ABRAMAT faz projeção de crescimento para 2018

Recuperação do setor ainda será de forma lenta, e com foco no varejo de materiais. Previsão é do novo presidente, Rodrigo Navarro

Rodrigo Navarro: varejo deverá se manter com os melhores resultados neste ano. Crédito: ABRAMAT
Rodrigo Navarro: varejo deverá se manter com os melhores resultados neste ano. Crédito: ABRAMAT

A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção (ABRAMAT) prevê que em 2018 o setor deverá crescer 1,5% em relação a 2017. “A recuperação do setor será de forma lenta e mais forte no varejo de materiais neste ano. A demanda do segmento de construção imobiliária deverá se intensificar no médio prazo, a partir do segundo semestre”, diz comunicado da associação, que agora tem novo presidente-executivo. É o engenheiro de produção Rodrigo Navarro, que assumiu o cargo em 1º de fevereiro, substituindo Walter Cover. Reunindo expertise acadêmica e corporativa, Rodrigo Navarro terá a tarefa de seguir consolidando a associação como referência na cadeia da construção. Na entrevista a seguir, ele analisa o comportamento econômico da construção para 2018. Confira:

Há uma onda de otimismo voltando para a construção civil. Pelo menos é o que revelam as opiniões de alguns dirigentes de entidades de classe do setor. A ABRAMAT compartilha deste otimismo?

Não se trata de uma onda, mas de uma tendência de melhoria da conjuntura no país e no exterior, o que indica que estamos em um momento de inversão de queda para uma gradual recuperação. Temos de buscar contribuir como setor para que essa recuperação se concretize.

O senhor sucede Walter Cover, que ficou à frente da ABRAMAT por quase sete anos. Quais os desafios de agora em diante e quais as bandeiras que a ABRAMAT deve encampar a partir de sua gestão?

Temos como pilares fundamentais a defesa da conformidade técnica, conformidade fiscal e capacitação. Nesse contexto, buscaremos as sinergias entre nossos mais de 40 associados, que atuam em múltiplos setores, para uma representação institucional com ainda maior protagonismo junto aos interlocutores, como governos, por exemplo. Isso, para que tenhamos um diálogo aberto e construtivo visando maximizar as oportunidades e crescimento da indústria de materiais de construção no Brasil, com maior competitividade e sustentabilidade.

O Brasil ainda tem muitas reformas a serem feitas para consolidar um crescimento sustentável. Em 2018, em função da corrida presidencial, que está batendo às portas, não deve ser um ano de reformas. Mesmo assim, o que leva o setor da construção civil a confiar que o ano será melhor que o de 2017?

Os números oficiais e os indicadores que monitoramos indicam isso. Devemos aproveitar que é um ano de mudança, de recuperação, e apresentar de maneira colaborativa nossas propostas aos candidatos e novos ocupantes dos cargos públicos que se desincompatibilizarão para disputar as eleições.

Números da CBIC mostram dados animadores para o setor imobiliário. A retomada de obras imobiliárias deve ser o indutor do crescimento do setor em 2018?

A tendência geral para o ano é de melhoria dos resultados, porém ainda poderão ocorrer oscilações pontuais nos resultados mês a mês, o que é normal para esta fase de retomada após a crise dos últimos dois anos no setor. Entre os segmentos de mercado da indústria de materiais, o varejo, que já vem apresentando crescimento nos últimos meses, deverá se manter com os melhores resultados neste ano, seguido pelo segmento de obras imobiliárias (residenciais, comerciais) que deverá ter melhoria mais significativa a partir do segundo semestre. O segmento de infraestrutura só deverá se recuperar de forma consistente a partir do próximo ano.

A falta de recursos da Caixa Econômica para financiar imóveis pode atrapalhar ou os bancos privados vão acabar aproveitando esse vácuo?

Certamente essa é uma questão que precisará ser trabalhada. Há, inclusive, propostas e sugestões de diferentes entidades para endereçar essa questão.

Selic a 6,75% e inflação baixa dão a confiança necessária para as construtoras tocarem suas obras?

Taxa de juros e inflação são dois componentes importantes para impulsionar o mercado. Outros fatores como o crescimento da atividade industrial, redução do desemprego e acesso a crédito também têm de ser levados em consideração.

Qual o cenário que a ABRAMAT faz sobre construção industrializada dentro do novo cenário da construção civil brasileira?

É uma tendência e será importante o envolvimento do setor privado nas decisões acerca da regulação desse ambiente, visando maior produtividade e redução de custos.

Em relação a obras de infraestrutura, devemos ter mais um ano de baixo investimento?

Para este ano, por ser eleitoral, o governo federal e os governos estaduais deverão acelerar e entregar diversas obras ainda no primeiro semestre. A retomada efetiva do setor de infraestrutura deverá iniciar só a partir de 2019, no novo governo.

Além do mercado interno, qual o cenário para a exportação de materiais de construção fabricados no Brasil?

O tema é complexo, com muitas variáveis em jogo, como câmbio, por exemplo. Estamos buscando oportunidades. Chama a atenção as recentes restrições dos EUA ao aço e alumínio brasileiro.

