Espelhos d’água ajudam indústrias a poupar energia
Empresas investem em projetos que priorizam ventilação natural, energia solar, luz ambiente, telhado verde e reúso da água
Por: Altair Santos
Os escritórios de arquitetura passaram a ser desafiados pelas indústrias para desenvolver projetos que permitam a elas economizar energia elétrica e diminuir o consumo de água. Uma solução eficiente tem sido envolver os prédios por espelhos d’água. Estruturas de concreto com lâminas de água, variando entre 30 a 80 centímetros de profundidade, ajudam a minimizar a temperatura externa no entorno da instalação, o que faz com que ela poupe o uso de ar condicionado.

Além disso, a água armazenada pela estrutura é utilizada para fins não potáveis, como a rega de plantas ou descargas em banheiros. Outra função do tanque é armazenar água para uso no combate ao fogo. Os espelhos d’agua cumprem ainda uma função estética, dando às fábricas um novo visual arquitetônico, tirando delas o ar de enclausuramento. “Pensamos que fábricas podem ter arquitetura de alta qualidade”, diz Roberto Loeb, cujo escritório é especializado nesse tipo de obra.
O arquiteto expôs cases na palestra “Arquitetura e Sustentabilidade – uma responsabilidade compartilhada”, durante o Greenbuilding Brasil 2015, realizado de 11 a 13 de agosto, na cidade de São Paulo. Plantas como a do centro de distribuição da Avon, na cidade de Cabreúva-SP; da fábrica de tintas especiais SICPA, em Santa Cruz-RJ; do datacenter do Banco Santander, em Campinas-SP, e da unidade da indústria alimentícia Danone, em Poços de Caldas-MG, têm em comum o espelho d’água.
“Fábricas verdes”

Roberto Loeb explica que esse tipo de projeto requer quebrar paradigmas e vencer a burocracia. “A princípio, demanda muitas negociações, mas elas resultam em melhorias no projeto. Sob o aspecto burocrático e sanitário, é preciso mostrar aos organismos de fiscalização que não estamos criando um fosso de água parada que irá disseminar doenças”, revela.
Os espelhos d’agua são abastecidos de duas formas: por poços artesianos ou por captação de água da chuva. Os projetos arquitetônicos mostrados por Roberto Loeb, em palestra no Greenbuilding Brasil, possuem bombas instaladas nos tanques, as quais permitem que a água circule. Isso não só tem a função de impedir que ela sirva de criadouro como a mantém a uma temperatura ideal para que cumpra a função de refrescar o ar no entorno das unidades.
Todos os projetos mostrados por Loeb foram construídos em regiões do país em que a temperatura média anual é de 25ºC. São plantas que exploram, além dos espelhos d’água, o concreto aparente e os elementos vazados de pré-fabricados de concreto, conhecidos como cobogós. Não são, portanto, para regiões frias. Da mesma forma, todas as edificações contam com certificação LEED e passaram por simulações de desempenho energético e de iluminação para ganharem o selo de “fábricas verdes”.
Os testes comprovaram economia anual de consumo de energia entre 20% e 35%, dependendo da estação do ano. Mas o maior ativo se deu no aumento da produtividade dos colaboradores. O ambiente gerou qualidade de vida no trabalho, reduzindo o afastamento por doença, principalmente as relacionadas aos sintomas alérgicos.
Entrevistado
Arquiteto Roberto Loeb, sócio do escritório de arquitetura LoebCapote Arquitetura e Urbanismo Twitter:
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Créditos fotos: Divulgação/LoebCapote/Cia. Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Para construção sustentável, Brasil é primeiro mundo
Conferência internacional Greenbuilding, realizada em São Paulo, mostra que país é hoje o 5º colocado em emissão de certificações de prédios verdes
Por: Altair Santos
Se há um setor em que o Brasil avança, esse é o da construção sustentável. Não apenas por que, entre 11 e 13 agosto, na cidade de São Paulo, sediou com sucesso a conferência internacional Greenbuilding 2015, mas pelo fato de ocupar o topo da lista de nações que mais aplicam conceitos de sustentabilidade em obras. “O Brasil alcançou a maturidade no segmento da construção sustentável. O país atingiu o patamar de potência nesta área”, define Felipe Faria, diretor-gerente do Greenbuilding Council Brasil.

