Agronegócio é ambiente fértil para obras pré-fabricadas

Setor da economia que não conhece crise vira nicho para a construção industrializada, principalmente nos estados da região sul do Brasil

Por: Altair Santos

A indústria da construção industrializada quer, cada vez mais, tornar-se parceira do agronegócio. Não só construindo galpões para confinamento de animais, frigoríficos, abatedouros, centros de distribuição e logística, mas também atuando na melhoria de portos, rodovias e ferrovias. Trata-se de um segmento em que a crise tem causado baixo impacto e onde as obras pré-fabricadas se encaixam perfeitamente. Por dois motivos: a rapidez com que são erguidas e o envolvimento de concretos especiais, que resistem ao ambiente hostil imposto pelo confinamento e o abate de animais.

Frigorífico na região de Castro, no Paraná: obra exige concretos especiais e gera demanda para a construção industrializada
Frigorífico na região de Castro, no Paraná: obra exige concretos especiais e gera demanda para a construção industrializada

A prova de que o agronegócio e a construção industrializada se aproximaram em 2015 foi constatada pela presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto), Íria Doniak, em visita a parceiros localizados no estado de Santa Catarina. “Encontrei-me com um associado da ABCIC localizado na região de Chapecó-SC e a indústria estava funcionando em três turnos. A explicação que ouvi era que o agronegócio estava demandando muitas obras pré-fabricadas”, relata. Para a engenheira civil, trata-se de um segmento que possui total sintonia com as obras em concreto industrializado.

Um dos motivos é que o agronegócio exige velocidade nas construções. A safra não espera e precisa de silos, galpões para armazenamento e centros de logística. Da mesma, a agropecuária também necessita que suas demandas sejam atendidas rapidamente, e com um ponto relevante: a qualidade do concreto. “Os frigoríficos têm um ambiente bastante agressivo para o concreto, por causa dos vários tipos de rejeitos, e isso requer um material com durabilidade e vida útil elevada. Tudo isso está relacionado ao contexto da construção industrializada”, destaca Íria Doniak.

Internet e energia eólica
Outros segmentos que também têm gerado obras para a construção industrializada são o de vendas pela internet e o de energia eólica. Com a expansão do comércio online, as empresas ligadas a esse setor passaram a investir em centros de logística. Além disso, a evolução dos pré-fabricados permite que o concreto de alto desempenho substitua as estruturas de aço no suporte das hélices e dos geradores de energia eólica. “Isso cria uma compensação para o setor. Se em 2015 as obras de infraestrutura e habitacionais encolheram, por outro lado novos nichos se abriram para a construção industrializada”, ressalta a executiva da ABCIC.

Mesmo assim, o tipo de obra que mais absorve estruturas pré-fabricadas ainda é o de shopping centers. Em 2015, de acordo com o relatório anual da ABCIC, 30,1% do concreto industrializado produzido no país foi destinado a esse tipo de obra. Em comparação a 2014, houve aumento, pois no ano anterior os shopping centers absorveram 20,3% do total produzido pela construção industrializada. Já as obras de infraestrutura retraíram. Em 2014, representaram uma fatia de 14,3% no consumo de concreto industrializado. Já em 2015, a demanda esteve em 8,4%.

Por esse motivo, a percepção dominante no setor é de que houve queda na produção de concreto industrializado em 2015. Segundo o anuário da ABCIC, 30% dos associados indicaram redução na produção e 12,5% indicaram aumento. Parte destes indicadores positivos veio das indústrias localizadas nos estados do sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e das oportunidades geradas pela nova fronteira da construção pré-fabricada: o agronegócio.

Entrevistada
Engenheira civil Íria Doniak, presidente-executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC)
Contato: abcic@abcic.org.br

Crédito foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Dez passos para a boa gestão do projeto de obra

Gerenciamento não pode ser apenas eficiente, mas eficaz. Além disso, precisa gastar mais tempo com planejamento do que com execução

Por: Altair Santos

A hidrelétrica de Belo Monte é atualmente, no Brasil, o melhor exemplo de obra com graves problemas de gestão de projeto. O cronograma está com três anos de defasagem e nenhum dos stakeholders envolvidos ainda consegue ver sua eficácia. De um lado, o setor elétrico não se beneficia do empreendimento; de outro, o consórcio construtor se vê diante do impasse de não conseguir concluir o projeto e, em outro vértice, as questões ambientais que envolvem a megaconstrução também geram tensões.

Carlos Magno da Silva Xavier: no Brasil é preciso romper com a cultura latina de planejar pouco e passar muito tempo executando
Carlos Magno da Silva Xavier: no Brasil é preciso romper com a cultura latina de planejar pouco e passar muito tempo executando

Para o especialista em gerenciamento de projetos, Carlos Magno da Silva Xavier, a partir deste exemplo pode-se tirar lições de como deve ser feita a gestão de um projeto. “Em resumo, um projeto precisa atender expectativas. Para isso, ele necessita não apenas ser eficiente, no sentido de ser executado corretamente, mas ser eficaz, ou seja, alcançar seu objetivo”, disse, em recente webseminário da e-Construmarket-Construmanager, intitulado “Práticas mais importantes para obter sucesso no gerenciamento de projetos”.

