Obras na serra do Cafezal entram na reta final
Até o final de 2016, 22 dos 30 quilômetros estarão liberados para o tráfego de veículos, incluindo cinco viadutos e três túneis
Por: Altair Santos
Até o final de 2016 restarão oito quilômetros para que o trecho da BR-116, conhecido como rodovia Régis Bittencourt , esteja 100% duplicado e liberado para o tráfego. O traçado de 402 quilômetros, que liga as cidades de São Paulo e Curitiba, finaliza sua etapa mais complexa. Isso envolve a construção de quatro túneis e 24 viadutos, cortando a região conhecida como serra do Cafezal. O maior volume de obras concentra-se entre os quilômetros 348 e 361,5. Atualmente, todos os lotes contratados estão em execução.

Havia a expectativa de que um novo trecho de 4,5 quilômetros, envolvendo a liberação de três túneis e cinco viadutos, fosse autorizado para receber tráfego de veículos no começo do segundo semestre de 2016, mas, segundo a concessionária Auto Pista Regis Bittencourt, do grupo Arteris, houve atraso nas etapas de pavimentação, sinalização e iluminação dos túneis, o que protelou a abertura do trecho para outubro ou novembro. “Os três túneis já estão vazados e em fase final, ou seja, a etapa mais difícil da obra foi superada”, diz o engenheiro civil Eneo Pallazzi, diretor-superintendente da concessionária.
Atualmente, os canteiros de obras instalados ao longo dos 13,5 quilômetros que faltam ser duplicados na Serra do Cafezal, contam com um contingente de 1.500 trabalhadores. A maior concentração de frentes de obras está nos lotes 4 e 5, com serviços de terraplanagem para abertura das novas pistas, drenagem profunda (bueiros e galerias), revestimentos vegetais de taludes de cortes e aterros (encostas) e pavimentação. Nestes lotes, estão sendo construídos 19 viadutos, com execução de infraestrutura, mesoestrutura e superestrutura.

As fundações dos viadutos usam tubulões com base alargada e estacas raiz, por causa da impossibilidade de acesso de equipamentos de grande porte. Os pilares são erguidos como prolongamento dos tubulões de fundação. As vigas longarinas de concreto são moldadas “in loco” e apoiadas em cimbramento metálico. Os tabuleiros também têm as lajes moldadas “in loco” ou executados com vigas transversais e placas, ambas pré-moldadas, montadas por um guindaste de pequeno porte.
Conclusão em 2017
De acordo com o engenheiro Eneo Pallazzi, o modelo de construção das fundações atendeu exigentes restrições impostas pelas licenças ambientais. Por isso, tiveram que ser executadas praticamente de forma manual. “Tecnicamente é a melhor fundação que existe, pois é possível contar com um exame técnico de um engenheiro, de um geotécnico, ou de um prático, que vai constatar efetivamente ‘in loco’ a condição de suporte da base do tubulão. Com a escavação mecânica corre-se o risco de sobrar resíduos no fundo”, avalia.
Para construir os quatro túneis, a concessionária Auto Pista Régis Bittencourt também precisou atender restrições ambientais. Só podia ser escavado um volume de terra e rocha na ordem de 700 mil m³. Para cumprir as limitações do projeto, optou-se pelo sistema convencional NATM (New Austrian Tunnelling Method). A soma de todos os túneis tem uma extensão de 1.800 metros. “O túnel, apesar de ser bem mais caro que outras soluções convencionais, permite traçados mais convenientes. Isso resulta em um impacto ambiental menor”, resume Eneo Pallazzi.

Dos nove trechos da obra, os quatro maiores estão em fase final de execução. Isso representa 70% da duplicação. Os lotes 1, 2, 8 e 9 já estão em operação, e compreendem as duas extremidades da serra do Cafezal. O empreendimento está em curso desde 2010 e já foram concluídos 22 quilômetros de pista nova (17,5 quilômetros liberados para o tráfego). O trecho total engloba 30 quilômetros e a expectativa é de que esteja 100% concluído no segundo semestre de 2017.
Entrevistado
Engenheiro civil Eneo Pallazzi, diretor-superintendente da concessionária Auto Pista Regis Bittencourt
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autopistaregis@autopistaregis.com.br
Créditos Fotos: Arteris
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Em 2025, construção civil voltará a patamares de 2014
Impactos da crise fizeram números do setor andar para trás, revela estudo encomendado pela ABRAMAT para a Fundação Getúlio Vargas
Por: Altair Santos
A crise econômica que se instalou no Brasil a partir de 2014, e que repercutiu fortemente na construção civil nacional, levará mais nove anos para que seus efeitos sejam zerados. Ou seja, apenas em 2025 é que o setor voltará a registrar números semelhantes aos de 2014. É o que aponta o estudo “cenários para a indústria brasileira de materiais de construção (2016-2025)”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e encomendado pela ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria dos Materiais de Construção).

