STJ suspende ações envolvendo corretagem de imóveis

Tribunal tende a estabelecer uma nova maneira de composição dos contratos de compra e venda de imóveis, tornando mais clara a negociação

Por: Altair Santos

É recorrente nas transações imobiliárias que, do preço de venda do imóvel, o correspondente entre 5% e 6% seja destinado aos corretores imobiliários que atuam na negociação. Diante dessa situação, compradores insatisfeitos resolveram procurar o Judiciário e questionar a legalidade dessa prática por parte de construtoras e incorporadoras em repassarem ao consumidor a responsabilidade pelo pagamento da comissão de corretagem imobiliária. Esse impasse se dá, principalmente, na venda de imóveis novos, negociados nos plantões de vendas.

Código Civil reconhece a corretagem de imóveis, o que precisa ser definido é quem paga a comissão
Código Civil reconhece a corretagem de imóveis, o que precisa ser definido é quem paga a comissão

A alegação é que o interesse na venda dos imóveis é das construtoras, e o comprador não deve pagar por um serviço que, em tese, não teria contratado. Não tardou para a controvérsia ser levada para análise do Superior Tribunal de Justiça, que determinou, por 180 dias, a suspensão de todos os recursos ligados à matéria, até emitir um parecer que acabe com a insegurança jurídica em torno da questão. A medida do ministro-relator do processo, Paulo de Tarso Sanseverino, vale para todo o território nacional e envolve os processos que tenham como matéria a restituição dos valores pagos a título de comissão de corretagem.

Segundo o advogado Marcos Lopata, especialista em relações de consumo entre empresas e seus clientes, não há como prever qual será a decisão final do STJ sobre a matéria. “Já houve pronunciamentos judiciais em ambos os sentidos, tanto pela legalidade quanto pela ilegalidade da cobrança da taxa de corretagem. Assim, o STJ pretende uniformizar o entendimento sobre a validade ou não da cláusula que repassa ao consumidor a responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor. Mesmo não podendo prever qual será a decisão do STJ, acredito que ela levará em conta o interesse de ambas as partes, trazendo transparência às negociações e garantindo o bom desenvolvimento das atividades dos corretores de imóveis”, avalia.

Marcos Lopata; STJ deve pacificar as divergências
Marcos Lopata; STJ deve pacificar as divergências

Lopata explica também por que se chegou a essa situação de impasse. “Muitos consumidores não concordaram em pagar os valores de comissão de corretagem sobre seus imóveis, baseados na justificativa de quem contrata o corretor é quem deve pagar pelo serviço prestado. Já as construtoras afirmam que ofertam o imóvel por um preço certo ao consumidor e que não há incremento no valor a ser pago, apenas o desmembramento dos valores, direcionando de 5% a 6% do valor do imóvel aos corretores que intermedeiam a venda. Diante de tais posicionamentos, não havia consenso no Judiciário quanto à legalidade ou não da prática, o que ensejou a discussão perante o Superior Tribunal de Justiça”, afirma.

Corretagem é legal

Especialista em contencioso cível, a advogada Thaís Braga Bertassoni lembra que o Código Cível reconhece a prática da corretagem e que não é essa prestação de serviço que está em julgamento. “Não há como delimitar o exato motivo das reclamações, mas, ao que parece, os consumidores vislumbraram uma possibilidade de recuperar parte dos investimentos aplicados na compra de seus imóveis. No entanto, importante lembrar que o Código Civil em seu artigo 722 autoriza a prática da corretagem como uma prestação de serviço, ligando uma pessoa (jurídica ou física) à outra para a realização de um negócio. No que tange aos corretores de imóveis, a atividade, além de permitida pelo Código Civil, é também regulamentada pelo CRECI (Conselho Regional de Corretores de Imóveis)”, define.

Thaís Braga: não está em discussão a profissão do corretor
Thaís Braga: não está em discussão a profissão do corretor

Em se tratando de poder Judiciário brasileiro, o tempo de 180 dias pedido pelo STJ é considerado pequeno - o prazo vence em 16 de junho de 2016. Porém, um dos motivos que levaram o tribunal a paralisar os processos é que havia decisões muito diferentes, dependendo do estado em que as ações eram julgadas. “A interpretação não era uniforme. No Paraná, por exemplo, as decisões tendiam a beneficiar, em geral, os consumidores, entendendo que quem demandava diretamente o serviço de corretagem devia pagar por ele. Já em São Paulo, por outro lado, existem decisões que beneficiam os corretores, por entender que o valor final do imóvel não era alterado com a cobrança de tal valor, estando a comissão do corretor englobada no valor total de venda da unidade imobiliária”, diz Thaís Braga Bertassoni.

A expectativa é de que o STJ não defina um novo modelo de negociação de imóveis no Brasil, mas estabeleça uma nova composição de acordos de compra e venda de imóveis, delineando claramente o contrato de corretagem, onde serão descritos os serviços prestados e as cláusulas atinentes a preços e prazos. Os advogados especialistas também acreditam que a palavra final sobre esse impasse seja mesmo do STJ, não devendo, o caso, parar no STF (Supremo Tribunal Federal). “Ao STF cabe a guarda da Constituição Federal. Neste caso, o que o STJ fará é pacificar o entendimento jurisprudencial”, finaliza Marcos Lopata.

