Construção civil mantém geração de empregos no primeiro semestre, mas juros altos freiam o ritmo de crescimento

A construção civil brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com sinais de resiliência. Mesmo diante de um cenário de juros elevados, inflação persistente e custos de produção acima da média nacional, o setor gerou quase 169 mil novos empregos formais e mantém a projeção de crescimento de 1,2% para o ano. Os dados foram apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante a divulgação dos indicadores econômicos do segundo trimestre.

A análise da entidade revela um mercado dividido entre resultados positivos e desafios estruturais. De um lado, o avanço das obras de infraestrutura, das concessões e dos investimentos em saneamento sustenta a atividade e amplia a contratação de trabalhadores. De outro, a permanência da Selic em patamar elevado reduz a confiança dos empresários e limita lançamentos, investimentos e financiamentos.

Segundo a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o ambiente macroeconômico continua pressionando a construção, embora o setor preserve sua capacidade de gerar empregos. “Nos primeiros seis meses deste ano, a construção civil gerou quase 169 mil novos empregos, o que representa um incremento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado”, afirmou.

Infraestrutura lidera a criação de vagas

O grande destaque do semestre foi o segmento de infraestrutura. 

Segmento de infraestrutura foi um dos grandes destaques do primeiro semestre. Crédito: Envato

Das quase 169 mil vagas abertas, cerca de 65 mil vieram de obras de saneamento, rodovias e grandes projetos de concessão, superando pela primeira vez a construção de edifícios em um primeiro semestre desde a criação do novo Caged, em 2020.

Para Ieda Vasconcelos, esse movimento reflete o aumento dos investimentos públicos e, principalmente, privados. “O número de novas vagas na infraestrutura cresceu 30% em relação ao ano passado. As obras de saneamento, as PPPs e as concessões que estão saindo do papel explicam esse dinamismo”, destacou.

O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, reforçou que o marco legal do saneamento tem papel decisivo nesse desempenho. “O grande responsável pelos investimentos foi o setor privado, com 84% do total. Isso demonstra como o marco legal foi fundamental para que esse segmento continuasse gerando emprego e renda.”

Selic reduz confiança e limita investimentos

Apesar do mercado de trabalho aquecido, os indicadores de confiança mostram um cenário menos favorável. A sondagem realizada pela CBIC em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) registrou queda na confiança dos empresários, mantendo o índice abaixo dos 50 pontos, patamar que indica falta de confiança.

Eduardo Aroeira relaciona diretamente esse comportamento ao custo do crédito. “A Selic elevada impacta principalmente a produção de edifícios. A atividade continua importante, mas vem perdendo ritmo com o passar do tempo”, afirmou.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, observa que a falta de confiança do empresariado deixou de ser pontual e passou a ser persistente. “Essa falta de confiança tende a refletir nas decisões dos empresários em relação a investimentos, contratações e lançamentos de novos empreendimentos”, avaliou.

Custos seguem acima da inflação

Outro fator que preocupa o setor é o avanço dos custos da construção. Nos últimos 12 meses encerrados em julho, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,44%, enquanto a inflação oficial ficou em 4,44%. Materiais e equipamentos subiram 6,02%, e a mão de obra registrou aumento de 7,30%.

Entre os insumos com maior elevação aparecem fio de cobre, cimento, concreto, vidro e esquadrias. Para a CBIC, a pressão sobre esses materiais está relacionada ao aumento dos custos energéticos e aos efeitos prolongados dos conflitos internacionais sobre a cadeia de suprimentos.

A situação preocupa especialmente os empreendimentos de habitação popular. “Nossa preocupação é que os contratos do Minha Casa Minha Vida são firmados com preço fixo. Se os custos continuam subindo, os novos contratos deixam de ser atrativos e isso pode reduzir a oferta de moradias para quem mais precisa”, explicou Eduardo Aroeira.

Juventude e perspectivas para 2026

Os indicadores também revelam um dado relevante sobre o perfil da mão de obra. Quase metade das vagas abertas no semestre foi ocupada por jovens entre 18 e 29 anos, contrariando a percepção de que a construção civil perdeu capacidade de atrair novos trabalhadores.

Segundo o presidente da CBIC, o desafio atual não está na entrada desses profissionais, mas na permanência deles no setor. “O problema não é a entrada dos jovens. A realidade mostra que eles estão chegando. O desafio é conseguir retê-los na construção civil”, afirmou.

Para o restante de 2026, a CBIC mantém expectativa de crescimento moderado de 1,2%. A entidade avalia que os investimentos recordes em infraestrutura, os lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos e o mercado de trabalho aquecido devem compensar, ao menos parcialmente, os efeitos negativos da taxa de juros elevada, do endividamento das famílias e da dificuldade de contratação de mão de obra qualificada.

Fonte

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

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Jornalista responsável

Ana Carvalho

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Normas da ABNT atualizam requisitos para blocos de concreto e pavimentos intertravados e permeáveis

Em 2026, revisões das séries NBR 6136 e NBR 9781, NBR 15953 e da série NBR 16416 atualizaram requisitos para blocos de concreto, pavimentos intertravados e pavimentos permeáveis. As mudanças são resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de quase três anos, com participação de representantes da indústria, universidades, laboratórios e entidades técnicas.

As atualizações trazem mudanças que impactam fabricantes, projetistas, construtoras e empresas responsáveis pela execução e manutenção desses sistemas. Entre as principais novidades estão alterações nos critérios de desempenho e resistência, aperfeiçoamentos nos procedimentos de inspeção, amostragem e ensaios, além da atualização de requisitos para execução e manutenção.  As normas de produtos, especialmente as NBR 6136 e NBR 9781, também passam a incorporar critérios e indicadores relacionados ao desempenho ambiental, ampliando a abordagem de sustentabilidade na avaliação dos componentes de concreto. 

Para Cláudio Oliveira Silva, mestre em Engenharia Civil e gerente de inovação e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), a atualização acompanha a própria evolução da construção civil.

“A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem como diretriz que todas as normas nacionais devem ser revisadas ou revalidadas a cada cinco anos”, pontua.

Segundo ele, o processo de revisão deve considerar a evolução tecnológica dos materiais, equipamentos e práticas construtivas, tendo como objetivo o aprimoramento do desempenho dos sistemas construtivos. 

O trabalho foi conduzido pelos comitês ABNT/CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) e ABNT/CB-002 (Comitê Brasileiro da Construção Civil).  

Blocos de concreto ganham critérios mais claros

Entre as principais novidades estão alterações nos critérios de resistência e métodos de controle de qualidade.
Crédito: Envato

Na ABNT NBR 6136, que trata dos blocos vazados de concreto destinados à execução de alvenaria com ou sem função estrutural, foram mantidas três classes de blocos, mas os critérios de classificação e destinação foram atualizados.

A classe A, com resistência característica à compressão igual ou superior a 8,0 MPa, permanece destinada à alvenaria estrutural e permite utilização abaixo do nível do solo. A classe B, com resistência entre 4,0 MPa e 6,0 MPa, também é destinada à alvenaria estrutural, mas sem essa permissão. Já a classe C, com resistência mínima de 3,0 MPa, pode ser utilizada em alvenaria estrutural ou de vedação, desde que acima do nível do solo. Para a utilização estrutural da classe C, entretanto, a norma estabelece limitações de acordo com a largura do bloco e o número de pavimentos da edificação.

“Um ponto de atenção prática é que a altura dos blocos utilizados no encontro da parede com a laje passa a poder ser definida entre fornecedor e consumidor, em função do projeto”, explica Silva.

Segundo o gerente de Inovação e Sustentabilidade da ABCP, essa possibilidade é relevante porque não existe um padrão único para o pé-direito das edificações, permitindo adequar a altura desses componentes às necessidades específicas do projeto.  A revisão também estabelece raios mínimos para as mísulas dos blocos vazados: 40 mm para as classes A e B e 20 mm para a classe C. 

