Convênio FAE-Itambé capacita estudantes de engenharia civil

A Cia. de Cimento Itambé e a FAE assinaram termo de convênio para que a estrutura técnica e equipamentos da fábrica, da mina de calcário e da central de concreto, sejam utilizados para capacitar e desenvolver os estudantes do departamento de engenharia civil da faculdade com sede em Curitiba-PR. Segundo o pró-reitor de Ensino, Pesquisa e Extensão da faculdade, Everton Drohomeretski, o convênio é um potente combustível para o processo de formação dos alunos, pois os projetos práticos realizados dentro da parceria serão ingredientes fundamentais para a formação de engenheiros inovadores e empreendedores.
Uma das metas é possibilitar que os estudantes aprendam a correta utilização do cimento e do concreto. “O convênio da FAE com a Cia. de Cimento Itambé vai contribuir para a geração de experiências reais dos alunos e, também, viabilizará a realização de projetos que contribuam para a comunidade local, o que julgamos ainda mais importante”, afirma Everton Drohomeretski, destacando que o curso tem o ousado objetivo de gerar o “novo engenheiro civil”. Dessa forma, os principais pontos da graduação são:
- Formar alunos com capacidade de gerar inovações sustentáveis e transformá-las em empreendimentos a serviço da sociedade.
- Capacitá-los para que sejam grandes gestores, a fim de que saibam respeitar e liderar pessoas, além de toda a capacidade técnica que a área exige.
- Permitir que os alunos tenham acesso às principais tendências da área.
- Possibilitar o domínio das tecnologias inovadoras.
- Dar condições para que tenham experiências reais ao longo do seu processo de formação.
O coordenador do curso de engenharia civil, Roger Lahorgue Castagno Junior, reforça que a FAE possui o empreendedorismo em seu DNA, focado na gestão e na inovação, preparando os futuros profissionais para as constantes mudanças do mercado. “Isso só é possível porque atuamos ao lado de grandes empresas como a Cia. de Cimento Itambé, que permite que nossos alunos usufruam das suas tecnologias e de toda expertise profissional de uma organização de ponta”, completa.
Roger Lahorgue Castagno Junior lembra ainda que o convênio será importante para que os estudantes aprendam a pensar na construção civil com mais produtividade, aliando o conhecimento às novas tecnologias. “É o momento do BIM (Building Information Modeling), das construções industrializadas e da melhoria constante no processo de gestão das obras”, ressalta.
Cia. de Cimento Itambé consolida-se como parceira das universidades
Em seu primeiro ano, o curso de engenharia civil da FAE se diferencia por estimular experiências técnico-científicas aos estudantes. Nesse aspecto, o convênio vem ao encontro dos propósitos do curso, frisa o coordenador. “Os estudantes atuarão na Itambé sob a supervisão de gestores da empresa em projetos especiais. A expectativa é de que essa atividade também seja estendida para o curso de arquitetura e urbanismo e gere novos projetos colaborativos durante a evolução da parceria”, destaca.
Com a assinatura do memorando de entendimento celebrado com a Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus - gestora da FAE -, a Cia. de Cimento Itambé amplia suas parcerias com universidades. A empresa já possui convênios com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). “Os convênios com as universidades, além de permitirem aos estudantes a verificação dos cuidados no processo de fabricação/controle do cimento e tecnologia do concreto, aproximam a universidade da indústria e permitem aos alunos o conhecimento necessário para a correta gestão na elaboração de futuros projetos”, explica Lycio Vellozo, diretor comercial da Cia. de Cimento Itambé.
Entrevistados
- Everton Drohomeretski, pró-reitor de Ensino, Pesquisa e Extensão da FAE
- Roger Lahorgue Castagno Junior, coordenador do curso de engenharia civil da FAE
- Engenheiro civil Lycio Vellozo, diretor comercial da Cia. de Cimento Itambé
Contato: imprensa@fae.edu
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Indústria 4.0 está pronta para atuar na produção de cimento

A revista britânica World Cement promoveu recentemente um seminário para perguntar como a indústria da inovação, também conhecida como Indústria 4.0, chegará ao setor de produção de Cimento Portland. A constatação é que as fábricas inteligentes já estão parcialmente em operação, adotando a robótica para operar, por exemplo, os sistemas de pesagem, ensacamento e paletização, sem a interferência humana no processo. A fábrica da Cia. de Cimento Itambé, localizada no município de Balsa Nova-PR, na região metropolitana de Curitiba-PR, é um exemplo.
O gerente industrial Dair Favaro Junior explica como a indústria 4.0 está sendo adotada na fábrica da Itambé. “A chamada Indústria 4.0 ou Quarta revolução Industrial é hoje o futuro das indústrias. No caso da Planta de fabricação de cimento da Itambé, existem diversas aplicações de tecnologia com o conceito 4.0. Entre eles, sistemas inteligentes que supervisionam temperatura, pressão, nível de ruído e potência dos motores. A robótica também está presente no envasamento dos sacos e no carregamento dos caminhões com as sacarias de cimento”, diz.

