Poste de concreto autoaterrado usa tecnologia pioneira

Um projeto de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) da CPFL Energia – concessionária de energia elétrica que atua nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul - levou à fabricação de um produto inédito no Brasil: o poste de concreto autoaterrado. A ideia teve gestação de sete anos na CPFL e precisou de um parceiro que desenvolvesse o protótipo e produzisse em escala comercial para abastecer as subsidiárias da empresa no Rio Grande do Sul, a RGE e a RGE Sul. Coube à Postes Indaial, localizada em Indaial-SC, tornar a inovação realidade.
Segundo o diretor-comercial da Postes Indaial, Harrybert Howe Júnior, o produto foi desenvolvido atendendo todos os requisitos contemplados no P&D da CPFL. Diferentemente dos postes comuns, o poste de concreto autoaterrado dispensa a necessidade de utilização de cabo de cobre e haste de aterramento para a realização do aterramento da energia, em caso de descargas atmosféricas (raios). “São acoplados à parte superior da armadura do poste um conector para que possa fazer a ligação com o neutro da rede. Assim, a descarga elétrica é transmitida pela armadura do poste”, explica.
A tecnologia empregou ainda o uso de concreto condutivo (condutor de eletricidade) na base do poste, a qual fica engastada no solo, para a dissipação da carga elétrica. “Pelo que temos conhecimento, é a primeira vez que esse tipo de elemento pré-fabricado é produzido no Brasil, usando tecnologia totalmente nacional”, diz Harrybert Howe Júnior. O diretor-comercial da Postes Indaial destaca ainda que outras concessionárias já se interessaram pelo produto. “Tivemos a procura de algumas empresas parceiras nossas perguntando como é essa nova tecnologia”, completa.
Para as concessionárias, a vantagem de ter um produto como o poste de concreto autoaterrado é que ele melhora a eficiência do aterramento na rede elétrica. A tecnologia utiliza concreto comum, com resistência de 30 MPa, idêntico ao material usado para fabricar postes convencionais. Para a CPFL Energia, a Postes Indaial está produzindo 2.500 peças por mês, com alturas variando entre 9 e 15 metros. O objetivo da concessionária é promover a troca gradual de postes convencionais por postes de concreto autoaterrado em toda a rede do Rio Grande do Sul.
Tecnologia protege residências contra danos a eletrodomésticos
A conclusão é de que, apesar do custo de produção da peça pré-fabricada ser levemente mais caro que a de um poste convencional, a concessionária consegue compensá-lo no processo de instalação e de manutenção da rede. Apenas a eliminação da montagem do sistema de aterramento traz economia que varia, em média, de 28% a 48%, informa a CPFL Energia.
Ainda de acordo com a concessionária, por conta de um sistema de proteção mais robusto, um dos benefícios esperados do poste autoaterrado de concreto é a redução no número de transformadores queimados por descargas elétricas (raios). Outra vantagem é a maior segurança proporcionada às instalações residenciais, contribuindo para reduzir danos a eletrodomésticos. “Isso se traduz em um serviço de melhor qualidade para os nossos consumidores, o que irá se refletir nos indicadores de continuidade do fornecimento”, diz o diretor de engenharia da CPFL Energia, Caius Vinicius Sampaio Malagoli.
Outro avanço é que a nova tecnologia simplifica o processo de aterramento. No padrão convencional, são usadas hastes de cobre e hastes cantoneira em aço zincado a fogo, além de cabos, canaletas e conexões. Isso gera risco de erro de instalação e torna o sistema suscetível aos efeitos de corrosão e de vandalismo. No estado de São Paulo, a CPFL Energia também está substituindo os postes convencionais por postes autoaterrados de concreto.
Entrevistados
- Administrador Harrybert Howe Júnior, diretor-comercial da Postes Indaial
- CPFL Energia (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Obra mais sustentável das Américas é em concreto aparente
O Centro Sebrae de Sustentabilidade, localizado em Cuiabá-MT, é o prédio mais sustentável das Américas, segundo avaliação da Building Research Establishment (BRE). A edificação foi construída

em concreto aparente, combinado com fachadas de vidro para obter conforto térmico e aproveitamento máximo de luz natural. Projetada pelo arquiteto José Afonso Botura Portocarrero, que é professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a obra seguiu os conceitos de arquitetura bioclimática e arquitetura vernacular em sua concepção.
Com formato ogival, o Centro Sebrae de Sustentabilidade preserva em seu projeto tradições construtivas do Mato Grosso e da região amazônica, como as casas xinguanas. Daí, o fato de optar pela arquitetura vernacular, que tem como principal característica se inspirar em construções milenares de uma determinada cultura. No Brasil, além das casas xinguanas, as palafitas também são exemplares que estimulam projetos de arquitetura vernacular.

