Barganhar é estratégico nas compras da construção civil

Em web seminário, professor-doutor da Unicamp explica que ação não deve ser feita por impulso, mas seguir metodologia de análise do mercado

Professor Paulo Ignácio: 13 pontos de reflexão ajudam a compreender o setor de suprimentos da empresa.  Crédito: Youtube
Professor Paulo Ignácio: 13 pontos de reflexão ajudam a compreender o setor de suprimentos da empresa.
Crédito: Youtube

Pejorativamente, barganhar pode ser entendido como pechinchar. Em web seminário, o professor-doutor em engenharia civil, e que ministra aula na faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, Paulo Sérgio de Arruda Ignácio, procura desmistificar o termo, mostrando que saber barganhar influencia no posicionamento estratégico da empresa, principalmente se ela estiver ligada ao segmento da construção civil. “Isso exige preparo dos profissionais direta ou indiretamente ligados à área de compras e suprimentos, tanto de fornecedores quanto de compradores da construção civil”, argumenta.

No que tange a relação entre comprador e fornecedor, barganha deve ser entendido como um acordo comercial, com aproveitamento de oferta, em que há um “ganha-ganha” entre quem vende e quem adquiri o produto. “Comprar e vender é uma relação comercial e as relações comerciais devem ser de entrosamento. É neste sentido que a barganha deve ser compreendida”, explica Arruda Ignácio, afirmando que, especialmente no Brasil, onde a estrutura de mercado envolve oligopólio, monopólio, quase monopólio e monopólio bilateral, a barganha é especialmente salutar, desde que praticada de forma legal e ética.

Para o professor-doutor do campus de Limeira-SP da Unicamp, o planejamento correto de compras para quem atua em uma construtora depende muito do conhecimento do projeto-executivo da obra. “Fazer compras pelo projeto básico amplia as chances de ocorrer algum erro”, sublinha, afirmando que, ao ter acesso ao maior número de informações do canteiro de obras, o comprador possui subsídios para saber o momento exato em que deve fazer o pedido ao fornecedor. “É preciso compreender a demanda do consumo e qual o tempo que o fornecedor leva para repor o material. Quanto mais informações, mais correta será feita a gestão de aquisição de suprimentos”, completa. 

Paulo Sérgio de Arruda Ignácio lembra que a compra correta, feita dentro de procedimentos claros de barganha, deve estar centrada em uma tomada de decisão que não resulte em transferência de responsabilidade ou justificativas. “O foco não deve estar apenas em reduzir custo, mas também em maximizar valor, ou seja, atender a qualidade da obra”, afirma. Diante deste quadro, é possível dividir uma compra entre baixa sofisticação e alta sofisticação. Uma leva pouco em consideração as estratégias de compra, seus aspectos comerciais (avaliação de custo) e aspectos técnicos (especificações dos itens a serem comprados). Já a outra considera todos os parâmetros.


Treze mandamentos para o departamento de suprimentos

Na conclusão do web seminário, Paulo Sérgio de Arruda Ignácio deixou 13 questionamentos que toda empresa deve fazer ao avaliar seu setor de compras. São eles:

1. As compras são vistas como impulsionadoras do crescimento de receita, bem como da redução de custo?
2. 
Estamos maximizando o valor de nossos relacionamentos com fornecedores?
3. 
Segmentamos nossos gastos e identificamos categorias e fornecedores estratégicos?
4. 
Entendemos e estamos afetando positivamente o desempenho econômico do fornecedor?
5. 
Qual é a relação de trabalho entre o departamento de compras, usuários e fornecedores-chave no desenvolvimento de novos produtos?
6. 
Nossas especificações de serviços e produtos estão atualizadas? Elas atingem o equilíbrio certo entre necessidade técnica e custo total?
7. 
Existem porções significativas de gastos sob o controle da comunidade de usuários com pouco envolvimento com o departamento de compras?
8. 
Que porção de gastos poderia beneficiar-se de uma abordagem global ou regional?
9. 
Temos as capacitações internas para garantir uma geração de ganhos contínuos?
10. 
O departamento de compras tem a mesma importância das áreas de engenharia e operações da empresa?
11. 
Podemos usar o value sourcing (provisionamento de custos) para transformar a empresa?
12. 
Como ganhamos aceitação e motivação dos administradores-chave?
13. 
Quais as ferramentas digitais certas e economicamente eficazes que podemos aplicar?

Veja o web seminário “A influência do poder de barganha no resultado das compras”

Entrevistado
Reportagem com base em web seminário do professor-doutor Paulo Sérgio de Arruda Ignácio, do campus Limeira-SP da Unicamp, com formação em engenharia de produção e doutor em engenharia civil

Contatos
paulo.ignacio@fca.unicamp.br
www.fca.unicamp.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Paraná lidera inauguração de shopping centers em 2018

Estado tem quatro empreendimentos em construção, seguido de São Paulo e Pernambuco, e terá o maior centro comercial a ser entregue este ano

Jockey Plaza, em Curitiba, será inaugurado em outubro de 2018, com 217 mil m² de área construída. Crédito: Jockey Plaza
Jockey Plaza, em Curitiba, será inaugurado em outubro de 2018, com 217 mil m² de área construída. Crédito: Jockey Plaza

Em 2017, foram inaugurados 12 shopping centers no Brasil. Para 2018, o número mais que duplica. Serão 26 inaugurações previstas até dezembro, segundo dados da ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers). Com quatro empreendimentos em construção (dois em Guarapuava, um em Umuarama e um em Curitiba), o estado do Paraná lidera a lista de obras com cronograma de entrega para 2018, seguido de São Paulo e Pernambuco, com três shopping centers cada um.