Os sacos vazios são alimentados por uma máquina-robô, que faz o enchimento até o peso da embalagem e, automaticamente, despeja os sacos. Uma balança, conhecida como checkweigher, confere a pesagem. Caso o saco não atinja a tolerância solicitada pela norma técnica, descarta o saco para reprocessamento, envia um sinal ao bico que carregou este saco e o ajusta automaticamente sem necessidade de calibração e intervenção humana. “Tudo com alta precisão, sem parar a instalação e sem precisar de comando humano. Está tudo dentro da tarefa do sistema inteligente”, completa Dair Favaro Junior.
Os sacos devidamente cheios, com pesagem correta e datados, são conduzidos por correias transportadoras até a paletizadora. Trata-se de outro robô que empilha os sacos sobre um palete de madeira. Quando o palete está com a quantidade certa de sacos de cimento, o palete cheio é conduzido pela máquina até uma extremidade onde ficará à disposição para ser pego pela empilhadeira. “A ação humana neste equipamento se limita a alimentar a máquina com paletes vazios e retirar os paletes cheios, que são efetuados pelo operador da empilhadeira”, resume o gerente industrial da Itambé.

Para os que participaram do seminário da World Cement, a conclusão é que a chegada da indústria 4.0 ao setor de cimento poderá ajudar as fábricas a atingirem metas de eficiência energética e de redução de emissão de CO2, além de obterem mais eficácia na distribuição e no controle de qualidade do material. Aplicativos para smartphones permitirão aos operadores ter uma visão geral de todas as etapas de produção de cimento, de todos os índices relevantes à linha de embalagem, bem como o consumo de energia e de emissões de gases na atmosfera.
O uso do Big Data também permitirá a instalação de chips em sacos de cimento, possibilitando o rastreamento individual das embalagens, tanto por parte da fábrica quanto do comprador. Como já ocorre com as vendas online, o cliente terá como saber qual lote está indo para sua obra, qual a data em que foi ensacado, além da correta pesagem e de quando a carga chegará no destino. Tudo controlado pelo smartphone. Já a fábrica poderá monitorar o armazenamento do produto quando ele chegar ao depósito da revenda ou no canteiro de obras.
Da produção ao armazenamento nas revendas e no canteiro de obras, tudo será monitorado
Isso permitirá a correção de distorções. Todas as informações serão transparentes e compartilhadas, afirmam os que participaram do seminário da World Cement. Não haverá, por exemplo, como o cliente ou a revenda alegar que o produto apresentou alguma anomalia, haja vista que o chip terá como transmitir, inclusive, dados sobre a umidade do local em que o saco de cimento estaria armazenado. Com o monitoramento, entendem os fabricantes, haverá solução para um dos problemas que mais afeta a vida útil do cimento, que é o correto armazenamento.
O seminário concluiu também que as fábricas de cimento tendem a melhorar a produtividade em, no mínimo, 10% quando entrarem efetivamente em processos de indústria 4.0. “Máquinas automáticas capazes de operar planos de melhoria contínua, juntamente com a manutenção preditiva, serão capazes de melhorar a eficiência e estender a vida de uma fábrica. O melhor monitoramento de todo o ciclo de produção vai minimizar o tempo de inatividade da fábrica e aumentar a produtividade”, conclui o relatório publicado na World Cement.
Entrevistados
Reportagem com base em relatório publicado pela revista britânica World Cement, a respeito da influência da indústria 4.0 na produção de Cimento Portland, e em depoimento do engenheiro químico Dair Favaro Junior, gerente industrial da Cia. de Cimento Itambé
Contatos
enquiries@worldcement.com
dair.favaro@cimentoitambe.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Indispensável, concreto projetado requer cuidados
O concreto projetado é a tecnologia construtiva que mais cresce no mundo. Dados recentes, coletados até 2016, mostram que o volume empregado em obras aumenta a uma taxa de 25% ao ano. Os países nórdicos, encabeçados pela Noruega, consomem 1/3 do concreto projetado produzido globalmente. Por duas razões: dispensa fôrmas e é fácil de aplicar. Além disso, cumpre função importante na construção de túneis, taludes, recuperação de estruturas e em obras arquitetônicas.

