EUA revisam código de ética dos engenheiros. E no Brasil?
Documento reafirma fundamentos básicos da profissão e pode balizar futura atualização no Brasil, que fica a cargo do Confea/CREA

A sociedade nacional de profissionais da engenharia (NSPE, da sigla em inglês), que fiscaliza a profissão nos Estados Unidos, decidiu revisar o código de ética dos engenheiros. O novo documento inclui questões como delação premiada, comprometimento público com a transparência e define sanções profissionais a quem se envolver em atos como corrupção.
Não fossem nos EUA, pareceria se tratar de outro país. Porém, no Brasil, apesar dos escândalos revelados pela operação Lava Jato, os quais também envolveram engenheiros, o código de ética segue inalterado. No país, tal documento é de responsabilidade do Confea/CREA, cuja mais recente atualização ocorreu em 2002.
Em seu preâmbulo, o código de ética revisado para engenheiros norte-americanos define como a NSPE entende a profissão. “Engenharia é uma profissão importante. Como membros desta profissão, os engenheiros devem exibir os mais altos padrões de honestidade e integridade. A engenharia tem um impacto direto e vital sobre a qualidade de vida de todas as pessoas. Assim, os serviços prestados pelos engenheiros exigem honestidade, imparcialidade e equidade, e devem ser dedicados à proteção da saúde pública, segurança e bem-estar. Os engenheiros devem atuar sob um padrão de comportamento profissional que exige a adesão aos princípios mais elevados de conduta ética”, diz.
O código que baliza o comportamento ético dos engenheiros nos Estados Unidos tem seis fundamentos básicos:
1. Preservar a máxima segurança, saúde e bem-estar do público.
2. Realizar serviços apenas em áreas de sua competência.
3. Emitir declarações públicas apenas de forma objetiva e verdadeira.
4. Agir para cada empregador ou cliente como um curador, no sentido de zelar pela obra.
5. Evitar atos enganosos.
6. Conduzir-se honrosamente, de forma responsável, ética e legalmente, de modo a aumentar a honra, reputação e utilidade da profissão.
Confea/CREA atualizou código de ética em 2002
Desde 1947, o código de ética dos engenheiros norte-americanos tem sofrido constantes atualizações pela NSPE. A mais recente foi publicada em abri de 2017. No Brasil, a mais nova atualização é de 2002, com entrada em vigor em 2003. O documento revisou itens da primeira edição, publicada em 1971, com o objetivo de orientar os engenheiros que entravam no mercado de trabalho no início do século 21. “O mundo do século XXI precisa estar presente em nosso aparato ético, e a atualização proporcionada pela Resolução nº 1002/2002 revigora um estatuto cuja essência permanece um símbolo da capacidade de nossos profissionais autorregularem suas demandas, em convergência com os anseios do público externo”, disse o Confea/CREA, quando da publicação do código de ética.
Em dezembro de 2014, para estar mais presente junto aos engenheiros, o organismo lançou uma versão de bolso do código de ética. O documento também passou por reforma quando houve a saída dos arquitetos da guarda do Confea/CREA, com a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) no final de 2010. Hoje, o código de ética abrange engenheiros, agrônomos, geólogos, geógrafos e meteorologistas. Mais recentemente, em função da operação Lava Jato, que arrolou vários engenheiros em seus processos e condenações, o Confea/CREA criou um grupo de trabalho, denominado GT Ética Profissional, para preparar uma nova atualização. Um dos pontos relevantes é o artigo 75, que trata do “cancelamento de registro” em casos de “má conduta e escândalos praticados pelo profissional ou sua condenação definitiva por crime considerado infamante”. Foi concluída uma minuta que agora tramita pelos vários conselhos do Confea/CREA, mas ainda sem prazo para a atualização no código de ética.
Veja o código de ética atualizado pela NSPE
Veja o código de ética do Confea/CREA
Entrevistados
• National Society of Professional Engineers (NSPE) (via assessoria de imprensa)
• Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) (via assessoria de imprensa)
Contatos
pr@nspe.org
gco@confea.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Revestimento a base de concreto resiste a terremotos
Composto cimentício foi desenvolvido em parceria entre Canadá e Índia e as primeiras aplicações ocorrem em escolas indianas