Estudioso das construções indígenas, José Afonso Botura Portocarrero procurou levar para a obra do Sebrae soluções que fizessem o prédio atingir um nível de excelência em sustentabilidade. Entre as opções, a cobertura em casca de concreto armado foi um dos detalhes que levou a edificação a receber a premiação. Foram construídas duas cascas, espaçadas em 30 centímetros, com o objetivo de permitir a refrigeração interna do prédio e possibilitar a coleta de água de chuva, que depois de filtrada é estocada para o uso na irrigação de plantas, para a lavagem de pisos e o abastecimento de banheiros.
A edificação foi construída com estratégias de conforto térmico para o clima tropical. Por isso, o prédio foi desenvolvido com base na orientação do sol (nascente-poente), contemplando beirais que evitam a radiação direta. O pé direito de 7,5 metros, combinado com a cobertura projetada em duas cascas, permite que a água da chuva permeie seu interior para executar o resfriamento natural, ao mesmo tempo em que a casca exterior protege a interior. O ar quente é encapsulado e possibilita temperatura interna até 10 °C abaixo do registrado no ambiente externo.

Todas as edificações premiadas possuem certificação Breeam
Só concorreram ao prêmio prédios que tinham a certificação internacional Breeam (Building Research Establishment Environmental Assessment Method [Método de Avaliação de Ambientes Sustentavelmente Construídos]). No caso do Centro Sebrae de Sustentabilidade, ele foi enquadrado na categoria Breeam In-Use, em nível Excellent, que atesta o desempenho ambiental de edificações de acordo com os benefícios gerados ao meio ambiente. Também foram premiados os seguintes prédios:
- Bloomberg London - Projeto Comercial – Design
- Four Pancras Square, Londres - Projeto Comercial - Pós-Construção
- Forum Kayseri, Turquia - Projeto Comercial - Em Uso
- Escola Primária Tiger Way e Creche, Londres - Projeto Público – Design
- Centro GSK de Química Sustentável, Nottingham - Projeto Público - Pós-Construção
- Grønland 58, Drammen, Noruega - Projeto Público - Em Uso
- HAUT, Amsterdam - Homes – Design
- 126 Pavilion Road, Londres - Casas - Pós-Construção
- Mansão Metropolis, China - Prêmio Regional – Ásia
- V.Offices Kraków, AFI Europe Poland - Prêmio Regional - Europa Central e do Leste
- Bloomberg London e DC2, Prologis Park, Dunstable, Reino Unido - Joint winner, Prêmio Regional - Europa Ocidental

Localizada em Watford, na região metropolitana de Londres-Inglaterra, a Building Research Establishment foi fundada em 1921. A instituição é responsável pelo selo Breeam - a mais antiga premiação de sustentabilidade do mundo, criada em 1990. A certificação está presente em mais de 250 mil prédios de 50 países.
Entrevistados
Centro Sebrae de Sustentabilidade (via assessoria de imprensa)
Building Research Establishment (BRE) (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Saiba como produzir mais na indústria de concreto pré-fabricado
A Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) realizou dia 5 de abril de 2018, em Florianópolis-SC, o seminário regional sobre estruturas pré-fabricadas de concreto. Entre as palestras, destacou-se a que tratou do aumento da produtividade da indústria do setor e que abrangeu os três principais pontos para que uma unida de consiga melhorar a qualidade de seus produtos, sem desperdícios. A atenção deve estar voltada para o layout da planta da fábrica, o uso de concreto autoadensável e o investimento em tecnologia e insumos confiáveis, principalmente o cimento e os aditivos.

O engenheiro civil Jefferson Brusch da Silva apresentou em sua palestra um case estudado na UTFFR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) em 2012, sobre layout de plantas de elementos pré-fabricados de concreto. O trabalho aponta que o arranjo físico das instalações e o sequenciamento das tarefas afetam diretamente o processo produtivo. Os envolvidos na pesquisa concluíram que “a melhoria do layout permite um fluxo de materiais e informações mais eficientes, torna mais fácil a supervisão, propicia melhorias na qualidade de vida dos colaboradores, otimiza a utilização de máquinas, reduz custos operacionais e aumenta a produtividade da organização.”
Sobre a utilização de concreto autoadensável para a produção dos pré-fabricados, Jefferson Brusch destaca as vantagens: tempo de produção, redução da mão de obra, melhoria da qualidade das peças, mais liberdade à geometria das fôrmas e, consequentemente, aumento da produtividade. Porém, ele alertou sobre uma armadilha embutida no uso do material. “Nem todo autoadensável é autoadensável. Alguns são ‘autosegregáveis’”, afirma. O engenheiro reforça que o concreto autoadensável é um “material sensível”, que exige insumos de qualidade, além de ter embutido tecnologia e pesquisa.
Concreto autoadensável de qualidade depende do cimento certo