Enquanto a construção civil tradicional prevê queda de 8% em 2015, a sustentável projeta crescer 5% este ano, em comparação com 2014. Atualmente, há 235 obras de prédios verdes – construídas ou em processo de construção – funcionando com a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design [Liderança em Energia e Design Ambiental]) no país. Existem outras 760 em processo de certificação. Se contabilizados os outros selos de construção sustentável que operam no Brasil, passam de dois mil os empreendimentos que perseguem conceitos que minimizam geração de resíduos e economizam energia e água.
Vê-se na construção sustentável uma agenda positiva para o país, pois o tema consegue unir setores públicos e privados. “Observamos que estamos em um crescente processo de conscientização do mercado, do governo e da sociedade em relação aos conceitos de sustentabilidade”, avalia Felipe Faria. Isso reflete na diversidade de obras que buscam certificações. São prédios habitacionais, comerciais, plantas industriais, centros de logística, data centers, lojas de varejo, instalações esportivas, museus, edifícios públicos, instituições de ensino, bibliotecas e agências bancárias se credenciando ao selo de “prédio verde”.
EUA lideram construção sustentável
Felipe Faria entende que uma das saídas para a crise econômica pela qual o Brasil passa atualmente está na construção sustentável. “Não tenho dúvida de que um milagre econômico verde está próximo de nosso alcance”, diz. O que o motiva a pensar assim é a quantidade de empresas que aderem aos conceitos de sustentabilidade. Praticamente todos os segmentos da cadeia produtiva da construção civil já entenderam que ter produtos ecologicamente corretos faz bem aos seus negócios. Trata-se de um processo que nos Estados Unidos, por exemplo, já predomina o mercado - país onde os conceitos de construção sustentável foram criados.
No mundo, diariamente 172 mil m² de área construída requerem certificações de obra sustentável. São 146.300 empreendimentos certificados em 150 países. Os Estados Unidos têm 53.908 construções com o selo greenbuilding. O Brasil é top 5 neste ranking, atrás de EUA, Canadá, China e Índia. “O movimento da construção sustentável é um caminho sem volta em todo o mundo”, ressalta Rick Fedrizzi, CEO e presidente-fundador da USGBC (Greenbuilding Council dos Estados Unidos), que participou da abertura do evento internacional que aconteceu recentemente no Brasil.
Entrevistado
Felipe Faria, advogado e diretor manager da Green Building Council Brasil.
Contato: ffaria@gbcbrasil.org.br
Crédito foto: Divulgação/GBC Brasil
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Blocos celulares de concreto substituem drywall
Agora no Brasil, tecnologia desenvolvida na Rússia permite que elementos sejam utilizados como estruturas de vedação e em paredes corta-fogo
Por: Altair Santos
Ainda que seja uma tecnologia adotada há mais de 20 anos na Europa, a produção e o uso de blocos celulares de concreto leve ainda é insipiente no Brasil. No entanto, know-how desenvolvido na Rússia começa a mudar esse viés. Através dele, produtos com adição de Poliestireno Expandido (EPS) reciclável se mostram competitivos para paredes de vedação, sendo capazes de substituir o drywall com melhor eficiência termoacústica. Os blocos, que medem 30 cm x 60 cm x 15 cm (altura, comprimento e largura), são adequados, além do fechamento de paredes, para escadas de incêndio e divisórias.

A vantagem para as paredes de gesso acartonado está na durabilidade, na impermeabilidade e na resistência a cargas extras, não oferecendo nenhuma restrição à fixação de parafusos e ganchos. “O custo-benefício do bloco celular leve com EPS (popularmente conhecido como Isopor®) é muito melhor. A permeabilidade é de 5,1%, o que permite seu uso em áreas úmidas, como banheiros, cozinhas e lavanderias. A alta resistência (2,3 MPa) também é bem superior ao drywall”, explica Elton Artmann, sócio-gerente da AVS, empresa com sede em Soledade-RS, e que adquiriu a tecnologia russa para produzir os blocos com EPS reciclável no Brasil.
A fabricação do produto envolve cimento Portland, cinza volante de carvão captada nas termoelétricas da região sul e Isopor® reciclado. Para viabilizar mil blocos de concreto leve no tamanho padrão são necessários 27 m³ de concreto leve. Além disso, o processo de industrialização leva em conta conceitos de sustentabilidade, como o uso de água captada da chuva para a fabricação e para a limpeza dos equipamentos. Os resíduos dos blocos também são reutilizados. Há ainda a utilização de rejeitos de óleo de cozinha, usados para que os blocos não grudem nas formas. “A aplicação de procedimentos sustentáveis torna nosso produto ainda mais competitivo”, diz Elton Artmann.