Porém, o concreto projetado tem suas vulnerabilidades e seus riscos, como explica o mestre em engenharia civil, e pesquisador da Escola Politécnica da USP, Renan Picolo Salvador. Especialista em temas como hidratação de cimento, aditivos aceleradores para concreto, concreto projetado, concreto reforçado com fibras e macrofibras sintéticas, ele palestrou no 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na primeira semana de maio de 2018.
Entre as vulnerabilidades do concreto projetado estão as patologias que podem atingir o material, caso haja falha em sua composição e em seu manuseio. Além disso, esses dois fatores podem desencadear risco à obra. Principalmente, se houver o desplacamento do concreto. Renan Picolo Salvador lembrou em sua palestra que 5% dos acidentes globais em canteiros de obras se devem à aplicação incorreta do concreto projetado. Boa parte destas fatalidades ocorre em escavações de túneis, onde o material fica mais exposto a patologias.
Cimento com fíler é o mais recomendado para a composição do concreto projetado
Por isso, o projetista que atua com concreto projetado precisa conhecer as peculiaridades do material. Uma delas está relacionada à resistência mecânica. “Aumentar significativamente a resistência mecânica do concreto projetado aumenta também o potencial de fissuração. É preciso saber equilibrar a resistência mecânica para reduzir o risco do material fissurar”, diz o pesquisador da USP, lembrando que o tipo de cimento usado na composição do concreto projetado é fundamental para que não ocorram interferências na resistência e na durabilidade. O mais recomendado é o cimento com fíler.

Estudos desenvolvidos por Renan Picolo Salvador na Universidade Politécnica da Catalunha, na Espanha, mostraram que as principais patologias que atingem o concreto projetado - no caso dos túneis ou dos taludes - se dão entre o substrato da rocha ou do solo e a camada do material. “São regiões em que os sulfatos podem penetrar e desencadear fissuras e infiltrações”, alerta. O pesquisador lembra que as camadas de concreto projetado variam de acordo com o tipo de obra e a função que o material deverá cumprir. Há casos que podem atingir entre 15 centímetros e 20 centímetros de espessura.
O concreto projetado também cumpre a função de impermeabilização. Sua aplicação, geralmente, se dá de duas formas: via seca ou úmida. No método a seco, cimento e agregados só entram em contato com a água no bico projetor. Neste caso, há um risco maior de não serem obedecidos os traços definidos pelo projetista. No processo via úmida, o concreto é preparado antes, fica armazenado em câmara própria e daí vai para a projeção. Essa técnica permite conferir as características finais do material para sua aplicabilidade.
Entrevistado
Reportagem com base na palestra do químico, mestre em engenharia civil e pesquisador da USP, Renan Picolo Salvador, dentro do 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela UFPR
Contato: prc.ufpr.contato@gmail.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Vai construir em faixa litorânea? Capriche na argamassa
Assim como os protetores solares agem como um escudo para blindar a pele humana dos raios ultravioletas, quando se está exposto ao sol, é a argamassa o melhor protetor para evitar que o concreto seja atingido pelos cloretos que são lançados no ar pelo aerossol marinho - também conhecido como névoa marinha. Esses cloretos desencadeiam patologias como corrosão das armaduras, podendo levar ao colapso as estruturas construídas em faixa litorânea. Por isso, se for empreender uma obra em região exposta aos efeitos do mar, capriche na argamassa.