Com 60 mil m2 de área bruta locável (ABL) e 217.058 m2 de área construída, o Jockey Plaza, em Curitiba, será o maior a ser entregue este ano no país. O empreendimento tem custo de R$ 650 milhões e a previsão de inauguração é outubro de 2018. Os outros dois maiores a serem inaugurados este ano são o Patteo Olinda Shopping, em Olinda-PE, com 51.581 m2 de ABL e o Shopping Dutra, em Mesquita-RJ, com 50 mil m2 de ABL. A destacar que, dos 26 shopping centers com previsão de inauguração em 2018, 19 estão localizados em cidades do interior.

Atualmente, existem 571 shopping centers no Brasil. Em 2017, o setor faturou R$ 167 bilhões e consolidou a tradição de ser o segundo segmento que mais utiliza a construção industrializada do concreto no Brasil, perdendo apenas para as obras industriais. “Essa consolidação ocorreu devido aos benefícios conhecidos do pré-fabricado de concreto: agilidade na construção, atendimento de prazos ousados, qualidade e sustentabilidade”, diz a presidente-executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), Íria Doniak.

Construtoras de shopping investem em painéis arquitetônicos

As estruturas pré-fabricadas de concreto são empregadas em obras de shopping centers desde as fundações, por meio das estacas pré-fabricadas, passando por pilares, vigas, lajes alveolares e também painéis arquitetônicos, instalados nas fachadas. “A utilização de painéis é algo que precisa ser destacado, pois a indústria vem desenvolvendo novas tecnologias nesse sentido. Uma delas é o uso de painéis de concreto pré-moldado com espessuras mais finas e até com curvaturas para o fechamento de shoppings. Uma das principais vantagens do uso de painéis arquitetônicos é que eles não apresentam problemas como fissuras, além de ter uma menor necessidade de manutenção e conservação”, explica Íria Doniak.

Os painéis arquitetônicos tiveram grande destaque entre os vencedores do Prêmio Obra do Ano da Abcic. Em 2016, o vencedor foi o shopping Morumbi Town e a menção honrosa foi para o shopping Carapicuíba. Já em 2017, obras de shopping também se destacaram por importantes soluções de múltiplos pavimentos e subsolos, como o shopping Parque da Cidade e a ampliação do Jaraguá Park Shopping. A presidente-executiva da associação lembra que o tema tecnologias construtivas para shopping centers estará em debate no dia 5 de abril, quando acontece em Florianópolis-SC o seminário “Estruturas Pré-Fabricadas de Concreto - Sustentabilidade, Produtividade, Inovação e Tecnologia”.

Entrevistados
ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers)
(via assessoria de imprensa)
Íria Doniak, presidente-executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic)
(via assessoria de imprensa)

Contatos
abrasce@abrasce.com.br
abcic@abcic.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Venda formiguinha é a aposta da construção em 2018

Relatório do banco Santander e previsões da Anamaco caminham na mesma direção, com aposta no segmento de reformas

Anamaco confirma que reformas e ampliações vão puxar vendas de materiais de construção. Crédito: Divulgação
Anamaco confirma que reformas e ampliações vão puxar vendas de materiais de construção. Crédito: Divulgação

Estudo do banco Santander sobre as perspectivas da cadeia produtiva da construção civil para 2018 mostra que a venda formiguinha – aquela que abastece pequenas obras e reformas – será o carro-chefe para 2018. Entre 2015 e 2016, o segmento de venda no varejo teve recuo de 12,5%. Em 2017, caiu 3,3%. Porém, segundo o relatório do banco, crescerá 8% em 2018. A projeção engloba as vendas de cimento e artefatos.

O relatório do Santander estima que a inflação comportada e a tendência de queda de juros para 2018 serão estímulos à venda formiguinha. “A produção industrial do setor se recupera pela venda de materiais de construção para reforma e reparos e, em menor magnitude, os lançamentos imobiliários. Este é o último setor industrial a mostrar uma recuperação, mas que também ganha impulso com os sinais positivos da economia”, afirma o economista do banco, Rodolfo Morgado.

O foco do Santander em material de construção tem um propósito. A instituição financeira espera aumentar as concessões de crédito imobiliário em 2018. A expectativa é emprestar R$ 1 bilhão por mês, a partir do segundo semestre. A meta é sair da quarta posição para a liderança, entre os cinco maiores bancos no financiamento para aquisição, reforma e construção de imóveis.

Atualmente, segundo dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) o primeiro lugar é da Caixa Econômica Federal, com R$ 16,4 bilhões financiados em 2017.  “O objetivo é nos posicionarmos como potencialmente líderes no mercado imobiliário brasileiro. O Santander, como grupo internacional, é líder na área hipotecária no mundo. Queremos essa posição também no Brasil", diz Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil.