Jefferson Brusch realça em sua palestra que o cimento é fundamental para o sucesso do concreto autoadensável. “O insumo deve ser constante, no sentido de que suas características não podem sofrer variações de um lote para outro”, diz. Além disso, o fabricante de pré-fabricados precisa ter um laboratório de concreto confiável, assim como equipamentos e fôrmas adequados, mão de obra qualificada e parcerias de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) com laboratórios de universidades. Outro ponto destacado pelo engenheiro civil é o uso adequado de aditivos.
Seguir a normalização é outro requisito fundamental. A ABNT NBR 15823-1:2017 - Concreto autoadensável - define uma escala de 0 a 3 para o índice de estabilidade do concreto autoadensável. O 0 é o ideal, pois representa um material com alta estabilidade e nenhuma segregação. O 1 é considerado estável, apesar de alguns poderem ter um nível pequeno de exsudação. Já o 2 recebe a denominação instável, por causa de auréola de argamassa menores de 10 milímetros e pontos de concentração de agregado graúdo. Quanto ao 3, esse deve ser totalmente evitado. É graduado como altamente instável, por possuir alta segregação e auréolas de argamassa maiores que 10 milímetros. Por isso, Jefferson Brusch finalizou sua palestra com a seguinte recomendação: “Não existe produzir (concreto) autoadensável pelo achômetro.”
Confira o estudo sobre layout de fábricas de pré-fabricados de concreto da UTFPR
Entrevistado
Reportagem com base em palestra do engenheiro civil Jefferson Brusch da Silva no seminário regional da Abcic (Estruturas pré-fabricadas de concreto – sustentabilidade, produtividade, inovação e tecnologia)
Contato: abcic@abcic.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Minha Casa Minha Vida pode ter cota a operários da construção

Os empreendimentos habitacionais construídos com recursos do programa Minha Casa Minha Vida poderão ser obrigados a destinar 5% das unidades para atender os trabalhadores da construção civil. É o que sugere o projeto de lei suplementar (PLS 331/2015), que aguarda votação na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) do Senado Federal. A relatoria já concedeu parecer favorável. “Encontramos entre os trabalhadores da construção civil ampla parcela desassistida, residindo em condições precárias”, diz texto do relatório.
O projeto tramita em caráter terminativo no Senado. Se aprovado na comissão, e não houver recurso para o plenário, seguirá direto para a análise da Câmara dos Deputados. A tendência, porém, é que haja recursos, pois o senador matogrossense José Medeiros já manifestou oposição ao projeto de lei. Ele apresentou voto em separado, argumentando que os profissionais da construção civil, em sua maioria, já atendem os requisitos necessários para se tornarem beneficiários do programa. O senador alega que o segmento não apresenta características que confirmem maior vulnerabilidade frente a outros grupos de trabalhadores.
Criado há nove anos, o programa Minha Casa Minha Vida surgiu para atender prioritariamente a demanda habitacional de famílias de baixa renda. De acordo com a Lei n.º 11.977/2009, o atendimento deve abranger primeiramente famílias residentes em áreas de risco, insalubres ou desabrigadas. Depois, mulheres responsáveis pela unidade familiar e famílias com pessoas deficientes ou idosas. “Não há necessidade de priorização ou reserva especial para categorias profissionais, em detrimento das verdadeiras prioridades do programa”, alega José Medeiros.
Minha Casa Minha Vida sofreu mudanças em fevereiro de 2018
Em fevereiro de 2018, o governo federal implantou mudanças no programa Minha Casa Minha Vida. As medidas buscam combater a inadimplência em aquisições futuras. Assim, a renda máxima na Faixa 1 passou de R$ 1.600 para 1.800. Os beneficiários não pagam juros e o financiamento pode ser dividido em até 120 parcelas, com as prestações variando entre 10% e 20% da renda familiar. Nesta faixa, o valor dos imóveis é de até R$ 98 mil.
Também foram alterados protocolos sobre a infraestrutura dos imóveis. Nos projetos contratados a partir de 8 de fevereiro de 2018, as casas deverão ter 2 m² a mais do que o padrão adotado anteriormente, além de paredes e lajes com maior espessura. Para unidades geminadas, as paredes de geminação entre dormitórios e outros ambientes devem ter espessura mínima de 20 centímetros e desempenho mínimo de 45 dB (decibéis) de isolamento. Para as paredes de vedação, o programa requer espessura mínima de 10 centímetros, assim como para as lajes.
Para as demais faixas do Minha Casa Minha Vida não houve mudanças nas regras. A expectativa do governo federal é de contratar 650 mil novas unidades em 2018. Destas, 130 mil serão destinadas à Faixa 1; 70 mil para a Faixa 1,5; 400 mil moradias para a Faixa 2 e 50 mil para as Faixas 3 e 4. Os recursos disponíveis são da ordem de R$ 9,7 bilhões destinados ao programa, com previsão de que 1,4 milhão de novos empregos serão gerados na construção civil.
Entrevistado
Assessoria de imprensa do Senado Federal
Contato: imprensasenado@senado.leg.br
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Consumidor brasileiro nunca mais será o mesmo, diz pesquisa