Outro aspecto alterado envolve a absorção de água. A atualização mantém critérios para essa propriedade, mas o ensaio passa a ter caráter opcional na sistemática estabelecida para qualificação e controle dos produtos. Já o índice de absorção inicial de água não possui critério de aceitação na nova edição e seu resultado pode ser utilizado pelo projetista na avaliação do potencial de aderência de um eventual sistema de revestimento aplicado à alvenaria.

“Este requisito está diretamente relacionado com o potencial de aderência entre o bloco e a argamassa”, comenta Silva.

A mudança considera, segundo o especialista, as condições climáticas brasileiras e a relevância prática da propriedade para o desempenho do sistema. 

Novo critério aumenta rigor no controle de qualidade

A revisão da ABNT NBR 9781, que estabelece requisitos para componentes vibroprensados de concreto destinados à pavimentação intertravada e à pavimentação intertravada permeável, introduziu mudanças importantes nos critérios de avaliação e aceitação dos produtos. A revisão também foi acompanhada pela publicação da ABNT NBR 9781-2:2026, que estabelece os métodos de ensaio aplicáveis aos componentes. 

Uma das alterações mais relevantes está no critério estatístico para aceitação da resistência característica à compressão. O novo procedimento modifica a forma de avaliação dos lotes e reduz a possibilidade de que valores médios elevados compensem resultados individuais ou uma maior dispersão dos resultados.

Silva explica que o modelo anterior permitia que uma média elevada compensasse desvios-padrão maiores. “Isso, na prática, possibilitava a aprovação de lotes com peças com resistências abaixo do valor adequado”, pondera. 

A norma revisada passou a adotar uma abordagem não paramétrica, com amostragem parcial. Para o especialista, a mudança torna o critério mais rigoroso e reduz a margem para compensação estatística.

“Isso deve exigir maior controle de processo na fabricação, para evitar desvios elevados de resistência entre as peças de um mesmo lote”, afirma.

Os valores mínimos de resistência continuam organizados conforme à solicitação de uso. Peças de concreto destinadas à pavimentação intertravada devem atingir pelo menos 35 MPa para tráfego de pedestres, veículos leves e o mínimo de 50 MPa para tráfego intenso ou abrasivo.  

Pavimentos permeáveis: novos parâmetros de desempenho

As alterações também chegam aos pavimentos permeáveis. A atualização da norma introduziu novos critérios para avaliação do desempenho hidráulico dos sistemas e aprimorou conceitos relacionados à infiltração, permeabilidade, dimensionamento hidráulico e manutenção. 

A ABNT NBR 16416 foi reorganizada em partes.  A NBR 16416-1:2026 estabelece requisitos para a execução de pavimento permeável intertravado, enquanto a NBR 16416-2:2026 trata da execução de pavimento permeável de concreto moldado no local. A nova estrutura substitui a NBR 16416:2015, que foi cancelada em 27 de fevereiro de 2026.

Na avaliação de Silva, a atualização aproxima os parâmetros brasileiros de referências internacionais e estabelece critérios mais objetivos para acompanhar o desempenho dos sistemas.

Um dos pontos destacados pelo gerente de Inovação e Sustentabilidade da ABCP é a diferenciação entre taxa de infiltração e permeabilidade. A primeira corresponde à velocidade com que a água penetra através da superfície do pavimento, podendo ser reduzida ao longo do tempo em razão da colmatação dos poros e vazios do sistema. Já a permeabilidade está relacionada à facilidade com que um meio poroso permite a passagem da água, dos poros e vazios do sistema.

Execução e manutenção também entram no foco

A revisão da ABNT NBR 15953, voltada à execução de pavimentos intertravados, detalha requisitos relacionados à paginação, camada de assentamento, juntas e manutenção.

Para pavimentos sujeitos ao tráfego de veículos, por exemplo, a definição do padrão de assentamento deve considerar as características do projeto, as condições de tráfego e as contenções do pavimento. Entre os arranjos possíveis está o padrão em espinha de peixe, que contribui para o intertravamento das peças e pode ser orientado conforme as condições estabelecidas em projeto.

 A norma também estabelece requisitos para instalações mecanizadas. Silva chama atenção ainda para os requisitos relacionados às juntas e à camada de assentamento, incluindo espessura, material de rejuntamento, umidade e granulometria.

“A camada de assentamento deve ter espessura de (4 ± 1) cm na condição não compactada”, explica, destacando que ela deve ser espalhada uniformemente, sem compactação prévia. 

A manutenção passa a ser tratada de forma mais detalhada. O projeto deve estabelecer sua periodicidade de acordo com as condições de exposição e o tráfego, incluindo procedimentos de limpeza, recomposição de rejuntamento e reparos localizados. 

Sustentabilidade ganha espaço nas normas

Um dos avanços destacados na revisão é a inclusão de requisitos relacionados ao desempenho ambiental.

As normas ABNT NBR 6136 e ABNT NBR 9781 passaram a recomendar que fabricantes informem indicadores ambientais de seus produtos, calculados segundo a metodologia da ABNT NBR 14025. Entre os indicadores estão emissões de CO₂, demanda de energia primária, consumo de água e geração de resíduos. 

Para Silva, essa mudança representa um passo importante para o setor. “A inclusão de requisitos de desempenho ambiental, mesmo que como opcional, é um marco importante no mercado de materiais de construção no Brasil”, destaca.

A adoção desses indicadores também pode contribuir para que projetistas e especificadores disponham de informações adicionais para comparar soluções e considerar aspectos ambientais na escolha dos materiais,complementando os critérios tradicionais de desempenho técnico, funcionalidade, durabilidade e custo.

Fonte

Cláudio Oliveira Silva é Mestre em Engenharia Civil e Gerente de Inovação e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Atuou na coordenação das normas ABNT c13c, ABNT S781, ABNT 15S53 e ABNT 1c41c, com secretaria do Eng. Fernando Dalbon – Gerente da Ǫualidade da ABCP. 

Contato

claudio.silva@abcp.org.br

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP

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Manifestações patológicas em fachadas exigem diagnóstico técnico para preservar desempenho e segurança das edificações

As fachadas desempenham papel estratégico na proteção das edificações contra a ação do tempo e dos agentes ambientais. Também contribuem para o desempenho térmico, acústico e de estanqueidade, além de exercerem função estética. Com o passar dos anos, porém, esses elementos ficam sujeitos ao desgaste natural e ao surgimento de manifestações patológicas, que podem comprometer tanto o desempenho quanto a segurança da construção.

O crescimento das cidades, a verticalização dos empreendimentos e a maior diversidade de sistemas construtivos também ampliaram a complexidade desse cenário. Edifícios mais altos e com geometrias diferenciadas estão expostos a condições de utilização e de exposição ambiental que podem exigir soluções técnicas compatíveis com essas características. 

De acordo com o engenheiro civil Guilherme de Castro Gonçalves, sócio da Toten Engenharia e especialista em patologia das construções, diferentes fatores podem contribuir para o aparecimento dessas ocorrências. "As manifestações patológicas mais comuns nas fachadas estão relacionadas às características dos materiais empregados, às condições de exposição ambiental, às movimentações da edificação e às eventuais deficiências de projeto, execução e manutenção", afirma.

Fachada em processo de recuperação com reparos pontuais. Crédito: Acervo Pessoal/Guilherme de Castro Gonçalves

Fissuras, descolamentos e corrosão estão entre os problemas mais frequentes

Entre as manifestações patológicas mais recorrentes, destacam-se as fissuras nos revestimentos, os descolamentos de argamassas e revestimentos aderidos, além da corrosão das armaduras das estruturas de concreto, processo que pode resultar em manifestações visíveis nas fachadas, como fissuras, manchas e desplacamentos. Cada uma delas apresentam mecanismos próprios de desenvolvimento, e por isso, exige uma avaliação específica.

Nos edifícios mais antigos, a corrosão das armaduras representa uma das principais preocupações. O fenômeno pode estar associado à carbonatação do concreto e à ação de cloretos, sendo favorecido por características como elevada permeabilidade, fissuração e cobrimento insuficiente das armaduras, especialmente em construções executadas conforme critérios normativos de décadas anteriores.