Entrevistado
Engenheiro de produção Rodrigo Navarro, com MBA em relações governamentais pela FGV, e presidente-executivo da ABRAMAT

Contato: abramat@abramat.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Inteligência Artificial escolhe “imóvel certo” para você

Tecnologia cruza dados dos rastros digitais para saber a residência que mais desperta o interesse de um potencial comprador

Rastros digitais oferecem dados que podem servir a interesses comerciais, políticos ou de qualquer outra natureza. Crédito: Divulgação
Rastros digitais oferecem dados que podem servir a interesses comerciais, políticos ou de qualquer outra natureza. Crédito: Divulgação

A Inteligência Artificial (IA) está cada vez mais presente em nosso cotidiano. Um exemplo, é que ela já consegue influenciar até no tipo de imóvel que se quer comprar. Como? Algoritmos que analisam as preferências do usuário - e de grupos de usuários com tendências semelhantes - cruzam dados para saber a residência que mais desperta o interesse de um potencial comprador. Essas informações são fornecidas quando o cliente começa a navegar na internet, principalmente pelas redes sociais, deixando o que os especialistas chamam de rastros digitais.

A pesquisadora Dora Kaufman, doutora pela USP, pós-doutora na COPPE/UFRJ e coautora do livro “Empresas e Consumidores em Rede: um estudo das práticas colaborativas no Brasil”, define rastros digitais. “As redes sociais, como Facebook, Twitter e Instagram, promovem o compartilhamento de distintas experiências entre distintas pessoas. O fenômeno pode ser observado igualmente pelas informações armazenadas nos bancos de dados de cartões de crédito, nos programas de fidelidade e inúmeras outras ações presentes em nosso dia a dia. São os chamados rastros digitais, deixados e arquivados em cada interação que fazemos usando as novas tecnologias”, explica.

Acima de desktops, notebooks e tablets, são os smartphones os que mais deixam rastros digitais. Principalmente, quando carregam apps de geolocalização. Sem contar que é através destes aparelhos que acontecem os maiores contatos com equipes de trabalho, amigos e família. Os algoritmos rastreiam esse volume de informações. “Grande parte do que fazemos hoje, fazemos por meio de tecnologias digitais que deixam rastros, os quais podem atender interesses comerciais, políticos ou de qualquer outra natureza”, cita Dora Kaufman, em seu artigo “Na era dos rastros digitais”.

Influência vai da construção até a venda

No caso do mercado imobiliário, as informações permitem que a Inteligência Artificial colete dados para que se chegue na oferta do “imóvel certo”. Algoritmos possibilitam identificar se o usuário prefere casa ou apartamento, unidades baixas ou altas, quais os bairros de sua preferência, se busca morar ou investir, qual o estilo arquitetônico que mais lhe agrada e até as preferências por tipos de materiais de construção (alvenaria, madeira, envidraçados, pré-fabricados...) e elementos de decoração.

Os mesmo dados também servem para que as construtoras definam seus projetos e personalizem o atendimento aos seus clientes.  Há também consequências impactantes da Inteligência Artificial sobre a redução de custos na construção civil. Além de oferecer obras sob medida para o cliente, a IA possibilita economia no canteiro, permitindo melhor gerenciamento dos materiais e minimizando desperdício. “A Inteligência Artificial já permeia nosso cotidiano, influenciando diretamente a produção e o mercado consumidor. Ela já é capaz de diagnosticar tudo o que nos influencia”, resume Dora Kaufman.

Entrevistada
Reportagem com base no artigo “Na era dos rastros digitais”, da economista, doutora e pós-doutora em engenharia de produção, Dora Kaufman

Contatos
dkaufman@usp.br
http://dorakaufman.blog

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Wi-fi na loja de material de construção amplia vendas

Wi-fi amplia oportunidades para que consumidor defina sua compra dentro da loja de materiais de construção
. Crédito: Michael Kofsky/US Today
Wi-fi amplia oportunidades para que consumidor defina sua compra dentro da loja de materiais de construção
. Crédito: Michael Kofsky/US Today

A pesquisa Riverbed Retail Digital Transformation Survey (reverberando a transformação digital no varejo) revela que o wi-fi ainda está pouco presente no espaço de venda das lojas de material de construção. Aquelas que liberam o sinal para os consumidores ampliam as oportunidades de se relacionar com os clientes e, consequentemente, aumentam as vendas.

A edição 2018 do estudo, que envolveu dados coletados em 2017, abrangeu o comércio de material de construção nos Estados Unidos, na Alemanha e na Austrália. A pesquisa mostrou que a maioria das lojas possui apenas o sinal liberado para seus funcionários, a fim de que eles possam acessar o estoque através de seus smartphones e, assim, agilizar a venda.

Quem já utiliza o wi-fi para alavancar as vendas consegue promover um marketing agressivo junto aos clientes. Os comerciantes realizam promoções-relâmpagos que o consumidor só consegue acessar de seu smartphone e entrando no site da loja. Há ainda as que fazem sorteios e possuem até vendedores virtuais, que podem atender o comprador diretamente pelo smartphone.

