Contra tornados, EUA investem em casas de concreto
Organismo ligado a seguradoras desenvolve programa para a construção de residências mais resistentes a fenômenos climáticos
Por: Altair Santos
A temporada de tornados nos Estados Unidos, que sempre acontece no período da primavera no hemisfério norte, está mudando o mercado de pequenas construtoras do país, e que se dedicam a edificações com custo de até US$ 200 mil (aproximadamente R$ 650 mil). Casas neste patamar de preço são as mais vendidas no país e costumam ser construídas através do sistema conhecido como Wood Frame, que utiliza estruturas de madeira. O problema é que são habitações que não suportam os fortes ventos causados por tornados e furacões, obrigando que sejam 100% reconstruídas quando atingidas por esses fenômenos climáticos.

Pesquisa do Instituto para Negócios & Segurança Habitacional (IBHS, do inglês Institute for Business & Home Safety) mostra que casas construídas em Wood Frame não resistem nem a tornados F-0 e F-1, os menores na escala de 0 a 6, e que abrangem vendavais entre 117 km/h e 180 km/h. Em documento publicado em março de 2016, contando com a assessoria técnica do ACI (American Concrete Institute), a IBHS passou a defender a construção de casas com paredes de concreto, assentadas sobre radiers reforçados para suportar tornados. “Estamos em campanha por construções mais fortes, principalmente no Tornado Alley”, diz a IBHS.
O Tornado Alley, ou Alameda dos Tornados, engloba Oklahoma, Kansas, Arkansas, Iowa e Missouri. Para estes estados, e também para os que formam o Golfo do México – propensos a furacões –, a IBHS recomenda estruturas que possam suportar ventos de até 234 km/h. Para isso, o instituto lançou o programa Fortified (Fortificado), para conscientizar os construtores. “Nosso esforço é para propagar melhores métodos de construção. Hoje, estamos convictos de que casas que utilizam estruturas de concreto são muito mais seguras”, diz Chuck Miccolis, engenheiro-sênior e gestor do programa Fortified, que é financiado por mais de 200 seguradoras dos Estados Unidos.
Apólices somam US$ 8,3 bi por ano

Boa parte destas empresas está colocando obstáculos para aceitar seguros de casas em Wood Frame, sob a alegação de que são “construções frágeis”. “Com o Fortified queremos certificar casas bem construídas e que tenham estruturas para suportar ventos até 20 Mph (32 km/h) maiores que o limite médio”, explica Chuck Miccolis. Ou seja, se determinada região registra ventos médios de 100 km/h, as construções devem suportar fenômenos de 132 km/h. Para o gestor do programa, existe também a questão do custo. “O sistema que indicamos permite construir casas cerca de 30% mais baratas, mais seguras e igualmente confortáveis”, diz. Anualmente, as seguradoras dos Estados Unidos são obrigadas a pagar US$ 8,3 bilhões (mais de R$ 25 bilhões) por danos em residências, causados por fenômenos climáticos.
As construções sugeridas pelo programa Fortified utilizam fôrmas que internamente recebem revestimento em EPS (poliestireno expandido) para garantir desempenho térmico e acústico. O preenchimento com concreto é in loco. Tanto projetos para residências quanto para edifícios de até cinco pavimentos podem utilizar o mesmo sistema. A iniciativa da IBHS conta com a certificação da Insulating Concrete Form Association (ICFA) (Associação de Fôrmas e Isolamentos para Paredes de Concreto) e da Portland Cement Association (PCA) (Associação de Cimento Portland) - ambas dos Estados Unidos -, além do apoio técnico da ACI (American Concrete Institute).
Veja vídeo sobre construção de casa com paredes de concreto nos EUA
Entrevistado
Chuck Miccolis, engenheiro-sênior e gestor do programa Fortified do IBHS (Institute for Business & Home Safety) (via assessoria de imprensa)
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info@ibhs.org
www.disastersafety.org
Crédito Fotos: IBHS/PCA
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Nem pedra nem paver: a vez é das calçadas de concreto
Tendência vem dos EUA, onde engenheiros dos departamentos de obras das prefeituras buscam melhores soluções de mobilidade para os pedestres
Por: Altair Santos
As calçadas de concreto, montadas sobre armações de ferro, estão voltando a ganhar espaço nas cidades. Não no Brasil, mas nos Estados Unidos. Engenheiros dos departamentos de obras das prefeituras norte-americanas se uniram em um congresso para debater a qualidade das calçadas no país. O resultado é que os passeios construídos em concreto saíram fortalecidos do encontro. Por dois motivos: são mais baratos, desde que construídos com mão de obra qualificada, e duram mais, desde que bem projetados e executados. “O consenso que se criou na reunião entre chefes de departamentos de obras das prefeituras é que economizaríamos muito em manutenção se tivéssemos calçadas de concreto bem construídas”, disse David Earle, gerente de projetos da prefeitura de Tallahassee, na Flórida-EUA.

