Pequeno varejo da construção se une em cooperativas
Na Alemanha e nos Estados Unidos, essa solução fortaleceu o comércio de bairro para competir com as grandes redes do setor
Por: Altair Santos
A Anamaco promoveu recentemente o 1º Encontro Internacional do Varejo de Material de Construção. Ao trazer palestrantes da Europa e dos Estados Unidos, a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção buscou mostrar iniciativas inovadoras de sucesso praticadas em países do hemisfério norte, e que podem ser adaptadas à realidade brasileira.

Na Alemanha e nos Estados Unidos, a venda online de materiais de construção já é realidade. Nestes países, outro tipo de serviço que cresce no comércio de material de construção é o que promove workshops dentro das lojas, e que ensinam o cliente a fazer pequenas reformas. Trata-se do modelo “faça você mesmo” (do it yourself).
As cooperativas também surgem como soluções bem-sucedidas para enfrentar as grandes redes. Nelas, pequenos comerciantes se unem para conseguir descontos dos fornecedores e ganhar competitividade nos preços, além de oferecer pronta entrega. “É importante compartilhar novos conceitos e inspirar o setor a se espelhar nos bons exemplos internacionais”, diz Marcos Atchabahian, presidente do conselho deliberativo da Anamaco.
Entre os palestrantes do encontro esteve Philipp Löesche, diretor de marketing da Knauber. A empresa é uma rede com 40 anos de experiência na Alemanha. Seu foco é vender material de construção para a classe média alemã e, por isso, prioriza muito o “do it yourself”. “Nossos 750 funcionários, espalhados pelas nossas sete lojas, têm a missão de orientar o cliente a deixar a casa dele mais bonita”, afirma em sua palestra.
A Knauber também investe em tecnologias para vender mais. Entre elas, o comércio online, quiosques de autoatendimento e simuladores de projetos, onde o consumidor pode, através de um aplicativo baixado no smartphone, ver como o ambiente da sua casa vai ficar com o uso de determinado material. “Isso atrai a atenção do cliente e mostra como ficará a casa antes mesmo da reforma”, completa Philipp Löesche.
Cooperativismo
O evento também teve a participação do secretário-geral da Associação Europeia do Varejo de Material de Construção (EDRA) e da Rede Global do Varejo de Material de Construção (GHIN), John Herbert. Os organismos reúnem mais de 22 mil lojas - boa parte voltada para o comércio local. “O comerciante local de material de construção é aquele que conhece o cliente, vive no bairro e, muitas vezes, sabe até onde o consumidor mora. Ninguém melhor que ele para enfrentar a impessoalidade das grandes redes de varejo”, assegura Herbert.
Os ensinamentos do dirigente da EDRA e da GHIN foram complementados por Alberto Vidal, diretor de desenvolvimento de negócios internacionais da ACE. Trata-se de uma rede cooperada que engloba 4.700 pequenos lojistas, principalmente nos Estados Unidos. “É um modelo de negócio que permite aos comerciantes pequenos terem poder de barganha junto aos fornecedores e fabricantes”, explica.
Nos Estados Unidos, a ACE conta atualmente com 14 centrais de distribuição, que cobrem o país praticamente de costa a costa, além de frota compartilhada. “Tudo isso sem tirar a independência do comércio. Apenas ajudamos o varejista a crescer mais, sem perder as características de loja do bairro”, garante Alberto Vidal.
Saiba mais sobre a EDRA e a GHIN.
Saiba mais sobre a ACE.
Entrevistados
Marcos Atchabahian, presidente do conselho deliberativo da ANAMACO
Philipp Löesche, diretor de marketing da Knauber
John Herbert, secretário-geral da Associação Europeia do Varejo de Material de Construção (EDRA) e da Rede Global do Varejo de Material de Construção (GHIN)
Alberto Vidal, diretor de desenvolvimento de negócios internacionais da ACE
Contatos
dir.mktnovosnegocisos@anamaco.com.br
philipp.loesche@knauber.de
herbert@edra-online.org
avidal@acehardware.com
Crédito Foto: Divulgação/Anamaco
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Sarcófago de Chernobyl está em colapso. Por quê?
Há 30 anos, concreto usado para isolar reator da usina não possuía tecnologia para suportar radioatividade. Por isso, é alvo de patologias
Por: Altair Santos
Trinta anos depois da explosão do reator da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, a comunidade europeia está financiando uma obra de 2,1 bilhões de euros para encapsular o local do desastre e impedir que nos próximos 100 anos haja novo vazamento. O risco existe porque o concreto usado para moldar o sarcófago que envolve o reator está entrando em colapso. A radioatividade causou fissuras e desencadeou patologias no material, mesmo com o uso de chumbo em sua mistura.