Atualmente, revela a pesquisa, apenas 26% das lojas nos países pesquisados usam o wi-fi como ferramenta de venda. Para elas, o volume de negócios cresceu 19% em 2017. Os resultados dos estudos foram compartilhados com os organismos de comércio de Estados Unidos, Alemanha e Austrália e causaram reações positivas nos lojistas. Veja:

• 51% prometeram liberar o sinal de wi-fi na loja.
• 49% asseguraram que vão ampliar o sinal para que a experiência do consumidor seja a melhor possível.
• 48% disseram que vão investir em aplicativos para se relacionar melhor com os clientes.
• 47% aprovaram a ideia de levar o espaço de venda para dentro do smartphone do cliente.
• 45% prometeram treinar seus colaboradores para usar o wi-fi como ferramenta de venda.

Subbu Iyer, SVP (senior vice-president) e CMO (chief marketing officer) da Riverbed Technology, afirma que o futuro das vendas nas lojas físicas está em alinhar o comércio presencial com as possibilidades digitais. “O estudo revela que a prosperidade dos varejistas de material de construção depende de saber usar a tecnologia na nuvem para manter o cliente em sua loja”, diz.

Sebrae usa dados da pesquisa no Brasil

No Brasil, o Sebrae Inteligência Setorial trabalha para adequar os dados da pesquisa às necessidades dos lojistas de material de construção do país. O uso de wi-fi como alavanca de venda em lojas físicas é muito restrito no mercado brasileiro. Hoje, ele se limita a boutiques especializadas em produtos como cerâmicas, porcelanatos e metais. Nestes espaços, os consumidores conseguem ter a experiência de ver como o material que ele pretende comprar vai ficar na parede de sua residência.

Subbu Iyer realça que apesar da Riverbed Retail Digital Transformation Survey ter se concentrado em Estados Unidos, Alemanha e Austrália, os conceitos que ela dissemina servem para todos os países que têm um mercado consolidado da construção civil, como é o caso do Brasil. “Para se manterem competitivos em 2018, os varejistas terão que repensar o uso do wi-fi em suas lojas, acoplado a estratégias que ajudem a transformar seus negócios”, conclui.

Veja a íntegra da pesquisa

Entrevistado
Reportagem com base no relatório da pesquisa Riverbed Retail Digital Transformation Survey

Contato: press@riverbed.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Vai construir em faixa litorânea? Capriche na argamassa

Assim como os protetores solares agem como um escudo para blindar a pele humana dos raios ultravioletas, quando se está exposto ao sol, é a argamassa o melhor protetor para evitar que o concreto seja atingido pelos cloretos que são lançados no ar pelo aerossol marinho – também conhecido como névoa marinha. Esses cloretos desencadeiam patologias como corrosão das armaduras, podendo levar ao colapso as estruturas construídas em faixa litorânea. Por isso, se for empreender uma obra em região exposta aos efeitos do mar, capriche na argamassa.

Gibson Meira: argamassa é o principal protetor contra partículas de cloretos que se depositam nas superfícies das edificações. Crédito: Cia. de Cimento Itambé
Gibson Meira: argamassa é o principal protetor contra partículas de cloretos que se depositam nas superfícies das edificações. Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Em síntese, esse foi o recado deixado pelo pesquisador e professor-doutor do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Gibson Meira, que palestrou no 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na primeira semana de maio de 2018. Desde o início dos anos 2000 ele se dedica a estudar edificações expostas às chamadas “zonas de spray marinho”. “Essas áreas variam de região para região. Em João Pessoa-PB, elas se estendem por até 200 metros da faixa do mar, mas há casos em que avançam significativamente pelo continente. Em Florianópolis-SC, há relatos de que chegam a avançar até 1.400 metros. Na Austrália, podem atingir até 30 quilômetros”, diz o professor-doutor.

Conhecido com spray marinho, aerossol marinho ou névoa marinha, o fenômeno se dá quando a onda quebra na praia, lançando partículas salinas que são capturadas pelo vento e transportadas para dentro do continente, carregando partículas corrosivas de cloretos. Quanto maior a velocidade do vento, mais distante o percurso que elas podem percorrer. No Brasil, as partículas do aerossol se movimentam, em média, a 5 m/s. Quando o vento faz depositar na superfície das edificações até 100 miligramas diárias por metro quadrado (100 mg/m2/dia) inexiste preocupação quanto a corrosão das armaduras. Mas se a concentração salina passar deste nível é acionado o alerta.

Argamassa mais espessa e com materiais de boa qualidade protegem melhor o concreto

Em Fortaleza-CE já foi verificada concentração diária de 3,5 gramas por metro quadrado (3.500 miligramas/m2/dia). “Quando isso ocorre, a probabilidade de parte desses cloretos depositados na superfície da edificação ser transportada para dentro do concreto, atingindo a armadura, é relativamente grande. Ela começa de forma despretensiosa, até desencadear o processo de corrosão, podendo levar ao colapso da estrutura se não forem tomadas medidas de combate a essa patologia”, explica Gibson Meira, entrando no quesito qualidade do revestimento da argamassa. No IFPB, os testes envolveram a argamassa convencional, feita com cimento, água, cal hidratada e areia, preparada in loco, ou seja, sem o uso de argamassas industrializadas, as quais podem vir com aditivos que melhoram a combatividade do material contra eventuais agentes corrosivos.