Economia de 30%
Os cálculos são de que o processo de construção com bloco celular de concreto leve economiza 30% de material e de tempo para erguer as paredes. “Um metro cúbico de bloco celular com EPS pesa menos de 600 quilos e pode ser assentado com massa de fixação de tijolos. Nas paredes internas dispensa o reboco, pois a variação de espessura de um bloco para outro não ultrapassa dois milímetros, o que permite fazer o acabamento com uma massa niveladora”, revela o sócio-gerente da AVS. Segundo ele, a redução do custo final da obra onde são adotados os blocos celulares de concreto também se dá em razão da economia nas fundações, na superestrutura, nos pilares e vigas, e no chapisco e reboco. A diminuição também ocorre em relação à mão de obra.
As inovações implantadas pela AVS para fabricar os novos produtos exigiram a ativação de uma planta flexível para expandir sua produção. Foram adquiridos silos com capacidade para armazenar 98 toneladas de materiais. Um deles é carregado com cimento Portland e o outro com cinzas volantes de carvão. Em sincronia e por gravidade, ambos abastecem os equipamentos de mistura para a produção do bloco celular.
Confira vídeo sobre a fabricação de bloco celular de concreto leve.
https://youtu.be/iMi3pE8n1E0
Entrevistado
Elton Artmann, sócio-gerente da AVS
Contrato: avsconcretoleve@gmail.com
Crédito foto: Divulgação/AVS
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Sem projeto de acessibilidade, obra não terá alvará
Sanção da lei 13.146, que trata do Estatuto da Pessoa com Deficiência, dá às construtoras seis meses para que elas se adaptem à nova legislação
Por: Altair Santos
A partir de 7 de janeiro de 2016, qualquer construtora que vá requerer licença municipal para iniciar uma obra terá de apresentar, junto com o projeto executivo, o projeto de acessibilidade da edificação. No caso de o empreendimento ser um edifício habitacional construído com financiamento público, precisará atender à cota de unidades térreas voltadas para portadores de deficiência, que é de 3%. A obrigatoriedade se deve à sanção da lei 13.146, que trata do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Assinado em 6 de julho, pela presidência da República, a medida passa a vigorar após seis meses da data de publicação no Diário Oficial da União.

