Centenário de Poty Lazzarotto: veja suas obras em concreto

Fachada do Teatro Guaíra, em Curitiba (PR), é uma das obras emblemáticas de Poty Lazzarotto.
Crédito: Maringas Maciel/CCTG

Se estivesse vivo em 2024, o artista Poty Lazzarotto completaria 100 anos. Dentre algumas de suas obras mais emblemáticas estão os painéis produzidos com concreto. Alguns exemplos são o mural na Praça 29 de março, intitulado Desenvolvimento de Curitiba; o mural Paraná no Palácio Iguaçu; e a fachada do Teatro Guaíra. 

Para Ernani Maia, arquiteto fundador da MAIA Arquitetura, Poty Lazzarotto foi uma figura importante para a arte brasileira, deixando um legado significativo na gravura e na arquitetura nacional. “Sua importância reside em diversas contribuições que enriqueceram a cultura visual do Brasil. Em primeiro lugar, como mestre da gravura, Poty foi pioneiro ao estabelecer o primeiro curso de gravura no Museu de Arte de São Paulo (MASP), por exemplo. Sua habilidade excepcional nesta forma de expressão captura com autenticidade e profundidade a essência da vida brasileira. Seus trabalhos são, muitas vezes, biográficos e refletem desde suas memórias de infância até retratos dos habitantes e cenários de Curitiba (PR), sua cidade natal”, comenta.

Além de sua contribuição para as artes plásticas, Poty deixou um impacto duradouro na arquitetura brasileira por meio de seus monumentos e painéis. “Seus trabalhos em azulejo e concreto aparente adornam muitos espaços públicos em Curitiba, que se destacam por sua representação do desenvolvimento histórico da cidade. Seus painéis não só celebram a história e a cultura local, mas também refletem a evolução da paisagem urbana e dos seus habitantes ao longo do tempo”, afirma Maia. 

Maia destaca o seu trabalho "Quatro Estações", que é um mural monumental que cobre toda a fachada do Hotel Nacional Inn, narrando as atividades das estações do ano e incorporando elementos naturais e culturais característicos da região.

“Assim, a importância de Poty Lazzarotto para a arte brasileira reside na sua capacidade de criar obras que são ao mesmo tempo esteticamente cativantes e culturalmente significativas, enriquecendo o panorama artístico e arquitetônico do Brasil”, opina Maia.

Arte em concreto

Maia destaca que trabalhar com arte em concreto apresenta desafios técnicos e estéticos. “Isso porque o concreto é um material robusto, porém moldável, o que permite uma variedade de formas e texturas, mas também exige habilidade para controlar sua consistência e secagem. A técnica geralmente envolve a preparação de moldes, a aplicação de aditivos para aprimorar características como cor e textura, e o trabalho meticuloso durante o processo de cura para garantir a qualidade final da obra”, explica.

De acordo com Maia, a arte em concreto e os painéis murais em argamassa são comumente empregados na arquitetura como elementos decorativos e integrados aos edifícios. “Eles podem ser usados para adornar fachadas de prédios, paredes internas e externas, áreas de lazer, entre outros. A utilização desses elementos permite personalizar e dar identidade aos espaços arquitetônicos, além de proporcionar uma conexão visual com a cultura e história locais”, destaca.

Vale lembrar que há cuidados específicos necessários para a manutenção de obras em concreto. É importante realizar inspeções regulares para detectar danos (como fissuras ou desgaste), tomar medidas preventivas, como a aplicação de revestimentos protetores ou a limpeza adequada para remover sujeira e poluição. Em casos de reparos, é essencial utilizar materiais compatíveis com o concreto original e seguir técnicas adequadas de restauração para preservar a integridade da obra.

Ao usar o concreto, o artista fez a transposição do material utilizado na arquitetura modernista para as artes plásticas modernistas.
Crédito: Daniel Castellano / SMCS

Concreto x arquitetura moderna

Maia lembra que existe também uma relação muito próxima do concreto com a arquitetura moderna, em que ele é muito usado. “O Poty transpôs isso para as artes plásticas de um jeito muito especial. Essa transposição do material utilizado na arquitetura modernista para as artes plásticas modernistas mostra um diálogo muito amistoso entre essas duas instâncias. O concreto é um elemento muito presente na Arquitetura Modernista, no Brasil muito difundido através de grandes expoentes como Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas, entre outros. O bacana da arte do Poty foi criar essa relação com suas intervenções através do mesmo material que caracteriza o movimento moderno no Brasil, criando um diálogo interessante e muito coerente. Ele fez com que a obra de arte se tornasse parte integrante da arquitetura e não um mero adorno”, conclui o arquiteto.

Entrevistado
Ernani Maia é arquiteto fundador da MAIA Arquitetura. É graduado e pós-graduado pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, Mestre pela Universidade Mackenzie. Destaca-se por diversas pesquisas e artigos acadêmicos nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, sobretudo analisando os impactos das novas tecnologias telemáticas e dos conceitos de sustentabilidade nos modos de espacialização da sociedade contemporânea. Professor Universitário dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Design em várias instituições de ensino e atualmente no curso de pós-graduação do IED (Instituto Europeo di Design- São Paulo). Fundador da InCAD Instituto de Capacitação em Arquitetura e Design. Atua desde 1991 na concepção de projetos de arquitetura, compatibilização, gerenciamento e coordenação de interfaces multidisciplinares.

Contatos
MAIA Arquitetura: atendimento@maiaarquitetura.com.br
Assessoria de Imprensa da MAIA Arquitetura: a.marques@activacomunicacao.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé. 


Normas ABNT poderão ser visualizadas de forma ilimitada

Para presidente do Confea, liberação auxilia engenheiro que está no campo e precisa consultar normas.
Crédito: Envato

As normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) são essenciais para o setor de construção, especialmente no que diz respeito à segurança, qualidade e padronizações. Hoje, existem quase 900 documentos da ABNT relacionados à construção civil. Dentre as normas mais recentes, destaca-se a que aborda o tema ESG

Por conta da importância destas normas para o mercado de engenharia e construção civil, o Sistema Confea/Crea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia/ Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e Mútua alcançou um marco significativo ao firmar um acordo histórico com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Esta iniciativa dá acesso irrestrito ao conteúdo normativo para os profissionais registrados e em dia com o Sistema. Anteriormente, a disposição permitia apenas 60 minutos de acesso prévio às normas. 

