Brazil Equipo Show destaca avanço de máquinas mais sustentáveis
Entre os dias 4 e 7 de agosto, Jaguariúna (SP) recebeu a Brazil Equipo Show (BES), realizada no Red Eventos. Voltada à cadeia de máquinas e equipamentos, a feira reuniu soluções e tecnologias para os setores de construção, mineração e agronegócio.
A edição reuniu mais de 150 marcas e recebeu mais de 18 mil visitantes, entre fabricantes, distribuidores, concessionários, locadores, prestadores de serviços, produtores rurais, gestores públicos, estudantes e profissionais de diferentes segmentos.
Um dos principais atrativos foi a possibilidade de acompanhar equipamentos em condições reais de operação. Na Arena Show, demonstrações práticas evidenciaram aspectos como desempenho, produtividade, segurança e inovação tecnológica.
Entre as soluções apresentadas estiveram caminhões elétricos, tecnologias não destrutivas para avaliação e reparo de obras subterrâneas, além de sistemas voltados à compactação, logística e movimentação de materiais. As novidades refletiram avanços em eficiência operacional e sustentabilidade no setor.

Máquinas com baixa emissão de CO2
De acordo com Guilherme Ramos, diretor da Brazil Equipo Show, existem diversas tecnologias sendo incorporadas aos setores destacados na feira, mas a principal delas hoje é, sem dúvida, o desenvolvimento de máquinas elétricas ou com baixíssima emissão de CO2. “Construção, mineração e agro têm operações diferentes, mas enfrentam desafios muito semelhantes: precisam produzir mais, desperdiçar menos, reduzir custos e emissões e lidar com a falta de mão de obra especializada. A tecnologia está criando uma ponte entre esses setores”, justifica.
Ramos observa que todas as marcas estão empenhadas em avançar nessa área, que também já é uma forte exigência do mercado no mundo todo. “Mas a grande transformação não é simplesmente trocar o diesel pela eletricidade. É transformar a máquina em um equipamento cada vez mais inteligente, conectado, automatizado e, gradualmente, autônomo, com possibilidade de operação remota e com o menor consumo e emissões possíveis. Essa mudança já está acontecendo, embora ainda de forma gradual. Alguns fabricantes já desenvolveram soluções, outros ainda estão em fase de estudos e desenvolvimento, mas esse é um desafio de praticamente todos os fabricantes, no Brasil e no mundo”, aponta o diretor da BES.
Tecnologias em máquinas para aumentar produtividade

Ramos comenta que entre os expositores da BES, nas três áreas, foi possível constatar algumas ondas tecnológicas que impactam diretamente a produtividade.
“Um exemplo é a combinação de IA, automação e maior autonomia das máquinas. Outro ponto que já é realidade é a junção de telemetria, conectividade e gestão de frotas. O uso de 3D, sensores e sistemas de controle de precisão nas máquinas também está crescendo muito rapidamente. Tivemos na feira, por exemplo, demonstrações de um equipamento que, acoplado aos equipamentos de construção, é capaz de transformar informações digitais em uma nova forma de trabalhar nos canteiros”, destaca o diretor da BES.
Outra evolução mostrada no evento é relacionada à manutenção preventiva, que acontece em função das horas de uso, orientada pelos dados e pelo estado real da máquina.
“Esse é um grande salto em termos de produtividade proporcionado pelas novas tecnologias. A manutenção preditiva pode identificar, por exemplo, alterações de temperatura ou vibração e indicar que determinado componente precisa de intervenção. Dessa forma, é possível evitar paradas inesperadas, reduzir custos de manutenção e aumentar a disponibilidade da máquina. Isso representa muito bem o salto tecnológico dos equipamentos atuais”, pontua Ramos.
Cuidados com os operadores de máquinas
Ramos também destaca a evolução da própria cabine e da relação com o operador. Em todos esses setores, a tecnologia também está sendo usada para reduzir a fadiga e melhorar a segurança e a eficiência destes trabalhadores.
“Na mineração, isso fica ainda mais evidente, porque o operador pode passar muitas horas em ambientes extremos, com poeira, vibração, ruído, calor, frio e terrenos irregulares. No agro, muitas vezes o desafio está na duração da jornada e na repetitividade do trabalho. Hoje já temos bancos com suspensão, aquecimento e ventilação, climatização, filtragem do ar, redução de ruído e vibração, melhor visibilidade, comandos mais intuitivos e telas que organizam as informações”, afirma.
Para o diretor da BES, à medida que as máquinas se tornam mais sofisticadas, torna-se cada vez mais importante garantir uma interação eficiente, intuitiva e segura entre o operador e o equipamento. “Na realidade, o que vimos na Brazil Equipo Show é muito diferente da ideia de IA, automação e autonomia simplesmente para substituir pessoas. São as máquinas e as tecnologias ampliando a capacidade das pessoas que as operam, permitindo que trabalhem com mais segurança, precisão, conforto e eficiência”, conclui.
Fonte
Guilherme Ramos é diretor da Brazil Equipo Show.
Contato
Assessoria de imprensa: cbighetti@stofeiras.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Inteligência Artificial transforma a gestão da construção civil e amplia capacidade de antecipar riscos e reduzir desperdícios
A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma ferramenta presente na rotina da construção civil. De orçamentos, planejamento e cronogramas ao monitoramento de obras, análise de imagens por drones e acompanhamento do pós-obra, as aplicações de IA crescem rapidamente e prometem aumentar a produtividade, reduzir retrabalhos, identificar desvios com maior antecedência e apoiar a tomada de decisões.
Apesar desse movimento, especialistas alertam que a adoção ainda ocorre de forma desigual. Muitas empresas utilizam soluções pontuais, enquanto poucas estruturaram uma estratégia baseada em dados, governança e qualificação das equipes. Para elas, o maior desafio não está na tecnologia, mas na preparação das organizações para utilizá-la de maneira consistente.

IA como ferramenta de decisão, não de substituição
Para a engenheira civil e mestre em Inovação na Construção Civil pela USP, Jéssica Dantas, a construção reúne características que tornam a IA especialmente relevante, como o grande volume de informações, processos fragmentados e muitas atividades repetitivas. “A IA começa justamente a transformar dados em informação e informação em decisão. Ela aumenta nossa capacidade de analisar, comparar, prever e decidir, mas a validação crítica continua sendo humana”, afirma Jéssica Dantas.
Ela ressalta que a inteligência artificial deve ser vista como um copiloto do engenheiro, nunca como substituta da responsabilidade técnica. Questões relacionadas à segurança da informação, propriedade intelectual, confiabilidade das respostas e conformidade com a LGPD exigem supervisão permanente dos profissionais.
Um levantamento internacional da Autodesk mostra que 32% das lideranças da construção em 28 países afirmam ter alcançado ou estar próximas de atingir seus objetivos de implementação de IA indicando um processo de amadurecimento das aplicações no setor.
Do canteiro ao pós-obra: onde a tecnologia já entrega resultados
As aplicações mais visíveis estão distribuídas por praticamente todo o ciclo de vida de um empreendimento. Durante a execução da obra, câmeras 360°, drones e outras tecnologias de captura da realidade, associadas à visão computacional e à IA, permitem registrar o canteiro e comparar automaticamente o que foi construído com o modelo digital e o planejamento.