O que faltava era criar um padrão. Não só sob o aspecto construtivo, mas também para ajustar os projetos a elementos novos das cidades, como normas de mobilidade. “Nosso encontro ocorreu em 2014. Depois dele, levamos um ano para treinar nossa mão de obra e chegar a um consenso sobre métodos construtivos. As primeiras calçadas começaram a ser substituídas no segundo semestre de 2015”, completa Earle. Entre as principais preocupações com o projeto estavam textura do concreto, para que os pedestres não escorregassem; nivelamento, para evitar poças, e um design que funcionasse também como junta de dilatação e reduzisse o risco de o concreto apresentar fissuras ou quebrar em pontos críticos, como rebaixamento de guias.
Selo de qualidade
Para esse trabalho, grupos de arquitetos e engenheiros civis prestaram assessoria. “Lógico que, além das preocupações construtivas, o desafio era criar uma calçada original, atraente e que fizesse a população das cidades se sentir motivada a trocar os passeios antigos pelos novos”, disse David Earle. Outro obstáculo a ser vencido foi a legislação. Algumas prefeituras não tinham regulamentação sobre calçadas, deixando o projeto a cargo do dono do imóvel, enquanto outras possuíam regras mais restritivas. No caso de Tallahassee, a solução foi treinar pequenas empreiteiras e credenciá-las para prestar serviço. Quando o proprietário é notificado para trocar a calçada, ele tem a opção de escolher uma das empresas credenciadas.

A revitalização de calçadas com concreto armado recebeu o selo de qualidade do Americans with Disabilities Act (ADA). O organismo é voltado para os direitos civis das minorias nos Estados Unidos e é vigilante com relação à mobilidade urbana das cidades para pessoas com problemas de locomoção. Criada em 1990, a ADA tem um código para construção de calçadas, que foi atendido pelos departamentos de obras das prefeituras norte-americanas. Tecnicamente, as calçadas são construídas com 10 centímetros de espessura - podem chegar a 12 centímetros em áreas com guia rebaixada e que recebem o tráfego de veículos. O concreto é dosado em central, assentado sob armadura de ferro, e as juntas de dilatação são colocadas a cada 9 metros - a distância pode ser reduzida em áreas de esquina ou onde a topografia não é plana.

Entrevistado
Engenheiro civil David Earle, gerente de projetos da prefeitura de Tallahassee, na Flórida-EUA
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David.Earle@talgov.com
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Maior parte das obras residenciais está abandonada
Nas principais capitais do Brasil, 84% das construções ou reformas foram paralisadas momentaneamente. O principal motivo é a falta de dinheiro
Por: Altair Santos
Estudo da Plataforma de Inteligência de Mercado, realizado em 12 grandes centros urbanos do Brasil, mostra que 84,3% das obras residenciais foram paralisadas momentaneamente. Entre os principais motivos, a maior parte (61,8%) interrompeu por “falta de dinheiro”, seguido por “queda na renda” (28,4%), “incertezas em relação ao futuro da economia” (15,5%) e “problemas com mão de obra” (15%).

