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Crise requer foco na gestão social corporativa

Gestão, Gestão Estratégica, Mercado da Construção 7 de maio de 2015

Especialista mostra fatores que podem ser o diferencial para que uma companhia chegue ao lucro econômico através de negócios de fim social

Por: Altair Santos

O escândalo em que se envolveu a Petrobras, trazido à tona pela operação Lava-Jato, fez com que temas como compliance fosse um dos mais buscados pelas empresas brasileiras nos primeiros meses de 2015. O termo inglês, sem uma tradução específica para o português, mostra a capacidade de uma companhia de seguir regras e leis, fazer direito, dentro dos prazos e de acordo com procedimentos éticos. É um conceito que deve vir complementado pela responsabilidade social corporativa. Neste caso, definido como a inserção da empresa perante os atores com quem ela interage, os stakeholders.

João Paulo Vergueiro: quem não tiver plano de responsabilidade social corporativa estará fora do mercado

Para o mestre em administração, João Paulo Vergueiro, a adoção destas estratégias no modelo de gestão das empresas pode fazer a diferença, principalmente em tempos de crise. Em recente palestra no 1º Seminário de Gestão Empresarial Estratégica e Responsabilidade Social, promovido pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), em parceria com o SindusCon-PR, Vergueiro mostrou que gestão eficiente, governança e responsabilidade social fazem a diferença para as empresas, principalmente em meio às crises. Confira a entrevista:

Como uma empresa pode reagir à crise a partir de ações como responsabilidade social, governança e compliance?
Esses são conceitos que mostram que a empresa está inserida em um ambiente onde ela tem relacionamento com fornecedores, com trabalhadores, com o meio ambiente, com a mídia, com acionistas e com a comunidade no entorno dela. Há uma série de atores, que chamamos de stakeholders, que afetam a empresa e são impactados pela sua atuação. A esse conjunto, chama-se responsabilidade social corporativa. Trata-se de fatores que podem ser o diferencial de uma empresa em momentos de crise. Isso porque, a empresa socialmente responsável demonstra uma conduta diferenciada frente ao seu público de relacionamento, como acionistas, consumidores, funcionários e membros da comunidade.

Seria hora, então, de focar em outras formas de lucro, e não somente o lucro econômico?
Ela pode buscar não só o lucro econômico, mas o lucro social. De que forma? Adotando estratégias de responsabilidade social corporativa, adotando a prática como um negócio de fim social, ou seja, não só dar lucro, mas agregar valores éticos, sociais e ambientais. Não é só gerar valor para os acionistas. O novo negócio da empresa é gerar sustentabilidade para ela e seus stakeholders.

Como a empresa que ainda não tem esse tipo de visão pode começar a pensar em lucro social?
Ainda que as empresas possam trabalhar evolutivamente para buscar as certificações ISO 9000 e ISO 14000, que de certa forma englobam responsabilidade social corporativa, a ISO 26000 é mais envolvida com esse tipo de gestão. Ela apresenta para a sociedade o que o mundo entende como responsabilidade social corporativa. Consolidada em 2010, a norma trouxe para o debate os caminhos para a implementação de tais conceitos. Ela também tem uma diferença em relação às outras ISO: não certifica, é apenas um documento de autoavaliação para as empresas. A ISO 26000 é didática para as empresas e o caminho para quem quer começar.

N.R: a ISO 26000 é a primeira Norma Internacional de Responsabilidade Social Empresarial. Sua versão final foi publicada em 2010. O documento tem como objetivo traçar diretrizes para ajudar empresas de diferentes portes, origens e localidades, na implantação e desenvolvimento de políticas baseadas na sustentabilidade.

A CBIC pensa em alguma ação para disseminar a responsabilidade social corporativa entre as empresas do setor?
A ISO 26000 aborda sete temas: governança organizacional, direitos humanos, práticas de trabalho, meio ambiente, práticas de áreas de operação, consumidor e desenvolvimento da comunidade. Com base nestas premissas, a CBIC está classificando de que forma a indústria da construção civil se posiciona em relação a esses temas. Esse é um procedimento para que a CBIC, como um organismo de representação nacional, assine o pacto global de sustentabilidade e insira a construção civil brasileira em uma rede mundial de cidadania corporativa, liderada pela ONU (Organizações das Nações Unidas), onde prevalece o respeito aos direitos ambientais, aos direitos humanos e trabalhistas, assim como às normas vigentes.

De que forma todas essas ações irão se refletir no desempenho das empresas no mercado e em soluções para elas superarem a crise?
É simples. Quem não tiver plano de responsabilidade social corporativa estará fora do mercado. O valor ambiental, o valor social e o valor ético abrirão caminho para o valor econômico, e não o contrário.

Saiba mais sobre Responsabilidade Social Corporativa
http://www.cimentoitambe.com.br/wp-content/uploads/2015/05/Apresentacao-Seminario-Parana.pdf

Entrevistado
João Paulo Vergueiro, mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas e professor da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) na cadeira de Responsabilidade Social Empresarial

Contato: jpverg@hotmail.com

Crédito Foto: Divulgação/SindusCon-PR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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