Programa nacional combate dengue no canteiro de obras
Seconci lidera campanhas em vários estados, seguindo exemplo de São Paulo, que tem trazido bons resultados à construção civil
Por: Altair Santos
Para evitar que a construção civil seja foco de proliferação do mosquito da dengue, os Seconci (Serviço Social da Construção) de todo o país iniciaram uma série de programas dentro dos canteiros de obras para ensinar procedimentos que evitem o acúmulo de água parada - principal criadouro para as larvas do Aedes aegypti, transmissor da doença. A orientação inclui a inspeção de carrinhos de mão, betoneiras, lajes, tonéis e fossos de elevadores. As palestras ensinam também a cuidar do entorno das construções. A campanha nacional envolve ainda a distribuição de cartazes e folhetos com dicas para prevenção.

O procedimento já abrange boa parte dos Seconci das regiões sudeste e sul e este ano tem conseguido adesão maior dos organismos localizados no centro-oeste, no nordeste e no norte do país. As ações inspiraram-se na campanha do Seconci-SP, que foi pioneiro neste tipo de iniciativa. “Há mais de dez anos realizamos esse trabalho nos canteiros de obras e estamos sempre dispostos a compartilhar o programa com outros estados”, diz Ângela Nogueira Braga da Silva, coordenadora do setor de serviço social do Seconci-SP, que é o maior do país e atende 820 mil trabalhadores da construção civil.
Uma das medidas de combate à dengue nos canteiros de obras é a análise da água parada em pontos suspeitos. Em média, 25% dos exames são positivos para focos da doença, ou seja, contêm larvas do Aedes aegypti. No estado de São Paulo, até o final de junho deste ano, foram realizados 366 exames de diagnóstico de dengue em canteiros de obras, entre os quais foram confirmados 93 casos. Essa incidência aumenta a preocupação das construtoras, que passaram a incentivar campanhas pelo país afora.
Conscientização através de palestras

O passo mais importante é conscientizar os trabalhadores. “Orientá-los sobre a importância de eliminar possíveis focos, tanto no local de trabalho quanto em seus domicílios, é a meta do Seconci”, diz Ângela Nogueira Braga da Silva, afirmando que o melhor caminho para se atingir o objetivo é através de palestras. De que forma: profissionais do Seconci vão aos canteiros de obras e repassam informações sobre como prevenir a dengue. Mais recentemente, as palestras passaram a informar também sobre a forma de precaver a febre Chikungunya (doença com sintomas semelhantes a dengue, porém mais letal, e também transmitida pelo Aedes aegypti).
No Brasil, os domicílios são os que mais concentram focos de dengue. Estima-se que existe a ameaça de as larvas do Aedes aegypti proliferarem em 70% dos lares no país. Os canteiros de obras contribuem com 20% deste risco, segundo dados do ministério da Saúde. “O canteiro de obras é um local propício para o surgimento do mosquito transmissor da doença. Carrinhos de mão, betoneiras, lajes, tonéis e fossos de elevador são espaços que podem armazenar água parada e se tornar criadouros”, alerta a especialista do Seconci-SP.

Entrevistado
Ângela Nogueira Braga da Silva, coordenadora do setor de serviço social do Seconci-SP
Contato: relacoesempresariais@seconci-sp.org.br
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Mobilidade corporativa muda conceitos de trabalho
Tendência mundial, tecnologia permite que, através de notebooks, tablets e smartphones, profissional leve a empresa onde atua para qualquer lugar
Por: Altair Santos
A possibilidade dada pela internet de os profissionais trabalharem remotamente, ou seja, cumprirem suas tarefas pela empresa sem necessariamente estarem presentes fisicamente na companhia, torna-se tendência mundial. A isso se dá o nome de mobilidade corporativa. Através de notebooks, tablets ou até mesmo smartphones, as corporações disponibilizam ferramentas que permitem a seus colaboradores se conectarem a elas de qualquer lugar.

