Segurança no canteiro de obras começa pelo capacete

Cores do equipamento de proteção individual (EPI) se orientam por normas técnicas e também definem hierarquias entre trabalhadores do setor

Cores do equipamento de proteção individual (EPI) se orientam por normas técnicas e também definem hierarquias entre trabalhadores do setor

Por: Altair Santos

O capacete é o primeiro elemento que evidencia se um canteiro de obras segue os procedimentos de segurança do trabalho e atua com organização. O equipamento de proteção individual (EPI) é uma exigência legal. Não são poucos os acidentes que poderiam ser evitados se o uso do capacete fosse uma rotina nas construções brasileiras. Também não é por falta de orientação e nem de normas técnicas que ele deixa de ser utilizado. A CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), inclusive, possui norma regulamentadora que padroniza as cores dos equipamentos na construção civil.

Cores dos capacetes não são por acaso. Tons seguem padrões que priorizam a segurança e a organização
Cores dos capacetes não são por acaso. Tons seguem padrões que priorizam a segurança e a organização

A identificação dos capacetes por cores serve também para hierarquizar o trabalho no canteiro de obras. O engenheiro e o mestre de obras, por exemplo, normalmente utilizam capacetes brancos. Há empresas que adotam cinza para um e branco para outro. Os pedreiros usam azul, enquanto serventes e operários, carpinteiros, eletricistas, técnicos de segurança e visitantes utilizam equipamentos verdes, vermelhos, laranja, preto e amarelo, respectivamente. As normas NR 06 e ABNT NBR 8221 não impõem cores, mas definem os padrões de fabricação deste equipamento de proteção individual.

No Brasil, além de seguir a normalização vigente, os fabricantes de capacetes utilizam padrões de qualidade aceitos internacionalmente, usando como matéria-prima o polietileno de alta densidade na produção dos cascos. Esse tipo de plástico, além de suportar impactos, possui combustão lenta, é resistente a raios ultravioleta, à ação da água e tem alta resistência mecânica. O uso eficiente do capacete recomenda que se verifique a presença de selo do INMETRO e se o equipamento está dentro do prazo de validade, o que normalmente é definido pelo fabricante (em média, 5 anos para o casco e 3 anos para a suspensão interna, também conhecida como carneiro). Além disso, não é recomendado que o EPI seja utilizado com bonés e gorros, pois os acessórios diminuem a capacidade de proteção dos capacetes.

Produtividade e economia
Para quem atua no canteiro de obras, é importante destacar que a guarda do capacete, assim como os demais EPIs, é de responsabilidade do trabalhador. Além disso, o colaborador também tem o dever de preservar o equipamento, assim como cuidar da higienização e das condições de uso. Todas as orientações devem ser repassadas ao profissional através de treinamento oferecido pela empresa contratante ou por entidades de classe ligadas à construção civil. O investimento neste tipo de ação melhora a produtividade no canteiro e também influencia no custo da obra, pois previne contra o risco de multas e de paralisação do empreendimento.

Segundo Wilson de Mello Jr., diretor de certificação e desenvolvimento humano da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), a ausência de capacitação, treinamento e equipamentos adequados faz com que algumas construtoras cheguem a pagar até R$ 1 milhão por mês em indenizações causadas por acidentes de trabalho. Estudo encomendado pelo Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP), junto ao Instituto de Ensino e Pesquisa Armênio Crestana (Iepac/Seconci-SP), reforça essa afirmação. Ele revela que contusões, entorses, traumatismos e ferimentos são a causa de 13% do afastamento de trabalhadores da construção civil. O levantamento ocorreu em cima de atestados médicos.

Ainda de acordo com os documentos emitidos, 42,7% se ausentam do trabalho devido a dores e inflamações (musculares, nas costas, ombros, juntas e tendão). Já 10,8% por problemas gastrointestinais, 6,8% por faringites, amigdalites, sinusites, gripes e viroses, 5,5% por doenças do olho, 4,3% por cistos, abscessos, furúnculos e dermatites e 16,9% por outros problemas de saúde.

Info_CoresCapacetes
Entrevistados
Wilson de Mello Jr., diretor de certificação e desenvolvimento humano da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração)
Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP)
Contatos
meccanica@meccanica.com.br
comunicacao@seconci-sp.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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