Há três décadas, o concreto utilizado não detinha a tecnologia de hoje. Atualmente, o concreto pesado, que usa hematita, barita ou magnetita como agregados graúdos, é o mais recomendado para sarcófagos de reatores nucleares. A alta densidade, entre 2.800 a 4.500 kg/m³, é comprovadamente um excelente isolante radioativo. Também não se descarta a utilização de limalhas de ferro, bolas de ferro ou de chumbo para encorpar o concreto, sem que seja necessário aumentar suas dimensões.
O que os russos não conheciam, na época em que decidiram blindar o reator, é que o concreto pesado tem uma trabalhabilidade que precisa ser monitorada rigorosamente. Caso contrário, ele tende a segregar os agregados graúdos, assim como ter retardo de pega e de endurecimento, escreveu o pesquisador Marco Forlin Mateus Birck, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), em trabalho divulgado em 2012. Quando ocorreu o acidente de Chernobyl também não havia aditivos que corrigissem esses problemas.
Isolante radioativo
No entanto, alerta Marco Forlin Mateus Birck, aditivos em concretos pesados também carecem de cuidados. Se bem usados, podem melhorar o lançamento e reduzir a tendência de segregação. “Deve-se ficar atento para assegurar que a mistura não sofrerá adensamento inadequado e as partículas do concreto pesado não segregarão”, ressalta o pesquisador em seu estudo. Realizado o processo corretamente, o concreto pesado é excelente isolante radioativo.
Na nova operação para encapsular o reator 4 da usina, cogitou-se construir um cubo de concreto pesado para isolar o equipamento. Porém, a alta radioatividade no local impediu essa hipótese, pois colocaria em risco mais vidas humanas. A solução foi erguer um gigantesco arco de aço de 29 mil toneladas que cobrirá o reator. A estrutura tem 108 metros de altura, 250 metros de largura e 150 metros de comprimento. Quando pronta, terá consumido 30 mil toneladas de aço. É o suficiente para cobrir a Estátua da Liberdade dentro de um estádio de futebol como o Beira-Rio.
Só essa obra está avaliada em 990 milhões de euros. O custo total de 2,1 bilhões engloba ainda o trabalho de logística, de contratação de mão de obra e de projeto e execução. Os países que financiam a megacobertura são Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia. A obra deve ser concluída em 2018.
Veja aqui o vídeo sobre a gigantesca cobertura da usina de Chernobyl.
Entrevistado
Engenheiro civil Marco Forlin Mateus Birck, pesquisador da UFRGS, através de seu estudo desenvolvido em 2012, sobre concreto pesado
Contato
deciv@cpgec.ufrgs.br
Crédito Foto: Divulgação/Nils Bøhmer
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
USP cria living lab para testar materiais inovadores
Projeto do edifício é do Centro de Inovação em Construção Sustentável (CICS) e servirá de incubadora para novos conceitos construtivos
Por: Altair Santos
Um edifício construído com materiais e sistemas inovadores, para que suas próprias estruturas e demais instalações possam servir de laboratório para pesquisas voltadas para a construção civil. É isso que pretende o Centro de Inovação em Construção Sustentável (CICS) da USP (Universidade de São Paulo) ao projetar seu primeiro living lab. “A proposta é criar um ambiente integrado e sinérgico, acolhendo e unindo departamentos, laboratórios e pesquisadores de diferentes áreas, e que trabalhem com o tema construção civil sustentável. Incluem-se aí, empresas e suas respectivas áreas de pesquisa e desenvolvimento (P&D)”, cita o professor Francisco Cardoso, titular e chefe do departamento de engenharia de construção civil da Escola Politécnica da USP.

Além de Francisco Cardoso, que também é membro do CICS, o projeto tem em sua comissão coordenadora os professores da Poli Vanderley John, Vahan Agopyan e Orestes Gonçalves. Todos aprovaram a concepção arquitetônica do prédio, que foi desenhado pelo tradicional escritório paulistano aflalo/gasperini. A construção tem previsão de começar no segundo semestre de 2016 e flexibilidade é a palavra-chave da planta. Por ser um living lab, o edifício deve permitir mudanças e substituições em áreas como fachadas, coberturas, revestimentos e iluminação. O objetivo é fazer experimentos que possibilitem medir geração e consumo de energia, qualidade da água reaproveitada e eficácia térmica e acústica. Segundo o CICS, o projeto está orçado em R$ 15 milhões.
O living lab da USP vai agregar também o Laboratório de Microestrutura e Ecoeficiência de Materiais (LME), onde a universidade concentra a pesquisa de materiais para infraestrutura, como concretos ecoeficientes, e que serão utilizados na construção do edifício. “Na obra, outras tecnologias também serão testadas em condições reais de uso. Teremos ainda espaço para fazer demonstrações, já que é nosso papel divulgar os avanços tecnológicos e o conhecimento técnico-científico nesse tema”, diz Vanderley John. “O living lab será o centro de uma rede de interlocução qualificada, atraindo parceiros compromissados com a realização de experimentos, desenvolvimento e validação de novas tecnologias na área da construção civil”, completa Francisco Cardoso.