Entrevistados
Advogados Marcos Felipe Trindade Lopata e Thaís Braga Bertassoni, especialistas em relações de consumo entre empresas e seus cliente e contencioso cível

Contatos
mft@marinsbertoldi.com.br
tbb@marinsbertoldi.com.br

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção civil vai ao “divã” para não repetir erros

No ConstruBR 2016, setor  debate temas recorrentes, como investimentos em produtividade e construção industrializada, e também faz “mea culpa”

Por: Altair Santos

No evento ConstruBR 2016, que aconteceu dias 14 e 15 de abril, na cidade de São Paulo, a construção civil nacional aproveitou para fazer “análise” de seus equívocos para corrigir a rota quando o país voltar a crescer. Promovido pelo SindusCon-SP, o encontro debateu temas recorrentes no setor, como produtividade e construção industrializada, mas com um outro viés, e acompanhado da seguinte pergunta: por que não houve o investimento necessário nesses avanços quando a construção civil experimentava forte crescimento, entre 2003 e 2013?

Walter Cover, presidente da ABRAMAT: produtividade é um tema que precisa de mobilização do setor para ganhar força
Walter Cover, presidente da ABRAMAT: produtividade é um tema que precisa de mobilização do setor para ganhar força

Ao ir ao “divã”, o setor buscou achar respostas que o ajudem a reencontrar o crescimento sustentável, com base em novas tecnologias, fim dos desperdícios e uma mão de obra mais qualificada. "Em algum momento vamos sair dessa situação e o setor precisa se preparar para isso, melhorando gestão, processos e qualificar a mão de obra", disse o vice-presidente de economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, ao apresentar o estudo "O desafio de elevar a produtividade da construção no Brasil". Esse trabalho já foi tema de reportagem, sob o título Produtividade da construção civil brasileira decai. Resumidamente, a pesquisa mostra que a construção civil é, em média, 30% menos produtiva que outros segmentos da economia do país.

Zaidan lembrou que o Brasil tem características que freiam o aumento da produtividade, mas lembrou das responsabilidades do setor. “Sem organização, melhora na gestão e na qualificação de mão de obra esse quadro não se altera”, alertou. A afirmação foi reforçada pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover, que tratou da industrialização no canteiro de obras. “Os grandes vetores da produtividade estão em nossas mãos. Precisamos nos mobilizar melhor para que o assunto ganhe força”, completou.

Para Ubiraci Espinelli, transformações passam pelo uso de elementos pré-fabricados no canteiro de obras
Para Ubiraci Espinelli, transformações passam pelo uso de elementos pré-fabricados no canteiro de obras

Industrialização é caminho sem volta

Reforçando os benefícios dos processos de industrialização, o professor da Poli-USP, Ubiraci Espinelli, destacou o quanto a opção por pré-fabricados torna o processo mais rápido, econômico e sustentável. “O uso de pré-moldados não obriga que as construções sejam padronizadas ou sem diferencial criativo”, ressaltou, tendo sua opinião reforçada pelo vice-presidente de tecnologia e qualidade do SindusCon-SP, Jorge Batlouni, que mediou o debate. “Essas discussões fortalecem a ideia de que a industrialização só traz benefícios para o setor”, asseverou.

Walter Cover resumiu o atual momento da construção civil nacional como “a necessidade de sair da área de conforto”. Ou, nos momentos atuais, zona de desconforto. “Tudo passa por investir em melhores processos de produção para readquirir competitividade. Quando melhorarmos a produtividade, consequentemente a competitividade irá melhorar também. Assim, sairemos da área de conforto e buscaremos novas oportunidades, transformando o mercado da construção civil”, opinou.

Eduardo Zaidan: elevar a produtividade é desafio no Brasil
Eduardo Zaidan: elevar a produtividade é desafio no Brasil

Com a participação da comunidade acadêmica, o ConstruBR 2016 procurou unir iniciativa privada e escolas de engenharia para buscar soluções novas para a construção civil brasileira. “Juntos, vamos repensar o setor e buscar caminhos para uma indústria produtiva e competitiva. Só assim poderemos deixar um legado melhor para as novas gerações, ajudando os estudantes de hoje a se transformarem em atores de sucesso no futuro”, afirma o diretor da Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Antonio Muscat. Finalizando, o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, foi taxativo: “A nova realidade econômica impõe que sejam abertos novos caminhos.”

Entrevistados
José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP; Antonio Muscat, diretor da Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP); Jorge Batlouni, pelo vice-presidente de tecnologia e qualidade do SindusCon-SP; Ubiraci Espinelli, doutor em produtividade na construção da Poli-USP e Pennsylvania State University; Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), e Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do SindusCon-SP (todos palestrantes no ConstruBR 2016)

Contato: eventos@sindusconsp.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/ConstruBR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fôrmas para parede de concreto protagonizam na Bauma

Equipamentos mostrados na feira alemã revelam o quanto evoluíram. Agora, podem atender de casas a arranha-céus com até 150 pavimentos

Por: Altair Santos

As empresas que fabricam fôrmas para paredes de concreto foram as protagonistas na Bauma 2016, que aconteceu de 11 a 17 de abril em Munique, na Alemanha. Entre as inovações, estavam fôrmas para construir arranha-céus com até 150 pavimentos. Elas suportam 40 toneladas de carga e vêm com adaptadores para aguentar os braços dos lançadores de concreto.

Fôrma com aquecimento para ajudar na cura do concreto em regiões com inverno intenso
Fôrma com aquecimento para ajudar na cura do concreto em regiões com inverno intenso

Outra novidade: fôrmas com sistema de aquecimento, que ajudam na cura do concreto em temperaturas congelantes. Além disso, as fôrmas multifuncionais também ganharam destaque. Elas podem ser usadas para construir de casas a edifícios de até 20 pavimentos. Sem contar as fôrmas de plástico, cada vez mais em uso na Europa.