A Universidade da Columbia Britânica (UCB), em Vancouver, no Canadá, desenvolveu um revestimento a base de concreto capaz de criar camadas ultrarresistentes sobre paredes de vedação. O material torna-as suficientemente fortes para suportar terremotos de até 9 graus na escala Richter.
O concreto foi batizado de Eco-friendly Ductile Cementitious Composite (EDCC) [composto de cimento dúctil eco-amigável]. Projetado em escala molecular, e reforçado com fibras, o material tem alta maleabilidade em estado pastoso e ductibilidade comparável à do aço quando endurece. Isso permite que ele seja pulverizado sobre as paredes, facilitando sua aplicação. No entanto, a aplicação do EDCC requer que o material que irá recebê-lo possua elementos cimentícios.
Um dos pesquisadores, Salman Soleimani-Dashtaki, que faz doutorado no departamento de engenharia civil da UCB, explica que uma camada de 10 milímetros de espessura é suficiente para reforçar a maioria das paredes de vedação contra abalos. “Nos testes que realizamos, aplicamos o EDCC sobre uma parede de blocos de concreto e depois simulamos tremores. Não conseguimos quebrar o revestimento", explica.
EDCC combina Cimento Portland com fibras à base de polímeros, fly ash (cinza volante resultante da queima do carvão de termelétricas) e aditivos. "O concreto resistente ao terremoto é um ótimo exemplo de como a pesquisa aplicada em nossas universidades públicas está desenvolvendo uma geração voltada para a inovação e o empreendedorismo", avalia Melanie Mark, professora da disciplina voltada para a inovação na construção do departamento de engenharia civil da UBC.
EDCC tem múltiplas aplicações

A pesquisa foi coordenada por Nemy Banthia, também do departamento de engenharia civil da Universidade da Columbia Britânica, e financiada pelo Centro de Excelência de Pesquisa Canadá-Índia (IC-IMPACTS) hospedado pela UBC, e que funciona em parceria entre os governos do Canadá e da Índia. O valor do investimento é de US$ 60 milhões (cerca de R$ 100 milhões).
A aplicação prática do EDCC pelo IC-IMPACTS ocorreu em novembro de 2017, em uma escola na cidade indiana de Roorkee, no norte do país asiático, e que é altamente vulnerável a abalos sísmicos. O revestimento também foi aplicado em uma creche pública em Vancouver. Neste caso, para testar o desempenho acústico-térmico das paredes.
Outras obras em que o EDCC pode ser aplicado são casas em áreas sujeitas a tremores, além de oleodutos, pavimentos, plataformas offshore, estruturas resistentes a explosões e pisos industriais. "Esta tecnologia está ganhando atenção significativa na Índia e proporcionará às nossas empresas canadenses uma forte vantagem competitiva no crescente mercado global de infraestrutura", acrescenta Banthia, que também atua como diretor-científico da IC-IMPACTS.
Veja aplicação do EDCC no laboratório da UCB
Entrevistado
Engenheiro civil Nemkumar (Nemy) Banthia, Ph.D em materiais e estruturas de concreto e diretor-técnico do Centro de Excelência de Pesquisa Canadá-Índia (IC-IMPACTS)
Contato: info@apsc.ubc.ca
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Novo aeroporto de Floripa prevê execução recorde
Privatizado, e sob a gestão da Zurich Airport AG, cronograma projeta que novas estruturas estejam construídas até maio de 2019

Na mais recente pesquisa de satisfação dos passageiros, que o ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil realiza mensalmente nos 20 principais terminais aéreos do país, o Hercílio Luz, em Florianópolis-SC, recebeu a pior avaliação: 3,51. O cenário, no entanto, tende a mudar. A Zurich Airport AG, que em 2017 ganhou a licitação para administrar o aeroporto de Floripa, iniciou dia 15 de janeiro de 2018 a construção de um novo terminal, e tem pressa. O cronograma prevê que a obra estará concluída em tempo recorde, ou seja, até maio de 2019, para que possa entrar em operação até outubro de 2019.
A operadora do aeroporto da capital catarinense agora se chama Floripa Airport. Com a conclusão do projeto executivo, as obras prioritárias são: readequação da via de acesso, finalização do pátio de aeronaves, estacionamento térreo descoberto para 2.580 vagas, novo terminal de passageiros com 10 pontes de embarque (fingers), um viaduto de acesso e o aumento de acostamento em pista de pouso. As obras estão a cargo da Racional Engenharia e o projeto investe maciçamente em estruturas pré-fabricadas de concreto e elementos de aço para conseguir dar agilidade à reforma.
Dos quatro aeroportos leiloados em 2017 (Porto Alegre, Fortaleza, Salvador e Florianópolis), o de Floripa é o primeiro a entrar em obras. “Já temos os projetos executivos validados pelo cliente e seremos os primeiros entre os aeroportos concedidos no leilão a dar início às obras. Não teríamos conseguido essa antecipação se não fosse o modelo de contrato Design & Build”, ressalta Erika Matsumoto, vice-presidente da Racional Engenharia, que apostou em muita Tecnologia da Informação para cumprir o cronograma. O empreendimento está utilizando os conceitos de VDC (Virtual Design and Construction), a partir do modelo BIM (Building Information Modeling) desenvolvido exclusivamente para o projeto.
Floripa Airport confia em conclusão dentro do cronograma

