Consumidor brasileiro nunca mais será o mesmo, diz pesquisa

Novo perfil do consumidor o aproximou da pesquisa online e da compra online. Crédito: Divulgação
Novo perfil do consumidor o aproximou da pesquisa online e da compra online. Crédito: Divulgação

Segundo recente pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 72% dos consumidores brasileiros mudaram seus hábitos após a crise econômica que atingiu o país entre 2014 e 2017. O mesmo estudo revela que oito em cada dez consumidores - entre aqueles que alteraram seus conceitos - pretendem conservar a nova rotina financeira. As mudanças mais sensíveis estão relacionadas ao consumo de produtos supérfluos, à pesquisa de preços e à busca de promoções. O novo perfil também exigiu um novo comportamento do varejo, que vê nascer outro tipo de cliente: aquele disposto a valorizar seu dinheiro e não comprar por impulso.

A conclusão da pesquisa é que o consumidor brasileiro tornou-se prudente nos gastos, prioriza planejar a compra e aprendeu a controlar seu orçamento. Somente 19% garantem não ter feito alterações em seus hábitos de consumo. As maiores mudanças foram registradas entre os consumidores com idade acima de 30 anos e os pertencentes às classes A e B. Nestes dois grupos, 69% admitiram se tornar mais criteriosos nas compras. Outros 55% reduziram os gastos com lazer, enquanto 54% começaram a fazer pesquisas de preço antes de adquirir um produto. Já 52% ficaram mais atentos às promoções, buscando os preços menores.

Entre as práticas mais comuns, 51% buscaram economizar nos serviços de luz, água e telefone, pensando no valor da conta; 46% adotaram a substituição de produtos por marcas similares mais baratas, 44% passaram a controlar os gastos pessoais e da família e 43% começaram a evitar parcelamentos muito longos. “Cada família encontrou um jeito de lidar com a situação, sempre com o mesmo objetivo: fazer as despesas caberem no orçamento. Em momentos de sufoco financeiro, é importante os consumidores ficarem mais atentos aos gastos com itens supérfluos ou desnecessários e controlarem os gastos pessoais”, avalia a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Foram entrevistadas 805 pessoas acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais. O levantamento ocorreu de 10 a 22 de novembro de 2017 e os dados foram divulgados em fevereiro de 2018.

Compra de material de construção também experimenta novos hábitos

A pesquisa de preços online e a compra pela internet também ficaram mais rotineiras no período de crise, e se consolidaram como hábito do consumidor. No caso do varejo de material de construções, a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) detectou, através de pesquisa realizada pela PwC Brasil (PricewaterhouseCoopers Brasil), que 53% dos consumidores realizam pesquisa online antes de se dirigir a uma loja física para concretizar a compra. Porém, a venda pela internet ainda não está consolidada entre os consumidores de materiais de construção. Apenas 13% aderiram a essa modalidade de comércio no Brasil.

O mesmo ocorre com as categorias alimentos, móveis, objetos de decoração, onde a maioria ainda prefere visitar a loja física para experimentar, sentir e testar os produtos. No quesito material de construção, outro dado trazido pela PwC Brasil é que 88% dos entrevistados consideram que o nível de conhecimento do vendedor em relação ao produto é importante ou muito importante, assim como a possibilidade de verificar estoque em outras lojas da rede ou online (80%). As ofertas personalizadas (73%) também são valorizadas pelo consumidor do setor. “As tecnologias oferecem ao consumidor mais possibilidades de consumo personalizado, principalmente no comércio eletrônico. O varejo brasileiro tem muito potencial para crescimento e as empresas que apostarem em tecnologias disruptivas, como a Inteligência Artificial, estarão à frente das demais na oferta de produtos e experiências customizadas”, explica Ricardo Neves, sócio da PwC Brasil.

Entrevistados
- Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) (
via assessoria de imprensa)
- PwC Brasil (PricewaterhouseCoopers Brasil )(
via assessoria de imprensa)

Contatos
comunicacao@spcbrasil.org.br
ricardo.neves@br.pwc.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Produção de energia eólica no Brasil se equipara a Itaipu

Elementos de concreto podem ser produzidos no local de instalação dos parques eólicos. Crédito: Divulgação
Elementos de concreto podem ser produzidos no local de instalação dos parques eólicos. Crédito: Divulgação

A capacidade instalada de energia eólica no Brasil alcançou 12,763 gigawatts (GW) no começo de 2018, se aproximando da capacidade instalada da hidrelétrica de Itaipu (14 GW). Esse potencial foi atingido em menos de 10 anos. O primeiro leilão no país ocorreu em 2009. Até 2014, havia poucos parques eólicos no país. No entanto, a entrada da iniciativa privada no setor fez a geração de energia pelo vento dar um salto a partir de 2015. Atualmente, já representa 11% de todo o potencial energético brasileiro - principalmente em meses mais secos -, e com viés de alta.

Segundo dados da Global World Energy Council (GWEC), o Brasil alcançou o 8º lugar no ranking mundial de produção de energia eólica em 2017. Até o final de 2020, a expectativa é de que o país atinja a capacidade instalada de 18,63 GW. De acordo com a ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), a meta é de que nos próximos cinco anos a produção de energia pelo vento cresça 46% no país. “O Brasil vem galgando posições no ranking mundial de capacidade instalada total de energia eólica de forma consistente. Em 2015, nós entramos no ranking em 10º lugar e, desde então, subimos uma posição por ano”, diz nota da associação, assinada pela presidente Élbia Gannoum.