“Fôrmas inteligentes” também chamaram a atenção na Bauma. Esse modelo mede em tempo real quando o concreto atinge a resistência para a desforma. O sistema envia dados através de um aplicativo. A mesma fôrma também evita desperdício. Durante a concretagem, ela emite sinais de alerta quando está prestes a ser completada pelo material, o que possibilita a redução do fluxo da betoneira, evitando o risco de transbordamento. Todos os equipamentos, garantem os fabricantes, estão adequados à norma técnica DIN EN 12812, que define critérios para o uso de fôrmas na construção civil europeia. No Brasil, a norma que trata do tema é a ABNT NBR 14931:2014 - Execução de estruturas de concreto - Procedimento.

Software BIM executa o projeto já com a modelagem das fôrmas
Software BIM executa o projeto já com a modelagem das fôrmas

Mas as surpresas na Bauma foram além no que se refere às fôrmas para concretagem. Elementos fabricados por impressoras 3D, vinculados a projetos elaborados por meio do sistema BIM, também já são possíveis. O software define os vários planos de uma obra, como sistemas elétricos e hidráulicos, e as fôrmas podem ser impressas de acordo com o projeto, já prevendo todos os pontos para encanamento e passagem de conduítes. Nesta tecnologia, as fôrmas utilizam o plástico como material para a impressão. “Já saímos daqui com fila de encomendas”, disse Jürgen Obiegli, presidente do conselho-executivo da Doka, fabricante austríaco de fôrmas, e que expôs na Bauma.

A feira

A Bauma é atualmente a feira relacionada à cadeia produtiva da construção civil que mais atrai público no mundo. Em sete dias, ele recebeu 580 mil visitantes de 200 países. Realizada de três em três anos, a edição de 2016 teve um crescimento de 9% no número de visitas em relação a 2013. As nações com maior número de pessoas que foram à Bauma são Áustria, Suíça, Itália, França, Holanda, Reino Unido, Suécia, Rússia, Polônia e República Tcheca. Em relação aos expositores, empresas de 58 países mostraram seus produtos na feira alemã. Ao todo, havia 3.423 expositores -1.263 da Alemanha e 2.160 de outros países. Em sua 31ª edição, a Bauma é citada como o principal evento do planeta para se apresentar novidades relacionadas a máquinas, veículos e outros equipamentos para a construção civil. A próxima feira vai acontecer de 8 a 14 de abril de 2019, sempre em Munique.

Fôrmas de plástico começam a dominar o mercado europeu
Fôrmas de plástico começam a dominar o mercado europeu

Entrevistado
Messe München GmbH, empresa organizadora da Bauma (via assessoria de imprensa)
Contato: info@messe-muenchen.de

Créditos Fotos: Divulgação/Bauma2016

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Anamaco cria loja-conceito para pequenos varejistas

Espaços entre 150 m² e 500 m² têm que priorizar arrumação dos produtos, comunicação visual, precificação e cartazeamento para atrair consumidor

Por: Altair Santos

A Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção) aproveitou a 22ª edição da Feicon Batimat, que aconteceu de 12 a 16 de abril, na cidade de São Paulo, para apresentar um novo conceito de loja de material de construção. O objetivo é estimular os revendedores a viabilizar um estabelecimento que desperte a vontade de comprar no consumidor.

Loja precisa interagir com o consumidor, inclusive através da internet
Loja precisa interagir com o consumidor, inclusive através da internet

Dentro da feira, em um estande de 150 m², foi montada uma “degustação” da loja-conceito da Anamaco, que já tem um protótipo funcionando na capital paulista. Chamado de projeto “Loja 4D”, ele aposta na interatividade. Estrategicamente, cada setor do local tem produtos correlatos. Assim, na área de cerâmicas e porcelanatos estão disponíveis argamassas e ferramentas usadas nesse tipo de obra. Outra novidade do espaço é encurtar o trajeto do consumidor. Se ele entra na loja para comprar materiais elétricos, a loja aponta a área específica.

Para os estabelecimentos que estejam funcionando, e queiram se submeter à transformação, o projeto da Anamaco inicia o trabalho estudando integralmente o espaço, passando por piso, paredes e iluminação. Em seguida, mobiliário, equipamentos, arrumação dos produtos, comunicação visual, precificação e cartazeamento. O projeto “Loja 4D” é voltado para varejistas que possuam lojas entre 150 m² e 500 m².

Antes de implantar a mudança, a Anamaco também recomenda que seja traçado um perfil do consumidor e do entorno onde o estabelecimento está localizado. O objetivo não é elitizar a loja, nem transformá-la em uma “butique de materiais para construção”. Pelo contrário, a meta é torná-la um ponto que ofereça bons produtos para todo tipo de público, mas levando em consideração, por exemplo, o autosserviço e a influência da internet na decisão de compra do consumidor.

Perfil do consumidor
A loja-conceito foi idealizada pelos escritórios de arquitetura Candossim & Cabana e Design Novarejo. O nome “Loja 4D” faz uma alusão ao fato de o projeto ser implementado em quatro dias, mas também corresponde à quarta dimensão, que é a da realidade do local. “As soluções não estão sendo propostas em uma realidade virtual ou aumentada, elas saem do papel e se concretizam nesses quatro dias”, explica Marcos Morrone, sócio-diretor da Design Novarejo.

Depois que a Loja 4D é montada, o estabelecimento ainda pode desenvolver outros módulos do projeto, de acordo com a pesquisa e o diagnóstico feitos sob medida. “Há, também, uma medição de fluxo de passantes, feitas através da rede wi-fi. Ela analisa o número de pessoas não apenas na frente da loja, mas também dentro do estabelecimento, por onde elas circulam e se elas finalizam a compra ou não. Isso é medido antes e depois que o projeto é finalizado, para analisar sua efetividade”, completa Marcos Morrone.

