Lei do hidrômetro: como ficam os prédios antigos?

Medição individual do consumo de água em condomínios torna-se obrigatória a partir de 2021, mas já há edifícios se antecipando à legislação

Por: Altair Santos

O governo federal sancionou dia 12 de julho de 2016 a lei que torna obrigatória a medição individualizada de água em novos condomínios. A determinação obriga os prédios a adotarem padrões de sustentabilidade e passa a valer a partir de 2021. De acordo com a Lei 13.312, que altera legislação específica sobre saneamento básico, “as novas edificações condominiais terão de incluir em suas construções hidrômetros capazes de medir individualmente o consumo hídrico”. O texto original foi alterado, pois estendia a obrigatoriedade para os prédios antigos. Porém, como a implantação implica custo elevado para os condomínios, a exigência foi revogada.

Hidrômetros individualizados: prédios novos já adotam medida, antes mesmo de a lei entrar em vigor
Hidrômetros individualizados: prédios novos já adotam medida, antes mesmo de a lei entrar em vigor

Segundo o governo federal, a medida tem o objetivo de “aprimorar a sustentabilidade ambiental” e “fazer justiça àqueles que economizam água”. A nova legislação foi baseada em projeto de lei de 2011. Em sua proposição, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) apresentou dados de países que já adotam o sistema de medição individual, como a França, onde a redução no consumo chegou a 25%. “O Brasil possui a maior reserva de água doce do mundo e é também um grande desperdiçador de água potável”, alega Valadares. No projeto de lei, o prazo para a entrada em vigor da obrigatoriedade era de dois anos, mas foi estendido para cinco anos na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado Federal.

Segundo a relatoria da CMA, a obrigação da mudança apenas para novos condomínios se deve a pareceres técnicos de organismos como Confea, CREA e SindusCons. A explicação é que a adaptação de prédios já existentes implica em construção de colunas específicas com hidrômetros individualizados ou na implantação desses medidores em cada ramal das colunas existentes. Para prédios com muitos pavimentos, a reforma a ser realizada se torna muito onerosa para os condôminos. Quem já fez, não gastou menos que R$ 5.000,00 por unidade. Mesmo assim, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), entre 2009 e 2014 - ano mais recente das estatísticas -, 160 mil prédios em todo o Brasil já adotaram o hidrômetro individual. A instalação garantiu, em média, redução de 20% no custo da conta de água dos condomínios.

Atenção às normas técnicas
Em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, de acordo com dados do Secovi de cada um destes estados, há registros de que, desde 2010, condomínios novos já passaram a adotar o sistema de hidrômetro individualizado em suas construções, independentemente da legislação. Já em prédios que queiram fazer a alteração, o primeiro passo é promover uma assembleia de condomínio, cujo quórum mínimo deve ser de 2/3 dos condôminos. Essa exigência se deve ao fato de que haverá alteração no rateio das contas, ou seja, a despesa vai deixar de ser ordinária para ser cobrada de acordo com o consumo de cada unidade.

Além da redução no consumo de água, prédios que adotaram a medição individual melhoraram o controle de vazamentos e de fraudes no condomínio. No entanto, a individualização demanda espaço na área comum do condomínio, para a instalação dos hidrômetros, além de implicar em quebra de alvenaria e de revestimentos nos apartamentos. A reforma também exige atenção ao projeto estrutural do edifício e cumprimento das normas técnicas da ABNT referentes à construção civil. Mas é bom ficar claro que a instalação de hidrômetro individual não extingue o consumo coletivo de água do condomínio, haja vista que áreas comuns, como banheiros de salões de festas, vestiários de funcionários, piscinas e hidrantes, seguem rateadas pelos condôminos.

Entrevistados
- ANA (Agência Nacional de Águas) (via assessoria de imprensa)
- Senado Federal (via assessoria de imprensa)
- Presidência da República (via assessoria de imprensa)
- Câmara Brasileira de Comércio e Serviços Imobiliários (CBCSI) [organismo ligado à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)]

Contatos
imprensa@ana.gov.br
imprensasenado@senado.leg.br
casacivil@planalto.gov.br
cbcsi@cnc.org.br

Crédito Foto: Divulgação/Senado Federal

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Gestão de pessoas na era do mais com menos: o que muda?

Dentro da nova realidade corporativa é a inteligência emocional quem vai fazer as empresas aumentarem ganhos e diminuírem gastos

Por: Altair Santos

Na era do mais com menos, as empresas se movimentam com dois objetivos: aumento de ganhos e diminuição de custos. Mas o que vai materializar estas metas é o comprometimento e a eficácia das pessoas envolvidas com o projeto. Para isso, os colaboradores precisam dispor de nove virtudes, como define o psicólogo, coach e palestrante Bayard Galvão. São elas: concentração, dedicação, saber se relacionar, conduzir pessoas, agir com inovação, dominar a atividade, possuir timing, entender de relações custo/benefício e ter capacidade de assumir riscos com ponderação.