Com isso, gestores conseguem identificar atrasos, desvios de produtividade e potenciais impactos nos custos com maior rapidez. “Uma das grandes oportunidades de curto prazo é utilizar IA para reduzir o tempo que os engenheiros gastam procurando, organizando e consolidando informação. Isso libera mais tempo para aquilo que realmente exige conhecimento técnico e tomada de decisão”, explica Jéssica.
No pós-obra, a inteligência artificial também modifica a relação entre incorporadoras e clientes. Sistemas conseguem interpretar solicitações feitas em linguagem comum, identificar a provável origem do problema, consultar o histórico da unidade e encaminhar automaticamente o chamado para a equipe responsável. Mais do que agilizar o atendimento, essas informações passam a revelar padrões que ajudam a aperfeiçoar projetos futuros.
Segundo Jéssica, quando centenas de chamados são analisados em conjunto, torna-se possível detectar recorrências relacionadas a fachadas, fornecedores ou sistemas construtivos antes que elas gerem impactos maiores. O pós-obra passa, então, uma etapa predominantemente reativa para uma fonte estruturada de dados e aprendizado para todo o ciclo de desenvolvimento imobiliário.
Desafio está na organização dos dados
Para Gabriel Falavina, vice-presidente da ADEMI-PR e diretor executivo da Altma Incorporadora, a maioria das empresas já utiliza inteligência artificial em algum departamento, mas a maturidade desse uso ainda é desigual. “É raro a empresa que trata a IA como estratégia, com prioridades definidas, base de dados organizada e alguém responsável pelo tema. Essa distância entre uso disperso e uso estruturado é o retrato mais honesto do setor neste momento”, avalia.
Ele explica que uma incorporadora normalmente opera com ERP, CRM, BIM, sistemas de obra, plataformas de atendimento ao cliente, WhatsApp e inúmeras planilhas. Sem integração e padronização, diferentes áreas podem trabalhar com bases, conceitos e indicadores distintos para responder à mesma pergunta.
A chamada arquitetura integrada de dados ajuda a reduzir esse problema ao reunir informações em um repositório único, padronizar conceitos, estabelecer regras de governança e criar indicadores compartilhados por toda a empresa. Só depois dessa etapa a IA consegue gerar previsões, automações e relatórios confiáveis. “A IA consome a camada tratada, nunca o sistema cru. Sem essa arquitetura, cada solução funciona como uma ilha. Com ela, cada nova aplicação nasce mais barata e mais rápida”, destaca Gabriel Falavina.
Pessoas continuam no centro da transformação

Embora ferramentas generativas, algoritmos e automações ganhem espaço, os dois especialistas concordam que a vantagem competitiva será construída pela combinação entre tecnologia e capacitação profissional. Jéssica acredita que o maior debate não deve ser sobre substituição de empregos, mas sobre formação de engenheiros capazes de utilizar IA de forma ética, crítica e estratégica. “O profissional que conhece engenharia e sabe utilizar inteligência artificial provavelmente terá uma capacidade de análise e produtividade muito maior”, afirma.
Falavina acrescenta que a cultura organizacional tende a ser o fator decisivo nos próximos anos. Para ele, empresas que começam agora a estruturar seus dados acumulam um patrimônio difícil de ser reproduzido posteriormente. “O dado histórico não se compra. A empresa que começou a organizar sua base agora terá, em dois anos, um acervo que a concorrência não consegue adquirir. O aprendizado é organizacional e cultural”, conclui.
Entrevistados
Jéssica Dantas é engenheira civil, mestre em Inovação na Construção Civil pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em industrialização, tecnologias emergentes e inteligência artificial aplicada ao setor. Palestrante nacional e internacional, com forte atuação em entidades técnicas como IBRACON e ALCONPAT, conectando tendências globais à realidade do mercado brasileiro com foco em eficiência, escala e impacto.
Gabriel Falavina é engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), sócio-fundador e diretor executivo da ALTMA Incorporadora e 1º vice-presidente administrativo da ADEMI-PR. Com atuação no mercado imobiliário, tem experiência em desenvolvimento de empreendimentos, inovação e novos modelos de moradia, conectando estratégia, tecnologia e as transformações do setor para criar soluções alinhadas às novas demandas do mercado.
Contato
je_adantas@hotmail.com
gabriel@altma.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Construsul 2026 destaca industrialização, digitalização e novas soluções para a construção
Entre os dias 04 e 07 de agosto, aconteceu em Porto Alegre (RS) a 27ª Construsul – Feira Internacional da Construção
Segundo Paulo Richter, diretor da Construsul, um dos principais destaques desta edição da feira foi o investimento dos expositores na estrutura e apresentação dos estandes, o que contribuiu para tornar a feira mais atrativa. A edição também apresentou novidades em máquinas, ferramentas sem fio e inteligência artificial, com aplicações na execução de projetos e no controle da produção.
“Entre as tecnologias que mais chamaram a atenção está o conceito off-site, que consiste na produção de componentes fora do local onde a construção será realizada. A inteligência artificial também ganhou espaço, especialmente na racionalização e transformação dos processos relacionados a projetos e à produção”, destaca Richter.
Para Richter, sustentabilidade, industrialização e digitalização deixaram de ser tendências passageiras e passaram a fazer parte da transformação estrutural do setor. “Isso aí entrou, veio para racionalizar os projetos, veio para racionalizar os processos construtivos”, afirma.

A percepção de Richter também aparece na avaliação dos expositores. Para Mateus Tiecher, coordenador de vendas do Grupo JR Cimento/JR Pronto, cliente da Cimento Itambé, um dos aspectos observados durante a feira foi a mudança no comportamento dos clientes, que estariam mais interessados em soluções capazes de gerar ganhos reais do que apenas em preço.
“O que mais me chamou atenção foi ver um mercado mais interessado em solução do que simplesmente em preço. Como expositor, isso ficou muito claro para mim. Tivemos conversas muito boas com clientes que queriam entender como ganhar tempo na obra, reduzir desperdício e ter mais segurança no processo”, afirma.
Segundo Tiecher, a experiência deixou uma impressão positiva sobre o momento do setor. “Vi um setor ativo, interessado e, principalmente, aberto a fazer diferente”, declara.
Industrialização ganha espaço
Segundo Richter, a tecnologia já está presente em praticamente todas as etapas da construção, com soluções voltadas à racionalização e à melhoria dos processos. Entre os exemplos estão aditivos e produtos químicos utilizados em concretos e argamassas, capazes de modificar propriedades e contribuir para otimizar determinadas etapas da execução.“A principal exceção ainda está nas atividades que dependem diretamente de trabalho manual, como carregar e empilhar tijolos e transportar materiais”, afirma.
Para Tiecher, a industrialização da construção é uma das principais tendências observadas durante a feira. “Tudo aquilo que chega pronto, padronizado e reduz etapas está ganhando espaço”, explica.
Esse movimento aparece, segundo ele, em soluções envolvendo aço, corte e dobra, telas, treliças e peças prontas. “E não é só uma questão de praticidade. Hoje o cliente olha para produtividade, desperdício, mão de obra e prazo”, afirma.

O coordenador de vendas também destaca o avanço de tecnologias voltadas à gestão, eficiência e sustentabilidade. Para ele, porém, a principal mudança está na própria forma de enxergar o mercado. “Não basta vender material; precisamos ajudar o cliente a construir melhor.”
Expectativa de negócios
Em relação a movimentação comercial, a organização havia estabelecido uma expectativa inicial de R$ 900 milhões em negócios durante a feira. Ao todo, recebeu 35 mil visitantes. De acordo com Richter, entre os segmentos de maior movimentação estavam máquinas e equipamentos, além da indústria química, com produtos como colas e materiais de PVC.
“Destaco ainda a diversidade do mix da feira, que reúne desde máquinas para venda e locação até equipamentos de menor porte, como tratores compactos”, afirma.
A experiência também foi positiva para o Grupo JR Cimento. A Construsul 2026 marcou a terceira participação da empresa com a JR Pronto. Segundo Tiecher, a companhia levou ao evento sua linha de aço e soluções para a construção, incluindo produtos de corte e dobra, estribos, colunas, estacas, treliças e telas, além de telhas de aluzinco simples e termoacústicas.
“Foram dias muito intensos. Tivemos mais de 25 vendedores atendendo, muitos clientes passando pelo estande, novos contatos, novos negócios e um resultado comercial que nos deixou muito satisfeitos”, relata.
Para o executivo, porém, o principal resultado foi a percepção de um mercado ativo. “O mais importante foi sentir o mercado vivo. Ver cliente querendo conversar, conhecer solução, fazer negócio e olhar para frente traz uma energia muito boa.”