Segundo recente pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 72% dos consumidores brasileiros mudaram seus hábitos após a crise econômica que atingiu o país entre 2014 e 2017. O mesmo estudo revela que oito em cada dez consumidores - entre aqueles que alteraram seus conceitos - pretendem conservar a nova rotina financeira. As mudanças mais sensíveis estão relacionadas ao consumo de produtos supérfluos, à pesquisa de preços e à busca de promoções. O novo perfil também exigiu um novo comportamento do varejo, que vê nascer outro tipo de cliente: aquele disposto a valorizar seu dinheiro e não comprar por impulso.
A conclusão da pesquisa é que o consumidor brasileiro tornou-se prudente nos gastos, prioriza planejar a compra e aprendeu a controlar seu orçamento. Somente 19% garantem não ter feito alterações em seus hábitos de consumo. As maiores mudanças foram registradas entre os consumidores com idade acima de 30 anos e os pertencentes às classes A e B. Nestes dois grupos, 69% admitiram se tornar mais criteriosos nas compras. Outros 55% reduziram os gastos com lazer, enquanto 54% começaram a fazer pesquisas de preço antes de adquirir um produto. Já 52% ficaram mais atentos às promoções, buscando os preços menores.
Entre as práticas mais comuns, 51% buscaram economizar nos serviços de luz, água e telefone, pensando no valor da conta; 46% adotaram a substituição de produtos por marcas similares mais baratas, 44% passaram a controlar os gastos pessoais e da família e 43% começaram a evitar parcelamentos muito longos. “Cada família encontrou um jeito de lidar com a situação, sempre com o mesmo objetivo: fazer as despesas caberem no orçamento. Em momentos de sufoco financeiro, é importante os consumidores ficarem mais atentos aos gastos com itens supérfluos ou desnecessários e controlarem os gastos pessoais”, avalia a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
Foram entrevistadas 805 pessoas acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais. O levantamento ocorreu de 10 a 22 de novembro de 2017 e os dados foram divulgados em fevereiro de 2018.
Compra de material de construção também experimenta novos hábitos
A pesquisa de preços online e a compra pela internet também ficaram mais rotineiras no período de crise, e se consolidaram como hábito do consumidor. No caso do varejo de material de construções, a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) detectou, através de pesquisa realizada pela PwC Brasil (PricewaterhouseCoopers Brasil), que 53% dos consumidores realizam pesquisa online antes de se dirigir a uma loja física para concretizar a compra. Porém, a venda pela internet ainda não está consolidada entre os consumidores de materiais de construção. Apenas 13% aderiram a essa modalidade de comércio no Brasil.
O mesmo ocorre com as categorias alimentos, móveis, objetos de decoração, onde a maioria ainda prefere visitar a loja física para experimentar, sentir e testar os produtos. No quesito material de construção, outro dado trazido pela PwC Brasil é que 88% dos entrevistados consideram que o nível de conhecimento do vendedor em relação ao produto é importante ou muito importante, assim como a possibilidade de verificar estoque em outras lojas da rede ou online (80%). As ofertas personalizadas (73%) também são valorizadas pelo consumidor do setor. “As tecnologias oferecem ao consumidor mais possibilidades de consumo personalizado, principalmente no comércio eletrônico. O varejo brasileiro tem muito potencial para crescimento e as empresas que apostarem em tecnologias disruptivas, como a Inteligência Artificial, estarão à frente das demais na oferta de produtos e experiências customizadas”, explica Ricardo Neves, sócio da PwC Brasil.
Entrevistados
- Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) (via assessoria de imprensa)
- PwC Brasil (PricewaterhouseCoopers Brasil )(via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Produção de energia eólica no Brasil se equipara a Itaipu