A construtora encampou a obra 100% e assumiu todos os projetos básicos e executivos do empreendimento, como arquitetura, fundações, estrutura, MEP (Mechanical, Electrical, and Plumbing [Mecânica, Elétrica e Hidráulica]), infraestrutura, paisagismo, mobiliário operacional, iluminação, Wayfinding (sinalização), BMS (Building Management System) e sistemas eletrônicos aeroportuários. “Estamos otimistas de que a fase de execução do projeto também será bem-sucedida e o projeto será entregue em tempo e dentro do orçamento", diz Tobias Markert, CEO da Floripa Airport.
O valor integral da obra é de R$ 500 milhões, mas o contrato de remuneração entre a Floripa Airport e a Racional Engenharia é no modelo PMG (Preço Máximo Garantido), em que a construtora recebe bônus se finalizar a construção no prazo ou antes, mas assume o ônus se ocorrer atraso. A obra envolve as seguintes áreas:
• Terminal de passageiros: 49.900,04 m²
• Central de utilidades técnicas: 656,94 m²
• Edifício Corpo de Bombeiros: 1.396,13 m²
• Área de acesso: 148,60 m²
• Viaduto: 4.589,76 m²
• Estacionamento e sistema viário interno: 105.908,46 m²
• Pátio e pistas de aeronaves: 312.795,00 m².
Veja vídeo de como ficará o aeroporto de Floripa após a reforma
Entrevistados
Racional Engenharia e Floripa Airport (via assessorias de imprensa)
Contato: imprensa@floripa-airport.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Muda status do concreto compactado a rolo no pavimento
Testes realizados nos Estados Unidos permitem que CCR saia da condição de base ou sub-base para a de leito em estradas e avenidas

Com a ajuda de novos aditivos criados pela indústria química norte-americana, está em desenvolvimento uma nova geração de concreto compactado a rolo (CCR) para pavimentos. O objetivo é que o CCR, costumeiramente usado como base ou sub-base para receber a camada definitiva para o tráfego de veículos, possa, ele mesmo, servir de acabamento final para avenidas e estradas em que o pavimento é de concreto.
O primeiro trecho em teste tem cinco quilômetros e está localizado na cidade de Walla Walla, no estado de Washington-EUA. Na região há uma empresa que faz locação de máquinas pesadas, e que a cada seis meses precisava restaurar o pavimento asfáltico entre a sede e a rodovia mais próxima para permitir o tráfego de seus veículos. Como a manutenção tornou-se muito cara, a empresa encomendou uma solução à indústria de concreto local.
Coincidiu que a indústria química vinha trabalhando em dois produtos para dar um novo status ao CCR, transformando-o em pavimento de concreto compactado (CCP, da sigla em inglês). Um dos aditivos é o ACEiT Plus, um pó adicionado ao Cimento Portland a ser usado na produção do concreto. O outro é o ACEiT Blue, um líquido pulverizado sobre a superfície do CCR logo que ele sai da máquina pavimentadora.
O pó estabiliza a umidade, reduz a viscosidade e administra a hidratação do concreto para que ele possa passar pela pavimentadora com mais fluidez. Assim que sai da máquina e recebe o ACEiT Blue em sua superfície, o concreto pode ser compactado pelo rolo imediatamente. Os aditivos testados permitem que as características de concreto seco do CCR se adaptem para receber acabamento final, sem comprometer a durabilidade do material.