Inovação e workshops
A programação também contou com atividades voltadas à inovação e tecnologia na construção. No primeiro dia, foi realizado o ITCOM, Seminário de Inovação e Tecnologia na Construção, com palestras sobre novas tecnologias, produtos e conceitos para o setor.
Além do seminário, a feira contou com uma programação diversificada de workshops promovidos pelas empresas expositoras, com foco na apresentação de lançamentos, tecnologias e novas soluções para o setor. Segundo Richter, estavam previstos cerca de 60 workshops ao longo do evento. A agenda também reuniu encontros organizados por empresas e entidades como ABESC, Mulher em Construção, SISECON, ITT Performance, ANAPRE, ABRAPP, entre outros.
A programação técnica reforçou uma característica importante da feira: além de apresentar produtos e lançamentos, o evento funciona como espaço de troca de conhecimento, relacionamento profissional e discussão sobre os caminhos tecnológicos da construção. Tiecher afirma que as próprias conversas com clientes e profissionais de diferentes regiões proporcionaram aprendizados sobre o mercado.
“O que ficou para mim é que a construção está evoluindo rápido, mas continua tendo uma base muito simples: quem entende a necessidade do cliente, entrega solução e constrói confiança, continua tendo espaço”, avalia.
Próxima edição
A 28ª Construsul – Feira Internacional da Construção já tem data marcada. O evento será realizado de 3 a 6 de agosto de 2027, novamente no Centro de Exposições da FIERGS, além da 4ª Construsul BC, em Balneário Camboriú (SC), de 1º a 4 de junho de 2027.
Para Tiecher, a participação na edição deste ano reforçou uma perspectiva positiva para o setor. “Saí da Construsul bastante otimista. Tem muita coisa mudando, muita oportunidade surgindo e, para quem estiver disposto a evoluir junto com o mercado, eu acredito que vem muita coisa boa pela frente”, conclui.
Fontes
Paulo Richter é diretor da Construsul.
Mateus Tiecher é coordenador de vendas do Grupo JR Cimento/JR Pronto.
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
IDD lança pós-graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto
O IDD lançou a primeira pós-graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto (PUC) no Brasil. Realizada na modalidade on-line ao vivo, o curso terá duração de outubro de 2026 a novembro de 2027, com carga horária de 440 horas-aula.
A Pós-Graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto oferece uma formação especializada, com abordagem prática, voltada a profissionais que buscam aprofundar seus conhecimentos em projeto, execução, controle tecnológico e gestão de pavimentos de concreto em ambientes urbanos. A formação aborda todas as etapas do processo, desde a análise da interação entre solo e estrutura, incluindo caracterização dos solos, ensaios geotécnicos e métodos de estabilização das camadas de base e sub-base. O curso também contempla conteúdos relacionados à tecnologia do concreto aplicado à pavimentação, incluindo microestrutura, propriedades no estado fresco e endurecido, durabilidade e métodos de dosagem aplicados a pisos e pavimentos. Além disso, prepara os participantes para o controle tecnológico e a realização de ensaios de campo em concretos especiais.
Para Alvaro Sérgio Barbosa Júnior, coordenador da Pós-Graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto – IDD, o momento é de convergência. “Vivemos uma demanda crescente das municipalidades por soluções que ofereçam menor custo de manutenção e maior durabilidade nas vias das cidades. O setor de pavimento urbano de concreto amadureceu tecnologicamente, e a engenharia brasileira está pronta para aplicar conceitos avançados de sustentabilidade e desempenho específicos para o tecido urbano. Lançar este curso agora é suprir a carência de um corpo técnico capaz de transformar essa demanda em projetos executáveis de alta qualidade, distintos de outras aplicações como rodovias ou pisos industriais”, pontua.

Ainda de acordo com o coordenador, algumas mudanças no mercado de infraestrutura urbana impulsionaram a criação desse curso – em especial, a transição do paradigma de “custo inicial” para “custo de ciclo de vida”. “Gestores públicos perceberam que o pavimento urbano de concreto oferece uma vida útil superior e maior resiliência face às solicitações das cidades, o que impacta positivamente o orçamento municipal. As características das vias urbanas — como a canalização do tráfego, o frequente contato com redes subterrâneas e a geometria restrita — exigem um profissional que domine a tecnologia de pavimento urbano de concreto especificamente”, comenta.
Demanda do mercado
Para Barbosa Júnior, há uma lacuna na formação de profissionais especializados em projeto e execução de pavimentos de concreto. “Embora tenhamos excelentes engenheiros, a transição para a especificidade do pavimento urbano de concreto — que possui mecânica, logística de canteiro e exigências estéticas/funcionais muito distintas de rodovias ou pisos industriais — é um gargalo. Esse déficit impacta diretamente na qualidade da execução, na especificação técnica inadequada para vias de tráfego variado e na falta de planejamento para as interferências típicas de áreas urbanas, resultando em custos desnecessários para os municípios”, explica.
Ainda segundo o coordenador, o mercado busca o “Engenheiro Gestor de Vias Urbanas”. Isso inclui a capacidade de realizar dimensionamentos compatíveis com as condições de tráfego e suporte do pavimento, o domínio da dosagem de concreto para pavimentos expostos a ciclos urbanos, o entendimento do comportamento das juntas em travessias e a habilidade de planejar o processo construtivo em centros adensados. “É uma competência que difere drasticamente do conhecimento exigido para pavimentos rodoviários ou pisos industriais”, afirma.
Barbosa Júnior acredita que iniciativas como essa podem contribuir para ampliar a utilização e o conhecimento técnico sobre o assunto e tragam uma mudança estrutural: o pavimento urbano de concreto deixará de ser visto como uma “exceção” e se consolidará como o padrão de qualidade para as vias das nossas cidades.
“Espero ver profissionais liderando projetos onde a escolha do pavimento urbano de concreto é baseada em ciência, durabilidade e custo-benefício de longo prazo. Com a formação técnica de alto nível, vamos elevar a qualidade das nossas cidades, garantindo que o investimento público seja transformado em infraestrutura durável e eficiente”, opina.