A expansão dos produtos gerados pela corrosão provoca tensões internas no concreto de cobrimento, podendo resultar em fissuras, destacamentos e desprendimento de partes do concreto e, consequentemente, das camadas de revestimento.

Já os descolamentos de revestimentos costumam estar associados à deficiência de aderência entre as camadas do sistema construtivo, como por exemplo, falhas no preparo da base, execução inadequada ou ausência de camada de preparo quando especificada, incompatibilidade entre materiais, condições inadequadas de aplicação e degradação decorrente do envelhecimento.

As fissuras também apresentam diferentes origens

Exemplo de fachada submetida a serviços de recuperação e manutenção: à esquerda, trecho com intervenção em andamento; à direita, trecho com os serviços concluídos. Crédito: Acervo Pessoal/Guilherme de Castro Gonçalves

Algumas são consequência da retração das argamassas durante o processo de endurecimento. Outras podem acompanhar o contorno de elementos da estrutura ou da alvenaria, indicando possíveis movimentações diferenciais entre os componentes do sistema. 

Mesmo empreendimentos recém-construídos podem apresentar essas ocorrências quando etapas de execução deixam de ser cumpridas corretamente. "Em muitos casos, essas ocorrências estão relacionadas ao preparo inadequado das bases, à incompatibilidade entre materiais, ao não cumprimento dos intervalos entre etapas e à redução dos tempos de mistura, aplicação, secagem e cura. A busca por maior velocidade de execução pode levar à sobreposição ou supressão de etapas importantes para o desempenho do sistema", explica Gonçalves.

Tecnologia amplia as possibilidades de durabilidade dos revestimentos

Nos últimos anos, a evolução dos materiais e dos sistemas de revestimento trouxe ganhos importantes para a durabilidade das fachadas. Produtos industrializados podem proporcionar maior controle e uniformidade na produção e são desenvolvidos para atender requisitos específicos de desempenho, como aderência, deformabilidade, resistência mecânica e controle de absorção de água, conforme a finalidade de cada produto no sistema. 

Entre as soluções disponíveis estão selantes com propriedades adequadas de deformabilidade para determinadas juntas e interfaces, hidrofugantes destinados à redução da absorção de água em substratos porosos, argamassas de reparo com retração controlada e sistemas de reforço que podem utilizar telas galvanizadas ou fibras de vidro resistentes ao meio alcalino. A escolha dessas soluções, entretanto, deve considerar as características do sistema existente, as condições de exposição e, principalmente, as causas identificadas durante o diagnóstico. A aplicação de um produto isoladamente não elimina necessariamente a origem da manifestação patológica.

O especialista também destaca a evolução das normas técnicas. A atualização da ABNT NBR 13281-1:2023 introduziu as classificações ARV-I, ARV-II e ARV-III para argamassas inorgânicas destinadas a revestimentos, considerando, entre outros aspectos, a altura da edificação nas aplicações externas. A classificação estabelece diferentes condições de utilização e requisitos de desempenho para edificações de diferentes alturas.

Recuperação depende de diagnóstico preciso

Embora muitas manifestações apresentem aparência semelhante, suas causas podem ser completamente diferentes. Por isso, a definição da técnica de recuperação deve ser precedida por uma investigação detalhada. "As soluções mais eficazes dependem, inicialmente, de um diagnóstico correto da manifestação patológica, com a identificação de suas causas, extensão, grau de evolução e consequências para o desempenho e a segurança da fachada", ressalta.

Guilherme de Castro Gonçalves, sócio da Toten Engenharia. Crédito: Acervo Pessoal/Guilherme de Castro Gonçalves

Conforme a natureza e a extensão da manifestação, a avaliação pode incluir inspeção visual, ensaio de percussão, termografia infravermelha, ensaios de aderência e aberturas exploratórias para verificar as condições das interfaces entre os materiais. A partir desse diagnóstico, podem ser adotadas diferentes estratégias de intervenção, como remoção localizada dos revestimentos comprometidos, recomposição das camadas, instalação de telas de reforço, execução ou recuperação de juntas de movimentação e, em situações específicas, sistemas de injeção de resinas ou ancoragens mecânicas. Quando os problemas são generalizados ou o sistema apresenta comprometimento significativo, a substituição integral do revestimento pode representar a solução tecnicamente mais adequada.

Além da recuperação das anomalias, essas intervenções podem integrar projetos de retrofit. "Quando adequadamente projetada, a intervenção pode atualizar a linguagem arquitetônica, reduzir necessidades futuras de manutenção e contribuir para a valorização comercial e patrimonial do imóvel", conclui.

Entrevistado

Guilherme de Castro Gonçalves é engenheiro civil graduado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e vencedor do Prêmio OAS/Mackenzie de Inovação, Produtividade e Empreendedorismo na Engenharia Civil. Atua como docente no curso de extensão de Patologia em Revestimento de Fachadas de Edifícios e em cursos de pós-graduação em Tecnologia de Fachadas e Revestimentos e Patologia nas Obras Civis, pelo IDD Educação Avançada. É sócio da Toten Tecnologia e Engenharia.

Contato:guilherme.castro@toten.org

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Ana Carvalho

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Mercado imobiliário consolida posição como reserva de valor em cenário de juros altos e instabilidade econômica

A manutenção das taxas de juros em patamares elevados tem levado muitos investidores a direcionar recursos para aplicações de renda fixa. Ao mesmo tempo, a volatilidade dos mercados financeiros, somada às incertezas do cenário econômico e geopolítico, tem reforçado por outras classes de ativos. É justamente nesse cenário que o mercado imobiliário se apresenta como uma alternativa para diversificação, preservação patrimoniale potencial de valorização no médio e longo prazo. 

Embora os ativos financeiros possam oferecer rentabilidade competitiva em determinados ciclos econômicos, especialistas avaliam que os imóveis mantêm características que atraem investidores com perfil mais conservador, especialmente aqueles que priorizam estabilidade, previsibilidade e proteção do capital. Na avaliação desse tipo de investimento, também é importante considerar fatores como liquidez, custos de manutenção, tributação, vacância e riscos relacionados à localização e às condições do mercado.

Para Diogo Camargo, sócio-fundador da Porto Camargo Engenharia, cliente da Concrebras, o comportamento do mercado nos últimos anos demonstra que o setor imobiliário continua sendo uma alternativa relevante para quem busca segurança patrimonial. "A grande volatilidade e instabilidade nos mercados de capitais, reflexo direto dos recentes conflitos internacionais e do ambiente político interno, trazem sempre a segurança do investimento em imóveis como o porto seguro para todos os cenários", afirma.

Segundo ele, justamente nos momentos de maior incerteza econômica cresce o interesse por ativos reais, menos suscetíveis às oscilações diárias observadas nas bolsas de valores e em outros mercados financeiros.

Modelos atrativos de investimento permitem participar da incorporação de empreendimentos ainda nas fases iniciais de desenvolvimento. Crédito: Envato

Investimento imobiliário vai além da compra tradicional

O mercado oferece atualmente diferentes modalidades para investidores interessados em participar do setor imobiliário. Além da aquisição convencional de imóveis, existem modelos que permitem participar da incorporação de empreendimentos ainda nas fases iniciais de desenvolvimento. Entre as alternativas estão investimentos em Sociedades em Conta de Participação (SCP) e em Sociedades de Propósito Específico (SPE), além de fundos imobiliários, compra de unidades em lançamento, imóveis destinados à locação de curta temporada e aquisição estratégica de terrenos.

“A diversidade de formatos amplia as possibilidades de composição de carteira, permitindo que investidores escolham modelos compatíveis com seus objetivos financeiros, horizonte de investimento e expectativa de retorno”, ressalta.