Inédito no Brasil, comum na Europa
Enquanto o living lab da USP é inédito no Brasil, em outros países trata-se de um laboratório presente em boa parte das melhores universidades do mundo, e também em corporações cujo negócio é o desenvolvimento tecnológico. Na área da construção civil, todos têm metas comuns: conseguir aumentar o ciclo de vida das edificações e a capacidade delas de se adaptarem aos novos conceitos construtivos, como baixa geração de resíduos, reciclagem e autossuficiência energética. Um dos living lab recentemente inaugurados está na universidade de Dübendorf, na Suíça. O foco deste laboratório é desenvolver robôs que saibam construir em larga escala. Também foi inaugurado há pouco tempo um living lab em Wallonia, na Bélgica, com recursos divididos entre o governo local e a Rede Europeia de Living Labs (ENoLL). Neste caso, o objetivo é qualificar mão de obra para atuar com as novas tecnologias na construção civil.
Entrevistados
- Engenheiro civil e professor Francisco Cardoso, titular e chefe do departamento de engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP
- Centro de Inovação em Construção Sustentável (CICS) da USP (via assessoria de imprensa)
Contato
cics@lme.pcc.usp.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Projeto do SindusCon-DF qualifica concreto na obra
Inovadora, ação tem conseguido fomentar boas práticas, otimizar processos e incentivar a legalidade e o cumprimento de normas técnicas
Por: Altair Santos
Criado há seis anos, o projeto Indicadores do Concreto tem ajudado a melhorar a qualidade das obras em Brasília e nas cidades-satélites. A parceria entre SindusCon-DF e IEL-DF (Instituto Euvaldo Lodi) realiza o mapeamento dos processos de concretagem no Distrito Federal, no que se refere à logística e à qualidade. Todos os dados tornam-se públicos, o que ajuda a disseminar a cultura do uso do indicador como ferramenta de gestão na obra. Também propicia uma cultura de troca de experiências entre os canteiros de obras e, o mais importante, dificulta a ação de concreteiras piratas ou informais na região coberta pelo SindusCon-DF.

Segundo a engenheira civil Gezeli Farina de Roure Bandeira de Mello, que está no projeto desde o início, a disseminação de boas práticas é a principal virtude do Indicadores do Concreto. “Continuamente, ele fomenta a otimização de processos e de produtos. Tudo com respeito à legalidade às normas vigentes”, afirma. A gestora completa que, embora o projeto não tenha como conceito principal a gestão da obra, ele acaba influenciando positivamente para que isso ocorra. “Ao longo desses seis anos, foram poucos os engenheiros de obra que não participaram do programa, assim como as empresas. Hoje, eles são parceiros que ajudam a levar o que aprenderam para a gestão de suas obras”, diz Gezeli.
Existe uma exigência para que se participe do projeto Indicadores do Concreto: a obra precisa utilizar concreto dosado em central produzido fora do canteiro. Outra obrigação de quem aceita fazer parte é concordar que todos os dados coletados sejam disponibilizados no site do projeto. “O Indicadores do Concreto disponibiliza todas as suas ações para consulta pública e gratuita. Lá estão o histórico, as empresas participantes, relatórios numéricos, gráficos das séries temporais dos indicadores, as pesquisas de opinião, os informativos quinzenais e o link para o blog do projeto. Além disso, divulgamos o projeto em todas as mais importantes redes sociais”, revela a engenheira.

Projeto não fiscaliza obra
O projeto Indicadores do Concreto é uma iniciativa da Diretoria de Materiais e Tecnologia do Sindicado da Construção Civil do Distrito Federal (DIMAT/SindusCon-DF). Para que um canteiro de obras seja cadastrado, ele precisa seguir um protocolo que consiste em visita à obra, apresentação do projeto ao engenheiro responsável e verificação da real disposição do canteiro em colaborar. Somente após esta confirmação o empreendimento é cadastrado. A participação do canteiro de obras é voluntária, não implica em custo e cada empresa pode inscrever quantas obras quiser. Trimestralmente, um comparativo entre os canteiros cadastrados mede os desempenhos específicos e faz a média de todos os participantes. O projeto não fiscaliza obra.
Além do SindusCon-DF e do IEL-DF, a Federação das Indústrias de Brasília (FIBRA) e o Instituto Senai de Tecnologia (IST-DF) também apoiam o Indicadores do Concreto. A equipe que coordena o projeto conta com um gerente, um estagiário estatístico, dois estagiários de engenharia e consultoria na área de informática.
