China “compra” infraestrutura na América Latina

Priorizando Brasil e Argentina, potência mundial viabiliza corredores de transporte ferroviário para facilitar escoamento de matérias-primas

Priorizando Brasil e Argentina, potência mundial viabiliza corredores de transporte ferroviário para facilitar escoamento de matérias-primas

Por: Altair Santos

O trem-bala brasileiro seria o mais ousado projeto ferroviário nacional, caso tivesse saído do papel. Agora, o governo federal lança o plano da Ferrovia Transoceânica. A extensão pode variar entre 4 mil e 5 mil quilômetros, já que o trajeto ainda não está definido. A princípio, a linha sairia do Rio de Janeiro, cortando outros cinco estados brasileiros (Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre) até entrar no Peru, para desembocar no Pacífico. A diferença desta megaobra, em relação ao trem-bala, é que agora há um investidor interessado: a China.

Acordos assinados entre a presidente Dilma Rousseff e o premier chinês Li Keqiang destacam a construção da ferrovia Transoceânica
Acordos assinados entre a presidente Dilma Rousseff e o premier chinês Li Keqiang destacam a construção da ferrovia Transoceânica

A potência mundial tem um novo foco de investimentos: a América Latina. Priorizando Brasil e Argentina, a China quer viabilizar corredores de transporte ferroviário para facilitar o escoamento de matérias-primas compradas destes países. Em território argentino, os chineses querem criar um corredor da carne. Já no Brasil, a meta é abrir um caminho para que a soja e os minérios do país possam ser embarcados no Oceano Pacífico – especificamente em portos do Peru. A intenção é baratear a logística, pois, atualmente, os navios saem carregados do Brasil e da Argentina e precisam passar pelo Canal do Panamá para transpor o continente ou cruzar o Atlântico e o Oceano Índico.

Hoje, as exportações brasileiras para a China levam de 30 dias a 40 dias para chegar ao destino, independentemente do caminho (via Canal do Panamá ou Atlântico/Índico). Com a megaobra, a estimativa é que o percurso cairia para 20 dias ou menos. Para viabilizá-la, o aporte financeiro pode chegar a R$ 34 bilhões, dependendo do trajeto a ser escolhido. O principal empecilho está na possibilidade de a ferrovia cortar a região amazônica – traçado mais curto -, o que implicaria em superar barreiras ambientais.

Abertura a empreiteiras estrangeiras
Independentemente das dificuldades que possam ser impostas à construção, na segunda quinzena de maio de 2015 os governos brasileiro, chinês e peruano assinaram 35 acordos, com validade até 2021, que viabilizam a construção da Ferrovia Transoceânica. Mas é possível que a megaobra exija também a inclusão da Bolívia na parceria, caso o trajeto tenha que evitar a floresta amazônica. Com a participação ou não dos bolivianos no empreendimento, esta será, após mais de 40 anos, a segunda obra transnacional viabilizada em território brasileiro. A primeira foi a hidrelétrica Itaipu.

Mapa da rota da Transoceânica: obra pode custar até R$ 34 bilhões, por causa de questões ambientais
Mapa da rota da Transoceânica: obra pode custar até R$ 34 bilhões, por causa de questões ambientais

Além disso, poderá ser também a primeira construção a usar empreiteiras estrangeiras. Com o andamento da operação Lava Jato envolvendo as principais construtoras do Brasil, é possível que elas sejam impedidas de participar de licitações para esse tipo de obra. Com isso, a China já se “ofereceu” para viabilizar o projeto. O governo brasileiro reluta, mas os chineses acenam com a possibilidade de contratação de mão de obra brasileira e transferência de tecnologia. A Ferrovia Transoceânica é vista pela potência mundial também como uma porta de acesso para atuar na construção civil da América Latina.

Entrevistados
– Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC) (via assessoria de imprensa)
– VALEC, Engenharia, Construções e Ferrovias S.A (via assessoria de imprensa)
Contatos
presidente@valec.gov.br
infosp@ccibc.com.br

Créditos Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Massa Cinzenta

Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.

Veja todos os Conteúdos

Cimento Certo

Conheça os 5 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS

Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32

Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40

Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.

Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI

O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.

descubra o cimento certo

Cimento Certo

Conheça os 5 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

descubra o cimento certo