Usando dados da PM Survey, que é uma pesquisa global sobre gerenciamento de projetos, Carlos Magno da Silva Xavier mostra que, no Brasil, 69% deles têm problemas de prazo, 50% de custo, 31% de qualidade e 27% de satisfação. “Não resta dúvida de que no país é importante melhorar a gestão dos projetos. É fundamental romper com essa cultura latina de planejar pouco e passar muito tempo executando. Na engenharia brasileira existe uma estatística preocupante, onde apenas 20% do tempo do projeto é gasto com planejamento. Nos Estados Unidos, chega a 40% e na Ásia a 50%”, afirma.

Esses dados geram a seguinte estatística: no país, as empresas mais eficientes que atuam com projetos de obras conseguem cumprir no máximo 60% do que especifica o documento. Boa parte deste desempenho se deve ao perfil do gerente de projetos, que nem sempre atende os três vértices do seguinte triângulo: liderança, conhecimento em gestão de projetos e gerenciamento estratégico de negócios. Por isso, Carlos Magno da Silva Xavier define que para se gerenciar um projeto é fundamental ter equipe, método, tecnologia e capacitação.

Para o gerenciamento de um projeto é fundamental ter equipe, método, tecnologia e capacitação
Para o gerenciamento de um projeto é fundamental ter equipe, método, tecnologia e capacitação

Diante deste cenário, ele estabeleceu o que se pode chamar de os dez mandamentos para o sucesso no gerenciamento de um projeto, que são os seguintes:

1. Alinhar objetivos do projeto aos objetivos do contratante
2. Mudar a forma de atuar no projeto
3. Estabelecer a governança do projeto
4. Analisar a viabilidade do projeto e estar sempre aberto a revisões
5. Gerenciar os riscos do projeto
6. Comunicar tudo sobre o projeto a todos os envolvidos
7. Monitorar desempenho do projeto
8. Não confundir agilidade com desorganização
9. Gerenciar o conhecimento adquirido ao longo do projeto
10. Adaptar a gestão a cada projeto

Por fim, Carlos Magno da Silva Xavier alerta que nunca se deve pensar que há um modelo universal de projeto que sirva para vários tipos de obras. Além disso, deixa claro que quem sabe gerenciar riscos tem mais chances de ver o projeto bem-sucedido. O especialista ainda destaca que projetos que tenham plano formal de comunicação aumentam desempenho de 38% para 68%.

Acesse aqui para assistir ao webseminário.

Entrevistado
Carlos Magno da Silva Xavier, doutor em administração de empresas pela Universidad Nacional de Rosario (Argentina) e sócio-diretor da Beware Consultoria e Treinamento em Gerenciamento de projetos, programas e portfólio
Contatos
magno@beware.com.br
www.beware.com.br

Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Uso de vidro moído como agregado limita o concreto

Pesquisa realizada por universidades gaúchas conclui que substituição da areia não deve superar 20%, sob risco de desencadear patologias

Por: Altair Santos

A Austrália é o país que mais utiliza vidro moído proveniente de reciclagem como agregado para produzir concreto. O material chega a ser usado em taxas de 10% a 20%, como substituto da areia, para a construção de vigas, pilares e lajes, além de elementos não-estruturantes – neste caso, em taxas que podem substituir a areia em até 50%.

Pesquisa com vidro moído, desenvolvida em 2012, foi descontinuada pela UFSM e pela UniPampa
Pesquisa com vidro moído, desenvolvida em 2012, foi descontinuada pela UFSM e pela UniPampa

No Brasil, o vidro moído é usado na composição de asfalto, mas raramente no concreto. Para romper esse paradigma, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal do Pampa (UniPampa) atuaram conjuntamente em uma pesquisa iniciada em 2012, cujo objetivo era observar a degradação térmica de concretos que agregavam vidro moído e passavam por situação de incêndio.

O trabalho foi apresentado em setembro de 2012, na cidade do Rio de Janeiro-RJ, durante a Jornada Sul-americana de Engenharia Estrutural. Um dos coordenadores foi o professor da UFSM, Rogério Cattelan Antocheves de Lima, que mostrou o teor da pesquisa: “O concreto utilizado no programa experimental contemplou a substituição de parte do agregado miúdo natural (areia) por vidro moído, nas proporções de 0%, 5%, 10%, 15%, 20% e 100%. O vidro utilizado nos ensaios foi proveniente da coleta seletiva de 220 garrafas do tipo long-neck.”

Pesquisa descontinuada

O trabalho em laboratório seguiu as normas técnicas para produção de concreto, além das especificações granulométricas de agregados. Em sua conclusão, a pesquisa diz: “As resistências dos diferentes traços analisados à temperatura ambiente foram compatíveis com as resistências de dosagem usualmente especificadas na produção de concretos, sendo possível afirmar que o teor de substituição mais adequado nesta pesquisa foi de 20%, pois atingiu-se um patamar de resistência equivalente ao concreto sem substituição. No caso da substituição de 100% da areia por vidro, apesar de atingir-se uma resistência superior, a trabalhabilidade foi altamente prejudicada, inviabilizando a moldagem manual dos corpos-de-prova”.