Entrevistada
Engenheira civil Gezeli Farina de Roure Bandeira de Mello, gestora do projeto Indicadores do Concreto
Contato
estudos.iel@sistemafibra.org.br
www.projetoconcreto.org.br
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Belo Monte transforma Altamira para o bem e para o mal
Hidrelétrica expande receitas do município paraense e multiplica população. Porém, má gestão não consegue viabilizar qualidade de vida
Por: Altair Santos
Assim como a obra de Itaipu transformou a cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, Belo Monte vem transformando Altamira, município paraense que é o maior do Brasil em área (159.695,938 km²). Em sete anos, a construção da hidrelétrica praticamente duplicou a população da cidade. Beneficiada pelo plano de compensação sócio-ambiental que o consórcio Norte Energia teve que assinar para viabilizar a usina, Altamira já recebeu investimento direto de R$ 3,092 bilhões - equivalente a 10% do custo de Belo Monte.

Esse dinheiro foi investido diretamente na infraestrutura do município. Em tese, saúde, saneamento e habitação foram os mais contemplados. Até 2019, a obra de Belo Monte tende a ser o principal ativo econômico do município. Quando a hidrelétrica ficar pronta, ela continuará encabeçando o orçamento do município com os royalties. Assim como Foz do Iguaçu, há mais de 40 anos, e que até hoje tem a usina de Itaipu como sua principal fonte de arrecadação.
Orçada em R$ 26 bilhões, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo em potência, atrás da chinesa Três Gargantas e de Itaipu. O cronograma de conclusão da obra atingiu 90%, e em fevereiro de 2016 entrou em operação a primeira das 18 turbinas. Esse equipamento tem capacidade de gerar 611,1 megawatts (MW). Quando estiver em operação plena, a hidrelétrica no rio Xingu vai produzir até 11,233 mil MW.
O potencial de Belo Monte é diretamente proporcional aos desentendimentos entre o consórcio Norte Energia e o poder público de Altamira, por conta do plano de compensação para minimizar impactos ambientais e sociais. Houve o comprometimento de se investir R$ 300 milhões em saneamento básico, além de um aterro sanitário, que inexistia no município. No quesito saúde pública, foram construídos quatro hospitais e reformados outros três. Idem em educação, onde 270 novas salas de aula deveriam reforçar o atendimento a 22 mil alunos.

Falta gestão pública
Boa parte das obras já foi entregue pela Norte Energia, mas elas ainda não conseguem levar qualidade de vida à população de Altamira. O motivo está na gestão dos empreendimentos. O poder público do município alega não ter recursos para equipar os empreendimentos e contratar profissionais, como professores e médicos. Assim, hospitais prontos ainda não estão atendendo e salas de aulas novas não recebem alunos. O mesmo acontece com o saneamento básico. Ainda que haja uma nova estação de tratamento de água e esgoto na cidade, falta encanamento nas ruas para levar esses benefícios às casas.
Em recente nota oficial, em função de reportagens publicadas na imprensa, a Norte Energia afirma que não cabe a ela fazer a gestão dos equipamentos entregues, e às prefeituras de Altamira e outros municípios menores no entorno de Belo Monte. “É inegável que pouquíssimos municípios brasileiros receberam tantos avanços e obras em tão pouco tempo, sem contar os mais de R$ 300 milhões em tributos municipais pagos na região”, diz o documento. Enquanto o impasse não se resolve, a população paraense espera que a hidrelétrica não gere apenas energia elétrica, mas também bem-estar social.
Entrevistados
- Norte Energia S.A (via assessoria de imprensa)
- Prefeitura de Altamira-PA (via assessoria de imprensa)
Contato
imprensa@norteenergiasa.com.br
ascom@altamira.pa.gov.br
Créditos Fotos: Regina Santos/Norte Energia
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Hyperloop: transporte do futuro em concreto especial
Experiência começa a ser testada nos EUA, usando trenós que se movem por levitação magnética. Projeto já dispõe de financiamento para a 1ª linha
Por: Altair Santos
No dia 11 de maio de 2016, no deserto de Nevada, nos Estados Unidos, engenheiros da startup Hyperloop One Inc. realizaram o primeiro teste com o Hyperloop. A experiência usou um minitrenó sobre trilhos, que se moveu por levitação magnética e atingiu 185 km/h em 4 segundos, ao longo de um percurso de 57 metros. O próximo passo é desenvolver um protótipo em escala real. Para isso, será necessário construir uma pista de teste com pelo menos 18 quilômetros.

Uma das missões dos engenheiros envolvidos no projeto é pesquisar um concreto de alta resistência que suporte o sistema de transporte, cujos propulsores elétricos são capazes de atingir a velocidade do som. O projeto prevê que os trenós corram sobre elementos pré-fabricados, como os monotrilhos. Construída a estrutura, o Hyperloop entrará em fase de desenvolvimento, até que seja seguro usá-lo como meio de transporte.