Venda de materiais de construção deve crescer 8,5%

O novo posicionamento de bancos privados com relação ao crédito imobiliário faz a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) estimar que o faturamento do setor crescerá 8,5% este ano, em relação a 2017. “Com os resultados dos últimos 12 meses, esperamos que 2018 seja um ano de retomada e estamos prevendo um crescimento de 8,5% sobre 2017, influenciados pela redução das taxas de juros e da inflação”, prevê o presidente da Anamaco, Cláudio Conz.

O dirigente concorda com a projeção do Santander, de que a venda formiguinha será condutor do crescimento do setor em 2018. “As mais de 64 milhões de moradias existentes no Brasil se deterioram pela ação da chuva e do tempo, gerando uma demanda natural por material de construção. Fora isso, o número de casamentos, de nascimentos e de divórcios impacta diretamente o setor de reformas. Afinal, quem casa quer casa, quem tem filhos precisa adequar a casa e quem separa também precisa de casa para morar. O consumidor está mais confiante e os números mostram que há uma retomada de obras”, finaliza.

Entrevistado
Banco Santander Brasil e Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção)
(via assessoria de imprensa)

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imprensa@santander.com.br
press@anamaco.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Itália leva maior número de prêmios da MIPIM Awards

Premiação europeia é considerada o “Oscar da arquitetura”. Das 11 categorias contempladas, oito ficaram no Velho Continente

Criado em 1991, o MIPIM Awards é reconhecido atualmente como o “Oscar da Arquitetura”. Mais de cem países participam de sua eleição anual, que escolhe as construções mais relevantes, sob o ponto de vista arquitetônico. Na edição 2018, 3.100 escritórios de arquitetura, que empregam 24.500 profissionais, inscreveram obras erguidas em 500 cidades dos cinco continentes. Mas o país com mais projetos premiados foi a Itália, que venceu nas categorias prédio corporativo, shopping center e reestruturação urbana.

Na seleção das obras indicadas, França e a China eram os países com mais construções. Os franceses concorreram em quatro categorias: projeto para hotel (com duas indicações), projeto industrial, edifício verde e arquitetura residencial. Os chineses também concorreram em quatro categorias: projeto futurista (com duas indicações), shopping center, edifício corporativo e projeto industrial. O anúncio dos vencedores ocorreu dia 15 de março. Além da Itália, foram premiadas obras na Bélgica, em Cingapura, na França, na Alemanha, na Dinamarca, no Catar e no Vietnã.

Porta Nuova: intervenção urbana transformou distrito segregado de Milão em novo centro cultural e empresarial. 
Crédito: MIPIM Awards

Porta Nuova: intervenção urbana transformou distrito segregado de Milão em novo centro cultural e empresarial. 
Crédito: MIPIM Awards

Entre os projetos italianos que venceram, o mais emblemático é o Porta Nuova. Trata-se uma intervenção urbana na cidade de Milão, e que transformou um distrito segregado da cidade em um novo centro cultural e empresarial, o qual passou a atrair mais de 10 milhões de pessoas por ano. O Porta Nuova engloba edifícios residenciais e corporativos, além de interferência na mobilidade urbana e na recuperação de áreas verdes degradas do bairro milanês. O projeto foi liderado por um consórcio de escritórios italianos, britânicos e norte-americanos.

A obra de melhor prédio corporativo do MIPIM Awards também está localizada em Milão. É o edifício que abriga a fundação Giangiacomo Feltrinelli e a sede da Microsoft na Itália. Projetada pelo escritório Herzog & de Meuron, a edificação investe em aço, vidro e concreto pré-fabricado. Já o shopping FICo Eataly World, em Bolonha, foi projetado pelo arquiteto italiano Thomas Bartoli. A obra transformou uma antiga fábrica de alimentos em um centro comercial e, por isso, teve que atender rigoroso protocolo ambiental.

Entre as outras obras premiadas, estão a torre Maersk, prédio que abriga todos os cursos da área da saúde da universidade de Copenhague, na Dinamarca; o hotel e resort Abadia Michaelsberg Siegburg, que é administrado por padres católicos e que ganhou um complexo hoteleiro ao lado do mosteiro localizado em Colônia, na Alemanha, além do centro de logística Chapelle, construído em Paris, e que rendeu o único prêmio aos franceses na edição 2018 do MIPIM. Outra obra europeia premiada foi o prédio da autoridade portuária da Antuérpia, na Bélgica.

Fora da Europa, foram premiadas obras no Vietnã, em Cingapura e no Catar

Prédio da autoridade portuária da Antuérpia, na Bélgica: legado de Zaha Hadid
. Crédito: MIPIM Awards
Prédio da autoridade portuária da Antuérpia, na Bélgica: legado de Zaha Hadid
. Crédito: MIPIM Awards

A edificação passou por um retrofit e ganhou na categoria edifício reformado. O projeto é do escritório da arquiteta Zaha Hadid, que morreu em 2016. O prédio precisava ganhar um anexo, mas não podia ter sua área construída ampliada para os lados. A solução foi erguer um novo prédio sobre a estrutura antiga, preservando-a integralmente. Envidraçado, o novo edifício lembra um diamante gigante que reflete a luz solar e pode ser visto a quilômetros de distância, em qualquer local que se esteja na Antuérpia.