Na opinião de Vinicius Marchese, presidente do Confea e engenheiro de telecomunicações, essa é uma parceria que chega direto na ponta, beneficiando por completo o profissional da construção civil. “O engenheiro que está no campo anda com a norma ABNT embaixo do braço e, nessas horas, ele se lembra que o Confea está aqui para ser parceiro dele”, destaca Marchese.

Válido para todos os CREAS

A atualização do contrato, que inclui também as normas da Associação Mercosul de Normalização (ANM), foi realizada em 28 de fevereiro, após a adesão de todos os Creas do Brasil.

De acordo com o Sistema Confea/Crea, essa iniciativa enaltece o compromisso do Sistema em oferecer suporte aos profissionais, considerando que estes lidam regularmente com as normas da ABNT. Um exemplo disso é o ano de 2023, quando o site da Associação registrou um total de 242.193 horas de pré-visualização de normas, representando um aumento significativo de 544% em relação a 2022.

Outro benefício oferecido é o desconto de 66,6% para adquirir as normas em formato impresso. Além disso, estes profissionais têm a oportunidade de adquirir cursos oferecidos pela ABNT com 50% de desconto. 

Normas mais recentes para a construção civil

Veja algumas das normas ligadas à construção civil mais novas ou que passaram por atualizações recentes:

  • Atualização da norma ABNT NBR 14725: estabelece novas diretrizes para classificação de perigo, rotulagem e a nova Ficha com Dados de Segurança (FDS). 
  • Norma ESG (ABNT PR 2030): apresenta conceitos, diretrizes, critérios de avaliação e orientações para organizações no contexto da agenda ESG (ambiental, social e de governança).
  • Atualização da NBR 6118: A norma-mãe que rege o uso do concreto passou recentemente por um processo de revisão e de consulta popular.
  • NBR 17170 de 12/2022: esta norma define diretrizes para o incorporador, construtor ou prestador de serviços de construção em edificações de toda natureza de uso.
  • NBR 7211 – Agregados para concreto – Requisitos: ela se dedica a definir os requisitos para produção e recepção dos agregados miúdos e graúdos destinados à produção de concretos de cimento Portland. 

Fontes
Sistema Confea/Crea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia/ Conselho Regional de Engenharia e Agronomia)
Vinicius Marchese é presidente do Confea e engenheiro de telecomunicações

Contato
imprensa.confea@brmaiscomunicacao.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

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Porto de Santos receberá investimentos de R$ 20,53 bilhões até 2028

Investimentos no Porto de Santos passam de R$ 20 bilhões.
Crédito: Porto de Santos

Durante os próximos quatro anos, o Porto de Santos receberá R$ 20,53 bilhões em investimentos, sendo R$ 8,68 bilhões de recursos privados e R$ 11,85 bilhões de recursos públicos e de parcerias público-privadas (PPPs). O anúncio foi realizado no dia 11 de março na sede da Autoridade Portuária de Santos, com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho

O plano de investimentos, referente ao período compreendido entre 2024 e 2028, contempla uma série de projetos que irão modernizar o complexo e aumentar a capacidade de transporte de cargas, entre outras melhorias. Rogério Santos, prefeito de Santos, ressaltou a importância desses investimentos. “São projetos importantes para a infraestrutura e para a economia do Brasil. Mas, mais do que isso, são projetos importantes para as pessoas, porque vão gerar empregos e oportunidade de empreender.”

O Porto de Santos é responsável por no mínimo 25% do comércio exterior brasileiro, de acordo com informações do site oficial, sendo o principal porto brasileiro em valores de carga movimentada e o maior complexo portuário da América Latina. Opera com ampla variedade de cargas, incluindo granéis sólidos, líquidos, carga geral solta, conteinerizada e cargas de projeto.

Confira alguns dos projetos para o Porto de Santos

Segundo dados enviados para o Massa Cinzenta pela assessoria de imprensa do Porto de Santos, de 2019 a 2023, foram investidos R$ 71,78 milhões em recursos públicos e PPPs, enquanto a previsão é de que esse número suba para R$ 11,85 bilhões, entre 2024 e 2028. Serão R$ 568,05 mi em 2024, R$ 2,08 bi em 2025, R$ 3,01 bi em 2026, R$ 3,14 bi em 2027 e R$ 3,06 bi em 2028.  


Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos, participou do anúncio dos investimentos.
Crédito: Pedro Cavalcante/APS

De acordo com a lista de projetos contemplados no Plano de Investimentos do Governo Federal para o Porto de Santos, o maior aporte financeiro será destinado à implantação do túnel Santos-Guarujá (R$ 5,13 bilhões). “Temos que acelerar os investimentos para fazer com que, de fato, essa obra saia do papel. Essa obra demorou mais de 100 anos para ser feita”, reforçou o ministro Silvio Costa Filho.

O projeto prevê a construção de um trecho submerso de 860 metros para ligar as cidades de Santos e Guarujá. Todos os dias, segundo o Governo do Estado de São Paulo, cerca de 78 mil pessoas utilizam as balsas disponibilizadas atualmente para o mesmo trajeto, enquanto aproximadamente 10 mil caminhões são obrigados a percorrer até 45 km para conseguir chegar ao outro lado.

Outro destaque será a criação do Parque Valongo (R$ 100 milhões), que tem como objetivo transformar áreas de antigos armazéns portuários do centro histórico em espaços de lazer e convivência, com realização de atividades esportivas e culturais. As obras da primeira fase do projeto já foram iniciadas em 2023, e a conclusão deverá ser no final de 2025, com a entrega de um boulevard ainda em 2024, em setembro.

A ideia também é promover a transferência do terminal de passageiros do Concais para a área do Valongo (R$ 1,4 bilhão), criando uma interligação com o parque.


Parque Valongo é um dos projetos previstos no orçamento.
Crédito: Raimundo Rosa/PMS

O cronograma prevê, ainda, uma dragagem de aprofundamento do canal de navegação para 16 metros (R$ 324,1 milhões), a implantação do sistema de monitoramento de tráfego de navios (com uso de tecnologia de ponta, incluindo drones), na ordem de R$ 169 milhões, além do reforço e recuperação estrutural dos berços de atracação da Ilha de Barnabé para aprofundamento (R$ 112,3 milhões).