Pavimento dispensa juntas de dilatação
O pavimento de concreto compactado que foi aplicado no trecho de cinco quilômetros tinha uma camada de 18 centímetros de espessura. As resistências à compressão registradas variaram de 4600 psi (31,7 MPa) nos primeiros quatro dias a 6340 psi (43,7 MPa) em 28 dias. “Talvez estejamos mudando o conceito de pavimento em concreto, criando um pavimento mais barato e mais fácil de ser aplicado”, diz Pete Reed, porta-voz da Wm. Winkler Co., empresa responsável pela obra no traçado experimental.
A pavimentação ocorreu em junho de 2017 e tem sido monitorada mensalmente. Uma das preocupações era com a chegada do inverno, já que o CCP dispensa juntas de dilatação e os projetistas não sabiam qual seria o comportamento do piso. “O resultado é um pavimento de concreto que mostrou ter alta flexão e resistência à compressão, além de excelente resistência ao congelamento-descongelamento, com boa permeabilidade”, completa Pete Reed.

Veja vídeo com a aplicação do pavimento de concreto compactado
Entrevistado
Pete Reed, porta-voz da Wm. Winkler Co
Contato: pete@wmwinkler.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Norma define “preço justo” para engenharia consultiva
Com a ABNT NBR 16633, empresas que prestam serviço ainda na etapa do projeto da obra terão parâmetros melhores para compor seus custos

A Comissão de Estudo Especial (CEE-162) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) colocou recentemente em consulta pública o texto da ABNT NBR 16633 - Elaboração de Orçamento e Formação de Preço para Obras de Infraestrutura. A norma técnica é uma das mais aguardadas pela engenharia consultiva, assim como pela arquitetura consultiva. Ela define critérios e procedimentos para que as empresas possam formar preços justos para a remuneração dos serviços que prestam.
Dividida em quatro partes, a ABNT NBR 16633 vai abranger “Terminologia”, “Procedimentos Gerais”, “Elaboração de Projetos e Gestão de Obras” e “Execução de Obras de Infraestrutura”. O presidente nacional do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), Carlos Roberto Soares Mingione, foi o relator da parte 3, que trata de projetos e gestão de obras. “Esta é a parte referente ao projeto, ao gerenciamento, à supervisão e à fiscalização de obra”, explica.

Mingione destaca ainda que o objetivo da norma técnica é definir parâmetros para a composição do preço de um projeto. Como? “Tem o custo do profissional, que não é só o salário. Existem os encargos sociais, os benefícios fechados em convenção coletiva, enfim, os custos diretos e indiretos envolvendo o profissional. Além disso, há também as despesas indiretas, como aluguel da sede, a administração e a contabilidade, que não fazem parte do projeto, mas são necessárias para a empresa funcionar. Todos esses custos precisam ser incluídos na composição do preço de um projeto”, explica.
A expectativa é de que a ABNT NBR 16633 reeduque o contratante, principalmente o contratante público, que costuma vir com o valor de licitação fechado. “O importante é que este valor leve em conta todos os custos que estão envolvidos na elaboração do projeto e os custos que estão relacionados com o gerenciamento e a supervisão. Isso já é um benefício para o setor. Por outro lado, as empresas que prestam serviços precisam saber como apurar o seu custo efetivo. Isso vai ensinar o profissional e as empresas que prestam serviços a comporem melhor seus preços. Este é o objetivo da norma”, complementa Carlos Roberto Soares Mingione.
Elaboração da ABNT NBR 16633 já dura 6 anos
A primeira reunião para debater a ABNT NBR 16633 - Elaboração de Orçamento e Formação de Preço para Obras de Infraestrutura - começou em março de 2012, ou seja, levou seis anos para que estivesse a caminho de sua publicação. Além do Sinaenco, as seguintes associações estão envolvidas na definição de seu texto: ABCE (Associação Brasileira de Consultores de Engenharia), APECS (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura). Entre os organismos de controle, participaram CGU (Controladoria Geral da União), TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná), TCU (Tribunal de Contas da União) e PF (Polícia Federal). Também estiveram envolvidos engenheiros do Exército Brasileiro, IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), Infraero e Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
Entrevistado
Engenheiro civil Carlos Roberto Soares Mingione, presidente do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva) e sócio-diretor da AGM Projetos de Engenharia.
Contato: sinaenco@sinaenco.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Edifícios altos consumiram 15 milhões de m³ de concreto em 2017
Volume envolve a construção de 144 prédios com mais de 200 metros de altura, muitos deles em áreas geologicamente instáveis
Levantamento anual do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CBTUH) [Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano] revela que em 2017 foram concluídas as obras de 144 edifícios altos em todo o mundo. A estatística contabiliza apenas prédios com mais de 200 metros de altura – limite mínimo para entrar no catálogo do CBTUH. Para erguer as estruturas, foram movimentados quase 15 milhões de m3 de concreto – média superior a 100 mil m3 por edificação.
O valor aproximado de consumo de concreto é do próprio CBTUH. O volume é superior à média usada em edifícios altos no Brasil porque muitos dos 144 prédios entregues em 2017 estão localizados em áreas vulneráveis a terremotos, o que exige maior reforço estrutural e, consequentemente, mais concreto. Comparativamente, o Yachthouse Residence Club, em construção em Balneário Camboriú-SC, terá consumido 82 mil m3 de concreto quando 100% concluído.