A Loja 4D também conta com o apoio da Escola do Varejo Anamaco. Para os lojistas é uma grande oportunidade de conhecer mais sobre os produtos e as novidades em materiais para a exposição de produtos, como estandes, displays em diversas dimensões, comunicação visual e mídia auditiva. Além disso, são oferecidos cursos de aperfeiçoamento, que contribuem para a profissionalização de vendedores e promotores do pequeno e médio varejo. “A Escola do Varejo Anamaco preenche uma das principais lacunas quando se fala em qualificação especializada e formação de mão de obra no nosso mercado”, garante o presidente da associação, Cláudio Conz.

Veja o vídeo sobre a loja-conceito da Anamaco:

Entrevistado
Cláudio Conz, presidente da Anamaco, e arquiteto Marcos Morrone, sócio-diretor da Design Novarejo
Contatos
gerencia.escoladovarejo@anamaco.com.br
presidencia@anamaco.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Anamaco

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

UFSCar busca soluções inovadoras à construção civil

Universidade realiza workshop e debate uso de resíduos em concretos e argamassas, gestão em canteiros de obras e futuro da engenharia civil

Por: Altair Santos

No dia 31 de março, o Programa de Pós-graduação em Estruturas e Construção Civil (PPGECiv) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, promoveu workshop para debater inovações que abrangessem gestão, materiais, sistemas construtivos e o profissional da engenharia civil. Organizado pelo coordenador do departamento de engenharia civil da UFSCar, Guilherme Aris Parsekian, o encontro reuniu mestrandos, doutorandos, docentes e graduandos. O evento também apresentou o que está em desenvolvimento fora do país, através de parcerias com outras universidades.

Workshop realizado dia 31 de março de 2016 reuniu mestrandos, doutorandos, docentes e graduandos
Workshop realizado dia 31 de março de 2016 reuniu mestrandos, doutorandos, docentes e graduandos

Segundo a mestra em estruturas e construção civil, e doutoranda na área de sustentabilidade das construções e materiais da UFSCar, Ludimilla Zeule, a lista de pesquisas surpreendeu. A abordagem envolveu os seguintes temas:
- Gestão e desenvolvimento da sustentabilidade em canteiros de obras
- Instalações provisórias do canteiro de obras
- Norma de Desempenho
- Avaliação do ciclo de vida de produtos
- Análise de patologias em sistemas prediais
- Planejamento através do lean construction
- Mapeamento de fluxo de valor
- Sistemas construtivos inovadores como light steel frame
- Concretos e argamassas produzidos com resíduos de outras indústrias
- Segurança
- Saúde
- Ergonomia e qualidade no trabalho da construção

Ludimilla Zeule: além de inovações, workshop debateu também os dilemas da construção civil nacional
Ludimilla Zeule: além de inovações, workshop debateu também os dilemas da construção civil nacional

Ludimilla Zeule, que contribuiu na organização do workshop, afirmou que o sucesso do encontro já motiva outros eventos, inclusive com a participação de mais universidades. “Provavelmente virão outros, talvez com abordagens e público diversos, assim como outras universidades”, diz, destacando que a amplitude cada vez maior da engenharia civil exige que as universidades estejam preparadas para atender essas demandas. Para tal, mostrar o que é feito em escolas de engenharia fora do país é fundamental. Foi o que fez o workshop, revelando estudos realizados em universidades do Canadá, dos Estados Unidos e da Espanha.

No caso canadense, foram apresentadas pesquisas sobre argamassas que utilizam resíduos. Já os espanhóis têm desenvolvido sistemas que abrangem equipamentos de proteção coletiva (EPC), enquanto a Universidade de Berkley, nos Estados Unidos, estuda novos métodos de tomadas de decisão em canteiros de obras. Mas na UFSCar também surgem projetos inovadores, principalmente os voltados para o desenvolvimento de sistemas estruturais.

Neste segmento, os estudos apresentados no workshop foram:
- Comportamento da ligação parede-viga de alvenaria estrutural
- Aplicação de sistemas construtivos híbridos para edifícios multipavimentos
- Modelagem numérica e análise paramétrica da ligação mista viga-pilar preenchido com chapa passante
- Verificação das estruturas pré-moldadas em situação de serviço
- Dimensionamento geométrico e estrutural de sapatas isoladas em concreto armado

Todas essas pesquisas, projetos e inovações apresentadas no workshop da UFSCar não impediram que os debates caminhassem para identificar os dilemas e apontar soluções à construção civil brasileira. “Ainda que se percebam avanços, os dilemas, todos sabemos quais, são: falta de planejamento, má gestão, preocupação apenas com custo e prazo. É preciso que os envolvidos no setor entendam a importância do planejamento antecipado para depois executar. Isso será atingido usando ferramentas para controle de gestão, práticas de sustentabilidade, qualidade e tecnologia. Não são gastos, mas investimentos necessários para o desenvolvimento do setor”, alerta Ludimilla Zeule.

Entrevistada
Engenheira civil Ludimilla Zeule, mestra em estruturas e construção civil e doutoranda na área de sustentabilidade das construções e materiais, pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Contato: zeule.eu@gmail.com

Créditos Fotos: Divulgação/PPGECiv

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Nova ABNT NBR 14859: o que muda nas lajes pré-fabricadas?