Histórico de valorização fortalece confiança dos investidores

O desempenho do mercado imobiliário de Curitiba ilustra o potencial de valorização dos imóveis ao longo do tempo. De acordo com Diogo Camargo, os resultados registrados na última década reforçam a competitividade desse tipo de ativo frente a investimentos considerados de baixo risco. "Nos últimos dez anos, os imóveis em Curitiba apresentaram uma valorização anual média de 11% ao ano, resultado que dificilmente um investimento financeiro sem riscos consiga entregar a longo prazo. Claro que, em momentos com taxa de juros alta, os investimentos financeiros são tentadores, mas, quando olhamos para o médio e longo prazo, o investimento imobiliário sempre supera as alternativas que oferecem segurança e previsibilidade de valorização similares", destaca.

A avaliação reforça a importância de analisar o desempenho do mercado em ciclos mais longos, considerando que o os preços dos imóveis não costumam apresentar a mesma frequência de oscilação observadas nos ativos negociados diariamente.

Planejamento é fator determinante para bons resultados

Além disso, ele alerta que investir em imóveis exige estratégia e análise criteriosa. A decisão não deve estar baseada apenas na expectativa de comprar barato e vender rapidamente com lucro.

Diogo Camargo, sócio-fundador da Porto Camargo Engenharia. Crédito: Antônio More

Para Diogo Camargo, o investidor deve priorizar empreendimentos consistentes e incorporadoras com histórico comprovado no mercado. "Não aconselho vislumbrar o mercado imobiliário de forma especulativa, como muitos investidores enxergam a bolsa de valores. O ideal é sempre investir nos momentos iniciais de um empreendimento, seja no pré-lançamento ou no lançamento, desde que a incorporadora seja confiável e apresente um histórico sólido no mercado, ou participar de grupos de investimento em SCPs ou SPEs de empreendimentos específicos", afirma.

A aquisição nas fases iniciais de um empreendimento pode, em determinadas situações, proporcionar condições de entrada mais favoráveis. Para avaliar essa oportunidade, porém, é importante considerar também fatores como a experiência e a solidez da incorporadora, o desenvolvimento do projeto, os prazos de entrega, as condições de financiamento e as perspectivas de demanda.

O executivo acrescenta que o preço de entrada influencia diretamente o potencial de valorização do investimento. "Quanto menor for o custo de aquisição de quotas ou unidades, maior é a possibilidade de valorização dos ativos", observa.

Nesse contexto, o mercado imobiliário continua sendo uma alternativa para investidores que buscam diversificação e construção patrimonial de forma consistente no médio e longo prazo. O desempenho, entretanto, depende de uma combinação de fatores, como localização, preço de aquisição, qualidade do empreendimento, condições econômicas, liquidez e estratégia adotada pelo investidor.

Entrevistado

Diogo Camargo é engenheiro civil graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Engenharia Econômica pela FAE Business School, sócio-fundador da Porto Camargo Engenharia, atuando há mais de 26 anos no mercado imobiliário de Curitiba e região.

Contato

canaisdigitais@portocamargo.com.br

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Ana Carvalho

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 STJ reforça entendimento sobre responsabilidade por vícios construtivos

A responsabilidade das construtoras por vícios construtivos voltou ao centro do debate jurídico após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidar o entendimento de que o prazo de cinco anos previsto no artigo 618 do Código Civil corresponde apenas à garantia legal da obra, e não ao limite para o ajuizamento de ações indenizatórias. Na prática, a Corte tem reconhecido que defeitos ocultos, especialmente aqueles que surgem de forma progressiva, podem gerar o dever de indenizar mesmo após o término desse período, desde que observados os prazos prescricionais aplicáveis. 

Em abril de 2025, a Quarta Turma do STJ reafirmou esse entendimento ao julgar o AgInt no AREsp 2.499.655/MS. Na ocasião, os ministros decidiram que a ação de indenização por vícios construtivos em imóvel adquirido por contrato de compra e venda está sujeita ao prazo prescricional de dez anos previsto no artigo 205 do Código Civil, afastando a aplicação do prazo de três anos utilizado para outras hipóteses de reparação civil.

Segundo Daniel Vicentini, advogado especialista em Direito Imobiliário e sócio do escritório Vicentini Advogados, esse entendimento já pode ser considerado consolidado. "Para o Superior Tribunal de Justiça, o prazo de cinco anos previsto no artigo 618 do Código Civil é de garantia. Já o prazo para pedir indenização financeira é de dez anos, contados da manifestação do vício ou do dano. Hoje são raras as decisões que limitam a responsabilidade da construtora aos cinco anos, especialmente quando se trata de vícios ocultos."

Para Carlos Alberto Zonta Junior, especialista em Direito Imobiliário, a posição atual do STJ representa o amadurecimento da jurisprudência sobre responsabilidade civil na construção. Segundo ele, durante muitos anos prevaleceu uma interpretação que fazia coincidir o prazo de garantia da obra com o fim da responsabilidade da construtora. "Com a evolução da jurisprudência e a consolidação de recentes julgados, o STJ passou a distinguir claramente o prazo de garantia previsto no artigo 618 do Código Civil do prazo prescricional para a pretensão indenizatória, ampliando a proteção do adquirente diante de defeitos estruturais que frequentemente possuem manifestação tardia."

O que caracteriza um vício construtivo

Entre as ações por vícios construtivos mais comuns estão infiltrações, falhas de impermeabilização, vazamentos em prumadas e fissuras estruturais. Crédito: Envato

Além da discussão sobre os prazos, a correta caracterização do vício construtivo é determinante para definir a responsabilidade técnica e jurídica dos envolvidos.

Segundo Zonta Junior, o vício construtivo corresponde a qualquer anomalia que comprometa o desempenho da edificação em decorrência de falhas de projeto, execução, materiais ou inadequação das condições do solo. O especialista ressalta que esses problemas devem ser diferenciados das manifestações patológicas decorrentes da ausência de manutenção preventiva ou do desgaste natural dos materiais ao longo da vida útil da edificação.

Vicentini explica que esses vícios podem ser classificados em três grupos. Os vícios aparentes são facilmente identificados durante a entrega do imóvel, como revestimentos trincados ou paredes fora de esquadro. Os vícios ocultos somente se manifestam após determinado período de uso, como infiltrações internas e falhas em tubulações embutidas. Já os defeitos relacionados à segurança comprometem a estabilidade da construção ou colocam em risco seus ocupantes, como problemas estruturais em fundações ou falhas em sistemas essenciais da edificação.

Principais disputas envolvendo vícios construtivos

As ações judiciais mais frequentes continuam envolvendo infiltrações, falhas de impermeabilização, vazamentos em prumadas, fissuras estruturais, recalques de fundação, desplacamento de revestimentos, anomalias em instalações elétricas e hidráulicas, utilização de materiais de baixa qualidade e divergências entre a metragem contratada e a efetivamente entregue.

Segundo Vicentini, esses problemas normalmente são identificados ainda durante o período de garantia. Para ele, esse cenário também reflete consumidores mais atentos aos seus direitos. Já Zonta Junior observa que, especialmente em empreendimentos habitacionais, continuam sendo recorrentes as discussões relacionadas à qualidade da execução da obra e ao desempenho dos sistemas construtivos ao longo da vida útil da edificação.

Impactos para o setor

Na avaliação dos especialistas, a consolidação da jurisprudência reforça a necessidade de uma gestão mais rigorosa da qualidade e da documentação técnica dos empreendimentos.

Para Zonta Junior, o entendimento amplia a proteção de consumidores e condomínios ao permitir a reparação de danos decorrentes de defeitos que somente se manifestam anos após a entrega da obra. Por outro lado, impõe às construtoras um passivo técnico e jurídico de maior duração, exigindo controles mais rigorosos sobre projetos, execução, rastreabilidade dos materiais empregados, elaboração de manuais de uso e manutenção e registro das intervenções realizadas pelos usuários.