Para o presidente da ABRAMAT, Walter Cover, ”o material deverá ser útil no planejamento estratégico das empresas associadas e mesmo na definição de políticas comerciais e de investimento para o futuro próximo”. Em seu conteúdo, o estudo avalia que o PIB da construção voltará a crescer positivamente, e acima do PIB nacional, a partir de 2017. A FGV estima que, enquanto o Produto Interno Bruto do país crescer na média de 2,4%, no período 2017-2025, o da construção será de 3,7% - também na média.
Alicerçado em tendências, o conjunto de dados da FGV detecta que o volume de obras de infraestrutura poderá sobrepor-se ao de empreendimentos imobiliários. O cenário se baseia nas demandas detectadas recentemente pelo governo federal, de que o Brasil tem potencial para gerar negócios na ordem de R$ 269 bilhões, relacionados a projetos estruturantes. Esse montante de recursos foi apresentado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a investidores chineses.
Crescimento sustentável
Os cálculos do ministro se baseiam em projeções de 2016 a 2019, e envolvem empreendimentos nas áreas de petróleo e gás, energia elétrica, telecomunicações, transporte, estradas, saneamento, estradas de ferro, aeroportos e mobilidade urbana e portos. “Essa é uma previsão de crescimento substancial. É importante mencionar que o investimento foi o primeiro setor da atividade econômica que reagiu, porque há um sinal claro de que a economia brasileira está crescendo”, disse, em visita aos chineses nos primeiros dias de setembro.
Ainda que as obras de infraestrutura tendam a ser protagonistas até 2025, o segmento não vai ser o que mais irá gerar empregos. Pelos dados da FGV, daqui a nove anos 805 mil trabalhadores estarão atuando na área. Já o segmento de obras imobiliárias tende a chegar em 2025 empregando 2,7 milhões. A mesma projeção estima que toda a cadeia produtiva da construção civil voltará a empregar 3,5 milhões de pessoas em 2015 - mesmo número de 2014.
O lado positivo da análise é que ela conclui que os erros cometidos no período expansionista, de 2007 a 2014, foram plenamente entendidos pelo setor. Isso significa - avalia a FGV - que a construção civil brasileira estaria apta para imprimir um crescimento sustentável a partir de 2017. Feita a lição de casa, o estudo entende que o PIB do setor tem condições de crescer 4,5% ao ano, puxando a taxa de empregabilidade e a produção de materiais de construção, que se expandiria a uma taxa de 3,2%/ano para produtos de base (cimento, areia, cal, blocos de alvenaria e concreto) e de 3,85/ano para os acabamentos.
Entrevistado
Pesquisadores do FGV Projetos: Robson Gonçalves, Ana Maria Castelo, Ana Paula Ramos, Andréa de Paiva, Marco Brancher, Renata Michalani e Roberto Aragão
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robson.goncalves@fgv.br
Crédito Foto: Roman Milert/Fotolia
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Tombamento de obras de Niemeyer busca preservá-las
Reconhecidos pelo IPHAN, prédios também recebem a chancela da Unesco. Porém, títulos de patrimônio da humanidade não impedem patologias
Por: Altair Santos
Em 2007, no ano de seu centenário, Oscar Niemeyer encaminhou uma lista de 24 obras - escolhidas por ele - que deveriam ser tombadas pelo IPHAN (Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Além de emblemáticas, as construções despertavam uma preocupação no arquiteto: a necessidade de que precisariam ser urgentemente submetidas a obras de manutenção. Passados quase 10 anos, o IPHAN acelera esse tombamento para viabilizar a restauração de algumas edificações. Porém, a maioria dos prédios indicados por Niemeyer segue desprotegida.

Da lista organizada por Oscar Niemeyer, o primeiro tombamento envolveu o conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha, ocorrido em 2007. O complexo localizado em Belo Horizonte-MG também foi tombado recentemente pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). O reconhecimento ocorreu em julho de 2016, mas há exigências para que o título seja mantido. A prefeitura de Belo Horizonte comprometeu-se com a demolição de obras anexadas ao conjunto - e que não estavam no projeto original -, além de restaurar os prédios e despoluir a Lagoa da Pampulha. O prazo dado pela Unesco é de três anos.
Em maio de 2016, o IPHAN tombou mais três obras de Oscar Niemeyer: o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e a Passarela do Samba, ambas no estado do Rio de Janeiro, além do Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo. Entre esses empreendimentos, o complexo do Ibirapuera é uma das obras mais conservadas da arquitetura de Oscar Niemeyer. Inaugurado em 1954, foi erguido para marcar as comemorações dos 400 anos de fundação da capital paulista. O sambódromo carioca também apresenta boa preservação, principalmente depois das reformas a que foi submetido, por causa dos jogos olímpicos Rio 2016.