Além disso, os investimentos irão viabilizar a criação de um estacionamento com monitoramento digital do deslocamento de caminhões no entorno, em uma área de 500 mil metros quadrados (R$ 800 milhões), e a repotencialização da Usina Hidrelétrica de Itatinga, incluindo a produção de hidrogênio verde (R$ 500 milhões). 

Por meio do Novo PAC, R$ 544 milhões serão destinados à construção da segunda etapa da Avenida Perimetral do porto em Guarujá, na margem esquerda, com obras de melhoria de acesso, segregação dos tráfegos urbano e portuário e eliminação de passagens em nível, enquanto outros R$ 25,8 milhões irão para a Avenida Perimetral da margem direita, em Santos, no trecho Alemoa, com a pavimentação de 580 metros de via e construção de canal de drenagem. 

Fontes
Porto de Santos
Prefeitura de Santos

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
Vogg Experience

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Impermeabilizar a obra durante a construção garante economia e durabilidade ao imóvel

Impermeabilização de imóveis custa menos na fase de construção.
Crédito: Envato

Realizar a impermeabilização de um imóvel é fundamental para prevenir infiltrações e problemas que possam comprometer a estrutura da obra.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI), quando o processo é realizado durante a fase de construção, seu custo fica entre 2% e 3% do valor total da obra, enquanto os gastos sobem para 20% do valor da obra em caso de reparos realizados após a conclusão do projeto.

"A definição das áreas a serem impermeabilizadas é algo que vem até antes da construção do imóvel, vem desde a fase de projeto", diz Thiago Vallotti, assistente técnico do IBI. "A aplicação se dará preferencialmente por empresa especializada na aplicação de impermeabilização e sempre com produtos e sistemas corretamente especificados e que atendam às Normas Brasileiras (ABNT)."

O especialista explica que o procedimento é necessário para evitar as ações danosas da água e de fluidos nos elementos da construção, sendo essencial, em alguns pontos, para garantir a vida útil e estabilidade de estruturas - como em muros de arrimo e baldrames. Já em áreas molhadas (como banheiros, lavabos, cozinhas e lavanderias), permite que a água tenha o seu correto destino sem causar danos estéticos nem de desempenho. Em áreas suspensas (como jardins elevados, lajes e coberturas expostas, sacadas e varandas), a impermeabilização evita que a água da chuva penetre nos materiais, causando não apenas danos estéticos, mas problemas mais severos.

"Uma vez aplicada e operante, as áreas impermeabilizadas necessitam de inspeção e manutenções para garantirem sua efetividade, durante toda a vida útil do imóvel", afirma Vallotti. Segundo ele, há três tipos de manutenções: a corretiva, feita quando se percebe a falta de estanqueidade, a preventiva e a preditiva, realizadas antes de ocorrência de falhas. "As manutenções do tipo preventiva e preditiva são sempre as recomendadas (e que devem ser seguidas), deixando as manutenções corretivas somente para casos fortuitos, como chuvas de granizo e queda de árvores que possam porventura danificar um sistema de impermeabilização exposto, por exemplo."

O assistente técnico do IBI destaca, ainda, que a busca pela correta impermeabilização vem se difundindo. "Falhas de impermeabilização são massivamente a maior fonte de reclamações de usuários, principalmente de edifícios verticais, como revelam pesquisas e artigos recentes. E isso naturalmente gera mais atenção", explica. "A impermeabilização não fica visível, na maioria das vezes, porém cumpre seu papel primordial estando lá, muitas vezes, abaixo de bonitos pisos e pedras caras, e nobremente garantindo o correto funcionamento, estanqueidade e habitabilidade do imóvel."

Renato Giro Bessa de Almeida, diretor-presidente da Associação de Engenharia de Impermeabilização (AEI), também avalia que este é um mercado em crescimento, devido ao aumento da conscientização. "O consumidor está cada vez mais preocupado em evitar um custo maior de suas necessidades corretivas, não postergando as intervenções necessárias, reduzindo, assim, o investimento a ser feito."

Segundo ele, o local da obra, as condições climáticas e o gradiente térmico (taxa de variação da temperatura) são elementos levados em conta na hora da elaboração do projeto de impermeabilização. "Cidades onde o gradiente térmico é grande necessitam de maior atenção, uma vez que poderemos ter ambientes internos com calefação e externos em temperaturas bem inferiores, criando, assim, a condição de fluxo de vapor pelas estruturas."

O representante da AEI explica que, em um sistema de impermeabilização, fazem parte os serviços de preparação das superfícies, os caimentos para os drenos, a aplicação de um material impermeabilizante e depois, sobre eles, as suas proteções. "Os materiais mais usuais são as mantas pré-fabricadas, como as mantas asfálticas, as argamassas cimentícias, as argamassas cimentícias acrílicas (com ou sem fibras) e as membranas moldadas no local, como os epóxi, os poliuretanos e as membranas acrílicas", detalha. "Diante da diversidade, a especificação feita por um especialista é fundamental para o sucesso e a durabilidade (vida útil) do sistema."

Fontes
Renato Giro Bessa de Almeida, diretor-presidente da Associação de Engenharia de Impermeabilização (AEI)
Thiago Vallotti, assistente técnico do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI)

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience

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Japão ganha arranha-céu mais alto do país

Arranha-céu fica na região de Azabudai Hills, uma espécie de vila urbana moderna.
Crédito: Mori Building

O Japão acaba de ganhar seu arranha-céu mais alto, o Mori JP Tower, localizado em Tóquio. Com 330 metros de altura, a construção conta com 64 andares.  

O edifício, um dos vários presentes no empreendimento, será multifuncional, abrigando residências, hotéis de renome, espaços de escritórios, um centro médico universitário, lojas de varejo e restaurantes. Além disso, abrigará a maior escola internacional do centro de Tóquio.

O prédio foi concebido pelo renomado escritório de arquitetura norte-americano Pelli Clarke & Partners. Uma das estruturas de menor altura do empreendimento foi projetada pelo conceituado Heatherwick Studio, sediado no Reino Unido.

Bairro de Azabudai Hills

O projeto foi construído na região de Azabudai Hills – que é um bairro “estreito” que corta a cidade de leste a oeste. Este distrito foi habitado por pequenas casas de madeira e alguns prédios, só que muitos estão se deteriorando. Desde 1989, o Conselho de Reestruturação de Cidades foi estabelecido e, desde então, ele vem planejando a área de Toranomon-Azabudai. 