Vicentini destaca que compradores e síndicos também precisam adotar medidas técnicas para preservar seus direitos. Segundo ele, qualquer anomalia deve ser documentada e, sempre que possível, acompanhada por laudo técnico antes da realização de reparos. Nos casos que demandem intervenção imediata, é fundamental registrar toda a ocorrência e manter os comprovantes das obras executadas para eventual utilização em processos administrativos ou judiciais.

Projeto amplia prazo de garantia

Enquanto o STJ consolida o entendimento de que a garantia da obra não se confunde com o prazo para pleitear indenização, o Congresso Nacional discute mudanças no próprio artigo 618 do Código Civil.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia de cinco para dez anos o prazo máximo de responsabilidade do empreiteiro pela segurança e estabilidade das obras. A proposta também estabelece períodos distintos conforme a natureza do vício: dez anos para problemas estruturais ou de fundação, cinco anos para defeitos que impeçam o uso normal da edificação e dois anos para falhas de acabamento. O texto ainda depende de apreciação pelo Senado Federal antes de entrar em vigor.

Caso seja aprovado, o projeto aproximará o prazo de garantia legal da construção do entendimento já consolidado pelo STJ quanto à necessidade de assegurar maior proteção aos adquirentes diante de vícios construtivos que frequentemente possuem manifestação lenta e progressiva.

Fontes

Daniel Vicentini é advogado especialista em Direito Imobiliário, sócio do escritório Vicentini Advogados.

Carlos Alberto Zonta Junior é advogado e especialista em Direito Imobiliário.

Contato

Daniel Vicentini – Assessoria: vladimir.ribeiro@m2comunicacao.com.br 

Carlos Alberto Zonta Junior: contato@zonta.adv.br 

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Concretos aditivados e especiais elevam desempenho das estruturas e impulsionam novas soluções na construção civil

Projetar estruturas mais duráveis, reduzir intervenções de manutenção e melhorar o desempenho das obras são desafios cada vez mais presentes na engenharia. Nesse contexto, os concretos aditivados e os concretos especiais deixam de ser soluções restritas a aplicações específicas e passam a integrar, de forma crescente, o cotidiano de construtoras, concreteiras e fabricantes de pré-fabricados.

O avanço da tecnologia dos materiais permitiu o desenvolvimento de concretos com propriedades específicas para atender diferentes demandas da construção civil. Entre eles, destacam-se o concreto autoadensável, o concreto de ultra alto desempenho (UHPC), o concreto reforçado com fibras e, em aplicações mais recentes, o concreto autorregenerante. Essas soluções podem proporcionar ganhos de produtividade, maior durabilidade, melhor desempenho em serviço e maior facilidade de execução, conforme as necessidades de cada projeto.

Essas tecnologias serão apresentadas durante o Curso de Dosagem de Concretos Aditivados e Especiais, promovido pelo IDD Educação Avançada e ministrado pelo engenheiro, professor e pesquisador Bernardo Tutikian, com patrocínio da Cimento Itambé. A capacitação acontece entre os dias 20 e 22 de agosto, em São José (SC), reunindo aulas teóricas e atividades práticas voltadas à dosagem, produção e ao controle tecnológico desses materiais.

Segundo o especialista, a evolução desses materiais acompanha uma mudança nas prioridades da construção civil. "Os concretos especiais existem para suprir demandas que o concreto convencional não consegue atender. Estamos falando de propriedades diferenciadas, como alta durabilidade, maior vida útil, melhor trabalhabilidade e resistências mecânicas mais elevadas", afirma.

Legenda: Curso de Dosagem de Concretos Aditivados e Especiais, promovido pelo IDD Educação Avançada e ministrado pelo engenheiro, professor e pesquisador Bernardo Tutikian. Crédito: Divulgação

Tecnologia para diferentes aplicações

Cada tipo de concreto especial atende a necessidades específicas. O concreto autoadensável apresenta elevada fluidez e preenche completamente as formas sem necessidade de vibração mecânica, favorecendo a concretagem de peças com elevada taxa de armadura e proporcionando melhor acabamento superficial.

Já o concreto de ultra alto desempenho (UHPC) destaca-se por apresentar resistências mecânicas muito superiores às dos concretos convencionais, além de uma microestrutura extremamente densa e baixíssima permeabilidade. Essas características proporcionam elevada durabilidade, maior resistência à ação de agentes agressivos e possibilidade de execução de elementos estruturais mais esbeltos e com maior vida útil.

Os concretos reforçados com fibras contribuem para o controle da fissuração, aumentam a tenacidade e, em aplicações específicas e conforme o projeto estrutural, podem reduzir ou substituir determinados tipos de armaduras. Outra tecnologia em destaque é o concreto autorregenerante, capaz de promover o fechamento de pequenas fissuras por mecanismos físico-químicos ou biológicos, reduzindo a necessidade de intervenções de manutenção.

O uso de aditivos químicos exerce papel decisivo no desenvolvimento desses concretos. Superplastificantes, modificadores de viscosidade, incorporadores de ar e retardadores permitem ajustar propriedades como fluidez, retenção da trabalhabilidade, estabilidade da mistura e tempo de pega, contribuindo para otimizar o desempenho mecânico, a durabilidade e a qualidade do concreto no estado fresco e endurecido. Quando empregados em conjunto com uma seleção criteriosa dos materiais constituintes do concreto e ao proporcionamento adequado da mistura, esses aditivos permitem desenvolver concretos com características específicas, adaptadas às exigências estruturais, construtivas e de desempenho.

Investimento que reduz custos ao longo da vida útil

Embora apresentem custo inicial superior ao concreto convencional, os concretos especiais tendem a gerar economia ao longo da vida útil das estruturas. "Hoje o mercado procura estruturas mais duráveis e com menor necessidade de manutenção. O concreto de ultra alto desempenho (UHPC), por exemplo, pode atingir resistências superiores a 120 MPa e apresentar uma relação água/aglomerante baixa. Isso proporciona uma estrutura com vida útil muito maior", explica Tutikian.

O pesquisador avalia que a análise deve considerar todo o ciclo de vida da obra. "O mercado percebe que vale a pena investir um pouco mais para obter ganhos em durabilidade, desempenho e menores custos de manutenção”, aponta.

Capacitação com foco na prática

O curso promovido pelo IDD Educação Avançada foi estruturado para aproximar o conteúdo técnico da realidade enfrentada pelos profissionais da construção civil. Além de conceitos relacionados à tecnologia do concreto, os participantes acompanharão atividades práticas de dosagem, produção e controle tecnológico de concretos especiais utilizando materiais disponíveis comercialmente.

Saiba mais: https://www.idd.edu.br/extensao/dosagem-de-concretos-aditivados-e-especiais-florianopolis/

A proposta é demonstrar como otimizar o empacotamento dos agregados, otimizar o consumo de cimento, explorar de forma mais eficiente o potencial dos aditivos químicos e desenvolver concretos especiais com maior desempenho e eficiência econômica. "Estamos propondo muita teoria, mas também muita prática. Os participantes produzem os concretos, colocam a mão na massa e discutem situações reais vivenciadas no dia a dia da construção civil. O objetivo é gerar resultados que possam ser aplicados imediatamente na prática", destaca o pesquisador.

Outro diferencial da capacitação é demonstrar que a adoção dessas tecnologias não exige mudanças significativas nas centrais de concreto. "Queremos desmistificar esses materiais. É possível produzir concretos modernos utilizando a estrutura que as empresas já possuem, sem necessidade de substituir equipamentos. O importante é conhecer corretamente a dosagem e o processo de produção", conclui Tutikian.

Ao reunir fundamentos técnicos e atividades práticas, o curso pretende capacitar profissionais para especificar, dosar, produzir e aplicar concretos aditivados e especiais com maior segurança, eficiência e competitividade, acompanhando a crescente demanda do mercado por soluções construtivas mais duráveis, sustentáveis e com melhor desempenho.

Entrevistado

Bernardo Tutikian é engenheiro civil, mestre e doutor, professor e pesquisador da Unisinos, no Rio Grande do Sul. É autor de mais de 450 artigos científicos publicados em periódicos e anais de congressos, além de atuar como consultor de empresas nas áreas de tecnologia do concreto, argamassas, patologia das construções e desempenho das edificações.

