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Concreto pode ser aparente, mas não deve ser exposto

Área Técnica, Gestão, Inovação, Mercado da Construção, Novas Tecnologias, Sobre Cimento, Sobre Concreto, Tendências construtivas 19 de setembro de 2012

Obras de infraestrutura nas cidades tendem a não receber proteção, o que é um erro, segundo explica o professor da UFRGS, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho

Por: Altair Santos

Por convencimento, o Departamento de Engenharia Civil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) conseguiu que a prefeitura de Porto Alegre pintasse todas as pontes e viadutos da cidade com tinta impermeável à água. A medida relativamente simples passou a poupar as estruturas de deteriorações localizadas, que ao longo do tempo trazem problemas de desempenho, como as corrosões de armaduras que ficam expostas. “Esse tipo de proteção ajuda a homogeneizar a obra, preservando seus pontos deficientes”, diz o professor da UFRGS, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho.

Com base nesse exemplo de Porto Alegre, o especialista defende que o concreto pode ser aparente, mas não pode ser exposto. Ele diz isso referindo-se também às estruturas pré-fabricadas, que, apesar de serem construídas com mais precisão, não significa que não estejam sujeitas a problemas. “O tempo é inexorável. Então, a vida útil de uma obra deve ser manejada. No caso dos pré-fabricados, ainda que o ambiente de produção favoreça o menor número de erros, as conexões e a montagem são desafios para esse tipo de estrutura. Por isso, pré-fabricado ou pré-moldado aparente não significa que não precise ser protegido. Tintas, impermeabilizantes e silano-siloxanos são boas soluções para isso”, afirma o professor da UFRGS.

Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, no Concrete Show 2012: em Porto Alegre, medidas simples melhoraram desempenho de pontes e viadutos

Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, que participou do seminário da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) no Concrete Show 2012, ressaltou que uma obra para durar dezenas de anos precisa ser concebida com qualidade em todos os seus processos. “Por isso, defendemos que haja mais tempo para a elaboração dos projetos. Normalmente, há muita pressão em construir. Em alguns casos, o empreendimento está nas fundações, mas o projeto ainda não ficou pronto. Então, a questão da coordenação do projeto é fundamental para se entender como as interfaces físicas e do projeto interferem um no outro. Senão, cai nas zonas cinzas da obra e abre-se espaço para nascedouros de patologias”, avalia.

O especialista destacou que, por esse motivo, é importante que a norma de desempenho NBR 15575 passe a servir de referência para os empreendimentos, sobretudo os habitacionais. “Ela agora define que uma construção deve ter vida útil mínima de 50 anos, isso falando de vida útil de projeto”, comenta, citando que atualmente a engenharia tem muito mais mecanismos para agir na prevenção de uma obra. “Hoje conhecemos mais sobre como as estruturas deterioram, o que permite protegê-las melhor do ambiente, da forma como ela é utilizada ou do envelhecimento dos materiais”, completa.

Entrevistado
Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC) da UFRGS
Currículo
– Luiz Carlos Pinto da Silva Filho possui graduação em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1989), tem mestrado em engenharia civil pelo NORIE/UFRGS (1994) e doutorado em civil engineering (Bridge Maintenance) pela Leeds University/UK (1998)
– É professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC)
– Lidera os grupos de pesquisa LEME e GRID (Gestão de Riscos em Desastres) e é editor e membro do conselho científico da revista IBRACON de Estruturas e Materiais (RIEM)
– É membro honorário do IBAPE-RS, membro e scientific paper reviewer do American Concrete Institute (ACI), presidente de Honra da Associación Latinoamericana de Control de Calidad, Patología y Recuperación (ALCONPAT Internacional), representante da ABNT no Comitê ISO TC71 e consultor ad-hoc de diversas entidades de fomento
Contato: lcarlos@cpgec.ufrgs.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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