Corpo de prova com vidro moído como agregado: testes detectaram baixa resistência
Corpo de prova com vidro moído como agregado: testes detectaram baixa resistência

Segue a conclusão: “Por outro lado, analisando-se o efeito da exposição dos concretos a elevadas temperaturas, observa-se que a exposição a 600 °C, em diferentes intervalos de tempo, ocasionou uma redução gradual na resistência à compressão e esta, na maioria dos casos, foi diretamente proporcional ao incremento do tempo de exposição. Em particular, no teor de 20% constata-se um comportamento similar ao concreto sem substituição em todos os tempos de exposição, indicando novamente que este teor seria o mais indicado para os resultados desta pesquisa”.

Segundo o professor Rogério Cattelan Antocheves de Lima, outras análises levaram à descontinuidade da pesquisa. “No decorrer da revisão bibliográfica se constatou que a adição de vidro ao concreto poderia desencadear uma reação álcali-sílica, reação esta que se acontecer é expansiva e extremamente prejudicial ao concreto, podendo levar a colapso estrutural”, finaliza.

Clique aqui para conferir a íntegra da pesquisa.

Entrevistado
Engenheiro civil Rogério Cattelan Antocheves de Lima, professor-pesquisador nos cursos de engenharia civil e arquitetura da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pesquisador colaborador na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Contato: rogerio@ufsm.br

Créditos fotos: Divulgação/UFSM

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Dez anos depois do Katrina, muro cerca New Orleans

Barreira de concreto, com quase 8 metros de altura e cerca de 550 quilômetros de extensão, foi erguida para minimizar danos causados por furacões

Por: Altair Santos

Em 29 de agosto de 2005, a cidade de New Orleans, no estado da Louisiana-EUA, foi devastada pelo furacão Katrina. A tempestade entrou pelo Golfo do México, invadindo o continente, levando enchentes e um mar de destruição. A tragédia resultou na morte de 1.600 pessoas e fez com que o governo dos Estados Unidos passasse a encarar os furacões como uma questão de segurança nacional.

“Muralha” cobre uma extensão de 550 quilômetros lineares e envolve New Orleans
“Muralha” cobre uma extensão de 550 quilômetros lineares e envolve New Orleans

O corpo de engenheiros das forças armadas dos Estados Unidos (U.S. Army Corps of Engineers - USACE) foi destacado para pensar em uma obra que pudesse evitar futuras tragédias em New Orleans e servisse de modelo para proteger outras regiões vulneráveis a inundações causadas por furacões. A solução foi construir um grande muro de concreto que contivesse o fluxo das enchentes e ajudasse a bombear a água da tormenta para fora da cidade, devolvendo-a ao mar.

Batizada de “Muralha”, a megaobra começou a ser projetada em 2006 e em 2015 – dez anos após a tragédia – foi 100% concluída. Ao custo de US$ 14,5 bilhões (cerca de R$ 58 bilhões) a barreira de concreto mede quase 8 metros de altura e tem aproximadamente 550 quilômetros lineares de extensão. Ela envolve uma região de lagos e manguezais, e que serviram de porta de entrada para que o Katrina chegasse a New Orleans.

Ao longo da construção, que consumiu aproximadamente 900 mil m³ de concreto, há 73 estações de bombeamento, três canais extravasores e quatro comportas. "Um dos desafios da obra foi impedir que New Orleans, cuja atividade econômica depende da exploração marítima, não ficasse isolada dos lagos e do mar. Então, os canais extravasores e as comportas permitem que a cidade tenha uma vida normal e esteja, ao mesmo tempo, protegida de furacões”, explica Ricky Boyett, chefe de assuntos públicos da USACE.

Ao longo da barreira há 73 estações de bombeamento, três canais extravasores e quatro comportas
Ao longo da barreira há 73 estações de bombeamento, três canais extravasores e quatro comportas

Modelo para outras cidades

New Orleans tem uma geografia diferenciada. A cidade fica a 4 metros abaixo do nível do mar, o que fez com que os diques construídos na Holanda inspirassem a “Muralha”. Além disso, o corpo de engenheiros das forças armadas dos EUA estudou, através de simuladores, os efeitos de 152 furacões que já atingiram os Estados Unidos e a América Central. O objetivo era construir uma barreira com vida útil mínima de 100 anos e que estivesse pronta para enfrentar um fenômeno tão avassalador quanto o Katrina. Pelas projeções, um novo furacão pode atingir a região a partir de 2057.

O modelo bem-sucedido passou a atrair comissões de engenheiros de todo o mundo, especialmente de organismos localizados em cidades beira-mar, e que podem vir a ser alvo de catástrofes naturais vindas do mar. Já peregrinaram até New Orleans, para ver a “Muralha”, delegações de Boston, Nova York, Londres, Rio de Janeiro, além de países como Bangladesh, China e República Tcheca.

O sistema criado pela engenharia militar norte-americana tem capacidade de bombear 31 milhões de litros de água por minuto de volta ao mar, em caso de grandes inundações. “Acreditamos que New Orleans não está mais indefesa”, finaliza Ricky Boyett.