Entre as obras já tombadas, e que levam a assinatura de Oscar Niemeyer, as que requerem mais cuidados são as que se encontram em Brasília. Os prédios projetados pelo arquiteto são tombados não apenas pelo IPHAN, mas pela Unesco. No entanto, a manutenção está a cargo do governo federal e do Distrito Federal. Algumas instalações, como Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada, Congresso Nacional e Esplanada dos Ministérios, passaram por recentes reformas. No entanto, outras instalações são alvo de patologias graves.
Reformas inadequadas
O Teatro Nacional, por exemplo, teve que ser fechado em 2014 e não tem previsão para ser reaberto. Infiltrações e rachaduras estão entre os problemas que afetam o prédio. Idem para o Museu de Arte de Brasília, cujas manifestações patológicas, como excesso de umidade nas paredes internas, impedem a exposição de todo o acervo para visitação pública. Sobre a recuperação destes prédios, o IPHAN justifica que foge de sua alçada fiscalizar e promover reformas. “O IPHAN não monitora individualmente as reformas dos edifícios, pois não tem competência institucional para isso. Essa atividade é responsabilidade do governo local, que é o ente federativo responsável pela execução da política urbana”, diz nota do instituto.

Para avaliar processos de tombamento, o IPHAN conta com a participação de vários organismos ligados à cultura, ao turismo, à arquitetura e à arqueologia. Entre eles, o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Mesmo com o envolvimento de vários setores, mas sem poder fiscalizador, o organismo tem detectado que muitos prédios tombados - sejam assinados por Oscar Niemeyer ou não - passam por reformas inadequadas em todo o Brasil. “O que se tem visto, de maneira geral, são reformas mal concebidas, desrespeitosas à arquitetura original da edificação e que não agregam valor algum ao edifício. Na verdade, são intervenções arquitetônicas de baixa qualidade, boa parte feita sem o acompanhamento de um profissional legalmente habilitado”, alerta o instituto.
Entrevistado
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) (via departamento de comunicação)
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faleconosco@iphan.gov.br
Créditos Fotos: Antônio Cruz/Agência Brasil, Divulgação/IPHAN, Caio Pimenta/SP Turis
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Indústria da construção civil abre portas à inovação
Parceria entre EMBRAPII e Poli-USP libera R$ 30 milhões para o desenvolvimento de projetos que, no prazo de seis anos, devem chegar ao mercado
Por: Altair Santos
Criada em 2013, a EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) selou no Concrete Show 2016 o primeiro convênio com o setor da construção civil. O acordo vai permitir que a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) receba R$ 30 milhões para investir no desenvolvimento de materiais e produtos sustentáveis, os quais, em parceria com os fabricantes, têm o prazo de seis anos para chegar ao mercado.