Crédito: Divulgação
Ouça o podcast de Álvaro Barbosa Júnior sobre pavimento urbano de concreto aqui.
Diferenciais da pós-graduação
Barbosa Júnior aponta que o curso tem foco específico nos desafios relacionados ao pavimento urbano de concreto. “Diferente de um curso focado em rodovias ou aplicações industriais, nossa pós-graduação lida com a geometria complexa das cidades, as interferências de redes de utilidades (esgoto, gás, fibra ótica) e a logística restrita de concretagem. O curso é desenhado para a realidade da malha urbana, com foco total na tecnologia aplicada a esse ambiente específico”, expõe.
A especialização aborda metodologias de dimensionamento para vias de tráfego urbano, o uso de concretos sustentáveis, técnicas de estabilização de solo em áreas urbanas, sistemas de drenagem integrados e técnicas de restauração e manutenção sem interrupção prolongada do tráfego. “Além disso, vamos trabalhar a fundo e detalhar a prática recomendada de pavimento urbano de concreto no Brasil — a PR 1011 —, que já está em processo de revisão para seu aprimoramento. Isso garante que os alunos estejam na vanguarda técnica e completamente atualizados com as exigências e diretrizes mais recentes do mercado”, conclui Alvaro.
Fonte:
Alvaro Sérgio Barbosa Júnior é coordenador da Pós-Graduação em Engenharia de Pavimentos Urbanos de Concreto – IDD.
Contato:
alvaro@abesc.org.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Construção civil mantém geração de empregos no primeiro semestre, mas juros altos freiam o ritmo de crescimento
A construção civil brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com sinais de resiliência. Mesmo diante de um cenário de juros elevados, inflação persistente e custos de produção acima da média nacional, o setor gerou quase 169 mil novos empregos formais e mantém a projeção de crescimento de 1,2% para o ano. Os dados foram apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante a divulgação dos indicadores econômicos do segundo trimestre.
A análise da entidade revela um mercado dividido entre resultados positivos e desafios estruturais. De um lado, o avanço das obras de infraestrutura, das concessões e dos investimentos em saneamento sustenta a atividade e amplia a contratação de trabalhadores. De outro, a permanência da Selic em patamar elevado reduz a confiança dos empresários e limita lançamentos, investimentos e financiamentos.
Segundo a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o ambiente macroeconômico continua pressionando a construção, embora o setor preserve sua capacidade de gerar empregos. “Nos primeiros seis meses deste ano, a construção civil gerou quase 169 mil novos empregos, o que representa um incremento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado”, afirmou.
Infraestrutura lidera a criação de vagas
O grande destaque do semestre foi o segmento de infraestrutura.

Das quase 169 mil vagas abertas, cerca de 65 mil vieram de obras de saneamento, rodovias e grandes projetos de concessão, superando pela primeira vez a construção de edifícios em um primeiro semestre desde a criação do novo Caged, em 2020.
Para Ieda Vasconcelos, esse movimento reflete o aumento dos investimentos públicos e, principalmente, privados. “O número de novas vagas na infraestrutura cresceu 30% em relação ao ano passado. As obras de saneamento, as PPPs e as concessões que estão saindo do papel explicam esse dinamismo”, destacou.
O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, reforçou que o marco legal do saneamento tem papel decisivo nesse desempenho. “O grande responsável pelos investimentos foi o setor privado, com 84% do total. Isso demonstra como o marco legal foi fundamental para que esse segmento continuasse gerando emprego e renda.”
Selic reduz confiança e limita investimentos
Apesar do mercado de trabalho aquecido, os indicadores de confiança mostram um cenário menos favorável. A sondagem realizada pela CBIC em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) registrou queda na confiança dos empresários, mantendo o índice abaixo dos 50 pontos, patamar que indica falta de confiança.
Eduardo Aroeira relaciona diretamente esse comportamento ao custo do crédito. “A Selic elevada impacta principalmente a produção de edifícios. A atividade continua importante, mas vem perdendo ritmo com o passar do tempo”, afirmou.
O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, observa que a falta de confiança do empresariado deixou de ser pontual e passou a ser persistente. “Essa falta de confiança tende a refletir nas decisões dos empresários em relação a investimentos, contratações e lançamentos de novos empreendimentos”, avaliou.
Custos seguem acima da inflação
Outro fator que preocupa o setor é o avanço dos custos da construção. Nos últimos 12 meses encerrados em julho, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,44%, enquanto a inflação oficial ficou em 4,44%. Materiais e equipamentos subiram 6,02%, e a mão de obra registrou aumento de 7,30%.
Entre os insumos com maior elevação aparecem fio de cobre, cimento, concreto, vidro e esquadrias. Para a CBIC, a pressão sobre esses materiais está relacionada ao aumento dos custos energéticos e aos efeitos prolongados dos conflitos internacionais sobre a cadeia de suprimentos.
A situação preocupa especialmente os empreendimentos de habitação popular. “Nossa preocupação é que os contratos do Minha Casa Minha Vida são firmados com preço fixo. Se os custos continuam subindo, os novos contratos deixam de ser atrativos e isso pode reduzir a oferta de moradias para quem mais precisa”, explicou Eduardo Aroeira.
Juventude e perspectivas para 2026
Os indicadores também revelam um dado relevante sobre o perfil da mão de obra. Quase metade das vagas abertas no semestre foi ocupada por jovens entre 18 e 29 anos, contrariando a percepção de que a construção civil perdeu capacidade de atrair novos trabalhadores.
Segundo o presidente da CBIC, o desafio atual não está na entrada desses profissionais, mas na permanência deles no setor. “O problema não é a entrada dos jovens. A realidade mostra que eles estão chegando. O desafio é conseguir retê-los na construção civil”, afirmou.
Para o restante de 2026, a CBIC mantém expectativa de crescimento moderado de 1,2%. A entidade avalia que os investimentos recordes em infraestrutura, os lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos e o mercado de trabalho aquecido devem compensar, ao menos parcialmente, os efeitos negativos da taxa de juros elevada, do endividamento das famílias e da dificuldade de contratação de mão de obra qualificada.
Fonte
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Contato
imprensa@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Normas da ABNT atualizam requisitos para blocos de concreto e pavimentos intertravados e permeáveis
Em 2026, revisões das séries NBR 6136 e NBR 9781, NBR 15953 e da série NBR 16416 atualizaram requisitos para blocos de concreto, pavimentos intertravados e pavimentos permeáveis. As mudanças são resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de quase três anos, com participação de representantes da indústria, universidades, laboratórios e entidades técnicas.
As atualizações trazem mudanças que impactam fabricantes, projetistas, construtoras e empresas responsáveis pela execução e manutenção desses sistemas. Entre as principais novidades estão alterações nos critérios de desempenho e resistência, aperfeiçoamentos nos procedimentos de inspeção, amostragem e ensaios, além da atualização de requisitos para execução e manutenção. As normas de produtos, especialmente as NBR 6136 e NBR 9781, também passam a incorporar critérios e indicadores relacionados ao desempenho ambiental, ampliando a abordagem de sustentabilidade na avaliação dos componentes de concreto.
Para Cláudio Oliveira Silva, mestre em Engenharia Civil e gerente de inovação e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), a atualização acompanha a própria evolução da construção civil.
“A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem como diretriz que todas as normas nacionais devem ser revisadas ou revalidadas a cada cinco anos”, pontua.
Segundo ele, o processo de revisão deve considerar a evolução tecnológica dos materiais, equipamentos e práticas construtivas, tendo como objetivo o aprimoramento do desempenho dos sistemas construtivos.
O trabalho foi conduzido pelos comitês ABNT/CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) e ABNT/CB-002 (Comitê Brasileiro da Construção Civil).
Blocos de concreto ganham critérios mais claros