A Hyperloop One Inc. não está sozinha no projeto. Para o dia 15 de setembro está programado um painel que envolverá o governo dos Estados Unidos, agentes financeiros e as agências reguladoras norte-americanas. O objetivo é oferecer suporte técnico para aquele que já é chamado de o “transporte do futuro”. Há interesse também de outros países no sistema, como a SNCF (Société Nationale des Chemins de Fer Français), a companhia ferroviária nacional francesa - um dos principais investidores em trens de alta velocidade da Europa.

Primeira linha em 2019
Também estão envolvidas no projeto a AECOM, da Suíça, assim como a GE Ventures e a Western Technology Investment – ambas dos Estados Unidos. Essas empresas já injetaram US$ 80 milhões (cerca de R$ 320 milhões) em P&D (pesquisa e desenvolvimento) para o avanço do projeto. “Estamos confiantes que podemos transformar drasticamente o modelo de transporte no mundo. O Hyperloop pode substituir voos de curta distância, como as ponte aéreas, para locomover pessoas, e ocupar o lugar de caminhões e trens no transporte de cargas”, avalia o CEO da startup, Rob Lloyd.
A diferença do sistema para outros que se movem sobre trilhos, e através de levitação magnética, está no fato de que ele irá se locomover dentro de túneis de baixa pressão, que praticamente eliminam a resistência do ar e permitem aos trenós atingir velocidades bem maiores que os trens de alta velocidade. Calcula-se que possam viajar a 730 mph (1.174 km/h). Os túneis, avaliam os especialistas envolvidos no projeto - são cerca de 150 engenheiros com várias especialidades -, também são fundamentais para a segurança do transporte, já que o sistema de freios estará interligado entre os trenós, os trilhos e os túneis.
A perspectiva é de que a primeira linha seja inaugurada entre Los Angeles e São Francisco, na Costa Oeste dos Estados Unidos, e distantes cerca de 700 quilômetros uma da outra. O investimento previsto é de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 24 bilhões). Em 2019, ficaria pronta para o transporte de cargas; em 2021, passaria a operar para o transporte de pessoas.
Veja vídeo do teste com o protótipo do Hyperloop:
Entrevistado
Hyperloop One Inc. (via assessoria de imprensa)
Contato
info@hyperloop-one.com
press@hyperloop-one.com
Créditos Fotos: Joshua Caldwell of Cryptic Butterfly Photography/Hyperloop One Inc.
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Saiba por que Minha Casa Minha Vida não pode acabar
Programa se transformou em importante alavanca para a economia, gerando quase R$ 160 bilhões em investimentos e quase 3 milhões de empregos
Por: Altair Santos
Estudo da Fundação Getúlio Vargas, encabeçado pela coordenadora de projetos da construção da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ana Maria Castelo, mostra por que o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) não pode acabar. Ainda que necessite de ajustes e de eficácia em sua gestão, o MCMV oferece mais janelas de oportunidades para ajudar o país a sair da crise que obstáculos.

A começar pelo volume de recursos que potencialmente pode movimentar, assim como o número de empregos. O programa já gerou R$ 158,8 bilhões em investimentos, além de proporcionar a geração de 2,8 milhões de vagas em seu auge, que foi de 2009 a 2012. Neste período, o retorno em forma de tributos para a União chegou a R$ 37,3 bilhões.
O levantamento da FGV foi encomendado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e apresentado no 88º ENIC (Encontro Nacional da Indústria da Construção), realizado recentemente na cidade de Foz do Iguaçu-PR.
No evento, Ana Maria Castelo avaliou que a sustentabilidade do MCMV está ameaçada por causa da escassez de recursos. “A questão principal é que o governo enfrenta um problema fiscal. Na terceira etapa do programa isso foi resolvido com a criação da faixa 1,5 (famílias com renda até R$ 2.350,00) e a utilização do FGTS. Essa foi uma forma de viabilizá-lo. Mas dar continuidade à faixa 1 (renda mensal bruta de até R$ 1.800,00), que concentra a população mais necessitada, ainda é o grande desafio”, afirma.
PPP pode ser alternativa
Além de um balanço completo do programa, o estudo indica aperfeiçoamentos necessários para a continuidade do programa. Segundo Ana Castelo, o MCMV indiscutivelmente teve - e ainda tem - grande importância para a geração de renda, de emprego, de arrecadação de tributos e de redução do déficit habitacional do país. “Significou um novo paradigma de política habitacional. Isso é inegável”, assegura.
O principal legado do MCMV, destaca o estudo, foi ter proporcionado o acesso à moradia para mais de quatro milhões de famílias. Entre 2009 e 2012, período em que foram contratadas 56% das unidades, o déficit habitacional registrou queda de 9,5%. Para a coordenadora, agora é possível efetivamente olhar o que foi contratado e avaliar o que aconteceu.