Estruturas pré-moldadas, além de vigotas, elementos de enchimento e demais complementos adicionados na obra devem ter a segurança como prioridade

Por: Altair Santos

Foi publicada em 21 de janeiro de 2016 a nova ABNT NBR 14859:2016, partes 1, 2 e 3, que fixa os requisitos para o recebimento e utilização de componentes de lajes pré-fabricadas (vigotas, elementos de enchimento e demais complementos adicionados na obra) em qualquer tipo de edificação.

Lajes e vigotas precisam seguir conceitos mais rígidos de qualidade e segurança
Lajes e vigotas precisam seguir conceitos mais rígidos de qualidade e segurança

A ABNT NBR 14859:2016 extraiu, de um conjunto de normas, dispositivos que melhoram a qualidade e a segurança para a produção dos elementos pré-fabricados, dos quais ela trata. É o que explica José Bento Ferreira, que coordena a Comissão Especial de Estudos 94 da ABNT (ABNT CEE-94), encarregada da elaboração desta norma técnica.

Na entrevista a seguir, o engenheiro civil explica as mudanças que a nova norma deve causar na fabricação, no manuseio e na instalação de lajes pré-fabricadas. Confira:

Quais as principais mudanças trazidas pela ABNT NBR 14859:2016, parte 2, na fabricação de lajes pré-fabricadas?
Na verdade, trata-se de um conjunto de normas que, por terem um objetivo comum, foram englobadas sob um único número de identificação, sendo divididas em partes, conforme a sua função no conjunto. Atualmente estão em vigor as três primeiras partes, sendo que a primeira trata dos componentes pré-fabricados para lajes, a segunda dos elementos inertes de enchimento e fôrma, e a terceira trata das armaduras eletrossoldadas, utilizadas na fabricação dos elementos pré-fabricados. Estão previstas ainda outras três partes, que terão as seguintes abordagens: modelos de cálculo específicos para esses elementos estruturais, ensaio dos componentes pré-fabricados sob carga de trabalho e especificações das fôrmas para a fabricação dos componentes pré-fabricados. A forma como essas partes foram estruturadas teve como objetivo simplificar a consulta aos textos e o seu entendimento. Houve ainda uma revisão e atualização dos conceitos, e um melhor alinhamento com as normas de referência.

Em termos de segurança para a obra, o que ela agrega?
Ela estabelece conceitos mais rígidos de qualidade e desempenho, assegurando a qualidade do produto final.

José Bento Ferreira, coordenador da norma: comissão foi constituída em 2008 e segue instalada
José Bento Ferreira, coordenador da norma: comissão foi constituída em 2008 e segue instalada

A norma técnica vale para todo tipo de laje pré-fabricada ou ela se restringe a alguns tipos de lajes?
Ela se aplica a lajes compostas por vigotas, minipainéis e painéis pré-fabricados, com a utilização de elementos inertes de enchimento e fôrma. Ela não é aplicável em lajes alveolares pré-fabricadas, normatizadas através da ABNT NBR 14861, cujo texto revisado está em vigor desde 2011.

Os fabricantes de lajes pré-fabricadas já estão autorizados a adotar a nova norma técnica?
Toda norma é aplicável a partir da sua publicação, a não ser quando existe alguma determinação específica em contrário, quando é necessário um período de ajuste, o que não é o caso. Note-se que não se trata de autorização, mas sim de acesso às informações contidas nos textos da norma para se proceder à adequação dos produtos às novas especificações.

Como ocorre a comunicação para que os fabricantes espalhados no país sejam orientados a seguir a nova norma?
Normalmente essa informação é transmitida a eles pelos fabricantes e pelas entidades de classe, que os representam dentro da comissão que elaborou os textos, no caso a ABNT CEE 94 (Comissão Especial de Estudos 94 da ABNT). Os Programas Setoriais da Qualidade também têm um papel fundamental na difusão das informações.

Quanto tempo levou a elaboração da norma?
A comissão foi constituída em março de 2008, e ainda não encerrou os trabalhos.

Quantas pessoas e entidades atuaram em sua elaboração?
Direta ou indiretamente foram mais de 60 pessoas envolvidas, sendo convidadas a participar mais de 50 entidades, entre produtores, consumidores e neutros.

Quais foram os pontos da norma que exigiram mais discussões, e por quê?
Por se tratar de uma revisão de um conjunto de normas já publicadas, visando a sua atualização, foram discutidos todos os aspectos relevantes, como o atendimento às normas de referência atualizadas, definições, modularidade, componentes e modelos de cálculo.

Essa é uma norma nova, que não existia no portfólio, ou ela substitui alguma mais antiga?
A ABNT NBR 14859, partes 1, 2 e 3, editadas em 2016, substitui um conjunto mais antigo, publicado em 2002, composto pela ABNT NBR 14859, partes 1 e 2 (lajes unidirecionais e requisitos). Há ainda a ABNT NBR 14860, partes 1 e 2 (laje pré-fabricada - Pré-laje – Requisitos) e a ABNT NBR 14862 (Armaduras treliçadas eletrossoldadas – Requisitos). Posteriormente, será substituída a ABNT NBR 15522 (laje pré-fabricada - Avaliação do desempenho de vigotas e pré-lajes sob carga de trabalho).