A associação entre EMBRAPII e Poli-USP abre as portas da construção civil para a inovação, com o compromisso de que os materiais desenvolvidos tenham uma “pegada” ecoeficiente. Por isso, o coordenador do projeto será o engenheiro civil e professor-doutor Vanderley John, atuante em temas abrigados sob o guarda-chuva da construção sustentável. Seu trabalho será prospectar empresas que queiram atuar em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).
A parceria com a EMBRAPII vai permitir que a indústria da construção possa aderir ao projeto, diluindo os riscos do investimento. Para cada projeto aprovado, as despesas serão divididas entre EMBRAPII, Poli-USP e a empresa beneficiada. Além disso, a Poli-USP colocará à disposição suas competências em recursos humanos e infraestrutura laboratorial. “É uma oportunidade de fazer a universidade cumprir seu papel no século 21, que é interagir com a sociedade”, disse o vice-reitor da USP, Vahan Agopyan.
A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) atuará como parceira do projeto para ajudar na prospecção de empresas, como assegurou a diretora-técnica Laura Marcellini. Da mesma forma, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) integra o projeto. “A indústria de cimento do Brasil é a mais ecoeficiente do mundo, mas queremos melhorar nossos parâmetros”, afirmou o presidente da ABCP, Renato Giusti, lembrando que o setor é modelar em ações de coprocessamento.
Reaproveitamento de materiais
O diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira, ressaltou a importância do convênio diante do cenário de esgotamento de matéria-prima, de fontes de energia e de recursos hídricos. “É fundamental que o meio acadêmico se preocupe com a obtenção de novas soluções que envolvem reaproveitamento de materiais e de insumos já utilizados e que esse reaproveitamento seja eficiente, traga economia, qualidade e durabilidade dos novos materiais a serem desenvolvidos”, apontou.
Para acordos como o realizado com a Poli-USP, a EMBRAPII segue o seguinte modelo de investimento: desembolso de até 1/3 das despesas do projeto, enquanto o restante é dividido entre a empresa parceira e a instituição de pesquisa científica e tecnológica, que pode ser pública ou privada. “Ao compartilhar riscos de projetos com as empresas (por meio da divisão dos custos do projeto), estimula-se o setor industrial a inovar mais e com maior intensidade tecnológica para, assim, potencializar a força competitiva das empresas tanto no mercado interno como no mercado internacional”, justifica o diretor-presidente da EMBRAPII, Jorge Almeida Guimarães.
Entrevistados
- Vice-reitor da Universidade de São Paulo, Vahan Agopyan
- Diretora-técnica da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT), Laura Marcellini
- Presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Renato Giusti
- Diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira
- Diretor-presidente da EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), Jorge Almeida Guimarães
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contato@embrapii.poli.usp.br
Crédito Foto: Divulgação/Poli-USP
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Projetos mais exigentes alavancam concreto dosado em central
Construtoras seguem tendências e querem materiais com maior durabilidade e mais resistência, seja em obras de infraestrutura ou edificações
Por: Altair Santos
Projetos mais exigentes, assim como normas técnicas mais detalhistas, além de novos sistemas construtivos, como o de paredes de concreto, por exemplo, têm estimulado o mercado de concreto dosado em central no Brasil. Entre 2005 e 2012, esse setor saiu de 13% para 20,7% do consumo total de cimento no país. Com a crise econômica, o volume reduziu para 19%, mas o viés é de alta, como constata recente pesquisa da E8 Inteligência – consultoria voltada para coletar informações da construção civil.

Durante a 10ª edição da Concrete Show, a engenheira civil Glécia Vieira, coordenadora nacional da Comunidade da Construção, mostrou que o mercado de concreto dosado em central no Brasil ainda é dominado pelas chamadas “pequenas concreteiras”, que produzem até 100 mil m3 do material por ano. Estas empresas respondem por até 54% do que é consumido pelas obras que utilizam concreto dosado em central no país. As médias concreteiras (produção de até 500 mil m3 por ano) respondem por 31% e as grandes concreteiras (acima de 500 mil m3 por ano) ocupam 15% do mercado.
Segundo dados levantados pela E8 Inteligência, a produção de concreto dosado em central com 25 MPa a 30 MPa predomina tanto em pequenas quanto em médias e grandes concreteiras. Mas o mercado está mudando. “A tendência aponta que as construtoras têm buscado um concreto com maior durabilidade, menos sujeito a fissurações, principalmente nas obras de infraestrutura”, aponta Glécia Vieira. Já o mercado voltado para a construção de edificações tem solicitado um concreto mais fluido (autoadensável), com menor consumo de água e maior controle de qualidade.
Paredes de concreto e pavimento rígido
A pesquisa apontou que o controle tecnológico do concreto dosado em central não é uma virtude entre as pequenas concreteiras. Apenas 30% delas o fazem, e mesmo assim terceirizam o serviço, ou seja, contratam laboratoristas prestadores de serviço. Por outro lado, 67% das concreteiras médias fazem esse controle, enquanto as concreteiras grandes não só fazem 100% do controle tecnológico do material que produzem como têm laboratórios próprios.