Em síntese, esse foi o recado deixado pelo pesquisador e professor-doutor do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Gibson Meira, que palestrou no 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na primeira semana de maio de 2018. Desde o início dos anos 2000 ele se dedica a estudar edificações expostas às chamadas “zonas de spray marinho”. “Essas áreas variam de região para região. Em João Pessoa-PB, elas se estendem por até 200 metros da faixa do mar, mas há casos em que avançam significativamente pelo continente. Em Florianópolis-SC, há relatos de que chegam a avançar até 1.400 metros. Na Austrália, podem atingir até 30 quilômetros”, diz o professor-doutor.
Conhecido com spray marinho, aerossol marinho ou névoa marinha, o fenômeno se dá quando a onda quebra na praia, lançando partículas salinas que são capturadas pelo vento e transportadas para dentro do continente, carregando partículas corrosivas de cloretos. Quanto maior a velocidade do vento, mais distante o percurso que elas podem percorrer. No Brasil, as partículas do aerossol se movimentam, em média, a 5 m/s. Quando o vento faz depositar na superfície das edificações até 100 miligramas diárias por metro quadrado (100 mg/m2/dia) inexiste preocupação quanto a corrosão das armaduras. Mas se a concentração salina passar deste nível é acionado o alerta.
Argamassa mais espessa e com materiais de boa qualidade protegem melhor o concreto
Em Fortaleza-CE já foi verificada concentração diária de 3,5 gramas por metro quadrado (3.500 miligramas/m2/dia). “Quando isso ocorre, a probabilidade de parte desses cloretos depositados na superfície da edificação ser transportada para dentro do concreto, atingindo a armadura, é relativamente grande. Ela começa de forma despretensiosa, até desencadear o processo de corrosão, podendo levar ao colapso da estrutura se não forem tomadas medidas de combate a essa patologia”, explica Gibson Meira, entrando no quesito qualidade do revestimento da argamassa. No IFPB, os testes envolveram a argamassa convencional, feita com cimento, água, cal hidratada e areia, preparada in loco, ou seja, sem o uso de argamassas industrializadas, as quais podem vir com aditivos que melhoram a combatividade do material contra eventuais agentes corrosivos.
Foram testados vários tipos de espessuras - de 25 milímetros a 55 milímetros. Em ensaios acelerados em laboratório, simulando vida útil de 30 anos, verificou-se que as menos espessas e com material mais poroso funcionavam como colônias para os cloretos. Já as mais espessas, e que utilizam uma areia mais refinada, agiam como escudos. “Conclusão: a espessura e a qualidade dos materiais, como o tipo certo de cimento, permitem que a argamassa acrescente proteção adicional ao concreto. Em alguns casos, espessuras de 55 milímetros foram as mais recomendadas, mas isso varia, dependendo das situações práticas”, afirma o professor-doutor Gibson Meira, ao concluir sua palestra.
Saiba mais
Baixe o livro "Corrosão de armaduras em estruturas de concreto: fundamentos, diagnóstico e prevenção", de Gibson Rocha Meira (Editora IFPB)
Entrevistado
Reportagem com base na palestra do engenheiro civil e professor-doutor do Instituto Federal da Paraíba, Gibson Rocha Meira, dentro do 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela UFPR
Contato: prc.ufpr.contato@gmail.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Controlar temperatura do concreto evita etringita tardia
A etringita tardia é uma patologia do concreto descoberta recentemente. Os primeiros estudos, relata o American Concrete Institute (ACI), começaram no final dos anos 1980. Denominada internacionalmente como Delayed ettringite formation (DEF) - formação tardia de etringita -, no Brasil ela passou a ser chamada de etringita tardia. O primeiro caso divulgado em seminários do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) é de 2010, e se refere ao estudo de um bloco de fundação que surgiu com várias fissuras e estrutura comprometida, em um edifício na cidade de São Paulo-SP.

No país, um dos principais pesquisadores desta patologia é o engenheiro -doutor Selmo Chapira Kuperman, que palestrou no 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na primeira semana de maio de 2018. Em sua exposição, intitulada “Temperatura do concreto em blocos de fundação”, Kuperman relata que a etringita é um mineral encontrado na natureza, mas também capaz de se formar em maciços de concreto, durante a hidratação do material a altas temperaturas, em função das seguintes combinações: tipo do cimento, agregados e aditivos.
Ao ultrapassar temperaturas superiores a 65 °C durante o período de cura, o concreto pode se tornar propenso a desenvolver etringita tardia. “Após a cura e o endurecimento do concreto, a etringita fica latente e pode se manifestar daqui a cinco anos, dez anos ou vinte anos, nunca se sabe. Para que ela se manifeste, é preciso um ambiente úmido”, relatou Selmo Chapira Kuperman, lembrando que muitas vezes a etringita tardia é confundida com reação álcali-agregado (RAA). “Etringita não é reação álcali-agregado. Em alguns casos, pode ser muito pior. E quando ocorre etringita combinada com reação álcali-agregado, isso é muito perigoso”, completou.
No final dos anos 1980, quando começaram os estudos desse tipo de patologia, verificou-se que ela se formava com mais frequência em elementos pré-moldados de concreto. Pesquisando, foi descoberta a razão: os fabricantes elevavam a temperatura para acelerar a cura e a desfôrma, desencadeando etringita tardia. Hoje, lembra Selmo Chapira Kuperman, a etringita tardia motiva várias pesquisas mundo afora, principalmente em países que possuem usinas nucleares. “O maior risco é que o calor e a umidade gerados pelos reatores desencadeiem a etringita latente, que possa estar nas paredes de concreto que revestem o núcleo da usina”, citou.
Com laboratórios defasados, Brasil está atrasado nas pesquisas
Os avanços das pesquisas já permitem afirmar que não existe um ensaio que diga se um determinado tipo de cimento vai provocar etringita tardia antes de seu uso no concreto. A única prevenção é o controle da temperatura. No Brasil, é adotado o padrão francês, que recomenda 65 °C como limite de segurança. Já os Estados Unidos são mais tolerantes, aceitando 70 °C. Para criar um padrão nacional, Kuperman recorda que tentou incluir a temperatura na revisão de 2014 da ABNT NBR 6118 - Projeto de estruturas de concreto - Procedimento -, mas não conseguiu. “Na nova revisão que está sendo preparada, o tema será incluído, pelo menos como um alerta”, disse.
O engenheiro-doutor apelou também para que o Brasil reaja ao sucateamento dos laboratórios de controle de concreto, o que está deixando o país defasado em pesquisas como a etringita tardia e outras patologias relacionadas à construção civil. “No período de construção de grandes hidrelétricas, estatais como CESP, Furnas, Eletronorte, Itaipu Binacional, Cemig e outras tiveram que montar seus laboratórios para controlar a qualidade do concreto usado na obra. As universidades se abstiveram desse trabalho e hoje isso faz falta. No passado, o Brasil mandava seus ensaios para serem realizados em outros países porque não tínhamos know-how e não tínhamos equipamentos. Hoje, temos conhecimento, mas continuamos a não ter equipamentos. Nossos laboratórios estão definhando”, desabafou.
Entrevistado
Reportagem com base na palestra do engenheiro-doutor Selmo Chapira Kuperman, membro do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto), membro da comissão de Reação Álcali-Agregado da ABNT e membro de outros organismos internacionais, como American Concrete Institute (ACI) e American Society, dentro do 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela UFPR
Contato: prc.ufpr.contato@gmail.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Por que o edifício Wilton Paes de Almeida desabou?