Que salto de qualidade a norma pretende dar às lajes pré-fabricadas?
Desde 2002, com a edição das primeiras normas sobre lajes pré-fabricadas, tem sido feitos ensaios laboratoriais de todos os componentes. Isso permitiu uma observação mais refinada do comportamento estrutural. Assim, quando começaram os trabalhos da comissão em 2008, havia gama de conhecimentos para a elaboração dos textos iniciais. Somaram a isso os conceitos de qualidade e desempenho trazidos pelos programas setoriais da qualidade e a experiência dos fabricantes, consumidores e laboratórios, sejam independentes ou ligados a instituições de ensino e pesquisa. Com isso, foi possível criar, a partir dos textos originais, novos textos, onde a qualidade final do produto e a segurança para o consumidor foram os itens privilegiados.

Entrevistado
Engenheiro civil José Bento Ferreira, professor da Unesp, no campus de Guaratinguetá-SP, e coordenador da Comissão Especial de Estudos 94 da ABNT (ABNT CEE-94)
Contato: comunicacao@abnt.org.br

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Disco de diamante recupera pavimento de concreto

Equipamento importado dos EUA, e apresentado na Brazil Road Expo, faz micronivelamento de avenidas e rodovias com revestimento rígido

Por: Altair Santos

Estradas de concreto com o leito irregular, que geram desconforto no tráfego de veículos, agora podem ser reparadas com a ajuda da tecnologia conhecida como diamond grinding. Ela permite o micronivelamento do pavimento, removendo irregularidades e ondulações, proporcionando um novo acabamento à superfície, minimizando imperfeições e melhorando a aderência.

Máquina tem sensores e discos de diamante que detectam e corrigem desníveis e irregularidades
Máquina tem sensores e discos de diamante que detectam e corrigem desníveis e irregularidades

O sucesso neste processo se deve às características da máquina, importada dos Estados Unidos, e que rastreia as imperfeições, através de sensores. Detectadas as irregularidades, uma série de discos diamantados realizam cortes longitudinais paralelos no concreto, dando a ele uma “textura de veludo” - como os técnicos chamam. “O pavimento, já cepilhado, tem uma melhoria no Quociente de Irregularidade (QI) superior que 35%”, afirma Marcos Sousa, gerente de operações da EPAV do Brasil.

O equipamento foi apresentado na recente edição da Brazil Road Expo – feira que aconteceu de 29 a 31 de março de 2016, na cidade de São Paulo, e que reúne novidades sobre infraestrutura viária e rodoviária. “O que a gente procurou mostrar as vantagens de um pavimento de concreto bem nivelado. Ele reduz o ruído entre 3 e 6 decibéis, minimiza o risco de aquaplanagem e pode proporcionar economia de combustível, no caso de veículos pesados, na ordem de 10%”, diz Marcos Souza.

Nos Estados Unidos, onde a tecnologia nasceu, o diamond grinding é utilizado para recuperar pavimentos com longos anos de uso. “Normalmente, a técnica é aplicada para prolongar a vida útil do pavimento, após anos de construção. No Brasil, porém, existem várias intervenções em pavimentos novos, que, por causa da forma como foram executados, levaram à necessidade do micronivelamento”, explica o gerente de operações da EPAV. A técnica já foi aplicada no trecho oeste do Rodoanel de São Paulo.

Com o diamond grinding, pavimento ganha o que os técnicos chamam de “textura de veludo”
Com o diamond grinding, pavimento ganha o que os técnicos chamam de “textura de veludo”

Aeroportos
No Brasil, dois milhões de m² de pavimento rígido já precisaram se submeter ao diamond grinding. Uma vez aplicada a tecnologia, seu prazo de validade é de oito anos. Por corrigir camadas milimétricas de concreto, o micronivelamento - garante o especialista - não afeta a durabilidade do revestimento. “Se o projeto do pavimento atendeu todas as especificações, o processo não compromete a estrutura do revestimento ou sua durabilidade. Pelo contrário, prolonga a vida útil, haja vista que um pavimento nivelado diminui a sobrecarga do trafego pesado sobre as placas de concreto”, assegura Marcos Souza.

A mesma tecnologia que serve para avenidas e estradas pavimentadas com concreto atende também aeroportos. Neste caso, as ranhuras não são no sentido da pista, mas transversais. O objetivo é manter permanentemente o contato entre o pneu e a superfície do pavimento, ajudando a reduzir altas velocidades e a distância de frenagem. A técnica, conhecida como grooving transversal, é especialmente indicada para aeroportos localizados em regiões com maiores probabilidades de chuva e neblina.

Entrevistado
Engenheiro civil Marcos Souza, gerente de operações da EPAV do Brasil
Contato: marcos.sousa@epav.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/EPAV

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Casa de doméstica ganha prêmio mundial de arquitetura

Construída em alvenaria estrutural, com blocos de concreto aparente, residência custou R$ 150 mil e ganhou o Building of the Year 2016

Por: Altair Santos

Em 2012, a casa da empregada doméstica Dalvina Borges - conhecida na Vila Matilde, bairro da cidade de São Paulo, como dona Dalva - apresentava sérios problemas estruturais e ameaçava ruir. O filho Marcelo propôs um desafio ao escritório de arquitetura Terra e Tuma: reconstruir a casa, dentro de um orçamento de R$ 150 mil. Os arquitetos aceitaram a encomenda e com o projeto ganharam o prêmio internacional Building of the Year 2016.

Casa da Vila Matilde, em São Paulo: arquitetura funcional em blocos de concreto aparente
Casa da Vila Matilde, em São Paulo: arquitetura funcional em blocos de concreto aparente

Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Sakano foram os arquitetos que estiveram à frente do projeto. Na entrevista a seguir, eles contam como foi o processo de construção da nova casa, que, com a participação de engenheiros civis, teve a alvenaria estrutural com blocos de concreto aparente como o sistema construtivo escolhido. O trio também revela quais foram os desafios da obra. Confira:

A casa construída na Vila Matilde ganhou o Building of the Year 2016. Quais os motivos que asseguraram essa premiação?
Nós não imaginávamos a repercussão nem as premiações da casa da Vila Matilde. Quando fomos procurados pelo filho da dona Dalva, apenas nos concentramos em fazer um bom projeto que atendesse à necessidade urgente de construir uma casa para ela. Foi uma grata surpresa.