O objetivo principal é obter ganho de produtividade. Mas a mobilidade corporativa também vem transformando a maneira de trabalhar, de fazer negócios, de atender clientes e até como os empregados passaram a conciliar vida pessoal com vida profissional. “Atualmente, 43% dos profissionais em todo o mundo desejam ter mais flexibilidade no trabalho e muitas grandes empresas já possuem políticas de home office para diversos cargos, ou seja, a mobilidade corporativa deixou de ser novidade para se tornar necessidade”, diz Ricardo Alem Appugliese, gerente-sênior de Sales Engineering do Citrix, para a América Latina e Caribe.
O Citrix é um instituto tecnológico com sede em Santa Clara, na Califórnia-EUA, e que atua como uma empresa global especializada em sistemas para gestão de mobilidade nos ambientes corporativos. Suas projeções, de acordo com pesquisa, é que até 2020 metade da força de trabalho global será realizada de forma remota o que, inclusive, deverá modificar as leis trabalhistas de alguns países, como já ocorre no Reino Unido. No Brasil, desde 2011 existe uma lei que regulamenta o trabalho remoto.

Canteiro de obras virtual
Estima-se que 30% das empresas instaladas no Brasil, e que atuam em áreas como financeira, educacional, saúde, governo, construção civil, jurídica, recursos humanos, telecomunicações e transportes, já adotam tecnologias de mobilidade corporativa. Na construção civil, a inovação permite canteiros de obras mais enxutos, além de melhorar a gestão da obra. “A planta pode ser acessada virtualmente, assim como é possível realizar a compra de materiais remotamente”, explica Ricardo Alem Appugliese.
Um case citado pelo Citrix ocorreu durante a construção de um centro logístico no quilômetro 66 da rodovia Santos Dumont, na cidade de Indaiatuba-SP. O empreendimento, entregue em outubro de 2014, teve um amplo processo de virtualização em sua gestão de obras. “A mobilização do canteiro de obras caiu de 45 dias para 20 dias. Também eliminamos deslocamentos. Todos os pedidos e reuniões ocorriam remotamente”, afirma Ricardo Ferrigno, gerente de TI (Tecnologia da Informação) da Racional Engenharia.
Para usar todo o potencial da mobilidade corporativa, a empresa precisa contar com um sistema de computação em nuvem (cloud computing). “A implementação de um bom projeto é fundamental para oferecer todas as ferramentas para os funcionários, com segurança e garantia de bom desempenho, além de permitir o gerenciamento destas atividades, tornando a TI estratégica para os negócios”, cita Ricardo Alem Appugliese.
Entrevistado
Engenheiro elétrico Ricardo Alem Appugliese, gerente-sênior de Sales Engineering do Citrix, para a América Latina e Caribe
Contatos
AmericasConsulting@citrix.com
mediainquiry@citrix.com
Créditos Fotos: Divulgação/Citrix
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Segurança no canteiro de obras começa pelo capacete
Cores do equipamento de proteção individual (EPI) se orientam por normas técnicas e também definem hierarquias entre trabalhadores do setor
Por: Altair Santos
O capacete é o primeiro elemento que evidencia se um canteiro de obras segue os procedimentos de segurança do trabalho e atua com organização. O equipamento de proteção individual (EPI) é uma exigência legal. Não são poucos os acidentes que poderiam ser evitados se o uso do capacete fosse uma rotina nas construções brasileiras. Também não é por falta de orientação e nem de normas técnicas que ele deixa de ser utilizado. A CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), inclusive, possui norma regulamentadora que padroniza as cores dos equipamentos na construção civil.