A decisão abrange também obras e prédios públicos, incluindo os que venham a passar por retrofit. Para as construtoras e incorporadoras, seis meses é um prazo muito curto para as devidas adaptações. Além disso, alegam que o momento econômico do país não favorece mudanças drásticas de projetos que já estejam em andamento. Alterá-los, para que se adaptem ao estatuto, resultaria em postergar lançamentos e perder receitas. Há ainda outro item da lei que preocupa as empresas: as unidades adaptadas à acessibilidade não poderão ser mais caras que as demais.
Para o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, a eficácia da nova legislação dependerá em grande parte de estímulos do poder público para seu cumprimento, uma vez que a crise econômica limita as construtoras. Porém, ele avalia que essa tese não irá se viabilizar. “Como o governo também não dispõe, no momento, de recursos para financiar os louváveis objetivos de moradia, mobilidade, acessibilidade e inserção segura no mercado de trabalho das pessoas com deficiência, ele deveria propor um prazo maior do que 180 dias para as adaptações necessárias”, sugere.
As novas medidas, embutidas no Estatuto da Pessoa com Deficiência, definem que a garantia de acessibilidade não se restringe à área interna das unidades habitacionais no piso térreo. Ela deve se estender aos equipamentos urbanos comunitários e também estabelecer parâmetros para a instalação de elevadores nas edificações. Por isso, José Romeu Ferraz Neto insiste: “O tempo para que as empresas se adaptem é curto”. Ele ainda lembra que CREA e CAU também precisarão se adaptar à nova legislação.
Garantia de empregabilidade
Os dois organismos deverão exigir nas Anotações de Responsabilidade Técnica o compromisso declarado de atendimento às regras de acessibilidade previstas em legislação e em normas técnicas vigentes. Superada essa fase, e após certificar a acessibilidade da edificação ou do serviço, é que o poder público determinará a colocação, em espaços ou em locais de ampla visibilidade, do símbolo internacional da acessibilidade. Só com essa placa é que deverá ser liberado o HABITE-SE do empreendimento.
Outra determinação da lei é que as empresas estão obrigadas a garantir ambientes de trabalho acessíveis e inclusivos a pessoas com deficiência, em igualdade de oportunidades com os demais trabalhadores. A legislação também proíbe a exigência de aptidão plena a esses cidadãos na fase de recrutamento. “A inserção segura do trabalhador com deficiência na construção civil depende tanto da iniciativa privada quanto do governo, que precisa realizar investimentos para o transporte público, a acessibilidade e a qualificação destes profissionais”, finaliza José Romeu Ferraz Neto.
Dados do Seconci-SP (Serviço Social da Construção) revelam que é possível que pessoas com deficiência desempenhem 17 cargos e funções de 29 atividades profissionais nas fases de fundação, estrutura, alvenaria e acabamento de uma obra.
Entrevistado
Engenheiro civil José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP (Sindicato das empresas Construção Civil do Estado de São Paulo)
Contato: sindusconsp@sindusconsp.com.br
Crédito foto: Divulgação/SindusCon-SP
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Setor da construção civil aguarda Minha Casa Minha Vida 3 como milagre
Governo federal promete lançar nova fase do programa habitacional em 10 de setembro. Antes, precisa colocar em dia 1,6 milhão de moradias contratadas
Por: Altair Santos
Há oito meses o setor da construção civil está em compasso de espera, aguardando a fase 3 do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). A expectativa é de que sejam contratadas mais 3 milhões de unidades até o final de 2018. Porém, para que isso se materialize, teriam que ser viabilizadas 500 mil unidades até o final de 2015 e mais 2,5 milhões nos 36 meses seguintes. O número é ousado, já que, desde a criação do MCMV, em 2009, foram contratadas aproximadamente 3,9 milhões de unidades, tendo sido efetivamente entregues 2,3 milhões de moradias. Isso dá uma média de quase 320 mil unidades construídas a cada 12 meses.

O lançamento do MCMV 3 já foi adiado quatro vezes este ano, com a nova promessa ficando para 10 de setembro. Enquanto isso, várias empresas sofrem com a paralisação do programa. O motivo é que muitas investiram pesadamente em tecnologia para que pudessem ter um alto volume de produção. Com a estagnação, toda a expertise adquirida corre o risco de ser sucateada. Neste ano, a construção civil prevê demitir cerca de 480 mil trabalhadores, mais que o triplo da indústria automobilística, além do volume de equipamentos ociosos.
A paralisação do programa atinge direta ou indiretamente toda a cadeia produtiva da construção civil. Assim, mesmo que venha a lançar o Minha Casa Minha Vida 3 em 10 de setembro, o governo federal não estará solucionando todos os problemas do setor. Ocorre que há um passivo de 1,6 milhão de moradias contratadas e não pagas. A estimativa de organismos como CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil) é de que a dívida com as empresas que atuam no programa ultrapasse R$ 1,5 bilhão.
No auge do MCMV, as construtoras recebiam o repasse de verba da Caixa Econômica Federal de 15 em 15 dias. Esse tempo aumentou para 30 dias, 60 dias e, atualmente, algumas reclamam de até 90 dias para serem reembolsadas. O atraso levou o governo federal a paralisar a concessão de financiamentos em 2015, para as famílias que se enquadram no perfil econômico do programa. As obras que a presidente Dilma Rousseff vem entregando recentemente fazem parte dos contratos assinados ainda na metade de seu primeiro mandato.
Pressão
Os organismos que representam a construção civil têm exercido pressão para que o governo federal regularize as contas e crie medidas que perenizem o Minha Casa Minha Vida – uma delas, transformando-o em programa de estado e não de governo. “É premente que haja mudanças nas faixas de renda, de forma a colocar mais pessoas dentro do programa, alocação de mais subsídios e reajuste nos limites dos valores máximos de contratação, que estão completamente fora da realidade na maioria do país, especialmente nas regiões metropolitanas de diversos estados", reivindica Flávio Prando, vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP.
Junto com CBIC e SindusCon-SP, o Secovi-SP tem participado de reuniões em Brasília para alertar o governo sobre a necessidade de acelerar o programa. “Estamos acompanhando as negociações atentamente e vemos interesse do governo em resolver a situação. O grupo de trabalho criado para discutir o MCMV 3 retomou suas atividades e vem discutindo o futuro do programa”, afirma o vice-presidente de Habitação Popular do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Ronaldo Cury, que, assim como todo o setor da construção civil, aguarda ansiosamente 10 de setembro chegar.
Entrevistados
- Engenheiro civil Ronaldo Cury De Capua, vice-presidente de Habitação Popular do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP)
- Engenheiro de produção Flávio Prando, vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP
Contatos
imprensa@relacionamento.secovi.com.br
sindusconsp@sindusconsp.com.br
Crédito foto: Arquivo/EBC
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Robô-pedreiro pode assentar mil tijolos por hora
Expertise do equipamento é assentar tijolos, seja em casas ou em prédios com poucos pavimentos. Invenção é da australiana Fastbrick Robotics
Por: Altair Santos
Em um ano, a australiana Fastbrick Robotics promete lançar no mercado o Hadrian. Trata-se de uma máquina inteligente, que opera de acordo com a planta em 3D (BIM ou CAD) implantada em sua memória. A expertise do equipamento é assentar tijolos, seja em casas ou em prédios com poucos pavimentos. O alcance de seu telescópio articulado é de 28 metros e, segundo o fabricante, pode assentar mil tijolos por hora, seja em paredes estruturais ou de vedação.