O conceito de Azabudai Hills é o de uma Vila Urbana moderna, um amplo espaço aberto no coração de Tóquio repleto de vegetação exuberante que reúne as pessoas para construir uma nova comunidade. 

Infraestrutura do Azabudai Hills

Azabudai Hills cria um oásis urbano verde com aproximadamente 24.000 de áreas arborizadas, destacando-se sua praça central com cerca de 6.000 m². O complexo abrangerá uma área total de aproximadamente 861.700 m², contendo cerca de 214.500 de espaços comerciais, aproximadamente 1.400 unidades residenciais e a imponente Mori JP Tower. Este empreendimento de uso misto terá capacidade para abrigar cerca de 20.000 funcionários e 3.500 residentes, além de atrair 30 milhões de visitantes anualmente.

Projeto do Mori JP Tower

A Mori JP Tower se eleva sobre o distrito de Azabudai Hills com sua fachada de vidro. Ela é projetada para evocar uma flor de lótus, com uma coroa apresentando quatro pétalas de vidro curvas. 

Sustentabilidade

O empreendimento utiliza 100% de energia renovável. Os moradores podem rastrear a origem de sua energia por meio do Sistema de Rede de Energia do Mori Building. Tecnologias sustentáveis em todo o distrito incluem o uso de calor proveniente de esgoto para reduzir as emissões de CO2. Medidas de conservação de água incluem armazenamento de água da chuva e tratamento para reutilização, reciclagem de águas residuais e equipamentos economizadores de água que reduzem o consumo em 40% em comparação ao padrão LEED. 

Segurança na estrutura

Para reforçar a segurança da infraestrutura urbana, o Mori Building implementou recursos resistentes a terremotos, garantindo a continuidade das operações empresariais mesmo diante de tremores de magnitude semelhante ao do terremoto Hanshin-Awaji, o maior já ocorrido no Japão. Além disso, a Mori JP Tower está equipada com um sistema de cogeração e sistemas de aquecimento/refrigeração de distrito em seu subsolo. Isso permite que o Mori Building forneça 100% da eletricidade e do calor necessários em todo o complexo de Azabudai Hills em caso de desastre, por meio de geradores de emergência. Adicionalmente, Azabudai Hills contará com aproximadamente 6.000 de abrigo, capaz de acolher temporariamente até 3.600 pessoas em emergências.

Segundo o Azabudai Hills Fact Book 2023, o empreendimento utiliza componentes de concreto e aço, conferindo alta resistência para garantir o equilíbrio das estruturas. Dispositivos de controle de vibração são estrategicamente instalados em áreas centrais para reduzir o tremor durante terremotos, conferindo assim uma alta resistência sísmica. Além disso, grandes dispositivos de controle de vibração, conhecidos como "amortecedores de massa ativa", serão empregados para minimizar o balanço dos edifícios em condições de ventos fortes.

Assista ao vídeo aqui.

Fontes
Azabudai Hills/Mori JP Tower

Contatos
Assessoria de imprensa - ebekah.brant@camronglobal.com 

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

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FEICON-SP e 98º ENIC acontecem em São Paulo

Soluções de sustentabilidade se destacaram na FEICON.
Crédito: Equipe WTF

Entre os dias 02 e 05 abril, aconteceu em São Paulo a FEICON, feira do setor de construção civil e arquitetura que conta com a presença dos principais players e o maior mix de produtos dos segmentos de acabamentos, estruturas, instalações e externos. 

Durante o evento, também foi realizada a 98ª edição do Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), que reúne economistas, representantes do poder público e da iniciativa privada para debater o cenário da indústria do setor, os rumos econômicos e apresentar projetos. Dentre os temas debatidos em 2024 estão o uso da inteligência artificial, demanda por engenheiros no Brasil, incentivo à formalização, agenda ESG, déficit habitacional, custos administrativos de obras públicas, entre outros.  

Confira o que foi destaque nos eventos:

FEICON: destaque para soluções sustentáveis

Como tem acontecido nos demais eventos do setor de construção civil, a sustentabilidade e soluções para reduzir os impactos ao meio ambiente também geraram interesse na FEICON.

“Penso que as marcas, em função das políticas de ESG em suas empresas, começaram a olhar de forma diferente para os 3 pilares da sustentabilidade: meio ambiente, social e financeiro. Outro ponto forte foi o aumento de programas de recolhimento de resíduos ao longo dos últimos anos no Brasil. Isso fez com que diferentes empresas tivessem matéria-prima à disposição", afirma Iza Valadão, engenheira, PhD. em materiais e sustentabilidade e embaixadora da FEICON. 

Dentre as soluções apresentadas está o Cabo Elétrico Sustentável (SIl), que é produzido a partir da cana-de-açúcar, utilizando 100% de material reciclado. Outra novidade apresentada foi a sauna eco-friendly, que é confeccionada em madeira proveniente de plantação da própria empresa e vidro, produtos brasileiros, 100% recicláveis. Ainda, outra solução foi o Isolamento Acústico Sustentável para pisos e paredes, fabricado com matéria-prima renovável - lã de garrafas PET.

 98° ENIC foi realizado durante FEICON.
Crédito: FEICON

Ainda sobre sustentabilidade, uma tecnologia presente na feira foi o bloco de concreto celular, que simplifica o desenvolvimento da obra, oferecendo resistência e facilidade para cortes. Ideal para construir estruturas com passagem de canos e fios, é leve e possui ótimas propriedades de isolamento térmico e acústico. Além disso, é produzido com menos energia e emite menos CO2 que o concreto tradicional. 

Outra novidade foi a argamassa antitérmica acústica e antichamas para paredes, que pode ser usada em paredes de alvenaria em geral, gesso acartonado (drywall) e placa cimentícia.