Segundo o gestor da Plataforma de Inteligência, Newton Guimarães, a paralisação das obras está diretamente ligada ao ambiente macroeconômico recessivo. Porém, ele ressalta que vale refletir em relação aos que responderam ter interrompido por problemas com mão de obra. “Este é um entrave em que as empresas do setor devem atuar diretamente, pois ele pode ser minimizado através de parcerias para qualificação de pintores, pedreiros, eletricistas, encanadores e azulejistas”, diz.
Entre os que responderam que vão continuar a investir em obras em suas residências, 51,5% disseram que “por necessidade, vão reduzir o orçamento”. Já 34,9% alegaram que gastarão “o que for justo na continuidade da obra”, enquanto 13,6% responderam que “estimam investir mais que o planejado na continuidade da obra”. “Para reverter esse quadro de enxugamento dos gastos, mesmo com as obras em andamento, existe a expectativa de que fornecedores e varejistas reajam no segundo semestre de 2016, principalmente com promoções”, estima Newton Guimarães.
O estudo, intitulado Desenvolvimento de Novos Mercados nas Perspectivas dos Consumidores que Reformaram ou Construíram, dividiu a pesquisa em tipos de obras já feitas e por fazer. Entre os entrevistados, 62,9% responderam ter realizado obras de acabamento e 66,7% disseram manter a intenção de realizar novas obras de acabamento na continuidade da reforma ou construção.
Cresce venda pela internet
Dos canais utilizados para as compras de materiais de construção, que vão de cimento a tomadas e acessórios para banheiro, 52,3% afirmaram preferir comprar em lojas de bairros, enquanto 50,8% optam por home centers. Já 4,3% disseram ter a intenção de comprar via e-commerce. “No que tange a compras de materiais de construção pela internet, esse percentual demonstra um ponto positivo em relação à mudança de comportamento do consumidor”, avalia o gestor da Plataforma de Inteligência.
Quando dividida por estados, a pesquisa mostra que os consumidores de Minas Gerais são os que mais sentiram o impacto da crise durante a obra (59,4%), seguidos dos cariocas (55,5%). Para atenuar os efeitos da atual recessão, e conseguir continuar com as reformas ou construções, 88,9% dos entrevistados afirmaram estar passando mais tempo dentro de seus lares, cortando gastos com lazer e refeições fora de casa.
A pesquisa finaliza perguntando se as reformas ocorrem dentro dos ambientes já construídos ou se envolvem novas áreas. Para 36,5%, a intenção é realizar obras externas, como calçamento, muros, varandas, garagens ou coberturas para veículos. Já 36,1% afirmaram que pretendem construir um ou mais cômodos anexos à casa. Os demais 27,4% pretendem realizar reformas em áreas já construídas.
Entrevistado
Newton Guimarães, gestor da Plataforma de Inteligência
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Como micromomentos influenciam mercado imobiliário
Segundo Igor Lima, Head of Industry do Google Brasil, setor começa a encontrar uma nova fronteira para atrair clientes e vender imóveis
Por: Altair Santos
Em média, o brasileiro consulta o smartphone 80 vezes por dia. A busca por informações representa 40% desses acessos. Quando navega via celular, o usuário se defronta pelo menos oito vezes com dados relacionados ao mercado imobiliário. São insights que o Google renomeou de micromomentos, como define Igor Lima, Head of Industry do Google Brasil. É através deles que o setor começa a encontrar uma nova fronteira, tanto para atrair clientes quanto para reaprender a vender imóveis.

Segundo o especialista do Google, o usuário de smartphones está cada vez mais envolvido com micromomentos em seu dia a dia. “Os micromomentos estão relacionados diretamente com o smartphone. São as buscas que as pessoas fazem, via celular, para realizar pesquisas, buscar informações, acessar vídeos, verificar as redes sociais, procurar locais, o que fazer, como fazer. Detectamos que esses micromomentos estão mudando a forma como o consumidor recebe e reage às ações de marketing”, explica Igor Lima.
O Head of Industry do Google Brasil revela que esse comportamento acaba funcionando para o mercado imobiliário. “O consumidor também usa esses micromomentos para saber se vale a pena investir em imóveis, como financiar, como chegar no endereço do imóvel ou visitar um estande. Isso vale ainda para quem pensa em reformar, pois ele acaba buscando vídeos sobre soluções construtivas e materiais, além de pesquisar sobre onde comprar”, completa.
Consultar imóveis pelo smartphone já não é mais um ponto fora da curva. Pelo contrário, diz Igor Lima, a tendência é de viés de alta. “Hoje, 40% das pessoas que buscam por imóveis realizam pesquisa via smartphone, seja para comprar ou para alugar. É um numero que está crescendo, e que existe a expectativa de que essa chave vire a partir de 2017”, avalia Igor Lima, cuja palestra na Conecta Imobi - maior evento de marketing imobiliário do Brasil - foi uma das mais concorridas.
Empoderamento do consumidor
Segundo o especialista, essa nova realidade que se vislumbra no mercado imobiliário é desafiadora para os corretores, pois eles vão receber um cliente cheio de informações. “É o empoderamento do consumidor. Agora, o corretor não precisa só saber do imóvel, mas do entorno do imóvel. Ele também tem que entender como o empreendimento foi construído, além de estudar soluções decorativas para o tamanho da unidade que quer vender”, assegura.
Igor Lima faz ver que os micromomentos não são apenas uma janela de oportunidades para o consumidor, mas também para quem atua no mercado imobiliário. “O corretor tem à disposição novos recursos que permitem impactar esse público online e medir os resultados das ações de forma muito mais assertiva. Os vídeos no YouTube, por exemplo, são uma excelente alternativa, pois permitem mais sobre os imóveis ou mesmo sobre a atuação do corretor, sem que haja necessidade de grandes investimentos. É possível ainda explorar o uso de redes sociais. Outro ponto muito importante é contar com ferramentas responsivas, que se adaptam para ser visualizadas no smartphone”, recomenda.
Entrevistado
Igor Lima, Head of Industry do Google Brasil
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Medidas simples ajudam varejo a vender mais na crise
Especialistas em marketing e consultoria de vendas parecem convictos de que conceitos que investem no ganha-ganha atraem mais clientes
Por: Altair Santos
Pesquisa realizada pelo Ibope, em parceria com o fórum World Wide Independent Network of Market Research, que atua em 25 países, concluiu que o consumidor mudou. Desde a crise de 2008, nos Estados Unidos, e que refletiu na economia mundial, a predisposição para gastar está mais contida. Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados suspenderam compras supérfluas e concentraram as despesas em alimentação, habitação e educação.

