Indústria 4.0: ela vai chegar à construção civil?

Máquina que processa a instalação de calçadas de paver é um passo na direção da Indústria 4.0

Indústria 4.0: ela vai chegar à construção civil?

Indústria 4.0: ela vai chegar à construção civil? 979 612 Cimento Itambé

Chão de fábrica nos setores automobilístico, aeronáutico e de óleo & gás já experimenta nova era; empreiteiras também se sensibilizam

Por: Altair Santos

O mundo começa a viver sua quarta revolução industrial. É a indústria 4.0, onde a robótica já permite que máquinas inteligentes ocupem quase completamente o chão de fábrica. Na Alemanha, sobretudo na indústria automobilística, esse processo já é realidade. Os segmentos da aeronáutica e de óleo & gás também já adotam processos 100% mecanizados. A pergunta que se faz é: a indústria 4.0 pode chegar à construção civil? Há quem garanta que sim. Para estudiosos, os processos que usam impressoras 3D e utilizam softwares como o BIM são os primeiros passos nessa direção. Existem também as máquinas pré-programadas, como as que assentam pavers sem a interferência humana. Mas é possível que toda essa tecnologia chegue aos canteiros de obras, principalmente os brasileiros?

Máquina que processa a instalação de calçadas de paver é um passo na direção da Indústria 4.0

Máquina que processa a instalação de calçadas de paver é um passo na direção da Indústria 4.0

O diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Santa Catarina, Jefferson Gomes, avalia que, no caso do Brasil, será preciso superar alguns obstáculos. “Para isso acontecer, temos alguns entraves, como ambiente macroeconômico, qualidade de educação dos trabalhadores, eficiência do mercado e desenvolvimento do mercado financeiro para viabilizar negócios. No Brasil, numa escala de zero a sete dos relatórios de competitividade global, beiramos algo por volta de 3,5 a 4. O tamanho do mercado é enorme, mas em todos os outros quesitos o Brasil precisa caminhar para ir ao encontro da indústria 4.0”, diz.

Outro ponto importante para o desenvolvimento da indústria 4.0 para a construção civil nacional é a formação de engenheiros com especialidade em construção, mecânica e eletroeletrônica atuando em conjunto. “Definitivamente, o Brasil não vai entrar nessa era tendo apenas 5% dos egressos no ensino superior formados em engenharia. Engenheiro, no caso da indústria 4.0, é um indivíduo com alta capacidade de conhecimento sobre um determinado assunto e alta capacidade de congregar conhecimentos com outros parceiros de trabalho. Mas do jeito que nós estamos formando para o mercado não é compatível para esse tipo de avanço tecnológico”, alerta.

Jefferson Gomes, do SENAI de Santa Catarina: indústria 4.0 exige engenheiros bem qualificados

Jefferson Gomes, do SENAI de Santa Catarina: indústria 4.0 exige engenheiros bem qualificados

Parcerias com a Alemanha

Por enquanto, para se conectar à indústria 4.0, a construção civil tem procurado importar equipamentos e acompanhar feiras internacionais que focam nesta nova era. O país mais avançado na área é a Alemanha, que neste ano, de 11 a 17 de abril, realiza a 31ª edição da Bauma. O evento acontece a cada três anos na cidade de Munique, e é considerado o principal da construção civil no que tange a máquinas, veículos e aparelhos para movimentação de terra, perfurações, escavações, mineração, extração, elevação, guindastes, veículos, maquinários, materiais e serviços. Em 2016, a indústria 4.0 será o centro das atenções da Bauma.

No Brasil, o estado mais atento à indústria 4.0 é Santa Catarina. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) vem incentivando parcerias entre empresas filiadas a ela e desenvolvedores alemães. O objetivo é melhorar a competitividade. “Segundo estudos, os processos relacionados à manufatura avançada poderão reduzir os custos de manutenção de equipamentos entre 10% e 40% e o consumo de energia de 10% a 20%, assim como a eficiência do trabalho, que também pode aumentar de 10% a 20%”, explica Glauco José Côrte, presidente da FIESC. O organismo também busca preparar profissionais para atuar com as tecnologias envolvidas nessa nova revolução industrial, que sinaliza ser um caminho sem volta.

Entrevistado
Jefferson Gomes, doutor em engenharia mecânica, professor do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Santa Catarina (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@cni.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/SENAI-SC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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