A identificação dos capacetes por cores serve também para hierarquizar o trabalho no canteiro de obras. O engenheiro e o mestre de obras, por exemplo, normalmente utilizam capacetes brancos. Há empresas que adotam cinza para um e branco para outro. Os pedreiros usam azul, enquanto serventes e operários, carpinteiros, eletricistas, técnicos de segurança e visitantes utilizam equipamentos verdes, vermelhos, laranja, preto e amarelo, respectivamente. As normas NR 06 e ABNT NBR 8221 não impõem cores, mas definem os padrões de fabricação deste equipamento de proteção individual.
No Brasil, além de seguir a normalização vigente, os fabricantes de capacetes utilizam padrões de qualidade aceitos internacionalmente, usando como matéria-prima o polietileno de alta densidade na produção dos cascos. Esse tipo de plástico, além de suportar impactos, possui combustão lenta, é resistente a raios ultravioleta, à ação da água e tem alta resistência mecânica. O uso eficiente do capacete recomenda que se verifique a presença de selo do INMETRO e se o equipamento está dentro do prazo de validade, o que normalmente é definido pelo fabricante (em média, 5 anos para o casco e 3 anos para a suspensão interna, também conhecida como carneiro). Além disso, não é recomendado que o EPI seja utilizado com bonés e gorros, pois os acessórios diminuem a capacidade de proteção dos capacetes.
Produtividade e economia
Para quem atua no canteiro de obras, é importante destacar que a guarda do capacete, assim como os demais EPIs, é de responsabilidade do trabalhador. Além disso, o colaborador também tem o dever de preservar o equipamento, assim como cuidar da higienização e das condições de uso. Todas as orientações devem ser repassadas ao profissional através de treinamento oferecido pela empresa contratante ou por entidades de classe ligadas à construção civil. O investimento neste tipo de ação melhora a produtividade no canteiro e também influencia no custo da obra, pois previne contra o risco de multas e de paralisação do empreendimento.
Segundo Wilson de Mello Jr., diretor de certificação e desenvolvimento humano da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), a ausência de capacitação, treinamento e equipamentos adequados faz com que algumas construtoras cheguem a pagar até R$ 1 milhão por mês em indenizações causadas por acidentes de trabalho. Estudo encomendado pelo Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP), junto ao Instituto de Ensino e Pesquisa Armênio Crestana (Iepac/Seconci-SP), reforça essa afirmação. Ele revela que contusões, entorses, traumatismos e ferimentos são a causa de 13% do afastamento de trabalhadores da construção civil. O levantamento ocorreu em cima de atestados médicos.
Ainda de acordo com os documentos emitidos, 42,7% se ausentam do trabalho devido a dores e inflamações (musculares, nas costas, ombros, juntas e tendão). Já 10,8% por problemas gastrointestinais, 6,8% por faringites, amigdalites, sinusites, gripes e viroses, 5,5% por doenças do olho, 4,3% por cistos, abscessos, furúnculos e dermatites e 16,9% por outros problemas de saúde.

Entrevistados
Wilson de Mello Jr., diretor de certificação e desenvolvimento humano da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração)
Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP)
Contatos
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Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Máquinas para concretar dão salto tecnológico
Betoneiras, autobombas, silos, centrais de concreto, minibetoneiras e outros equipamentos para gerar concreto priorizam qualidade e produtividade
Por: Altair Santos
O material mais utilizado em obras tornou-se também protagonista de avanços tecnológicos que envolvem betoneiras, autobombas, silos, centrais, minibetoneiras e outros equipamentos que elevam a produtividade e melhoram o transporte do concreto. Na 9ª Feira M&T Expo 2015, realizada recentemente, em São Paulo-SP, foi possível ver as principais novidades que chegarão ao mercado nacional neste segundo semestre. Entre elas, a betoneira autocarregável C-5000, da Convicta. A nova versão pesa e dosa os agregados, de acordo com o traço do concreto definido em projeto. Também vem com “esterçamento caranguejo”, o qual permite deslocar lateralmente o veículo, facilitando o movimento no canteiro de obras.

Outro fabricante que mostrou inovações na M&T Expo 2015 foi a suíça Liebherr. A indústria passa a produzir no Brasil, em sua unidade de Guaratinguetá-SP, a autobomba de concreto THP 70 D-C. Com motor diesel, atende os pequenos e médios construtores. Tem capacidade nominal de produção de 70 m³ e coxo de 600 litros. O equipamento é montado sobre caminhão, tem agitador duplo com motorização e fácil acesso para limpeza e manutenção.
A alemã SCHWING-Stetter mostrou na feira a autobetoneira AM10FHC, que é capaz de transportar até 10 m³ de concreto. O tambor é fabricado com aço de elevada resistência abrasiva ao concreto, prolongando a vida útil do equipamento. Já a sueca Scania apresentou novas gerações de caminhões para diversas condições rodoviárias. Entre eles, o P 310 8x4, que tem redução nos cubos dos eixos traseiros e é indicado para operações urbanas. O modelo pode receber caçamba e betoneira. O veículo tem caixa de câmbio automatizada, o que facilita o trabalho do motorista-operador.
Antecipando a Bauma 2016
Outra fabricante de equipamentos para a construção pesada, a alemã MAN (subsidiária Volkswagen) começa a produzir no Brasil sua primeira betoneira automática. O diferencial da máquina está em seus equipamentos de segurança. O caminhão possui um inclinômetro que calcula o ângulo de subida ou de descida, ajustando as trocas de marcha, evitando solavancos e, consequentemente, o risco de derramamento de concreto na pista.
Na MT& Expo, muitos fabricantes de equipamentos procuraram antecipar lançamentos, a fim de alavancar vendas. Máquinas que seriam apresentadas apenas na Bauma 2016, maior feira mundial de máquinas para construção e mineração, foram mostradas ao mercado brasileiro e sul-americano. Um dos motivos é a queda nos negócios, que no Brasil chega a 16% em 2015. Cenário que contrasta, por exemplo, com o expressivo crescimento de 19% registrado nos Estados Unidos e no Japão. Globalmente, o Brasil é o segundo país com o maior decréscimo nos negócios que envolvem este tipo de equipamento. Fica à frente apenas da Rússia, onde as vendas já despencaram 37%.
Entrevistados
Representantes da Convicta, Liebherr, SCHWING-Stetter, Scania e MAN
Contato: meccanica@meccanica.com.br
Crédito Foto: Marcelo Vigneron/M&T Expo 2015
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
CBIC cria pacote proativo para alavancar construção
Propostas foram discutidas em evento internacional que ocorreu em Brasília e sugerem regras claras para obras em infraestrutura e retomada do Minha Casa Minha Vida
Por: Altair Santos
O ex-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Paulo Safady Simão, revela que o organismo acaba de propor ao governo um pacote proativo que permita à cadeia produtiva da construção civil retomar o crescimento e, mais que isso, ter avanços sustentáveis e não o “anda e para” ao qual o setor acostumou-se nas décadas passadas e no ciclo recente da economia. “O momento é difícil e complexo para a cadeia produtiva da construção civil, mas o setor já sobreviveu a outros stop and go. Para sair desta nova situação incômoda, estamos propondo a retomada dos pagamentos em dia do Minha Casa Minha Vida e da volta da Lei 8.666, a lei das licitações, em vez do RDC (Regime Diferenciado de Contratação), que já provou ser um equívoco e uma porta aberta para a corrupção em obras”, diz.