Na categoria prédio residencial, ganhou o Îlot Sacré, do escritório DDS +. Trata-se de um condomínio de apartamentos construído em Bruxelas, na Bélgica, e que valoriza o pedestre, excluindo a presença de veículos automotores. São permitidas apenas bicicletas. O diferencial do conjunto é o complexo de calçadas que, além de envolver os edifícios, também se estende para fora do condomínio, abrangendo o comércio local, escolas e o hospital mais próximo, permitindo que a mobilidade urbana valorize o caminhar.

Fora da Europa, foram premiados o projeto de cidade inteligente de Mui Dinh, no Vietnã; o museu nacional do Catar, vencedor na categoria obra futurista, e o edifício Marina One, em Cingapura, na categoria prédio verde. 


Entrevistado

Reportagem com base em material de divulgação distribuído pela assessoria de imprensa do MIPIM Awards
Contato: mipim@ing-media.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Momentaneamente, Goiás tem prédio mais alto do Brasil

Recorde deverá durar até 2019, quando o Infinity Coast, em Balneário Camboriú-SC, romper oficialmente barreira dos 200 metros

Órion - Business & Health, em Goiânia-GO: inaugurado em novembro de 2017, tem 50 pavimentos e mais de 190 metros de altura. Crédito: FR Incorporadora
Órion - Business & Health, em Goiânia-GO: inaugurado em novembro de 2017, tem 50 pavimentos e mais de 190 metros de altura. Crédito: FR Incorporadora

Com 191,48 metros de altura e 50 pavimentos, dos quais 10 têm pé direito duplo, o Órion - Business & Health é, momentaneamente, o prédio mais alto do Brasil. Inaugurado em Goiânia-GO, o edifício passou a liderar o skyline nacional ao superar o Millennium Palace, em Balneário Camboriú-SC, cuja altura é de 177,3 metros de altura (46 pavimentos). Construído por um consórcio de empresas goianas - GVC Engenharia, FR Incorporadora, Tropical Urbanismo e Incorporação e Joule Engenharia -, o Órion possui um recorde com prazo de validade para ser superado.

Quando o Infinity Coast for inaugurado, com previsão para o primeiro semestre de 2019, assumirá o posto de prédio mais alto do país e da América Latina. Esse edifício está em execução em Balneário Camboriú-SC e será o primeiro do Brasil a romper a barreira de 200 metros de altura. Com 69 pavimentos, sua altura oficial chegará a 238 metros e o título de “maior do Brasil” também terá prazo de validade para expirar. Até 2022, mais dois edifícios superaltos vão ultrapassar o Infinity Coast.

Um deles é o complexo de torres gêmeas que está em obras em Balneário Camboriú-SC, conhecido como Yachthouse Residence Club. Cada prédio vai medir 274 metros. A previsão é de que a edificação fique pronta até 2020. Ainda na cidade catarinense está em construção o One Tower, cujo projeto prevê altura máxima de 280 metros. O prédio também se encontra em obras e deve ser finalizado até 2022.  A tendência é de que nos próximos quatro anos o Órion - Business & Health caia de 1º para o 10º lugar no ranking de edifícios superaltos do Brasil.

Mas o prédio construído em Goiânia-GO tem uma característica que o diferencia dos que surgem em Balneário Camboriú-SC, cuja finalidade é meramente residencial. O Órion - Business & Health é um edifício corporativo. Ele reúne clinical center, hospital, hotel, business center e shopping center. Então, na sua categoria, pode ser que perdure por um longo tempo como o prédio comercial mais alto do país, sucedendo o Mirante do Vale (antigo Palácio Zarzur Kogan). Esse edifício paulistano foi construído nos anos 1960, e por mais de 50 anos sustentou o título de edifício mais alto do Brasil, com seus 170 metros e 51 andares ocupados somente por empresas.

Órion - Business & Health consumiu mais de 56 mil m³ de concreto

Parte do concreto empregado na obra do Órion - Business & Health é protendido de alto desempenho, com resistência de 90,0 MPa após 28 dias.Também há concreto armado com resistência variando de 30,0 MPa a 50,0 MPa. Os pilares da edificação passaram por processo de cura úmida. Foram empregados 56.483,20 m³ de concreto na obra e 160 mil toneladas de aço. A concretagem das fundações usou 1.200 toneladas de gelo para o resfriamento com serpentina. As obras começaram em março de 2014 e o Habite-se foi liberado em novembro de 2017. O departamento de engenharia civil da Universidade Federal de Goiás realizou os ensaios do concreto.

Ao custo de R$ 325 milhões, o Órion - Business & Health trouxe um novo conceito de edifício para Goiânia-GO, revelando o potencial da cidade para abrigar mais prédios superaltos, como explica o engenheiro civil Frank Guimarães Vaz de Campos – gestor-técnico e financeiro do empreendimento. “Esta migração é muito em função da maturidade econômica, populacional e até cultural da metrópole, e da necessidade das empresas de organizar suas equipes num ambiente mais produtivo, potencializando assim sua competitividade. Goiânia amadureceu para receber prédios com essas características”, diz.