98° ENIC

Durante o evento, foram discutidos vários tópicos relacionados ao universo da construção civil. Confira:

  • Uso do BIM para reduzir custos das operações e pegada de carbono: durante o painel “Benefícios do BIM na gestão de projetos complexos – aplicação e resultados”, a Reta Engenharia apresentou o case da construção de uma hidrelétrica, no qual ao usar o BIM, conseguiu reduzir em 11,28% os custos da operação e em 40% a pegada de carbono estimada.
  • Impacto da Reforma Tributária na industrialização da construção: neste painel, Ana Maria Castelo, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ressaltou que a atual predominância de processos artesanais nos canteiros de obras revela a urgência de avançar na adoção de métodos industrializados. No entanto, durante o debate, foi ressaltado também o papel da tributação como um dos entraves à produtividade e a transição para o novo sistema tributário, que exigirá cuidados e atenção para minimizar possíveis efeitos negativos.
  • Futuro da Habitação e do Mercado Imobiliário: O painel destacou o avanço do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) no país. Ely Wertheim, vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC, apontou que as contratações de imóveis em São Paulo voltaram fortes, no último ano as vendas somaram mais de 70 mil unidades, das quais cerca de 50% das unidades vendidas foram enquadradas como MCMV. 
  • Custos administrativos de obras públicas: este painel trouxe o debate a respeito das despesas indiretas, mobilização e desmobilização de equipamentos, seguro de garantia e adequação das exigências do órgão contratante. Para Rafael Sacchi, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), é essencial que os contratos reflitam preços justos e produtividades adequadas, a fim de garantir a sustentabilidade e competitividade das empresas do setor.
  • Enfrentamento do déficit habitacional: durante o debate, Inês Magalhães, vice-presidente de habitação da Caixa Econômica Federal, ressaltou a importância da habitação como um desafio global e seu impacto em áreas como educação e saúde. A vice-presidente destacou a necessidade de políticas habitacionais eficazes e parcerias entre governo, Estados e municípios para enfrentar esse desafio de forma abrangente. 
  • Inteligência Artificial na construção civil: esta sessão abordou o uso da IA na análise e processamento de dados. O CEO da Brickup, Rafael Souza, apontou que estes dados podem ser utilizados não apenas para aumentar a produtividade, mas também para promover a saúde e segurança dos colaboradores. Já para Luís Felipe Veloso, COO na Morada.ai, a IA tem potencial para impulsionar as vendas, podendo tornar os canteiros mais eficientes e ágeis.

Fontes
FEICON
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Contatos
FEICON - Assessoria de imprensa - roger@kbcomunicacao.com.br
CBIC -  imprensa@cbic.org.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

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Déficit habitacional do Brasil chega a 6,2 milhões de famílias

Demanda por novos domicílios nos próximos 10 anos é estimada em 6,6 milhões.
Crédito: Envato

Em coletiva de imprensa, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontou que mais de 6,2 milhões de famílias vivem em residências inadequadas ou não têm moradia no Brasil. Estes dados são de 2022 e representam um aumento de 5% no déficit habitacional quando comparado a 2019.

O levantamento da CBIC também apontou que aproximadamente 75% do déficit atual (quase cinco milhões de moradias), estão concentrados na faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que abrange famílias com renda até R$ 2.640,00. O valor médio das habitações para esta faixa de renda é de R$ 135 mil.  

Em São Paulo (SP), ocorre uma situação peculiar: 20,7% das unidades residenciais estão vazias – isso corresponde a 58,7 mil domicílios. Ao comparar com o Censo de 2010, essa região representava 7,5% do total de habitações vazias em São Paulo; doze anos depois, essa proporção avançou para 8,7%. No Brasil, dos 90 milhões de domicílios existentes no país em 2022, 12% (ou 11 milhões) estavam vagos.

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo, houve esvaziamento dos centros urbanos. “Trabalho remoto, migração para cidades como Petrópolis e Nova Friburgo, no caso do Rio. O número de domicílios aumentou 34%, são mais 23 milhões de domicílios mapeados, parte expressiva, de residências de uso ocasional. Isso explica a própria redução da média de moradores. É processo contínuo, não é novo, de agora", afirmou.

Investimento para equacionamento do déficit habitacional

De acordo com o estudo feito pela CBIC, a demanda por novos domicílios nos próximos 10 anos é estimada em 6,6 milhões. Esta mesma análise apontou que para zerar imediatamente o déficit habitacional, seriam necessários R$ 961,54 bilhões. No entanto, o estudo lembra que o volume de recursos anunciados para o MCMV para o período 2023-26, somados às contrapartidas resulta em R$ 394,1 bilhões, ou seja, tem-se uma lacuna de R$ 567,46 bilhões.

Ao mesmo tempo, este levantamento da CBIC considera que se este investimento fosse feito, haveria um incremento no PIB da Construção da ordem de R$ 444,51 bilhões, o que somado aos efeitos sobre os fornecedores e os decorrentes do gasto da renda gerada nos dois primeiros (induzidos), alcançaria R$ 1,07 trilhão. A respeito dos efeitos sobre arrecadação e emprego, o estudo apontou que seriam R$ 284,17 bilhões adicionais e 4,5 milhões de postos de trabalho, respectivamente. 

“Considerando os efeitos totais, um aporte dessa magnitude teria um impacto muito forte na economia, alcançando um incremento de 10% sobre o PIB. No entanto, um aporte único desse montante é pouco provável, seja por conta das limitações relativas às fontes de recursos ou mesmo dos recursos físicos – mão de obra e materiais. Assim, uma meta de longo prazo mostra-se mais crível”, destaca o estudo.

Se fosse considerado o prazo de 10 anos, seria necessário um investimento de R$ 1,975 trilhão para dar conta do déficit (6,26 milhões de habitações) e da demanda por novas moradias nos próximos 10 anos (6,599 milhões de habitações). De acordo com a CBIC, este investimento aumentará o PIB da Construção Civil em R$ 913 bilhões, o que corresponderia a um incremento de 8,7%, enquanto o PIB do País cresceria R$ 2,204 trilhões, ou seja, alta de 21%. Além disso, a arrecadação de tributos no setor aumentaria em R$ 584 bilhões, e a arrecadação total do país em R$ 1,228 trilhão. Por fim, este investimento seria capaz de gerar 9,175 milhões de postos de trabalho na Construção e 25,7 milhões na economia.

“O estudo mostrou os impactos sobre emprego, renda e tributos, mas os benefícios totais vão muito além, na medida em que o acesso a uma moradia adequada traz vários outros ganhos muitas vezes imensuráveis”, informou o documento.

Soluções para o déficit habitacional

Na opinião do vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, Clausens Duarte, os recursos necessários para sanar o déficit também podem ser mobilizados a partir da parceria com a iniciativa privada. Entretanto, para realizar este movimento, é necessária uma melhoria na segurança jurídica, garantindo um ambiente de negócios mais propício para os investimentos. “O desafio de garantir moradia digna é de todos, é do país. E a parceria com a iniciativa privada pode contribuir com os recursos necessários para enfrentarmos esse desafio. Mas é preciso maior segurança empresarial para um ambiente de negócios mais atrativo aos investimentos”, destacou durante a coletiva de imprensa. 