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bftutikian@unisinos.br

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Ana Carvalho

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Sistemas prediais evoluem com IA, novas normas e soluções sustentáveis

A transformação dos sistemas prediais passa por um novo momento, impulsionado por tecnologias digitais, mudanças climáticas, industrialização da construção e novas exigências de desempenho. Esses foram alguns dos temas debatidos durante o 22º Seminário Tecnologia Sistemas Prediais, promovido pelo Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP, que reuniu especialistas para apresentar tendências e soluções que devem impactar os próximos anos da construção civil.

Projetos mais complexos exigem novas ferramentas

A abertura da programação técnica ficou por conta de Fabiana Rewald, diretora da Rewald Engenharia, que apresentou um panorama das mudanças enfrentadas pelos projetistas de sistemas prediais.

Segundo a engenheira, o crescimento de empreendimentos de uso misto e de habitação de interesse social aumentou significativamente a complexidade dos projetos, especialmente devido ao maior número de interferências entre sistemas elétricos e hidráulicos. Ao mesmo tempo, o mercado exige um número crescente de plantas personalizadas, reduzindo as possibilidades de padronização e tornando o processo de projeto mais desafiador.

Outro cenário apontado é a redução dos prazos para desenvolvimento dos projetos, enquanto muitas obras passam a ser executadas antes mesmo da conclusão dos projetos executivos. A escassez de profissionais qualificados e a necessidade de novos modelos de gestão também fazem parte dessa realidade.

Como resposta a esse contexto, escritórios de engenharia têm ampliado o uso de plataformas digitais integradas, ferramentas colaborativas e recursos de Inteligência Artificial (IA) para automatizar tarefas, melhorar a comunicação entre equipes e reduzir o tempo de desenvolvimento dos projetos. Fabiana também destacou a importância da evolução do BIM e da atuação conjunta entre entidades como Abrasip, SindusCon-SP e Secovi-SP na atualização de normas técnicas e no relacionamento com concessionárias e órgãos públicos.

Durante o debate, o coordenador do Grupo de Projetos do CTQ, Maurício Linn Bianchi, levantou a discussão sobre as responsabilidades técnicas nos empreendimentos. Para Fabiana, é fundamental que projetistas, consultores, construtores e incorporadores tenham atribuições e escopos claramente definidos desde o início do processo.

As palestras abordaram desde Inteligência Artificial e BIM até drenagem, pressurização e revisão de normas técnicas. Crédito: SindusCon-SP

Norma de águas pluviais será modernizada

Outro tema que chamou atenção foi a revisão da ABNT NBR 10844, responsável pelos critérios de projeto das instalações prediais de águas pluviais.

O diretor da SFGnipper Engenharia, Sérgio Frederico Gnipper, explicou que a norma atualmente em vigor foi publicada em 1989 e deriva de documentos técnicos elaborados ainda nas décadas de 1970 e 1980. Desde então, novas tecnologias, materiais e métodos construtivos transformaram o setor, tornando necessária uma atualização profunda.

A proposta prevê dividir a norma em três partes e incorporar critérios compatíveis com a realidade climática atual, marcada por eventos extremos e chuvas cada vez mais intensas. A revisão também pretende oferecer maior flexibilidade técnica aos projetistas, priorizando critérios de desempenho em vez de soluções exclusivamente prescritivas.

Entre as novidades estão novos parâmetros para dimensionamento de calhas com descarga livre ou restrita, além de requisitos voltados à salubridade das instalações, incluindo medidas para evitar odores e evitar o acúmulo de água que favoreça a proliferação de mosquitos em caixas de areia.

Gnipper informou ainda que será criada uma Comissão de Estudos da ABNT para conduzir oficialmente a revisão da norma.

Drenagem mais eficiente e reaproveitamento da água

As soluções para drenagem urbana também ganharam espaço no seminário.

André Santos do Nascimento, coordenador técnico de Resiliência Climática Urbana da Amanco Wavin, apresentou o QuickStream, sistema desenvolvido para otimizar a captação e condução das águas pluviais. Segundo ele, a tecnologia permite maior eficiência hidráulica, reduz a necessidade de infraestrutura convencional e simplifica a instalação, contribuindo para diminuir prazos de obra.

Na sequência, Vinicius Lino de Oliveira, engenheiro de Aplicação da Amanco Wavin, apresentou o AquaCell, sistema modular voltado à retenção temporária e ao reuso das águas pluviais. Além de atender às normas técnicas, a solução contribui para estratégias de sustentabilidade e pode auxiliar empreendimentos na obtenção de benefícios previstos em programas municipais, como o IPTU Verde.

Pressurização direta ganha espaço nos empreendimentos

Outra tendência apresentada foi a expansão dos sistemas de pressurização direta para abastecimento de água.

Durante sua palestra, Jerry Silva, gerente de Vendas da Wilo Brasil, mostrou como essa tecnologia vem sendo adotada como alternativa aos modelos tradicionais baseados em reservatórios superiores.

Segundo ele, a eliminação dos reservatórios libera espaço nas coberturas, reduz o consumo de alguns materiais de construção como o aço, simplifica a infraestrutura hidráulica e diminui os custos de implantação. A solução também acelera a execução das obras e proporciona maior flexibilidade arquitetônica.

A operação dos equipamentos é acompanhada por sistemas inteligentes de monitoramento, apoiados por Inteligência Artificial, que permitem manutenção preditiva e maior confiabilidade operacional. Para os usuários, os benefícios incluem pressão constante da água, redução de ruídos e maior conforto. Em situações de falta de energia, o funcionamento é mantido por geradores.

Casos de empreendimentos implantados em diferentes estados brasileiros demonstraram os ganhos de eficiência obtidos com essa tecnologia.

Segurança também depende da qualidade dos materiais

Além das inovações em sistemas prediais, o seminário abordou a importância da conformidade dos materiais utilizados nas instalações elétricas.

Ênio Rodrigues, diretor executivo do Sindicel, alertou para os riscos associados ao uso de fios e cabos elétricos irregulares e apresentou as ações desenvolvidas pela entidade para combater a fabricação e comercialização de produtos fora das especificações técnicas.

Segundo Rodrigues, a presença do selo do Inmetro não garante, isoladamente, a conformidade do produto, tornando essencial a verificação da procedência dos materiais utilizados em obras.

Como apoio ao mercado, o Sindicel mantém em seu portal uma relação atualizada de fabricantes regularizados de fios, cabos, tomadas e extensões, oferecendo uma ferramenta de consulta para construtoras, projetistas e consumidores.

Fontes

Fabiana Rewald é diretora da Rewald Engenharia.
Maurício Linn Bianchi é coordenador do Grupo de Projetos do CTQ do SindusCon-SP.
Sérgio Frederico Gnipper é diretor da SFGnipper Engenharia.
André Santos do Nascimento é coordenador técnico de Resiliência Climática Urbana da Amanco Wavin.
Vinicius Lino de Oliveira é engenheiro de Aplicação da Amanco Wavin.
Jerry Silva é gerente de Vendas da Wilo Brasil.
Ênio Rodrigues é diretor executivo do Sindicel.

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Argamassas de hidratação controlada ampliam a previsibilidade, a rastreabilidade dos processos e o desempenho dos revestimentos

A industrialização dos sistemas construtivos tem levado a construção civil a buscar materiais capazes de reduzir a variabilidade dos processos e oferecer maior previsibilidade de desempenho. Nesse contexto, as argamassas de hidratação controlada têm se consolidado como uma solução que alia controle tecnológico, padronização e ganhos operacionais em diferentes tipos de empreendimentos. Até 2024, esse material era conhecido no mercado como argamassa estabilizada. A mudança de nomenclatura ocorreu com a publicação da ABNT NBR 17218, primeira norma brasileira específica para o produto.