Dentro da nova realidade corporativa é a inteligência emocional quem vai fazer as empresas aumentarem ganhos e diminuírem gastos
Dentro da nova realidade corporativa é a inteligência emocional quem vai fazer as empresas aumentarem ganhos e diminuírem gastos

Segundo o especialista, dentro da nova realidade corporativa, é a inteligência emocional laboral que vai fazer a diferença. “O quanto cada indivíduo for eficiente nestas respectivas virtudes, configurará o nível de inteligência emocional laboral (IEL). A IEL é resultante de quanto o funcionário ou empresário faz uso dos nove pontos acima mencionados”, afirma Bayard, destacando que a IEL não nasce com o indivíduo, ao contrário da inteligência emocional. “Ela é despertada com treinamento e domínio do conhecimento na área de atuação”, completa.

Dentro das nove virtudes que podem ajudar as corporações, a concentração é uma das mais importantes, pois permite resolver um problema de cada vez. “Ela também ajuda a lidar com pressão, sem se perder, e a administrar o estresse”, diz Bayard Galvão. Quanto à dedicação, o especialista define que a principal virtude é que ela faz o profissional ver a empresa como a fonte de renda que o sustenta. “Voltar-se contra ela ou não se dedicar a ela, é não se dedicar ao próprio crescimento profissional e financeiro”, define. Quem assimila essa regra, opera melhor na era do mais com menos.

Vínculos saudáveis
Criar um bom ambiente de trabalho também é essencial nesta nova filosofia corporativa. O motivo, Bayard Galvão explica: “Poucas pessoas sabem gerar vínculos saudáveis nos seus trabalhos, ocasionando desavenças desnecessárias, que, por sua vez, diminuem o ganho da empresa, assim como um provável aumento de custo da empresa, através de processos trabalhistas”. Por isso, completa, saber conduzir pessoas é fundamental. “É importante conhecer os aspectos mais basais de como as pessoas funcionam, entender os limites de cada um e, com esse conhecimento, propor objetivos e expectativas realistas para cada pessoa”, diz.

No novo cenário corporativo, inovar, dominar a atividade e ter timing são também virtudes importantes. Quem tem essas características se adapta mais rápido às mudanças tecnológicas, estuda mais e percebe melhor as mudanças do mercado. O profissional passa a ter uma melhor percepção do que é custo/benefício, vantagem/desvantagem, risco/benefício, e esforço/ganho. “A maioria das pessoas é imediatista. Poucas se preparam ou planejam os caminhos da vida, tanto profissionais quanto pessoais. Quem tem essas percepções assume riscos com ponderação e preparação, contribuindo com a saúde da empresa”, reflete Bayard Galvão.

Entrevistado
Bayard Galvão
, psicólogo, coach e palestrante

Contato
bayard@institutobayardgalvao.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Surge um novo nicho de mercado: o agroconcreto

Agricultores investem em pequenas concreteiras móveis para atender demanda de até 100 m³/dia, em regiões em que as betoneiras não chegam

Por: Altair Santos

Lajes para estufas onde se faz a secagem do café: uma obra atendida pelo agroconcreto
Lajes para estufas onde se faz a secagem do café: uma obra atendida pelo agroconcreto

O agronegócio brasileiro desconhece a crise e cresce a taxas anuais superiores à mundial. Segundo dados da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), através de seu Deagro (departamento de agronegócios), a produção de arroz, feijão, trigo, milho, café, carnes, laticínios, ovos, soja, algodão e açúcar levará o país a deter mais de 50% do mercado mundial até 2023. Para dar sustentação a esse crescimento, os empresários do setor investem em infraestrutura – na maioria das vezes, por conta própria.

São silos, galpões, pavimentação de pequenos trechos de estrada, barragens, alojamentos, residências, enfim, obras que precisam de concreto. Ao mesmo tempo, o setor é carente de fornecedores do material. Nem todas as áreas rurais possuem concreteiras disponíveis. Por isso, alguns empreendedores do setor decidiram investir no agroconcreto, ou seja, vêm comprando minicentrais, com capacidade de até 100 m³/dia, a fim de suprir suas demandas por concreto e fornecer material para outros empreendimentos no entorno.

O empreendedor Ronaldo Coutinho, da cidade de Mutum, na região leste de Minas Gerais, é um exemplo. Ele adquiriu uma minicentral e fornece concreto em um raio de 80 quilômetros. Seus principais clientes são produtores de café. A maior demanda dos cafeeiros é por áreas planas (radier de concreto) para a secagem dos grãos. Segundo Coutinho, que também fornece material para pequenos construtores da região, o agroconcreto responde por 20% de sua produção mensal.

Pavimentação artesanal para facilitar o acesso de caminhões: outro tipo de obra que usa agroconcreto
Pavimentação artesanal para facilitar o acesso de caminhões: outro tipo de obra que usa agroconcreto

Este nicho de mercado tem se mostrado tão atrativo, que fabricantes de equipamentos decidiram projetar máquinas especialmente para atender o fornecimento de concreto para o agronegócio. Na mais recente edição do Concrete Show, realizada no final de agosto, na cidade de São Paulo-SP, uma parte da feira foi dedicada exclusivamente para o agroconcreto. O setor tem se revelado tão atraente, que até indústrias estrangeiras se instalaram no país para atender o mercado. A italiana Fiori é uma delas.