Segundo o professor Pedro Luiz Côrtes, do Programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP, o aumento da capacidade de geração de energia eólica no Brasil trará também ganhos ambientais. “Hoje, as usinas hidrelétricas são as principais fontes de energia e, quando as represas estão com baixa capacidade de armazenamento, a compensação é feita pelas termoelétricas, que possuem um grande impacto ambiental e são mais caras. Com o crescimento das eólicas, elas se tornam uma alternativa real para suprir a baixa demanda das hidrelétricas quando elas estiverem com seus reservatórios abaixo do normal”, diz.

Construção industrializada do concreto vira parceira da energia eólica

Atualmente, quem mais se beneficia dos parques eólicos no Brasil é a região nordeste. Em 2017, a energia produzida pelos ventos chegou a abastecer mais de 60% da região. O recorde foi batido em 30 de julho de 2017. A estiagem de seis anos causou forte impacto nas usinas da bacia do São Francisco, afetando a geração de energia hidrelétrica. As eólicas compensaram esse déficit e, no final de julho do ano passado, responderam por 64,2% da energia consumida na região, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS).

O Brasil possui atualmente 486 parques eólicos. Pela ordem, de acordo com a ABEEólica, Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul, Piauí, Pernambuco, Santa Catarina, Paraíba, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná são os dez maiores produtores de energia eólica do país. Parceira na construção de torres para sustentar os geradores, a construção industrializada de concreto encontrou no setor um nicho para expandir sua produção e implantar novas tecnologias.

Uma das vantagens da construção industrializada do concreto é que ela permite construir os elementos das torres no local de implantação do parque eólico, a partir da instalação de pequenas concreteiras nos canteiros de obras. Neste caso, em comparação com as torres que utilizam componentes de aço, o processo global de construção e montagem dos parques pode se mostrar mais barato e elimina grande parte da logística de transporte das estruturas pelas rodovias. Além disso, as torres de concreto pré-fabricado se mostram competitivas para alturas superiores a 100 metros, enquanto as de aço variam de 65 metros a 80 metros.

Confira gráficos sobre a produção global de energia eólica

Fonte: GWEC (Global Wind Energy Council).jpg
Fonte: GWEC (Global Wind Energy Council).jpg

Entrevistados
- ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica) (
via assessoria de imprensa)
- Pedro Luiz Côrtes, professor do Programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP
- Operador Nacional do Sistema (ONS)(
via assessoria de imprensa)

Contatos
selma@abeeolica.org.br
plcortes@usp.br
imprensa@ons.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Após queda, déficit habitacional volta à casa de 6 milhões

Em 2018, mercado aposta na retomada do programa Minha Casa Minha Vida para a faixa 1. 
Crédito: ministério das Cidades
Em 2018, mercado aposta na retomada do programa Minha Casa Minha Vida para a faixa 1. 
Crédito: ministério das Cidades

Entre 2007 e 2012, o déficit habitacional brasileiro teve a queda mais acentuada de sua história. Em cinco anos, reduziu 6,27%, baixando de 5,59 milhões de residências para 5,24 milhões. No entanto, a crise econômica que tomou o país entre 2014 e 2017 fez recrudescer o déficit, que voltou ao patamar de 6 milhões de habitações.

Dados da Fundação João Pinheiro revelam que o déficit habitacional atual no Brasil é de 6,1 milhões de domicílios. Segundo o estudo desenvolvido em parceria com o ministério das Cidades, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do Programa Habitar/Brasil/BID, os fatores para o crescimento do déficit foram a desaceleração da economia, o elevado número de desempregados, a alta nas taxas de juros e a restrição ao crédito.

A mesma análise avalia que o novo cenário econômico, combinando retomada do crescimento com queda acentuada dos juros, pode ajudar a reverter o quadro. Principalmente, nos segmentos contemplados pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Atualmente, a faixa 1, com renda mensal de até R$ 1,8 mil, paga juros entre 5% e 9,16% ao ano. Com a redução da taxa Selic, o estudo estima que as mensalidades tendem a baixar, estimulando as famílias a aderirem ao MCMV.

Em 2017, segundo dados do ministério das Cidades, o Minha Casa Minha Vida atendeu 320 mil famílias em 337 municípios do país, com investimento de R$ 6,31 bilhões. Para 2018, o estudo da Fundação João Pinheiro estima que o volume de recursos destinado às habitações de interesse social possa crescer 10%. Há também a expectativa de que caia a retomada de imóveis em função do não-pagamento de prestações de financiamento. Entre 2015 e 2016, a Caixa Econômica Federal conseguiu reaver 26 mil casas, que depois foram colocadas em leilão.

Mercado aposta no protagonismo da faixa popular

O estudo finaliza a análise com a seguinte avaliação: “Há uma previsão cristalizada entre os economistas e as entidades do segmento de que o ano de 2018 será mais positivo do que o anterior. A retomada do crescimento da economia é um dado positivo que reverterá o quadro observado em boa parte do ano passado.”

Pedro de Seixas, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em negócios imobiliários, diz que “o protagonismo da faixa popular” na recuperação do mercado imobiliário acontece, sobretudo, por causa do crédito. “Reflexo dessa evidência é que, numa comparação entre onze empresas incorporadoras focadas no mercado popular, elas foram responsáveis por 2/3 dos lançamentos e vendas no terceiro trimestre de 2017”, diz.