Com base no resultado da pesquisa, a consultoria Observatório de Sinais realizou o estudo intitulado “Consumo em tempos de crise”, no qual detecta mudanças de comportamento do consumidor também no Brasil. A avaliação revela o surgimento de uma nova “ética capitalista”. “De modo geral, há uma desafeição pelo consumo. O que se evidencia é uma tendência a repensar posições e limites. Capitalismo sim, consumo moderado pode ser, ganância não”, resume Dario Caldas, diretor do Instituto Observatório de Sinais.
Por conta destas mudanças, empreendedores do varejo e especialistas em marketing e consultorias de venda se uniram para elaborar um guia resumido de como atrair o cliente. O consenso entre eles é de que a simplicidade é a melhor ferramenta para conseguir mobilizar o consumidor. Conceitos que investem no ganha-ganha também estão entre as dicas fundamentais.
Segundos os autores, o conjunto de dicas vale para todo tipo de varejo, incluindo o de materiais para construção. Neste segmento, a palavra sustentabilidade passou a ter um significado ainda mais relevante para o consumidor. Com base no estudo “Consumo em tempos de crise”, 92% dos clientes buscam produtos com ciclo de vida mais longo. “As pessoas estão indo comprar com a expectativa de que o produto que buscam exceda suas expectativas”, resume o especialista em estratégias, Marcos Morita.
Medidas que levam a oportunidades
Com base nessas ideias, o varejo consegue vender mais na crise se adotar as seguintes medidas:
- Expor produtos sem ostentação
- Adotar bom humor no marketing
- Eliminar barreiras físicas entre consumidor e produtos
- Fazer promoções
- Ter mercadorias que atraiam os públicos feminino e masculino
- Possuir linhas de produtos que ofereçam um plano b ao consumidor e permitam a ele gastar menos
- Flexibilizar horários para atender o consumidor
- Transmitir informações dos clientes aos fornecedores
- Estar pronto para atender a urgência do cliente
- Oferecer vantagens para fidelizar, apostando no conceito ganha-ganha
- Surpreender o cliente
- Fazer o pós-venda
- Investir nas redes sociais
- Interagir com o cliente
- Ter sempre preços competitivos
Com base nessas 15 dicas, Marcos Morita sugere que o momento exige visão para as oportunidades. “É importante lembrar que a palavra crise, em chinês, é composta pelos ideogramas WEI e JI, que significam perigo e oportunidade. Mas é preciso ter planejamento para vislumbrar oportunidades. Por isso, quem atua no varejo deve sempre analisar os três pilares que envolvem seu negócio: fornecedores, concorrentes e consumidores. É preciso também estar atento ao comportamento do mercado. Às vezes, se o produto principal tem baixa demanda, um complementar ou substituto pode ser mais consumido. A oportunidade pode estar aí”, alerta Marcos Morita.
Entrevistados
Consultoria Observatório de Sinais
Marcos Morita, professor da universidade Mackenzie e especialista em estratégias
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Nova York abriga os mais caros apartamentos do mundo
Imóveis com preço entre 1,7 milhão a 70 milhões de dólares fazem parte da lista e levam a assinatura de alguns dos mais renomados arquitetos
Por: Altair Santos
Apartamentos custando entre 1,7 milhão a 70 milhões de dólares fazem parte da lista dos 20 imóveis mais caros do mundo, e que têm um endereço em comum: a ilha de Manhattan, na cidade de Nova York, nos Estados Unidos. Além da localização, os prédios que abrigam esses apartamentos acrescentaram uma palavra-chave aos seus respectivos projetos: luxo. Boa parte das plantas tem terraços externos, piscinas privadas, um clube à disposição no condomínio e comodidades que abrangem de lavanderia a serviço de concierge.