Entrevistado
Corpo de engenheiros das forças armadas dos Estados Unidos (U.S. Army Corps of Engineers –USACE)(via assessoria de imprensa)
Contato: hq-publicaffairs@usace.army.mil

Créditos fotos: Divulgação/U.S. Army Corps of Engineers

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Universidade conquista prêmio “Obra do Ano” da ABCIC

Prédios com quatro, cinco, seis, sete e treze pavimentos consumiram 16.800 m³ de concreto pré-fabricado em todas as suas estruturas

Por: Altair Santos

Em 2015, o prêmio Obra do Ano em Pré-Fabricados de Concreto foi concedido para a Universidade Federal do ABC (UFABC) localizada na cidade de Santo André-SP. A escolha partiu da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), que pelo quinto ano seguido realizou a premiação. O que definiu o vencedor foi o volume de concreto e a variedade de elementos empregados no empreendimento. As estruturas consumiram 16.800 m³ de concreto pré-fabricado, distribuídos em vigas e lajes armadas e protendidas, compondo fachadas, peitoris, rampas, lajes, escadas pré-fabricas, pilares moldados “in-loco” e painéis de fechamento pré-fabricados, já com acabamento.

Fachada da Universidade Federal do ABC, em Santo André-SP: volume de concreto e variedade de elementos empregados na obra garantiram premiação
Fachada da Universidade Federal do ABC, em Santo André-SP: volume de concreto e variedade de elementos empregados na obra garantiram premiação

O escritório Aluizio A. M. d’Avila & Associados, responsável pelo projeto estrutural, inscreveu para participar da premiação os projetos dos blocos A e B da UFABC. O primeiro possui área de 54 mil m², e é constituído de quatro pavimentos comuns, que interligam três torres com cinco, seis e sete pavimentos, respectivamente. Já o bloco B é formado por uma torre única, com área de 13.400 m², dividida em treze pavimentos. A obra foi executada pela construtora Augusto Velloso, com projeto arquitetônico de Cláudio Libeskind. A CPI Engenharia foi responsável pelo fornecimento das estruturas pré-fabricadas da obra. Já os painéis de fechamento foram fornecidos pela Stamp.

Brasil lidera setor na América do Sul

Segundo Íria Doniak, presidente-executiva da ABCIC, o prêmio recebeu inscrições dos tipos de construções que atualmente mais consomem elementos pré-fabricados no país: centros de logística, shopping centers, infraestrutura rodoviária, deck parking, habitacional e indústria, além de áreas em que o setor de pré-fabricado de concreto está começando a atuar, como infraestrutura energética e mineração. “Isso ressalta que esse tipo da solução de engenharia vem avançando em outros nichos de mercado, diversificando ainda mais sua atuação”, afirma Íria, destacando que, apesar da crise, o Brasil ainda segue como o líder da América da Sul no emprego da construção industrializada, seguido do Chile.

Área interna da UFABC: obra foi 100% construída com pré-fabricados de concreto
Área interna da UFABC: obra foi 100% construída com pré-fabricados de concreto

No prêmio Obra do Ano da ABCIC, a comissão julgadora optou por destacar dois outros empreendimentos, concedendo o prêmio Destaque do Júri: a torre eólica da WEG Energia, em Tubarão-SC, na categoria sustentabilidade, e os espessadores de rejeitos, em Itabira-MG, na categoria Inovação. A comissão julgadora ainda conferiu menção honrosa a outros dois empreendimentos que se destacaram no uso de estruturas pré-fabricadas de concreto: a Fábrica de Escolas do Amanhã, no Rio de Janeiro-RJ, e a nova unidade do Super Muffato, construída em São José do Rio Preto-SP. “A premiação mostra a versatilidade das estruturas pré-fabricadas de concreto, servindo a vários tipos de obras”, ressalta Íria Doniak.

Entrevistada
Engenheira civil Segundo Íria Doniak, presidente-executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC)
Contato: abcic@abcic.org.br

Premiação da ABCIC reuniu principais atores da construção industrializada no Brasil
Premiação da ABCIC reuniu principais atores da construção industrializada no Brasil

Créditos fotos: Divulgação/UFABC/ABCIC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Manual cria novo paradigma para construção industrializada

Documento prioriza instituições governamentais, e pretende impor um padrão de qualidade às obras públicas, principalmente escolas e hospitais

Por: Altair Santos

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e uma série de organismos ligados à construção civil, lançou no final de novembro de 2015 o Manual da Construção Industrializada, Conceitos e Etapas – Volume 1: estrutura e vedação. A publicação disponibiliza informações fundamentais sobre as aplicações de sistemas construtivos industrializados.

Lançamento do manual, em Brasília, contou com importantes dirigentes do setor da construção civil
Lançamento do manual, em Brasília, contou com importantes dirigentes do setor da construção civil

Voltado aos profissionais e às instituições públicas e privadas, o manual atende de edificações habitacionais a obras de infraestrutura. No próximo ano, sairão os volumes 2 e 3, que vão abordar as etapas de montagem e aceitação, sistemas racionalizados, subsistemas de instalação e revestimento, componentes volumétricos (quartos e banheiros prontos) e desempenho ambiental dos sistemas construtivos industrializados.

Segundo a engenheira civil Laura Marcellini, diretora técnica da ABRAMAT, que atuou na elaboração do documento, o manual tem dois objetivos: criar um padrão de qualidade para empreendimentos como escolas e hospitais públicos, além de dar celeridade às obras e racionalizar os custos. Confira a entrevista abaixo e faça o download do manual aqui.