Outra tendência verificada pelo estudo da E8 Inteligência é o crescimento do uso do concreto dosado em central nas chamadas autoconstruções, que são as obras particulares. Esse avanço se deve à urbanização das concreteiras e ao aprimoramento de equipamentos, como caminhões-betoneiras e bombas. A pesquisa aponta ainda que o mercado para o concreto dosado em central tende a crescer significativamente nos próximos 15 anos. Por dois motivos: os investimentos feitos pelas concreteiras entre 2005 e 2012 e as novas tecnologias construtivas. No caso dos empreendimentos imobiliários, as paredes de concreto moldadas in loco são uma aposta para o crescimento do concreto dosado em central.
Quanto às obras de infraestrutura, a expectativa é que o crescimento de projetos rodoviários que utilizem pavimento rígido alavanque o consumo de concreto dosado em central. “A infraestrutura, principalmente a rodoviária, apresenta perspectivas enormes para o crescimento do concreto no país. Atualmente, o Brasil possui apenas 7 mil de 203 mil quilômetros de rodovias pavimentadas com concreto, ou seja, 4%. Temos muito a evoluir, pois o material é durável, exige baixa manutenção e reduz o impacto ambiental”, avalia Ricardo Moschetti, gerente do escritório regional da ABCP, em São Paulo, durante o Concrete Show.
Entrevistados
Engenheira civil Glécia Vieira, coordenadora nacional da Comunidade da Construção
Engenheiro civil Ricardo Moschetti, gerente do escritório regional da ABCP, em São Paulo
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glecia.vieira@abcp.org.br
www.comunidadedaconstrucao.com.br
ricardo.moschetti@abcp.org.br
Crédito Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Concreto de última geração atinge 250 anos e 155 MPa
Desde 2012, 498 obras construídas mundo afora já utilizaram material de alta tecnologia, que chega a um volume total de 15 milhões de m3
Por: Altair Santos
Qual é o futuro do concreto? Foi essa a pergunta que o especialista em superestruturas, Andreas Tselebidis, respondeu em sua palestra no Concrete Show 2016. Com doutorado em engenharia civil pela Universidade de Siegen, na Alemanha, o filho de gregos que virou discípulo de Hans Knoefel, conhecido na Europa como o "papa de concreto”, afirmou que as metrópoles do século 21 exigem estruturas altamente resistentes, duráveis e, ao mesmo tempo, sustentáveis.
Andreas Tselebidis citou que, desde 2012, já existem no mundo 498 edificações construídas, ou em construção, que usam concreto de última geração, cuja característica do material é atingir vida útil de até 250 anos e suportar pressões iguais ou superiores a 155 MPa. Esse concreto, com características autoadensáveis, permite construir superedifícios com alturas que ultrapassam 400 metros, e cujos projetos primam por estruturas cada vez mais esbeltas. “A tendência é termos prédios mais altos e mais finos”, estima.

Um exemplo é o edifício residencial 57th Street, que está em processo de concepção em Nova York. Trata-se do prédio mais fino do mundo, com 18 metros x 18 metros de área e altura de 451 metros. O projeto é do escritório Shop. “Estamos falando de edificações que não têm colunas centrais, que possuem grandes vãos internos, e que investem na otimização do espaço, pois, em sua maioria, são prédios residenciais. Tudo isso é possível por causa dos novos concretos”, assegura Andreas Tselebidis.
O próprio especialista em superestruturas atuou diretamente no projeto do 432 Park Avenue, também em Nova York, e cujos desafios impostos pelos arquitetos eram criar um concreto branco de alta resistência e com baixo consumo de água, já que a edificação se submeteu à mais rigorosa certificação sustentável. Para cumprir as metas, o concreto usou agregados especiais e aditivos. Ao final da obra, foi economizado 1,1 milhão de litros de água. “Já foram usados 15 milhões de m3 de concreto com essas características em construções de superedifícios”, cita Andreas Tselebidis.
Recordes

Outra propriedade destes materiais com alta tecnologia é que permitem grandes volumes de bombeamento. O recorde mundial pertence ao Shangai Tower Center, na China, onde 61 mil m3 foram concretados em 60 horas. Outra marca foi a concretagem do aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes, que ocorreu na mais alta temperatura ambiente: 54 °C. “Chegamos a ter 57 caminhões-betoneiras enfileirados, esperando por quatro horas para descarregar o concreto. Foi realizada a operação sem que o material perdesse suas características”, assegura o especialista.
Questionado sobre o cumprimento às normas técnicas, Andreas Tselebidis disse que as especificações do concreto utilizado nas quase 500 obras obedeceram todas as prescrições. “Os concretos que utilizam alta tecnologia não requerem que sejam alteradas as normas. Eles inovam em métodos construtivos, na logística da obra, nos critérios de sustentabilidade e no número de pessoas envolvidas no canteiro”, garante. “Vale destacar que nenhuma obra até agora construída apresentou sinais patológicos. Estamos falando de materiais que, obviamente, custam mais caro, mas são irretocáveis sob o ponto de vista de segurança de suas estruturas”, concluiu.

Entrevistado
Andreas Tselebidis, doutor em engenharia civil pela Universidade de Siegen (Alemanha) e diretor de tecnologias do concreto da Basf
Contato
andreas.tselebidis@basf.com
Crédito Fotos: Divulgação/Handel Architects LLP e Shop Architects
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Sustentabilidade social deve mover a arquitetura
Ruy Ohtake avalia que novo desafio dos profissionais está em pensar em moradias, espaços públicos e escolas para as populações mais carentes
Por: Altair Santos
Ícone da arquitetura brasileira, Ruy Ohtake, 78 anos, foi o convidado de honra da 10ª edição da Concrete Show. Após sua palestra, onde transitou por todas as fases da arquitetura nacional, ele concedeu entrevista exclusiva e revelou por que é tão fiel ao concreto. “O concreto é amigo da gente. Ele se molda a qualquer desenho que eu faço. Nenhum outro material tem essa característica. Além disso, possui uma textura diversificada. Outra vantagem é que o concreto gera peças acabadas e também pode receber cores na sua pigmentação”, afirma.

