Marrocos inaugura fazenda solar com 1,4 milhão de m²
Com financiamento europeu, país é porta de entrada para transformar África em líder de fornecimento de energia alternativa no mundo
Por: Altair Santos
No sul do Marrocos, onde começa o deserto do Saara, brotou a maior fazenda solar do mundo, com 1,4 milhão de m². Batizada de Noor 1, a área supera o tamanho de 200 campos de futebol juntos. Com insolação durante 330 dias do ano, a construção reúne sete mil espelhos para captar a luz e a transformar em energia. A usina poderá suprir 14% do que é consumido diariamente no Marrocos, com capacidade para gerar 160 MW a cada 7 horas de exposição ao Sol.
O governo marroquino tem a pretensão de, até 2030, abastecer 52% do país com energia solar. Por isso, já estão em construção a Noor 2 e a Noor 3, que devem ficar prontas entre 2018 e 2019. São fazendas solares com capacidade instalada superiores à Noor 1. A fase 2 do projeto vai ocupar área de 680 hectares e poderá gerar 180 MW a cada 7 horas de insolação. Já a etapa 3 ocupará 750 hectares e poderá produzir 200 MW a cada 7 horas de exposição ao Sol.
A tecnologia empregada na planta do complexo Noor é chamada de energia solar concentrada (Concentrating Solar Power), que é mais cara para instalar que os painéis fotovoltaicos amplamente utilizados. Porém, ela permite o armazenamento de energia para o período noturno e para dias nublados. Tubulações de cobre percorrem os espelhos, possibilitando a circulação de água. A 400 °C, a água se transforma em vapor, que movimenta turbinas instaladas no centro da fazenda solar para gerar energia elétrica.
Além disso, cada unidade de espelho conta com baterias cilíndricas de sal concentrado. Quando o sal derrete, por causa do calor, gera uma energia reserva de até três horas, que pode ser utilizada à noite. “Marrocos é pioneiro neste modelo de geração de energia solar”, diz Marie Françoise Marie-Nelly, diretora de tecnologias sustentáveis do Banco Mundial.
Potencial do Saara
A meta do Marrocos é se transformar na maior nação do mundo em produção de energia solar. As três usinas (Noor 1, 2 e 3) terão capacidade instalada para produzir 1.470 GWh por ano. O projeto envolve US$ 9 bilhões e parte dos recursos são financiados pela comunidade europeia. O Reino Unido é o maior interessado e busca fazer o mesmo tipo de investimento em outros países africanos.
O plano é transformar a região do Saara em um grande pólo exportador de energia solar. O deserto tem uma área superior à do Brasil, com 9.065.000 km², e envolve nove países. Além do Marrocos, Argélia, República do Chade, Egito, Líbia, Mali, Mauritânia, Níger, Sudão e Tunísia. “A Europa começa a perceber que a África pode ser seu grande fornecedor de energia num futuro que não está tão distante. Que tal a partir de 2050?”, diz Mustapha Sellam, diretor da Noor 1.
Para Sameh Mobarek, consultor-sênior e gerente de projetos do Banco Mundial, o investimento em fazendas solares na África pode ajudar também a combater a pobreza no continente. “A região onde se encontra o complexo Noor, em Ouarzazate, no Marrocos, conta com uma população de 580 mil pessoas. A taxa de pobreza é de 23%, mas o perfil econômico está mudando. A capacidade de fornecer energia limpa e barata (a US$ 0,18 o quilowatt-hora) já começa a atrair indústrias, principalmente de produção de lâmpadas e equipamentos hospitalares, gerando renda e emprego, além de melhorar a produção agrícola”, afirma.