Os empreendimentos levam a assinatura de alguns dos mais renomados arquitetos do mundo e possuem plantas exclusivas. Como o One West End, projetado pelo arquiteto Pelli Clarke. O prédio combina fachada de vidro e mármore indiana. São duas torres com 154 metros de altura e 246 unidades – cada uma com 114 m2. As mais baratas custam 1,7 milhão de dólares e as mais caras US$ 8 milhões. São preços “modestos”, comparados com as unidades do Carlton House, que variam entre US$ 8 milhões e US$ 22 milhões.
O prédio, projetado pelo escritório Beyer Blinder Belle, tem uma arquitetura retrô e mereceu um artigo no jornal New York Times, com o título “Inovação em embalagem de edifício antigo”. O que chamou a atenção do NYT foi o acabamento interno, com materiais importados da Alemanha. “Por dentro, as unidades são um mundo novo, com tudo o que há de mais moderno na construção civil atual. Por fora, a arquitetura da fachada remete ao mundo velho e a uma Nova York que não existe mais”, diz o artigo.
Oásis em NY
O Carlton House tem uma concepção bem diferente do 70 Charlton, localizado no West Soho. O projeto do prédio tem a pretensão de ser um oásis em New York. A concepção arquitetônica também é do escritório Beyer Blinder Belle, mas busca conceitos bem diferentes do Carlton House. O 70 Charlton é um prédio tecnológico e que utiliza ao máximo as práticas de sustentabilidade. Com unidades com um, dois, três e quatro quartos, o edifício tem uma fachada que expõe sua estrutura mista de aço e concreto.
Entre os prédios com apartamentos mais caros de Nova York, nenhum supera o 50 United Nations Plaza. O edifício de 40 andares tem unidades que podem chegar a 70 milhões de dólares e um vizinho ilustre: a sede da Organização das Nações Unidas. O projeto é do renomado escritório Foster + Partners, que assina obras que vão de pontes a aeroportos. A fachada resume o estilo do empreendimento e une vidro com aço inoxidável. “O objetivo é fazer com que o 50 United Nations Plaza reluza imponentemente em Nova York”, afirmou o arquiteto Lord Foster, sem nenhuma modéstia, como são, aliás, os luxuosos prédios nova-iorquinos.
Na lista dos 20 apartamentos mais glamorosos de Nova York incluem-se o The Bryant (com unidades de US$ 2,5 milhões a US$ 6,5 milhões); o 443 Greenwich (com unidades de US$ 7,5 milhões a US$ 27,5 milhões); o One57 (com unidades de US$ 18 milhões a US$ 58 milhões); o 88 & 90 Lex Sales Gallery (com unidades de US$ 1,8 milhão a US$ 5,1 milhões); o 20 East And Avenue (com unidades de US$ 4,5 milhões a US$ 35 milhões); o One Riverside Park (com unidades de US$ 7 milhões a US$ 28 milhões); o The Astor (com unidades de US$ 1,7 milhão a US$ 7,5 milhões) e o 55 West 17th Street (com unidades de US$ 4,5 milhões). A contrapartida de tanto luxo é que os construtores impõem algumas exigências para a venda. A principal delas é que o comprador tenha fortuna equivalente a dez vezes o valor do imóvel de seus sonhos.
Entrevistados
Escritórios de arquitetura Beyer Blinder Belle, Pelli Clarke e Foster + Partners (via assessorias de imprensa)
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Créditos Fotos: Divulgação/Beyer Blinder Belle, Pelli Clarke, Foster + Partners
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Mata Atlântica terá estrada de baixo impacto ambiental
Novo traçado vai ligar o porto de Antonina à BR-277, no litoral paranaense, e terá ponte com mais de dois quilômetros de extensão
Por: Altair Santos
O trecho de 10,3 quilômetros da PR-340, que ligará a BR-277 ao município de Antonina, no litoral paranaense, tem um projeto ambicioso: quer ser a estrada brasileira com o menor impacto ambiental. O traçado cortará a Mata Atlântica em uma de suas áreas mais preservadas. Por isso, todo o plano passa por um rigoroso estudo ambiental, assim como os sistemas construtivos que estejam em sintonia com a proposta. “Como passará por uma área rica em biodiversidade, o objetivo é causar o mínimo impacto ambiental possível com a construção do novo acesso”, afirma o coordenador-técnico do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), Glauco Tavares Luiz Lobo.