Foram testados vários tipos de espessuras – de 25 milímetros a 55 milímetros. Em ensaios acelerados em laboratório, simulando vida útil de 30 anos, verificou-se que as menos espessas e com material mais poroso funcionavam como colônias para os cloretos. Já as mais espessas, e que utilizam uma areia mais refinada, agiam como escudos. “Conclusão: a espessura e a qualidade dos materiais, como o tipo certo de cimento, permitem que a argamassa acrescente proteção adicional ao concreto. Em alguns casos, espessuras de 55 milímetros foram as mais recomendadas, mas isso varia, dependendo das situações práticas”, afirma o professor-doutor Gibson Meira, ao concluir sua palestra.

Saiba mais

Baixe o livro “Corrosão de armaduras em estruturas de concreto: fundamentos, diagnóstico e prevenção“, de Gibson Rocha Meira (Editora IFPB)

Entrevistado
Reportagem com base na palestra do engenheiro civil e professor-doutor do Instituto Federal da Paraíba, Gibson Rocha Meira, dentro do 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela UFPR

Contato: prc.ufpr.contato@gmail.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Norma define “preço justo” para engenharia consultiva

Com a ABNT NBR 16633, empresas terão parâmetros melhores para compor seus custos


Setor de suprimentos requer equipe de inteligência

Atividades permitem medir indicadores, planejar e trabalhar com estratégias para municiar a área de compras das construtoras

Núcleo de inteligência abastece o setor de compras, mas deve ter atuação independente
. Crédito: Divulgação
Núcleo de inteligência abastece o setor de compras, mas deve ter atuação independente
. Crédito: Divulgação

A cotação pura e simples, a fim de desencadear um processo de compras de materiais e serviços na construção civil, já não consegue atender as empresas que buscam margens satisfatórias em seus negócios, sem abrir mão da qualidade. Segundo a engenheira civil Tathyana Moratti, que é gerente em inteligência de suprimentos, as construtoras - principalmente as que têm grande demanda de materiais - estão optando por equipes de inteligência que abasteçam os setores de compra com informações, estratégias e planejamento.

A especialista alerta que, para que as equipes se consolidem, é importante que a construtora reconheça a importância de estabelecer uma gestão profissional e estratégica da área de suprimentos, integrada aos demais setores da empresa. “A inteligência precisa ter uma equipe independente, para não ficar atrelada ao foco do comprador, que é apenas comprar. O objetivo é medir indicadores, planejar e entregar esse trabalho ao setor de compras, para que ele não precise definir uma compra aos 45 minutos do segundo tempo”, compara Tathyana Moratti.

A engenheira civil afirma que, usando a inteligência de suprimentos, a construtora dificilmente é surpreendida. “O fornecedor raramente bate na porta da empresa e oferece desconto. Porém, se a companhia tiver uma equipe de inteligência que acompanhe as variáveis que definem os preços do fornecedor, como taxa de juros, incentivos fiscais, etc, é possível usar essa informação para negociar descontos”, informa.

Fornecedores estratégicos devem ser parceiros

Tathyana Moratti: parceria com fornecedor estratégico pode gerar ganhos de até 10%
. Crédito: Divulgação
Tathyana Moratti: parceria com fornecedor estratégico pode gerar ganhos de até 10%
. Crédito: Divulgação

Em sua palestra via webseminário, Tathyana Moratti abordou o livro “Compras estratégicas - Construa Parcerias com Fornecedores e Gere Valor Para Seus Negócios” (Claudio Mitsutani, Cesar Righetti, Cristiane Biazzin Villar,Fabio Miguel, Gustavo Menoncin Pereira, Marc Burbrige,Walter Freitas, Ed. Saraiva, 280 páginas). “O nível de competitividade atual, associado à busca da sustentabilidade de longo prazo, exige controle absoluto de suas despesas e dispêndio de investimentos. Por este motivo, as grandes organizações estão investindo nos profissionais da área de compras estratégicas, importante para o bom desempenho dos resultados operacionais”, cita a introdução da obra.

Voltando para Tathyana Moratti, a gerente de suprimentos destaca que a equipe de inteligência precisa que a empresa a municie com ferramentas para que ela possa buscar as informações que farão chegar ao fornecedor ideal. “Uma dessas ferramentas é o benchmarking para análise da concorrência. É necessário sempre se comparar a eles (os concorrentes) para ver se o que a empresa está fazendo é inovador ou está defasado”, destaca. A engenheira civil também reforça que a inteligência de suprimentos não pode abrir mão da relação de parceria com os fornecedores. “Isso traz ganhos que podem chegar a 10% no custo da compra, principalmente com os fornecedores estratégicos para uma obra”, completa.