A fabricante apresentou ao mercado brasileiro o CBV (Concrete Batching Vehicle). Trata-se de um equipamento que é uma central sobre rodas. Com tração 4 x 4, ele pode trafegar em qualquer terreno. Além disso, carrega um minilaboratório a bordo, que possibilita pesar e medir todos os materiais componentes (brita, areia, cimento, água e aditivos). Segundo o fabricante, a máquina tem capacidade para fazer 20 tipos diferentes de concreto. Com vários tamanhos de balão, ela pode produzir de 1,1 m³ até 5,5 m³ por batelada.

Pré-fabricados
Além de movimentar o setor de equipamentos, o agroconcreto estimula também o mercado de pré-fabricados à base de cimento. São vários os artefatos consumidos atualmente por fazendas e sítios. De postes, que substituem os palanques de madeira, a estruturas para erguer galpões.

Quando não dá para concretar, produtor rural apela para o pré-fabricado
Quando não dá para concretar, produtor rural apela para o pré-fabricado

Segundo o mais recente anuário da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto), 12,5% dos associados indicaram crescimento na produção. Parte destes indicadores positivos veio das indústrias localizadas no interior dos estados das regiões sul e sudeste do país, e que aproveitaram as oportunidades geradas pela nova fronteira da construção pré-fabricada: o agronegócio.

Entrevistados
- Deagro (Departamento de Agronegócios) da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) (via assessoria de imprensa
- Fiori Group (expositor na Concrete Show)
- ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto)

 

Contatos
deagro@fiesp.org.br
abcic@abcic.org.br
fioridobrasil@fioridobrasil.com.br

Crédito Fotos: Divulgação/CETCAF

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Após quase 30 anos, norma de vento entra em revisão

ABNT NBR 6123 foi publicada em 1988. De lá para cá, Brasil passou a conviver com fenômenos meteorológicos que exigem sistemas mais eficientes

Por: Altair Santos

A ABNT NBR 6123 - Forças devidas ao vento em edificações - é reconhecida por projetistas e engenheiros como uma norma bem concebida. Tanto que foi publicada em 1988 e, desde então, passou apenas por um processo de revisão de texto. Seus conceitos se mantêm intactos e servindo de referência para projetos e ensaios em túneis de vento. “Apesar de ela ter uma edição já considerada antiga, é uma das mais completas do mundo. Mas, obviamente, precisa de atualização, agregando os conhecimentos que foram adquiridos nestes quase 30 anos”, cita o professor do departamento de engenharia civil e coordenador do Laboratório de Aerodinâmica das Construções (LAC) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Acir Mércio Loredo Souza.

Acir Mércio Loredo-Souza, da UFRGS: coordenador da comissão, que será instalada dia 6 de outubro
Acir Mércio Loredo-Souza, da UFRGS: coordenador da comissão, que será instalada dia 6 de outubro

O especialista palestrou na edição 2016 do Concrete Show, realizado recentemente na cidade de São Paulo. Nomeado coordenador da comissão encarregada de revisar a ABNT NBR 6123, o professor da UFRGS cita que um dos pontos cruciais a ser analisado está relacionado às referências de velocidade dos ventos nas regiões brasileiras. “Existe um mapa que fornece as velocidades referenciais, mas ele é dos anos 1970. Atualmente, há mais informações para atualizar esse mapa, incluindo boas evidências técnicas”, diz Acir Mércio Loredo Souza. Mais especificamente, o que precisa ser atualizado são as chamadas isopletas, que definem as linhas de velocidade dos ventos, e que, no mapa, são medidas em metros por segundo (m/s). Suas linhas lembram as de um mapa topográfico.

Instalação será dia 6 de outubro
A atualização desses dados fornece subsídios mais precisos para calculistas e para os laboratórios que promovem ensaios em túneis de vento. Por isso, os engenheiros-projetistas têm tanto interesse na revisão da ABNT NBR 6123, cuja comissão será instalada oficialmente dia 6 de outubro e estará sob a supervisão do Comitê Brasileiro da Construção Civil, o CB-2. Já houve reuniões preliminares e Acir Mércio Loredo Souza afirma que o objetivo é fazer um trabalho criterioso para demonstrar que a velocidade dos ventos deve ser respeitada para se projetar edificações com segurança. O professor lembra ainda que, além da velocidade, a aerodinâmica dos prédios e as cargas de vento que eles irão receber são fundamentais para o sucesso do projeto.

Em sua palestra no Concrete Show, o especialista lembrou que as mudanças climáticas tornam o Brasil cada vez mais suscetível a ciclones extratropicais e a tormentas TS (Thunderstorms), que podem evoluir para tornados. Ele citou como exemplo o ciclone Catarina, que em 2004 atingiu os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e o fenômeno que atingiu Porto Alegre e a região metropolitana da capital gaúcha, em janeiro de 2016. Também relembrou o prédio de 37 pavimentos que estava em construção em Belém-PA, em 2011, e que sofreu colapso de suas estruturas por que não foi levado em consideração o carregamento do vento em seu projeto. “Esses novos parâmetros passam a exigir sistemas mais eficientes, não apenas para estruturas, mas para fachadas e esquadrias. O importante é que a maioria dos acidentes causados pelo vento pode ser prevenida já na fase de projeto”, garante.