Em sua defesa intransigente do concreto, Ruy Ohtake lembra que suas primeiras obras com o material, as quais foram construídas há mais de 40 anos, seguem intactas até hoje. “O concreto é uma das grandes criações tecnológicas do homem, mantendo-se valorizado há mais de 100 anos”, assegurou, para, em seguida, alertar: “É importante dizer que a tecnologia sem criatividade perde valor. Só com criatividade é que a estrutura consegue cumprir seu papel, que é surpreender e inovar.”
Questionado sobre a qualidade da arquitetura brasileira contemporânea, Ruy Ohtake foi sucinto. “Nossa arquitetura é uma das mais reconhecidas no mundo. O que nos falta é tecnologia, em função da economia do país”, resume. Abordando o aspecto social, Ohtake assegura que no Brasil o arquiteto tem mais que a função de pensar exclusivamente em sua obra. “Em nosso país, o arquiteto tem que ter compromisso com a cidade em que ele está construindo”, diz.
Recentemente, Ohtake intensificou seu interesse por questões que envolvem planejamento urbano de pequenas e grandes cidades brasileiras. Para ele, o desafio que os gestores dos municípios enfrentam é conciliar crescimento com os interesses da população mais carente. “Para isso, é preciso abrir espaços públicos, pensar em espaços para a educação e em novos conceitos de moradia. Chamo a atenção para a sustentabilidade social. A água é importante, a captação da energia solar é importante, mas a condição humana das classes sociais mais desfavorecidas é mais importante”, destaca.
“Redondinhos de Heliópolis”

O projeto de Ohtake para o bairro de Heliópolis, um dos mais carentes da cidade de São Paulo, demonstra essa preocupação do arquiteto. Em 2011, ele foi convidado pela prefeitura paulistana para projetar um conjunto habitacional que substituiria uma favela no local. Após ouvir os futuros moradores, captando as expectativas deles para viver em edificações em que não estavam acostumados, o arquiteto desenvolveu um projeto com prédios redondos de cinco pavimentos, com quatro unidades por andar e cada uma medindo 50 m2. “Por que redondo? Porque o círculo é estético, melhora a ventilação e faz com que todas as unidades tenham uma insolação adequada”, explicou.
Os prédios ficaram conhecidos como “Redondinhos de Heliópolis”. Na primeira fase, entregue em 2014, foram construídas 500 unidades. A segunda etapa será concluída no final de 2016 e prevê a conclusão de mais 500 unidades. Na terceira fase, prevista para 2018, mais 500 unidades serão finalizadas. “Os prédios valorizam a convivência, trocando os estacionamentos nas portas dos prédios por áreas de lazer. Nestas edificações, os carros ficam para o lado de fora”, conclui Ruy Ohtake.
Entrevistado
Arquiteto Ruy Ohtake
Contato
contato@ruyohtake.com.br
Crédito Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Governo regulariza atrasos do Minha Casa Minha Vida
Compromisso assumido promete zerar estoque em 10 meses. Desde 2015, havia mais de 110 mil unidades paralisadas por falta de pagamento
Por: Altair Santos
Em encontro com o setor da construção civil, no dia 11 de agosto de 2016, o governo federal, através do ministério das Cidades, anunciou ter zerado todos os déficits com as construtoras que atuam no programa Minha Casa Minha Vida. “Nesses 90 dias de gestão, o governo Temer regularizou os pagamentos e não deve mais nenhum real aos parceiros do programa. Credibilidade é absolutamente essencial para essa crença que os senhores depositam, hoje, no governo do presidente Temer”, garantiu o ministro Bruno Araújo.