Assista a íntegra do webseminário “Inteligência de suprimentos na construção civil”

Entrevistada
Reportagem com base no webseminário “Inteligência de suprimentos na construção civil”, com a engenheira civil Tathyana Moratti, pós-graduada em logística, mestre em ciências e gerente de inteligência de suprimentos

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Desabamentos expõem patologias do concreto em Brasília

Patrimônio histórico e cultural da humanidade, capital federal vê legado de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa ruir por falta de manutenção

Viaduto no Eixão de Brasília, no coração do Plano Piloto: desabamento foi “tragédia anunciada”. Crédito: Agência Brasil
Viaduto no Eixão de Brasília, no coração do Plano Piloto: desabamento foi “tragédia anunciada”. Crédito: Agência Brasil

O conjunto arquitetônico e urbanístico de Brasília, concebido por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, tornou-se patrimônio histórico e cultural da humanidade em 1987. Passados 30 anos, esse legado corre sério risco. As patologias do concreto ameaçam desde a infraestrutura viária da capital federal até as habitações funcionais e os palácios.

No mês de fevereiro de 2018, dois desabamentos ocorridos no intervalo de uma semana mostraram que estruturas de concreto erguidas há quase 60 anos estão seriamente ameaçadas por falta de manutenção. Primeiro, foi a laje de um edifício funcional na asa Norte, que caiu sobre carros; depois, a queda de um viaduto no centro da capital federal.

Para completar, foi detectada uma rachadura na rampa do Palácio do Planalto - um ícone do projeto original de Oscar Niemeyer. Para a presidente do Crea-DF, Fátima Có, a deterioração das estruturas é “uma tragédia anunciada”. “Solicitamos diversas vistorias em áreas críticas do Plano Piloto, mas não fomos atendidos. São estruturas antigas, que não passaram pelas vistorias solicitadas. Podemos dizer que foi uma tragédia anunciada”, diz.

Professor da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), e Ph.D em patologias do concreto, Paulo Helene já frisou em uma de suas palestras que existe o efeito Rüsch, que é quando as estruturas de concreto “gritam” para demonstrar que estão sob risco. “A fim de detectar a manifestação do material é necessário fiscalizar”, alerta o especialista.

Parece que nem inspeção visual tem sido feita

Laje sobre carros em prédio funcional de Brasília: legado de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa está comprometido.  Crédito: Agência Brasil
Laje sobre carros em prédio funcional de Brasília: legado de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa está comprometido.
Crédito: Agência Brasil

As patologias do concreto se manifestam de várias formas, e, para evitá-las, a prevenção e a manutenção são os melhores remédios. Para o professor do departamento de engenharia de estruturas da USP, Mounir Khalil El Debs, a percepção é de que o Brasil não está dando a devida atenção às suas estruturas de concreto. “No mínimo, a inspeção visual já dá uma indicação da saúde da obra. Mas nem isso parece que está sendo feito”, destaca.

Na visão do engenheiro Reynaldo Barros, superintendente de Integração do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA/Crea) os vários organismos públicos e privados ligados à engenharia deveriam somar esforços em ações de prevenção e manutenção. Ele pediu uma legislação mais eficaz sobre obras públicas e uma melhor aplicação dos recursos orçamentários. “Precisamos efetivamente de planejamento e precisamos saber priorizar. Não dá pra brincar com engenharia”, destaca.

A inspeção das estruturas e a análise do concreto armado das construções que desabaram em Brasília estão a cargo do departamento de engenharia civil da UnB (Universidade de Brasília). O Crea-DF também acompanha a conclusão dos laudos, que vão decidir por uma destas duas opções, no caso do viaduto que caiu no setor conhecido como Eixão: 1. Reconstruir a parte que desabou e reforçar as demais; 2. Demolir o viaduto e construir um novo. Neste caso, o engenheiro-calculista Bruno Contarini foi acionado para que o projeto de um eventual novo viaduto siga o original e não ameace Brasília de perder o título de patrimônio da humanidade. Se é que já não esteja ameaçado.

Ouça áudio do professor Mounir Khalil El Debs sobre patologias do concreto

Entrevistados
Crea-DF, CONFEA/Crea, UnB (
via assessorias de imprensa)

Contato: comunicacao@creadf.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Qualidade do concreto começa na estocagem do cimento

É preciso evitar a todo custo que o Cimento Portland estocado entre em contato com a água ou com a umidade

Estocagem de cimento terá revisão na nova norma, mas, por enquanto, vale a regra “10x10x10”. Crédito: Divulgação
Estocagem de cimento terá revisão na nova norma, mas, por enquanto, vale a regra “10x10x10”. Crédito: Divulgação

Estocar Cimento Portland em local bem protegido da umidade e obedecer a cronologia da data de fabricação na hora de encaminhar o saco para a construção estão entre os procedimentos que ajudam na produção de um concreto de qualidade. As práticas constam nas normas técnicas relacionadas ao cimento e estão consagradas nas práticas divulgadas pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).