Hadrian leva esse nome em homenagem ao imperador Adriano, que governou no período em que foi erguido o Panteão de Roma. Mas, para popularizar a invenção, a própria fabricante já passou a chamar a máquina de robô-pedreiro. Na verdade, ela substitui uma equipe de operários, pois consegue trabalhar 20 vezes mais rápido do que um humano, na mesma tarefa.
Pela projeção da Fastbrick Robotics, quando chegar ao mercado o robô estará ajustado para auxiliar na construção de até 150 casas com 100 m² por ano. Por causa de seu longo telescópio, também virá programado para atender demandas em edifícios com até 8 pavimentos. “O Hadrian reduz o tempo total de construção de uma casa padrão em aproximadamente seis semanas”, diz o CEO da fabricante, Mike Pivac.
O diretor da Fastbrick Robotics também tenta minimizar a versão de que a máquina poderá causar desemprego no setor da construção civil. “No nosso entender, não tira empregos de humanos. Na Austrália, por exemplo, esse tipo de mão de obra, o de assentador de tijolos, está desaparecendo, pois é pouco qualificada. O Hadrian abrirá espaço no canteiro de obras para profissionais com mais especialidades”, avalia.

Maior precisão, menor desperdício
O robô não apenas ajusta o tijolo, como requer a planta, como também coloca a argamassa e verifica o nivelamento. “O sistema de navegação e de estabilização gera precisão milimétrica. Nos testes, o maior desnível que encontramos foi de 0,5 milímetros. Além disso, em uma casa-padrão, com 100 m², a máquina gerou economia de 30% no consumo de argamassa e volume de resíduos 95% menor se comparado a um humano”, observa Mike Pivac.
O CEO da Fastbrick Robotics afirma ainda que, por causa do elevado nível de precisão do robô, o acabamento fino - ou seja, a colocação do revestimento das paredes - pode ser iniciado logo que o assentamento de tijolos esteja concluído. Mike Pivac garante também que o equipamento é ajustável a qualquer tipo de tijolo, seja ele cerâmico ou bloco de concreto. “A máquina se adapta ao projeto que é gravado em sua memória e ao tipo de material por ele definido”, assegura.
Para Pivac, a chegada da robótica na construção civil é algo inevitável. “O setor, por muitas décadas, se acomodou com processos rudimentares, mas a cobrança por produtividade exige essa evolução. Comparando com a indústria automobilística, ficamos muito para trás. Acredito que o Hadrian é um passo importante para uma nova era na construção civil”, finaliza.
Confira animação que mostra o robô-pedreiro em ação
Entrevistado
Engenheiro mecânico Mike Pivac, CEO da Fastbrick Robotics
Contatos
info@cygnetcapital.com.au
www.fastbrickrobotics.net
Créditos fotos: Divulgação/Fastbrick Robotics
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Sim, relâmpagos podem causar danos em edificações
Estruturas que não estejam suficientemente protegidas por para-raios podem sofrer danos, como trincas em vigas e pilares, estimulando patologias
Por: Altair Santos
O Brasil é um dos países com maior incidência de descargas atmosféricas do mundo. Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Aeroespaciais) o território nacional é atingido anualmente por aproximadamente 50 milhões de raios. Ainda de acordo com o mesmo levantamento, 85% dos relâmpagos atingem estruturas altas, como edifícios, torres, linhas de transmissão e árvores. No caso das edificações, os danos causados pelas descargas chegam a R$ 1 bilhão por ano.