Entrevistados
- Sameh Mobarek, consultor-sênior e gerente de projetos do Banco Mundial (via assessoria de comunicação)
- Marie Françoise Marie-Nelly , diretora de tecnologias sustentáveis do Banco Mundial (via assessoria de comunicação)
- Mustapha Sellam, diretor da Noor 1 (via assessoria de comunicação)
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masen@contactpresse.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Com gabinete itinerante, CREAs vão onde obra está
Conselhos percorrem estados para levar conhecimento técnico, fiscalizar e estabelecer parcerias com universidades e prefeituras
Por: Altair Santos
O CREA-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro) é um dos poucos no Brasil - junto com os CREAs do Espírito Santo, do Ceará e do Mato Grosso do Sul - a ir onde a obra está. Ao percorrer municípios fluminenses com o gabinete itinerante, o conselho cumpre três tarefas ao mesmo tempo: aproxima-se das coordenações regionais, leva palestras técnicas para engenheiros, agrônomos e outros profissionais que atuam no interior e melhora a fiscalização em canteiros de obras. “Esse tipo de ação ocorre uma vez por mês e mobiliza uma equipe de pelo menos 15 profissionais”, diz Felipe Brasil, assessor de desenvolvimento do interior do CREA-RJ.

Parceria com a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) permite que o gabinete itinerante do CREA-RJ leve palestras técnicas gratuitas, com foco na inovação e na empregabilidade de engenheiros e agrônomos. “O próximo passo é desenvolver um programa de compliance (cumprimento de leis, normas e regulamentos) para construtoras de médio e pequeno porte. Além disso, essa sinergia permite identificar e certificar empresas que estejam atuando em conformidade com o exercício profissional (aquelas que contratam trabalhadores credenciados pelo CREA). Essa é uma inovação que o gabinete itinerante potencializa”, revela Felipe Brasil.
Presidido pelo engenheiro eletricista Reynaldo Barros, o CREA-RJ terá em 2017 um gabinete literalmente itinerante. O conselho está adaptando um veículo para transportar a equipe e servir de escritório nas viagens. O objetivo é dar mais agilidade ao programa criado em 2015. Outra meta para o ano que vem é estreitar parcerias com universidades, entidades profissionais, prefeituras e câmaras municipais. “Assim, nossos inspetores regionais e representantes ganham visibilidade e passam a ter mais influência nas políticas públicas que envolvem a engenharia”, avalia o assessor do CREA-RJ.
Palestras e capacitação
No mês de novembro, em sua mais recente ação, o gabinete itinerante esteve na região norte do estado do Rio de Janeiro. No dia 9, passou por Santo Antônio de Pádua, fazendo a entrega das carteiras profissionais na inspetoria local. Dia 10, o município visitado foi Campos dos Goytacazes, quando foram entregues as portarias de nomeação aos inspetores da região norte. Também houve o seminário “Progredir – Capacitando e desenvolvendo o profissional do futuro”, além das seguintes palestras: “Mercado e Aplicações de Drones e Energia Fotovoltaica e Eólica” e “Autovistoria predial”.
Desde que começou a percorrer o estado, o gabinete itinerante do CREA-RJ já passou por todas as regiões do Rio de Janeiro. A cada deslocamento, podem ser visitadas até 50 empresas, dependendo do tamanho do município. O programa também faz questão de estar em uma universidade da região, para se aproximar dos estudantes dos cursos correlatos com o conselho. O mesmo roteiro é seguido pelos CREAs de outros estados que também possuem gabinetes itinerantes. O do Espírito Santo - o primeiro a ser criado - está um passo à frente e já possui, inclusive, o veículo adaptado para percorrer as cidades capixabas.