Crédito: Envato
Na ABNT NBR 6136, que trata dos blocos vazados de concreto destinados à execução de alvenaria com ou sem função estrutural, foram mantidas três classes de blocos, mas os critérios de classificação e destinação foram atualizados.
A classe A, com resistência característica à compressão igual ou superior a 8,0 MPa, permanece destinada à alvenaria estrutural e permite utilização abaixo do nível do solo. A classe B, com resistência entre 4,0 MPa e 6,0 MPa, também é destinada à alvenaria estrutural, mas sem essa permissão. Já a classe C, com resistência mínima de 3,0 MPa, pode ser utilizada em alvenaria estrutural ou de vedação, desde que acima do nível do solo. Para a utilização estrutural da classe C, entretanto, a norma estabelece limitações de acordo com a largura do bloco e o número de pavimentos da edificação.
“Um ponto de atenção prática é que a altura dos blocos utilizados no encontro da parede com a laje passa a poder ser definida entre fornecedor e consumidor, em função do projeto”, explica Silva.
Segundo o gerente de Inovação e Sustentabilidade da ABCP, essa possibilidade é relevante porque não existe um padrão único para o pé-direito das edificações, permitindo adequar a altura desses componentes às necessidades específicas do projeto. A revisão também estabelece raios mínimos para as mísulas dos blocos vazados: 40 mm para as classes A e B e 20 mm para a classe C.
Outro aspecto alterado envolve a absorção de água. A atualização mantém critérios para essa propriedade, mas o ensaio passa a ter caráter opcional na sistemática estabelecida para qualificação e controle dos produtos. Já o índice de absorção inicial de água não possui critério de aceitação na nova edição e seu resultado pode ser utilizado pelo projetista na avaliação do potencial de aderência de um eventual sistema de revestimento aplicado à alvenaria.
“Este requisito está diretamente relacionado com o potencial de aderência entre o bloco e a argamassa”, comenta Silva.
A mudança considera, segundo o especialista, as condições climáticas brasileiras e a relevância prática da propriedade para o desempenho do sistema.
Novo critério aumenta rigor no controle de qualidade
A revisão da ABNT NBR 9781, que estabelece requisitos para componentes vibroprensados de concreto destinados à pavimentação intertravada e à pavimentação intertravada permeável, introduziu mudanças importantes nos critérios de avaliação e aceitação dos produtos. A revisão também foi acompanhada pela publicação da ABNT NBR 9781-2:2026, que estabelece os métodos de ensaio aplicáveis aos componentes.
Uma das alterações mais relevantes está no critério estatístico para aceitação da resistência característica à compressão. O novo procedimento modifica a forma de avaliação dos lotes e reduz a possibilidade de que valores médios elevados compensem resultados individuais ou uma maior dispersão dos resultados.
Silva explica que o modelo anterior permitia que uma média elevada compensasse desvios-padrão maiores. “Isso, na prática, possibilitava a aprovação de lotes com peças com resistências abaixo do valor adequado”, pondera.
A norma revisada passou a adotar uma abordagem não paramétrica, com amostragem parcial. Para o especialista, a mudança torna o critério mais rigoroso e reduz a margem para compensação estatística.
“Isso deve exigir maior controle de processo na fabricação, para evitar desvios elevados de resistência entre as peças de um mesmo lote”, afirma.
Os valores mínimos de resistência continuam organizados conforme à solicitação de uso. Peças de concreto destinadas à pavimentação intertravada devem atingir pelo menos 35 MPa para tráfego de pedestres, veículos leves e o mínimo de 50 MPa para tráfego intenso ou abrasivo.
Pavimentos permeáveis: novos parâmetros de desempenho
As alterações também chegam aos pavimentos permeáveis. A atualização da norma introduziu novos critérios para avaliação do desempenho hidráulico dos sistemas e aprimorou conceitos relacionados à infiltração, permeabilidade, dimensionamento hidráulico e manutenção.
A ABNT NBR 16416 foi reorganizada em partes. A NBR 16416-1:2026 estabelece requisitos para a execução de pavimento permeável intertravado, enquanto a NBR 16416-2:2026 trata da execução de pavimento permeável de concreto moldado no local. A nova estrutura substitui a NBR 16416:2015, que foi cancelada em 27 de fevereiro de 2026.
Na avaliação de Silva, a atualização aproxima os parâmetros brasileiros de referências internacionais e estabelece critérios mais objetivos para acompanhar o desempenho dos sistemas.
Um dos pontos destacados pelo gerente de Inovação e Sustentabilidade da ABCP é a diferenciação entre taxa de infiltração e permeabilidade. A primeira corresponde à velocidade com que a água penetra através da superfície do pavimento, podendo ser reduzida ao longo do tempo em razão da colmatação dos poros e vazios do sistema. Já a permeabilidade está relacionada à facilidade com que um meio poroso permite a passagem da água, dos poros e vazios do sistema.
Execução e manutenção também entram no foco
A revisão da ABNT NBR 15953, voltada à execução de pavimentos intertravados, detalha requisitos relacionados à paginação, camada de assentamento, juntas e manutenção.
Para pavimentos sujeitos ao tráfego de veículos, por exemplo, a definição do padrão de assentamento deve considerar as características do projeto, as condições de tráfego e as contenções do pavimento. Entre os arranjos possíveis está o padrão em espinha de peixe, que contribui para o intertravamento das peças e pode ser orientado conforme as condições estabelecidas em projeto.
A norma também estabelece requisitos para instalações mecanizadas. Silva chama atenção ainda para os requisitos relacionados às juntas e à camada de assentamento, incluindo espessura, material de rejuntamento, umidade e granulometria.
“A camada de assentamento deve ter espessura de (4 ± 1) cm na condição não compactada”, explica, destacando que ela deve ser espalhada uniformemente, sem compactação prévia.
A manutenção passa a ser tratada de forma mais detalhada. O projeto deve estabelecer sua periodicidade de acordo com as condições de exposição e o tráfego, incluindo procedimentos de limpeza, recomposição de rejuntamento e reparos localizados.
Sustentabilidade ganha espaço nas normas
Um dos avanços destacados na revisão é a inclusão de requisitos relacionados ao desempenho ambiental.
As normas ABNT NBR 6136 e ABNT NBR 9781 passaram a recomendar que fabricantes informem indicadores ambientais de seus produtos, calculados segundo a metodologia da ABNT NBR 14025. Entre os indicadores estão emissões de CO₂, demanda de energia primária, consumo de água e geração de resíduos.
Para Silva, essa mudança representa um passo importante para o setor. “A inclusão de requisitos de desempenho ambiental, mesmo que como opcional, é um marco importante no mercado de materiais de construção no Brasil”, destaca.
A adoção desses indicadores também pode contribuir para que projetistas e especificadores disponham de informações adicionais para comparar soluções e considerar aspectos ambientais na escolha dos materiais,complementando os critérios tradicionais de desempenho técnico, funcionalidade, durabilidade e custo.
Fonte
Cláudio Oliveira Silva é Mestre em Engenharia Civil e Gerente de Inovação e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Atuou na coordenação das normas ABNT c13c, ABNT S781, ABNT 15S53 e ABNT 1c41c, com secretaria do Eng. Fernando Dalbon – Gerente da Ǫualidade da ABCP.
Contato
claudio.silva@abcp.org.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Manifestações patológicas em fachadas exigem diagnóstico técnico para preservar desempenho e segurança das edificações
As fachadas desempenham papel estratégico na proteção das edificações contra a ação do tempo e dos agentes ambientais. Também contribuem para o desempenho térmico, acústico e de estanqueidade, além de exercerem função estética. Com o passar dos anos, porém, esses elementos ficam sujeitos ao desgaste natural e ao surgimento de manifestações patológicas, que podem comprometer tanto o desempenho quanto a segurança da construção.
O crescimento das cidades, a verticalização dos empreendimentos e a maior diversidade de sistemas construtivos também ampliaram a complexidade desse cenário. Edifícios mais altos e com geometrias diferenciadas estão expostos a condições de utilização e de exposição ambiental que podem exigir soluções técnicas compatíveis com essas características.
De acordo com o engenheiro civil Guilherme de Castro Gonçalves, sócio da Toten Engenharia e especialista em patologia das construções, diferentes fatores podem contribuir para o aparecimento dessas ocorrências. "As manifestações patológicas mais comuns nas fachadas estão relacionadas às características dos materiais empregados, às condições de exposição ambiental, às movimentações da edificação e às eventuais deficiências de projeto, execução e manutenção", afirma.