Portanto, não é mito que relâmpagos podem causar estragos, principalmente em prédios (mesmo os protegidos por para-raios). Os casos mais comuns são trincas profundas em vigas e pilares, abrindo espaço para a corrosão do aço e a deterioração do concreto. É muito comum edifícios serem atingidos por raios e não passarem por inspeção em seus sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) após o fenômeno. Isso abre espaço para que uma nova descarga cause ainda mais estragos na edificação.
O alerta é do professor-doutor Alexandre Piantini, líder do Centro de Estudos em Descargas Atmosféricas e Alta Tensão (CENDAT), vinculado à Universidade de São Paulo (USP). O especialista recomenda que a construção de um prédio em uma área com forte incidência de raios preveja em seu projeto proteções reforçadas contra relâmpagos. “Quanto maior a incidência de descargas na região, maior a probabilidade de a estrutura ser atingida”, diz.
Norma revisada

Piantini destaca ainda que, quando uma edificação é atingida por uma descarga, o SPDA deve passar por uma inspeção para se verificar se todos os seus componentes encontram-se em bom estado, com as conexões firmes e livres de corrosão. “Nenhum sistema de proteção tem eficiência de 100%. Portanto, é possível que ocorram danos mesmo que a edificação esteja protegida. Entretanto, é certo que em uma estrutura protegida por um SPDA projetado e instalado de acordo com a norma brasileira (NBR 5419) o risco de danos é mínimo”, afirma.
A norma técnica ABNT NBR 5419:2015 - Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas - tem uma nova versão desde o final do primeiro semestre deste ano. Publicada em 22 de maio, está em vigor desde 22 de junho. Com 380 páginas - antes tinha apenas 42 -, a NBR revisada é dividida em quatro partes e tem um capítulo que trata de estruturas de concreto armado atingidas por raios.
No caso do concreto que é alvo de descargas atmosféricas, recomenda-se ficar atento à mudança de coloração com o passar do tempo. Por causa das reações químicas desencadeadas pelos relâmpagos, o material costuma apresentar manchas avermelhadas ou castanho-avermelhadas, o que normalmente configura corrosão na armadura. Os defeitos tornam a estrutura ineficiente, podendo causar trincas, deformações ou patologias mais graves.
Entrevistado
Engenheiro elétrico, e professor-doutor da Universidade de São Paulo (USP), Alexandre Piantini. É líder do Centro de Estudos em Descargas Atmosféricas e Alta Tensão (CENDAT)
Contato: piantini@iee.usp.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Georecrutamento começa a pesar mais que currículo
Endereço do candidato a uma vaga é decisivo para as empresas, a fim de que elas minimizem risco de turnover causado por problemas de mobilidade urbana
Por: Altair Santos
O turnover pode causar perdas de até 10% no faturamento anual de uma empresa, dependendo de seu ramo de atividade. Esse custo é gerado pelo impacto do contrata-demite, o que leva a mais gastos com treinamento e redução na produtividade. Entre os motivos que estimulam à rotatividade de mão de obra está a dificuldade do colaborador em se deslocar de sua casa até a empresa, por conta das carências de mobilidade urbana.