Entre os pontos que precisam ser aperfeiçoados no programa, Ana Castelo considera fundamental o fortalecimento das parcerias com estados e municípios. “Temos que pensar em um arranjo com a participação das três esferas de governo para que o programa não pare e não se perca. O tamanho do déficit mostra o quanto ele precisa ser aperfeiçoado”, acrescentou. A especialista entende que as PPPs (Parcerias Público-Privadas) seriam uma boa solução para reestimular o Minha Casa Minha Vida.
Caso contrário, com a redução das metas o MCMV deixará de gerar R$ 52,6 bilhões para a economia. Se considerados os demais elos da cadeia da construção, a soma chega a R$ 96,6 bilhões - o equivalente a 1,6% do PIB de 2015. Pelos cálculos da FGV, entre maio de 2009 e dezembro 2015 foram contratadas 4,1 milhões de moradias através do programa. Essas contratações envolveram R$ 287,8 bilhões, sendo R$ 115,8 bilhões em forma de subsídios oriundos do Orçamento Geral da União (69%) e do FGTS (31%).
Entrevistada
Economista Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV (Fundação Getúlio Vargas)
Contato
ana.castelo@fgv.br
Crédito Foto: Valéria Zelaya/Prefeitura de Palmas-TO
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Nova política pretende atrair construtor estrangeiro
Crise econômica, Operação Lava Jato e desejo do governo federal em destravar concessões públicas tendem a pôr fim à “reserva de mercado”
Por: Altair Santos
Há pelo menos três anos, antes mesmo de as investigações deflagradas pela Operação Lava Jato atingirem as principais empreiteiras do país, está em discussão no Brasil se é interessante abrir o mercado para construtoras estrangeiras. Não existe uma lei específica que proíba o acesso destas empresas. Por outro lado, uma série de obstáculos dificulta que elas concorram sozinhas em licitações para obras públicas. Hoje, isso só é possível caso se associem a empresas nacionais.

Outro empecilho é a política nacionalista que imperou até o governo anterior. Por isso, a entrada de construtoras estrangeiras no Brasil sempre foi tratada apenas como uma tese. Agora, de acordo com os sinais emitidos pelo novo governo federal, a abertura de licitações públicas para empresas estrangeiras pode se concretizar. Em Brasília, a intenção é não criar nenhuma barreira para que elas se interessem pelas obras que há por fazer no país.
Mas existe uma “reserva de mercado” que precisa ser superada, e que impõe bloqueios burocráticos para construtoras estrangeiras que queiram se estabelecer no Brasil. Eles vão desde a dificuldade de se obter licença para engenheiros de outros países junto ao Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) até taxas elevadas, além das brechas da Lei 8.666 (Lei das Licitações), que permitem a quem elabora as licitações colocar cláusulas draconianas às construtoras de outros países. Entre elas: certidões comprobatórias de experiência em outras obras públicas nacionais e demonstração de ativos financeiros que podem chegar até a três vezes o valor da obra.
Programa de Parcerias de Investimentos

Em 2015, na reportagem “Caminho está aberto para empreiteiras estrangeiras”, o professor da FEA-USP, Paulo Roberto Feldmann, explicou o que acontece: “As empreiteiras brasileiras exigem de quem promove as licitações que coloque cláusulas no edital que dificultam a participação das estrangeiras. Por exemplo: só pode participar de determinada licitação quem apresentar pelo menos vinte obras realizadas no Brasil. Ao colocar uma cláusula destas, mata as estrangeiras. Então, o problema não é a lei, mas o fato de que as empreiteiras brasileiras fazem, ou pelo menos faziam, o edital de licitação junto com o governo federal, com os governos estaduais e com as estatais, impondo cláusulas de barreira às estrangeiras”, analisa.
Não é de hoje esses empecilhos. Em 1966, a alemã Hochtief precisou se nacionalizar para poder construir no Brasil. Tornou-se Hochtief do Brasil. Mais recentemente - 2008 -, a espanhola OHL chegou a ganhar concessões de rodovias, mas encontrou muitas dificuldades para obter financiamento do BNDES e se retirou. Resultado: prevalecem nas obras nacionais as grandes empreiteiras do país. A saber: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS. “Está na hora de abrir esse mercado”, defende Wellington Moreira Franco, secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O organismo foi criado no governo de Michel Temer com um só objetivo: atrair empresas e capital estrangeiro ao Brasil.