Quando as imagens de televisão mostraram o edifício Wilton Paes de Almeida desabando verticalmente, após arder em chamadas por cerca de uma hora e meia, os engenheiros civis especialistas em patologias de estruturas sujeitas ao fogo desconfiaram tratar-se de um prédio construído em aço e concreto. Preliminarmente, o professor da USP, diretor-técnico do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) e membro da Associação Latino-americana de Patologias das Construções (ALCONPAT), Paulo Helene, chegou a atribuir à estrutura mista a causa da queda do prédio.
No entanto, visitando os escombros da edificação nos dias 8 e 9 de maio, Paulo Helene divulgou comunicado na imprensa revendo sua opinião. Agora, ele afirma que o edifício Wilton Paes de Almeida, construído nos anos 1960, no centro da cidade de São Paulo-SP, era 100% construído em concreto armado. O professor, então, atribui o desabamento a duas combinações: a falta de manutenção, já que o prédio estava abandonado há 17 anos, e o fato de o fosso do elevador ter servido como chaminé para a propagação do incêndio, o que elevou substancialmente a temperatura das estruturas, levando ao colapso.
No 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na primeira semana de maio de 2018, o professor-doutor Roberto Dalledone Machado - titular do departamento de engenharia civil da UFPR -, e que palestrou sobre patologia de estruturas sujeitas ao fogo, também abordou o desabamento do edífício. “Ainda não há laudos sobre as causas do incêndio nem dados oficiais sobre o projeto estrutural, mas a forma como o edifício desabou lembrou muito o ocorrido com as Torres Gêmeas, em Nova York, em 2001, pois o prédio colapsou e caiu verticalmente”, disse, frisando que sua opinião foi baseada em informações divulgadas na imprensa e não em laudos técnicos.

A prefeitura de São Paulo informa que a conclusão do inquérito sobre o acidente só deve sair em 60 dias. As primeiras opiniões técnicas sobre o caso - incluindo a de Paulo Helene - se basearam em tese de doutorado do arquiteto Roberto Novelli Fialho, publicada em 2007 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, a qual sugeria que o projeto arquitetônico do prédio indicava a existência de metal nas vigas.
Em sua palestra, Dalledone explica que o aço, a 600 °C, perde 80% de sua resistência e entra em colapso. Já o concreto tem resistência ao fogo maior e é capaz de suportar temperaturas acima de 900 °C, no caso dos concretos de alta resistência. Por se tratar de uma edificação com 50 anos de construção, inadequada à ABNT NBR 15200:2004 - Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio - Procedimento, que nem existia na época, as estruturas do Wilton Paes de Almeida ficaram mais expostas ao fogo e colapsaram muito rapidamente. “O prédio de São Paulo não estava preparado para suportar exigências da norma, até porque ele foi construído antes do surgimento da norma”, ressaltou.
Margem de segurança dos elementos estruturais do edifício era mínima