Ainda de acordo com o relatório da Fundação João Pinheiro, mesmo as incertezas quanto à aprovação das reformas pelo Congresso podem não ter peso relevante, pois com a atual configuração política os mercados já teriam precificado um possível insucesso. “Dessa forma, a possibilidade de nada acontecer não provocará abalos na economia capazes de reverter uma tendência positiva no mercado imobiliário”, conclui.

Veja o estudo completo da Fundação João Pinheiro

Entrevistado
Reportagem com base no relatório da Fundação João Pinheiro sobre o déficit habitacional brasileiro (
via assessoria de imprensa)

Contato: secretaria.geral@fjp.mg.gov.br 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Cem startups transformam a construção civil no mundo

Startups que trabalham com realidade aumentada e realidade virtual estão entre as que se destacam no novo mundo da construção. Crédito: Divulgação
Startups que trabalham com realidade aumentada e realidade virtual estão entre as que se destacam no novo mundo da construção. Crédito: Divulgação

Em 2017, 100 startups instaladas em 21 países, e vinculadas à indústria da construção civil, faturaram 735 milhões de dólares (aproximadamente 2,4 bilhões de reais). São empresas inovadoras, que estão agregando tecnologia em áreas que vão desde o gerenciamento de projetos até o controle de suprimentos no canteiro de obras. A maioria delas está nos Estados Unidos, mas se consolidam também no Canadá, França, Alemanha, Índia, Sérvia, Austrália, Holanda, Irlanda, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Noruega, Estônia, Rússia, Turquia, Israel, Chile e Brasil.

Através das startups, os smartphones se transformaram em ferramentas essenciais para todos os envolvidos no projeto. As informações podem ser compartilhadas na nuvem, o BIM tornou-se o software-padrão nas obras, os drones viraram os olhos do empreiteiro e a Inteligência Artificial e a robótica permitiram dar velocidade ao cronograma.

Os avanços obtidos pelas startups vão além do canteiro de obras. Depois que a edificação é concluída, há um segmento destas empresas tecnológicas que gerencia a vida útil do empreendimento. Se o prédio possui certificações de sustentabilidade, são elas que vão tratar de todas as demandas relacionadas à conservação do prédio verde. 

Segundo a consultoria norte-americana CB Insights, as startups já estão atuando em 10 categorias ligadas à construção civil, que são: gerenciamento de projetos, marketplace, compartilhamento de equipamentos, AR/VR (Realidade Aumentada e Realidade Virtual), robótica, tecnologia de design, gestão da cadeia de suprimentos, gerenciamento de risco, monitoramento e segurança e gestão financeira.

Entre as 100 startups que já despontam como protagonistas no setor da construção civil, uma já pode ser considerada gigante. É a californiana KATERRA, que em janeiro de 2018 aliou-se ao SoftBank Investment Advisers para captar 865 milhões de dólares e aprofundar sua atuação em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). O objetivo da KATERRA é fornecer softwares personalizados para cada projeto. A ferramenta vai gerenciar toda a obra, dizendo o que fazer, como fazer e quando fazer. 

Construção civil ainda é o setor com menores níveis de tecnologia embarcada

Jeffrey Housenbold, sócio-gerente da SoftBank Investment Advisers, explica por que decidiu investir na KATERRA. “O setor de construção movimenta 12 trilhões de dólares por ano em todo o mundo. Ele é formado por dezenas de milhares de empresas que usam níveis mínimos de tecnologia. Embora o crescimento da produtividade do trabalho tenha aumentado vertiginosamente na economia global, a indústria da construção teve, em média, apenas 1% de crescimento anual da produtividade nas últimas duas décadas. Ou seja, é um ambiente fértil para o desenvolvimento de tecnologias, e as startups chegaram para operar essa revolução no setor”, diz.

No Brasil, a startup que aparece no ranking da CB Insights é a Construct, localizada em Porto Alegre-RS. A empresa desenvolve plataformas de comunicação para equipes em projetos de construção. A ferramenta possibilita que construtores, engenheiros, arquitetos e subcontratados colaborem em tempo real, criem relatórios instantaneamente, marquem as plantas digitais e documentem rapidamente todas as decisões tomadas no canteiro de obras.

Mesmo com uma startup brasileira se destacando em um ranking global, ainda há um vasto campo de atuação inexplorado dentro da construção civil do país, a começar pela disseminação da tecnologia BIM (Building Information Modeling). Segundo análise do Sebrae Inteligência Setorial, a construção civil nacional precisa vencer as barreiras da informalidade, da burocracia, das questões regulatórias e da baixa qualificação da mão de obra para que as startups possam se desenvolver no setor.