Detectado o problema, as empresas passaram a acrescentar mais um critério para a contratação, além da análise do currículo e do perfil psicológico do candidato. É o georecrutamento. A ferramenta leva em conta a proximidade entre a residência do contratado e o endereço em que irá trabalhar, e pode ser decisiva quando dois concorrentes se mostram igualmente qualificados para a vaga.
Jacob Rosenbloom, CEO da Emprego Ligado - empresa que detém no Brasil a tecnologia do georecrutamento – explica por que morar perto do trabalho passou a ser um critério de contratação. “O funcionário que mora distante do trabalho se atrasa mais e falta mais. Por causa da rotina de passar horas no transporte público, ele acaba tendo uma maior propensão a sair do trabalho”, diz.
Ao mesmo tempo, Rosenbloom mostra como a geolocalização pode minimizar ou até estancar a rotatividade na empresa. “O turnover diminui, pois o funcionário que reside perto da empresa se atrasa menos, falta menos, trabalha mais disposto e tem uma menor predisposição para deixar o emprego. Dessa forma, a empresa consegue diminuir consideravelmente sua taxa de contrata-demite”, afirma.
Qualidade de vida
Além da má qualidade do transporte público, o custo do deslocamento também tem levado o trabalhador a preferir um emprego perto de sua residência. “Quem busca emprego hoje tem muito interesse em trabalhar perto de casa. O candidato quer uma melhor qualidade de vida e morar perto do trabalho é uma excelente solução para chegar nesse resultado”, avalia o especialista, garantindo que o georecrutamento é bom tanto para a empresa quanto para o colaborador.
A ferramenta mapeia as alternativas que o candidato tem para chegar ao trabalho. Se uma linha de metrô o liga diretamente ao trabalho, é ponto positivo. Porém, se ele depende apenas de ônibus, e precisa fazer duas ou mais conexões, o pretendente fica mais distante da vaga. Idem no caso de se deslocar com veículo próprio, mas as alternativas no trânsito vivem congestionadas.
Na cidade de São Paulo, o georecrutamento já é uma realidade. “O trânsito exerce um papel limitador na mobilidade urbana, que acaba complicando o cenário das empresas. Porém, em cidades menores, a geolocalização também pode ser usada e tem o mesmo efeito de diminuição da rotatividade”, cita Jacob Rosenbloom, lembrando tratar-se de uma tendência global. “Em grandes metrópoles do mundo, as empresas já entenderam que ter um funcionário que reside próximo ajuda a melhorar a produtividade e a diminuir o turnover”, finaliza.
Entrevistado
Engenheiro de produção Jacob Rosenbloom, um dos fundadores do Emprego Ligado
Contato: bruno.soares@fticonsulting.com (assessoria de imprensa)
Crédito foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Empire State Building adota “retrofit infinito”
Desde 2009, ícone da arquitetura e da engenharia está em constante processo de atualização para se adequar aos conceitos de obra sustentável
Por: Altair Santos
Ícone da reação econômica dos Estados Unidos contra a grande depressão de 1929, o edifício Empire State Building foi inaugurado em 1931. Portanto, há 84 anos é referência para a arquitetura e a engenharia civil. Mas como uma edificação a caminho dos 100 anos consegue se manter contemporâneo e com suas estruturas muito bem conservadas? O segredo está na gestão de retrofit adotada pelo condomínio. Trata-se de um processo que, desde 2009, não para. A meta é manter o Empire State Building sempre atualizado com as mais modernas tendências arquitetônicas.

O resultado é que a edificação tem se tornado cada vez mais eficiente sob o ponto de vista de consumo de recursos como água e energia elétrica. Transformou-se em um prédio verde por excelência, e em constante evolução. Hoje, é o retrofit com a maior pontuação da certificação LEED, alcançando nível gold. Para atingir o grau de excelência, precisou de investimentos que já somam US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 1,75 bilhão). Os recursos foram para a troca de todas as instalações elétricas e hidráulicas do edifício e à substituição das 6.514 janelas por equipamentos com desempenho térmico e acústico, além dos elevadores.
O prédio também ganhou sistemas inteligentes para controlar a ventilação. Todo esse compromisso com a sustentabilidade e com o conforto resulta em eficiência energética. Resultado: o Empire State Building fechou 2014 economizando US$ 2,8 milhões (quase R$ 10 milhões) e consumo de água e de energia. "O projeto de retrofit do edifício ultrapassou drasticamente nossas projeções de economia", diz Anthony E. Malkin, presidente da Empire State Realty Trust, que administra o condomínio do prédio de 102 andares e 381 metros de altura, incluindo a antena localizada em seu topo. O prédio foi o primeiro arranha-céu do mundo a usar estruturas mistas de aço e concreto.