Produzidas em centrais industriais, as argamassas de hidratação controlada são formuladas com cimento, agregados miúdos, água e aditivos químicos que retardam temporariamente as reações de hidratação do cimento. Esse mecanismo permite que o material mantenha sua trabalhabilidade por períodos prolongados, favorecendo o planejamento e a execução das atividades em obra, sem comprometer o desenvolvimento de suas propriedades mecânicas.

Revestimentos executados com argamassas de hidratação controlada tendem a apresentar maior durabilidade, menor incidência de manifestações patológicas e desempenho mais previsível. Crédito: Divulgação

Segundo Luiz Alberto Trevisol, gerente corporativo de desenvolvimento técnico da Concrebras, o principal diferencial desse tipo de argamassa está justamente no controle das reações de hidratação do cimento. "Esse controle permite prolongar o período de utilização da argamassa, mantendo sua trabalhabilidade por várias horas ou até dias, conforme a especificação do fabricante", explica.

Controle tecnológico começa na seleção das matérias-primas

O desempenho desse tipo de argamassa depende diretamente da qualidade das matérias-primas empregadas e da precisão da dosagem. O processo começa pela seleção dos agregados miúdos, cujas areias devem apresentar granulometria adequada e baixo teor de impurezas. Em seguida, são definidos o do tipo de cimento, o uso ou não da cal e os aditivos mais adequados com cada aplicação.

"A escolha do cimento e de aditivos adequados e compatíveis também contribui para a obtenção de um produto de alto desempenho. Essas definições, aliadas a uma dosagem racional, resultam em uma argamassa mais robusta e confiável", afirma Trevisol.

Após a formulação, o controle passa a ser permanente. No estado fresco, são monitoradas propriedades como índice de consistência, densidade, teor de ar incorporado e retenção de água. Já no estado endurecido, são avaliadas características relacionadas ao comportamento mecânico, como o módulo de elasticidade dinâmico e o potencial de aderência. Esse conjunto de ensaios reduz significativamente a variabilidade entre os lotes produzidos e aumenta a confiabilidade do desempenho dos revestimentos.

Redução da variabilidade gera resultados mais uniformes

Nas argamassas produzidas em obra, pequenas variações na quantidade de água, na granulometria da areia, no tempo de mistura ou mesmo na habilidade do operador podem provocar diferenças significativas no comportamento do material. Nas argamassas de hidratação controlada, esses fatores são previamente controlados em ambiente industrial.

A produção centralizada garante a manutenção da relação água/aglomerantes, da distribuição granulométrica dos agregados e da dosagem dos aditivos, além de assegurar um comportamento reológico mais previsível durante a aplicação. "Essa uniformidade resulta em melhor acabamento superficial, menor incidência de juntas frias e desenvolvimento mais uniforme das propriedades mecânicas e de aderência ao longo da obra", destaca o especialista.

Produzidas em centrais industriais, as argamassas de hidratação controlada reduzem a variabilidade da execução e proporcionam maior uniformidade aos revestimentos. Crédito: Divulgação

A estabilidade dessas características também contribui para reduzir a ocorrência de fissuras, desplacamentos e problemas de aderência, diminuindo a necessidade de reparos e retrabalhos.

Rastreabilidade fortalece a gestão da qualidade

Outro diferencial do material é a rastreabilidade dos processos. Cada lote produzido pode ser identificado e acompanhado por meio de informações como a origem das matérias-primas, a formulação empregada, a data e horário de produção, os resultados dos ensaios, a identificação do transporte e o local de aplicação na obra.

Para Trevisol, a rastreabilidade é uma ferramenta importante para a gestão de não conformidades. "Em eventual investigação de não conformidades, essas informações permitem identificar rapidamente a origem do problema, restringindo sua abrangência e facilitando a implementação de ações corretivas", observa.

Além de fortalecer a gestão da qualidade, a rastreabilidade também atende aos requisitos de certificações e programas de controle adotados pelo setor da construção civil.

Desempenho final dos revestimentos é favorecido

A uniformidade proporcionada pelo processo industrial também se reflete no comportamento dos revestimentos ao longo da vida útil da edificação. Entre os principais benefícios estão a maior regularidade superficial, a redução da retração em razão do controle da relação água/aglomerante, o baixo módulo de elasticidade, menor suscetibilidade à fissuração por retração plástica e o melhor desempenho diante das deformações do sistema de revestimento.

Outro aspecto importante é a manutenção da trabalhabilidade durante todo o período de utilização da argamassa, evitando práticas inadequadas em obra, como a adição de água para recuperar a consistência do material. "Esse procedimento altera a relação água/aglomerante, reduz a resistência mecânica e compromete a aderência", alerta Trevisol.

Como resultado, os revestimentos executados com argamassas de hidratação controlada tendem a apresentar maior durabilidade, menor incidência de manifestações patológicas e desempenho mais previsível, características que têm ampliado o interesse do mercado por soluções industrializadas que oferecem maior controle tecnológico.

Luiz Alberto Trevisol, engenheiro civil - Gerente Corporativo de Desenvolvimento Técnico da Concrebras. Crédito: Divulgação

Saiba mais: Conheça a Massa Concrebras, a argamassa da Concrebras e descubra como ela pode trazer mais produtividade, qualidade e previsibilidade para sua obra.

Entrevistado

Luiz Alberto Trevisol é engenheiro civil, mestre na área de desenvolvimento e tecnologia voltada à área de materiais de construção, mais especificamente materiais cimentícios, pós-graduado na área de Engenharia de Produção, com foco na criação e gestão de indicadores de desempenho voltados a centrais dosadoras de concreto. Sólida experiência no desenvolvimento de argamassas industrializadas, com conhecimento na área de pesquisa, desenvolvimento e produção de fibrocimento (cimento-amianto e CRFS). Atualmente, é Gerente Corporativo de Desenvolvimento Técnico da Concrebras.

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luiz.trevisol@concrebras.com.br

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Ana Carvalho

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Cimento com propriedades magnéticas amplia possibilidades de uso das superfícies na construção civil

A busca por soluções que tornem os ambientes mais versáteis tem impulsionado o desenvolvimento de novos materiais para a construção civil. Entre eles, está o cimento com propriedades magnéticas, tecnologia que propõe transformar paredes convencionais em superfícies capazes de receber objetos por meio de ímãs, reduzindo a necessidade de furos e sistemas permanentes de fixação.

Ainda em fase de estudos e validação industrial, o material foi desenvolvido pelo inventor argentino Marco Agustín Secchi, criador do sistema IronPlac. A proposta surgiu a partir de pesquisas iniciadas em 2023 e evoluiu para uma série de testes voltados à adaptação da tecnologia aos processos construtivos já utilizados pelo mercado. "Os primeiros estudos e pesquisas sobre cimento magnetizável começaram em 2023, com base em uma série de testes exploratórios em minha oficina particular em Salta, Argentina. O desenvolvimento ativo começou em 2024, com mais de 30 formulações desenvolvidas e mais de 50 testes realizados até o momento", afirma Secchi.

Projeto está em fase de validação industrial, com expectativa de iniciar produção em larga escala no segundo semestre deste ano. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Parede passa a desempenhar novas funções

Diferentemente das tintas magnéticas disponíveis comercialmente, o cimento com propriedades magnéticas faz parte do próprio sistema construtivo. O IronPlac apresenta uma argamassa cimentícia magnetizável que é aplicada como reboco sobre superfícies existentes, como paredes de cimento, gesso e outros substratos, transformando-as em plataformas funcionais capazes de atrair ímãs sem perfuração ou instalações complexas.

O sistema também possui uma versão destinada às construções em drywall, composta por placas de gesso magnetizáveis que substituem as placas convencionais sem alterar o processo de instalação.

Na prática, a parede também se torna uma superfície dinâmica. Quadros, organizadores, utensílios, suportes e elementos decorativos podem ser reposicionados diversas vezes utilizando ímãs de neodímio, sem causar danos ao revestimento. Segundo o desenvolvedor, cada ponto de fixação suporta até dois quilos.