Confira as 100 startups que estão mudando a construção civil no mundo

1. Buildcon 

2. BuildingConnected

3. Pantera Global Technology

4. ALICE Technologies

5. BusyBusy

6. Fibo

7. CINX

8. Drawboard

9. Cloud Takeoff

10. Bouw7

11. Bridgit

12. BuilderTREND Solutions

13. BuildUp Technologies

14. BulldozAIR

15. Construct

16. EIDA Solutions

17. eSUB Construction Software

18. Falcon Brick

19. Leansite

20. Fieldly

21. Fieldwire

22. GenieBelt

23. Ipsum

24. Newforma

25. NoteVault

26. PlanGrid

27. think project! International

28. Procore Technologies

29. Blue Ronin (dba Basestone)

30. Rhumbix

31. Vernox Labs

32. Uptake Technologies

33. Abvent

34. DotProduct

35. Flux Factory

36. Graitec

37. IMERSO

38. Onshape

39. onTarget

40. Revizto (dba Vizerra)

41. Smartbim

42. Technical Sales International

43. Joist

44. BuildPay

45. HoloBuilder

46. InsiteVR

47. IrisVR

48. Pandora Augmented & Virtual Reality Technologies

49. ShilpMIS Technologies

50. Sensopia & MagicPlan

51. Scope AR

52. CBOT

53. Endless Robotics

54. Construction Robotics

55. Cooper Gray Robotics

56. AirZaar

57. Dronomy

58. Propeller Aerobotics

59. Skycatch

60. TraceAir Technologies

61. Unearth Technologies

62. DroneDeploy

63. Airware

64. 3D Robotics

65. BetterView

66. Viloc

67. Hyphen Solutions

68. SmartEquip

69. Katerra

70. Dozr

71. EquipmentShare

72. Equippo

73. Getable

74. Kwipped

75. Machinio

76. VeriTread

77. Buildkar

78. Builk

79. Con-Conn

80. OfBusiness

81. BuildZoom

82. Viirt

83. Swee10 (dba Sweeten)

84. Architizer

85. Work Today

86. Buildmetric

87. Raken

88. Express Lien (dba Zlien)

89. Biosite Systems

90. Capital Construction Solutions

91. Ackcio

92. BuildSafe

93. Einsite

94. FINALCAD

95. Modustri

96. Pavia Systems

97. Pillar Technologies

98. Xlsys Technologies (dba QwikSpec)

99. SignOnSite

100. Human Condition Safety

Entrevistado
Reportagem com base em relatório da CB Insights, consultoria em novas tecnologias (
via assessoria de imprensa)

Contatos
info@cbinsights.com
Media@katerra.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Passarela que caiu em Miami era 1ª em concreto autolimpante

Obra tinha características únicas e queria entrar para a história da construção civil dos EUA por agregar várias tecnologias em um só projeto

Estrutura foi instalada em um dia e caiu subitamente quando equipe de montagem iria acoplá-la aos estais
. Crédito: AP
Estrutura foi instalada em um dia e caiu subitamente quando equipe de montagem iria acoplá-la aos estais
. Crédito: AP

A passarela de pedestres que desabou dia 15 março de 2018, no campus da Universidade Internacional da Flórida, em Miami-EUA, era a primeira 100% construída com concreto autolimpante. O material tem dióxido de titânio entre seus agregados e, quando exposto à luz solar, captura as partículas poluentes do ar que se depositam na superfície do concreto, promovendo a autolimpeza.

Ainda não é possível afirmar se a resistência do concreto influenciou no colapso da estrutura. Os organismos de investigação dos Estados Unidos avaliam que o laudo oficial sobre o acidente só sairá daqui a 18 meses. Como a passarela era estaiada e foi construída com elementos pré-fabricados, as análises recairão sobre a tensão excessiva dos pontos para instalar os estais e as rachaduras detectadas em elementos do concreto autolimpante.

O acidente causou seis mortes e destruiu oito carros que foram atingidos pelos escombros, apesar da passarela ter características únicas. Com 12 metros de largura e 53 metros de comprimento, a estrutura de 950 toneladas foi projetada para resistir a um furacão de categoria 5, ter durabilidade superior a 100 anos e concebida para entrar para a história da construção civil norte-americana como a primeira a usar um sistema de montagem totalmente controlado por computadores.

O vão central da passarela chegou ao local da montagem transportado por dois caminhões-guindaste. A estrutura seria encaixada nos pilares usando tecnologia de precisão. Em seguida, deveria ser fixada nos estais, quando houve o colapso e o desabamento. “Ainda há muita especulação sobre a causa, mas parece claro que houve estresse em um cabo pós-tensão quando ele estava sendo ajustado no momento do colapso”, diz o engenheiro civil Bill Palmer, membro do American Concrete Institute, da American Society of Concrete Contractors (ASCC) e da The Masonry Society.

Construtores buscavam inovação, mas esqueceram de escorar a passarela

Embora as autoridades da Flórida insistam que nenhuma conclusão pode ser tirada até uma investigação completa, Amjad Aref, professor do departamento de engenharia civil, estrutural e ambiental da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, também emitiu um diagnóstico. Para ele, o vão da passarela deveria ter sido estabilizado com escoras temporárias até que todas as conexões com os estais fossem concluídas. "A instabilidade da estrutura fez com que o sistema passasse rapidamente por um colapso desproporcional", analisou.

A passarela foi construída ao custo de 14,2 milhões de dólares (cerca de 45 milhões de reais). O projeto é da FIGG Bridge Design e a execução estava a cargo da Munilla Construction Management (MCM), que apostou no sistema construtivo conhecido como Accelerated Bridge Construction (ABC). A passarela ficaria a 9 metros de altura, permitindo a passagem de pedestres sobre uma das avenidas mais movimentadas de Miami, e que cruza o campus da Universidade Internacional da Flórida. “Seguramente, todas as tecnologias envolvidas na construção da passarela passarão a ser questionadas. Ninguém sai de um acidente como esse sem danos”, finaliza Bill Palmer.