Entrevistado
Acir Mércio Loredo Souza
, mestre e doutor em engenharia, professor do departamento de engenharia civil e coordenador do LAC (Laboratório de Aerodinâmica das Construções da Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Contato
acir@ufrgs.br

Crédito Foto: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Obras na serra do Cafezal entram na reta final

Até o final de 2016, 22 dos 30 quilômetros estarão liberados para o tráfego de veículos, incluindo cinco viadutos e três túneis

Por: Altair Santos

Até o final de 2016 restarão oito quilômetros para que o trecho da BR-116, conhecido como rodovia Régis Bittencourt , esteja 100% duplicado e liberado para o tráfego. O traçado de 402 quilômetros, que liga as cidades de São Paulo e Curitiba, finaliza sua etapa mais complexa. Isso envolve a construção de quatro túneis e 24 viadutos, cortando a região conhecida como serra do Cafezal. O maior volume de obras concentra-se entre os quilômetros 348 e 361,5. Atualmente, todos os lotes contratados estão em execução.

Trecho de 30 quilômetros da serra do Cafezal tem 4 túneis e 24 viadutos
Trecho de 30 quilômetros da serra do Cafezal tem 4 túneis e 24 viadutos

Havia a expectativa de que um novo trecho de 4,5 quilômetros, envolvendo a liberação de três túneis e cinco viadutos, fosse autorizado para receber tráfego de veículos no começo do segundo semestre de 2016, mas, segundo a concessionária Auto Pista Regis Bittencourt, do grupo Arteris, houve atraso nas etapas de pavimentação, sinalização e iluminação dos túneis, o que protelou a abertura do trecho para outubro ou novembro. “Os três túneis já estão vazados e em fase final, ou seja, a etapa mais difícil da obra foi superada”, diz o engenheiro civil Eneo Pallazzi, diretor-superintendente da concessionária.

Atualmente, os canteiros de obras instalados ao longo dos 13,5 quilômetros que faltam ser duplicados na Serra do Cafezal, contam com um contingente de 1.500 trabalhadores. A maior concentração de frentes de obras está nos lotes 4 e 5, com serviços de terraplanagem para abertura das novas pistas, drenagem profunda (bueiros e galerias), revestimentos vegetais de taludes de cortes e aterros (encostas) e pavimentação. Nestes lotes, estão sendo construídos 19 viadutos, com execução de infraestrutura, mesoestrutura e superestrutura.

Novo trecho de 4,5 quilômetros, com passagem pelos túneis, será liberado ainda em 2016
Novo trecho de 4,5 quilômetros, com passagem pelos túneis, será liberado ainda em 2016

As fundações dos viadutos usam tubulões com base alargada e estacas raiz, por causa da impossibilidade de acesso de equipamentos de grande porte. Os pilares são erguidos como prolongamento dos tubulões de fundação. As vigas longarinas de concreto são moldadas “in loco” e apoiadas em cimbramento metálico. Os tabuleiros também têm as lajes moldadas “in loco” ou executados com vigas transversais e placas, ambas pré-moldadas, montadas por um guindaste de pequeno porte.

Conclusão em 2017
De acordo com o engenheiro Eneo Pallazzi, o modelo de construção das fundações atendeu exigentes restrições impostas pelas licenças ambientais. Por isso, tiveram que ser executadas praticamente de forma manual. “Tecnicamente é a melhor fundação que existe, pois é possível contar com um exame técnico de um engenheiro, de um geotécnico, ou de um prático, que vai constatar efetivamente ‘in loco’ a condição de suporte da base do tubulão. Com a escavação mecânica corre-se o risco de sobrar resíduos no fundo”, avalia.

Para construir os quatro túneis, a concessionária Auto Pista Régis Bittencourt também precisou atender restrições ambientais. Só podia ser escavado um volume de terra e rocha na ordem de 700 mil m³. Para cumprir as limitações do projeto, optou-se pelo sistema convencional NATM (New Austrian Tunnelling Method). A soma de todos os túneis tem uma extensão de 1.800 metros. “O túnel, apesar de ser bem mais caro que outras soluções convencionais, permite traçados mais convenientes. Isso resulta em um impacto ambiental menor”, resume Eneo Pallazzi.

Restrições ambientais exigiram que fundações dos viadutos restringissem o uso de equipamentos de grande porte
Restrições ambientais exigiram que fundações dos viadutos restringissem o uso de equipamentos de grande porte

Dos nove trechos da obra, os quatro maiores estão em fase final de execução. Isso representa 70% da duplicação. Os lotes 1, 2, 8 e 9 já estão em operação, e compreendem as duas extremidades da serra do Cafezal. O empreendimento está em curso desde 2010 e já foram concluídos 22 quilômetros de pista nova (17,5 quilômetros liberados para o tráfego). O trecho total engloba 30 quilômetros e a expectativa é de que esteja 100% concluído no segundo semestre de 2017.

