente para as dimensões da Linha 4. O Tunnel Boring Machine (TBM) - apelidado de Tatuzão - tem 11,5 metros de diâmetro, o equivalente a um prédio de quatro andares, e 120 metros de comprimento. O equipamento pesa 27 mil toneladas. Conforme vai avançando, o TBM lança jatos de grout (argamassa de cimento) contra as paredes escavadas e assenta as aduelas de concreto, que formam a estrutura do túnel. São 22 mil peças pré-fabricadas para compor os 2,7 mil anéis que revestirão o trecho.
Quando pronta, estima-se que a Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro vá transportar, a partir de julho de 2016, mais de 300 mil pessoas por dia e retirar das ruas cerca de 2 mil veículos por hora. Com a nova linha, o passageiro poderá utilizar todo o sistema metroviário da cidade com uma única tarifa. Serão seis estações (Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz) ao longo dos 16 quilômetros de extensão. O empreendimento está a cargo do Consórcio Construtor Rio Barra (Queiroz Galvão, Odebrecht Infraestrutura, Carioca Engenharia, Cowan e Servix) e do Consórcio Linha 4 Sul (Odebrecht Infraestrutura, Queiroz Galvão e Carioca Engenharia).
Entrevistado
Engenheiro civil Marcos Vidigal, diretor de contrato das obras de implementação da Linha 4 do Metrô do Rio
Contato: atendimento.ccrb@ccrblinha4.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/Metrô Linha 4
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
China projeta 1º prédio com hortas em apartamentos
Como a população do país está se tornando cada vez mais urbana, arquitetura investe em protótipos de sustentabilidade, como o Agro-Housing
Por: Altair Santos
Assinado pelos arquitetos israelenses David Knafo e Tagit Klimor, um edifício projetado para a cidade de Wuhan, na China, pretende ser o primeiro a ter hortas em cada um dos andares. Batizado de Agro-Housing, o empreendimento busca um olhar mais atento às formas inovadoras de pensar sobre a urbanidade sustentável. É também a busca de uma solução para um problema que a China começa a enfrentar, e que tende a desafiar cada vez mais o país. Refere-se ao fato de que 50% da população chinesa (superior a 1 bilhão de pessoas) em breve estará vivendo em cidades, e não mais no campo.

A edificação, consideram os arquitetos que a idealizaram, é um passo à frente no conceito de prédio-verde. As varandas espaçosas são equipadas com estufas de dez metros quadrados cada uma. O sistema permite o plantio sem o uso de terra e a irrigação se dá por gotejamento, utilizando as águas pluviais coletadas a partir do telhado e da água reciclada dentro do próprio edifício. O modelo também possibilita a refrigeração natural dos apartamentos, minimizando ou dispensando integralmente o uso de ar-condicionado em determinadas épocas do ano. Wuhan, na China, é uma das cidades mais quentes do país.
Para David Knafo e Tagit Klimor, o conceito-inovador é também uma tentativa de antecipar mudanças de hábitos da sociedade. “Cultivando seus próprios alimentos em comunidades verticais, o morador melhora os laços com os vizinhos e se sente mais responsável pelo prédio onde mora. Além disso, o edifício inclui outras áreas verdes, tanto no telhado quanto nas áreas térreas”, explica Klimor. A dupla de arquitetos iniciou o projeto em 2007 e as obras começaram em 2012, com conclusão em 2016. Construtoras israelenses, norte-americanas e britânicas estão envolvidas no empreendimento.
O edifício é um protótipo e, desde que bem-sucedido, a ideia é transformá-lo em um bairro sustentável com 10 mil unidades. Com 11 pavimentos, o prédio é construído em sistema misto (estruturas de aço e concreto). O vidro e as fachadas ventiladas também são características do projeto. As plantas são flexíveis, o que permite que cada morador defina os espaços de seu apartamento. As únicas partes que não podem ser alteradas são os banheiros - pré-fabricados e encaixados dentro dos apartamentos. Essa foi a solução encontrada para garantir o bom funcionamento do sistema de tratamento das águas do banheiro, para ajudar na irrigação das hortas.
Confira o vídeo do Agro-Housing: https://vimeo.com/41623564
Agro-Housing / Knafo Klimor Architects from ArchDaily on Vimeo.