Entrevistado
Engenheiro agrônomo Felipe Brasil, assessor de desenvolvimento do interior do CREA-RJ
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Crédito Foto: Divulgação/CREA-ES
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Estudo mostra como empresas estimulam conhecimento
Companhias de 21 setores econômicos, incluindo a construção civil, responderam pesquisa divulgada em outubro de 2016, pela Fundação Dom Cabral
Por: Altair Santos
O estudo “Capacidade de absorção de conhecimento nas empresas brasileiras”, coordenado pela Fundação Dom Cabral (FDC) - e apresentado em outubro de 2016 -, traz radiografia de como as corporações nacionais incentivam e melhoram a capacidade de aprender de seus funcionários. Para isso, foram analisados dados de 245 companhias que se propuseram a participar da pesquisa. A análise envolveu 21 setores econômicos - entre eles, construção civil, bens de consumo, indústria automotiva, transporte, atacado e varejo. O estudo concluiu que boa parte das empresas prefere terceirizar o conhecimento, ou seja, estimular que a busca na área do saber se dê fora de sua estrutura.

Também foi constatado no estudo que são raras as empresas que possuem em seus quadros colaboradores com mestrado ou doutorado, e que tenham publicado trabalhos científicos em revistas especializadas. Por outro lado, a maioria das organizações possui estrutura que colabora para que seus quadros tenham visão integrada de como elas funcionam, mesmo com pouco estímulo à inovação. Como parte deste cenário, 53,06% das companhias disseram investir em programas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), mas apenas 20,82% revelaram buscar parcerias com agentes de conhecimento externo, como as universidades - diferentemente do que ocorre em países de ponta, onde projetos de P&D unem o conhecimento empresarial com o acadêmico.
Sobra vontade, faltam métodos
Outra informação que chama a atenção na pesquisa é que colaboradores com curso superior ainda não são maioria nas empresas nacionais. O quadro de funcionários graduados é de 46,96%, contra quase 53% que não concluíram a universidade ou sequer conseguiram frequentar o universo acadêmico. Também não são maioria as companhias que mantêm investimento contínuo em conhecimento. Para 58,78%, em períodos de crise esse é um setor que acaba sofrendo cortes de recursos. Além disso, as organizações reconhecem que não há um planejamento correto para disseminar o conhecimento entre os colaboradores. Uma das questões levantadas na pesquisa era: nossa organização adota políticas que facilitam transferir o conhecimento entre diversas áreas e setores? Apenas 39,19% responderam que sim.
A pesquisa da Fundação Dom Cabral revela claramente que as empresas vivem contradições entre investir em conhecimento, programas de P&D e parcerias com o universo acadêmico. Ao mesmo tempo em que reconhecem o valor destas ações, não avançam por questões burocráticas internas, oscilações de recursos ou por não ter um departamento específico que materialize esses conceitos e os faça criar raízes na companhia. Principalmente, nas companhias com mais de 500 funcionários, que são maioria entre as que participaram do estudo (59,59%). Realizada pelo Núcleo de Logística, Supply Chain e Infraestrutura da FDC, sob a coordenação do professor Paulo Renato de Sousa, a pesquisa destaca como ponto positivo o interesse da maioria das empresas entrevistadas em andar de mãos dadas com o conhecimento, ainda que faltem métodos adequados.
Clique aqui e confira a íntegra da pesquisa!
Entrevistado
Núcleo de Logística, Supply Chain e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral (via assessoria de imprensa)
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atendimento@fdc.org.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Brasil precisaria investir R$ 682 bi em obras, por ano
Números apresentados no 12º ConstruBusiness envolvem volume total de empreendimentos e estão em recente estudo elaborado pela Fiesp
Por: Altair Santos
Para recuperar as perdas acumuladas entre 2014 e 2016, o Brasil precisaria, a partir de 2017, investir o valor anual de R$ 682,2 bilhões em obras. Esses recursos devem ser contínuos até, pelos menos, 2022. Os dados fazem parte do caderno técnico apresentado no 12º ConstruBusiness, que ocorreu dia 5 de dezembro na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Elaborado pelo Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic), o documento traz uma análise da cadeia produtiva, focando em investimentos para infraestrutura econômica (energia, transportes e telecomunicações) e desenvolvimento urbano (habitação, mobilidade urbana e saneamento). O relatório revela ainda o impacto da crise econômica no setor da construção civil.