Outros fatores contribuíram para a queda do edifício incendiado. Tratava-se de uma obra abandonada e ocupada irregularmente. Não havia manutenção e, consequentemente, a margem de segurança dos elementos estruturais era mínima. “Além disso, pelo que foi lido na imprensa, o prédio não tinha elevadores e o fosso estava totalmente livre. Isso funcionou como uma chaminé e ajudou a acelerar a propagação do fogo por toda a edificação”, destacou Dalledone, lembrando que atualmente os edifícios, mesmo os em estrutura mista, seguem padrões de segurança muito mais rigorosos em seus projetos, que englobam argamassas com cimento de amianto, revestimento com gesso e pintura intumescente, que protegem os materiais metálicos.
O edifício Wilton Paes de Almeida foi projetado pelo arquiteto Roger Zmekhol (in memorian). Inaugurado em 1968, primeiramente foi sede da Companhia Comercial de Vidros. A empresa faliu e o prédio foi encampado pela União como parte de pagamento de dívidas com o INSS. Por um tempo, abrigou a burocracia da Seguridade Social e depois se transformou em sede da Receita Federal na cidade de São Paulo. Em seguida, se tornou sede da Polícia Federal na capital paulista. Estava abandonado desde 2003.
Entrevistado
Reportagem com base na palestra do engenheiro civil e professor-doutor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Roberto Dalledone Machado, dentro do 3º Simpósio Paranaense de Patologias das Construções, promovido pela UFPR
Contato: prc.ufpr.contato@gmail.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Norma técnica deve valer para 100% da cadeia da construção

Consultor jurídico especialista em Código de Defesa do Consumidor e programas de qualidade, Rafael Baitz palestrou na Feicon Batimat 2018 sobre a qualidade mínima dos materiais e a responsabilidade do lojista diante do consumidor. O evento ocorreu de 10 a 13 de abril na cidade de São Paulo-SP, e Baitz citou que o cumprimento das normas técnicas definidas pela ABNT para materiais de construção não se limita aos fabricantes e fornecedores, mas também à ponta da cadeia produtiva que vende os produtos para os consumidores, ou seja, as revendas. “Quem vende produto não-conforme com a normalização vigente, seja por má estocagem, violação de embalagem ou por ser de uma linha que não condiz com a qualidade exigida, está sujeito a punições”, alerta.
O advogado confrontou os programas de qualidade desenvolvidos pelo governo e setores da indústria com a responsabilidade dos lojistas diante do consumidor. “A norma técnica de qualidade se destina a todos os fornecedores, inclusive o lojista, pois o Código de Defesa do Consumidor engloba toda a cadeia, ou seja, a revenda também é responsável pelo que coloca no mercado”, diz. “Quem vende itens de qualidade inferior está se comprometendo legalmente”, completa Rafael Baitz. Ele alerta que as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) prevalecem até a ponta da cadeia produtiva da construção civil, que é o consumidor. “Infringi-las pode resultar em multa, condenação judicial, condenação civil pública e termo de ajustamento de conduta (TAC)”, reforça.
Construtoras precisam redobrar cuidado para não usar material não-conforme
Baitz lembra que especialmente as construtoras devem estar atentas a fornecedores que oferecem produtos não-conformes. “Para a construtora é um péssimo negócio usar produto não-conforme, pois ela é tão responsável quanto o fabricante em caso de vício de qualidade. A construtora pode - identificada a não-conformidade do produto - exigir sua substituição, amigavelmente ou via judicial”, afirma. O consultor jurídico destaca ainda que não adianta a construtora tentar responsabilizar apenas o fornecedor, quando implicada por uso de material sem conformidade. “Segundo o Código de Defesa do Consumidor, a responsabilidade nesse caso é tanto do fabricante do produto quanto da construtora que vendeu o imóvel com um produto impróprio para o consumo”, complementa.
Na palestra, Rafael Baitz usou o exemplo de uma caixa d’água. “Imagine um consumidor que compra uma caixa d’água não-conforme. O produto permite a proliferação de fungos e algas. A água é contaminada e toda a família adoece. Em um caso assim, além de toda a despesa com a troca do produto, o fornecedor e a construtora deverão pagar ao consumidor uma nova caixa d’água, mão de obra para a reinstalação do produto, etc. Além disso, deverão arcar com os custos da despesa médica e dos dias que os consumidores ficaram impossibilitados de trabalhar. Veja o tamanho do prejuízo”, diz, indicando o procedimento para a construtora. “O mais aconselhável é certificar-se antes da qualidade do produto que vai usar. Neste caso, o site do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat) é uma ótima ferramenta, pois antes dele surgir, há 20 anos, metade dos produtos comercializados era não-conformes. Hoje, o percentual caiu para 17%”, finaliza.
Acompanhe a palestra de Rafael Baitz
Entrevistado
Reportagem com base em palestra realizada na Feicon 2018, concedida pelo advogado especialista em direito do consumidor, consultor jurídico e professor universitário, Rafael Baitz
Contato: atendimento@beg.adv.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Loja de material de construção vai além do ponto de venda
A abertura de uma loja de material de construção não requer apenas um bom ponto em um bairro da cidade. Sua instalação precisa atender dispositivos municipais, que vão desde a lei de zoneamento até a lei de uso do solo do município, como explica o arquiteto e urbanista Edison Borges Lopes. “Essas exigências se devem a questões ambientais, e têm sido bem delicadas em algumas cidades. Obras já foram embargadas por não atenderem as regras. Essas informações devem ser checadas junto aos organismos competentes locais e às prefeituras”, diz.