Entrevistado
Engenheiro civil Frank Guimarães Vaz de Campos, gestor-técnico e financeiro do consórcio GVC Engenharia, FR Incorporadora, Tropical Urbanismo e Incorporação e Joule Engenharia

Contato: frank@gvc.eng.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Preço na construção civil se faz com engenharia de custos

Especialista calcula impacto da mão de obra, dos materiais, dos equipamentos e dos impostos sobre o valor de uma obra

Engenharia de custos segue procedimentos normativos e de planejamento. Crédito: Divulgação
Engenharia de custos segue procedimentos normativos e de planejamento. Crédito: Divulgação

A estratégia de preços envolve ampla gama de fatores. Até chegar ao consumidor, o valor de um produto é calculado pelo fabricante, que o repassa ao atacadista, que o repassa ao varejista, que vai repassá-lo para o comprador final. Nesta cadeia, não pode haver exorbitância, mas também não podem deixar de ser calculados gastos com a produção, com a distribuição e outros serviços que envolvam as despesas relacionadas com o bem a ser vendido. Na construção civil, não é diferente. Mas quando se trata de uma obra, é recomendável que a orientação dos preços seja feita por um especialista em engenharia de custos.

O profissional dessa área não é importante apenas para buscar preços de materiais e de mão de obra, mas também para viabilizar projetos sem que eles estourem o orçamento e não comprometam o cronograma. É ele quem aponta o “norte” para que a obra seja executada conforme o planejado. Cabe aos especialistas em engenharia de custos a responsabilidade de prever os seguintes custos para executar o projeto:
- Pessoal: salários, encargos sociais, benefícios e vale-transporte
- Materiais: fornecimento e impostos (IPI e ICMS)
- Equipamentos: fornecimento e impostos (IPI, ICMS, Importação)
- Taxas e seguros: Crea, licenças e seguros
- Transportes

Para definir esses custos, e depois chegar ao preço de mercado do empreendimento, o memorial descritivo da obra é de suma importância. Ele servirá de base para os cálculos matemáticos que vão apontar a sustentabilidade do projeto e a sua execução do início ao fim. “A engenharia de custos dedica-se ao desenvolvimento de normas, padrões e critérios aplicados ao planejamento, execução e acompanhamento de obras, sempre com base em uma série de informações e fórmulas. Nada é empírico ou subjetivo nestes cálculos”, revela o engenheiro civil especializado em custos, Rodrigo Bhering de Mattos, do IBEC (Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos).

CUB e INCC, os índices mais importantes para a construção civil

Quando em construção, um imóvel tem dois índices que balizam seu preço: CUB (Custo Unitário Básico da Construção Civil) e INCC (Índice Nacional de Custos da Construção). Principal indicador do setor da construção, o CUB é calculado mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de todo o país, levando em consideração os valores de materiais e de mão de obra, despesas administrativas e equipamentos, como dispõe a ABNT NBR 12.721 - Avaliação de custos unitários de construção para incorporação imobiliária e outras disposições para condomínios de edifícios.

Já o INCC é um dos componentes do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). É calculado mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas, abrangendo desde o primeiro até o último dia do mês, sendo divulgado até o dia 15 do mês seguinte. O INCC é utilizado como base para o reajuste do valor dos imóveis habitacionais em construção, justamente para que acompanhe o aumento do preço dos materiais e da mão de obra - quesitos que mais sofrem alterações ao longo do processo construtivo. O índice também é aplicado nos casos onde há financiamento do imóvel em construção, também conhecido como compra do imóvel na planta. Neste caso, o INCC incide sobre todo o saldo devedor, até a quitação.

Entrevistado
Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (IBEC) (
via assessoria de imprensa)

Contato: ibec@ibec.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

ABRAMAT faz projeção de crescimento para 2018

Recuperação do setor ainda será de forma lenta, e com foco no varejo de materiais. Previsão é do novo presidente, Rodrigo Navarro

Rodrigo Navarro: varejo deverá se manter com os melhores resultados neste ano. Crédito: ABRAMAT
Rodrigo Navarro: varejo deverá se manter com os melhores resultados neste ano. Crédito: ABRAMAT

A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção (ABRAMAT) prevê que em 2018 o setor deverá crescer 1,5% em relação a 2017. “A recuperação do setor será de forma lenta e mais forte no varejo de materiais neste ano. A demanda do segmento de construção imobiliária deverá se intensificar no médio prazo, a partir do segundo semestre”, diz comunicado da associação, que agora tem novo presidente-executivo. É o engenheiro de produção Rodrigo Navarro, que assumiu o cargo em 1º de fevereiro, substituindo Walter Cover. Reunindo expertise acadêmica e corporativa, Rodrigo Navarro terá a tarefa de seguir consolidando a associação como referência na cadeia da construção. Na entrevista a seguir, ele analisa o comportamento econômico da construção para 2018. Confira:

Há uma onda de otimismo voltando para a construção civil. Pelo menos é o que revelam as opiniões de alguns dirigentes de entidades de classe do setor. A ABRAMAT compartilha deste otimismo?