Em termos reais, entre 2014 e 2016, o país deixou de investir 20,1% em obras. A queda esperada para este ano é de 5,4%. Em 2015, as construções no país absorveram R$ 626,1 bilhões. Para 2016, estima-se um investimento de R$ 592 bilhões. Segundo Carlos Eduardo Auricchio, diretor do Deconcic , o impacto disso sobre a competitividade do país é enorme. “É preciso retomar obras, para resgatar, principalmente, a geração de empregos”, disse.
Atualmente, a cadeia produtiva da construção civil reúne cerca de 6,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o que representa 13,4% da força de trabalho no país. Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, esses dados mostram o quanto é urgente a retomada dos investimentos em infraestrutura. “Esse é o momento para que façamos, de fato, as reformas tão necessárias para o bem do país, a fim de retomar o crescimento, que é do que o Brasil mais precisa”, destacou, durante sua fala no 12º ConstruBusiness.
Habitação: maior demanda
Dividindo por áreas, o segmento de transportes (rodovias, ferrovias, portos e aeroportos) precisa de investimento anual na ordem de R$ 68 bilhões para viabilizar suas obras. Além disso, são necessários R$ 17,5 bilhões para a expansão do sistema de geração, transmissão e distribuição de eletricidade e R$ 20,6 bilhões para projetos de exploração, produção e distribuição de petróleo e gás. O setor de telecomunicações exigiria R$ 7,7 bilhões. Assim, o total de investimentos necessários em infraestrutura econômica é de R$ 114,1 bilhões por ano, no período de 2017 a 2022.
Na área habitacional, o investimento anual carece de R$ 205,5 bilhões para novas moradias e outros R$ 155,4 bilhões para reformas, ampliações e construção de edificações comerciais. “Para atender as novas famílias, eliminar a precariedade e reduzir a coabitação, será necessária a construção de 8,8 milhões de moradias, cerca de 1,5 milhão por ano, até 2022”, destaca Auricchio.
No campo da mobilidade urbana, o documento da Fiesp apresentado no 12º ConstruBusiness mostra que é preciso injetar R$ 13,4 bilhões anuais para projetos em metrôs e trens, enquanto R$ 13,1 bilhões deveriam ir para saneamento básico. O total de investimentos necessários para a área de desenvolvimento urbano é de R$ 207,2 bilhões por ano, também no período 2017-2020.
Entrevistado
Reportagem com base nos dados apresentados no 12º ConstruBusiness
Contato
deconcic@fiesp.ind.br
Crédito Foto: Divulgação/Fiesp
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Versatilidade faz rampa ganhar espaço em projetos
Equipamento facilita acessibilidade e não se limita mais a espaços urbanos e prédios públicos. Agora, ele substitui escadas em residências
Por: Altair Santos

As rampas não estão mais restritas a prédios públicos, hospitais, shopping centers e estacionamentos. A versatilidade tem feito o equipamento conquistar outros nichos. Entre eles, os projetos residenciais. Entre a nova geração de arquitetos, existe um grupo que enxerga nas rampas não apenas soluções para melhorar a mobilidade, mas a oportunidade de inovar no design. Nos Estados Unidos, esses profissionais passaram a colocá-las no lugar das escadas, para interligar casas com dois pavimentos.
A ideia replicou e chegou ao Brasil, onde o escritório MK27, de Marcio Kogan, concebeu a “Casa Rampa”, em 2015. O projeto foi todo pensado em função da rampa que liga os dois níveis da residência. A novidade, neste caso, é que o equipamento de mobilidade protagonizou o projeto, o que rendeu prêmios internacionais ao escritório. Após a conclusão da obra, Kogan disse ter se inspirado em dois ícones da arquitetura nacional, e mundial: Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas.