A capacidade instalada de energia eólica no Brasil alcançou 12,763 gigawatts (GW) no começo de 2018, se aproximando da capacidade instalada da hidrelétrica de Itaipu (14 GW). Esse potencial foi atingido em menos de 10 anos. O primeiro leilão no país ocorreu em 2009. Até 2014, havia poucos parques eólicos no país. No entanto, a entrada da iniciativa privada no setor fez a geração de energia pelo vento dar um salto a partir de 2015. Atualmente, já representa 11% de todo o potencial energético brasileiro - principalmente em meses mais secos -, e com viés de alta.
Segundo dados da Global World Energy Council (GWEC), o Brasil alcançou o 8º lugar no ranking mundial de produção de energia eólica em 2017. Até o final de 2020, a expectativa é de que o país atinja a capacidade instalada de 18,63 GW. De acordo com a ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), a meta é de que nos próximos cinco anos a produção de energia pelo vento cresça 46% no país. “O Brasil vem galgando posições no ranking mundial de capacidade instalada total de energia eólica de forma consistente. Em 2015, nós entramos no ranking em 10º lugar e, desde então, subimos uma posição por ano”, diz nota da associação, assinada pela presidente Élbia Gannoum.
Segundo o professor Pedro Luiz Côrtes, do Programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP, o aumento da capacidade de geração de energia eólica no Brasil trará também ganhos ambientais. “Hoje, as usinas hidrelétricas são as principais fontes de energia e, quando as represas estão com baixa capacidade de armazenamento, a compensação é feita pelas termoelétricas, que possuem um grande impacto ambiental e são mais caras. Com o crescimento das eólicas, elas se tornam uma alternativa real para suprir a baixa demanda das hidrelétricas quando elas estiverem com seus reservatórios abaixo do normal”, diz.
Construção industrializada do concreto vira parceira da energia eólica
Atualmente, quem mais se beneficia dos parques eólicos no Brasil é a região nordeste. Em 2017, a energia produzida pelos ventos chegou a abastecer mais de 60% da região. O recorde foi batido em 30 de julho de 2017. A estiagem de seis anos causou forte impacto nas usinas da bacia do São Francisco, afetando a geração de energia hidrelétrica. As eólicas compensaram esse déficit e, no final de julho do ano passado, responderam por 64,2% da energia consumida na região, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS).
O Brasil possui atualmente 486 parques eólicos. Pela ordem, de acordo com a ABEEólica, Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul, Piauí, Pernambuco, Santa Catarina, Paraíba, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná são os dez maiores produtores de energia eólica do país. Parceira na construção de torres para sustentar os geradores, a construção industrializada de concreto encontrou no setor um nicho para expandir sua produção e implantar novas tecnologias.
Uma das vantagens da construção industrializada do concreto é que ela permite construir os elementos das torres no local de implantação do parque eólico, a partir da instalação de pequenas concreteiras nos canteiros de obras. Neste caso, em comparação com as torres que utilizam componentes de aço, o processo global de construção e montagem dos parques pode se mostrar mais barato e elimina grande parte da logística de transporte das estruturas pelas rodovias. Além disso, as torres de concreto pré-fabricado se mostram competitivas para alturas superiores a 100 metros, enquanto as de aço variam de 65 metros a 80 metros.
Confira gráficos sobre a produção global de energia eólica

Entrevistados
- ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica) (via assessoria de imprensa)
- Pedro Luiz Côrtes, professor do Programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP
- Operador Nacional do Sistema (ONS)(via assessoria de imprensa)
Contatos
selma@abeeolica.org.br
plcortes@usp.br
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Após queda, déficit habitacional volta à casa de 6 milhões