Veja vídeo da queda da passarela

Entrevistado
Engenheiro civil Bill Palmer, membro do American Concrete Institute, da American Society of Concrete Contractors (ASCC) e da The Masonry Society

Contato: palmer@hanleywood.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fórum mundial da água ajuda a destravar o Plansab

Evento realizado em Brasília mostra caminhos para o Plano Nacional de Saneamento Básico sair do papel e estimular indústria da construção

Fórum Mundial da Água reafirmou compromissos do país com obras de saneamento básico
. Crédito: Jorge Cardoso/8º FMA
Fórum Mundial da Água reafirmou compromissos do país com obras de saneamento básico
. Crédito: Jorge Cardoso/8º FMA

O 8º Fórum Mundial da Água, realizado de 18 a 23 de março de 2018, em Brasília, deixou claro que o investimento em saneamento básico é uma janela de oportunidades para a construção civil. Dentro do país existe até um plano de governo, o Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico), que traça estratégia ambiciosa para universalizar as redes de abastecimento de água e de coleta de esgoto nos 5.561 municípios brasileiros. Lançado em 2013, ele previa o aporte de recursos na ordem de R$ 304 bilhões no prazo de 20 anos. O problema é que o programa praticamente não saiu do papel. Com o Fórum Mundial da Água, ressurge a chance do Plansab ser implantado integralmente.

Os debates em torno do Plano Nacional de Saneamento Básico ocorreram em sessões temáticas promovidas pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) dentro do Fórum Mundial da Água. Em um dos seminários, a representante da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assamae), Ana Carolina Figur, afirmou que a universalização desses serviços no Brasil ainda é um desafio. “São quase 35 milhões de pessoas sem acesso à água potável e quase 100 milhões sem acesso à coleta de esgoto no país”, destacou. Figur mostrou ainda a necessidade de equilibrar a sustentabilidade financeira dos sistemas com a proteção das populações de baixa renda para combater o déficit no saneamento básico.

Apesar do Fórum Mundial da Água ter gerado o consenso de que investir em saneamento não é opção, mas necessidade, números da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) mostram que, no Brasil, as metas da Plansab ficaram defasadas. O compromisso inicial era atingir a universalização em 2033. No entanto, nem esse prazo nem o aporte inicial de recursos já são suficientes para o cumprimento do plano. O ministério das Cidades admite o atraso e avalia que se o programa fosse retomado em sua plenitude, em 2018, ele só seria concluído em 2040 e a um custo de 400 bilhões de reais. A culpa é dividida com as prefeituras, que, segundo o próprio ministério, estão endividadas e sem condições de financiar repasses federais.

Sem parcerias público-privadas dificilmente o Plansab sai do papel

Entre as soluções apontadas nas sessões temáticas que a CBIC realizou dentro do fórum estão as parcerias público-privadas (PPPs). Dos seminários saiu uma pauta de ação conjunta com a Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) e o Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Sindcon). Ambos defendem que o desenvolvimento rápido e eficiente dos serviços de saneamento no país só será viabilizado através de PPPs. “Ninguém desconhece a crise fiscal e as restrições orçamentárias do Brasil, mas não dá para aceitar esse tipo de tratamento, principalmente para as obras de saneamento. Estamos trabalhando na direção de parcerias, concessões ou locação de ativos que podem gerar desenvolvimento e estímulo para a área e, consequentemente, gerar demanda para o segmento da indústria da construção que atuar no setor de saneamento”, disse o presidente da Comissão de Infraestrutura da CBIC, Carlos Eduardo Lima Jorge.

Entrevistado
Reportagem com base em depoimentos concedidos nas sessões temáticas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), dentro do 8º Fórum Mundial da Água

Contatos
contact@worldwaterforum8.org
comunica@cbic.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Veja as cidades que mais atraem engenheiros talentosos

Pesquisa mostra que, no Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília aparecem entre as 100 metrópoles que mais instigam novos profissionais

O ranking aponta as razões que fazem as cidades atraírem mais talentos. Entre elas, estão universidades adaptadas às necessidade do mercado, flexibilidade nas legislações trabalhistas e incentivo à criação de startups. “O fator humano é o recurso mais importante para a competitividade de um país. Por isso, as nações que são líderes mundiais nesse ranking têm sistemas educacionais que se adaptam rapidamente à necessidade do mercado de trabalho. Também oferecem empregos mais flexíveis e legislação que facilita a criação de startups e de novos empreendimentos”, explica a introdução do estudo.

Para o CEO do Grupo Adecco, Alain Dehaze, um dos financiadores da pesquisa, a atração de profissionais talentosos exige que as empresas estejam dispostas a serem ágeis e flexíveis para atender a mudanças rápidas e, geralmente, férteis. “Isso significa rever a verticalização do comando e a hierarquização dos postos para uma estrutura plana e colaborativa. Saem os departamentos estanques e entram as equipes multidisciplinares. Também é preciso que os governos dêem ferramentas para que as empresas tenham segurança jurídica para implantar essas inovações organizacionais, a fim de que possam atrair cérebros”, comenta.

Cinco pontos que resumem como captar cérebros

O relatório do GTCI detectou nas entrevistas que as cidades e as corporações apostam na diversidade de talentos para construir equipes inovadoras e atender às necessidades dos mercados. Por isso, procuram criar ambientes multiculturais, estimulando a migração de cérebros de várias partes do mundo. “Esse é o ambiente que gera eficiência, competitividade e inovação”, define o documento, que detectou cinco pontos que começam a ser consenso entre os governos e as empresas que buscam captar talentos:
  1. Aprender a atrair e aproveitar talentos;
  2. A diversidade de conhecimento, de experiências e de perspectivas é que levam à inovação;
  3. Inclusão e diversidade devem andar de mãos dadas nos projetos inovadores;
  4. Os sistemas educacionais têm uma responsabilidade crucial na construção das novas competências;
  5. A capacidade de alavancar talentos requer liderança ousada e visionária no nível das organizações, das cidades e das nações.