Niemeyer, ao projetar os prédios de Brasília, não poupou em rampas. Os equipamentos mais emblemáticos estão no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. Porém, é no interior do edifício onde a Presidência da República despacha que está a rampa que Niemeyer mais admira. Trata-se do equipamento em espiral que liga o hall de entrada do Palácio do Planalto ao segundo pavimento. Já Vilanova Artigas tem nas rampas da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP seu grande momento ao trabalhar com essa solução arquitetônica.
ABNT NBR 9050
Agora, na era da acessibilidade e da mobilidade urbana, as rampas tornaram-se elementos politicamente corretos. Na Dinamarca, um projeto para convencer casais jovens a terem filhos parte do princípio de que “quem casa, quer casa”. Assim, foi criado um programa habitacional que prioriza a venda de unidades para recém-casados, desde que eles se comprometam a ter filhos em um período máximo de cinco anos. Para facilitar a mobilidade com carrinhos de bebês, e oferecer segurança aos futuros moradores, os prédios foram todos concebidos com rampas em vez de escadas.

No Brasil, as rampas têm o amparo técnico da ABNT NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, que foi revisada e entrou em vigor em outubro de 2015. Foi a terceira vez que a norma técnica passou por atualização e, desta vez, ela define que projetos de prédios públicos são obrigados a possuir rampas, além de ressaltar critérios de sinalização e criar parâmetros para intervenções em bens tombados pelo patrimônio histórico.
A ABNT NBR 9050 também criou segurança técnica para que a indústria de pré-fabricados de concreto colocasse a produção de rampas em seu portfólio. Um item que não estava bem explicado nas edições anteriores da norma era o cálculo de inclinação. Isso levou à construção de rampas sem nenhum critério - algumas até oferecendo risco aos pedestres. O novo texto estabelece parâmetros bem abrangentes em relação a esses equipamentos, inclusive influenciando na escolha do revestimento. Agora, existe uma metodologia para construir rampas no Brasil.
Acesse aqui a edição revisada da ABNT NBR 9050!

Entrevistados
- Escritório de arquitetura MK27 (via assessoria de imprensa)
- Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) (via assessoria de imprensa)
Contatos
info@studiomk27.com.br
imprensa@abnt.org.br
Crédito Fotos: Divulgação/MK 27
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Previsão de crescimento sustentável a partir de 2020
Sondagem com setores da cadeia produtiva da construção têm a expectativa de que cenário comece a mudar a partir do 3º trimestre de 2017
Por: Altair Santos
Construtoras, incorporadoras, fabricantes de equipamentos para a construção civil têm opiniões consensuais quando instigados a fazer projeções sobre a recuperação do mercado brasileiro. Para eles, o crescimento sustentável só será atingido em 2020. “Até lá, a recuperação será lenta. Um crescimento consistente só será sentido em 2020”, diz o consultor econômico Brian Nicholson, após coordenar sondagem junto a alguns setores da cadeia produtiva.

A expectativa é de que o viés de alta recomece no terceiro trimestre de 2017. Isso porque, 2016 foi pior que as projeções mais pessimistas. “De acordo com o que foi apurado, 2/3 dos empresários da construção civil já começaram o ano pessimistas. Ao longo dos meses, esse ambiente contaminou a todos. Em março, praticamente 100% já previam números piores para 2016 que as projeções apontavam”, afirma Brian Nicholson, que ancorou sua avaliação em estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), intitulado “Cenários para a indústria brasileira de materiais de construção (2016-2025)”.
Baseado na expectativa de confiança dos empresários do setor, e também nos projetos do país para tornar realidade obras de infraestrutura de que o Brasil carece, a FGV estima que o crescimento sustentável da construção civil será alcançado em 2025. A previsão mais otimista da sondagem feita por Brian Nicholson (de que a estabilidade possa ser alcançada em 2020) se deve ao fato de que alguns segmentos avaliam que o processo para destravar empreendimentos como rodovias, portos, aeroportos e ferrovias - principalmente atraindo investidores estrangeiros - possa se dar até 2018.