Segundo Safady, em palestra na feira M&T Expo 2015, entre as primeiras ações está a colocação em dia dos contratos do Minha Casa Minha Vida 2, que têm sofrido atrasos que variam de 60 a 90 dias e já comprometem severamente o orçamento de pequenas e médias construtoras engajadas no programa. “Não podemos deixar morrer esse programa com muito potencial, e que a CBIC, junto com outros setores da construção civil, lutou tanto para que fosse viabilizado. Além disso, proporcionou avanços, como a aceitação, por parte da Caixa Econômica Federal, de 80 sistemas construtivos diferentes, sendo que antes o banco só financiava projetos à base de tijolo sobre tijolo. Sem contar que o Minha Casa Minha Vida propiciou a modernização da normalização, com destaque para a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575)”, afirma o dirigente.
Equívocos e intervencionismo
O ex-presidente da CBIC se diz convicto de que o fim da crise no país passa pela construção. “Todos sabemos que obras de infraestrutura são as que podem impulsionar o crescimento. Mas o governo cometeu muitos equívocos, com excesso de intervencionismo, e causou uma perda de R$ 50 bilhões ao setor. Por isso, realizamos uma série de seminários em Brasília, sobre PPPs (Parcerias Público-Privadas) e concessões, inclusive apresentando modelos consagrados pela CICA (Confederação Internacional das Associações de Construção) e pela FIIC (Federação Interamericana da Indústria da Construção). O documento tirado do encontro foi encaminhado ao governo, com uma série de propostas”, ressalta Safady, referindo-se ao International Meeting: Infrastructure and PPPs, que ocorreu no final de abril de 2015 em Brasília.
O pacote de propostas, frisa Paulo Safady Simão, é proativo e sugere transparência para os processos licitatórios. “A iniciativa privada quer investir, mas precisa ter retorno e condições contratuais sólidas, sem inseguranças jurídicas”, destaca o dirigente, acreditando que se metade do pacote proposto for aceito pelo governo o setor da construção poderá sair da inércia em 2016.
Entrevistado
Engenheiro civil Paulo Safady Simão, ex-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Contato: comunica@cbic.org.br
Crédito Foto: Divulgação/ M&T Expo 2015
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Invenção alemã, BlingCrete é o concreto que emite luz
Versátil, material pode ser útil em sinalizações, vias urbanas, estações de transporte público, obras de infraestrutura e objetos de design
Por: Altair Santos
Criado na Alemanha, o BlingCrete engloba as qualidades do concreto e ainda é capaz de refletir luz (natural ou artificial). Isso se deve à aplicação de microesferas de vidro no substrato do material, o que o torna ideal para o uso em sinalizações industriais, vias urbanas, estações de transporte público, obras de infraestrutura - túneis, pontes e viadutos -, além de fachadas residenciais e comerciais ou objetos de design. “A principal virtude do BlingCrete é a sua capacidade de retrorreflexão”, diz o arquiteto Thorsten Klooster, que junto com o também arquiteto Clemens Winkler - ambos do departamento de arquitetura da Universidade de Kassel, na Alemanha - criaram o novo concreto.