Desde 2013, o número de edifícios altos vem crescendo exponencialmente no mundo. Atualmente, a CBTUH contabiliza 1.319 prédios com essas características. No ano 2000, havia apenas 263. Dentro desta categoria de edificação também se destacam as superaltas. São aquelas que rompem a barreira dos 300 metros e passam a perseguir recordes continentais - quando não, mundiais. De todos os superedifícios inaugurados em 2017, o mais alto foi o Ping An International Financial Centre, na cidade de Shenzhen, na China, com 115 pavimentos e 599 metros. O empreendimento passa a ser o 5º maior do mundo.
Há 10 anos a China vem se destacando no ranking do CBTUH. No entanto, entre 2016 e 2017, o país se superou. No ano retrasado, concluiu 83 edifícios que superaram os 200 metros de altura. Já no ano passado foram 76, ou seja, 53% de todas as edificações com essas características finalizadas no mundo em 2017. Os Estados Unidos ocuparam o segundo lugar no ranking do ano passado, com dez prédios altos, seguidos da Coreia do Sul, com sete, e Canadá e Indonésia, com cinco cada um. Malásia, Coreia do Norte, Turquia e Emirados Árabes Unidos empataram no quinto lugar, com a conclusão de quatro edifícios altos em 2017.
Brasil só entrará no ranking oficial do CBTUH em 2019
Segundo relatório do CBTUH, outros países que também vêm se destacando neste tipo de construção são Austrália, Israel, Japão, Panamá, Arábia Saudita, Cingapura, Tailândia, Colômbia, Quênia, México, Catar e Sri Lanka. O Brasil só vai começar a entrar na lista oficial do Council on Tall Buildings and Urban Habitat quando forem concluídos os oito edifícios com mais de 200 metros de altura que estão em construção em Balneário Camboriú, e que devem ser finalizados entre 2019 e 2022.
Veja vídeo do estágio das obras de alguns deles:
No mundo, o edifício mais alto continua sendo o Burj Khalifa, concluído em 2010, com 160 andares, 828 metros de altura e 330 mil m3 de volume de concreto. Construído em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o Burj Khalifa já tem data para perder o posto de número 1. Será provavelmente em 2020, quando ficará pronta a Jeddah Tower – também conhecida como Kingdom Tower -, em construção na cidade de Gidá, na Arábia Saudita. O edifício alcançará 1.008 metros de altura, com 168 andares.
Saiba mais sobre edifícios altos e superaltos
> skyscrapercenter.com
Entrevistado
Reportagem com base no relatório anual do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CBTUH) (via assessoria de imprensa)
Contatos
press@ctbuh.org
info@ctbuh.org
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Wi-fi na loja de material de construção amplia vendas
Pesquisa junto ao varejo, realizada nos Estados Unidos, na Alemanha e na Austrália, mostra novas estratégias para atrair o cliente