Entre o primeiro contato com a dona da casa e o fim da execução da obra, quanto tempo levou?
Ela fez um primeiro contato em 2012. Mas só em meados de 2014 fizemos o projeto e a execução da obra, que finalizou por volta de maio de 2015.

Casa anterior, que foi demolida, estava repleta de patologias
Casa anterior, que foi demolida, estava repleta de patologias

Quais os maiores obstáculos para viabilizar a obra?
Os maiores obstáculos foram adequar a responsabilidade perante o orçamento ao programa da obra.

E qual era esse orçamento?
Ela teve o orçamento de R$ 150 mil (R$ 100 mil da Dona Dalva e R$ 50 mil do filho dela). Trata-se de um valor bem abaixo da média, para a cidade de São Paulo.

A casa pode ser qualificada como Habitação de Interesse Social? Caso sim, ela deixa que tipo de legado a programas como Minha Casa Minha Vida, por exemplo?
O projeto não foi pensado como habitação de interesse social, mas para atender a família. Porém, há diversas técnicas e processos utilizados, que poderiam servir em projetos como o MCMV. Nós também estamos desenvolvendo algo nessa linha para a cidade de Suzano, no interior do estado de São Paulo.

Dona Dalva, dentro da casa nova, que foi construída seguindo conceitos da Norma de Desempenho
Dona Dalva, dentro da casa nova, que foi construída seguindo conceitos da Norma de Desempenho

A casa usa blocos de concreto aparente. O sistema construtivo escolhido foi a alvenaria estrutural?
Sim. Optamos por esse sistema porque já tínhamos experiência com ele. A casa do Danilo, um dos sócios do escritório, também é em alvenaria estrutural - a Casa Maracanã (também premiada) -, além de outras duas construções que fizemos com esse sistema construtivo.

Por que a opção pelo bloco de concreto?
Porque é um sistema estrutural mais barato, e que garante rapidez na execução da obra. Também porque dispensa o acabamento em alvenaria, sem afetar a finalização da obra. Claro que o morador pode querer fazer um acabamento de alvenaria depois, mas se não quiser, já é possível habitar.

Foi aplicada a Norma de Desempenho na construção da casa?
Sim.

O Terra-Tuma projeta construir outras casas deste tipo?
A gente não considera a casa um "tipo" de construção, pois consideramos que cada projeto tem sua especificidade e necessidades únicas. Mas, se mais pessoas se interessarem pela construção de uma casa de alvenaria estrutural, não descartamos novos projetos. Adoraríamos fazer de museus a prédios, com esse sistema.

Interior da casa antiga, com patologias e problemas de iluminação natural
Interior da casa antiga, com patologias e problemas de iluminação natural

O trabalho serviu para desmistificar o serviço da arquitetura nas classes mais populares?
Não temos essa pretensão, mas a gente acredita que toda a repercussão colaborou com a discussão sobre a função e o papel do arquiteto numa obra, independentemente de qual tipo de projeto ele esteja envolvido.

Entrevistados
Arquitetos Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Sakano, do escritório Terra e Tuma
Contatos
imprensa@terraetuma.com.br
contato@terraetuma.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Terra e Tuma

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Como se comporta o consumidor quando decide reclamar?

Pesquisa revela que hábitos tradicionais, como telefonar e enviar e-mail, ainda prevalecem, apesar de os clientes estarem conectados às redes sociais

Por: Altair Santos

Pesquisa inédita sobre o comportamento do consumidor na hora de reclamar de um produto ou serviço mostra que hábitos tradicionais ainda prevalecem. O telefone é o canal preferido, seguido do e-mail. A alegação é que o primeiro permite uma linha direta de negociação, e que o correio eletrônico é visto como uma forma de documentar a reclamação, em caso de o processo ter de ir à Justiça.

Consumidor dá preferência a empresas que possuem canais de relacionamento
Consumidor dá preferência a empresas que possuem canais de relacionamento

O estudo detectou, no entanto, que a maioria prefere resolver os seus problemas diretamente com a empresa. “Observou-se que 71,5% dos consumidores só recorrem aos organismos reguladores em último caso, ou seja, quando eles sentem que não há mais esperança em resolver o problema de forma amigável com a empresa. Para se ter ideia, 34,8% dos entrevistados só busca outros meios após cinco tentativas de contato com a companhia”, explica Roberto Meir, especialista em relações de consumo e comportamento.

Meir, junto com Regis Noronha, diretor-executivo de Estratégia e Marketing da Atento – empresa voltada para a gestão de clientes e terceirização de processos de negócios – esteve à frente da coordenação da pesquisa. O estudo ouviu consumidores em todas as regiões do Brasil (53% mulheres e 47% homens), com idade economicamente ativa entre 18 anos e 65 anos. Dos entrevistados, 76,3% apontaram o telefone da empresa como o principal canal de reclamação, seguido pelo email (46,2%).

Entre os que preferem as chamadas telefônicas, 47,8% atribuem a escolha à possibilidade de argumentação e 45,9% ao fato de poderem conversar diretamente com um atendente, sendo que este canal tem o maior índice de resolução se comparado aos demais: 78,5%. O e-mail, apesar de ser o segundo colocado na preferência dos consumidores, apresenta um índice de resoluções menor, considerando que 33,9% das mensagens não são respondidas pelas marcas.