Entrevistado
Engenheiro civil Eneo Pallazzi, diretor-superintendente da concessionária Auto Pista Regis Bittencourt
Contato
autopistaregis@autopistaregis.com.br

Créditos Fotos: Arteris

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Em 2025, construção civil voltará a patamares de 2014

Impactos da crise fizeram números do setor andar para trás, revela estudo encomendado pela ABRAMAT para a Fundação Getúlio Vargas

Por: Altair Santos

A crise econômica que se instalou no Brasil a partir de 2014, e que repercutiu fortemente na construção civil nacional, levará mais nove anos para que seus efeitos sejam zerados. Ou seja, apenas em 2025 é que o setor voltará a registrar números semelhantes aos de 2014. É o que aponta o estudo “cenários para a indústria brasileira de materiais de construção (2016-2025)”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e encomendado pela ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria dos Materiais de Construção).

Se a lição de casa for feita, produtos de base da construção civil podem ter crescimento sustentável de 3,2% no período de 2017 a 2025
Se a lição de casa for feita, produtos de base da construção civil podem ter crescimento sustentável de 3,2% no período de 2017 a 2025

Para o presidente da ABRAMAT, Walter Cover, ”o material deverá ser útil no planejamento estratégico das empresas associadas e mesmo na definição de políticas comerciais e de investimento para o futuro próximo”. Em seu conteúdo, o estudo avalia que o PIB da construção voltará a crescer positivamente, e acima do PIB nacional, a partir de 2017. A FGV estima que, enquanto o Produto Interno Bruto do país crescer na média de 2,4%, no período 2017-2025, o da construção será de 3,7% - também na média.

Alicerçado em tendências, o conjunto de dados da FGV detecta que o volume de obras de infraestrutura poderá sobrepor-se ao de empreendimentos imobiliários. O cenário se baseia nas demandas detectadas recentemente pelo governo federal, de que o Brasil tem potencial para gerar negócios na ordem de R$ 269 bilhões, relacionados a projetos estruturantes. Esse montante de recursos foi apresentado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a investidores chineses.

Crescimento sustentável
Os cálculos do ministro se baseiam em projeções de 2016 a 2019, e envolvem empreendimentos nas áreas de petróleo e gás, energia elétrica, telecomunicações, transporte, estradas, saneamento, estradas de ferro, aeroportos e mobilidade urbana e portos. “Essa é uma previsão de crescimento substancial. É importante mencionar que o investimento foi o primeiro setor da atividade econômica que reagiu, porque há um sinal claro de que a economia brasileira está crescendo”, disse, em visita aos chineses nos primeiros dias de setembro.

Ainda que as obras de infraestrutura tendam a ser protagonistas até 2025, o segmento não vai ser o que mais irá gerar empregos. Pelos dados da FGV, daqui a nove anos 805 mil trabalhadores estarão atuando na área. Já o segmento de obras imobiliárias tende a chegar em 2025 empregando 2,7 milhões. A mesma projeção estima que toda a cadeia produtiva da construção civil voltará a empregar 3,5 milhões de pessoas em 2015 - mesmo número de 2014.

O lado positivo da análise é que ela conclui que os erros cometidos no período expansionista, de 2007 a 2014, foram plenamente entendidos pelo setor. Isso significa - avalia a FGV - que a construção civil brasileira estaria apta para imprimir um crescimento sustentável a partir de 2017. Feita a lição de casa, o estudo entende que o PIB do setor tem condições de crescer 4,5% ao ano, puxando a taxa de empregabilidade e a produção de materiais de construção, que se expandiria a uma taxa de 3,2%/ano para produtos de base (cimento, areia, cal, blocos de alvenaria e concreto) e de 3,85/ano para os acabamentos.

Entrevistado
Pesquisadores do FGV Projetos: Robson Gonçalves, Ana Maria Castelo, Ana Paula Ramos, Andréa de Paiva, Marco Brancher, Renata Michalani e Roberto Aragão
Contato
robson.goncalves@fgv.br

Crédito Foto: Roman Milert/Fotolia

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Tombamento de obras de Niemeyer busca preservá-las

Reconhecidos pelo IPHAN, prédios também recebem a chancela da Unesco. Porém, títulos de patrimônio da humanidade não impedem patologias

Por: Altair Santos

Em 2007, no ano de seu centenário, Oscar Niemeyer encaminhou uma lista de 24 obras - escolhidas por ele - que deveriam ser tombadas pelo IPHAN (Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Além de emblemáticas, as construções despertavam uma preocupação no arquiteto: a necessidade de que precisariam ser urgentemente submetidas a obras de manutenção. Passados quase 10 anos, o IPHAN acelera esse tombamento para viabilizar a restauração de algumas edificações. Porém, a maioria dos prédios indicados por Niemeyer segue desprotegida.

Teatro Nacional, em Brasília: no começo de 2016, houve manifestação para que prédio fosse reformado e reaberto
Teatro Nacional, em Brasília: no começo de 2016, houve manifestação para que prédio fosse reformado e reaberto

Da lista organizada por Oscar Niemeyer, o primeiro tombamento envolveu o conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha, ocorrido em 2007. O complexo localizado em Belo Horizonte-MG também foi tombado recentemente pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). O reconhecimento ocorreu em julho de 2016, mas há exigências para que o título seja mantido. A prefeitura de Belo Horizonte comprometeu-se com a demolição de obras anexadas ao conjunto - e que não estavam no projeto original -, além de restaurar os prédios e despoluir a Lagoa da Pampulha. O prazo dado pela Unesco é de três anos.