Qual a aplicação prática do Manual da Construção Industrializada, Conceitos e Etapas – Volume 1: estrutura e vedação?
O manual é uma publicação voltada para público técnico de organismos públicos e empresas privadas, que contratam obras de edificações residenciais ou não residenciais, para orientá-los na tomada de decisões de seleção de sistemas construtivos e estimulá-los a adotar sistemas construtivos industrializados. A publicação serve também de referência atualizada para o meio acadêmico, pois traz de forma bem didática os conceitos de construção industrializada, os aspectos a levar em conta em todo o ciclo do empreendimento e exemplos de tecnologias já disponíveis no mercado brasileiro.

O manual tende a alavancar a construção industrializada no setor habitacional?
Sim, vai contribuir para isso, na medida em que traz informações detalhadas e atualizadas para capacitação e orientação dos envolvidos com a contratação de empreendimentos habitacionais e também para outros usos (comerciais, industriais, escolas e hospitais).

O Minha Casa, Minha Vida tende a se beneficiar das práticas contidas no manual?
O Programa Minha Casa Minha Vida poderá se beneficiar, assim como programas habitacionais de governos estaduais, prefeituras e também os empreendimentos privados.

O manual divulgado traz o volume 1. Qual a previsão do volume 2 e o que ele tende a incluir?
O primeiro volume trata das partes estruturais e vedações, e os volumes seguintes tratarão das outras partes das edificações, como as etapas de montagem e aceitação, sistemas racionalizados, subsistemas de instalação e revestimento, componentes volumétricos (quartos e banheiros prontos) e desempenho ambiental dos sistemas construtivos industrializados.

A elaboração deste manual contou com a participação de vários organismos. Houve mais consensos que divergências?
Sim, contou com a participação das seguintes entidades: CBIC, DECONCIC/FIESP, ABCIC, ABCEM, IABr, ASSOCIAÇÃO DRYWALL, ABRAMAT, membros do MDIC, ABDI e da consultoria técnica que elaborou o trabalho. Houve mais consensos.

Em termos de divergências, qual a principal e como ela foi resolvida?
Não diria que houve divergências, mas sim debates importantes para definição dos conceitos de industrialização da construção e dos limites de escopo deste primeiro volume. Existe muita confusão no mercado sobre os termos racionalização e industrialização da construção. Nesse sentido, o manual também vai ajudar a estabelecer referências mais atualizadas e contribuir para um alinhamento.

Com relação à qualificação da mão de obra, como o manual trata esse tema que, para a construção industrializada, é estratégico?
O manual não destaca esse ponto em particular. A qualificação de mão de obra é estratégica para o setor como um todo, e deve ser adequada a cada tecnologia construtiva que se adota. No caso da industrialização, parte das obras são realizadas dentro de indústrias e o canteiro se torna um local de mais atividades de montagem/acoplamento e, com isso, as demandas por qualificação se alteram.

Para as obras públicas, o capítulo 1 do manual incide diretamente em quais tipos de obras?
Obras de habitação de interesse social, obras de edificações de uso público – escolas e hospitais -, principalmente.

A aplicação do manual tende a baratear obras públicas?
O manual chama a atenção para a necessidade de se avaliar custos e tomar decisões de forma mais sistêmica e abrangente, e também estimula um planejamento mais cuidadoso para chegar em custos totais mais baixos para os empreendimentos.

No setor privado, qual a expectativa de receptividade do manual? Tende a ser mais rápido que no setor público?
O setor privado tem maior grau de liberdade para tomar decisões e mudar processos e tende a ser mais ágil na adoção de soluções inovadoras. O setor público depende muitas vezes de mudanças em legislações e regulamentos, que não são conseguidas em curto prazo, e isso se reflete na contratação de obras com tecnologias inovadoras. A adoção de sistemas construtivos industrializados traz mudanças nos papéis dos agentes envolvidos e na forma de estruturar o planejamento, o controle e a execução das obras. Em diversos aspectos, os regulamentos e a legislação ainda não estão adequados para permitir essas mudanças.

Entrevistada
Engenheira civil Laura Marcellini, diretora técnica da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)

Contatos
laura@abramat.org.br
planejamento@abramat.org.br
abramat@abramat.org.br

Crédito foto: Divulgação/CBIC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Mercado de máquinas para construção retrai quase 58%

Setor estima retração menor em 2016, mas está convicto de que a retomada acontecerá somente em 2017, com potencial de recuperação robusta em 2020

Por: Altair Santos

O setor de máquinas para a construção civil fecha 2015 com retração 57,8% em relação a 2014. Os dados fazem parte do “Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção”. Este ano, foram comercializadas 26,5 mil unidades contra 62,8 mil no ano anterior. A desaceleração da economia brasileira é o principal fator para a queda nas vendas. “Precisaremos de retomada nos investimentos na área de infraestrutura para impulsionar nosso setor, que é sempre o primeiro a ser afetado quando há cortes governamentais, mas também um dos primeiros a retomar o crescimento no momento em que os governos voltam a investir”, afirma Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração).