Diferenças em relação às tintas magnéticas

Segundo o pesquisador, embora o princípio de funcionamento seja semelhante ao das tintas magnéticas, os dois sistemas apresentam diferenças conceituais. As tintas normalmente utilizam partículas metálicas dispersas em sua composição, oferecendo capacidade limitada de atração e exigindo diversas demãos para alcançar resultados satisfatórios. No caso do IronPlac, o sistema inclui duas variantes: uma base cimentícia para construção úmida e uma placa de gesso magnetizável para sistemas de construção a seco, como estruturas metálicas. “Isso lhe confere força magnética significativamente superior, maior durabilidade estrutural e compatibilidade com os padrões da indústria da construção", explica Secchi.

Outro diferencial proposto pelo sistema é a possibilidade de aplicação tanto em obras novas quanto em reformas, sem exigir equipamentos especiais ou alterações estruturais.

Aplicação acompanha diferentes métodos construtivos

Marco Agustín Secchi. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

O cimento com propriedades magnéticas pode ser incorporado em diferentes etapas da execução da obra. Em construções convencionais, ele é aplicado como camada de revestimento antes do acabamento. Já nos sistemas industrializados, como o drywall, a proposta é utilizar placas magnetizáveis instaladas de forma semelhante às placas de gesso convencionais.

Essa flexibilidade amplia as possibilidades de uso em residências, escritórios, escolas, hospitais, ambientes corporativos, laboratórios e espaços colaborativos, onde a reorganização frequente de painéis, equipamentos ou materiais faz parte da rotina. Além da praticidade, a tecnologia pode contribuir para reduzir intervenções na parede ao longo da vida útil da edificação, diminuindo reparos decorrentes de sucessivas perfurações.

Próxima etapa é buscar escala industrial

De acordo com o inventor, o projeto encontra-se atualmente na fase de validação industrial e os ensaios de caracterização do material estão sendo conduzidos na Universidade Nacional de Salta, enquanto negociações com empresas de diferentes países buscam viabilizar sua fabricação em escala. "O projeto está atualmente na fase de validação industrial. Estamos realizando a caracterização técnica do material na Universidade Nacional de Salta e em negociações ativas com potenciais parceiros de fabricação e distribuição nos Estados Unidos, Europa e Ásia Central", destaca Secchi.

A expectativa do desenvolvedor é iniciar a produção em larga escala no segundo semestre de 2026 por meio de um modelo de licenciamento com parceiros industriais internacionais. Embora ainda esteja em processo de consolidação comercial, o projeto representa uma iniciativa alinhada à tendência de incorporar novas funcionalidades aos materiais de construção. A tendência acompanha o crescimento de soluções que unem desempenho técnico, flexibilidade de uso e adaptação dos ambientes às necessidades dos usuários.

Entrevistado

Marco Agustín Secchi é inventor e estudante de Design Industrial em Salta, Argentina. Com formação técnica e experiência em metalurgia, ele desenvolveu o IronPlac combinando conhecimentos de química, física e engenharia de materiais por meio de estudo autodidata, em colaboração com instituições acadêmicas e parceiros industriais.

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info@ironplac.com

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Ana Carvalho

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Nova NR-10 amplia exigências e integra o gerenciamento dos riscos elétricos ao GRO/PGR

Um novo texto da NR-10, norma que estabelece requisitos de segurança para instalações e serviços elétricos, entra em vigor em 1º de junho de 2027. Para as edificações não residenciais existentes, entretanto, foi estabelecido um prazo adicional até 1º de junho de 2028 para a adequação às exigências relacionadas à instalação de dispositivos diferenciais residuais (DDR) em áreas molhadas.

David Fratel, vice-presidente da Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), aponta que “para o setor da construção, qualquer iniciativa que coloque a segurança em primeiro lugar é sempre muito bem-vinda. Proteger vidas e garantir a integridade física dos trabalhadores é o que realmente importa. Esse é o posicionamento da CBIC ao longo de sua trajetória. Esse olhar está alinhado ao espírito da nova NR-10 (Portaria MTE nº 737/2026), que traz o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR) para o centro das atenções”.

Haruo Hishikawa, vice-presidente de Relações Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP, acredita que a atualização da NR-10 era necessária porque o setor evoluiu muito nos últimos anos. “Hoje temos novas tecnologias, como sistemas fotovoltaicos e carregadores para veículos elétricos, que não estavam contemplados quando a norma foi elaborada”, comenta.

Maiores mudanças na NR-10

Empresas terão prazo adicional até 2028 para adequar edificações não residenciais existentes à instalação de dispositivos diferenciais residuais (DDR) em áreas molhadas. Crédito: Envato

Segundo David, essa atualização traz mudanças que terão impacto significativo no dia a dia do setor. “Entre os principais pontos estão a integração do risco elétrico ao GRO/PGR previsto na NR-1, a exigência de estudos de energia para avaliação do risco de arco elétrico, o reforço de que o desligamento do circuito deve ser sempre a primeira medida para eliminação do perigo e a obrigatoriedade do uso de dispositivos diferenciais-residuais (DDR) em áreas específicas das edificações”, afirma David.

A norma também consolida um ambiente de trabalho mais previsível ao exigir projetos elétricos mais rigorosos, sob a responsabilidade de Profissionais Legalmente Habilitados (PLHs), consolidando uma diretriz que já existia, além de estabelecer critérios de capacitação e treinamentos práticos presenciais. “Isso reflete obrigações técnicas diretas nos projetos, que passam a priorizar estudos de energia incidente, detalhamento dos sistemas de aterramento, esquemas de equipotencialização e o correto dimensionamento dos dispositivos de proteção e seccionamento”, explica David.

“A norma passa a exigir mais atenção aos equipamentos de proteção, aos procedimentos de bloqueio e etiquetagem (LOTO), à documentação das instalações elétricas e à capacitação dos trabalhadores, que passa a considerar também os riscos das novas tecnologias e fontes de energia”, complementa Haruo.

Impactos da NR-10

De acordo com David, a adoção das novas exigências poderá demandar investimentos na atualização de projetos, na adequação de infraestruturas existentes e na capacitação das equipes.

“Durante o período de transição até a entrada em vigor da norma, também será necessário revisar procedimentos internos e planejar treinamentos, o que poderá exigir ajustes nos cronogramas de implantação das instalações e, em alguns casos, na execução das obras. Na nossa avaliação, as pequenas e médias empresas tendem a sentir esses impactos de forma mais intensa. A exigência de cargas horárias específicas e de aulas práticas presenciais cria um desafio logístico para liberar os profissionais sem comprometer a produtividade, além dos investimentos necessários para atualizar infraestruturas antigas, como a instalação de dispositivos DDR”, destaca David.

Haruo acredita que ainda é cedo para medir esse impacto. “O que deve acontecer é que as empresas precisarão revisar procedimentos, atualizar treinamentos, documentação e, em alguns casos, adequar equipamentos e processos para atender às novas exigências. Quando falamos de segurança, esses investimentos devem ser vistos como uma medida para proteger os trabalhadores e reduzir riscos, e não apenas como um custo”, justifica.

Preparação

Para se anteciparem à vigência integral da norma, as empresas, entre projetistas, instaladoras e construtoras, precisam se planejar desde já. “É o momento de revisar os projetos e o Prontuário das Instalações Elétricas (PIE), alinhar os inventários de riscos, adequar os procedimentos operacionais e organizar os treinamentos. Voltamos ao nosso princípio fundamental: enxergar a qualificação como o primeiro grande pilar para industrializar o setor, ganhar produtividade e, ao mesmo tempo, alcançar ganhos reais de segurança e qualidade nas entregas”, pontua David.

Haruo recomenda revisar a documentação das instalações elétricas, os programas de treinamento, os equipamentos de proteção e os procedimentos de segurança para verificar se estão alinhados às novas exigências.

Fontes

Haruo Hishikawa é vice-presidente de Relações Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP.

David Fratel é vice-presidente da Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

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