Em maio de 2016, o IPHAN tombou mais três obras de Oscar Niemeyer: o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e a Passarela do Samba, ambas no estado do Rio de Janeiro, além do Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo. Entre esses empreendimentos, o complexo do Ibirapuera é uma das obras mais conservadas da arquitetura de Oscar Niemeyer. Inaugurado em 1954, foi erguido para marcar as comemorações dos 400 anos de fundação da capital paulista. O sambódromo carioca também apresenta boa preservação, principalmente depois das reformas a que foi submetido, por causa dos jogos olímpicos Rio 2016.

Museu de Arte Contemporânea de Niterói: um dos prédios recentemente tombados pelo IPHAN
Museu de Arte Contemporânea de Niterói: um dos prédios recentemente tombados pelo IPHAN

Entre as obras já tombadas, e que levam a assinatura de Oscar Niemeyer, as que requerem mais cuidados são as que se encontram em Brasília. Os prédios projetados pelo arquiteto são tombados não apenas pelo IPHAN, mas pela Unesco. No entanto, a manutenção está a cargo do governo federal e do Distrito Federal. Algumas instalações, como Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada, Congresso Nacional e Esplanada dos Ministérios, passaram por recentes reformas. No entanto, outras instalações são alvo de patologias graves.

Reformas inadequadas
O Teatro Nacional, por exemplo, teve que ser fechado em 2014 e não tem previsão para ser reaberto. Infiltrações e rachaduras estão entre os problemas que afetam o prédio. Idem para o Museu de Arte de Brasília, cujas manifestações patológicas, como excesso de umidade nas paredes internas, impedem a exposição de todo o acervo para visitação pública. Sobre a recuperação destes prédios, o IPHAN justifica que foge de sua alçada fiscalizar e promover reformas. “O IPHAN não monitora individualmente as reformas dos edifícios, pois não tem competência institucional para isso. Essa atividade é responsabilidade do governo local, que é o ente federativo responsável pela execução da política urbana”, diz nota do instituto.

Parque do Ibirapuera: obra inaugurada em 1954 é um das mais bem conservadas do acervo de Oscar Niemeyer
Parque do Ibirapuera: obra inaugurada em 1954 é um das mais bem conservadas do acervo de Oscar Niemeyer

Para avaliar processos de tombamento, o IPHAN conta com a participação de vários organismos ligados à cultura, ao turismo, à arquitetura e à arqueologia. Entre eles, o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Mesmo com o envolvimento de vários setores, mas sem poder fiscalizador, o organismo tem detectado que muitos prédios tombados - sejam assinados por Oscar Niemeyer ou não - passam por reformas inadequadas em todo o Brasil. “O que se tem visto, de maneira geral, são reformas mal concebidas, desrespeitosas à arquitetura original da edificação e que não agregam valor algum ao edifício. Na verdade, são intervenções arquitetônicas de baixa qualidade, boa parte feita sem o acompanhamento de um profissional legalmente habilitado”, alerta o instituto.

Entrevistado
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) (via departamento de comunicação)
Contato
faleconosco@iphan.gov.br

Créditos Fotos: Antônio Cruz/Agência Brasil, Divulgação/IPHAN, Caio Pimenta/SP Turis

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Indústria da construção civil abre portas à inovação

Parceria entre EMBRAPII e Poli-USP libera R$ 30 milhões para o desenvolvimento de projetos que, no prazo de seis anos, devem chegar ao mercado

Por: Altair Santos

Criada em 2013, a EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) selou no Concrete Show 2016 o primeiro convênio com o setor da construção civil. O acordo vai permitir que a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) receba R$ 30 milhões para investir no desenvolvimento de materiais e produtos sustentáveis, os quais, em parceria com os fabricantes, têm o prazo de seis anos para chegar ao mercado.

Convênio assinado no Concrete Show tem como prioridade a busca de produtos ecoeficientes
Convênio assinado no Concrete Show tem como prioridade a busca de produtos ecoeficientes

A associação entre EMBRAPII e Poli-USP abre as portas da construção civil para a inovação, com o compromisso de que os materiais desenvolvidos tenham uma “pegada” ecoeficiente. Por isso, o coordenador do projeto será o engenheiro civil e professor-doutor Vanderley John, atuante em temas abrigados sob o guarda-chuva da construção sustentável. Seu trabalho será prospectar empresas que queiram atuar em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

A parceria com a EMBRAPII vai permitir que a indústria da construção possa aderir ao projeto, diluindo os riscos do investimento. Para cada projeto aprovado, as despesas serão divididas entre EMBRAPII, Poli-USP e a empresa beneficiada. Além disso, a Poli-USP colocará à disposição suas competências em recursos humanos e infraestrutura laboratorial. “É uma oportunidade de fazer a universidade cumprir seu papel no século 21, que é interagir com a sociedade”, disse o vice-reitor da USP, Vahan Agopyan.