Para garantir a preservação da fauna e da flora, está prevista uma ponte com 2,1 quilômetros de extensão, que será construída com as tecnologias empregadas no Rodoanel que contorna a cidade de São Paulo e no trecho da rodovia Régis Bittencourt que corta a serra do Cafezal. A obra é considerada estratégica para tornar o porto de Antonina competitivo. “A técnica proposta para a construção desta nova ponte é a cantitraveller. A tecnologia permite que a ponte seja construída sem a necessidade de as máquinas entrarem nas áreas de mangue. A obra avança conforme as estacas são fixadas e as peças encaixadas como um Lego”, explica o coordenador-técnico do DER-PR.
A rodovia é necessária para atender o aumento de demanda do porto e, consequentemente, fortalecer a economia dos municípios de Antonina e Morretes. De 2010 a 2015, o terminal triplicou sua movimentação, chegando a 1.500 toneladas anuais. Em 2016, o crescimento do fluxo de cargas tem se mantido com a retomada das exportações de farelo de soja - no primeiro trimestre a movimentação cresceu 130% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2015, o porto retomou as atividades de embarque de açúcar, o que também aumentou o fluxo de veículos pesados. O movimento de 400 caminhões/dia tende a crescer para mais de 1.000/dia.
Obra deve custar R$ 170 milhões
Segundo o DER-PR, com o novo trecho da PR-340 será possível também retirar os veículos pesados das regiões centrais das cidades históricas de Morretes e Antonina. "Hoje, a rodovia que liga Morretes e Antonina está sobrecarregada, recebe tráfego pesado e tráfego de longa distância, além de apresentar conflitos de uso entre pedestres e ciclistas", relata Glauco Tavares Luiz Lobo. Ele também menciona dados da Polícia Rodoviária Estadual, que apontam a ocorrência de 428 acidentes e 370 feridos no local, entre 2004 e o final do primeiro semestre de 2016. Por isso, ao longo de todos os 10,3 quilômetros do traçado a ser construído haverá calçamento e ciclovia.
O investimento previsto é de R$ 170 milhões e o projeto encontra-se, atualmente, na fase de audiências públicas para a apresentação do traçado e do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima). Após as audiências, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vai avaliar a emissão da licença prévia para a obra. Assim, o DER-PR estará apto a contratar o projeto de engenharia para a construção do novo acesso. A expectativa é de que as obras possam ser autorizadas a começar entre o segundo semestre de 2017 e o primeiro semestre de 2018.
O EIA/RIMA sobre o novo acesso pode ser consultado aqui.