A retrorreflexão é o fenômeno óptico que faz a luz incidir sobre a superfície de um material refletivo e retornar à fonte de origem sem perda de luminosidade. Essa capacidade está presente no BlingCrete, que, segundo Thorsten Klooster, abre a possibilidade de várias frentes na arquitetura, no design de interiores e nas áreas de segurança de transporte. “Ele pode se fazer presente em entradas de túneis e em bordas de plataformas de estações de metrô”, diz. Mas a aplicação é praticamente infinita. Tanto que a designer Heike Klussmann juntou-se ao projeto para desenvolver objetos de decoração de interiores, utilizando variadas cores e texturas para o material.
Versátil, mas caro
A versatilidade do BlingCrete se deve ao fato de as microesferas de vidro serem acomodadas em placas pré-fabricadas que utilizam concreto de alto desempenho e, por isso, podem ter uma espessura muito fina, chegando a 7 milímetros. Esse material, quando pronto, serve de revestimento para ser aplicado sobre o concreto bruto ou outras superfícies, como a madeira e o plástico. Por isso, revelou-se um elemento inovador para o acabamento de design de interiores. A ponto de já ter ganhado uma série de prêmios de arquitetura, como o IF Design Award, dentro do Pavilhão de Inovação ABX (Architecture Boston Expo), que ocorre anualmente nos Estados Unidos.

O BlingCrete está no mercado desde 2012. No entanto, por ser considerado um material caro, ainda enfrenta restrições. As principais aplicações estão em objetos decorativos. Na área de infraestrutura, alguns protótipos podem ser vistos na Alemanha, mas nada que diga que o material tenha sido absorvido pelo setor. Uma placa do BlingCrete, medindo 1,35 m x 2,80 m, com 30 mm de espessura, custa aproximadamente 230 euros para ser produzida – cerca de R$ 805,00 (8 vezes mais se usasse um concreto convencional).
Em 2015, seus criadores voltaram a expô-lo em eventos globais, desta vez promovendo-o como elemento que se adapta perfeitamente em fachadas de edifícios, funcionando como reforço para a iluminação noturna. Na visão de Thorsten Klooster, o BlingCrete se tornará mais consumido conforme as construções sustentáveis forem conquistando espaço nos ambientes urbanos. “É o revestimento do futuro”, garante.
Entrevistado
Arquiteto Thorsten Klooster, professor do departamento de arquitetura e engenharia da Universidade de Kassel, na Alemanha (por email)

Contatos
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www.blingcrete.com
Crédito Foto: Divulgação/Blingcrete
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
China “compra” infraestrutura na América Latina
Priorizando Brasil e Argentina, potência mundial viabiliza corredores de transporte ferroviário para facilitar escoamento de matérias-primas
Por: Altair Santos
O trem-bala brasileiro seria o mais ousado projeto ferroviário nacional, caso tivesse saído do papel. Agora, o governo federal lança o plano da Ferrovia Transoceânica. A extensão pode variar entre 4 mil e 5 mil quilômetros, já que o trajeto ainda não está definido. A princípio, a linha sairia do Rio de Janeiro, cortando outros cinco estados brasileiros (Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre) até entrar no Peru, para desembocar no Pacífico. A diferença desta megaobra, em relação ao trem-bala, é que agora há um investidor interessado: a China.