Lançado em 2013, o GTCI é um estudo anual que classifica os países e as principais cidades quanto à sua capacidade de atrair, desenvolver e reter talentos. Criado pelo Instituto Europeu de Administração de Empresas (INSEAD), o Grupo Adecco e a TATA Communications, a GTCI fornece uma ferramenta de benchmarking para governos, cidades, empresas e organizações sem fins lucrativos, a fim de ajudar a projetar suas estratégias para atrair talentos, superar as incompatibilidades e serem competitivas no mercado global.

Leia a íntegra da pesquisa do Global Talent Competitiveness Index

Entrevistado
Reportagem com base no relatório da Global Talent Competitiveness Index (GTCI)

Contato: fondation@adeccogroup.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Madeira substitui o aço em estruturas de concreto

Duas universidades norte-americanas atuam em pesquisas que prometem tornar material mais resistente, leve e sustentável

Liangbing Hu (esq.) e Teng Li (dir.) são os engenheiros da universidade de Maryland que estão à frente da pesquisa com a “supermadeira”. Crédito: University of Maryland
Liangbing Hu (esq.) e Teng Li (dir.) são os engenheiros da universidade de Maryland que estão à frente da pesquisa com a “supermadeira”. Crédito: University of Maryland

Vergalhões de aço estão associados às estruturas de concreto desde a origem do concreto armado. Agora, dois grupos de pesquisadores estão empenhados em criar alternativas que permitam à madeira substituir o aço como elemento estrutural do concreto. Um dos estudos está em desenvolvimento na Universidade de Maryland-EUA, onde o departamento de engenharia de materiais conseguiu criar o que foi batizado de “supermadeira”.

O produto de laboratório é citado como 12 vezes mais forte que as madeiras mais resistentes conhecidas na natureza: tília, carvalho e álamo. Na mesma linha de pesquisa, o departamento de engenharia de materiais da universidade de Purdue-EUA conseguiu produzir concreto com nanoestruturas de madeira, o que, segundo os pesquisadores, torna o material mais leve e mais resistente. O experimento prepara-se para ser testado em uma ponte que será construída na Califórnia, a partir de maio de 2018.

À frente da pesquisa na Universidade de Maryland está o professor-associado do departamento de engenharia de materiais, Liangbing Hu. Recentemente ele publicou artigo no periódico científico Nature sobre a “supermadeira”. "É um tipo de madeira que pode ser usado em automóveis, aviões, edifícios e em qualquer aplicação em que se use aço", diz. Sobre o processo de produção de material, ele afirma que o segredo está no tratamento químico para a extração parcial de moléculas de lignina - polímero responsável pela cor amarronzada e a rigidez da madeira.

Após o processo de extração da lignina, a madeira é comprimida, de forma que as fibras de celulose ficam 80% mais próximas umas das outras. A compressão destrói eventuais defeitos na madeira, como buracos e nós, e a lignina que fica no material completa o serviço, agregando e fortalecendo a “supermadeira”. "A supermadeira é tão forte quanto o aço, mas seis vezes mais leve", diz Hu, que realizou os testes utilizando fibras de tília, carvalho e álamo, misturadas a fibras de cedro e pinheiro.

Nanotecnologia injeta celulose no concreto

Blocos de concreto com nanocristais de celulose: material, agora, será usado em construção de ponte. Crédito: Purdue University
Blocos de concreto com nanocristais de celulose: material, agora, será usado em construção de ponte. Crédito: Purdue University

Na universidade de Purdue, os pesquisadores têm injetado nanocristais de celulose no concreto para tornar o material mais leve e mais sustentável. Segundo Jeffrey Youngblood, professor de engenharia de materiais, e que está à frente do projeto, os primeiros testes mostraram que a emissão de CO2 diminuiu 8% com o uso das nanoestruturas de madeira. “Os nanocristais de celulose tornam o concreto mais forte por meio de uma reação química que aumenta a hidratação das partículas de cimento, sem que, necessariamente, seja preciso usar mais água na composição do concreto”, diz Jeffrey Youngblood.

Os pesquisadores revelam que os nanocristais de celulose “induzem” a água a preencher espaços que, no concreto comum, costumam não sofrer a hidratação correta, o que dificulta a resistência e a durabilidade do concreto. A aplicação prática do novo material se dará na construção de uma ponte com 10 metros de comprimento, na Califórnia, em parceria entre a universidade de Purdue, a universidade de Oregon e a P3Nano, uma startup californiana que busca parceria na construção civil norte-americana para aplicar inovações tecnológicas em obras.