A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) atuará como parceira do projeto para ajudar na prospecção de empresas, como assegurou a diretora-técnica Laura Marcellini. Da mesma forma, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) integra o projeto. “A indústria de cimento do Brasil é a mais ecoeficiente do mundo, mas queremos melhorar nossos parâmetros”, afirmou o presidente da ABCP, Renato Giusti, lembrando que o setor é modelar em ações de coprocessamento.

Reaproveitamento de materiais
O diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira, ressaltou a importância do convênio diante do cenário de esgotamento de matéria-prima, de fontes de energia e de recursos hídricos. “É fundamental que o meio acadêmico se preocupe com a obtenção de novas soluções que envolvem reaproveitamento de materiais e de insumos já utilizados e que esse reaproveitamento seja eficiente, traga economia, qualidade e durabilidade dos novos materiais a serem desenvolvidos”, apontou.

Para acordos como o realizado com a Poli-USP, a EMBRAPII segue o seguinte modelo de investimento: desembolso de até 1/3 das despesas do projeto, enquanto o restante é dividido entre a empresa parceira e a instituição de pesquisa científica e tecnológica, que pode ser pública ou privada. “Ao compartilhar riscos de projetos com as empresas (por meio da divisão dos custos do projeto), estimula-se o setor industrial a inovar mais e com maior intensidade tecnológica para, assim, potencializar a força competitiva das empresas tanto no mercado interno como no mercado internacional”, justifica o diretor-presidente da EMBRAPII, Jorge Almeida Guimarães.

Entrevistados
- Vice-reitor da Universidade de São Paulo, Vahan Agopyan
- Diretora-técnica da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT), Laura Marcellini
- Presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Renato Giusti
- Diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira
- Diretor-presidente da EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), Jorge Almeida Guimarães

Contato
contato@embrapii.poli.usp.br

Crédito Foto: Divulgação/Poli-USP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Projetos mais exigentes alavancam concreto dosado em central

Construtoras seguem tendências e querem materiais com maior durabilidade e mais resistência, seja em obras de infraestrutura ou edificações

Por: Altair Santos

Projetos mais exigentes, assim como normas técnicas mais detalhistas, além de novos sistemas construtivos, como o de paredes de concreto, por exemplo, têm estimulado o mercado de concreto dosado em central no Brasil. Entre 2005 e 2012, esse setor saiu de 13% para 20,7% do consumo total de cimento no país. Com a crise econômica, o volume reduziu para 19%, mas o viés é de alta, como constata recente pesquisa da E8 Inteligência – consultoria voltada para coletar informações da construção civil.

Glecia-Vieira
Glécia Vieira, da ABCP: novas tendências são mais exigentes com mercado de concreto

Durante a 10ª edição da Concrete Show, a engenheira civil Glécia Vieira, coordenadora nacional da Comunidade da Construção, mostrou que o mercado de concreto dosado em central no Brasil ainda é dominado pelas chamadas “pequenas concreteiras”, que produzem até 100 mil m3 do material por ano. Estas empresas respondem por até 54% do que é consumido pelas obras que utilizam concreto dosado em central no país. As médias concreteiras (produção de até 500 mil m3 por ano) respondem por 31% e as grandes concreteiras (acima de 500 mil m3 por ano) ocupam 15% do mercado.

Segundo dados levantados pela E8 Inteligência, a produção de concreto dosado em central com 25 MPa a 30 MPa predomina tanto em pequenas quanto em médias e grandes concreteiras. Mas o mercado está mudando. “A tendência aponta que as construtoras têm buscado um concreto com maior durabilidade, menos sujeito a fissurações, principalmente nas obras de infraestrutura”, aponta Glécia Vieira. Já o mercado voltado para a construção de edificações tem solicitado um concreto mais fluido (autoadensável), com menor consumo de água e maior controle de qualidade.

Paredes de concreto e pavimento rígido
A pesquisa apontou que o controle tecnológico do concreto dosado em central não é uma virtude entre as pequenas concreteiras. Apenas 30% delas o fazem, e mesmo assim terceirizam o serviço, ou seja, contratam laboratoristas prestadores de serviço. Por outro lado, 67% das concreteiras médias fazem esse controle, enquanto as concreteiras grandes não só fazem 100% do controle tecnológico do material que produzem como têm laboratórios próprios.

Pavimento de concreto: um segmento que tende a aumentar o volume de concreto dosado em central no Brasil
Pavimento de concreto: um segmento que tende a aumentar o volume de concreto dosado em central no Brasil

Outra tendência verificada pelo estudo da E8 Inteligência é o crescimento do uso do concreto dosado em central nas chamadas autoconstruções, que são as obras particulares. Esse avanço se deve à urbanização das concreteiras e ao aprimoramento de equipamentos, como caminhões-betoneiras e bombas. A pesquisa aponta ainda que o mercado para o concreto dosado em central tende a crescer significativamente nos próximos 15 anos. Por dois motivos: os investimentos feitos pelas concreteiras entre 2005 e 2012 e as novas tecnologias construtivas. No caso dos empreendimentos imobiliários, as paredes de concreto moldadas in loco são uma aposta para o crescimento do concreto dosado em central.