A potência mundial tem um novo foco de investimentos: a América Latina. Priorizando Brasil e Argentina, a China quer viabilizar corredores de transporte ferroviário para facilitar o escoamento de matérias-primas compradas destes países. Em território argentino, os chineses querem criar um corredor da carne. Já no Brasil, a meta é abrir um caminho para que a soja e os minérios do país possam ser embarcados no Oceano Pacífico – especificamente em portos do Peru. A intenção é baratear a logística, pois, atualmente, os navios saem carregados do Brasil e da Argentina e precisam passar pelo Canal do Panamá para transpor o continente ou cruzar o Atlântico e o Oceano Índico.
Hoje, as exportações brasileiras para a China levam de 30 dias a 40 dias para chegar ao destino, independentemente do caminho (via Canal do Panamá ou Atlântico/Índico). Com a megaobra, a estimativa é que o percurso cairia para 20 dias ou menos. Para viabilizá-la, o aporte financeiro pode chegar a R$ 34 bilhões, dependendo do trajeto a ser escolhido. O principal empecilho está na possibilidade de a ferrovia cortar a região amazônica - traçado mais curto -, o que implicaria em superar barreiras ambientais.
Abertura a empreiteiras estrangeiras
Independentemente das dificuldades que possam ser impostas à construção, na segunda quinzena de maio de 2015 os governos brasileiro, chinês e peruano assinaram 35 acordos, com validade até 2021, que viabilizam a construção da Ferrovia Transoceânica. Mas é possível que a megaobra exija também a inclusão da Bolívia na parceria, caso o trajeto tenha que evitar a floresta amazônica. Com a participação ou não dos bolivianos no empreendimento, esta será, após mais de 40 anos, a segunda obra transnacional viabilizada em território brasileiro. A primeira foi a hidrelétrica Itaipu.

Além disso, poderá ser também a primeira construção a usar empreiteiras estrangeiras. Com o andamento da operação Lava Jato envolvendo as principais construtoras do Brasil, é possível que elas sejam impedidas de participar de licitações para esse tipo de obra. Com isso, a China já se “ofereceu” para viabilizar o projeto. O governo brasileiro reluta, mas os chineses acenam com a possibilidade de contratação de mão de obra brasileira e transferência de tecnologia. A Ferrovia Transoceânica é vista pela potência mundial também como uma porta de acesso para atuar na construção civil da América Latina.
Entrevistados
- Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC) (via assessoria de imprensa)
- VALEC, Engenharia, Construções e Ferrovias S.A (via assessoria de imprensa)
Contatos
presidente@valec.gov.br
infosp@ccibc.com.br
Créditos Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Lava Jato obriga revisão da gestão corporativa
Repercussão das investigações em andamento leva Instituto Brasileiro de Governança Corporativa a reavaliar procedimentos para mitigar ameaças
Por: Altair Santos
Tema cada vez mais relevante nas reuniões de conselho das empresas - principalmente após os escândalos recentes, trazidos à tona pela Operação Lava Jato -, os modelos de gestão corporativa começaram a passar por aperfeiçoamentos no Brasil. Um exemplo é a mais recente medida do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que elencou oito pontos que devem ser melhorados para mitigar as ameaças e os riscos aos quais os negócios passaram a estar expostos no país.

Segundo Mercedes Stinco, coordenadora da comissão de gerenciamento de riscos corporativos do IBGC, as investigações em andamento e a repercussão que estão tomando, em conjunto com a aprovação da Lei Anticorrupção (nº 12.846), em 2014, trazem mais luz e força às iminentes mudanças pelas quais as corporações estão passando. “Leis, regulamentos e normas impõem às organizações novas exigências. Adequar-se pode ser considerado como parte de uma nova estrutura de governança”, diz.
Os oito pontos reavaliados pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa foram estabelecidos no 3º Encontro de Conselheiros Certificados do IBGC, promovido em maio de 2015. Eles servem como alertas para as empresas, e são os seguintes:
- Riscos cibernéticos: em maior ou menor grau, as evoluções tecnológicas afetam ou podem afetar os negócios em caso de algum ataque externo.
- Papéis e responsabilidades conhecidos: fóruns e principais responsáveis pelo monitoramento de riscos, alçadas e metodologia aplicada devem fazer parte da governança da gestão de riscos.
- Comunicação eficaz entre o conselho de administração e os gestores responsáveis pela área. Adoção de políticas de riscos, transparência e formalização de riscos assumidos.
- Engajamento: não adianta ter estrutura, processos e controles formais sem que haja indivíduos pessoalmente engajados na execução de suas atribuições. Principalmente no conselho de administração, que é o guardião da política de gerenciamento de risco.
- Independência, sinergia e utilidade: gestão de riscos que funciona com eficácia deve ter, além de independência, sinergia com áreas correlatas e ser patrocinada pela liderança. Ao mesmo tempo, se não for útil para a gestão, não terá a efetividade e a continuidade necessárias.
- Compliance e transformação cultural: após a Lei Anticorrupção, fez-se necessário lapidar as pessoas da organização. Portanto, a mudança cultural surge como desafio. Não basta ser. Tem que parecer, através de ações como tolerância zero, treinamento e orientação, incentivo à denúncia e gestão de consequências.
- Reputação se constrói de dentro para fora da organização e se mede através da percepção dos stakeholders. Há a necessidade da participação de todos os níveis da empresa, entregar o que se promete e não ter medo de fazer perguntas difíceis.
- Lei Anticorrupção: os conselheiros devem estar atentos à prevenção de práticas de corrupção. A lei traz penalidades para as pessoas jurídicas, entretanto, as pessoas físicas poderão ser responsabilizadas por outras formas, como através da Lei das S.A., que impõe deveres fiduciários aos administradores das companhias.