Fissuras, descolamentos e corrosão estão entre os problemas mais frequentes
Entre as manifestações patológicas mais recorrentes, destacam-se as fissuras nos revestimentos, os descolamentos de argamassas e revestimentos aderidos, além da corrosão das armaduras das estruturas de concreto, processo que pode resultar em manifestações visíveis nas fachadas, como fissuras, manchas e desplacamentos. Cada uma delas apresentam mecanismos próprios de desenvolvimento, e por isso, exige uma avaliação específica.
Nos edifícios mais antigos, a corrosão das armaduras representa uma das principais preocupações. O fenômeno pode estar associado à carbonatação do concreto e à ação de cloretos, sendo favorecido por características como elevada permeabilidade, fissuração e cobrimento insuficiente das armaduras, especialmente em construções executadas conforme critérios normativos de décadas anteriores.
A expansão dos produtos gerados pela corrosão provoca tensões internas no concreto de cobrimento, podendo resultar em fissuras, destacamentos e desprendimento de partes do concreto e, consequentemente, das camadas de revestimento.
Já os descolamentos de revestimentos costumam estar associados à deficiência de aderência entre as camadas do sistema construtivo, como por exemplo, falhas no preparo da base, execução inadequada ou ausência de camada de preparo quando especificada, incompatibilidade entre materiais, condições inadequadas de aplicação e degradação decorrente do envelhecimento.
As fissuras também apresentam diferentes origens

Algumas são consequência da retração das argamassas durante o processo de endurecimento. Outras podem acompanhar o contorno de elementos da estrutura ou da alvenaria, indicando possíveis movimentações diferenciais entre os componentes do sistema.
Mesmo empreendimentos recém-construídos podem apresentar essas ocorrências quando etapas de execução deixam de ser cumpridas corretamente. "Em muitos casos, essas ocorrências estão relacionadas ao preparo inadequado das bases, à incompatibilidade entre materiais, ao não cumprimento dos intervalos entre etapas e à redução dos tempos de mistura, aplicação, secagem e cura. A busca por maior velocidade de execução pode levar à sobreposição ou supressão de etapas importantes para o desempenho do sistema", explica Gonçalves.
Tecnologia amplia as possibilidades de durabilidade dos revestimentos
Nos últimos anos, a evolução dos materiais e dos sistemas de revestimento trouxe ganhos importantes para a durabilidade das fachadas. Produtos industrializados podem proporcionar maior controle e uniformidade na produção e são desenvolvidos para atender requisitos específicos de desempenho, como aderência, deformabilidade, resistência mecânica e controle de absorção de água, conforme a finalidade de cada produto no sistema.
Entre as soluções disponíveis estão selantes com propriedades adequadas de deformabilidade para determinadas juntas e interfaces, hidrofugantes destinados à redução da absorção de água em substratos porosos, argamassas de reparo com retração controlada e sistemas de reforço que podem utilizar telas galvanizadas ou fibras de vidro resistentes ao meio alcalino. A escolha dessas soluções, entretanto, deve considerar as características do sistema existente, as condições de exposição e, principalmente, as causas identificadas durante o diagnóstico. A aplicação de um produto isoladamente não elimina necessariamente a origem da manifestação patológica.
O especialista também destaca a evolução das normas técnicas. A atualização da ABNT NBR 13281-1:2023 introduziu as classificações ARV-I, ARV-II e ARV-III para argamassas inorgânicas destinadas a revestimentos, considerando, entre outros aspectos, a altura da edificação nas aplicações externas. A classificação estabelece diferentes condições de utilização e requisitos de desempenho para edificações de diferentes alturas.
Recuperação depende de diagnóstico preciso
Embora muitas manifestações apresentem aparência semelhante, suas causas podem ser completamente diferentes. Por isso, a definição da técnica de recuperação deve ser precedida por uma investigação detalhada. "As soluções mais eficazes dependem, inicialmente, de um diagnóstico correto da manifestação patológica, com a identificação de suas causas, extensão, grau de evolução e consequências para o desempenho e a segurança da fachada", ressalta.

Conforme a natureza e a extensão da manifestação, a avaliação pode incluir inspeção visual, ensaio de percussão, termografia infravermelha, ensaios de aderência e aberturas exploratórias para verificar as condições das interfaces entre os materiais. A partir desse diagnóstico, podem ser adotadas diferentes estratégias de intervenção, como remoção localizada dos revestimentos comprometidos, recomposição das camadas, instalação de telas de reforço, execução ou recuperação de juntas de movimentação e, em situações específicas, sistemas de injeção de resinas ou ancoragens mecânicas. Quando os problemas são generalizados ou o sistema apresenta comprometimento significativo, a substituição integral do revestimento pode representar a solução tecnicamente mais adequada.
Além da recuperação das anomalias, essas intervenções podem integrar projetos de retrofit. "Quando adequadamente projetada, a intervenção pode atualizar a linguagem arquitetônica, reduzir necessidades futuras de manutenção e contribuir para a valorização comercial e patrimonial do imóvel", conclui.
Entrevistado
Guilherme de Castro Gonçalves é engenheiro civil graduado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e vencedor do Prêmio OAS/Mackenzie de Inovação, Produtividade e Empreendedorismo na Engenharia Civil. Atua como docente no curso de extensão de Patologia em Revestimento de Fachadas de Edifícios e em cursos de pós-graduação em Tecnologia de Fachadas e Revestimentos e Patologia nas Obras Civis, pelo IDD Educação Avançada. É sócio da Toten Tecnologia e Engenharia.
Contato:guilherme.castro@toten.org
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Mercado imobiliário consolida posição como reserva de valor em cenário de juros altos e instabilidade econômica
A manutenção das taxas de juros em patamares elevados tem levado muitos investidores a direcionar recursos para aplicações de renda fixa. Ao mesmo tempo, a volatilidade dos mercados financeiros, somada às incertezas do cenário econômico e geopolítico, tem reforçado por outras classes de ativos. É justamente nesse cenário que o mercado imobiliário se apresenta como uma alternativa para diversificação, preservação patrimoniale potencial de valorização no médio e longo prazo.
Embora os ativos financeiros possam oferecer rentabilidade competitiva em determinados ciclos econômicos, especialistas avaliam que os imóveis mantêm características que atraem investidores com perfil mais conservador, especialmente aqueles que priorizam estabilidade, previsibilidade e proteção do capital. Na avaliação desse tipo de investimento, também é importante considerar fatores como liquidez, custos de manutenção, tributação, vacância e riscos relacionados à localização e às condições do mercado.
Para Diogo Camargo, sócio-fundador da Porto Camargo Engenharia, cliente da Concrebras, o comportamento do mercado nos últimos anos demonstra que o setor imobiliário continua sendo uma alternativa relevante para quem busca segurança patrimonial. "A grande volatilidade e instabilidade nos mercados de capitais, reflexo direto dos recentes conflitos internacionais e do ambiente político interno, trazem sempre a segurança do investimento em imóveis como o porto seguro para todos os cenários", afirma.
Segundo ele, justamente nos momentos de maior incerteza econômica cresce o interesse por ativos reais, menos suscetíveis às oscilações diárias observadas nas bolsas de valores e em outros mercados financeiros.