Entre 2007 e 2012, o déficit habitacional brasileiro teve a queda mais acentuada de sua história. Em cinco anos, reduziu 6,27%, baixando de 5,59 milhões de residências para 5,24 milhões. No entanto, a crise econômica que tomou o país entre 2014 e 2017 fez recrudescer o déficit, que voltou ao patamar de 6 milhões de habitações.
Dados da Fundação João Pinheiro revelam que o déficit habitacional atual no Brasil é de 6,1 milhões de domicílios. Segundo o estudo desenvolvido em parceria com o ministério das Cidades, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do Programa Habitar/Brasil/BID, os fatores para o crescimento do déficit foram a desaceleração da economia, o elevado número de desempregados, a alta nas taxas de juros e a restrição ao crédito.
A mesma análise avalia que o novo cenário econômico, combinando retomada do crescimento com queda acentuada dos juros, pode ajudar a reverter o quadro. Principalmente, nos segmentos contemplados pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Atualmente, a faixa 1, com renda mensal de até R$ 1,8 mil, paga juros entre 5% e 9,16% ao ano. Com a redução da taxa Selic, o estudo estima que as mensalidades tendem a baixar, estimulando as famílias a aderirem ao MCMV.
Em 2017, segundo dados do ministério das Cidades, o Minha Casa Minha Vida atendeu 320 mil famílias em 337 municípios do país, com investimento de R$ 6,31 bilhões. Para 2018, o estudo da Fundação João Pinheiro estima que o volume de recursos destinado às habitações de interesse social possa crescer 10%. Há também a expectativa de que caia a retomada de imóveis em função do não-pagamento de prestações de financiamento. Entre 2015 e 2016, a Caixa Econômica Federal conseguiu reaver 26 mil casas, que depois foram colocadas em leilão.
Mercado aposta no protagonismo da faixa popular
O estudo finaliza a análise com a seguinte avaliação: “Há uma previsão cristalizada entre os economistas e as entidades do segmento de que o ano de 2018 será mais positivo do que o anterior. A retomada do crescimento da economia é um dado positivo que reverterá o quadro observado em boa parte do ano passado.”
Pedro de Seixas, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em negócios imobiliários, diz que “o protagonismo da faixa popular” na recuperação do mercado imobiliário acontece, sobretudo, por causa do crédito. “Reflexo dessa evidência é que, numa comparação entre onze empresas incorporadoras focadas no mercado popular, elas foram responsáveis por 2/3 dos lançamentos e vendas no terceiro trimestre de 2017”, diz.
Ainda de acordo com o relatório da Fundação João Pinheiro, mesmo as incertezas quanto à aprovação das reformas pelo Congresso podem não ter peso relevante, pois com a atual configuração política os mercados já teriam precificado um possível insucesso. “Dessa forma, a possibilidade de nada acontecer não provocará abalos na economia capazes de reverter uma tendência positiva no mercado imobiliário”, conclui.
Veja o estudo completo da Fundação João Pinheiro
Entrevistado
Reportagem com base no relatório da Fundação João Pinheiro sobre o déficit habitacional brasileiro (via assessoria de imprensa)
Contato: secretaria.geral@fjp.mg.gov.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Cem startups transformam a construção civil no mundo