Mais transparência
Para Mercedes Stinco, as mudanças se devem também ao amadurecimento da sociedade brasileira, já que elas abrangem as empresas com matriz no país. “As empresas globais já possuem mecanismos mais robustos e maduros, advindos das obrigações impostas pelas matrizes”, afirma, completando que os investidores também estão mais seletivos quanto ao modelo de gestão das corporações. “Há várias pesquisas que mostram que os investidores estão dispostos a pagar mais pelas ações de empresas classificadas em bons níveis de governança, devido aos vários requerimentos e transparências necessários para chegar a estes estágios.”
Sobre as grandes empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, o IBGC tem como política não comentar casos específicos. Mas, de forma conceitual, a coordenadora da comissão de gerenciamento de riscos corporativos do instituto avalia que as empresas que quiserem preservar seu valor e sua perenidade terão de reformular suas estratégias de atuação, além de incorporar uma série de ações que possam trazer mais transparência ao seu modelo de gestão. “Entendo que gerir riscos no setor da construção civil faz parte do modelo de negócio. O que deve ser observado é a necessidade de evoluir nas práticas de como são exercidas as transações comerciais, para poder atender aos princípios básicos da governança”, avalia.
Entrevistada
Mercedes Marina Stinco, graduada em ciências contábeis, especialista em negócios e coordenadora da Comissão de Gerenciamento de Riscos Corporativos do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa)
Contato: ibgc@planin.com
Créditos Fotos: Divulgação/Divulgação/IBGC
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Após crise, construção civil nunca mais será a mesma
Quadrinômio formado por eficiência, produtividade, segurança e lucratividade tende a estar cada vez mais presente nos canteiros de obras
Por: Altair Santos
A crise pode fazer a construção civil fechar 2015 com quase 500 mil demissões, mas também tem servido de alavanca para o setor acelerar processos que melhoram a produtividade e tornam os canteiros de obras mais enxutos. Especialistas que debateram o tema no M&T Expo 2015 concluíram que, ao final desta transformação, surgirá uma mão de obra muito mais qualificada, além de empresas capacitadas tecnologicamente e com um leque maior de sistemas construtivos para empreender. Enfim, uma construção nacional mais moderna e competitiva.

O engenheiro mecânico Márcio Cardoso, que palestrou no M&T Expo 2015 - evento voltado a equipamentos para canteiros de obras e sistemas construtivos -, lembra que há um quadrinômio que já é perseguido pelas empresas do setor. “Eficiência, produtividade, segurança e lucratividade é o que vai nortear as construtoras brasileiras a partir de agora, assim como foi nos Estados Unidos após a crise de 2008. Lá, hoje, há 800 mil equipamentos trabalhando nos canteiros de obras. Aqui, são 35 mil, mas com forte potencial e viés de alta. É um caminho sem volta”, avalia.
O especialista lembra que esse processo de transformação começou com o programa Minha Casa Minha Vida. “Foi com o Minha Casa Minha Vida que se introduziram as gruas nos canteiros de obras. Também foi com o impulso do programa que os fabricantes passaram a paletizar seus produtos para entregá-los nas áreas em construção. Isso é um sinal evidente de investimento em produtividade”, afirma. De acordo com Márcio Cardoso, a tecnologia cada vez mais agregada à construção civil levará a execuções mais rápidas e eficientes e à redução do número de horas/homem.