Investimento imobiliário vai além da compra tradicional
O mercado oferece atualmente diferentes modalidades para investidores interessados em participar do setor imobiliário. Além da aquisição convencional de imóveis, existem modelos que permitem participar da incorporação de empreendimentos ainda nas fases iniciais de desenvolvimento. Entre as alternativas estão investimentos em Sociedades em Conta de Participação (SCP) e em Sociedades de Propósito Específico (SPE), além de fundos imobiliários, compra de unidades em lançamento, imóveis destinados à locação de curta temporada e aquisição estratégica de terrenos.
“A diversidade de formatos amplia as possibilidades de composição de carteira, permitindo que investidores escolham modelos compatíveis com seus objetivos financeiros, horizonte de investimento e expectativa de retorno”, ressalta.
Histórico de valorização fortalece confiança dos investidores
O desempenho do mercado imobiliário de Curitiba ilustra o potencial de valorização dos imóveis ao longo do tempo. De acordo com Diogo Camargo, os resultados registrados na última década reforçam a competitividade desse tipo de ativo frente a investimentos considerados de baixo risco. "Nos últimos dez anos, os imóveis em Curitiba apresentaram uma valorização anual média de 11% ao ano, resultado que dificilmente um investimento financeiro sem riscos consiga entregar a longo prazo. Claro que, em momentos com taxa de juros alta, os investimentos financeiros são tentadores, mas, quando olhamos para o médio e longo prazo, o investimento imobiliário sempre supera as alternativas que oferecem segurança e previsibilidade de valorização similares", destaca.
A avaliação reforça a importância de analisar o desempenho do mercado em ciclos mais longos, considerando que o os preços dos imóveis não costumam apresentar a mesma frequência de oscilação observadas nos ativos negociados diariamente.
Planejamento é fator determinante para bons resultados
Além disso, ele alerta que investir em imóveis exige estratégia e análise criteriosa. A decisão não deve estar baseada apenas na expectativa de comprar barato e vender rapidamente com lucro.

Para Diogo Camargo, o investidor deve priorizar empreendimentos consistentes e incorporadoras com histórico comprovado no mercado. "Não aconselho vislumbrar o mercado imobiliário de forma especulativa, como muitos investidores enxergam a bolsa de valores. O ideal é sempre investir nos momentos iniciais de um empreendimento, seja no pré-lançamento ou no lançamento, desde que a incorporadora seja confiável e apresente um histórico sólido no mercado, ou participar de grupos de investimento em SCPs ou SPEs de empreendimentos específicos", afirma.
A aquisição nas fases iniciais de um empreendimento pode, em determinadas situações, proporcionar condições de entrada mais favoráveis. Para avaliar essa oportunidade, porém, é importante considerar também fatores como a experiência e a solidez da incorporadora, o desenvolvimento do projeto, os prazos de entrega, as condições de financiamento e as perspectivas de demanda.
O executivo acrescenta que o preço de entrada influencia diretamente o potencial de valorização do investimento. "Quanto menor for o custo de aquisição de quotas ou unidades, maior é a possibilidade de valorização dos ativos", observa.
Nesse contexto, o mercado imobiliário continua sendo uma alternativa para investidores que buscam diversificação e construção patrimonial de forma consistente no médio e longo prazo. O desempenho, entretanto, depende de uma combinação de fatores, como localização, preço de aquisição, qualidade do empreendimento, condições econômicas, liquidez e estratégia adotada pelo investidor.
Entrevistado
Diogo Camargo é engenheiro civil graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Engenharia Econômica pela FAE Business School, sócio-fundador da Porto Camargo Engenharia, atuando há mais de 26 anos no mercado imobiliário de Curitiba e região.
Contato
canaisdigitais@portocamargo.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
STJ reforça entendimento sobre responsabilidade por vícios construtivos
A responsabilidade das construtoras por vícios construtivos voltou ao centro do debate jurídico após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidar o entendimento de que o prazo de cinco anos previsto no artigo 618 do Código Civil corresponde apenas à garantia legal da obra, e não ao limite para o ajuizamento de ações indenizatórias. Na prática, a Corte tem reconhecido que defeitos ocultos, especialmente aqueles que surgem de forma progressiva, podem gerar o dever de indenizar mesmo após o término desse período, desde que observados os prazos prescricionais aplicáveis.
Em abril de 2025, a Quarta Turma do STJ reafirmou esse entendimento ao julgar o AgInt no AREsp 2.499.655/MS. Na ocasião, os ministros decidiram que a ação de indenização por vícios construtivos em imóvel adquirido por contrato de compra e venda está sujeita ao prazo prescricional de dez anos previsto no artigo 205 do Código Civil, afastando a aplicação do prazo de três anos utilizado para outras hipóteses de reparação civil.
Segundo Daniel Vicentini, advogado especialista em Direito Imobiliário e sócio do escritório Vicentini Advogados, esse entendimento já pode ser considerado consolidado. "Para o Superior Tribunal de Justiça, o prazo de cinco anos previsto no artigo 618 do Código Civil é de garantia. Já o prazo para pedir indenização financeira é de dez anos, contados da manifestação do vício ou do dano. Hoje são raras as decisões que limitam a responsabilidade da construtora aos cinco anos, especialmente quando se trata de vícios ocultos."
Para Carlos Alberto Zonta Junior, especialista em Direito Imobiliário, a posição atual do STJ representa o amadurecimento da jurisprudência sobre responsabilidade civil na construção. Segundo ele, durante muitos anos prevaleceu uma interpretação que fazia coincidir o prazo de garantia da obra com o fim da responsabilidade da construtora. "Com a evolução da jurisprudência e a consolidação de recentes julgados, o STJ passou a distinguir claramente o prazo de garantia previsto no artigo 618 do Código Civil do prazo prescricional para a pretensão indenizatória, ampliando a proteção do adquirente diante de defeitos estruturais que frequentemente possuem manifestação tardia."
O que caracteriza um vício construtivo