Não se trata de uma onda, mas de uma tendência de melhoria da conjuntura no país e no exterior, o que indica que estamos em um momento de inversão de queda para uma gradual recuperação. Temos de buscar contribuir como setor para que essa recuperação se concretize.

O senhor sucede Walter Cover, que ficou à frente da ABRAMAT por quase sete anos. Quais os desafios de agora em diante e quais as bandeiras que a ABRAMAT deve encampar a partir de sua gestão?

Temos como pilares fundamentais a defesa da conformidade técnica, conformidade fiscal e capacitação. Nesse contexto, buscaremos as sinergias entre nossos mais de 40 associados, que atuam em múltiplos setores, para uma representação institucional com ainda maior protagonismo junto aos interlocutores, como governos, por exemplo. Isso, para que tenhamos um diálogo aberto e construtivo visando maximizar as oportunidades e crescimento da indústria de materiais de construção no Brasil, com maior competitividade e sustentabilidade.

O Brasil ainda tem muitas reformas a serem feitas para consolidar um crescimento sustentável. Em 2018, em função da corrida presidencial, que está batendo às portas, não deve ser um ano de reformas. Mesmo assim, o que leva o setor da construção civil a confiar que o ano será melhor que o de 2017?

Os números oficiais e os indicadores que monitoramos indicam isso. Devemos aproveitar que é um ano de mudança, de recuperação, e apresentar de maneira colaborativa nossas propostas aos candidatos e novos ocupantes dos cargos públicos que se desincompatibilizarão para disputar as eleições.

Números da CBIC mostram dados animadores para o setor imobiliário. A retomada de obras imobiliárias deve ser o indutor do crescimento do setor em 2018?

A tendência geral para o ano é de melhoria dos resultados, porém ainda poderão ocorrer oscilações pontuais nos resultados mês a mês, o que é normal para esta fase de retomada após a crise dos últimos dois anos no setor. Entre os segmentos de mercado da indústria de materiais, o varejo, que já vem apresentando crescimento nos últimos meses, deverá se manter com os melhores resultados neste ano, seguido pelo segmento de obras imobiliárias (residenciais, comerciais) que deverá ter melhoria mais significativa a partir do segundo semestre. O segmento de infraestrutura só deverá se recuperar de forma consistente a partir do próximo ano.

A falta de recursos da Caixa Econômica para financiar imóveis pode atrapalhar ou os bancos privados vão acabar aproveitando esse vácuo?

Certamente essa é uma questão que precisará ser trabalhada. Há, inclusive, propostas e sugestões de diferentes entidades para endereçar essa questão.

Selic a 6,75% e inflação baixa dão a confiança necessária para as construtoras tocarem suas obras?

Taxa de juros e inflação são dois componentes importantes para impulsionar o mercado. Outros fatores como o crescimento da atividade industrial, redução do desemprego e acesso a crédito também têm de ser levados em consideração.

Qual o cenário que a ABRAMAT faz sobre construção industrializada dentro do novo cenário da construção civil brasileira?

É uma tendência e será importante o envolvimento do setor privado nas decisões acerca da regulação desse ambiente, visando maior produtividade e redução de custos.

Em relação a obras de infraestrutura, devemos ter mais um ano de baixo investimento?

Para este ano, por ser eleitoral, o governo federal e os governos estaduais deverão acelerar e entregar diversas obras ainda no primeiro semestre. A retomada efetiva do setor de infraestrutura deverá iniciar só a partir de 2019, no novo governo.

Além do mercado interno, qual o cenário para a exportação de materiais de construção fabricados no Brasil?

O tema é complexo, com muitas variáveis em jogo, como câmbio, por exemplo. Estamos buscando oportunidades. Chama a atenção as recentes restrições dos EUA ao aço e alumínio brasileiro.

Entrevistado
Engenheiro de produção Rodrigo Navarro, com MBA em relações governamentais pela FGV, e presidente-executivo da ABRAMAT

Contato: abramat@abramat.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Inteligência Artificial escolhe “imóvel certo” para você

Tecnologia cruza dados dos rastros digitais para saber a residência que mais desperta o interesse de um potencial comprador

Rastros digitais oferecem dados que podem servir a interesses comerciais, políticos ou de qualquer outra natureza. Crédito: Divulgação
Rastros digitais oferecem dados que podem servir a interesses comerciais, políticos ou de qualquer outra natureza. Crédito: Divulgação

A Inteligência Artificial (IA) está cada vez mais presente em nosso cotidiano. Um exemplo, é que ela já consegue influenciar até no tipo de imóvel que se quer comprar. Como? Algoritmos que analisam as preferências do usuário - e de grupos de usuários com tendências semelhantes - cruzam dados para saber a residência que mais desperta o interesse de um potencial comprador. Essas informações são fornecidas quando o cliente começa a navegar na internet, principalmente pelas redes sociais, deixando o que os especialistas chamam de rastros digitais.