Em vez de pás, joysticks
Na avaliação do palestrante, sairão os operários e entrarão os operadores de máquinas nos canteiros de obras. Para isso, Márcio Cardoso destaca que as construtoras precisarão investir fortemente em treinamento. Até porque, a sofisticação das máquinas é cada vez mais acentuada. “A versatilidade dos equipamentos permite que eles operem tanto em áreas externas quanto internas. Também podem carregar mais cargas, em alturas mais elevadas e em terrenos mais acidentados. Quanto ao sistema de operação, os fabricantes optam por algo parecido com os games, usando joysticks, por exemplo. Isso requer treinamento”, diz.
Diante do cenário de crise, o M&T Expo 2015 mostrou que a lógica das empresas será seguir o lema “mais com menos”. Não apenas nos canteiros de obras de construções habitacionais, mas também nas áreas que envolverem grandes construções, haja vista que o país colocou um pacote de concessões em curso para melhorar sua infraestrutura. “É inexorável que o Brasil deverá viabilizar grandes obras e isso demandará investimentos também em equipamentos e na modernização na forma de construir. A construção civil nacional sabe que precisa executar mais rápido e com mais eficiência”, destaca o vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), Mário Humberto Marques.
Entrevistados
Engenheiro mecânico Márcio Cardoso, vice-presidente de vendas e aftermarket da JLG para a América do Sul
Engenheiro mecânico Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração)
Contatos
treinamento@jlg.com
sobratema@sobratema.org.br
Créditos Fotos: Divulgação/M&T Expo 2015
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
O que é mais barato: construir ou comprar pronto?
Ainda que os índices para construção própria sejam mais em conta, o gerenciamento da obra é decisivo para não estourar o orçamento
Por: Altair Santos
Em maio de 2015, o valor médio do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), medido pelo IBGE e pela Caixa Econômica Federal, foi cotado em R$ 1.001,31. Trata-se do indicador que mede a variação dos preços de materiais, mão de obra e matéria-prima da construção civil. Por isso, serve de balizador para quem constrói e faz crer que, em comparação com outros índices - como os que medem o m² construído -, seja mais barato viabilizar um empreendimento por conta própria do que comprar o imóvel pronto.

Mas não é tácito afirmar que construir é mais barato que comprar pronto. Ainda que o metro quadrado construído seja, em média, de cinco a seis vezes mais caro que o INCC, é preciso colocar nesta conta o custo do gerenciamento da obra e também do terreno em que ela será erguida. Se quem for construir por conta própria tiver um bom engenheiro civil, mão de obra qualificada e souber comprar os materiais adequadamente, a obra, de fato, pode custar mais barato. Caso contrário, o estouro do orçamento pode ser inevitável.
Segundo o engenheiro civil Euclésio Manoel Finatti, assessor de relações com o setor empresarial do CREA-PR, para quem vai construir por conta própria o gerenciamento é decisivo. “Quando o gerenciamento é feito com o objetivo de otimizar a execução, promover compras programadas, buscar custos, prazos e qualidade, ele atinge seu objetivo: reduzir o custo da obra. Um bom gerenciamento se paga. Por outro lado, caso o gerenciamento seja desastroso, a obra pode ficar mais cara que comprar pronto”, avalia.
A recomendação para quem se propõe a viabilizar uma obra, seja residencial, comercial ou industrial, é que contrate especialistas competentes. “Um bom arquiteto e um bom engenheiro civil basta para que uma obra seja feita corretamente e adequada ao seu custo. O dono da obra não deve contratar mão de obra. Isto é atribuição de quem conhece de execução de obra, que é o engenheiro. Este é um dos papéis deste profissional: saber selecionar a mão de obra adequada para cada parte, cada fase da obra”, complementa Finatti.

Retrabalho fulmina custo da obra
Sobre o que pesa mais no custo da obra, se materiais, mão de obra ou terreno, o especialista do CREA-PR revela que o impacto do terreno chega, no máximo, a 20%. Significa que a influência de mão de obra e materiais é maior no preço final. “Um profissional sem a qualificação devida causará prejuízo, pois o trabalho terá que ser refeito. Por outro lado, materiais de construção de qualidade duvidosa também geram retrabalho. Neste caso, o custo é dobrado, pois paga-se para retirar e refazer o serviço”, afirma.
Por fim, Euclésio Finatti explica que o preço da obra pronta é maior por, normalmente, existir a figura do investidor neste tipo de empreendimento. “O investidor colocou seu capital antes, e quer remunerá-lo - ao menos no valor da inflação do período. Nesta conta, ele ainda acrescenta seu ganho como investidor, e também o custo da obra. Tudo isso somado deixa a construção pronta mais cara”, reitera.

Entrevistado
Engenheiro civil Euclésio Manoel Finatti, assessor de relações com o setor empresarial do CREA-PR
Contato: euclesio@braengel.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/CREA-PR/Divulgação