Redes sociais e atendimento
A preferência pelo atendimento telefônico é maior à medida que a idade aumenta, ao contrário do que ocorre com os chats corporativos - utilizados por somente 23% dos reclamantes (a maioria formada pelo público jovem). Outra tendência verificada entre consumidores com idades que variam de 18 anos a 34 anos é que 50% também usam mídias sociais e aplicativos, como WhatsApp, para reclamar. “Este resultado reforça ainda mais que os aplicativos devem revolucionar a interação das empresas com seus públicos”, afirma Regis Noronha.

Segundo o estudo, 75% dos entrevistados acreditam que, nos próximos dez anos, os meios digitais tendem a ser os mais utilizados na hora de reclamar. A razão é a visibilidade que as redes sociais propiciam. “Quanto mais digital o mundo se torna, mais canais de relacionamento surgem, exigindo cada vez mais inovação por parte das companhias, independentemente do setor de atuação”, completa Regis Noronha.

A pesquisa também procurou conhecer os motivos que fazem o consumidor desistir de uma marca. Segundo 80% dos entrevistados, o atendimento ruim é o fator que mais impacta na percepção negativa de uma empresa. De acordo com Roberto Meir, o cliente gosta de se sentir valorizado. “Os consumidores precisam perceber que são lembrados e beneficiados pelas empresas. Atualmente, as pessoas valorizam mais o bom atendimento do que o próprio preço diferenciado”, afirma. Para 72% dos entrevistados, a qualidade do produto é fundamental para a fidelização, seguida de tratamento especial (39%) e aviso antecipado de promoções e novidades (10%).

Entrevistados
Roberto Meir, especialista em relações de consumo e comportamento
Regis Noronha, diretor-executivo de Estratégia e Marketing da Atento

Contatos
roberto@gpadrao.com.br
media@atento.com

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Cidades inteligentes querem mais calçadas e menos wi-fi

No SmartCity Business America, especialistas concluem que população prefere mobilidade urbana de qualidade a tecnologias mirabolantes

Por: Altair Santos

De transporte público a iluminação, de políticas habitacionais ao mobiliário urbano. Nada ficou alheio ao evento SmartCity Business America, que aconteceu em Curitiba de 28 a 30 de março de 2016. O foco dos debates esteve centrado na seguinte pergunta: como melhorar a vida das pessoas, aplicando conceitos de cidades inteligentes? Reunindo urbanistas e outros especialistas de várias regiões do mundo, o encontro concluiu que cidades inteligentes não precisam partir do princípio de que wi-fi gratuito para a população é o primeiro passo a ser dado. Modernizar as calçadas, criar vias exclusivas para ônibus, sincronizar semáforos e melhorar a iluminação pública são ações muito mais importantes do que a adesão ao mundo tecnológico.

Debates da edição 2016 do SmartCity Business America aconteceram em Curitiba
Debates da edição 2016 do SmartCity Business America aconteceram em Curitiba

Para embasar o termo “cidade inteligente”, o SmartCity Business America apresentou 222 projetos desenvolvidos em 26 estados brasileiros, além de empreendimentos bem-sucedidos fora do país. Entre eles, o case Mi Teleférico, construído em La Paz, na Bolívia. A obra é um transporte via cabo (teleférico), que modificou amplamente as condições de mobilidade em uma cidade de geografia muito acidentada. “Havia limitação de recursos e escassez de espaço público para qualquer outro tipo de transporte público. O teleférico foi a solução. Foi como uma acupuntura urbana”, destacou César Dockweiler Suarez, CEO da Empresa Estatal de Transporte por Cable Mi Teleférico. “Encurtar distâncias é o princípio das cidades inteligentes”, completou David King, chairman do Board da Future Cities Catapult.

Regiões metropolitanas

O painel “Governança na Mobilidade Urbana”, realizado dentro do evento, destacou que a qualidade de vida nas cidades depende fortemente do transporte público. O encontro reuniu as principais autoridades brasileiras sobre o tema, que expuseram soluções e debateram desafios. “Não resta dúvida de que o transporte coletivo é um medidor eficiente de qualidade de vida nas cidades”, comentou Ailton Brasiliense Pires, presidente da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Ele ressaltou ainda que, no caso das grandes capitais brasileiras, não basta pensar somente no desenho urbano do município, mas no das regiões metropolitanas. “É necessário eliminar limites geográficos e entender que as cidades compreendem as regiões metropolitanas também, senão não há melhorias reais”, destacou.

Arquitetos de escritórios internacionais, como Perkins + Will, MLM, Broadway Malyan e Living PlanIT, que também palestraram no SmartCity Business America, destacaram que os projetos urbanos devem sempre ter um conhecimento íntimo de como se dá a vida nas cidades. "No futuro, a competição não será entre países, e sim entre cidades. E não falamos somente de cidades, mas principalmente de áreas metropolitanas. Para isso, as cidades devem se estruturar para se tornar habitáveis. Isso significa planejar para que a vida urbana permita que as pessoas estudem e trabalhem sem deslocamentos dificultosos. O futuro tem a ver com a qualidade das conexões, tanto físicas quanto virtuais. Isso vai gerar economia de recursos e contribuir para cidades melhores", finalizou Miriam Gonçalves, da Broadway Malyan.

Entrevistados
Palestrantes que estiveram no SmartCity Business America, em Curitiba
Contato: imprensa@smartcitybusiness.com.br

Crédito Foto: Divulgação/ Instituto Smart City Business America

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330