Entrevistados
Arquitetos David Knafo e Tagit Klimor, do escritório israelense Knafo Klimor Architects (via assessoria de imprensa)
Contato: office@kkarc.com
Crédito Foto: Divulgação/Knafo Klimor Architects
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Economia muda lista das 100 maiores construtoras
Empresas que operavam ancoradas no Minha Casa Minha Vida tiveram que se adaptar à nova realidade econômica e ajustar empreendimentos
Por: Altair Santos
A situação econômica do país rearranjou o ranking das 100 maiores construtoras do país, divulgado anualmente pela ITC Consultoria. Subiram na lista empresas que passaram a adotar modelos alternativos, como o consórcio de imóveis. Também consolidaram suas posições aquelas que mantiveram recursos para apostar no marketing do primeiro imóvel, mesmo com a redução no volume de recursos do Minha Casa Minha Vida. Neste caso, a opção para continuar atraindo compradores foi investir no financiamento próprio, como é o caso da MRV, que se manteve no topo da lista.
Segundo Viviane Guirao, consultora em pesquisa de mercado da ITC Consultoria, para compor a 12ª edição do ranking contabilizou-se 2.285 obras espalhadas em todo território nacional, nos segmentos residencial, comercial e industrial - exceto obras de infraestrutura. “Comparado ao período 2014-2015, foi verificado um declínio de 20%, em média, no volume de obras, o que resultou também na redução do total de metros quadrados individuais da maioria das construtoras, salvo algumas exceções”, disse a analista. O volume de m² das obras avaliadas chegou a 62 milhões.
Essa queda na quantidade de obras está diretamente relacionada com a desaceleração nos investimentos do Minha Casa Minha Vida. “Muitas obras do programa foram adiadas, ou até mesmo paralisadas, devido à falta de repasse dos recursos do governo federal. As construtoras que atuavam principalmente nesse segmento tiveram que se adaptar à nova realidade econômica e ajustar seus empreendimentos para um novo público”, comentou Viviane Guirao.
As que mais cresceram no ranking
Entre as empresas que mais avançaram casas no ranking está a Rodobens Negócios Imobiliários, que subiu 19 posições e alcançou a 12ª colocação. Fundada em São José do Rio Preto-SP, a construtora e incorporadora chegou à marca de 166 empreendimentos lançados em todo o Brasil e atua em 53 cidades de 11 estados brasileiros. São mais de 63 mil unidades construídas, somando 5,5 milhões de m². “Em um ano com cenário desafiador, como foi o de 2015, conquistar o 12º lugar entre as 100 maiores empresas do setor respalda nossa estratégia”, afirmou Amilton Nery, no dia da premiação, e que é diretor-comercial da Rodobens, cujo foco está nos consórcios para habitações populares.
Nenhuma construtora avançou tanto na recente edição do ranking das 100 maiores que o Grupo Pacaembu. A empresa opera no interior de São Paulo e subiu da 36ª para a 5ª posição. Sua expertise são unidades horizontais para população de baixa renda. Nenhuma casa custa mais de R$ 100 mil e todos os conjuntos habitacionais são iguais. A produção é em larga escala e a lucratividade se dá no volume de vendas. Desde o lançamento do Minha Casa Minha Vida, o Grupo Pacaembu já comercializou 41.949 unidades.
Foram políticas arrojadas e procedimentos anticíclicos que o ranking da Consultoria ITC detectou como os movimentos bem-sucedidos em 2015. No entanto, os analistas entendem como casos isolados. A maioria teve queda de produtividade e isso refletiu na perda de posições. Por isso, a ITC defende uma política urgente para a retomada do crescimento na construção civil. “Algumas ações já fariam a diferença, pois o setor é um dos pilares que sustentam a economia do país e há a necessidade de uma reação imediata do governo”, finaliza Viviane Guirao.