Para o presidente da CBIC, Renato Correia, investir na construção gera uma retroalimentação na economia, já que o recurso destinado a obras gera emprego, renda para a população e garante moradia, mobilidade e saneamento. “A construção consegue fazer o casamento perfeito da competitividade da economia com a inclusão social. O que nós entregamos não é um recurso que vai e não volta. O efeito de se investir na construção é muito grande, com geração de novos postos de trabalho, mais famílias conquistam sua casa própria e cidadania, melhora a infraestrutura urbana das cidades e garante ao setor produtivo os instrumentos necessários para manter a economia girando. Habitação e infraestrutura reduzem o passivo social e ainda trazem os ganhos pelo aumento dos investimentos. É momento do poder público priorizar a construção como alavanca para enfrentar e resolver os desafios sociais do Brasil”, defendeu.

Com relação ao Centro de São Paulo, em 2023, a Prefeitura lançou uma série de ações para atrair 220 mil novos moradores ao longo dos próximos 20 anos. Dentre as medidas, estão: maior agilidade e segurança à emissão de alvarás; incentivos fiscais, como isenção e redução de impostos; expansão do perímetro de abrangência das áreas de incentivo, incluindo mais vias; e regulamentação do Projeto de Intervenção Urbana – PIU Setor Central

Ainda, o retrofit tem sido utilizado como uma solução para os centros das capitais brasileiras. Para Renata Borges, professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Estácio, o Retrofit é uma forma sustentável de utilização de edificações. “Edifícios antigos, geralmente sem uso e degradados em áreas urbanas são revitalizados e passam por atualizações que permitem que sejam ocupados novamente”, comentou em entrevista ao Massa Cinzenta.

Fontes
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - comunica@ibge.gov.br

Renata Borges é Arquiteta e Urbanista, formada pela Universidade do Grande ABC em 2001, especialista lato sensu em Arquitetura e Iluminação pelo IPOG-SP (2016). É mestranda em Arquitetura e Urbanismo, na área de concentração de Tecnologia da Arquitetura, subárea Conforto Ambiental, Eficiência Energética e Ergonomia, com foco de pesquisa em Iluminação Elétrica e Human Centric Lighting. Professora nos cursos de Design de Interiores e de Arquitetura e Urbanismo desde 2005. Atua no mercado desde 1997, e como arquiteta desde 2001 em escritório próprio, nas áreas de arquitetura de interiores residenciais e comerciais, projetos de iluminação e nas áreas legais da arquitetura, saúde, segurança contra incêndio e meio ambiente. Atualmente, é professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Estácio.

Contatos
CBIC - imprensa@cbic.org.br
IBGE - comunica@ibge.gov.br
Renata Borges - redborges@gmail.com 

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé. 


Como a inteligência artificial está influenciando a construção civil?

Inteligência artificial permite preencher lacuna de formação de pessoas e falta de interesse na construção civil.
Crédito: Envato

A escassez de mão de obra é um dos principais problemas enfrentados na construção civil atualmente. Durante o evento “Quintas da CBIC”, Eduardo Aroeira, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), apontou que uma das grandes preocupações na construção civil é a falta e a baixa qualidade de mão de obra. Seria o investimento em tecnologia artificial uma forma de contornar esta escassez?

Para Guilherme Bechara, gerente de soluções em engenharia da Construtora Barbosa Mello, a tecnologia permite preencher essa lacuna de formação de pessoas e falta de interesse. “Em áreas específicas, podemos substituir com a inteligência das máquinas ou da tecnologia que temos disponível. Temos muita dificuldade de encontrar auxiliares, e estamos conseguindo com esse uso de tecnologia, substituir essa mão de obra menos qualificada”, comentou Bechara durante o “Quintas da CBIC”. 

Veja abaixo como a inteligência artificial irá impactar em diferentes frentes:

Inteligência artificial na arquitetura

De acordo com Alexandre Kuhn, arquiteto, CEO e cofundador da Redraw, a inovação na arquitetura já é aplicada há muitos anos. “Esse é o caso de sistemas como Grasshopper e Rhino, que há cinco anos, utilizam algoritmos para definir parâmetros de projetos e gerar soluções arquitetônicas. O que acontece agora é que a IA está acelerando esse processo, integrando cada vez mais funções que, antes, eram exclusivas dos arquitetos. E o que resta para esse profissional? Penso que o contato humano sempre vai existir. Os clientes nunca deixarão de optar por conversar com um profissional, porque isso é o que lhes traz confiança e os afasta dos receios da IA. Mas o arquiteto, ao mesmo tempo, não pode ficar para trás. Ele precisa se reinventar e estudar a tecnologia para saber aplicá-la em seu dia a dia”, comenta Kuhn.

Inteligência artificial na construção civil

Diego Barreto, vice-presidente de Finanças e Estratégia do iFood, e Sandor Caetano, Chief Executive Officer do PicPay, escreveram o livro “"O Cientista e o Executivo - Como o iFood utilizou a inteligência artificial para redefinir processos, criar vantagem competitiva e se tornar um case mundial de sucesso". Na obra, eles avaliam o uso de inteligência artificial em vários setores. 

Para os autores, na construção civil, setor que historicamente dependente de muitos processos manuais, a IA impulsiona a inovação. A capacidade de gerar projetos arquitetônicos rapidamente, considerando inúmeros cenários, revoluciona a concepção e a execução de planos. A IA viabiliza a escolha eficiente de soluções, promovendo eficiência construtiva e redução de custos.

“A IA pode ser aplicada para otimizar sistemas complexos. Na construção, tecnologias semelhantes podem melhorar o uso de recursos, a logística de materiais e a gestão de resíduos, e ainda redefinem o design arquitetônico por meio de simulações que levam em conta fatores climáticos, estruturais e de uso do espaço”, enfatiza Diego Barreto.

Para Wanderson Leite, fundador do EuConstruindo.com e da Prospecta Obras, há muitas formas de aplicar a IA na rotina deste setor, indo desde a captação de dados em tempo real da construção dos canteiros no território, até no apoio em cenários de risco, monitoramento, e muitas outras funcionalidades que permitem uma maior otimização e segurança aos profissionais do segmento. 