Entrevistados
- Professor-associado do departamento de engenharia de materiais da universidade de Maryland-EUA , Liangbing Hu (
via assessoria de imprensa)
- Professor de engenharia de materiais da universidade de Purdue-EUA , Jeffrey Youngblood (
via assessoria de imprensa)

Contatos
binghu@umd.edu
innovation@prf.org

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Há 40 anos, nasciam fundamentos do selo de qualidade ABCP

Indústria de cimento foi o primeiro segmento industrial a possuir marca de conformidade da ABNT, lançando as bases para a certificação

Fernando Dalbon, da ABCP: normas técnicas balizam os programas de certificação da ABCP. Crédito: ABCP
Fernando Dalbon, da ABCP: normas técnicas balizam os programas de certificação da ABCP. Crédito: ABCP

A garantia de que fabricantes de cimento, de artefatos de cimento e de elementos pré-fabricados de concreto atendem as normas técnicas da ABNT e de organismos similares de normalização técnica está nos selos de qualidade. Entre os organismos que chancelam esses selos, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) é pioneira. Os fundamentos para a certificação nasceram em 1978, quando a indústria de cimento foi o primeiro segmento industrial a obter a marca de conformidade da ABNT. A partir daquele ano, como explica Fernando Dalbon, coordenador da área de certificação da ABCP, consolidaram-se os conceitos para que o selo de qualidade da associação abrangesse não apenas o Cimento Portland, mas também blocos de concreto, peças de concreto para pavimentação, pavimentos permeáveis e placas de concreto de substrato-padrão. Entenda o que é o selo de qualidade da ABCP na entrevista a seguir:

O selo de qualidade da ABCP abrange quais produtos atualmente?

A ABCP dispõe dos seguintes programas de certificação: Cimento Portland, blocos de concreto, peças de concreto para pavimentação, pavimentos permeáveis e placas de concreto de substrato-padrão (argamassas).

Quando o selo foi criado e quantas atualizações ele já sofreu?

Em 1978, a indústria de cimento foi o primeiro ramo industrial a possuir a marca de conformidade da ABNT. Coube à ABCP, naquela oportunidade, a responsabilidade pelo controle de qualidade dos cimentos brasileiros, através de convênio específico lavrado com a ABNT. Em 1991, a ABCP passou a conceder seu próprio selo de qualidade e, a partir de 1998, o selo de qualidade ABCP para cimento passou a atender ao compromisso da indústria frente ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), cuja meta inicial era elevar para 90% o percentual médio de conformidade com as normas técnicas dos produtos que compõem a cesta básica de materiais de construção. De todos os produtos dessa cesta básica, o cimento se destaca, atualmente, por ter alcançado o maior índice de conformidade, ou seja, 99%. Posteriormente, em 2002, foi iniciado o programa de certificação para blocos de concreto e peças de concreto para pavimentação. Recentemente, no primeiro trimestre de 2016, foi implantada a certificação para pavimentos permeáveis e, em 2017, começou a certificação para placas de substrato-padrão.

Como ocorrem as atualizações destas certificações?

As atualizações nos diferentes programas ocorrem periodicamente, observando sempre as atualizações tecnológicas e normativas, melhores práticas, otimização, desempenho e qualidade do produto final, além de questões envolvendo a segurança dos trabalhadores, processo produtivo e meio ambiente.

As normas técnicas influenciam de que forma na formatação do selo de qualidade?

Todos os programas de certificação da ABCP possuem como critério de avaliação da conformidade o especificado pelas normas brasileiras vigentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O objetivo é sempre apresentar ao mercado uma avaliação adequada de produto final, tecnicamente qualificado. Além da certificação de produtos, a ABCP recebeu em fevereiro de 2016, da Cgcre/INMETRO, a acreditação para atuar como organismo certificador de produtos, tendo também que seguir as diretrizes de normas ABNT/ISO, específicas para esta atividade. Além disso, no caso de Cimento Portland, blocos de concreto e peças de concreto para pavimentação, devem ser seguidas as diretrizes do regimento do Sistema da Qualificação de Empresas de Materiais, Componentes e Sistemas Construtivos (Simac) para o Programa Setorial da Qualidade (PSQ), que atua no âmbito do PBQP-H do ministério das Cidades.

“Programas de certificação traduzem ao consumidor final a avaliação técnica e sistemática da conformidade apresentada por um determinado fabricante.”

Atualmente, quantos filiados da ABCP têm o selo de qualidade?

Dentre os diferentes programas de certificação da ABCP possuímos um total de 176 empresas qualificadas, representando um total de 606 produtos avaliados. Em 2017, para avaliação da qualificação, foram realizados mais de 2.000 ensaios e 120 auditorias técnicas nos produtores.

De que forma ter o selo de qualidade influencia em licitações?

A certificação de produtos é voluntária, porém os critérios de qualificação de fornecedores são cada vez mais exigidos pelos consumidores finais. Isso tem sido aprimorado ano a ano, graças aos programas de certificação, que traduzem ao consumidor final a avaliação técnica e sistemática da conformidade apresentada por um determinado fabricante. No caso de licitações, a lei federal 8.666/1993 que dispõe sobre normas gerais para  licitações e contratos administrativos, estabelece em seu artigo 2º a necessidade dos materiais adquiridos atenderem às normas técnicas, podendo desta forma, o programa de certificação ser uma ferramenta de avaliação da conformidade. Vale ressaltar que, para produtos que compõem os programas setoriais da qualidade (PSQs), a portaria 267 do ministério das Cidades dispõe sobre a necessidade dos produtos atenderem à qualidade, produtividade e sustentabilidade, principalmente na utilização de materiais de construção produzidos em conformidade com as normas técnicas brasileiras.

Quanto às placas de substrato-padrão, existe alguma diferença em relação às outras certificações?