Confira aqui as 100 maiores construtoras do ranking
Veja aqui as vencedoras por categoria
http://rankingitc.com.br/categorias-vencedoras-ranking-itc-2015/
Entrevistada
Viviane Guirao, consultora em pesquisa de mercado da ITC (Inteligência Empresarial da Construção)
Contatos
viviane@itc.etc.br
marketing@itc.etc.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Mercado de imóveis de alto padrão está no paraíso
Construtoras e incorporadoras mudam o foco: passam a centralizar seus negócios em empreendimentos de luxo, onde as vendas nunca desaquecem
Por: Altair Santos
O segmento que envolve empreendimentos com valor superior a R$ 3 milhões por unidade corre por uma pista livre, diferentemente de outros setores do mercado imobiliário. Significa que as vendas seguem aquecidas, lastreadas principalmente pela cotação do dólar. Quem adquire esse tipo de residência tem suas economias em moeda estrangeira, sejam brasileiros ou estrangeiros. Por isso, construtoras e incorporadoras que atendem a esse público desconhecem a palavra crise. Para elas, os imóveis de alto padrão estão no paraíso.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, o volume de lançamentos de imóveis voltados para a classe média (Valor geral de venda [VGV] até R$ 1 milhão) fechou 2015 com queda de 38%. No entanto, os empreendimentos de luxo cresceram 20%, de acordo com dados do Secovi-SP (Sindicato da Habitação do estado de São Paulo). Em Curitiba, não é diferente. Relatório da Ademi-PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná) mostra que o número de lançamentos de edifícios superluxo praticamente dobrou na capital paranaense de 2014 para 2015, saltando de 12 para 22 empreendimentos.
De acordo com o diretor de Pesquisa de Mercado da Ademi-PR, Fábio Tadeu Araújo, de fato não há crise para esse segmento. “Trata-se de um padrão de imóvel que sofre menos o efeito das variações econômicas e financeiras no país, pois seu púbico comprador é menos dependente do financiamento habitacional”, explica. “Esse tipo de imóvel tem outra característica, que é a valorização consistente, ou seja, o metro quadrado não para de crescer”, completa Lucas Vargas, vice-presidente executivo do Viva Real - portal especializado em análises do mercado imobiliário.
Balneário Camboriú
Em algumas regiões do país, o m² do imóvel de alto padrão já se encontra na faixa de R$ 23 mil. É o que ocorre na cidade de Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Proporcionalmente ao tamanho de sua área (46,8 km²), o município é o que concentra o maior número de prédios superluxo do país. Entre 2014 e 2015, foram lançadas 2.832 unidades com esse perfil no local e, segundo dados do Secovi-SC, a possibilidade é que as vendas cheguem a 100% até o final do primeiro trimestre de 2016. Não é à toa que, em Balneário Camboriú, 22 construtoras e incorporadoras disputam acirradamente os terrenos disponíveis para erguer novos empreendimentos.
Como as áreas estão cada vez mais restritas, os construtores optam pela verticalização dos projetos. Resultado: Balneário Camboriú é hoje o município que concentra os prédios mais altos do Brasil. É também a região onde os principais escritórios de arquitetura do país e do mundo investem em projetos. Como o Pininfarina, que assina o Residencial Club Yatchouse, da construtora Pasqualotto & GT Empreendimentos. No local, o jogador Neymar, do Barcelona e da seleção brasileira de futebol, comprou duas unidades. Além das celebridades, os empresários do agronegócio dos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins estão também entre os que mais compram imóveis de alto padrão na cidade catarinense.
Veja a lista de construtoras que operam no setor de imóveis superluxo em Balneário Camboriú:
Embraed Empreendimentos, FG Empreendimentos, RV Empreendimentos, Ciaplan Empresarial, Cechinel Construtora, Procave, H-Pio Construtora, Carelli, Riviera Concept, J. A. Russi, Fórmula F-10, Venturin, Pasqualotto & GT Empreendimentos, Amores da Brava, San Remo, Mirage, Costa Esmeralda, Mendes Sibara, Grupo Brava Beach, Haras Rio do Ouro, Rogga, Marina Itajaí
Entrevistados
Fábio Tadeu Araújo, diretor de Pesquisa de Mercado da Ademi-PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná)
Lucas Vargas, vice-presidente executivo do Viva Real
Secovi-SP e Secovi-SC (via assessoria de imprensa)
Contatos
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Crédito Foto: Clio Luconi/Camboriú Alto Padrão