Em um de seus documentos, intitulado “Como devo armazenar o cimento?”, a ABCP lembra que “a água é o maior aliado do cimento na hora de confeccionar argamassas e concretos, mas é o seu maior inimigo antes disso. Portanto, é preciso evitar a todo custo que o cimento estocado entre em contato com a água ou com a umidade, tomando os cuidados necessários à sua conservação, no depósito ou no canteiro de obras”.

A revisão das normas de cimento, iniciada pelo ABNT/CB-018, e que deve culminar na redação de uma única norma técnica que abranja todos os procedimentos que envolvem produção, manuseio e aplicações do Cimento Portland, fará também atualizações no item armazenamento. Mas, por enquanto, prevalece a regra básica “10x10x10”.   

Significa que o empilhamento deve ser de, no máximo, 10 sacos, colocados sobre estrados ou pallets, que fiquem a uma distância mínima de 10 centímetros do chão, assim como distantes 10 centímetros das paredes. Outra recomendação normativa é que o empilhamento fique, no mínimo, a 50 centímetros do teto. A pilha recomendada de 10 sacos também facilita a contagem na hora da entrega e no controle dos estoques.

Em seu documento sobre estocagem, a ABCP lembra que “é recomendável utilizar primeiro o cimento estocado há mais tempo, deixando o que chegar por último para o fim. Isso evita que um lote fique estocado por tempo excessivo, já que a recomendação geral é para uso até três meses da data da expedição.”

Saiba o que fazer se o cimento empedrar

O principal inimigo do cimento quando está no saco é o empedramento. Se isso ocorrer, pode inviabilizar sua utilização na obra, na indústria de pré-moldados e na fábrica de artefatos de cimento. Quando o empedramento for apenas superficial (grumos), é possível afofar o saco para que o material reconstitua sua forma original. Nos casos em que a sacaria já tenha sido aberta, recomenda-se esfarelar os torrões ou peneirar o cimento.

Mesmo assim, o uso do cimento empedrado só deve ser feito em construções que não envolvam estruturas de concreto armado, já que parte dele já teve sua resistência comprometida. Sua aplicação pode se dar em pisos, contrapisos e calçadas. “Enfim, observa-se que é fundamental a estocagem correta. Não apenas para evitar o risco de perda do cimento, como também comprometer a resistência final do cimento que não chegou a estragar”, recomenda a ABCP.

Escolha o Cimento Certo para sua obra

Entrevistado
Área técnica da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP (
via assessoria de imprensa)

Contato: dcc@abcp.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Presidente da CBIC antevê nova onda de crescimento

Avanços como taxa Selic a 6,75%, índice de confiança em ascensão e oportunidades para investimento em infraestrutura tendem a reverter paralisia

José Carlos Martins, presidente da CBIC: construção civil já pagou seu preço na crise
. Crédito: Cia. Cimento Itambé
José Carlos Martins, presidente da CBIC: construção civil já pagou seu preço na crise
. Crédito: Cia. Cimento Itambé

Dados apresentados pelo presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, em palestra realizada no começo de março de 2018 na sede do SindusCon-PR, revelam que a construção civil começa a antever uma nova onda de crescimento, mesmo que em um ritmo lento e gradual.

Há quatro pontos elencados pelo presidente da CBIC que dão sustentação para esse ambiente de otimismo: a taxa Selic a 6,75%, o que tende a canalizar dinheiro do mercado financeiro para investimento; o índice de confiança do setor, que voltou a crescer; a disposição de bancos privados em entrar no mercado de financiamento imobiliário, o que já se torna realidade através dos números deste início de 2018, e as movimentações para atrair o setor privado para as grandes obras de infraestrutura.

José Carlos Martins lembra que, feito o ajuste macroeconômico pelo qual o Brasil passou, com o encaminhamento do ajuste das contas públicas e o controle da inflação, é inexorável que o país tenha de buscar o crescimento sustentável, sob risco de perder o que conquistou de 2016 para cá. Isso, segundo ele, passa por uma nova realidade do setor financeiro, que tende a deixar de investir em papéis para migrar para o investimento produtivo.

Segundo o presidente da CBIC, não restam dúvidas de que o Brasil caminha para uma nova onda de crescimento. "Hoje, com este novo cenário, as instituições financeiras terão de buscar as empresas no mercado para gerar novos negócios, a fim de ampliar resultados e ter rentabilidade. Trata-se de uma mudança muito grande, principalmente para a indústria da construção, pois o investimento vai migrar do papel para o investimento produtivo", destaca.

Martins avalia que, no que se refere a investimentos em obras de infraestrutura, o processo será mais lento, pois a desistência do governo federal em não levar adiante a reforma da Previdência, assim como a legislação que definiu o teto de gastos, praticamente impede o investimento público em megaobras. No entanto, ele assegurou que há um trabalho forte em Brasília para permitir que o investimento privado entre definitivamente no setor de infraestrutura.

Mercado imobiliário será o indutor em 2018

Outros aspectos que tendem a tornar os investimentos em infraestruturas mais lentos estão relacionados à corrida presidencial e à insegurança jurídica. “Tudo isso depende de decisões políticas”, completa. Por isso, José Carlos Martins avalia que 2018 terá o mercado imobiliário como principal indutor do crescimento da construção civil.