No caso das placas de substrato-padrão, que são produtos utilizados para a avaliação técnica de argamassas, a necessidade de se ter um produto de qualidade se faz ainda mais rigorosa. Esse produto é utilizado como padrão para a avaliação da conformidade de outros materiais, podendo influenciar significativamente o resultado final da argamassa ensaiada. O processo de certificação das placas de substrato-padrão realizado pela ABCP tem como critério de qualificação a realização de ensaios em cada lote produzido, a fim de prover maior segurança à empresa que utilizará o produto. Para o consumidor final, é sempre muito importante atentar que o produto adquirido esteja atendendo a respectiva normativa técnica, o que traz segurança para sua obra. É mais econômico, e é um direito previsto no Código de Defesa do Consumidor.

Entrevistado 
Engenheiro ambiental Fernando Dalbon, coordenador da área de certificação da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), representante
da ABCP no fórum de gerentes do Programa Setorial da Qualidade - PBQP-H e membro da comissão de estudos de normas de Cimento Portland e artefatos de concreto, vinculada ao ABNT-CB-18

Contato: fernando.dalbon@abcp.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Copa 2018 será a última sem estádios descartáveis

Inutilidade das instalações, após grandes eventos esportivos, leva engenharia a buscar soluções que permitam desmontar 100% das grandes estruturas

A Copa do Mundo de 2018 será a última sem estádios descartáveis. Uma das principais preocupações dos países que promovem eventos da magnitude de mundiais de futebol e jogos olímpicos é a inutilidade das instalações, após as competições. Desde Pequim 2008, o tema sustentabilidade é debatido pelos organizadores, mas pouco ainda foi feito. Londres 2012 conseguiu alguns avanços ao transferir a gestão de obras para a iniciativa privada, sem onerar o poder público. Mas na África do Sul (Copa do Mundo de 2010) e no Brasil (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016) muitas instalações ficaram ociosas e geraram prejuízos milionários.

Estádio olímpico de PyeongChang, na Coreia do Sul: uma semana após o evento começou a ser desmontado. Crédito: USATSI
Estádio olímpico de PyeongChang, na Coreia do Sul: uma semana após o evento começou a ser desmontado. Crédito: USATSI

O mesmo tende a acontecer na Rússia depois de 15 de julho, quando terminar a Copa no país. Atento ao problema, o Catar - sede da Copa de 2022 - anuncia que construirá “estádios descartáveis”. Ou seja, após o evento, suas estruturas serão desmontadas para que, nos terrenos, nasçam obras de maior utilidade à população local. O país busca não repetir os erros de outras nações que sediaram a Copa do Mundo recentemente, mas também se inspira na política adotada pela Coreia do Sul como país-sede dos jogos olímpicos de inverno, disputados em fevereiro de 2018.

O estádio pentagonal com 35 mil lugares, e construído ao custo de 60 milhões de dólares (cerca de 190 milhões de reais) na cidade de PyeongChang, foi construído para receber as cerimônias de abertura e encerramento dos jogos sul-coreanos. Utilizando estruturas de aço, a edificação começou a ser desmontada uma semana após o fim do evento. Apenas as fundações em concreto serão utilizadas para que, no local, seja construído um museu e outras instalações de lazer, conforme a concepção original do projeto. A ideia teve o apoio do COI (Comitê Olímpico Internacional), que, em recente relatório, se mostrou convencido de que grandes eventos acabam deixando “elefantes brancos” pelo caminho.

Estádio para 40 mil lugares vai dar lugar a um parque no Catar

Estádio Ras Abu Aboud, projetado para a Copa do Catar, em 2022: contêineres, estruturas de aço e concreto pré-fabricado. Crédito: Fenwick Iribarren Architects
Estádio Ras Abu Aboud, projetado para a Copa do Catar, em 2022: contêineres, estruturas de aço e concreto pré-fabricado. Crédito: Fenwick Iribarren Architects

A Fifa também se rendeu à realidade de que a Copa do Mundo gera muitos estádios que, após o evento, acabam se transformando em estruturas onerosas para as comunidades em que eles foram construídos. Por isso, autorizou o Catar a experimentar o conceito de “estádio descartável”. O Ras Abu Aboud, com capacidade para 40 mil lugares, vai utilizar estruturas de aço e compartimentos de contêineres para abrigar camarotes, cabines de imprensa e instalações como banheiros e áreas de alimentação. Ao final da Copa, a estrutura será desmontada e no local nascerá um parque às margens do porto de Doha.

A construção do estádio começa em 2019 e o prazo de conclusão é 2020 - dois anos antes do próximo evento da Fifa. Já a Rússia, que preferiu seguir o modelo de Copa adotado no Brasil, começou a calcular os prejuízos com instalações que ficarão inoperantes após o mundial.  Dos 12 estádios russos, estima-se que seis se tornarão ociosos. O governo, tentando minimizar os prejuízos, decidiu processar as construtoras, sob a alegação de que elas atrasaram cronogramas e projetaram construções sem pensar na sustentabilidade. O pedido de indenização é ínfimo, perto do prejuízo estimado. O comitê organizador da Copa 2018 pede 51 milhões de dólares (perto de 155 milhões de reais), mas calcula perdas que devem ultrapassar 1 bilhão de dólares (aproximadamente 3,3 bilhões de reais). 

Entrevistado
Reportagem com base em relatórios de sustentabilidade do COI e da Fifa
(via assessorias de imprensa)

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330