Entrevistado
Engenheiro civil Glauco Tavares Luiz Lobo, coordenador técnico do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR)
Contato
glaucolobo@der.pr.gov.br
Créditos Fotos: João Luís da Conceição/A2 Comunicação, Divulgação/DER-PR
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
EUA investem em engenheiros especialistas em concreto
Objetivo da ACI (American Concrete Institute) é minimizar risco de retrabalho em estruturas e impedir prejuízo anual de 21 bilhões de dólares
Por: Altair Santos
Em 2015, estudo apresentado no World of Concrete – maior feira sobre concreto e derivados do mundo – chamou a atenção das autoridades dos Estados Unidos. Dizia que 25% dos reparos em estruturas de concreto feitos no país, no período entre 2013 e 2014, abrangiam construções novas com um ou dois anos de execução.

Não se trata, portanto, de anomalias decorrentes da idade do material, mas de erros na concepção do concreto. “Detectamos que as principais razões das falhas estão ligadas ao uso inadequado de materiais, falta de conhecimento sobre novas tecnologias aplicáveis ao reparo e pouco treinamento para os profissionais que atuam na área”, revelou Rick Yelton, um dos coordenadores do World of Concrete, e que recentemente esteve no Brasil para falar das medidas tomadas nos EUA para enfrentar esse problema.
Rick Yelton cita que erros como não-conformidade com a resistência exigida no projeto, agregados de baixa qualidade, especificações técnicas não condizentes com o que a obra exige e mão de obra não-qualificada para o manuseio do concreto acabam desencadeando retrabalho em várias obras, gerando um custo bilionário por ano em reparos. “Para nós foi constrangedor concluir que os gastos com reparos em concreto chegaram à casa de US$ 21 bilhões ao ano. Isso demonstrou que estruturas que deveriam durar entre 50 anos e 60 anos não estavam atendendo a expectativa”, analisou.
O especialista ressaltou ainda que algumas estruturas avaliadas no estudo apresentavam problemas com menos de um ano, desde a execução. “Retrabalho em estruturas novas não gera apenas custos elevados, mas pode afetar a credibilidade do concreto que, todos sabem, é o material mais confiável do mundo, quando produzido com qualidade”, disse.
Curso e revisão da ACI 546-14
Para minimizar esses riscos, a ACI (American Concrete Institute) passou a dar cursos online para engenheiros civis norte-americanos que queiram se especializar em produção e controle do concreto. Além disso, a ACI desenvolveu um código para a reparação de concreto, e que foi publicado em 2014. O documento serviu para atualizar a norma técnica ACI 546-14, da qual Rick Yelton, que também é fabricante de concreto nos EUA, integrou o comitê.
“A ACI 546-14 fornece orientação para a seleção de materiais, aplicação destes materiais e métodos para a reparação, proteção e reforço de estruturas de concreto, principalmente no que se refere ao cobrimento”, afirmou o especialista. “Há um capítulo específico sobre cobrimento, e de como se evitar ninhos, que são algumas das anomalias que mais detectamos em nosso estudo. A proteção das armaduras é fundamental”, completou Rick Yelton.
A ACI 546-14 traz em seu capítulo 9 as tecnologias e novos materiais usados para reparar concreto. Entre eles, resina epóxi, resina de uretano, argamassa plástica, selantes plásticos e de silicone, além de calda de cimento. “São técnicas de reparo que já comprovaram bons resultados e que ensinamos como manuseá-las no curso. Temos um objetivo claro de, até 2020, reduzir em 50% as anomalias que tanto dão prejuízo à construção civil nos Estados Unidos e, imagino, em outros países também”, finalizou Yelton.
Entrevistado
Rick Yelton é coordenador do World of Concrete e engenheiro de minas pela Universidade de Missouri-Rolla, além de MBA em negócios internacionais pela Universidade de St. Louis
Contato
ryelton@hanleywood.com
Crédito Foto: Divulgação/Construction Summit
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Escola sustentável em Curitiba vende energia excedente
Construído dentro dos padrões da certificação LEED Platinum, edifício tem miniusina em seu telhado, com 370 m² de painéis fotovoltaicos
Por: Altair Santos
A nova unidade de ensino do Senac na cidade de Curitiba-PR é a mais autossustentável do Brasil na modalidade escola. Inaugurado no final de julho de 2016, o prédio possui uma miniusina de energia em seu telhado, com 370 m² de painéis fotovoltaicos. “É uma instalação inovadora, e grande, se comparada com o que tem sido implantado no país. É a maior registrada pela Copel em termos de mini e microgeração de energia no Paraná”, afirma o engenheiro eletricista André Bollini, que fez a consultoria ambiental do empreendimento para que recebesse a certificação LEED Platinum.

O certificado agrega as mais altas pontuações em relação às construções sustentáveis, e tem como característica o uso inteligente de recursos naturais, a otimização dos materiais e a eficiência de equipamentos instalados no edifício. Segundo o diretor da RAC Engenharia, construtora responsável pela execução da obra, Ricardo Cansian, alcançar este alto nível de sustentabilidade exigiu que os conceitos da LEED Platinum fossem implantados desde a concepção do projeto até a conclusão do prédio. “São procedimentos que vão gerar economia que pode chegar a 52% em energia elétrica e a 42% em água”, destaca.
As 228 placas solares instaladas na cobertura da edificação foram fundamentais para que a unidade do Senac alcançasse os índices de sustentabilidade exigidos pela certificação LEED Platinum. A inovação do sistema é que, em dias de baixa demanda da escola, como finais de semana e feriados, o excedente de energia elétrica produzido pelas placas será vendido para a Copel - companhia de energia do Paraná. Isso vai gerar créditos ao Senac, permitindo abatimento na fatura mensal. “Estimamos que o retorno de investimento de todo o sistema se dará em aproximadamente 7 anos e meio”, revela Ricardo Cansian.
Canteiro de obras

Além da miniusina, o sistema de iluminação da escola também vai permitir menor consumo de energia da rede elétrica. O prédio tem 2,5 mil lâmpadas de LED com fotocélulas instaladas na área externa (fachadas, postes e balizadores externos) e nas salas de aula, que contam com sensores que desligam a iluminação quando estiverem vazias. Os ambientes também foram projetados para aproveitar ao máximo a ventilação natural e a luz do dia. Quando não for possível atender o conforto térmico naturalmente, o prédio aciona um sistema de climatização inteligente, capaz de atuar conforme a demanda de cada ambiente.
O edifício foi construído em sistema convencional de alvenaria. Para se habilitar à certificação LEED Platinum, a compra de materiais com baixa emissão de poluentes e a gestão do canteiro de obras foram primordiais. “O canteiro atingiu performances exemplares perante os critérios de certificação. Todos os materiais puderam ser reciclados, gerando o mínimo de impacto no entorno”, diz André Bollini. A execução da obra durou 18 meses. Projetada pelos arquitetos Eduardo Almeida e André Leite, a edificação tem 3.174,66 m² de área construída, com seis pavimentos. Ela está preparada para receber diariamente até 1.500 pessoas, entre alunos e funcionários do Senac.