A pesquisa Riverbed Retail Digital Transformation Survey (reverberando a transformação digital no varejo) revela que o wi-fi ainda está pouco presente no espaço de venda das lojas de material de construção. Aquelas que liberam o sinal para os consumidores ampliam as oportunidades de se relacionar com os clientes e, consequentemente, aumentam as vendas.
A edição 2018 do estudo, que envolveu dados coletados em 2017, abrangeu o comércio de material de construção nos Estados Unidos, na Alemanha e na Austrália. A pesquisa mostrou que a maioria das lojas possui apenas o sinal liberado para seus funcionários, a fim de que eles possam acessar o estoque através de seus smartphones e, assim, agilizar a venda.
Quem já utiliza o wi-fi para alavancar as vendas consegue promover um marketing agressivo junto aos clientes. Os comerciantes realizam promoções-relâmpagos que o consumidor só consegue acessar de seu smartphone e entrando no site da loja. Há ainda as que fazem sorteios e possuem até vendedores virtuais, que podem atender o comprador diretamente pelo smartphone.
Atualmente, revela a pesquisa, apenas 26% das lojas nos países pesquisados usam o wi-fi como ferramenta de venda. Para elas, o volume de negócios cresceu 19% em 2017. Os resultados dos estudos foram compartilhados com os organismos de comércio de Estados Unidos, Alemanha e Austrália e causaram reações positivas nos lojistas. Veja:
• 51% prometeram liberar o sinal de wi-fi na loja.
• 49% asseguraram que vão ampliar o sinal para que a experiência do consumidor seja a melhor possível.
• 48% disseram que vão investir em aplicativos para se relacionar melhor com os clientes.
• 47% aprovaram a ideia de levar o espaço de venda para dentro do smartphone do cliente.
• 45% prometeram treinar seus colaboradores para usar o wi-fi como ferramenta de venda.
Subbu Iyer, SVP (senior vice-president) e CMO (chief marketing officer) da Riverbed Technology, afirma que o futuro das vendas nas lojas físicas está em alinhar o comércio presencial com as possibilidades digitais. “O estudo revela que a prosperidade dos varejistas de material de construção depende de saber usar a tecnologia na nuvem para manter o cliente em sua loja”, diz.
Sebrae usa dados da pesquisa no Brasil
No Brasil, o Sebrae Inteligência Setorial trabalha para adequar os dados da pesquisa às necessidades dos lojistas de material de construção do país. O uso de wi-fi como alavanca de venda em lojas físicas é muito restrito no mercado brasileiro. Hoje, ele se limita a boutiques especializadas em produtos como cerâmicas, porcelanatos e metais. Nestes espaços, os consumidores conseguem ter a experiência de ver como o material que ele pretende comprar vai ficar na parede de sua residência.
Subbu Iyer realça que apesar da Riverbed Retail Digital Transformation Survey ter se concentrado em Estados Unidos, Alemanha e Austrália, os conceitos que ela dissemina servem para todos os países que têm um mercado consolidado da construção civil, como é o caso do Brasil. “Para se manterem competitivos em 2018, os varejistas terão que repensar o uso do wi-fi em suas lojas, acoplado a estratégias que ajudem a transformar seus negócios”, conclui.
Veja a íntegra da pesquisa
Entrevistado
Reportagem com base no relatório da pesquisa Riverbed Retail Digital Transformation Survey
Contato: press@riverbed.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
“Corredor do agronegócio” deve ficar pronto em 2018
Duplicação do trecho entre as BRs 163 e 364 liga sul do Pará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com portos de Santos e Paranaguá

O projeto foi aprovado em 2010, as obras começaram em 2012, mas somente no final de 2018 é que o trecho de duplicação entre as BRs 163 e 364 - conhecido como “corredor do agronegócio” - deverá ser concluído. O traçado de quase 170 quilômetros permite que o escoamento da safra que vem do sul do Pará, passando pelo Mato Grosso e por Mato Grosso do Sul, alcance as rodovias de São Paulo e Paraná, rumo aos portos de Santos e Paranaguá.
Cerca de 70 quilômetros, entre Jaciara e Serra de São Vicente, no Mato Grosso, já estão concluídos. Segundo o superintendente do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) no estado, Orlando Fanaia Machado, os trabalhos se concentram agora no trecho de 60 quilômetros entre Jaciara e Rondonópolis-MT, cujas obras estão com um ritmo mais lento. Bem mais acelerado está o canteiro que opera no traçado entre a Serra de São Vicente e Cuiabá, que engloba 42 quilômetros de duplicação.
A obra nas BRs 163 e 364 corta muitos trechos de serra. Em umas delas, a serra dos Nobres, em Mato Grosso, ocorreu um atraso de dois anos. Nesta região, boa parte do traçado recebeu pavimento em concreto. Porém, erros de projeto e de estudos geológicos causaram fissuras e trincas no pavimento rígido, obrigando praticamente a reconstrução de 9 quilômetros. A atuação do Exército e da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) foi decisiva para a revisão do projeto e conserto da área danificada.

