Crise requer foco na gestão social corporativa

João Paulo Vergueiro: quem não tiver plano de responsabilidade social corporativa estará fora do mercado

Crise requer foco na gestão social corporativa

Crise requer foco na gestão social corporativa 1024 768 Cimento Itambé

Especialista mostra fatores que podem ser o diferencial para que uma companhia chegue ao lucro econômico através de negócios de fim social

Por: Altair Santos

O escândalo em que se envolveu a Petrobras, trazido à tona pela operação Lava-Jato, fez com que temas como compliance fosse um dos mais buscados pelas empresas brasileiras nos primeiros meses de 2015. O termo inglês, sem uma tradução específica para o português, mostra a capacidade de uma companhia de seguir regras e leis, fazer direito, dentro dos prazos e de acordo com procedimentos éticos. É um conceito que deve vir complementado pela responsabilidade social corporativa. Neste caso, definido como a inserção da empresa perante os atores com quem ela interage, os stakeholders.

João Paulo Vergueiro: quem não tiver plano de responsabilidade social corporativa estará fora do mercado

Para o mestre em administração, João Paulo Vergueiro, a adoção destas estratégias no modelo de gestão das empresas pode fazer a diferença, principalmente em tempos de crise. Em recente palestra no 1º Seminário de Gestão Empresarial Estratégica e Responsabilidade Social, promovido pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), em parceria com o SindusCon-PR, Vergueiro mostrou que gestão eficiente, governança e responsabilidade social fazem a diferença para as empresas, principalmente em meio às crises. Confira a entrevista:

Como uma empresa pode reagir à crise a partir de ações como responsabilidade social, governança e compliance?
Esses são conceitos que mostram que a empresa está inserida em um ambiente onde ela tem relacionamento com fornecedores, com trabalhadores, com o meio ambiente, com a mídia, com acionistas e com a comunidade no entorno dela. Há uma série de atores, que chamamos de stakeholders, que afetam a empresa e são impactados pela sua atuação. A esse conjunto, chama-se responsabilidade social corporativa. Trata-se de fatores que podem ser o diferencial de uma empresa em momentos de crise. Isso porque, a empresa socialmente responsável demonstra uma conduta diferenciada frente ao seu público de relacionamento, como acionistas, consumidores, funcionários e membros da comunidade.

Seria hora, então, de focar em outras formas de lucro, e não somente o lucro econômico?
Ela pode buscar não só o lucro econômico, mas o lucro social. De que forma? Adotando estratégias de responsabilidade social corporativa, adotando a prática como um negócio de fim social, ou seja, não só dar lucro, mas agregar valores éticos, sociais e ambientais. Não é só gerar valor para os acionistas. O novo negócio da empresa é gerar sustentabilidade para ela e seus stakeholders.

Como a empresa que ainda não tem esse tipo de visão pode começar a pensar em lucro social?
Ainda que as empresas possam trabalhar evolutivamente para buscar as certificações ISO 9000 e ISO 14000, que de certa forma englobam responsabilidade social corporativa, a ISO 26000 é mais envolvida com esse tipo de gestão. Ela apresenta para a sociedade o que o mundo entende como responsabilidade social corporativa. Consolidada em 2010, a norma trouxe para o debate os caminhos para a implementação de tais conceitos. Ela também tem uma diferença em relação às outras ISO: não certifica, é apenas um documento de autoavaliação para as empresas. A ISO 26000 é didática para as empresas e o caminho para quem quer começar.

N.R: a ISO 26000 é a primeira Norma Internacional de Responsabilidade Social Empresarial. Sua versão final foi publicada em 2010. O documento tem como objetivo traçar diretrizes para ajudar empresas de diferentes portes, origens e localidades, na implantação e desenvolvimento de políticas baseadas na sustentabilidade.

A CBIC pensa em alguma ação para disseminar a responsabilidade social corporativa entre as empresas do setor?
A ISO 26000 aborda sete temas: governança organizacional, direitos humanos, práticas de trabalho, meio ambiente, práticas de áreas de operação, consumidor e desenvolvimento da comunidade. Com base nestas premissas, a CBIC está classificando de que forma a indústria da construção civil se posiciona em relação a esses temas. Esse é um procedimento para que a CBIC, como um organismo de representação nacional, assine o pacto global de sustentabilidade e insira a construção civil brasileira em uma rede mundial de cidadania corporativa, liderada pela ONU (Organizações das Nações Unidas), onde prevalece o respeito aos direitos ambientais, aos direitos humanos e trabalhistas, assim como às normas vigentes.

De que forma todas essas ações irão se refletir no desempenho das empresas no mercado e em soluções para elas superarem a crise?
É simples. Quem não tiver plano de responsabilidade social corporativa estará fora do mercado. O valor ambiental, o valor social e o valor ético abrirão caminho para o valor econômico, e não o contrário.

Saiba mais sobre Responsabilidade Social Corporativa
http://www.cimentoitambe.com.br/wp-content/uploads/2015/05/Apresentacao-Seminario-Parana.pdf

Entrevistado
João Paulo Vergueiro, mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas e professor da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) na cadeira de Responsabilidade Social Empresarial

Contato: jpverg@hotmail.com

Crédito Foto: Divulgação/SindusCon-PR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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