Em 2017, 100 startups instaladas em 21 países, e vinculadas à indústria da construção civil, faturaram 735 milhões de dólares (aproximadamente 2,4 bilhões de reais). São empresas inovadoras, que estão agregando tecnologia em áreas que vão desde o gerenciamento de projetos até o controle de suprimentos no canteiro de obras. A maioria delas está nos Estados Unidos, mas se consolidam também no Canadá, França, Alemanha, Índia, Sérvia, Austrália, Holanda, Irlanda, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Noruega, Estônia, Rússia, Turquia, Israel, Chile e Brasil.
Através das startups, os smartphones se transformaram em ferramentas essenciais para todos os envolvidos no projeto. As informações podem ser compartilhadas na nuvem, o BIM tornou-se o software-padrão nas obras, os drones viraram os olhos do empreiteiro e a Inteligência Artificial e a robótica permitiram dar velocidade ao cronograma.
Os avanços obtidos pelas startups vão além do canteiro de obras. Depois que a edificação é concluída, há um segmento destas empresas tecnológicas que gerencia a vida útil do empreendimento. Se o prédio possui certificações de sustentabilidade, são elas que vão tratar de todas as demandas relacionadas à conservação do prédio verde.
Segundo a consultoria norte-americana CB Insights, as startups já estão atuando em 10 categorias ligadas à construção civil, que são: gerenciamento de projetos, marketplace, compartilhamento de equipamentos, AR/VR (Realidade Aumentada e Realidade Virtual), robótica, tecnologia de design, gestão da cadeia de suprimentos, gerenciamento de risco, monitoramento e segurança e gestão financeira.
Entre as 100 startups que já despontam como protagonistas no setor da construção civil, uma já pode ser considerada gigante. É a californiana KATERRA, que em janeiro de 2018 aliou-se ao SoftBank Investment Advisers para captar 865 milhões de dólares e aprofundar sua atuação em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). O objetivo da KATERRA é fornecer softwares personalizados para cada projeto. A ferramenta vai gerenciar toda a obra, dizendo o que fazer, como fazer e quando fazer.
Construção civil ainda é o setor com menores níveis de tecnologia embarcada
Jeffrey Housenbold, sócio-gerente da SoftBank Investment Advisers, explica por que decidiu investir na KATERRA. “O setor de construção movimenta 12 trilhões de dólares por ano em todo o mundo. Ele é formado por dezenas de milhares de empresas que usam níveis mínimos de tecnologia. Embora o crescimento da produtividade do trabalho tenha aumentado vertiginosamente na economia global, a indústria da construção teve, em média, apenas 1% de crescimento anual da produtividade nas últimas duas décadas. Ou seja, é um ambiente fértil para o desenvolvimento de tecnologias, e as startups chegaram para operar essa revolução no setor”, diz.
No Brasil, a startup que aparece no ranking da CB Insights é a Construct, localizada em Porto Alegre-RS. A empresa desenvolve plataformas de comunicação para equipes em projetos de construção. A ferramenta possibilita que construtores, engenheiros, arquitetos e subcontratados colaborem em tempo real, criem relatórios instantaneamente, marquem as plantas digitais e documentem rapidamente todas as decisões tomadas no canteiro de obras.
Mesmo com uma startup brasileira se destacando em um ranking global, ainda há um vasto campo de atuação inexplorado dentro da construção civil do país, a começar pela disseminação da tecnologia BIM (Building Information Modeling). Segundo análise do Sebrae Inteligência Setorial, a construção civil nacional precisa vencer as barreiras da informalidade, da burocracia, das questões regulatórias e da baixa qualificação da mão de obra para que as startups possam se desenvolver no setor.
Confira as 100 startups que estão mudando a construção civil no mundo
1. Buildcon
5. BusyBusy
6. Fibo
7. CINX
8. Drawboard
10. Bouw7
11. Bridgit
14. BulldozAIR
15. Construct
16. EIDA Solutions
17. eSUB Construction Software
18. Falcon Brick
19. Leansite
20. Fieldly
21. Fieldwire
22. GenieBelt
23. Ipsum
24. Newforma
25. NoteVault
26. PlanGrid
27. think project! International
29. Blue Ronin (dba Basestone)
30. Rhumbix
31. Vernox Labs
33. Abvent
34. DotProduct
35. Flux Factory
36. Graitec
37. IMERSO
38. Onshape
39. onTarget
41. Smartbim
42. Technical Sales International
43. Joist
44. BuildPay
45. HoloBuilder
46. InsiteVR
47. IrisVR
48. Pandora Augmented & Virtual Reality Technologies
50. Sensopia & MagicPlan
51. Scope AR
52. CBOT
53. Endless Robotics
56. AirZaar
57. Dronomy
59. Skycatch
62. DroneDeploy
63. Airware
64. 3D Robotics
65. BetterView
66. Viloc
67. Hyphen Solutions
68. SmartEquip
69. Katerra
70. Dozr
71. EquipmentShare
72. Equippo
73. Getable
74. Kwipped
75. Machinio
76. VeriTread
77. Buildkar
78. Builk
79. Con-Conn
80. OfBusiness
81. BuildZoom
82. Viirt
83. Swee10 (dba Sweeten)
84. Architizer
85. Work Today
86. Buildmetric
87. Raken
88. Express Lien (dba Zlien)
89. Biosite Systems
90. Capital Construction Solutions
91. Ackcio
92. BuildSafe
93. Einsite
94. FINALCAD
95. Modustri
96. Pavia Systems
98. Xlsys Technologies (dba QwikSpec)
99. SignOnSite
Entrevistado
Reportagem com base em relatório da CB Insights, consultoria em novas tecnologias (via assessoria de imprensa)
Contatos
info@cbinsights.com
Media@katerra.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Passarela que caiu em Miami era 1ª em concreto autolimpante
Obra tinha características únicas e queria entrar para a história da construção civil dos EUA por agregar várias tecnologias em um só projeto