Linha amarela, que lidera o segmento de máquinas, sofreu retração superior a 50% em 2015
Linha amarela, que lidera o segmento de máquinas, sofreu retração superior a 50% em 2015

Só a linha amarela (equipamentos para movimentação de terra), que costuma liderar o segmento de máquinas para a construção civil, sofreu redução de 50,2% em suas vendas, na comparação de 2015 com 2014. Neste ano, os equipamentos com menor retração, segundo o estudo Sobratema, foram as miniescavadeiras (23,7%) e as escavadeiras hidráulicas (39,6%). Já a categoria com maior queda foi a de motoniveladoras (86,6%). Também teve queda acentuada o setor de gruas, guindastes, compressores portáteis, plataformas aéreas, manipuladores telescópicos e tratores de pneus, que chegou a 61,1% em relação a 2014. Mais expressiva foi a redução nas vendas de caminhões rodoviários (64,4%) e de plataformas aéreas (75,5%).

Expectativa de recessão em 2016
O estudo de mercado da Sobratema também faz projeções para o próximo ano, cujas vendas devem seguir em retração, porém menor. De acordo com a análise de dados do consultor econômico Brian Nicholson, a expectativa é de uma queda de 2,1% em 2016. A linha amarela deverá apresentar redução de 3,7% na comercialização e os demais equipamentos de 1,7%. “Apesar da retração dos índices gerais, algumas famílias de equipamentos poderão alcançar resultados positivos, como os tratores de esteira, os compressores portáteis e os guindastes, que deverão obter com crescimento de 13,3%, 13,6% e 11,1%, respectivamente”, avalia Nicholson, para quem a perspectiva de retomada acontecerá somente em 2017, com potencial de recuperação robusta em 2020.

Para isso, alertam analistas econômicos, alguns fatores devem se concretizar ao longo dos próximos anos, como a eficácia do plano de ajuste econômico e das novas concessões, além da resolução da crise política. Um dos consultores ouvidos pela Sobratema foi o economista Maílson da Nóbrega – ex-ministro da Fazenda no período de 1988 a 1990. Segundo o especialista, 2016 ainda será de viés recessivo. “Neste momento, não há como sair da recessão. Ela foi determinada por eventos anteriores, particularmente por erros de política econômica e do intervencionismo governamental”, diagnostica, completando que o país tem instrumentos para reordenar sua economia.

Entrevistado
Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração – Sobratema (via assessoria de imprensa)
Contato: sobratema@sobratema.org.br

Crédito foto: Divulgação/EBC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Tragédia em MG gera debate sobre construção de barragens

O rompimento da Barragem do Fundão na região de Mariana, em Minas Gerais, colocou na pauta da engenharia os modelos para contenção de rejeitos construídos no Brasil. Já se sabe que, no caso da obra que causou o maior acidente ambiental do país, a mineradora Samarco optou pela tecnologia mais simples, de menor custo, e, consequentemente, menos seguro: a barragem de terra-enrocamento a montante.

Modelos de barragens terra-enrocamento: a montante (acima), a jusante (meio) e da linha ao centro (abaixo)
Modelos de barragens terra-enrocamento: a montante (acima), a jusante (meio) e da linha ao centro (abaixo)

O sistema parte da construção de diques compostos por materiais argilosos ou enrocamento compactado. Após esta etapa, os rejeitos são depositados e, com o tempo, o adensamento serve de fundação para que se ergam futuros diques no formato de degraus invertidos. O processo é repetido até atingir a cota máxima prevista no projeto. No caso da Barragem do Fundão, ela tinha 150 metros de altura e os rejeitos estavam a 130 metros quando houve o rompimento.

Estudos divulgados pela imprensa, tão logo aconteceu a tragédia em Minas Gerais, mostram que 40% das barragens que romperam em todo o mundo, em um período de 100 anos, usavam o modelo de terra-enrocamento a montante. Isso, no entanto, não decreta o fim do modelo. “Barragens de terra-enrocamento não são necessariamente ultrapassadas em termos de tecnologia. Elas são muito seguras quando projetadas e executadas dentro de padrões rígidos de segurança e devidamente instrumentadas”, diz o engenheiro civil Daniel Prenda de Oliveira Aguiar.

Em 2014, o especialista desenvolveu uma dissertação de mestrado na Unicamp, intitulada “Contribuição ao estudo do Índice de Segurança de Barragens – ISB”. No trabalho, o engenheiro faz uma avaliação de riscos e aponta ações de manutenção periódica e preditiva para evitar desastres. Ele sustentou a tese em cima da Política Nacional de Segurança em Barragens (Lei 12.334, de 2010), cujo maior desafio ainda reside na falta de regulamentação pelos organismos estaduais.

Barragem de terra-enrocamento a montante, igual a que rompeu na região de Mariana-MG
Barragem de terra-enrocamento a montante, igual a que rompeu na região de Mariana-MG

Na dissertação, Daniel Prenda de Oliveira Aguiar cita que havia - até a data de sua publicação - 13.736 barragens cadastradas pela Agência Nacional das Águas (ANA). O número seguramente deve ter aumentado, mas é uma estatística imprecisa, por causa das barragens construídas na informalidade para o acúmulo de água para abastecimento particular, irrigação, lazer e para a hidratação de rebanhos.

Fiscalização dividida
Segundo a Lei 12.334, a ANA tem sob sua responsabilidade a fiscalização das barragens implantadas em rios de domínio da União e, para os quais, ela outorga o direito de uso dos recursos hídricos. “Seria muito complicado para a agência fiscalizar todo o universo de barragens em território brasileiro. Por isso, existe um modelo descentralizado atribuindo responsabilidades de fiscalização a diversos organismos estaduais e federais, conforme o tipo e localização do empreendimento”, explica Daniel Prenda de Oliveira Aguiar.

