Déficit em obras de infraestrutura chega a R$ 2 trilhões

Usina Belo Monte: atrasos recorrentes na entrega da obra aumentam prejuízos do país

Déficit em obras de infraestrutura chega a R$ 2 trilhões

Déficit em obras de infraestrutura chega a R$ 2 trilhões 923 614 Cimento Itambé

Quanto menos o país deixa de aportar recursos em obras estratégicas para seu crescimento mais encarece a lacuna de investimentos

Por: Altair Santos

Em 2014, o Brasil investiu R$ 130,9 bilhões em obras de infraestrutura, somando capital privado e recursos governamentais (federal, estaduais e municipais). Este ano, essa conta deve fechar em R$ 106,4 bilhões, com queda de 19% em termos nominais. Quanto menos o país deixa de aportar recursos em sua infraestrutura mais encarece essa lacuna de investimentos. Estima-se que ela esteja atualmente no patamar dos US$ 500 bilhões – aproximadamente R$ 2 trilhões.

Usina Belo Monte: atrasos recorrentes na entrega da obra aumentam prejuízos do país

Usina Belo Monte: atrasos recorrentes na entrega da obra aumentam prejuízos do país

Segundo especialistas, o que falta ao país é um PMO (Project Management Office ou plano de gerenciamento de projetos). Só assim, entende o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Robson Gonçalves, o Brasil conseguirá atrair os chamados funding (fundos de investimento existentes principalmente nos Estados Unidos e na Europa) para investir no Brasil. “Nós não conseguimos ter a competência necessária para atrair o capital estrangeiro. Precisamos criar um plano que gere confiança no investidor”, avalia.

Ainda de acordo com Robson Gonçalves, esse déficit de infraestrutura se deve à adoção de políticas erradas, as quais acentuaram o distanciamento do país do resto do mundo. “Das dez maiores economias do mundo, o Brasil é a única que está em recessão. Isso mostra o quanto estamos isolados”, afirma. O sócio da GO Associados, Fernando Marcato corrobora a opinião e complementa destacando o tripé fundamental para avanços do setor. “É necessário regulação, planejamento e gestão”, completa.

Os analistas estiveram em um seminário promovido pelo SindusCon-SP e pela Fundação Getúlio Vargas, no começo de dezembro de 2015, em São Paulo-SP, intitulado “Oportunidade de Investimento Privado em Infraestrutura: uma saída para a crise”. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo, José Romeu Ferraz Neto, justificou o encontro por causa do atual momento do país. “O Brasil não pode ficar mergulhado indefinidamente na recessão. É na expansão da infraestrutura que estão as maiores oportunidades para voltar a crescer de forma sustentada”, afirma.

Obras atrasadas também dão prejuízo

Atualmente, calculam os participantes do seminário, o Brasil precisa que os recursos para a infraestrutura sejam da ordem de 5,5% do PIB, ou seja, pelo menos quintuplicar o investimento de R$ 106 bilhões por ano. Se para o país é muito, para o restante do mundo são recursos considerados de pequeno porte.

Até 2030, os fundos de investimento projetam desembolsar mais de US$ 700 trilhões em obras de infraestrutura nos cinco continentes. Convertido para a moeda nacional, esse montante ultrapassa dois quatrilhões de reais. “Como se vê, dinheiro existe. Mas o investidor externo tem dificuldade de entender as regras do jogo aplicadas no Brasil. Isso é particularmente relevante para fundos de pensão e investimentos de longo prazo”, cita o economista da Inter B Consultoria, Claudio Frischtak.

Além da escassez de recursos em obras de infraestrutura, o Brasil sofre também com os atrasos nas obras já em execução. Dois casos são emblemáticos: a hidrelétrica Belo Monte e a transposição do rio São Francisco. A usina deveria estar em pleno funcionamento desde 2014, mas só deve começar a operar as primeiras duas turbinas em 2016. Já a transposição – prometida para 2012 – conta com atraso de três anos e chegará a cinco até 2017, ano em que o governo federal assegura entregá-la integralmente.

Entrevistados
Economista Robson Gonçalves, coordenador de projetos da FGV Projetos e professor no FGV Management
Advogado Fernando Marcarto, sócio da GO Associados
Economista Claudio Frischtak, da Inter B Consultoria
Engenheiro civil José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP

Contatos
fsmarcato@goassociados.com.br
claudio.frischtak@interb.com.br
imprensa.fgvprojetos@fgv.br
sindusconsp@sindusconsp.com.br

Crédito foto: Divulgação/Norte Energia S/A

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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