Em sua explanação, o presidente da CBIC trouxe números relevantes, que envolvem o último trimestre de 2017 e o mês de janeiro de 2018. Dados consolidados do país revelam que, entre outubro e dezembro do ano passado, as vendas cresceram 9,4%, os lançamentos aumentaram 5,2% e o estoque de imóveis novos já construídos baixou 12,3%, em comparação com o mesmo período de 2016.

Outro detalhe relevante é que, em janeiro de 2018, bancos privados, como Santander e Bradesco, realizaram mais financiamentos imobiliários que a Caixa Econômica Federal. Para José Carlos Martins, isso já é um sinal de que as instituições financeiras estão mudando sua forma de atuar, diante de um cenário de inflação baixa e juros baixos. “A Caixa não vai ser mais aquele indutor de financiamentos como era. Os bancos privados vão ser obrigados a entrar, e já estão entrando”, comemora Martins.

Confira o estudo Indicadores Imobiliários Nacionais, da CBIC

Entrevistado
Engenheiro civil José Carlos Martins,
presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Contato: presidencia@cbic.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Normas de Cimento Portland serão unidas em uma só

O ABNT/CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) instalou a comissão de estudo no dia 21 de fevereiro

Cimento Portland: nova norma terá comunicação mais acessível com o consumidor de Cimento Portland
. Crédito: Divulgação
Cimento Portland: nova norma terá comunicação mais acessível com o consumidor de Cimento Portland
. Crédito: Divulgação

Atualmente há oito normas técnicas relacionadas ao Cimento Portland. A maioria foi publicada entre 1991 e 1994. Os avanços tecnológicos, os compromissos ambientais assumidos pelos fabricantes e as exigências do mercado indicaram que elas deveriam ser revisadas. No entanto, o setor foi além. A partir de um texto-base elaborado pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), surge a proposta de unificar as normas em uma só, aproveitando os pontos comuns que há entre elas. Na entrevista a seguir, a superintendente do ABNT/CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados), a engenheira civil Inês Laranjeira da Silva Battagin explica como se darão os trabalhos para a elaboração desta nova norma técnica. Confira:

No dia 21 de fevereiro houve a primeira reunião para tratar da revisão das normas técnicas que abrangem o Cimento Portland. Ela foi considerada o start dos trabalhos?
A reunião tratou da reativação da comissão de estudo, procedimento que tem como finalidade estabelecer as bases para o trabalho a ser realizado, e que teve a seguinte pauta: abertura da reunião; apresentação dos participantes; explanação sobre o processo de elaboração de normas brasileiras; apresentação do âmbito de atuação da comissão de estudos; informações sobre a reativação da comissão de estudos; indicação do coordenador e escolha do secretário; definição do programa de trabalho e cronograma das próximas reuniões. Certamente espera-se que grande parte dos participantes dessa reunião faça parte do grupo que atuará na revisão das normas, mas a comissão de estudos é aberta e novos membros podem a ela se integrar.

Qual o objetivo: unificar todas as normas em uma só?
Essa é uma das propostas para a modernização das normas brasileiras de Cimento Portland, com base em documentos congêneres de outros países e também na norma da Comunidade Europeia.

Inês Battagin, superintendente do ABNT/CB-018: objetivo é que nova norma entre em vigor no máximo em um ano. 
Crédito: ABCP
Inês Battagin, superintendente do ABNT/CB-018: objetivo é que nova norma entre em vigor no máximo em um ano. 
Crédito: ABCP

Hoje há oito normas técnicas relacionadas a Cimento Portland, que são: Cimento Portland Comum - CP I e CP I-S (ABNT NBR 5732); Cimento Portland Composto - CP II (ABNT NBR 11578); Cimento Portland de Alto Forno - CP III (ABNT NBR 5735); Cimento Portland Pozolânico - CP IV (ABNT NBR 5736); Cimento Portland de Alta Resistência Inicial - CP V ARI (ABNT NBR 5733); Cimento Portland Resistente a Sulfatos - RS (ABNT NBR 5737); Cimento Portland de Baixo Calor de Hidratação - BC (ABNT NBR 13116); Cimento Portland Branco - CPB (ABNT NBR 12989). Como vai funcionar a revisão: os principais pontos de cada uma serão agregados na norma nova?

Essas normas técnicas tratam das especificações para cada um dos tipos de cimento citados. Note-se que a resistência aos sulfatos e o baixo calor de hidratação são propriedades que qualquer tipo de cimento pode apresentar, desde que comprovada pelos ensaios estabelecidos. Portanto, as normas ABNT NBR 5737 e ABNT NBR 13116 exigem que o cimento cumpra com sua especificação e, além disso, cumpra com as exigências específicas para demonstrar o desempenho de resistência aos sulfatos, ou baixo calor de hidratação, conforme o caso. Assim, as normas em vigor repetem alguns aspectos que são comuns a todos os tipos de cimento e trazem as particularidades de cada tipo. Acredito que será fácil reunir em um único texto todas essas informações e esse formato de apresentação trará uma maior facilidade para o consumidor do produto. A ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) entregou ao ABNT/CB-018 um texto-base contemplando essa proposta, de forma a agilizar os trabalhos da comissão de estudos.