Entrevistados
- Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (via assessoria de imprensa)
- Ministério das Relações Exteriores (via assessoria de imprensa)
- Engenheiro civil, mestre e doutor em administração, Paulo Roberto Feldmann
Contato
comunicacaosocial.sep@portosdobrasil.gov.br
imprensa@itamaraty.gov.br
feldmann@usp.br
Créditos Fotos: José Cruz/Antônio Cruz/Agência Brasil
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Parede de concreto celular estrutural aguarda norma
Debates já duram três anos e Caixa Econômica Federal atrasa ensaios sobre durabilidade do material e seu uso em prédios de até cinco pavimentos
Por: Altair Santos
Uma das comissões de estudos especiais da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) - a CEE-185, Parede e Laje de Concreto Celular Moldadas no Local para a Construção de Edificações -, trabalha há três anos na elaboração de uma normativa específica para paredes de concreto celular estrutural. O objetivo é que os projetos calcados neste sistema construtivo possam ter acesso a financiamentos da Caixa Econômica Federal.

À frente da comissão está o engenheiro civil Ivanor Fantin Jr., consultor técnico do SindusCon-PR. Atualmente, as paredes de concreto celular estrutural se submetem a um grupo de normas, mas nenhuma delas trata exclusivamente da aplicação deste material em sistemas construtivos. Por isso, a Caixa Econômica Federal dificulta o financiamento a projetos que tentam usar a tecnologia.
Ivanor Fantin Jr. revela que atualmente a concepção da norma está travada. O motivo é que a Caixa exige ensaios de durabilidade. O próprio agente financeiro se comprometeu a pagar esses testes, mas até agora não concretizou a promessa. Enquanto isso, empresas que têm planos de construir com paredes de concreto celular estrutural, e se enquadrar no programa Minha Casa Minha Vida, estão impossibilitadas.
Confira a entrevista com Ivanor Fantin Jr.:
Como está a elaboração da norma para parede de concreto celular estrutural?
Vamos realizar um workshop em São Paulo para destravar a elaboração da norma. Tivemos 18 reuniões, chegamos a elaborar um texto-base, mas a Caixa Econômica Federal se mostrou contrária a colocar a norma em consulta pública, porque não tínhamos comprovações de ensaios que atestem a durabilidade do concreto celular estrutural.
Por quê?
A Caixa Econômica só aprova sistemas construtivos que comprovem ter pelo menos 30 anos de durabilidade. É uma preocupação correta, afinal é o agente que vai financiar e não pode correr o risco de sofrer um processo por que a construção não teve a durabilidade adequada. Do nosso lado, como coordenador e representante do Sinduscon-PR, nossa preocupação é a mesma. Porém, sabemos que se trata de um material utilizado internacionalmente há muitos anos. Aqui em Curitiba mesmo tem edifícios com mais de 20 anos que estão em perfeitas condições.
Por qual motivo, então, a norma não avança?
As reuniões foram se passando e a gente viu que existia um grupo que simplesmente jogava contra a norma, achando sempre algum motivo para dar um passo para trás. Até que no final de 2014, a Tecomat, que é um ITA (Instituição Técnica Avaliadora) do nordeste, realizou um ensaio e comprovou a durabilidade do material. Porém, a Caixa não quis aceitar o ensaio. Fizemos, então, uma reunião em Brasília e a Caixa se comprometeu a pagar um ensaio para dirimir suas dúvidas. O prazo dado foi de cinco meses, desde aquela reunião, mas até agora a Caixa não fez o ensaio. Não fosse isso, a norma já poderia estar em consulta pública.
Há quanto tempo a comissão formada já trabalha para a elaboração da norma?
Se contar o período em que está parada por causa da Caixa, nós temos aí três anos.
Não seria o caso de o ensaio ser pago pelos que pretendem construir com paredes de concreto celular estrutural?
Quando você fala em norma, quem normalmente arca com os custos dos ensaios são os fornecedores. Só que neste caso os fornecedores não tinham condições de bancar estes custos do ensaio de durabilidade, que é caro. Lá no nordeste estão sendo construídas muitas unidades com concreto celular estrutural, e com resultados térmicos muito melhores que o concreto convencional. Como ele é um concreto mais leve, com bolhas incomunicáveis de ar, ele não esquenta tanto dentro de uma residência quanto o concreto convencional. Só que para a Caixa financiar ela quer uma garantia dentro dos parâmetros dela.
Se vier a sair, a norma pode tornar mais barato e popularizar o uso de paredes de concreto celular estrutural?
Se a norma for aprovada, sim. A questão é que o concreto convencional é muito mais tranquilo de trabalhar que o concreto celular. O concreto celular exige que você tenha um controle tecnológico muito maior.
Qual o risco?
O que está sendo questionado é se as bolhas de ar que são incorporadas ao concreto celular estimulam a corrosão de armaduras. A princípio, existe a dúvida de que se as bolhas são comunicáveis ou não. Onde existe umidade, existe ar e a tendência é ter uma situação de oxidação. Este é o medo maior. Neste caso, a Caixa não aceita que a pintura isola a parede e impede a água de penetrá-la. Há uma discordância aí. Tudo é manutenção. Se você faz uma pintura adequada, logicamente que ela vai proteger o empreendimento.
Quais as vantagens de uma parede construída com concreto celular estrutural?
O desempenho térmico é melhor e o desempenho acústico também. Por outro lado, o controle tecnológico é mais exigente. Aí vem aquela situação: será que todas as empresas têm condições de fazer um concreto celular estrutural e ter um controle tecnológico rigoroso? Esta é a pergunta principal. A questão está colocada muito seriamente na norma.
Atualmente, qual tipo de obra mais utiliza paredes de concreto celular estrutural?
Casas de um pavimento no padrão Minha Casa Minha Vida. No nordeste e em São Paulo há cerca de duas mil construídas com esse sistema, e aguardando a norma para serem vendidas. A Caixa quer restringir o uso das paredes para casas térreas ou casas assobradadas. Só que quem é construtor avalia que é possível construir edifícios de até cinco pavimentos.
Entrevistado
Engenheiro civil Ivanor Fantin Jr., consultor técnico do SindusCon-PR e integrante de comissões de estudos especiais da ABNT
Contato
engenharia@sindusconpr.com.br
Crédito Foto: Divulgação/Cia. Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Construção sustentável desconhece a palavra crise
No primeiro trimestre de 2016, número de registros de certificações foi maior que o verificado no mesmo período de 2015, 2014 e 2013 no Brasil
Por: Altair Santos
O que mais se houve falar no ambiente da construção civil é em crise. Esta palavra, porém, parece não existir para o segmento que atua com empreendimentos sustentáveis. Segundo relatório do Green Building Council Brasil, o número de registros de certificação LEED no primeiro semestre de 2016 foi maior que o registrado no mesmo período de 2015, 2014 e 2013. Houve 34 solicitações, contra 24, 21 e 33, respectivamente. Outra certificação bastante procurada no Brasil - a AQUA - também cresceu. No entanto, a Fundação Vanzolini, que gerencia a emissão do selo, só terá números fechados ao final deste semestre.

O começo de 2016 desponta como o segundo melhor ano da certificação LEED no Brasil, perdendo apenas para os 64 novos projetos registrados no primeiro trimestre de 2012. O que ajuda a impulsionar as certificações é que elas estão cada vez mais abrangentes. Seus conceitos não se restringem apenas a ambientes construídos, mas agora norteiam também loteamentos. As plantas industriais e os galpões de logística são outros tipos de obras que ajudam a construção sustentável a se tornar uma ilha de prosperidade na economia brasileira.
Para Felipe Faria, diretor-executivo do Green Building Council Brasil, essa é uma trajetória irreversível. “Lideramos um movimento que há anos deixou de ser tendência, consolidando-se em uma transformação tida como unanimemente necessária. Cabe a nós trabalharmos para acelerá-la. A construção sustentável continua crescendo para setores diversos do mercado, assim como iniciativas do poder público em criar políticas de sustentabilidade”, avalia.
Sete selos
Atualmente, no que se refere a volume de obras voltadas para a construção sustentável, dez empresas destacam-se no Brasil: Tecverde, em Curitiba-PR; Even e Tecnisa, em São Paulo-SP; MBigucci, em São Bernardo do Campo-SP; MPD e Takaoka, em Barueri-SP; Dias de Sousa, em Fortaleza-CE; Pontal e Toctao, em Goiânia-GO, e Precon, em Belo Horizonte-MG. Estas construtoras, além de atuar com LEED, trabalham também com outras certificações sustentáveis.
No Brasil, há atualmente sete selos de construção sustentável. Além do LEED, AQUA, BREEAM, DGNB, Procel Edifica, Casa Azul e Qualiverde. A abrangência levou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) a criar uma plataforma de sustentabilidade para o setor imobiliário e a construção civil. O objetivo é disseminar essas práticas através de um conjunto de ferramentas, como sites, livros, vídeos, palestras, eventos educativos regionais e nacionais, cursos e conteúdo de apoio.
Para o vice-presidente de sustentabilidade do Secovi-SP, Hamilton de França Leite Júnior - organismo que também atua em conjunto com a CBIC no projeto -, a construção sustentável tornou-se uma exigência de mercado. “Os valores relativos à sustentabilidade são cada vez mais cobrados pelos consumidores e a sociedade civil. Como parte dessa cadeia, os setores imobiliários e da construção precisam participar das discussões, mostrar as ações já realizadas e debater as perspectivas", analisa.
Entrevistados
- Advogado Felipe Faria, diretor-executivo do Green Building Council Brasil
- Engenheiro civil e administrador de empresas Hamilton de França Leite Júnior, vice-presidente de sustentabilidade do Secovi-SP
Contato
ffaria@gbcbrasil.org.br
hl@hamiltonleite.com.br
Crédito Foto: Divulgação