A passarela de pedestres que desabou dia 15 março de 2018, no campus da Universidade Internacional da Flórida, em Miami-EUA, era a primeira 100% construída com concreto autolimpante. O material tem dióxido de titânio entre seus agregados e, quando exposto à luz solar, captura as partículas poluentes do ar que se depositam na superfície do concreto, promovendo a autolimpeza.
Ainda não é possível afirmar se a resistência do concreto influenciou no colapso da estrutura. Os organismos de investigação dos Estados Unidos avaliam que o laudo oficial sobre o acidente só sairá daqui a 18 meses. Como a passarela era estaiada e foi construída com elementos pré-fabricados, as análises recairão sobre a tensão excessiva dos pontos para instalar os estais e as rachaduras detectadas em elementos do concreto autolimpante.
O acidente causou seis mortes e destruiu oito carros que foram atingidos pelos escombros, apesar da passarela ter características únicas. Com 12 metros de largura e 53 metros de comprimento, a estrutura de 950 toneladas foi projetada para resistir a um furacão de categoria 5, ter durabilidade superior a 100 anos e concebida para entrar para a história da construção civil norte-americana como a primeira a usar um sistema de montagem totalmente controlado por computadores.
O vão central da passarela chegou ao local da montagem transportado por dois caminhões-guindaste. A estrutura seria encaixada nos pilares usando tecnologia de precisão. Em seguida, deveria ser fixada nos estais, quando houve o colapso e o desabamento. “Ainda há muita especulação sobre a causa, mas parece claro que houve estresse em um cabo pós-tensão quando ele estava sendo ajustado no momento do colapso”, diz o engenheiro civil Bill Palmer, membro do American Concrete Institute, da American Society of Concrete Contractors (ASCC) e da The Masonry Society.
Construtores buscavam inovação, mas esqueceram de escorar a passarela
Embora as autoridades da Flórida insistam que nenhuma conclusão pode ser tirada até uma investigação completa, Amjad Aref, professor do departamento de engenharia civil, estrutural e ambiental da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, também emitiu um diagnóstico. Para ele, o vão da passarela deveria ter sido estabilizado com escoras temporárias até que todas as conexões com os estais fossem concluídas. "A instabilidade da estrutura fez com que o sistema passasse rapidamente por um colapso desproporcional", analisou.
A passarela foi construída ao custo de 14,2 milhões de dólares (cerca de 45 milhões de reais). O projeto é da FIGG Bridge Design e a execução estava a cargo da Munilla Construction Management (MCM), que apostou no sistema construtivo conhecido como Accelerated Bridge Construction (ABC). A passarela ficaria a 9 metros de altura, permitindo a passagem de pedestres sobre uma das avenidas mais movimentadas de Miami, e que cruza o campus da Universidade Internacional da Flórida. “Seguramente, todas as tecnologias envolvidas na construção da passarela passarão a ser questionadas. Ninguém sai de um acidente como esse sem danos”, finaliza Bill Palmer.
Veja vídeo da queda da passarela
Entrevistado
Engenheiro civil Bill Palmer, membro do American Concrete Institute, da American Society of Concrete Contractors (ASCC) e da The Masonry Society
Contato: palmer@hanleywood.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Fórum mundial da água ajuda a destravar o Plansab
Evento realizado em Brasília mostra caminhos para o Plano Nacional de Saneamento Básico sair do papel e estimular indústria da construção

O 8º Fórum Mundial da Água, realizado de 18 a 23 de março de 2018, em Brasília, deixou claro que o investimento em saneamento básico é uma janela de oportunidades para a construção civil. Dentro do país existe até um plano de governo, o Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico), que traça estratégia ambiciosa para universalizar as redes de abastecimento de água e de coleta de esgoto nos 5.561 municípios brasileiros. Lançado em 2013, ele previa o aporte de recursos na ordem de R$ 304 bilhões no prazo de 20 anos. O problema é que o programa praticamente não saiu do papel. Com o Fórum Mundial da Água, ressurge a chance do Plansab ser implantado integralmente.
Os debates em torno do Plano Nacional de Saneamento Básico ocorreram em sessões temáticas promovidas pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) dentro do Fórum Mundial da Água. Em um dos seminários, a representante da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assamae), Ana Carolina Figur, afirmou que a universalização desses serviços no Brasil ainda é um desafio. “São quase 35 milhões de pessoas sem acesso à água potável e quase 100 milhões sem acesso à coleta de esgoto no país”, destacou. Figur mostrou ainda a necessidade de equilibrar a sustentabilidade financeira dos sistemas com a proteção das populações de baixa renda para combater o déficit no saneamento básico.
Apesar do Fórum Mundial da Água ter gerado o consenso de que investir em saneamento não é opção, mas necessidade, números da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) mostram que, no Brasil, as metas da Plansab ficaram defasadas. O compromisso inicial era atingir a universalização em 2033. No entanto, nem esse prazo nem o aporte inicial de recursos já são suficientes para o cumprimento do plano. O ministério das Cidades admite o atraso e avalia que se o programa fosse retomado em sua plenitude, em 2018, ele só seria concluído em 2040 e a um custo de 400 bilhões de reais. A culpa é dividida com as prefeituras, que, segundo o próprio ministério, estão endividadas e sem condições de financiar repasses federais.
Sem parcerias público-privadas dificilmente o Plansab sai do papel
Entre as soluções apontadas nas sessões temáticas que a CBIC realizou dentro do fórum estão as parcerias público-privadas (PPPs). Dos seminários saiu uma pauta de ação conjunta com a Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) e o Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Sindcon). Ambos defendem que o desenvolvimento rápido e eficiente dos serviços de saneamento no país só será viabilizado através de PPPs. “Ninguém desconhece a crise fiscal e as restrições orçamentárias do Brasil, mas não dá para aceitar esse tipo de tratamento, principalmente para as obras de saneamento. Estamos trabalhando na direção de parcerias, concessões ou locação de ativos que podem gerar desenvolvimento e estímulo para a área e, consequentemente, gerar demanda para o segmento da indústria da construção que atuar no setor de saneamento”, disse o presidente da Comissão de Infraestrutura da CBIC, Carlos Eduardo Lima Jorge.
Entrevistado
Reportagem com base em depoimentos concedidos nas sessões temáticas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), dentro do 8º Fórum Mundial da Água
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