Entre os organismos envolvidos na fiscalização de barragens estão os seguintes:

• Barragens de rejeitos de mineração: Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)
• Barragens de contenção de rejeitos industriais: órgão estadual ambiental que concedeu a licença ambiental
• Barragens para fins preponderantes de geração de energia hidroelétrica: Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
• Barragens em rios de domínio do estado: órgão estadual de recursos hídricos que emitiu a outorga
• Barragens em rios de domínio da União: Agência Nacional das Águas (ANA)

Engenheiro Daniel Prenda de Oliveira Aguiar: tragédia vai impulsionar novas tecnologias sobre barragens
Engenheiro Daniel Prenda de Oliveira Aguiar: tragédia vai impulsionar novas tecnologias sobre barragens

Os organismos de fiscalização, segundo prevê a lei 12.334, devem ater-se a três tipos de patologias que afetam as barragens: percolação, deformações e recalques. “Isso não implica necessariamente em risco, pois em toda barragem ocorrem percolação, deformação e recalque. O importante é que esses fenômenos sejam controlados e estejam dentro dos limites de segurança definidos em projeto. Por isso, é de suma importância a instrumentação da estrutura, ou seja, que toda deformação seja mensurada e acompanhada regularmente como um indicador da saúde do empreendimento”, avisa Daniel Prenda de Oliveira Aguiar.

No caso de barragens a montante, mais ainda. Principalmente quando os especialistas apontam que há outros modelos mais seguros. Entre eles, a jusante, que é quando a barragem cresce sobre ela mesma, formando uma espécie de pirâmide. Há ainda a barragem que usa o sistema da linha ao centro - técnica que é um aperfeiçoamento do modelo a montante, onde os degraus se estendam uns sobre os outros. Tem ainda um sistema mais seguro, conhecido como barragem seca e construída totalmente em concreto, como uma grande piscina, que isola os rejeitos.

Para o engenheiro autor da dissertação sobre segurança das barragens, a tragédia em Minas Gerais tende a impulsionar o desenvolvimento de novas tecnologias, práticas de engenharia e legislação no assunto. “É possível dizer que esse rompimento irá movimentar o meio acadêmico (com a publicação de artigos, dissertações e teses), o governo (com a intensificação da fiscalização e possível publicação de novas leis e decretos) e os profissionais atuantes no ramo que podem se tornar ainda mais cautelosos”, finaliza.

Entrevistado
Engenheiro civil Daniel Prenda de Oliveira Aguiar, em ênfase em recursos hídricos e geotecnia
Contato: daniel.prenda@gmail.com

Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Déficit em obras de infraestrutura chega a R$ 2 trilhões

Quanto menos o país deixa de aportar recursos em obras estratégicas para seu crescimento mais encarece a lacuna de investimentos

Por: Altair Santos

Em 2014, o Brasil investiu R$ 130,9 bilhões em obras de infraestrutura, somando capital privado e recursos governamentais (federal, estaduais e municipais). Este ano, essa conta deve fechar em R$ 106,4 bilhões, com queda de 19% em termos nominais. Quanto menos o país deixa de aportar recursos em sua infraestrutura mais encarece essa lacuna de investimentos. Estima-se que ela esteja atualmente no patamar dos US$ 500 bilhões – aproximadamente R$ 2 trilhões.

Usina Belo Monte: atrasos recorrentes na entrega da obra aumentam prejuízos do país
Usina Belo Monte: atrasos recorrentes na entrega da obra aumentam prejuízos do país

Segundo especialistas, o que falta ao país é um PMO (Project Management Office ou plano de gerenciamento de projetos). Só assim, entende o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Robson Gonçalves, o Brasil conseguirá atrair os chamados funding (fundos de investimento existentes principalmente nos Estados Unidos e na Europa) para investir no Brasil. “Nós não conseguimos ter a competência necessária para atrair o capital estrangeiro. Precisamos criar um plano que gere confiança no investidor”, avalia.

Ainda de acordo com Robson Gonçalves, esse déficit de infraestrutura se deve à adoção de políticas erradas, as quais acentuaram o distanciamento do país do resto do mundo. “Das dez maiores economias do mundo, o Brasil é a única que está em recessão. Isso mostra o quanto estamos isolados”, afirma. O sócio da GO Associados, Fernando Marcato corrobora a opinião e complementa destacando o tripé fundamental para avanços do setor. “É necessário regulação, planejamento e gestão”, completa.

Os analistas estiveram em um seminário promovido pelo SindusCon-SP e pela Fundação Getúlio Vargas, no começo de dezembro de 2015, em São Paulo-SP, intitulado “Oportunidade de Investimento Privado em Infraestrutura: uma saída para a crise”. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo, José Romeu Ferraz Neto, justificou o encontro por causa do atual momento do país. “O Brasil não pode ficar mergulhado indefinidamente na recessão. É na expansão da infraestrutura que estão as maiores oportunidades para voltar a crescer de forma sustentada”, afirma.