Modelo de retrofit
O retrofit do Empire State foi proposto em 2009 pela C40 Cities Climate Leadership Group, do qual a Fundação Bill Clinton (criada pelo ex-presidente dos Estados Unidos) é um dos líderes. A C40 conseguiu uma coalizão de organismos para viabilizar um projeto que preservasse e, ao mesmo tempo, modernizasse um dos símbolos de Nova York. “O projeto de retrofit do edifício é um exemplo do que a sociedade organizada, sem precisar do poder público, pode fazer pelas cidades”, cita Mark Watts, diretor-executivo do C40. Toda a gestão do prédio é feita de forma transparente e pode ser acompanhada por qualquer cidadão pelo site www.esbsustainability.com.
Uma das preocupações do C40 é com a quantidade de energia gasta pelos prédios nos Estados Unidos. O país tem 120 milhões de edificações, que consomem 42% da eletricidade gerada e da água tratada para abastecer os norte-americanos. “É preciso acelerar a tomada de medidas que minimizem esse consumo e uma solução eficiente é promover o retrofit de edificações com mais de 20 anos. Para isso, o Empire State Building é um exemplo a ser replicado", afirma Amory Lovins, cofundador da organização Chief Scientist. Entre 1931 e 1973, o edifício nova- iorquino reinou soberano como o prédio mais alto do mundo.
Entrevistados
C40 Cities Climate Leadership Group e Empire State Realty Trust (via assessorias de imprensa)
Contatos
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Microcimento decorativo desafia revestimentos
Produto pode substituir cerâmicas e porcelanatos em piscinas e áreas úmidas de residências, com a vantagem de oferecer desempenho térmico
Por: Altair Santos
Absolutos no mercado de revestimento, porcelanatos e cerâmicas ganharam um concorrente oriundo da Europa: o microcimento. O produto une elementos polímeros com material cimentício (cimento branco estrutural), criando uma pasta que é aplicada sobre paredes e pisos - sempre com espessura máxima de 3 milímetros. Instalada por mão de obra especializada, a fina camada adere sobre a superfície, gerando acabamento liso, brilhante e em cores que podem ir do branco a tons mais vivos, ou em sua pigmentação original: o cimento queimado.

Apresentado como produto inovador na 2ª Feira do Construtor, que aconteceu em Curitiba-PR, de 29 a 31 de julho, a palestra sobre microcimento atraiu um bom número de decoradores de interior e arquitetos. A dúvida maior era quanto à resistência e as vantagens do produto, em relação a cerâmicas e porcelanatos. “O produto tem 100% de impermeabilidade, dispensa juntas de dilatação e rejuntes, o que elimina o risco de infiltrações, além de ter como característica única o desempenho térmico. Por ter polímeros em sua composição, ele não é frio como os tradicionais revestimentos usados em áreas úmidas”, destaca Ronaldo Martins dos Santos, sócio da Fullcover - empresa do Rio de Janeiro-RJ convidada pela feira para apresentar o microcimento ao mercado paranaense.
Custo elevado
Na Europa, o revestimento já está consolidado há mais de 10 anos. Em países como Portugal e Espanha, ele predomina na área interna das piscinas de concreto armado, substituindo as pastilhas, e em paredes internas para ajudar as casas e apartamentos a terem desempenho térmico durante o inverno. “Uma parede bem recoberta com microcimento, desde que a mão de obra seja qualificada e os produtos sejam de qualidade, suporta de cinco a dez anos sem manutenção”, resume Ronaldo Martins.

O microcimento funciona bem para revestir blocos de concreto e paredes de drywall. No caso dos elementos pré-fabricados, o produto exige que as peças tenham boa qualidade e estejam bem alinhadas. “Trabalhamos na Cidade Olímpica, com paredes de blocos de concreto muito bem construídas, e o resultado foi ótimo”, diz o especialista. No caso, o microcimento substituiu o reboco, criando uma camada de 2 milímetros sobre as peças pré-fabricadas e uma estrutura mais leve.
Apesar da versatilidade e das boas soluções que oferece, o microcimento tem um obstáculo a vencer, para se tornar de fato competitivo: o preço. Como parte de seus componentes é importada, o m² varia entre R$ 170 a R$ 300, já incluindo o custo da mão de obra.
Entrevistado
Engenheiro mecânico Ronaldo Martins dos Santos, sócio da Fullcover, empresa especializada em aplicação de microcimento

Contato: rms.74@bol.com.br
Crédito Foto: Divulgação/Fullcover/Cia. Cimento Itambé