“Considerando, especificamente, a melhora da experiência do consumidor no ramo, um dos maiores usos desta ferramenta está no aspecto financeiro envolvido nas obras. Até hoje, é muito comum observar enormes dificuldades destes clientes em realizar suas construções com o melhor custo-benefício. Infelizmente, se tornou “normal” ter más experiências em encontrar boas lojas com orçamentos adequados e dentro do prazo estipulado, o que desencadeia um enorme efeito dominó prejudicial ao andamento do projeto. Mesmo sendo uma situação muito usual atualmente, o investimento da IA pode ajudar a reverter essa realidade com excelentes resultados. Uma de suas maiores contribuições está, justamente, em servir como uma ponte entre quem precisa construir e quem vende os insumos necessários para isso – estreitando o relacionamento entre as partes e tornando o planejamento da obra muito mais eficiente através da captura de dados em tempo real sobre as empresas do setor. Na prática, com a ajuda desta tecnologia, ela conseguirá solicitar as demandas dos consumidores em seus projetos e enviá-los às empresas do setor, de forma que elas mesmas entrem em contato com seu público-alvo oferecendo seus orçamentos para facilitar a compra dos materiais necessários”, comenta Leite.

Inteligência artificial em equipamentos

Durante o evento “Quintas da CBIC”, Guilherme Bechara, gerente de soluções de engenharia da Construtora Barbosa Mello (CBM), comentou a respeito do uso de inteligência artificial em equipamentos não tripulados. 

De acordo com Bechara, esta automação tem trazido bons resultados para a empresa. “Ninguém no mundo levantou mais material com equipamentos não tripulados do que a CBM. Em 2023, batemos o recorde com 3 milhões de m3 de materiais escavados”, conta. No caso, a escavadeira 3D, que possui cockpit externo que permite que ela seja operada remotamente trouxe um salto de mais de 20% na produtividade da empresa no exercício de escavação e movimentação de solo. 

Neste mesmo evento, Higor Reis, executivo de negócios da SODEP Sistemas, contou sobre o trabalho desenvolvido com hardwares embarcados nos equipamentos, que transferem dados e informações para um servidor local ou na nuvem.

“Todos esses dados vão para central de monitoramento, que compila os dados com IA e gera relatórios. No nosso caso, a IA vem tomando certas responsabilidades e decisões mais efetivas a partir dos inputs e do histórico de produção baseado no cenário dos equipamentos para gerenciá-los dentro do despacho. Estamos tirando essa decisão do ser humano para que a máquina indique onde é a melhor alocação dos equipamentos, a forma mais fácil de produzir e o cenário onde vou conseguir atingir capacidade de produção”, explica. 

Fontes
Eduardo Aroeira é vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Guilherme Bechara é gerente de soluções em engenharia da Construtora Barbosa Mello.
Alexandre Kuhn é arquiteto, CEO e cofundador da Redraw.
Diego Barreto é vice-presidente de Finanças e Estratégia do iFood. 
Sandor Caetano é Chief Executive Officer do PicPay.
Wanderson Leite é fundador do EuConstruindo.com e da Prospecta Obras.
Higor Reis é executivo de negócios da SODEP Sistemas.

Contatos
CBIC - imprensa@cbic.org.br
Guilherme Bechara – Guilherme.bechara@cbmsa.com.br
Alexandre Kuhn - suporte@redraw.pro
Diego Barreto e Sandor Caetano - Assessoria de imprensa - isabela@makebuzz.com.br
Wanderson Leite - assessoria de imprensa - nathalia@informamidia.com.br
Higor Reis - higor.reis@sodep.com.br 

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé. 


Com R$ 2 bilhões de investimentos, Aeroporto de Congonhas será reestruturado

Novo terminal será construído em Congonhas e interligado ao atual.
Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Aeroporto de Congonhas recebe aproximadamente 22 milhões de passageiros por ano e é o segundo mais movimentado do Brasil, ficando atrás apenas do Aeroporto Internacional de Guarulhos, com cerca de 41 milhões. Com o intuito de melhorar sua produtividade e proporcionar maior comodidade aos viajantes, o local receberá R$ 2 bilhões em investimentos para serem utilizados em obras de ampliação e modernização. Com isso, será possível que 29,5 milhões de pessoas usem o aeroporto a cada ano.   

O anúncio foi feito no final de março pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, ao lado de representantes da nova gestora do terminal, a Aena Brasil. A previsão é de que metade dos projetos de melhorias sejam concluídos até 2026, e o total deles, até 2028.

"Nosso objetivo é poder ofertar mais qualidade de serviço à população”, disse o ministro durante a cerimônia. “As obras que serão realizadas vão trazer planejamento e desenvolvimento para o Estado de São Paulo, mas, sobretudo, melhoria aos passageiros que vêm visitar o Estado, que hoje é referência não só no Brasil, mas no mundo”, disse Costa Filho.

Nova estrutura para Congonhas

De acordo com a Aena Brasil, alguns dos principais desafios atuais do aeroporto têm a ver com as pontes de embarque insuficientes e os espaços limitados no terminal e nos acessos ao local. Por isso, uma das metas é realizar a expansão do terminal de embarque e desembarque, com uma nova área integrada de 105 mil metros quadrados, tamanho maior do que o dobro do espaço atual. 

Também estão previstas 19 novas pontes de embarque, que irão garantir 70% ou mais de possibilidade de embarques, além de um futuro check-in com novo salão para abrigar 72 posições amplas e acessíveis (podendo chegar a 108) e novo píer, que terá 36 metros de largura e 330 metros de comprimento. O projeto inclui, ainda, a ampliação do canal de inspeção (de 10 para 17) e outros 13 leitores automáticos para cartão de embarque.

Além disso, o aeroporto vai contar com novos hangares e pátios para aviação comercial (com 215.000 m²), novo terminal de cargas e a inclusão de portões reversíveis capazes de acomodar voos internacionais. Outra meta é realizar a requalificação de pistas e pátios, promovendo reforço estrutural e adequação das pistas de rolagem.

Bagagens e circulação

Os benefícios previstos no projeto incluem um novo sistema de processamento de bagagens no Aeroporto de Congonhas, que será mais rápido e inteligente e poderá chegar a 10 carrosséis (atualmente, são 3). O número de esteiras para restituição de malas aumentará para 7, em vez das 5 atuais, totalizando 228 metros de extensão.