Os problemas ocorreram em 2014 e o trecho ainda está em reconstrução. Foram projetados muros de arrimo, cortinas atirantadas e serviços complementares de estabilização de taludes. A previsão é de que a duplicação na serra dos Nobres seja reaberta até junho de 2018. De acordo com o Dnit, estudos geológicos mais aprofundados detectaram que a região da serra da Caixa Furada - localizada dentro da serra dos Nobres - é uma localidade de transição de calcário e rochas, e ainda há presença de água. “É um ambiente de geologia instável. As obras de reforço foram necessárias para evitar novos desmoronamentos”, disse o superintendente do Dnit no Mato Grosso.
Arco Norte
Além da duplicação em seu trecho com maior tráfego de veículos, a BR-163 também está recebendo asfalto em todo a sua extensão de 955 quilômetros – boa parte dela no Pará. A pavimentação é executada pelo exército brasileiro. Em época de escoamento da safra agrícola, o trecho que interliga as BRs 163 e 364 recebe 1.500 caminhões por dia.
As duas rodovias também fazem parte do Arco Norte, ou seja, permitem que o escoamento da safra se dê pelos portos de Santos e Paranaguá, mas também pelos terminais portuários de Santarém e Barcarena, no Pará; Itacoatiara, no Amazonas, e São Luís, no Maranhão. Neste caso, a safra do Centro-Oeste vai por caminhão pela BR-163 até Miritituba-PA, onde é embarcada em hidrovias para um dos quatro portos, em uma viagem de quatro dias. De lá, a carga é transferida para grandes navios – a maioria da China.
Entrevistado
Superintendência regional do Dnit no estado do Mato Grosso (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@dnit.gov.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Trump planeja investir US$ 1,7 trilhão em infraestrutura
Prioridades são reformas e construções de estradas e pontes, além de recursos para treinar mão de obra e erguer o muro na fronteira com o México
Em seu discurso anual para senadores e deputados, realizado em 30 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu autorização para investir US$ 1,7 trilhão (cerca de R$ 5,6 trilhões) em infraestrutura, a partir de 2018. O pacote inclui construção e recuperação de estradas e pontes - tanto de transporte rodoviário como ferroviário -, além de dar solvência ao Highway Trust Fund, que permite empréstimos federais para financiar a construção de estradas. O plano de Trump também quer remover "restrições" às parcerias público-privadas, além de dar início à muralha de concreto na fronteira com o México.

A estratégia de Trump é contar com a participação da iniciativa privada em seu projeto de obras. Por isso, o plano promete desonerar o equivalente a US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 700 bilhões) em impostos federais para que o setor privado injete pelo menos US$ 1 trilhão nos investimentos em infraestrutura, promovendo parcerias com os estados. "Todo dólar que ficar livre de impostos federais deve ser alavancado para corrigir permanentemente nosso déficit de infraestrutura. A prioridade é construir novas estradas, pontes, vias férreas e vias navegáveis", disse.
Outra meta do programa de Trump é treinar a mão de obra da construção civil norte-americana. Com as restrições aos imigrantes, que ocupavam boa parte dos empregos no setor, estima-se que haja atualmente um déficit de 200 mil postos não preenchidos. Para convencer os jovens norte-americanos a trabalharem na construção civil é necessário ter bons salários como contrapartida. Isso só será possível treinando-os, para se adequarem às novas tecnologias e sistemas construtivos. "Vamos abrir escolas profissionalizantes para que nossos futuros trabalhadores possam aprender a arte da construção civil moderna em todo o seu potencial", discursou Trump.
Problemas e soluções
Outro lado do programa voltado para modernizar a infraestrutura norte-americana dedica financiamento para sistemas de transporte inovadores, como o Hyperloop. O plano tem seis pontos principais, que são:
- Incentivos para cidades e estados, a fim de que eles criem fluxo de receita dedicado para seus próprios projetos.
- Subsidiar recursos para os estados rurais, principalmente para investimentos destinados ao acesso à banda larga.
- Expansão dos programas existentes de empréstimos federais, através da Lei de Finanças e Inovação de Infraestrutura de Transportes (Transportation Infrastructure Finance and Innovation Act [TIFIA]) e do Programa de Financiamento de Reabilitação e Melhoramento de Estradas de Ferro (Railroad Rehabilitation & Improvement Financing [RRIF]).
- Investimento em projetos transformadores, como o Hyperloop, que vão precisar de estímulos fiscais para atrair financiamento privado.
- Desenvolvimento da mão de obra da construção civil, através de programas que garantam treinamento e preparo para as novas tecnologias e a indústria 4.0.
- Desburocratização para a aprovação de projetos voltados a obras de infraestrutura.
Já o que estimula o pacote de Trump são os seguintes pontos avaliados pelo Government Accountability Office (GAO) da Casa Branca, e que detectou os seguintes problemas no país:
- Os Estados Unidos ocupam o 10º lugar no mundo em qualidade da infraestrutura, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.
- Uma (1,6 quilômetro) em cada cinco milhas (8 quilômetros) de pavimento de estrada dos EUA está em más condições.
- Desde 2014, os americanos perdem o equivalente a US$ 6,9 bilhões por ano com as horas desperdiçadas em congestionamentos nas estradas.
- Um terço das pontes dos Estados Unidos tem 50 anos ou mais.
- Os Estados Unidos enfrentam cerca de 240 mil interrupções por ano no abastecimento de água, por causa do rompimento de adutoras.
- As licenças ambientais nos EUA duram, em média, sete anos para serem liberadas.
Confira o discurso de Donald Trump no Congresso dos EUA
Entrevistado
Reportagem com base no relatório apresentado ao Congresso dos Estados Unidos, durante o discurso de Donaldo Trump, em 30 de janeiro de 2018
Contato: internships@ceq.eop.gov
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Mercosul libera construtoras para participar de licitações
Empresas nacionais poderão concorrer em condições de igualdade na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. No Brasil, estrangeiros dependem da lei 8.666
Resolução do Mercosul assinada dia 21 de dezembro de 2017, na 51ª Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, abriu um mercado de, pelo menos, 20 bilhões de dólares para as construtoras do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. As empresas destes quatro países poderão participar em condições de igualdade das licitações para obras públicas que envolvam recursos federais. Como o setor da construção civil brasileira é mais equipado, as chances das empresas nacionais conseguirem viabilizar contratos nos outros países são maiores, apesar de argentinos, uruguaios e paraguaios também estarem liberados para participar de licitações no país.