A edição da nova norma levará em conta as inovações tecnológicas que envolvem hoje a produção de Cimento Portland?
Um dos princípios da normalização é buscar o consenso técnico de conteúdos atualizados. Então, muito embora a norma trate do produto e não do processo produtivo, há requisitos que deverão ser atualizados em função do atual estado da arte. Vale citar alguns aspectos que certamente serão considerados, por já serem práticas correntes, em função das inovações industriais. Entre eles, informar o prazo de validade do produto na sacaria e também permitir a estocagem dos sacos de cimento em pallets. O estabelecimento da massa das embalagens em norma deve também ser objeto de avaliação pela comissão de estudos, considerando exemplos de outros países e o fato de existirem no Brasil exigências legais, estabelecidas em portaria, quanto à tolerância de massa.

“O ABNT/CB-018 trata as questões de gestão ambiental e de sustentabilidade como prioritárias.”

E quanto às questões ambientais e de sustentabilidade que envolvem a produção de cimento, elas serão contempladas na norma?
Certamente, pois esse é um tema central dos trabalhos de revisão da norma, considerando as metas previstas pela indústria para atender as expectativas de mitigação de gases de efeito estufa e as possíveis alternativas apontadas pelo Cement Technology Roadmap Brasil. Esse trabalho, realizado junto ao WBCSD (World Business Council for
Sustainable Development) vem ao encontro das premissas de normalização técnica da ISO (International Organization for Standardization), que trata as questões de gestão ambiental e de sustentabilidade como prioritárias. Para disseminar e fortalecer a inclusão das questões de gestão ambiental e sustentabilidade nas normas técnicas, a ISO publicou dois documentos de base (Guias 64 e 82) que direcionam as ações em todos os campos e temas objeto de normalização. A ABNT, como foro nacional único de normalização e representante do Brasil junto às entidades internacionais, reconhece e adota os guias de normalização da ISO, sendo, portanto, obrigação das comissões de estudos da ABNT buscar estabelecer nas normas técnicas brasileiras requisitos que visem ao atendimento dessas diretrizes.

A produção de Cimento Portland também está muito vinculada à logística reversa. É possível que a norma abranja isso?
Como o processo da logística reversa já está estabelecido em lei, torna-se desnecessário tratá-la no âmbito da normalização técnica, salvo se houver alguma especificidade que possa facilitar o processo e se decida detalhá-lo, sem que haja qualquer tipo de confronto com o dispositivo legal.

Como funcionará a comissão do ABNT/CB-018 para preparar a norma?
Como é comum nos trabalhos das comissões de estudo da ABNT, as reuniões serão previamente agendadas. Nelas se devem discutir os assuntos técnicos propostos na pauta, tendo como meta a aprovação por consenso do texto que seja submetido ao processo de consulta nacional. Depois vem a homologação e a publicação como norma brasileira. O trabalho e a composição da comissão de estudo devem estar de acordo com os procedimentos internos da ABNT. A secretaria do ABNT/CB-018 é responsável por zelar por esse processo, pois a ABNT responde pela gestão das normas brasileiras, cujo conteúdo técnico é de responsabilidade das comissões de estudos.

“Em 2018, o programa de trabalho do comitê prevê a publicação de 20 normas técnicas, considerando 14 revisões e seis novos documentos.”

Existe expectativa de quando ela poderá ir a consulta pública e depois para publicação?
Tem sido exigido dos comitês brasileiros que imprimam celeridade ao processo, buscando finalizar os trabalhos em no máximo um ano. Especialmente, no caso de revisão de normas, a ABNT tem enfatizado a importância da objetividade, dando preferência a revisões frequentes e menos expressivas, que possibilitem a atualização dos conteúdos sem a necessidade de processos muito longos, o que pode também facilitar a assimilação das alterações pelo meio técnico afeito ao tema.

O CB-018 trabalha em outras normas técnicas no momento ou vai se concentrar prioritariamente nesta de Cimento Portland este ano?
O ABNT/CB-018 tem em seu acervo 287 normas técnicas brasileiras. Em 2018, o programa de trabalho do comitê prevê a publicação de 20 normas técnicas, considerando 14 revisões e seis novos documentos, além de outros 41 projetos de norma que estão previstos para serem desenvolvidos nas comissões de estudos em atividade e da confirmação de 30 normas técnicas em vigor.

Qual o papel da sociedade na elaboração e na aplicação das normas técnicas?
As normas técnicas são elaboradas pela sociedade para seu próprio uso. Portanto, devem refletir as possibilidades e necessidades dessa mesma sociedade, dentro do tema objeto de normalização, com base no conhecimento e nos avanços tecnológicos disponíveis no momento de sua elaboração.

Entrevistada
Engenheira civil Inês Laranjeira da Silva Battagin, superintendente do ABNT/CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados)

Contato: ines.consult@abcp.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330