Ministro Silvio Costa Filho durante apresentação do projeto para Congonhas.
Crédito: Vosmar Rosa/MPor

Em relação à circulação no entorno do local, que sempre é motivo de reclamação por parte dos passageiros, pelo fato de o aeroporto estar localizando dentro da cidade de São Paulo, o projeto prevê melhorias no acesso viário, com uma área exclusiva de meio-fio para embarque e desembarque, com incremento de 250 metros.

Melhorias de acesso ao aeroporto

Em relação à circulação no entorno do local, que sempre é motivo de reclamação por parte dos passageiros, pelo fato de o aeroporto estar localizando dentro da cidade de São Paulo, o projeto prevê melhorias no acesso viário, com uma área exclusiva de meio-fio para embarque e desembarque, com incremento de 250 metros.

Também haverá bolsão para carros de aplicativos e de locadoras, além de uma praça "pick-up" para o embarque nesses carros de aplicativos, facilitando a saída dos passageiros do aeroporto. Outra novidade será o acesso direto ao metrô, por meio da Linha Ouro - segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a entrega da linha está prevista para 2026, com cerca de 7 km de extensão e oito estações, no total. 

Fontes
Aena Brasil
Ministério de Portos e Aeroportos

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé. 


Escassez de mão de obra preocupa construção civil; industrialização busca nova geração

Falta de mão de obra gera preocupação na construção civil.
Crédito: Envato

A falta de trabalhadores na construção civil é um problema que não vem de hoje. Durante uma palestra realizada em janeiro deste ano, o vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), Jorge Batlouni Neto, fez questão de relembrar um estudo da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) e da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, de 2007, que já alertava para este problema. 

O conteúdo falava sobre a falta de motivação para se trabalhar na construção civil, devido aos salários pouco atrativos, à precariedade na contratação, às condições adversas de trabalho e ao grande desgaste físico. "Em 2007, já estava claríssimo o diagnóstico de como é o trabalhador na construção civil", diz Batlouni Neto, referindo-se aos desafios que precisam ser enfrentados.

Durante a apresentação, o vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP também destacou que a idade média do trabalhador da construção está crescendo muito, ou seja, que "eles estão ficando mais velhos dentro do canteiro". Uma pesquisa do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de 2004, mostrava que a idade média desse trabalhador era de 36,1 anos, e outro levantamento mais recente, de 2013, já indicou que a idade passou para 38,3 anos. "E tem uma tendência a aumentar cada vez mais", afirmou Batlouni Neto. Para simbolizar esse retrato atual, ele cita frases como "o filho do mestre de obras quer ser engenheiro" e "o filho do pedreiro não quer ser pedreiro".

Importância da industrialização

Íria Doniak, presidente executiva da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), diz que a escassez de mão de obra na construção civil é geral, "porém, a indústria, por ter uma estrutura organizada para a continuidade dos processos, possibilita um maior interesse do funcionário por permanência, devido às oportunidades de avanços e desenvolvimento de carreira e um ambiente propício à inovação, que enseja novos aprendizados e conhecimentos técnicos".

Ela também ressalta que todos os cuidados voltados à integridade, segurança, e saúde ocupacional possibilitam melhor qualidade de vida e auxiliam na redução do turnover (taxa de rotatividade de colaboradores) - em dezembro de 2023, o SindusCon-SP e a Falconi lançaram uma pesquisa inédita chamada Práticas de Gestão de Pessoas na Construção Civil, que realizou um levantamento de informações sobre o perfil dos trabalhadores do setor, com dados sobre turnover, remuneração e benefícios.

"A indústria brasileira de pré-fabricados, em relação às indústrias dos países desenvolvidos, como alguns países europeus e Estados Unidos, tem um menor grau de automação. A tendência, à medida em que a mão de obra se torne mais escassa, é passar para um grau de automação mais elevado e lançar mão de mais tecnologia com novas ferramentas, incluindo a robotização", afirma Íria Doniak. "Em termos de construção civil em geral, é importante se levar em conta que não estamos somente falando de mão de obra operacional, mas também intelectual. Em outras áreas, como projetos, por exemplo, há uma evasão de jovens talentos do país e falta de estímulo por salários baixos e ciclos de descontinuidade."

Maior interesse da nova geração

A presidente executiva da Abcic explica que a industrialização traz diversos benefícios à construção civil, como maior produtividade e previsibilidade, atendimento de cronogramas ousados, redução de custos e desperdícios bem como a diminuição das emissões de carbono. "A questão da mão da obra também é importante no que se refere à industrialização, pois há uma maior qualificação dos profissionais que vão atuar na etapa construtiva, o que contribui para a retenção de talentos no setor e um maior interesse por parte da nova geração, devido ao uso de tecnologia e inovação."

Outro ponto a ser considerado, de acordo com a especialista, é que as estruturas pré-fabricadas de concreto são produzidas e fornecidas pela indústria, e o canteiro de obras se transforma em um canteiro de montagem, com um número menor de profissionais dentro desse ambiente, colaborando para aumentar a segurança e diminuir os riscos de acidente. "Existem muitos esforços sendo realizados para uma maior industrialização da construção civil brasileira, tanto é que o uso das estruturas pré-fabricadas de concreto tem se ampliado em segmentos distintos e em diversas tipologias."

Ela explica que, contudo, no mercado imobiliário, que detém a maior parte das obras do país, há ainda muito espaço a crescer. "Pois o que temos visto é um movimento de racionalização da obra, que é uma etapa anterior à industrialização. É importante ressaltar que os diversos tipos de sistemas construtivos industrializados podem ser utilizados em conjunto, ou seja, mesclando parte deles, de forma completa e até híbrido com a construção convencional, o que resulta em versatilidade", diz Íria Doniak.

"O Programa Construa Brasil precisa ser mais impulsionado. O atual governo, através do MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços], adotou o programa que se iniciou no governo anterior em três eixos, desburocratização, digitalização e industrialização. Mas precisa de mais tração para avançar em temas fundamentais que se constituem em barreiras importantes para que a industrialização da construção avance, como a questão tributária e sistemas de financiamento, além de avançar incluindo novas disciplinas nas escolas de engenheira e arquitetura das universidades."

Fontes
Íria Doniak, presidente executiva da Abcic
SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo)

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.