Obras atrasadas também dão prejuízo

Atualmente, calculam os participantes do seminário, o Brasil precisa que os recursos para a infraestrutura sejam da ordem de 5,5% do PIB, ou seja, pelo menos quintuplicar o investimento de R$ 106 bilhões por ano. Se para o país é muito, para o restante do mundo são recursos considerados de pequeno porte.

Até 2030, os fundos de investimento projetam desembolsar mais de US$ 700 trilhões em obras de infraestrutura nos cinco continentes. Convertido para a moeda nacional, esse montante ultrapassa dois quatrilhões de reais. “Como se vê, dinheiro existe. Mas o investidor externo tem dificuldade de entender as regras do jogo aplicadas no Brasil. Isso é particularmente relevante para fundos de pensão e investimentos de longo prazo”, cita o economista da Inter B Consultoria, Claudio Frischtak.

Além da escassez de recursos em obras de infraestrutura, o Brasil sofre também com os atrasos nas obras já em execução. Dois casos são emblemáticos: a hidrelétrica Belo Monte e a transposição do rio São Francisco. A usina deveria estar em pleno funcionamento desde 2014, mas só deve começar a operar as primeiras duas turbinas em 2016. Já a transposição - prometida para 2012 - conta com atraso de três anos e chegará a cinco até 2017, ano em que o governo federal assegura entregá-la integralmente.

Entrevistados
Economista Robson Gonçalves, coordenador de projetos da FGV Projetos e professor no FGV Management
Advogado Fernando Marcarto, sócio da GO Associados
Economista Claudio Frischtak, da Inter B Consultoria
Engenheiro civil José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP

Contatos
fsmarcato@goassociados.com.br
claudio.frischtak@interb.com.br
imprensa.fgvprojetos@fgv.br
sindusconsp@sindusconsp.com.br

Crédito foto: Divulgação/Norte Energia S/A

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Economia circular na construção: Brasil dá 1º passo

Douwe Jan Joustra mostra conceito a organismos ligados à engenharia civil nacional, o qual cria novos paradigmas à sustentabilidade

Por: Altair Santos

Com o objetivo de refletir sobre ações futuras para a indústria da construção, usando o conceito da economia circular, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e o SindusCon-SP, com o apoio do Senai, promoveram no final de novembro de 2015 um seminário com um dos principais propagadores deste conceito no mundo: o sócio-gerente da One Planet Architecture Institute, da Holanda, Douwe Jan Joustra.

Douwe Jan Joustra implantou sistema na Holanda e agora busca propagá-lo pelo mundo
Douwe Jan Joustra implantou sistema na Holanda e agora busca propagá-lo pelo mundo

Foi ele quem coordenou, junto ao governo holandês, o programa ‘Cradle to Cradle’ (do berço ao berço) – implantado em 2010. O objetivo é o reaproveitamento integral dos materiais usados em um processo industrial. Os pilares são os seguintes: novos paradigmas, sistemas vivos, combinação de produtos e serviços, repensar e redesenhar, e performance contracting (contrato de desempenho).

Da Holanda, a economia circular já começa a se propagar pela comunidade europeia. A expectativa é de que, até 2020, ela poupe o equivalente a US$ 630 bilhões por ano em consumo de matéria-prima extraída do meio ambiente. O especialista ressalta que tudo dependerá da forma de como o conceito será disseminado. “A economia circular foi introduzida na Holanda em 2010. Em apenas cinco anos, já conseguimos com que 25% da população do país tenham conhecimento do conceito”, explicou.

No Brasil, princípios de economia circular estão inseridos na Política Nacional de Resíduos Sólidos - lei de 2010, que pretende garantir a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, através de logística reversa e acordo setorial. A responsabilidade compartilhada pelos produtos prevê que todos os agentes do ciclo produtivo, os consumidores e os serviços públicos tenham atribuições para minimizar o volume de resíduos sólidos e seus impactos ambientais.

Tecnologia é aliada
A economia circular está inserida no artigo 6º da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que diz:

Art. 6º - São princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos:
I – a prevenção e a precaução;
II – o poluidor-pagador e o protetor-recebedor;
III – a visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que considere as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública;
IV – o desenvolvimento sustentável;
V – a ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o fornecimento, a preços competitivos, de bens e serviços qualificados que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida e a redução do impacto ambiental e do consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada do planeta;
VI – a cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o setor empresarial e demais segmentos da sociedade;
VII – a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
VIII – o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania;
IX – o respeito às diversidades locais e regionais;
X – o direito da sociedade à informação e ao controle social;
XI – a razoabilidade e a proporcionalidade

Joustra cita que, além das leis que cada país cria para estimular a boa relação entre indústria e meio-ambiente, a tecnologia é a grande aliada da economia circular, pois permite não apenas monitorar os resíduos, mas facilitar a transformação, através de equipamentos cada vez mais sofisticados. “Estamos em uma nova era, temos novas tecnologias e isso pode avançar mais rápido do que prevemos”, avalia, prevendo que a construção civil será uma das beneficiadas. “Não tenho dúvida de que, a partir da economia circular, será possível construir mais rápido, com mais qualidade e com menor volume de resíduos”, completa.

Entrevistado
Arquiteto Douwe Jan Joustra, sócio-gerente da One Planet Architecture Institute, da Holanda
Contato: djj@opai.eu

Crédito foto: Divulgação/SindusCon-SP/Guilherme Kardel

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330