Presidente da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), e especializado em projetos para lojas de materiais de construção, Edison Borges Lopes cita que o projeto para uma loja de material de construção deve atender três pontos básicos: localização, edificação e layout. Em localização, o que deve ser observado é se o terreno está adequado ao armazenamento de materiais de construção, se não existe risco de contaminação do solo e se não há problemas de águas pluviais na área em que a loja será construída. Vale verificar ainda se as concessionárias de água, esgoto e energia conseguem suprir as demandas da loja.
Dentro do quesito localização, é importante também realizar um mapeamento da faixa de renda dos moradores no entorno da loja, para ter a percepção do potencial de consumo dos futuros clientes. Isso vai influenciar também no ponto edificação. A partir do perfil dos consumidores, o projeto arquitetônico da loja poderá prever vagas de estacionamento, iluminação, ventilação e acessibilidade. “Se o imóvel for usado, e precisar ser adaptado para uma revenda de material de construção, é importante saber se a estrutura comporta o armazenamento dos itens que serão comercializados”, destaca Edison Borges Lopes.
Perfil do consumidor influencia até no layout da loja de material de construção
O arquiteto e urbanista palestrou em seminário promovido pela Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) na Feicon 2018, realizada de 10 a 13 de abril, na cidade de São Paulo-SP. Em sua exposição, ele alertou ainda que o perfil do consumidor também vai influenciar no layout da loja. “Na frente do estabelecimento, e perto dos caixas, devem estar os produtos que gerem consumo por impulso. Permitir que o consumidor interaja com os produtos também é fundamental”, reforça. “A loja deve contar uma história para o cliente, estimulando ele a consumir”, afirma.
Outro ponto relevante está relacionado com o trânsito da região. É importante levar em consideração que a loja é um local de intenso processo de carga e descarga, o qual envolve o tráfego de caminhões. Se a localização do depósito estiver em uma região que não permita o trânsito de veículos pesados, a loja pode ficar inviabilizada, alerta o arquiteto. “Além de pensar no acesso dos clientes, e em como o consumidor vai carregar suas compras, é importante viabilizar a carga e a descarga dos materiais que vão para a loja”, finaliza.
Acompanhe a palestra de Edison Borges Lopes
Entrevistado
Reportagem com base em palestra realizada na Feicon 2018, concedida pelo arquiteto e urbanista Edison Borges Lopes, presidente da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura)
Contatos
asbea@asbea.org.br
info@argis.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Guia de boas práticas, selo da Abcic completa 15 anos

O Selo de Excelência da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) completa 15 anos. Reconhecido por sua abrangência e poder de indução da qualidade e da sustentabilidade setorial e empresarial, tornou-se indutor de desenvolvimento tecnológico do setor, como explica a presidente-executiva da Abcic, Íria Doniak. “O selo se transformou também em um guia prático das melhores práticas em termos de normas técnicas, de segurança no fornecimento de produtos e serviços, além de garantir o contínuo aprimoramento nas diversas áreas das organizações”, diz.
Presente em 23 fábricas - e com outras empresas em processo de pré-auditoria para obter a certificação -, o selo da Abcic é também uma garantia de credibilidade para o setor da construção civil, especificamente para as indústrias de pré-fabricados de concreto. “O selo transmite ao mercado o conceito de padrões de qualidade e tecnologia alinhados com a sustentabilidade, a responsabilidade social e a segurança”, reforça Íria Doniak, lembrando que a adesão ao selo pode se dar integralmente, passando pelos níveis I, II e III, ou em partes. “Ele tem um caráter evolutivo”, destaca.
O nível I envolve exigência de atendimento das normas técnicas básicas, ensaios dos principais materiais, controle inicial dos processos das empresas, qualidade do produto e da montagem, regulamentação de funcionamento dos funcionários e aspectos de gestão de segurança (NR-18 e NR-9). Já o nível II engloba aspectos de gestão da qualidade e registros de controle dos processos, atendimento de normas técnicas complementares, ensaios de outros materiais, atendimento das normas regulamentadoras e avaliação da satisfação do cliente. O nível III requer análise de aspectos ambientais e monitoramento e medição de resultados.
Selo da Abcic foi revisado em 2013 e terá uma nova atualização em 2018
Íria Doniak destaca que os níveis do selo de qualidade são complementares. “O nível I é muito voltado para o controle de qualidade, o nível II para a garantia da qualidade e o nível III para uma gestão integrada de qualidade e gestão de meio ambiente, retroalimentando todo o processo”, cita. A certificação é auditada pelo IFBQ (Instituto Falcão Bauer de Qualidade) e passa por atualizações, a fim de acompanhar as revisões e o surgimento de novas normas técnicas. A mais recente ocorreu em 2013, quando houve inclusões normativas, como a ABNT NBR 14861 - Lajes Alveolares de Concreto Protendido; ABNT NBR 15823 - Concreto Autoadensável, e ABNT NBR 15146-1 - Controle Tecnológico de Concreto -Qualificação Pessoal - Parte 3: Pré-moldado de concreto.
Uma nova atualização está prevista ainda para o primeiro semestre de 2018, e irá incorporar a atualização da ABNT NBR 9062:2017 - Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado – e incluir a norma de painéis pré-moldados de concreto. “As atualizações são importantes, porque um programa de certificação requer melhorias contínuas que levem em conta a evolução do segmento, a atualização das normas técnicas e as novas demandas de mercado”, explica a presidente-executiva da Abcic, que realça que o selo de qualidade também segue programas internacionais, como é o caso do PCI Plant Certification, do Precast Concrete Institute, nos Estados Unidos.
Entrevistada
Engenheira civil Íria Lícia Oliva Doniak, presidente-executiva da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto)
Contato: abcic@abcic.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Saber usar o cimento gera importantes ganhos ambientais