Quanto às obras de infraestrutura, a expectativa é que o crescimento de projetos rodoviários que utilizem pavimento rígido alavanque o consumo de concreto dosado em central. “A infraestrutura, principalmente a rodoviária, apresenta perspectivas enormes para o crescimento do concreto no país. Atualmente, o Brasil possui apenas 7 mil de 203 mil quilômetros de rodovias pavimentadas com concreto, ou seja, 4%. Temos muito a evoluir, pois o material é durável, exige baixa manutenção e reduz o impacto ambiental”, avalia Ricardo Moschetti, gerente do escritório regional da ABCP, em São Paulo, durante o Concrete Show.

Entrevistados
Engenheira civil Glécia Vieira
, coordenadora nacional da Comunidade da Construção
Engenheiro civil Ricardo Moschetti, gerente do escritório regional da ABCP, em São Paulo

Contatos
glecia.vieira@abcp.org.br
www.comunidadedaconstrucao.com.br
ricardo.moschetti@abcp.org.br

Crédito Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concreto de última geração atinge 250 anos e 155 MPa

Desde 2012, 498 obras construídas mundo afora já utilizaram material de alta tecnologia, que chega a um volume total de 15 milhões de m3

Por: Altair Santos

Qual é o futuro do concreto? Foi essa a pergunta que o especialista em superestruturas, Andreas Tselebidis, respondeu em sua palestra no Concrete Show 2016. Com doutorado em engenharia civil pela Universidade de Siegen, na Alemanha, o filho de gregos que virou discípulo de Hans Knoefel, conhecido na Europa como o "papa de concreto”, afirmou que as metrópoles do século 21 exigem estruturas altamente resistentes, duráveis e, ao mesmo tempo, sustentáveis.

Andreas Tselebidis citou que, desde 2012, já existem no mundo 498 edificações construídas, ou em construção, que usam concreto de última geração, cuja característica do material é atingir vida útil de até 250 anos e suportar pressões iguais ou superiores a 155 MPa. Esse concreto, com características autoadensáveis, permite construir superedifícios com alturas que ultrapassam 400 metros, e cujos projetos primam por estruturas cada vez mais esbeltas. “A tendência é termos prédios mais altos e mais finos”, estima.

No 432 Park Avenue, projeto exigia concreto branco de alta resistência
No 432 Park Avenue, projeto exigia concreto branco de alta resistência

Um exemplo é o edifício residencial 57th Street, que está em processo de concepção em Nova York. Trata-se do prédio mais fino do mundo, com 18 metros x 18 metros de área e altura de 451 metros. O projeto é do escritório Shop. “Estamos falando de edificações que não têm colunas centrais, que possuem grandes vãos internos, e que investem na otimização do espaço, pois, em sua maioria, são prédios residenciais. Tudo isso é possível por causa dos novos concretos”, assegura Andreas Tselebidis.

O próprio especialista em superestruturas atuou diretamente no projeto do 432 Park Avenue, também em Nova York, e cujos desafios impostos pelos arquitetos eram criar um concreto branco de alta resistência e com baixo consumo de água, já que a edificação se submeteu à mais rigorosa certificação sustentável. Para cumprir as metas, o concreto usou agregados especiais e aditivos. Ao final da obra, foi economizado 1,1 milhão de litros de água. “Já foram usados 15 milhões de m3 de concreto com essas características em construções de superedifícios”, cita Andreas Tselebidis.

Recordes

57th Street: prédio mais fino do mundo, com 18 metros x 18 metros de área construída
57th Street: prédio mais fino do mundo, com 18 metros x 18 metros de área construída

Outra propriedade destes materiais com alta tecnologia é que permitem grandes volumes de bombeamento. O recorde mundial pertence ao Shangai Tower Center, na China, onde 61 mil m3 foram concretados em 60 horas. Outra marca foi a concretagem do aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes, que ocorreu na mais alta temperatura ambiente: 54 °C. “Chegamos a ter 57 caminhões-betoneiras enfileirados, esperando por quatro horas para descarregar o concreto. Foi realizada a operação sem que o material perdesse suas características”, assegura o especialista.

Questionado sobre o cumprimento às normas técnicas, Andreas Tselebidis disse que as especificações do concreto utilizado nas quase 500 obras obedeceram todas as prescrições. “Os concretos que utilizam alta tecnologia não requerem que sejam alteradas as normas. Eles inovam em métodos construtivos, na logística da obra, nos critérios de sustentabilidade e no número de pessoas envolvidas no canteiro”, garante. “Vale destacar que nenhuma obra até agora construída apresentou sinais patológicos. Estamos falando de materiais que, obviamente, custam mais caro, mas são irretocáveis sob o ponto de vista de segurança de suas estruturas”, concluiu.

Shangai Tower: concreto com características específicas permitiu que 63 mil m³ fossem bombeados em 60 horas
Shangai Tower: concreto com características específicas permitiu que 63 mil m³ fossem bombeados em 60 horas

Entrevistado
Andreas Tselebidis, doutor em engenharia civil pela Universidade de Siegen (Alemanha) e diretor de tecnologias do concreto da Basf

Contato
andreas.tselebidis@basf.com

Crédito Fotos: Divulgação/Handel Architects LLP e Shop Architects

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330