Entrevistados
Engenheiro civil Ricardo Cansian, diretor da RAC Engenharia
Engenheiro eletricista André Belloni, gerente de projetos da Petinelli – Soluções em Green Building
Contatos
rac@raceng.com.br
info@petinelli.com
Crédito Fotos: André Sade/Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Em pleno século 21, marquises ainda caem. Por quê?
Erros de projeto, falta de manutenção e uso inadequado estão entre as principais causas que levam ao desabamento dessas estruturas
Por: Altair Santos

No Brasil, em pleno século 21, marquises ainda caem. Pior: fazem vítimas fatais. Em 2015, houve 15 casos registrados de marquises que desabaram no país – três delas com vítimas. A estatística pode ser maior, pois há casos que não são comunicados aos organismos de fiscalização. Neste ano, os acidentes não regrediram. Entre janeiro e julho aconteceram nove desabamentos de marquises construídas em concreto armado, causando cinco mortes e deixando três pessoas feridas.
As quedas acontecem indiscriminadamente, do sul ao norte do país. Mas em um estado o volume de quedas de marquises é maior: o Rio Grande do Sul. Só em 2016, houve dois desabamentos e três mortes. Em 25 de abril, em São Leopoldo, uma pessoa morreu e outra ficou ferida. Em 21 de julho, foram duas vítimas fatais em Porto Alegre. Neste acidente recente, o CREA-RS concluiu que houve sobrecarga na estrutura.
Segundo o professor Marcelo Medeiros, coordenador da pós-graduação em engenharia da construção civil da UFPR (Universidade Federal do Paraná), as principais causas que levam as marquises ao colapso estão relacionadas às seguintes possibilidades: deficiências de projeto, mau posicionamento das armaduras, corrosão de armaduras, sobrecarga e escoramento incorreto.
O engenheiro civil ainda lembra que dois problemas fundamentais fazem com que as marquises caiam. Um é conceitual: alguns especialistas as projetam como se fossem lajes. O outro está relacionado à manutenção. Segundo Marcelo Medeiros, marquises precisam ser constantemente avaliadas, o que dificilmente ocorre no Brasil. “Marquises fogem à regra de que o concreto avisa quando vai desabar. Elas simplesmente caem”, afirmou, em palestra no 1º Simpósio Paranaense de Patologia de Construções (SPPC).
Atenção especial

Marcelo Medeiros explica também que marquises são estruturas de concreto armado que precisam ter um olhar diferente. “Fica claro que é fundamental criar a conscientização de que uma marquise é um elemento de características diferenciadas em relação ao resto da estrutura e, por isso, deve ter atenção especial na fase de projeto, execução e uso. Além disso, um programa de manutenção preventiva é de extrema importância para qualquer estrutura de concreto armado e, no caso das marquises, muito mais, já que se trata de uma estrutura isostática e com um único vínculo que sofre ruptura brusca, sem aviso”, disse em artigo que escreveu em parceria com Maurício Grochoski, intitulado “Marquises: por que algumas caem?”, publicado na edição 46 da Revista Concreto.
O professor da UFPR ainda lembra em seu artigo que uma marquise consiste em um elemento estrutural que fica em contato com a edificação principal apenas pela região de engastamento. “Isto implica em uma característica, se não perigosa, no mínimo merecedora de atenção especial, seja no projeto, na execução e na conservação desta ao longo do tempo”, diz, complementando que o profissional para as vistorias periódicas de marquises não pode ser um simples engenheiro civil. “É preciso especialização e muita experiência na área de patologia e funcionamento estrutural do concreto armado”, finaliza.
Entrevistado
Engenheiro civil Marcelo Medeiros, professor e coordenador da pós-graduação em engenharia da construção civil da UFPR (Universidade Federal do Paraná)
Contato:
medeiros.ufpr@gmail.com
Crédito Fotos: Divulgação/PetCivil UFPR
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330