A pesquisadora Dora Kaufman, doutora pela USP, pós-doutora na COPPE/UFRJ e coautora do livro “Empresas e Consumidores em Rede: um estudo das práticas colaborativas no Brasil”, define rastros digitais. “As redes sociais, como Facebook, Twitter e Instagram, promovem o compartilhamento de distintas experiências entre distintas pessoas. O fenômeno pode ser observado igualmente pelas informações armazenadas nos bancos de dados de cartões de crédito, nos programas de fidelidade e inúmeras outras ações presentes em nosso dia a dia. São os chamados rastros digitais, deixados e arquivados em cada interação que fazemos usando as novas tecnologias”, explica.

Acima de desktops, notebooks e tablets, são os smartphones os que mais deixam rastros digitais. Principalmente, quando carregam apps de geolocalização. Sem contar que é através destes aparelhos que acontecem os maiores contatos com equipes de trabalho, amigos e família. Os algoritmos rastreiam esse volume de informações. “Grande parte do que fazemos hoje, fazemos por meio de tecnologias digitais que deixam rastros, os quais podem atender interesses comerciais, políticos ou de qualquer outra natureza”, cita Dora Kaufman, em seu artigo “Na era dos rastros digitais”.

Influência vai da construção até a venda

No caso do mercado imobiliário, as informações permitem que a Inteligência Artificial colete dados para que se chegue na oferta do “imóvel certo”. Algoritmos possibilitam identificar se o usuário prefere casa ou apartamento, unidades baixas ou altas, quais os bairros de sua preferência, se busca morar ou investir, qual o estilo arquitetônico que mais lhe agrada e até as preferências por tipos de materiais de construção (alvenaria, madeira, envidraçados, pré-fabricados...) e elementos de decoração.

Os mesmo dados também servem para que as construtoras definam seus projetos e personalizem o atendimento aos seus clientes.  Há também consequências impactantes da Inteligência Artificial sobre a redução de custos na construção civil. Além de oferecer obras sob medida para o cliente, a IA possibilita economia no canteiro, permitindo melhor gerenciamento dos materiais e minimizando desperdício. “A Inteligência Artificial já permeia nosso cotidiano, influenciando diretamente a produção e o mercado consumidor. Ela já é capaz de diagnosticar tudo o que nos influencia”, resume Dora Kaufman.

Entrevistada
Reportagem com base no artigo “Na era dos rastros digitais”, da economista, doutora e pós-doutora em engenharia de produção, Dora Kaufman

Contatos
dkaufman@usp.br
http://dorakaufman.blog

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Wi-fi na loja de material de construção amplia vendas

Wi-fi amplia oportunidades para que consumidor defina sua compra dentro da loja de materiais de construção
. Crédito: Michael Kofsky/US Today
Wi-fi amplia oportunidades para que consumidor defina sua compra dentro da loja de materiais de construção
. Crédito: Michael Kofsky/US Today

A pesquisa Riverbed Retail Digital Transformation Survey (reverberando a transformação digital no varejo) revela que o wi-fi ainda está pouco presente no espaço de venda das lojas de material de construção. Aquelas que liberam o sinal para os consumidores ampliam as oportunidades de se relacionar com os clientes e, consequentemente, aumentam as vendas.

A edição 2018 do estudo, que envolveu dados coletados em 2017, abrangeu o comércio de material de construção nos Estados Unidos, na Alemanha e na Austrália. A pesquisa mostrou que a maioria das lojas possui apenas o sinal liberado para seus funcionários, a fim de que eles possam acessar o estoque através de seus smartphones e, assim, agilizar a venda.

Quem já utiliza o wi-fi para alavancar as vendas consegue promover um marketing agressivo junto aos clientes. Os comerciantes realizam promoções-relâmpagos que o consumidor só consegue acessar de seu smartphone e entrando no site da loja. Há ainda as que fazem sorteios e possuem até vendedores virtuais, que podem atender o comprador diretamente pelo smartphone.

Atualmente, revela a pesquisa, apenas 26% das lojas nos países pesquisados usam o wi-fi como ferramenta de venda. Para elas, o volume de negócios cresceu 19% em 2017. Os resultados dos estudos foram compartilhados com os organismos de comércio de Estados Unidos, Alemanha e Austrália e causaram reações positivas nos lojistas. Veja:

• 51% prometeram liberar o sinal de wi-fi na loja.
• 49% asseguraram que vão ampliar o sinal para que a experiência do consumidor seja a melhor possível.
• 48% disseram que vão investir em aplicativos para se relacionar melhor com os clientes.
• 47% aprovaram a ideia de levar o espaço de venda para dentro do smartphone do cliente.
• 45% prometeram treinar seus colaboradores para usar o wi-fi como ferramenta de venda.

Subbu Iyer, SVP (senior vice-president) e CMO (chief marketing officer) da Riverbed Technology, afirma que o futuro das vendas nas lojas físicas está em alinhar o comércio presencial com as possibilidades digitais. “O estudo revela que a prosperidade dos varejistas de material de construção depende de saber usar a tecnologia na nuvem para manter o cliente em sua loja”, diz.