Desde 2015 em atraso, o governo federal devia pouco mais de R$ 3 bilhões às empresas atuantes no Minha Casa Minha Vida, além de outros R$ 4 bilhões às empreiteiras envolvidas com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A quitação das dívidas do PAC está em curso. O primeiro passo foi realizar novas medições das obras. Outra meta é definir prioridades. No encontro com o setor, o ministro Bruno Araújo destacou que, em 2017, serão viabilizadas todas as obras de até R$ 10 milhões pelo Brasil.
No que tange ao Minha Casa Minha Vida, o compromisso do governo federal é retomar as obras imediatamente. Só na faixa 1, havia mais de 110 mil unidades paralisadas. O objetivo é zerar esse estoque em 10 meses. Nas faixas 2 e 3 serão contratadas ainda neste ano cerca de 400 mil unidades habitacionais. O governo federal assumiu também o compromisso de acrescentar ao orçamento da habitação de 2017 uma suplementação de investimento de R$ 7 bilhões, oriundos de recursos do FGTS.
Faixa 1,5 sai do papel
Também foi fixada como meta para o próximo ano a contratação de 600 mil novas unidades. Junto, também houve o anúncio de uma novidade no Minha Casa Minha Vida, que é a faixa 1,5, para atender famílias com renda até R$ 2.350,00. Para o presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria dos Materiais de Construção), Walter Cover, as medidas mostraram a força do setor. “Os eventos foram importantes para encaminhar os pleitos prioritários e pressionar para que houvesse anúncios favoráveis”, disse.
Walter Cover revelou que foi criado um fórum permanente para que, a cada 45 dias, haja reuniões com o governo federal, a fim de acompanhar o andamento e o cumprimento das reivindicações. O presidente da ABRAMAT lembrou que partiu do próprio presidente da República em exercício, Michel Temer, essa proposta de fórum permanente. “Sem construção não há progresso. Na área da construção civil é onde mais se verifica a possibilidade da difusão do emprego”, ressaltou Temer, ao repactuar o governo com o setor.
O encontro de 11 de agosto levou ao Palácio do Planalto integrantes de toda a cadeia produtiva da construção civil (construtores, mercado imobiliário, fabricantes de material de construção, lojistas, projetistas, arquitetos, engenheiros, trabalhadores e prestadores de serviço). Além da ABRAMAT, o grupo contou com dirigentes e associados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco) e do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco). “Foi um encontro representativo e muito importante para demonstrar a coesão do nosso setor, cujas lideranças têm trabalhado em nome dos interesses comuns”, afirmou José Carlos Martins, presidente da CBIC.
Entrevistados
Ministério das Cidades (via assessoria de comunicação)
Walter Cover, engenheiro agrônomo, Ph.D em economia agrícola e presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
Engenheiro civil José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Contatos
ascom@cidades.gov.br
abramat@abramat.org.br
comunica@cbic.org.br
Crédito Fotos: Divulgação/CBIC
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Erro executivo causa maioria dos problemas em fachadas
Para especialista, falhas na aderência do reboco e do emboço sobre regiões de estruturas têm resultado em uma rotina de desplacamentos
Por: Altair Santos

Professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), na disciplina materiais de construção e processo construtivo, o engenheiro civil Nielsen José Dias Alves tornou-se um caçador de problemas em fachadas de edificações. No Brasil, o volume de casos com desplacamento de cerâmicas, grafiatos e até tintas convencionais tem chamado a atenção, principalmente em prédios com mais de cinco pavimentos. Para o especialista, que recentemente palestrou no webseminário “Manifestações patológicas em revestimentos de fachadas”, a causa principal desta disseminação está nos erros de execução. “No período em que a construção civil brasileira viveu aquela profusão de obras, uma combinação de mão de obra sem a devida qualificação com pressa em concluir os empreendimentos desencadeou esse problema que vemos com frequência atualmente”, diz.
Nielsen José Dias Alves detectou em suas consultorias para solucionar problemas em fachadas que boa parte dos problemas está no reboco e no emboço, principalmente nas regiões fronteiriças com as estruturas de concreto. “Muitos casos não se referem à qualidade dos materiais e nem ao tipo de argamassa, seja a virada em obra, industrializada ou usinada. Quando começamos a investigar observamos que a patologia estava no substrato. Detectamos que se criou uma artimanha nos canteiros de obras, para acelerar o acabamento do reboco, que é a ‘capinha do reboco’. O que é isso? Em vez de fazer o acabamento, eles deixavam o reboco inacabado e iam alisar no dia seguinte, já com o reboco seco. Esse acabamento era feito com uma fina camada, de 1 mm a 3 mm, usando nata de argamassa ou de cimento. Isso é a ‘capinha do reboco’”, explica.
Norma de Desempenho