No âmbito do Brasil, o governo federal espera que o acordo aumente a competitividade e impacte os preços de bens, serviços e projetos de construção. Porém, para serem validados, os negócios internacionais devem ser submetidos à aprovação do Congresso. Da mesma forma, para atender a resolução do Mercosul, no que tange às licitações de obras públicas, o Brasil vai precisar revisar a lei 8.666. A legislação é dúbia. Não deixa claro se uma empresa estrangeira da construção civil precisa já estar instalada fisicamente no país para operar no Brasil ou se ela pode ter sede no exterior para concorrer a licitações.
Há também quem defenda que a lei 8.666 exija que uma construtora estrangeira tenha parceria com uma construtora nacional para concorrer a obras públicas licitadas pelo governo federal. Por isso, a necessidade de revisão. Desde que resolvido esse impasse, o ministério do Planejamento avalia que o pacto para eliminar barreiras à participação de empresas estrangeiras em processos de licitação permitirá aos fornecedores internacionais tratamento igualitário em concorrências com preço mínimo igual ou superior a US$ 15 mil (quase R$ 50 mil), para bens e serviços, até US$ 6 milhões (quase R$ 20 milhões), para projetos de construção. Vale frisar que a decisão do Mercosul vale exclusivamente para contratações no âmbito federal, excluindo estados e municípios.
Construtoras apoiam
Nos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), o mercado de compras governamentais gira em torno de R$ 60 bilhões por ano. Só o Brasil responde por 2/3 deste valor. Mesmo assim, o secretário de Comércio Exterior, Abrão Árabe Neto, avalia que o país levará vantagem com a abertura do mercado. "O acordo ficou bastante equilibrado e abre oportunidades importantes para as nossas empresas", afirma. Segundo ele, consultas ao setor privado indicaram interesse das empresas brasileiras em licitações dos países vizinhos, sobretudo em obras públicas. "O Mercosul é relevante para nós", afirma. O acordo vinha sendo negociado desde 2010.
Participaram da assinatura, o presidente da Argentina, Maurício Macri; do Uruguai, Tabaré Vázquez; do Paraguai, Horacio Cartes e Michel Temer, do Brasil. Representantes do Suriname, Equador, Chile, Colômbia, Peru e Egito também estiveram presentes. O Mercosul é formado pelo Paraguai, Uruguai, Brasil e Argentina. Os estados associados incluem Chile, Peru, Colômbia, Equador, Guiana e Suriname. A Bolívia está em processo de se tornar membro e a Venezuela foi suspensa.
Entrevistado
- Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (via assessoria de imprensa)
- Secretaria de Comércio Exterior (via assessoria de imprensa)
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