Além da discussão sobre os prazos, a correta caracterização do vício construtivo é determinante para definir a responsabilidade técnica e jurídica dos envolvidos.
Segundo Zonta Junior, o vício construtivo corresponde a qualquer anomalia que comprometa o desempenho da edificação em decorrência de falhas de projeto, execução, materiais ou inadequação das condições do solo. O especialista ressalta que esses problemas devem ser diferenciados das manifestações patológicas decorrentes da ausência de manutenção preventiva ou do desgaste natural dos materiais ao longo da vida útil da edificação.
Vicentini explica que esses vícios podem ser classificados em três grupos. Os vícios aparentes são facilmente identificados durante a entrega do imóvel, como revestimentos trincados ou paredes fora de esquadro. Os vícios ocultos somente se manifestam após determinado período de uso, como infiltrações internas e falhas em tubulações embutidas. Já os defeitos relacionados à segurança comprometem a estabilidade da construção ou colocam em risco seus ocupantes, como problemas estruturais em fundações ou falhas em sistemas essenciais da edificação.
Principais disputas envolvendo vícios construtivos
As ações judiciais mais frequentes continuam envolvendo infiltrações, falhas de impermeabilização, vazamentos em prumadas, fissuras estruturais, recalques de fundação, desplacamento de revestimentos, anomalias em instalações elétricas e hidráulicas, utilização de materiais de baixa qualidade e divergências entre a metragem contratada e a efetivamente entregue.
Segundo Vicentini, esses problemas normalmente são identificados ainda durante o período de garantia. Para ele, esse cenário também reflete consumidores mais atentos aos seus direitos. Já Zonta Junior observa que, especialmente em empreendimentos habitacionais, continuam sendo recorrentes as discussões relacionadas à qualidade da execução da obra e ao desempenho dos sistemas construtivos ao longo da vida útil da edificação.
Impactos para o setor
Na avaliação dos especialistas, a consolidação da jurisprudência reforça a necessidade de uma gestão mais rigorosa da qualidade e da documentação técnica dos empreendimentos.
Para Zonta Junior, o entendimento amplia a proteção de consumidores e condomínios ao permitir a reparação de danos decorrentes de defeitos que somente se manifestam anos após a entrega da obra. Por outro lado, impõe às construtoras um passivo técnico e jurídico de maior duração, exigindo controles mais rigorosos sobre projetos, execução, rastreabilidade dos materiais empregados, elaboração de manuais de uso e manutenção e registro das intervenções realizadas pelos usuários.
Vicentini destaca que compradores e síndicos também precisam adotar medidas técnicas para preservar seus direitos. Segundo ele, qualquer anomalia deve ser documentada e, sempre que possível, acompanhada por laudo técnico antes da realização de reparos. Nos casos que demandem intervenção imediata, é fundamental registrar toda a ocorrência e manter os comprovantes das obras executadas para eventual utilização em processos administrativos ou judiciais.
Projeto amplia prazo de garantia
Enquanto o STJ consolida o entendimento de que a garantia da obra não se confunde com o prazo para pleitear indenização, o Congresso Nacional discute mudanças no próprio artigo 618 do Código Civil.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia de cinco para dez anos o prazo máximo de responsabilidade do empreiteiro pela segurança e estabilidade das obras. A proposta também estabelece períodos distintos conforme a natureza do vício: dez anos para problemas estruturais ou de fundação, cinco anos para defeitos que impeçam o uso normal da edificação e dois anos para falhas de acabamento. O texto ainda depende de apreciação pelo Senado Federal antes de entrar em vigor.
Caso seja aprovado, o projeto aproximará o prazo de garantia legal da construção do entendimento já consolidado pelo STJ quanto à necessidade de assegurar maior proteção aos adquirentes diante de vícios construtivos que frequentemente possuem manifestação lenta e progressiva.
Fontes
Daniel Vicentini é advogado especialista em Direito Imobiliário, sócio do escritório Vicentini Advogados.
Carlos Alberto Zonta Junior é advogado e especialista em Direito Imobiliário.
Contato
Daniel Vicentini – Assessoria: vladimir.ribeiro@m2comunicacao.com.br
Carlos Alberto Zonta Junior: contato@zonta.adv.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Concretos aditivados e especiais elevam desempenho das estruturas e impulsionam novas soluções na construção civil
Projetar estruturas mais duráveis, reduzir intervenções de manutenção e melhorar o desempenho das obras são desafios cada vez mais presentes na engenharia. Nesse contexto, os concretos aditivados e os concretos especiais deixam de ser soluções restritas a aplicações específicas e passam a integrar, de forma crescente, o cotidiano de construtoras, concreteiras e fabricantes de pré-fabricados.
O avanço da tecnologia dos materiais permitiu o desenvolvimento de concretos com propriedades específicas para atender diferentes demandas da construção civil. Entre eles, destacam-se o concreto autoadensável, o concreto de ultra alto desempenho (UHPC), o concreto reforçado com fibras e, em aplicações mais recentes, o concreto autorregenerante. Essas soluções podem proporcionar ganhos de produtividade, maior durabilidade, melhor desempenho em serviço e maior facilidade de execução, conforme as necessidades de cada projeto.
Essas tecnologias serão apresentadas durante o Curso de Dosagem de Concretos Aditivados e Especiais, promovido pelo IDD Educação Avançada e ministrado pelo engenheiro, professor e pesquisador Bernardo Tutikian, com patrocínio da Cimento Itambé. A capacitação acontece entre os dias 20 e 22 de agosto, em São José (SC), reunindo aulas teóricas e atividades práticas voltadas à dosagem, produção e ao controle tecnológico desses materiais.
Segundo o especialista, a evolução desses materiais acompanha uma mudança nas prioridades da construção civil. "Os concretos especiais existem para suprir demandas que o concreto convencional não consegue atender. Estamos falando de propriedades diferenciadas, como alta durabilidade, maior vida útil, melhor trabalhabilidade e resistências mecânicas mais elevadas", afirma.

Tecnologia para diferentes aplicações
Cada tipo de concreto especial atende a necessidades específicas. O concreto autoadensável apresenta elevada fluidez e preenche completamente as formas sem necessidade de vibração mecânica, favorecendo a concretagem de peças com elevada taxa de armadura e proporcionando melhor acabamento superficial.
Já o concreto de ultra alto desempenho (UHPC) destaca-se por apresentar resistências mecânicas muito superiores às dos concretos convencionais, além de uma microestrutura extremamente densa e baixíssima permeabilidade. Essas características proporcionam elevada durabilidade, maior resistência à ação de agentes agressivos e possibilidade de execução de elementos estruturais mais esbeltos e com maior vida útil.
Os concretos reforçados com fibras contribuem para o controle da fissuração, aumentam a tenacidade e, em aplicações específicas e conforme o projeto estrutural, podem reduzir ou substituir determinados tipos de armaduras. Outra tecnologia em destaque é o concreto autorregenerante, capaz de promover o fechamento de pequenas fissuras por mecanismos físico-químicos ou biológicos, reduzindo a necessidade de intervenções de manutenção.
O uso de aditivos químicos exerce papel decisivo no desenvolvimento desses concretos. Superplastificantes, modificadores de viscosidade, incorporadores de ar e retardadores permitem ajustar propriedades como fluidez, retenção da trabalhabilidade, estabilidade da mistura e tempo de pega, contribuindo para otimizar o desempenho mecânico, a durabilidade e a qualidade do concreto no estado fresco e endurecido. Quando empregados em conjunto com uma seleção criteriosa dos materiais constituintes do concreto e ao proporcionamento adequado da mistura, esses aditivos permitem desenvolver concretos com características específicas, adaptadas às exigências estruturais, construtivas e de desempenho.
Investimento que reduz custos ao longo da vida útil
Embora apresentem custo inicial superior ao concreto convencional, os concretos especiais tendem a gerar economia ao longo da vida útil das estruturas. "Hoje o mercado procura estruturas mais duráveis e com menor necessidade de manutenção. O concreto de ultra alto desempenho (UHPC), por exemplo, pode atingir resistências superiores a 120 MPa e apresentar uma relação água/aglomerante baixa. Isso proporciona uma estrutura com vida útil muito maior", explica Tutikian.
O pesquisador avalia que a análise deve considerar todo o ciclo de vida da obra. "O mercado percebe que vale a pena investir um pouco mais para obter ganhos em durabilidade, desempenho e menores custos de manutenção”, aponta.
Capacitação com foco na prática
O curso promovido pelo IDD Educação Avançada foi estruturado para aproximar o conteúdo técnico da realidade enfrentada pelos profissionais da construção civil. Além de conceitos relacionados à tecnologia do concreto, os participantes acompanharão atividades práticas de dosagem, produção e controle tecnológico de concretos especiais utilizando materiais disponíveis comercialmente.
Saiba mais: https://www.idd.edu.br/extensao/dosagem-de-concretos-aditivados-e-especiais-florianopolis/
A proposta é demonstrar como otimizar o empacotamento dos agregados, otimizar o consumo de cimento, explorar de forma mais eficiente o potencial dos aditivos químicos e desenvolver concretos especiais com maior desempenho e eficiência econômica. "Estamos propondo muita teoria, mas também muita prática. Os participantes produzem os concretos, colocam a mão na massa e discutem situações reais vivenciadas no dia a dia da construção civil. O objetivo é gerar resultados que possam ser aplicados imediatamente na prática", destaca o pesquisador.
Outro diferencial da capacitação é demonstrar que a adoção dessas tecnologias não exige mudanças significativas nas centrais de concreto. "Queremos desmistificar esses materiais. É possível produzir concretos modernos utilizando a estrutura que as empresas já possuem, sem necessidade de substituir equipamentos. O importante é conhecer corretamente a dosagem e o processo de produção", conclui Tutikian.
Ao reunir fundamentos técnicos e atividades práticas, o curso pretende capacitar profissionais para especificar, dosar, produzir e aplicar concretos aditivados e especiais com maior segurança, eficiência e competitividade, acompanhando a crescente demanda do mercado por soluções construtivas mais duráveis, sustentáveis e com melhor desempenho.
Entrevistado
Bernardo Tutikian é engenheiro civil, mestre e doutor, professor e pesquisador da Unisinos, no Rio Grande do Sul. É autor de mais de 450 artigos científicos publicados em periódicos e anais de congressos, além de atuar como consultor de empresas nas áreas de tecnologia do concreto, argamassas, patologia das construções e desempenho das edificações.
Contato
bftutikian@unisinos.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience







