“Fator Trump” pode fazer Brasil retomar crescimento

Expectativa é de que ações do presidente eleito dos EUA direcionem investimentos chineses ao país, além de estimular alta nas commodities

Por: Altair Santos

Para 2017, o setor da construção civil no Brasil passa a conviver com mais uma variável que pode influenciar em seu crescimento. Trata-se do “fator Trump”. A vitória do candidato republicano nas eleições dos Estados Unidos é vista como uma incógnita no curto prazo, mas, no médio e no longo prazo, analistas entendem que ela pode ser benéfica. Uma das projeções é que Donald Trump endureça as regras para a China. Neste caso, entende Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), o capital chinês pode vir a procurar o Brasil. “Se os Estados Unidos fecharem portas para a China pode ser favorável ao Brasil, já que o país poderá atrair parte destes investimentos chineses, ainda que a economia brasileira represente apenas 1,5% do PIB mundial”, analisa.

Outra possibilidade é que Trump torne a economia dos Estados Unidos mais aberta às commodities brasileiras. Tradicionalmente, o partido Republicano, quando está no poder, desenvolve um livre comércio mais forte com o Brasil, principalmente na compra de produtos agrícolas. “Acho que as commodities brasileiras podem ganhar mercado nos EUA, o que, indiretamente, é bom para a cadeia produtiva da construção civil, já que o agronegócio tem sido um dos setores que mais investe em obras no país”, complementa Mário Humberto Marques, também vice-presidente da Sobratema. Para o dirigente, Donald Trump promoverá um “freio de arrumação” na economia mundial. “Acho que, desde que ele não cause conflitos internacionais e nem guerras, pode, sim, ser positivo para estimular a economia brasileira e, consequentemente, a construção civil do país”, diz Mário Humberto Marques.

Regras claras
No entanto, o “Fator Trump” terá menor influência na retomada do crescimento da construção civil do que a necessidade do país rever suas próprias regras para atrair investimentos e reativar obras de infraestrutura. “O Brasil usou recursos públicos sem critérios para estimular o crescimento e acabou exaurindo o BNDES. O que o país precisa agora é criar regras adequadas para resolver esses problemas em sua infraestrutura, mas sem artificialismos. São necessários bons projetos e segurança jurídica para atrair investimentos. Quanto menos governo, melhor. O papel do Estado deve ser regular e fiscalizar, e não o de tocar obra”, afirma Mário Humberto Marques. O dirigente da Sobratema avalia que, a partir do momento em que o país fizer essas correções de rota, o capital estrangeiro estará disposto a investir no Brasil. “Eles procuram bons negócios, mas também segurança para seus investimentos”, completa.

A expectativa do setor é de que no primeiro trimestre de 2017 possam ser divulgadas novas licitações para obras, como a ferrovia Transnordestina. Lançado em 2006, o empreendimento deveria ter 1.752 quilômetros, ligando Eliseu Martins, no Piauí, aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. No entanto, apenas 600 quilômetros de ferrovia foram concluídos. Aguarda-se também, para o início do próximo ano, as privatizações dos aeroportos de Salvador-BA, Florianópolis-SC, Fortaleza-CE e Porto Alegre-RS. “Se essas obras atraírem capital estrangeiro será o sinal de que começamos a fazer a lição de casa para voltar a crescer. Daí, tomara que o ‘fator Trump’ também ajude”, diz Eurimilson Daniel.

Entrevistados
Eurimilson Daniel e Mário Humberto Marques, vice-presidentes da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração)

Contato
sobratema@sobratema.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Escaneamento a laser 3D recupera obras com precisão

Tecnologia tem sido usada no restauro de construções icônicas e para resgatar a documentação detalhada da obra, conhecida como as built

Por: Altair Santos

Equipamentos de scanner fabricados exclusivamente para a construção civil têm revolucionado o retrofit de edificações e prédios históricos. O escaneamento permite fazer um diagnóstico preciso das condições das estruturas e, sobretudo, detectar o grau de patologias no concreto. Além disso, possibilita uma documentação detalhada da obra - o as built.

Casa de Vidro: construída nos anos 1950, está em processo de restauração
Casa de Vidro: construída nos anos 1950, está em processo de restauração

Antes da tecnologia laser scanning, que no caso das obras de construção civil atua em parceria com a metodologia BIM, o processo de as built tradicionalmente era manual e, em muitos casos, impreciso. Graças à união destas duas tecnologias, é possível recuperar a forma original dos edifícios, e em um plano 3D.

O diagnóstico torna-se mais preciso se a obra a ser recuperada tiver um as built completo. Essa documentação pode ser feita ao longo de todas as etapas da construção - o que é o ideal -, ao final da execução, para documentar a versão final do que foi construído, incorporando as mudanças ao projeto original, ou posteriormente, em situações onde inexiste documento.

É para estes casos que o escaneamento a laser 3D torna-se imprescindível. No Brasil, a tecnologia está sendo empregada principalmente no restauro arquitetônico de obras icônicas, como a Casa de Vidro, construída nos anos 1950 e projetada pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi. Localizada no bairro Morumbi, na cidade de São Paulo, a construção passa por um processo de retrofit coordenada por uma equipe de arquitetos da Universidade de Ferrara, na Itália.

Escaneamento da Casa de Vidro: laser capta variações de temperatura dentro das estruturas, facilitando a detecção de patologias
Escaneamento da Casa de Vidro: laser capta variações de temperatura dentro das estruturas, facilitando a detecção de patologias

A mesma tecnologia deverá ser empregada na restauração do MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), também na cidade de São Paulo. A tarefa do escaneamento a laser 3D será mapear a estrutura do prédio, que também tem seu projeto arquitetônico assinado por Lina Bo Bardi, e que é considerado um marco da arquitetura brutalista.

O processo de escaneamento em obras se assemelha ao da tomografia do corpo humano. O retrato tridimensional capta variações de temperatura, pontos de umidade e graus de rugosidade de lajes e pilares dos prédios, gerando tons de cores para cada caso. A precisão, segundo o arquiteto Marcello Balzani, da equipe de restauro da Universidade de Ferrara, é cirúrgica.

Tecnologia para explorar Marte
A tecnologia laser scanning foi desenvolvida pela canadense Optech - companhia especializada na produção de equipamentos para a NASA. O primeiro aparelho foi instalado no sistema embarcado da sonda não-tripulada Phoenix, que pousou em Marte em 2008. A princípio, o objetivo era rastrear terrenos. Em seguida, o escaneamento foi adaptado para realizar levantamentos topográficos. Daí, para o uso na construção civil, foi uma questão de tempo.

O aperfeiçoamento da tecnologia não para. O próximo passo da aplicação do escaneamento a laser na construção civil é vinculá-lo à impressão 3D. A intenção é conseguir reproduzir peças de reposição para restaurar estruturas, fachadas e até elementos de acabamento. A Itália, por causa da rotina de restauros em construções seculares que existem no país, e que devem ser preservadas por lei, é um dos países que lidera esse tipo de pesquisa.

Entrevistado
Arquiteto Marcello Balzani, da equipe de restauro da Universitá degli Studi di Ferrara (Universidade de Ferrara)

Contato
ateneo@pec.unife.it

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Não existe sustentabilidade sem obra entregue no prazo

Cumprimento do cronograma depende de fatores que exigem conhecimento e experiência do engenheiro responsável pela gestão do canteiro

Por: Altair Santos

O 1º CONOCC (Congresso Nacional Online sobre Como Construir) reuniu, na segunda semana de novembro de 2016, um grupo de engenheiros civis, arquitetos, advogados especializados na área da construção civil, construtores e incorporadores, a fim de debater a qualidade das obras. Entre os palestrantes, esteve o engenheiro civil Wyllian Capucci, com pós-graduação em tecnologia de sistemas construtivos, e que ressaltou que o que garante a sustentabilidade da obra é o cumprimento do cronograma. “Uma obra que atrasa o cronograma não pode ser chamada de sustentável, pois fica sujeita a vários problemas, desde financeiros até jurídicos”, resume.

Wyllian Capucci: engenheiro de obras deve ter entendimento técnico de todas as fases do empreendimento
Wyllian Capucci: engenheiro de obras deve ter entendimento técnico de todas as fases do empreendimento

Além de influenciar no preço do empreendimento, o prazo impacta em insumos, equipamentos, mão de obra e custos indiretos que dependem do tempo de duração dos trabalhos. Segundo Capucci, existem cinco fatores primordiais para que o cronograma seja realizado dentro do prazo estabelecido. “Um cronograma bem definido deve ter levantamento quantitativo de serviços e materiais, cotações de preços e comparativos com orçamento, metas para fechamento de contrato, controle de execução e contratação de mão de obra qualificada”, afirma, ensinando em sua palestra como chegar aos melhores resultados em cada uma destas etapas.

Capucci defende que a experiência do engenheiro de obras é muito importante para que ele possa fazer a gestão destes cinco pilares que vão garantir o cumprimento do cronograma. No caso do levantamento quantitativo de serviços e materiais, o especialista ressalta que o primeiro passo é procurar conhecer todos os projetos relacionados com o empreendimento. “Quanto mais entendimento técnico do engenheiro de obras, mais ele tem chances de cumprir o cronograma. Outro ponto importante é contemplar no orçamento a contratação de consultores. É melhor que fazer errado, o que gera retrabalho e custa mais dinheiro que o previsto no orçamento, além de ainda estar sujeito a processos judiciais”, explica.

Orçamento deve prever a contratação de consultores, para que erros sejam evitados na obra
Orçamento deve prever a contratação de consultores, para que erros sejam evitados na obra

Controle de execução e mão de obra
Analisados os projetos, e feito o levantamento quantitativo de serviços e materiais, passa-se para uma nova etapa: a cotação de preços e os comparativos com o orçamento. “A antecedência na cotação pode fazer a diferença entre uma boa e uma má execução da obra. Por isso, é importante estabelecer metas para o fechamento de contratos, seja com fornecedores de materiais ou prestadores de serviço”, avisa Wyllian Capucci, que recomenda que todo esse trabalho de cotação e orçamento seja feito, no mínimo, com três meses de antecedência antes da instalação do canteiro. “O ideal são seis meses, pois daí é possível contratar a um custo menor”, completa.

A partir do momento em que a obra entra em andamento, a sustentabilidade de todas as suas etapas vai depender do controle de execução. “O recomendável é conseguir economizar 5% no cronograma de cada etapa, da terraplanagem à fase de acabamento”, diz o engenheiro civil, lembrando que, geralmente, o atraso em uma fase da obra causa efeito-cascata que vai impactar em todas as demais etapas. “Se eu uso concreto autoadensável e não utilizo fôrmas adequadas, isso vai gerar problemas no cronograma”, exemplifica, citando que a qualidade da mão de obra também é fundamental. “Uma mão de obra que pode ser otimizada é muito importante para que um empreendimento comece e termine sem percalços”, finaliza, mostrando que a sustentabilidade de uma obra não passa apenas pelas certificações de prédio verde ou por tecnologias empregadas em sua construção. Tudo começa no cumprimento do cronograma.

Entrevistado
Engenheiro Civil Wyllian Capucci, com pós-graduação em gestão e tecnologia de sistema construtivos na UFSCar

Contatos
wyllian@construtordetalento.com.br
contato@construtordetalento.com.br
www.construtordetalento.com.br

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

 


Revisão da ABNT NBR 9062 qualifica pré-moldados

Coordenador da comissão de estudos, engenheiro civil Carlos Eduardo Emrich, fala das alterações mais relevantes na norma técnica

Por: Altair Santos

Está em processo de consulta pública a norma técnica mais importante para estruturas pré-fabricadas de concreto: a ABNT NBR 9062 - Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado. O coordenador da comissão de estudos de revisão é o engenheiro civil Carlos Eduardo Emrich Melo, que na 19ª edição do ENECE (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural) mostrou como está o andamento de atualização da norma técnica. O objetivo é qualificar as estruturas pré-moldadas de concreto, desde a produção até a montagem, como ele explica na entrevista a seguir:

Carlos Eduardo Emrich: fabricantes, universidades e engenheiros calculistas atuaram na revisão
Carlos Eduardo Emrich: fabricantes, universidades e engenheiros calculistas atuaram na revisão

A ABNT NBR 9062 - Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado - entrou em processo de revisão. Quais os principais pontos que devem mudar?
A revisão da ABNT NBR 9062 foi muito grande. Basicamente, o conceito da alteração foi o de aumentar a segurança nas estruturas, principalmente na etapa de montagem. O texto foi alterado quase em sua totalidade, onde foram esclarecidos os pontos que antes havia dúvidas ou não eram determinantes. A norma passa a ser um material que orienta o projetista, o fabricante e, principalmente, quem vai receber o pré-moldado, o qual terá mais condições de avaliar o produto que está recebendo. É muito importante para o mercado de pré-moldado que não haja dúvidas do que ele está comprando e recebendo.

A norma é de 2006. De lá para cá, o que mudou em termos de tecnologia do pré-moldado?
A maior alteração de tecnologia foi a definição das ligações semirrígidas entre pilares e vigas. Este tipo de ligação já era abordado pela norma de 2006, mas não existiam parâmetros que definissem como utilizar este conceito. Antes, apenas com ensaios próprios é que se podia determinar como utilizar este tipo de ligação. Agora, depois de um grande trabalho de pesquisa e ensaios em laboratórios, a norma está disponibilizando estes resultados e definindo parâmetros para a elaboração de um cálculo mais refinado e rigoroso.

A norma ainda em vigor se encontra defasada?
Não diria que está defasada, mas ela apresenta muitos pontos que não são abordados. Nesta revisão, entendo que ela ficou muito mais completa. A forma de projetar e executar as estruturas pré-moldadas é a mesma, mas com mais parâmetros e ajustes de pontos que elevam a qualidade e a segurança dos empreendimentos que utilizam esse sistema construtivo.

O senhor esteve recentemente no ENECE explanando sobre a norma. Os engenheiros estruturais entendem que a norma é essencial?
Eu acredito que sim. Com certeza, do público que estava na palestra, 100% entende. O que nos preocupa é o pessoal que não se interessa ou faz questão de seguir fora da norma para reduzir quantitativos e aumentar a margem de um fornecedor (ou do próprio fabricante). Hoje, o risco de uma patologia, se a norma não for seguida a contento, pode gerar muito mais facilmente processos e custos de reparo muito superiores que o custo de seguir os critérios normativos. Não tem mais sentido não utilizar a norma.

No Concrete Show 2016, e também no 58º Congresso Brasileiro do Concreto, do Ibracon, foi mostrado o case do edifício Pátio da Marítima, no Rio, e que investiu em estruturas de aço porque o escritório Foster + Partners disse não ter ficado satisfeito com as estruturas pré-moldadas em concreto fabricadas no Brasil. A revisão da norma pode, digamos, aumentar a precisão das peças para obras emblemáticas?
As estruturas pré-moldadas no Brasil, se realizadas dentro do conceito definido na norma, não são inferiores a outras estruturas pré-fabricadas de outros lugares do mundo. Recebo material da Nova Zelândia, e de outros países, que mostram que nossa pré-fabricação tem um nível muito bom. É claro que, como em todo o mercado, existem empresas de maior ou pior qualidade. Infelizmente, com a crise que estamos passando, o mercado vem diminuindo os preços, o que leva a uma perda de qualidade. Quando uma fábrica é obrigada a dispensar boa parte de sua mão de obra treinada e experiente, após anos de dedicação, é claro que há uma perda de qualidade. A pré-fabricação no Brasil é menos mecanizada que em outros países mais desenvolvidos, em função de custos de investimento em fábrica. Isto acaba, de fato, piorando a qualidade quando há uma situação de demissão de mão de obra qualificada.

Qual a previsão para a publicação da revisão da norma?
A comissão já finalizou os trabalhos. A norma já foi para consulta pública e os votos já foram analisados. Assim, estamos na diagramação do texto para publicação. Todo o trabalho já foi finalizado, e agora é só esperar a publicação, que deve ocorrer este ano ou no início de 2017.

A comissão teve a participação de fabricantes de estruturas pré-moldadas?
Participaram muitos fabricantes, o pessoal das universidades, que muito contribuiu, e engenheiros calculistas.

Houve uma revisão completa, item por item, ou apenas pontos estratégicos da norma?
A revisão foi geral, ou seja, todos os itens da norma foram lidos e discutidos. É claro que a maioria permaneceu inalterada, mas a revisão ocorreu em todos os capítulos e itens do texto.

Peças pré-moldadas de concreto têm sido usadas cada vez mais para erguer torres para turbinas eólicas. A revisão da norma vai contemplar essas estruturas e outras que ainda não existiam quando a norma foi publicada pela primeira vez?
A norma apresenta conceitos de dimensionamento, fabricação e montagem de uma estrutura, que pode ser qualquer uma. A norma não pode impedir os avanços do mercado. Desta forma, ela não trata de um tipo específico de estrutura, mas apresenta parâmetros claros para que qualquer tipo de estrutura possa ser dimensionada, fabricada e montada em estrutura pré-moldada, como no caso, as torres eólicas.

Entrevistado
Engenheiro civil Carlos Eduardo Emrich, coordenador da comissão de estudos de revisão da ABNT NBR 9062

Contatos
carlos.cma@terra.com.br
www.cma.eng.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Túnel ferroviário no Tibete é eleito o melhor do mundo

Obra com quase 33 quilômetros de comprimento foi construída a 3,6 mil metros de altura, por dentro de cordilheira na China

Por: Altair Santos

O novo túnel Guanjiao, cuja construção começou em 2007 e terminou dia 28 de dezembro de 2014, foi eleito o melhor do mundo de 2015, pela International Tunnelling and Underground Space Association (Associação Internacional de Túneis). A premiação está em sua segunda edição e elege sempre as obras finalizadas no ano anterior. Como o Guanjiao foi inaugurado faltando três dias para 2015, entrou no rol de projetos da temporada passada.

Portal de entrada do novo túnel Guanjiao, na China: encravado na cordilheira do Tibete
Portal de entrada do novo túnel Guanjiao, na China: encravado na cordilheira do Tibete

O empreendimento com 32,690 quilômetros de comprimento faz parte do complexo ferroviário que liga as províncias de Xining a Qinghai. O túnel corta a cordilheira do Tibete e os desafios para construí-lo é que garantiram sua eleição entre as obras com custo acima de 500 milhões de euros - o valor em reais foi de 2,480 bilhões. O canteiro para a construção do túnel Guanjiao foi instalado a 3,6 mil metros de altitude.

A geologia das rochas também exigiu que boa parte das escavações fosse por detonação, em vez do uso de TBM (Tunnel Boring Machine) - conhecido no Brasil como “tatuzão”. Houve pouca aplicação de concreto para revestir o túnel, pois ele tem uma hidrogeologia complexa. As escavações mostraram que seria preciso um sistema de drenagem para retirar diariamente 320 mil m³ de água, que vêm do gelo acumulado na cordilheira do Tibete e que acaba derretendo e penetrando na rocha. Por isso, a solução foi revestir o túnel com material polimérico (plástico).

Linha 4 do metrô do Rio
Além do novo túnel Guanjiao, a China ganhou também o prêmio de projeto do ano, concedido à construção da estação Chongqing, que liga duas linhas de metrô na cidade. O desafio da obra é que ela precisou atingir a profundidade de 760 metros para não comprometer as estruturas dos edifícios que estão em seu entorno. A estação está envolvida por grandes elementos de concreto, que alcançam 8,6 metros de largura para poder suportar a sobrecarga do terreno.

Outra obra de metrô eleita pela Associação Internacional de Túneis foi a linha 4 do metrô do Rio - principal complexo de mobilidade urbana para os jogos olímpicos de 2016. A obra ganhou o prêmio de inovação tecnológica, pois durante as escavações foi encontrado um “banco de areia” entre as rochas, o que exigiu o emprego de uma nova geração de tuneladoras, conhecida como EPB. O equipamento é apropriado para escavar terrenos arenosos.

A remodelação da estação Vauxhall do metrô de Londres também foi contemplada, por causa do novo túnel de concreto armado construído para dar acesso aos usuários da linha. Outra obra premiada foi a que envolve o programa de despoluição do rio Emscher, na Alemanha. Um túnel de 47 quilômetros vai captar os resíduos da mineração de carvão - uma das atividades econômicas da região - e conduzir o material a uma estação de tratamento, impedindo que materiais poluentes sejam lançados no rio.

A premiação também escolheu o melhor engenheiro especialista em túneis. Venceu o profissional da Malásia, Derek Eng. Ele concorreu com outros cinco especialistas, entre eles o brasileiro Marlísio Oliveira Cecílio Júnior. Também estavam na disputa Mehdi Bakhshi, dos Estados Unidos; Oh Jinnie e Senthilnath G.T, de Cingapura, e Jiang Chao, da China.

Entrevistado
International Tunnelling and Underground Space Association (Associação Internacional de Túneis) (via departamento de comunicação)

Contatos
awards@ita-aites.org
www.ita-aites.org

Crédito Foto: Divulgação/Governo da China

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Governo federal retoma 1/3 das obras paralisadas

Maioria dos empreendimentos têm orçamento até R$ 10 milhões e está relacionada com saneamento básico, creches e pré-escolas

Por: Altair Santos

O governo federal anunciou dia 7 de novembro de 2016 que vai retomar 1.600 obras que estavam paralisadas. Serão beneficiados 1.071 municípios. A maioria dos empreendimentos envolve saneamento básico (342), creches e pré-escolas (445). São projetos com custo máximo de R$ 10 milhões, e que representam aproximadamente 1/3 das obras paralisadas no Brasil desde o início da recessão, em 2014. Ao todo, são 5.108 obras que tiveram os canteiros abandonados, totalizando R$ 15 bilhões. A interrupção custou 700 mil empregos à construção civil.

Entre as maiores obras que serão retomadas está a ampliação do aeroporto de Londrina
Entre as maiores obras que serão retomadas está a ampliação do aeroporto de Londrina

Para retomar parte destas obras, o governo vai investir R$ 2,073 bilhões e estima gerar 40 mil empregos. O prazo para que os canteiros sejam reativados é de quatro meses, ou seja, março de 2017. A intenção é finalizar a execução dos 1.600 projetos até dezembro de 2018. De acordo com Brasília, o início poderia ser imediato, mas depende de ações dos municípios e dos estados envolvidos. O importante, segundo destaca o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, é que os recursos estão garantidos para recomeçar e terminar as obras.

Todas as unidades da federação serão contempladas. A maior parte, 169 empreendimentos, está na Bahia, seguida por 129 no Rio Grande do Sul e 118 em Pernambuco. As obras reativadas envolvem também a ampliação de três aeroportos regionais nas cidades de Ilhéus-BA, de Marabá-PA e Londrina-PR. No caso do terminal na cidade do norte do Paraná, os investimentos estimados são de R$ 3,74 milhões, com prazo de execução de 285 dias. A reforma inclui a instalação de uma nova sala de embarque, com área de 1,2 mil m².

Governança digital
Uma inovação que vai acompanhar essa retomada de obras é o aplicativo para smartphones, batizado de Desenvolve Brasil. Com a ferramenta, qualquer cidadão terá como fiscalizar a execução das 1,6 mil obras que estavam paralisadas, podendo enviar denúncias, reclamações, sugestões e avaliar os empreendimentos por meio de uma pontuação. “É a primeira experiência efetiva de governança digital e de comprometimento com a transparência em obras públicas”, classifica Eliseu Padilha.

Outra preocupação do governo federal foi selecionar obras que não estivessem com o projeto executivo sob a responsabilidade das empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato. Além disso, de acordo com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, as construtoras que abandonaram alguma das 1.600 obras paralisadas não serão recontratadas. São 567 empreendimentos que se encontram nesta situação. Já os problemas orçamentários e financeiros são responsáveis pela paralisação de 204 empreendimentos, enquanto 604 tiveram impedimentos técnicos, que vão desde projetos inadequados até a falta de resistência do solo.

Além de aeroportos, obras de saneamento básico, creches e escolas, os empreendimentos que serão retomados envolvem também 62 obras de prevenção em áreas de risco, 108 unidades básicas de saúde (UBS) e 16 unidades de pronto-atendimento (UPA). Outros 270 projetos estão relacionados com a urbanização de assentamentos precários e 354 com a recuperação de patrimônios históricos ou construção de obras de infraestrutura turística, como pontes, viadutos e estradas. "Há dotação orçamentária para que todas essas obras sejam retomadas e concluídas”, garante Eliseu Padilha.

Veja aqui a lista das obras que serão retomadas.

Entrevistados
Ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira (via assessoria de imprensa)

Contatos
imprensaccivil@presidencia.gov.br
imprensa@planejamento.gov.br

Crédito Foto: Divulgação/Silvestri Arquitetura

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

O que a revolução industrial 4.0 reserva às empresas?

Ricardo Semler avalia que planos de gestão engessados estão com os dias contados. Para ele, empresas precisam se moldar às novas gerações

Por: Altair Santos

O CEO Summit 2016, promovido em outubro pela Endeavor e pelo Sebrae, concentrou as palestras e os debates em torno do formato que tende a guiar as empresas dentro da chamada revolução industrial 4.0, também conhecida como revolução digital. Ricardo Semler, presidente do conselho da Semco Partners, avalia que as corporações não terão como manter seus planos de gestão engessados por muito tempo, pois a nova geração que está em curso tem a inquietação e o perfil questionador como marca registrada. “Esse modelo, que veio do Henry Ford e que teve melhorias marginais ao logo destes mais de cem anos, está em processo de disruption (rompimento com formatos tradicionais) e as empresas precisam entender isso”, diz.

Para Ricardo Semler, é inevitável que empresas se tornem menos hierarquizadas
Para Ricardo Semler, é inevitável que empresas se tornem menos hierarquizadas

Semler cita Henry Ford, por ter sido ele que, na primeira década do século passado, criou a linha de montagem para a produção de veículos. “O mundo empresarial ainda persegue o modelo da indústria automobilística fundada por Henry Ford, e baseada na linha de montagem. Assim, as corporações foram se estruturando para dizimar a intuição”, avalia, afirmando que a revolução industrial 4.0 vai impor mudanças. “A tecnologia está mudando a capacidade de mandar dentro das empresas. Os questionamentos às amarras, criadas por insegurança e medo das corporações, já estão ocorrendo. Para a própria sobrevivência das companhias, elas terão que devolver a liberdade de agir aos funcionários, a fim de que a organização possa sobreviver”, completa.

Para Ricardo Semler, Intuição, Liberdade e Transparência serão os pilares das organizações do futuro. Ainda, segundo ele, será inevitável que as empresas se tornem menos hierarquizadas. “Hoje, para contratar, as corporações usam o que se convencionou chamar de pensamento positivo fantasioso. Elas se vendem como perfeitas e, com o passar do tempo, o contratado começa a se confrontar com a realidade do dia a dia, até que isso desencadeie em elevados níveis de turnover. Em países que têm uma legislação trabalhista menos burocratizada, alguns ramos de atividade chegam a ter turnover de 130%. No Brasil, a média ainda é relativamente baixa, entre 15% e 20%”, revela.

Futuro do emprego
A análise de Ricardo Semler vai ao encontro da pesquisa da EY (Ernest&Young), intitulada “Global job creation two thousand sixteen”. Nela, é possível ter acesso a dados que mostram o quanto o empreendedorismo focado no modelo da revolução digital vai concentrar a produção de empregos. O estudo aponta que, na próxima década, 9 de 10 empregos serão gerados pela iniciativa privada, sendo que 60% destas 9 vagas virão de novos empreendedores. “A profusão de tecnologias, como big data, inteligência artificial, internet das coisas e robótica, já está impactando no futuro do emprego e, consequentemente, no futuro da sociedade. Com essas mudanças virá um novo modelo de corporação. Imagine uma empresa em que os funcionários avaliam o próprio gestor, os salários de todos ficam disponíveis em um computador no refeitório, as margens de lucro são abertas para todos e alguns colaboradores trabalham meio período para você e a outra metade para a concorrência. Não estamos longe disso”, finaliza Semler.

Confira a palestra de Ricardo Semler no CEO Summit 2016:

Veja aqui a pesquisa “Global job creation two thousand sixteen” (conteúdo em inglês).

Entrevistado
Ricardo Semler, com base na palestra “Intuição, Liberdade e Transparência: os pilares das organizações do futuro” concedida no CEO Summit 2016. Semler é presidente do conselho da Semco Partners e autor dos livros “Virando a própria mesa”, “The Seven Day Weekend: Changing the Way Work Works” e “Você está louco!”

Contato
contact@endeavor.org

Crédito Foto: CEO Summit

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Repatriação de recursos impulsiona construção civil

Analistas avaliam que parte do dinheiro que estava no exterior e retornou ao Brasil possa ser usado para movimentar mercado imobiliário

Por: Altair Santos

O programa de regularização de ativos no exterior, conhecido como repatriação, fez retornar ao Brasil quase R$ 170 bilhões, segundo dados da Receita Federal. Isso resultou em R$ 46,8 bilhões em pagamento de impostos e multas. Com o retorno do dinheiro que estava no exterior, analistas do mercado imobiliário entendem que o setor pode ser um dos maiores beneficiados – principalmente, o segmento de imóveis de luxo. A projeção é de que nos próximos cinco anos pelo menos metade destes recursos será investida em edifícios residenciais de alto padrão, condomínios, resorts e torres comerciais.

Só em impostos, repatriação gerou quase R$ 47 bilhões ao governo federal
Só em impostos, repatriação gerou quase R$ 47 bilhões ao governo federal

Só no estado de São Paulo, calcula-se que este valor possa chegar a R$ 25 bilhões, incluindo também aquisição de terrenos, incorporações e fundos imobiliários. "Já estamos atendendo vários clientes que se preparam para aplicar esse recurso adicional. Esse movimento vai se intensificar nos próximos meses", afirma o consultor Alexandre Villas. Segundo o especialista, dois fatores favorecem o direcionamento do dinheiro repatriado para o segmento imobiliário: a depreciação dos preços dos imóveis e a esperada queda dos juros, o que tende a diminuir o rendimento das aplicações financeiras de longo prazo. "O ganho dos imóveis de luxo promete mais do que compensar os tributos e multas da repatriação”, projeta Villas.

Para Pedro Barreto, especialista em investimentos imobiliários no exterior, pode haver também o interesse em imóveis fora do país. “Muitos destes que repatriaram recursos querem manter os recursos no exterior depois da regularização e estão em busca de opções para rentabilizar esses capitais. O investimento em imóveis para rendimento é um dos poucos ativos disponíveis no exterior com taxas de rentabilidade atrativas, entre 6,5% e 10% ao ano. Como os imóveis no exterior são ativos de baixo risco, acredito que deva gerar um impacto positivo para esta modalidade de investimento”, avalia.

Nova repatriação
Para a advogada especialista em direito tributário, Ivana Marcon, o investimento em imóvel, seja no Brasil ou no exterior, é uma das melhores modalidades para manter os recursos longe da ilegalidade. “O objetivo principal da repatriação é oficializar todos os bens não declarados, pois não será mais possível usar recursos sem origem comprovada em diversos países. O acordo entre os governos está cada vez mais eficiente quanto ao compartilhamento das movimentações financeiras. Isto faz com que as pessoas busquem dar segurança e legalidade aos seus investimentos. Sob esse aspecto, os imóveis são uma das melhores opções”, diz.

A partir de 1° de fevereiro de 2017 será aberta uma nova etapa para a regularização de recursos no exterior. A nova repatriação vai durar 150 dias e será encerrada em 30 de junho de 2017. O governo tem a expectativa de arrecadar mais R$ 20 bilhões em impostos, mas especialistas estimam que possa reingressar no Brasil mais dinheiro do que o obtido na primeira etapa da repatriação, o que também reforçaria os investimentos no mercado imobiliário. “Pelo menos deve gerar o mesmo volume de recursos da fase encerrada recentemente”, estima o advogado tributarista Heleno Torres, considerado o “pai da repatriação”. Foi Torres quem formulou a proposta que deu origem ao programa governamental.

Entrevistados
Alexandre Villas, consultor imobiliário
Pedro Barreto, especialista em investimentos imobiliários no exterior
Ivana Marcon, advogada especialista em direito tributário
Heleno Torres, advogado tributarista

Contatos
contato@imovela.com.br
vendas@ativore.com.br
info@baptistaluz.com.br
mail@helenotorres.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Desafio dos prefeitos eleitos: mais calçadas, menos ruas

Exemplos não faltam para mostrar como cidades podem deixar de dedicar espaço aos veículos para dar prioridade aos pedestres

Por: Altair Santos

Tendência mundial, as ruas-calçadas tornam-se desafio para os prefeitos eleitos recentemente no Brasil, e que dia 1º de janeiro assumem seus cargos. Se houver boa vontade dos novos governantes, exemplos não faltam de cidades que transformaram antigas áreas dedicadas aos carros em espaços em que a prioridade passou a ser o pedestre. Em São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos, nem é mais o poder público quem define quais ruas devem ser transformadas em boulevards ou não. A decisão está a cargo de uma ONG chamada SPUR (Associação de Pesquisa e Planejamento Urbano de São Francisco).

Perimetral era o marco de uma região que estava degradada na cidade do Rio de Janeiro
Perimetral era o marco de uma região que estava degradada na cidade do Rio de Janeiro

A ONG elabora estratégias que procuram melhorar a qualidade de vida urbana nas cidades que integram a baía de São Francisco. Para redefinir o urbanismo de uma área, ela parte de 7 princípios: 1. Circulação de pedestres; 2. Comércio interagindo com pessoas; 3. Bom uso dos espaços públicos; 4. Estacionamentos invisíveis para carros; 5. Edifícios com área de circulação para pedestres; 6. Mais praças e parques, e 7. Ruas com calçadas e ciclovias. “Valorizar o pedestre faz com que ele crie intimidade com o lugar e, consequentemente, torne mais confortável o ambiente”, diz Benjamin Grant, um dos urbanistas que integram a SPUR.

Os conceitos da ONG coincidem com estudos desenvolvidos por um grupo de universidades nos Estados Unidos, na Espanha, em Portugal, no Canadá e na Alemanha, e que passaram a influenciar gestores públicos nestes países. A pesquisa cria parâmetros para a reurbanização de ruas e espaços públicos, levando em conta a quantidade de edifícios no entorno, o mobiliário urbano e o fluxo de pessoas. O levantamento “multiacadêmico” também mede o impacto da reurbanização na qualidade de vida e até a influência na cura de doenças da mente, como a depressão, por exemplo.

Porto Maravilha

Reurbanização, conhecida como Porto Maravilha, transformou área em um dos principais pontos turísticos do Rio
Reurbanização, conhecida como Porto Maravilha, transformou área em um dos principais pontos turísticos do Rio

No Brasil, o melhor exemplo de reurbanização que retirou o carro de circulação para investir no pedestre está no Rio de Janeiro. Reconhecido como principal legado dos jogos olímpicos para a cidade, o Porto Maravilha transformou a região da Praça Mauá e da avenida Rio Branco, no centro do Rio, dando vida a uma área que estava degradada na capital fluminense. A reforma se inspirou em transformações realizadas em Barcelona, na Espanha; na High Line, em Nova York; no Porto Madero, em Buenos Aires, e na região do Rio Cheonggyecheon, em Seul (Coreia do Sul). Obras de grande impacto urbano, elas envolveram alguns bilhões de dólares. O Porto Maravilha custou R$ 8 bilhões.

Para a SPUR, as cidades não precisam, necessariamente, comprometer seus orçamentos para transformar suas ruas. Os projetos econômicos da ONG influenciaram reurbanizações enxutas em várias cidades europeias – entre elas, Lisboa (Portugal) e Copenhague (Dinamarca). Boa parte das obras substituiu áreas de estacionamento por calçadas e boulevards. Há casos em que o poder público sequer desembolsa recursos, pois o próprio comércio local financia a reforma, com o objetivo de atrair mais público. Estima-se que as ruas-calçadas nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa já passem de três mil.

Área de estacionamento em Lisboa foi transformada em ciclovia e boulevard
Área de estacionamento em Lisboa foi transformada em ciclovia e boulevard
Comércio local bancou a reforma em área de Copenhague que era dominada pelos carros
Comércio local bancou a reforma em área de Copenhague que era dominada pelos carros

 

Entrevistado
Benjamin Grant, urbanista da SPUR (San Francisco Bay Area Planning and Urban Research Association [Associação de Pesquisa e Planejamento Urbano de São Francisco]) (via assessoria de imprensa)

Contatos
info@spur.org
www.spur.org

Crédito Fotos: Porto Maravilha, Fernanda Boscaini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis e Archdaily

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

 


Rússia é o país que mais forma engenheiros no mundo

No Brasil, a falta de crescimento sustentável e a evasão escolar fazem com que haja alta defasagem em relação a outras nações

Por: Altair Santos

Dados do Fórum Mundial de Economia, trazidos pela revista Forbes, revelam que o país que mais forma engenheiros atualmente é a Rússia, com 454.436 em 2015. O levantamento abrange todas as formações dentro da engenharia. O segundo com mais profissionais na área é a China, que nos anos 1990 graduava menos que os 42 mil que o Brasil consegue graduar anualmente - segundo dados do CONFEA -, e em 2015 formou 420 mil engenheiros. Os chineses projetam chegar em 2017 com números ainda mais relevantes, e que podem fazê-los superar a Rússia. A meta é 650 mil por ano.

Escola de engenharia na Rússia: país forma dez vezes mais profissionais/ano que o Brasil
Escola de engenharia na Rússia: país forma dez vezes mais profissionais/ano que o Brasil

Até a virada do século, historicamente Estados Unidos e Japão eram os maiores formadores de engenheiros. Agora, esse espaço é ocupado pelos países emergentes. Do grupo conhecido como BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), além de Rússia e China, a Índia também se encontra no top 10 dos países que mais formam engenheiros, ocupando a 5ª colocação. Destaque também para Irã, Coreia do Sul, Indonésia, Ucrânia e México. Segundo o relatório do Fórum Mundial de Economia, o que explica o ranking é o investimento destes países em infraestrutura, o que estimula a formação de engenheiros.

Pela dimensão territorial e pela carência em infraestrutura, o Brasil é considerado um ponto fora da curva na formação de engenheiros - sobretudo, na área de construção civil. Se tivesse um crescimento sustentável, o país atualmente enfrentaria um déficit de 20 mil profissionais por ano. Com a crise econômica, a carência está latente, mas pode vir a atingir patamares ainda mais graves se o Brasil sair da recessão e conseguir crescer mais de 3% ao ano. Neste cenário, o déficit de engenheiros pode ser o dobro dos 20 mil detectados em 2006, no auge do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do programa Minha Casa, Minha Vida.

Prejuízo de R$ 26 bilhões
Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que o país tem atualmente cerca de 600 mil engenheiros no mercado de trabalho. Metade destes especialistas tem formação para a construção civil. O número parece relevante, mas não é. Mesmo com a recessão e o alto índice de desempregados - 12 milhões fora do mercado formal, segundo dados de outubro de 2016 -, significa que de cada 1000 trabalhadores, 6 são engenheiros. Nos Estados Unidos, são quase 25 por 1000. O razoável, segundo a CNI, era que no Brasil já houvesse 15 engenheiros por 1000.

Essa carência não é por falta de vagas nas universidades. O programa pró-Engenharia, lançado pelo governo federal em 2010 e interrompido em 2014, detectou 302 mil vagas nas escolas de engenharia, das quais apenas 120 mil são preenchidas. Entre os alunos que as ocupam, a taxa de evasão é de 55% até o 3º ano. Para o presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Jorge Almeida Guimarães, o pró-Engenharia teria instrumentos para estimular a formação de mais profissionais no Brasil. Para isso, propunha uma revisão curricular nas graduações. Sem praticamente sair do papel, o pró-Engenharia deixou como legado apenas os números sobre a formação de engenheiros no país. Entre eles, que o Brasil perde R$ 26 bilhões por ano por não ter engenheiros suficientes ou por formar mal seus profissionais.

Ranking dos 10 países que mais formam engenheiros*
1. Rússia, 454.436
2. China, 420.387
3. Estados Unidos, 237.826
4. Irã, 233.695
5. Índia, 220.108
6. Japão, 168.214
7. Coreia do Sul, 147.858
8. Indonésia, 140.169
9. Ucrânia, 130.391
10. México, 113.944
*Com base em dados de 2015

Entrevistados
- Fórum Mundial de Economia
- Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior)
- Superintendência Estratégica e de Gestão do CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia)

Contatos
contact@weforum.org
imprensa@capes.gov.br
super.eg@confea.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330