Sebrae usa dados da pesquisa no Brasil

No Brasil, o Sebrae Inteligência Setorial trabalha para adequar os dados da pesquisa às necessidades dos lojistas de material de construção do país. O uso de wi-fi como alavanca de venda em lojas físicas é muito restrito no mercado brasileiro. Hoje, ele se limita a boutiques especializadas em produtos como cerâmicas, porcelanatos e metais. Nestes espaços, os consumidores conseguem ter a experiência de ver como o material que ele pretende comprar vai ficar na parede de sua residência.

Subbu Iyer realça que apesar da Riverbed Retail Digital Transformation Survey ter se concentrado em Estados Unidos, Alemanha e Austrália, os conceitos que ela dissemina servem para todos os países que têm um mercado consolidado da construção civil, como é o caso do Brasil. “Para se manterem competitivos em 2018, os varejistas terão que repensar o uso do wi-fi em suas lojas, acoplado a estratégias que ajudem a transformar seus negócios”, conclui.

Veja a íntegra da pesquisa

Entrevistado
Reportagem com base no relatório da pesquisa Riverbed Retail Digital Transformation Survey

Contato: press@riverbed.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Vai construir em faixa litorânea? Capriche na argamassa

Assim como os protetores solares agem como um escudo para blindar a pele humana dos raios ultravioletas, quando se está exposto ao sol, é a argamassa o melhor protetor para evitar que o concreto seja atingido pelos cloretos que são lançados no ar pelo aerossol marinho – também conhecido como névoa marinha. Esses cloretos desencadeiam patologias como corrosão das armaduras, podendo levar ao colapso as estruturas construídas em faixa litorânea. Por isso, se for empreender uma obra em região exposta aos efeitos do mar, capriche na argamassa.

Gibson Meira: argamassa é o principal protetor contra partículas de cloretos que se depositam nas superfícies das edificações. Crédito: Cia. de Cimento Itambé
Gibson Meira: argamassa é o principal protetor contra partículas de cloretos que se depositam nas superfícies das edificações. Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Em síntese, esse foi o recado deixado pelo pesquisador e professor-doutor do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Gibson Meira, que palestrou no 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na primeira semana de maio de 2018. Desde o início dos anos 2000 ele se dedica a estudar edificações expostas às chamadas “zonas de spray marinho”. “Essas áreas variam de região para região. Em João Pessoa-PB, elas se estendem por até 200 metros da faixa do mar, mas há casos em que avançam significativamente pelo continente. Em Florianópolis-SC, há relatos de que chegam a avançar até 1.400 metros. Na Austrália, podem atingir até 30 quilômetros”, diz o professor-doutor.

Conhecido com spray marinho, aerossol marinho ou névoa marinha, o fenômeno se dá quando a onda quebra na praia, lançando partículas salinas que são capturadas pelo vento e transportadas para dentro do continente, carregando partículas corrosivas de cloretos. Quanto maior a velocidade do vento, mais distante o percurso que elas podem percorrer. No Brasil, as partículas do aerossol se movimentam, em média, a 5 m/s. Quando o vento faz depositar na superfície das edificações até 100 miligramas diárias por metro quadrado (100 mg/m2/dia) inexiste preocupação quanto a corrosão das armaduras. Mas se a concentração salina passar deste nível é acionado o alerta.

Argamassa mais espessa e com materiais de boa qualidade protegem melhor o concreto

Em Fortaleza-CE já foi verificada concentração diária de 3,5 gramas por metro quadrado (3.500 miligramas/m2/dia). “Quando isso ocorre, a probabilidade de parte desses cloretos depositados na superfície da edificação ser transportada para dentro do concreto, atingindo a armadura, é relativamente grande. Ela começa de forma despretensiosa, até desencadear o processo de corrosão, podendo levar ao colapso da estrutura se não forem tomadas medidas de combate a essa patologia”, explica Gibson Meira, entrando no quesito qualidade do revestimento da argamassa. No IFPB, os testes envolveram a argamassa convencional, feita com cimento, água, cal hidratada e areia, preparada in loco, ou seja, sem o uso de argamassas industrializadas, as quais podem vir com aditivos que melhoram a combatividade do material contra eventuais agentes corrosivos.

Foram testados vários tipos de espessuras – de 25 milímetros a 55 milímetros. Em ensaios acelerados em laboratório, simulando vida útil de 30 anos, verificou-se que as menos espessas e com material mais poroso funcionavam como colônias para os cloretos. Já as mais espessas, e que utilizam uma areia mais refinada, agiam como escudos. “Conclusão: a espessura e a qualidade dos materiais, como o tipo certo de cimento, permitem que a argamassa acrescente proteção adicional ao concreto. Em alguns casos, espessuras de 55 milímetros foram as mais recomendadas, mas isso varia, dependendo das situações práticas”, afirma o professor-doutor Gibson Meira, ao concluir sua palestra.

Saiba mais

Baixe o livro “Corrosão de armaduras em estruturas de concreto: fundamentos, diagnóstico e prevenção“, de Gibson Rocha Meira (Editora IFPB)

Entrevistado
Reportagem com base na palestra do engenheiro civil e professor-doutor do Instituto Federal da Paraíba, Gibson Rocha Meira, dentro do 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela UFPR

Contato: prc.ufpr.contato@gmail.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330