Em aula para estudantes de graduação do curso de engenharia civil da Universidade de São Paulo (USP), o professor-doutor Vanderley Moacyr John explica didaticamente como o uso correto do cimento contribui para manter a demanda de obras, sem impactar o meio ambiente. “É importante conhecer que o cimento é um mundo. Saber explorá-lo traz não apenas ganhos financeiros como ambientais. Tudo parte das combinações das adições - essencialmente fíler de calcário, escórias de alto forno e pozolanas (a mais comum, cinzas da queima de carvão mineral das termelétricas) -, que geram uma variedade grande de tipos de cimento. O uso correto de cada tipo de cimento ajuda sobremaneira os esforços da indústria cimenteira a reduzir a emissão de CO2”, explica.
Segundo Vanderley John, o Brasil está na vanguarda da produção de cimento, em relação ao resto do mundo, por dois motivos: no país, todos os cimentos têm adição, que variam entre 5% e 65% da massa, e a indústria cimenteira nacional investiu em novos equipamentos, a partir de 2006, os quais a tornaram mais eficiente. “Além de usar fornos mais modernos, que consomem menos combustível para produzir clínquer, a indústria nacional também se reinventou em sua preocupação ambiental, adotando, por exemplo, filtros que sequestram o CO2 que sai das chaminés. Então, no Brasil, considerando os avanços na fabricação de cimento e as adições para produzir o material, são gerados 580 quilos de CO2 para cada tonelada de cimento. Sem esses avanços, seriam 860 quilos. Do ponto de vista ambiental, é um sucesso”, relata.
Cabe aos engenheiros civis e arquitetos entender de cimento e inovar
Na outra ponta, que envolve engenheiros civis e arquitetos, Vanderley John lembra que cabe aos profissionais saber fazer o uso do cimento certo em suas obras e também se concentrar em inovações que melhorem as técnicas construtivas, para também ajudar a reduzir a emissão de CO2. Afinal, como diz o professor-doutor da USP, não dá para pensar na vida moderna sem infraestrutura, e não dá para pensar em infraestrutura sem materiais cimentícios. “O cimento está na moda, pelo simples fato de que a humanidade não anda para trás. Há quem defenda aumentar o volume de construções em aço e madeira, mas esses materiais são limitados. Já o concreto é prático. Por isso, vai ser muito difícil a humanidade prescindir de um ligante inorgânico que possibilita moldar peças monolíticas em qualquer lugar do mundo. O futuro ainda pertence ao Cimento Portland”, assegura.
Atualmente, a média mundial de consumo de cimento no mundo está em torno de 500 kg/ano por habitante. Esse volume por habitante gera algo como 450 kg de CO2 por ano. Vanderley John lembra que quanto mais rico o país, mais matéria-prima por habitante é consumida. “Se a indústria cimenteira não estivesse fazendo nada, em 2050 ela responderia por 1/3 do CO2 antropogênico gerado no planeta. Mas, sim, ela está se movimentando para reduzir o impacto ambiental. Nos últimos anos, investiu globalmente 500 bilhões de dólares para capturar 20% do CO2 emitido”, recorda o professor. São avanços que melhoram o cimento e o tornam ainda insubstituível.
Acompanhe a vídeo-aula do professor-doutor Vanderley Moacyr John
Entrevistado
Reportagem com base em vídeo-aula do professor-doutor Vanderley Moacyr John, da Escola Politécnica da USP
Contato: imprensa@usp.br