Sem resistência mecânica, a ‘capinha do reboco’ rompe e leva à queda do revestimento. “Por isso temos detectado também o desplacamento de grafiatos e de acabamentos com tinta convencional”, afirma o professor da UCB, lembrando que tudo isso passa por falta de controle de revestimentos. “As empresas aprenderam a fazer o controle perfeito do concreto, mas dos revestimentos não. Algumas fazem ensaios apenas no primeiro andar e acham que a verificação vale para todo o prédio. Não é bem assim”, alerta Nielsen José Dias Alves. O especialista completa: “É preciso fazer o controle da fachada, pois a mão de obra, se não for fiscalizada, vai relaxar e assentar cerâmicas sobre superfícies ocas ou sem resistência mecânica para suportar a carga dos revestimentos.” O ensaio de percussão - popularmente conhecido como “bate-choco” - é o tipo de controle mais comum, porém existem investigações mais tecnológicas, como a termografia de infravermelho.
Nielsen José Dias Alves lembra que, felizmente, a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575) trará um impacto positivo na questão das fachadas. Primeiro, de acordo com ele, no que diz respeito aos prazos mínimos e máximos de garantia; segundo, quanto à qualidade dos materiais e das instalações. “A norma, em seu anexo D, aborda o sistema de fachadas, definindo prazos de garantia para reboco, quanto a fissuras, estanqueidade e aderência. Também esclarece as garantias para revestimentos cerâmicos, quanto a infiltrações e queda, assim como para o descascamento da pintura externa. Ela é esclarecedora e esperamos que influencie, também, na qualidade das fachadas”, finaliza.
Entrevistado
Engenheiro civil Nielsen José Dias Alves, professor e chefe do laboratório de materiais de construção da Universidade Católica de Brasília (UCB)
Contato
nielsen@ucb.br
Crédito Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Mercado pede conhecimento específico, diz pesquisa
Candidato a trainee já deve ter alguma experiência, além de familiaridade com áreas que ajudem a empresa a melhorar processos de produção
Por: Altair Santos
Qual o perfil dos jovens profissionais da engenharia que as empresas buscam neste momento da economia brasileira? Foi essa pergunta que a pesquisa da consultoria Page Talent procurou responder, após ouvir de construtoras a montadoras de automóveis, passando por bancos e companhias especializadas em logística. A conclusão é que o momento exige profissionais com mais expertise e conhecimento específico. Também se observou que as grandes corporações estão procurando investir em jovens talentos que já tenham experiência em empresas menores, mesmo para vagas de trainee. “As empresas têm feito essa opção no recrutamento para agilizar seus processos de produção”, avalia a consultora Manoela Costa, gerente-executiva da Page Talent.

Segundo a especialista, há quatro tendências já constatadas nos processos de recrutamento em 2016, e que devem prevalecer para 2017: opção por candidatos mais sênior, habilidades em segmentos específicos, adaptação a processos mais dinâmicos e domínio das tecnologias high-tech. “Em tempos de dificuldades e incertezas, é importante recrutar pessoas que possam lidar com situações adversas e ter a habilidade necessária em assuntos mais técnicos”, revela Manoela Costa, completando que até a forma de realizar o recrutamento muda. “Como esse público está conectado ao mundo digital, é natural que a gestão do recrutamento também utilize as redes sociais para chegar aos candidatos que mais se adaptem ao perfil que as empresas buscam”, reafirma.
Sobre cada uma das tendências, a gerente-executiva da Page Talent faz a seguinte análise pontual:
Candidato mais sênior
As empresas estão de olho em profissionais mais experientes, capazes de enfrentar situações adversas com serenidade. O cenário mudou um pouco. Antes, os mais jovens dominavam esse tipo de vagas. Agora, as companhias querem pessoas com poder de análise e resolução. A experiência conta muito agora, mesmo para vagas de trainee.
Habilidades em segmentos específicos
Outra demanda que o mercado tem solicitado com mais frequência, sobretudo de candidatos a uma vaga de trainee, é que essa pessoa tenha conhecimento de uma área específica. Essa habilidade é um diferencial. O candidato que já tiver conhecimento e experiência em um setor é avaliado de outra forma. Ter o domínio de um mercado ajuda na hora em que esse profissional começar a trabalhar com as rotinas e especificidades da companhia em que irá atuar.
Processos mais dinâmicos
Além da experiência solicitada pela empresa, o candidato a trainee encontrará algumas etapas um pouco diferentes em relação aos anos anteriores, durante seu processo de desenvolvimento dentro da empresa. Verificou-se que os programas de trainee atraem muitas pessoas, mas um número pequeno é contratado para seguir se desenvolvendo dentro da companhia. Então, o que as empresas estão fazendo é transformar o treinamento em uma grande oportunidade de aprendizagem. Assim, passaram a investir em workshops, palestras e outras atividades para qualificar melhor o trainee e poder contratá-lo.
Tecnologias high-tech
A utilização de ferramentas tecnológicas é cada vez mais intensa. As empresas estão em busca de candidatos que estejam conectados com essas tecnologias, e que ajudem as corporações a utilizá-las em seu dia a dia. O objetivo é que o trainee diga: "olha, esse trabalho a empresa faz assim, mas com esta tecnologia é possível minimizar tempo e custos fazendo assim".
Entrevistada
Psicóloga Manoela Costa, especialista em gestão estratégica de pessoas e gerente-executiva da Page Talent
Contato
recrutamento@michaelpage.com.br
Crédito Foto: Divulgação