Lava Jato
No entender dos que opinaram na sondagem realizada pelo consultor econômico, o ano de 2019 seria de amadurecimento dos projetos, a fim de que eles pudessem ser colocados em prática em 2020. Até lá, a cadeia produtiva da construção civil também espera que a operação Lava Jato tenha sido concluída, para que novos parâmetros de licitações para obras públicas sejam definidos. “Há o entendimento de que a Lava Jato trará mudanças comportamentais para o país, valorizando o compliance (cumprimento de normas legais e disciplinas para os negócios) dentro das empresas e nos contratos com o poder público”, relata Brian Nicholson.
Outro sentimento do setor é de que o ajuste fiscal que o governo federal colocou em andamento, e que deve se estender aos governos estaduais, dê fôlego para que obras paralisadas possam ser retomadas a partir de 2017. Recentemente, Brasília anunciou a reativação de 1.600 empreendimentos, entre 5 mil que dependem exclusivamente de investimentos federais. No entanto, estima-se que existam pelo menos mais 8 mil obras interrompidas no país, e que precisam da contrapartida de estados e municípios. A maioria estaria relacionada com o saneamento básico e poderiam movimentar R$ 300 bilhões. “É um segmento que pode atrair Parcerias Público-Privadas (PPPs) e gerar um ambiente positivo a partir do próximo ano”, projeta Brian Nicholson.
Entrevistado
Economista Brian Nicholson, consultor econômico da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração)
Contato
sobratema@sobratema.prg.br
Crédito Foto: Cia. Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Abramat e Anamaco apostam no Construcard para 2017
Parceria com a Caixa Econômica Federal vai permitir injeção de R$ 7 bilhões no setor da construção civil, podendo gerar mais de 100 mil empregos
Por: Altair Santos
Para Abramat e Anamaco, 2016 foi mais um ano perdido, assim como já havia sido 2015. Começando a fechar o balanço, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover, faz projeção de que a queda de vendas do setor, neste ano, deve fechar em 12%. Na Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), os números também não são nada otimistas. Se em 2015 a queda fechou em 5,8%, para 2016 a expectativa é de 8% negativo. Os dois organismos, no entanto, apostam em nova parceria com a Caixa Econômica Federal – através do Construcard – para alavancar as vendas em 2017.

A ferramenta é uma linha de crédito para o mercado de reforma de imóveis e pequenas construções. “Este setor representa mais de 50% das vendas dos materiais de construção. Além disso, o Construcard trará benefícios complementares, como combate à sonegação fiscal, melhor controle na conformidade técnica dos materiais de construção e geração de empregos. Esta parceria também gera um elemento de confiança no setor, neste momento de estresse da economia brasileira”, ressalta Walter Cover, complementado por Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco. “Para cada R$ 1 bilhão que for investido pelo Construcard serão gerados 15 mil empregos diretos na cadeia produtiva da construção civil”, cita, calculando a abertura de 105 mil vagas.
A nova linha de crédito aberta pela Caixa Econômica Federal para o Construcard é de R$ 7 bilhões. “Já existem 400 mil clientes pré-cadastrados no programa e cada um reivindica um empréstimo mínimo de R$ 30 mil, podendo parcelar em até 240 vezes. Mas para o lojista, a vantagem é que o dinheiro é creditado como compra à vista e o Construcard libera esses recursos em até 48 horas”, explica o presidente da Caixa, Gilberto Occhi. A expectativa é de que, das 140 mil lojas de material de construção que operam no país, 100 mil possam aderir ao Construcard. A nova linha de crédito entrou em operação no dia 24 de novembro de 2016. “Como disse, é uma dose de confiança grande para o setor”, reafirma Walter Cover.
Pequenos construtores
No lançamento do programa, Gilberto Occhi deixou claro que a Caixa Econômica Federal pode alavancar a linha de crédito, liberando mais recursos, desde que haja demanda. Abramat e Anamaco também apresentaram uma proposta ao governo federal para que possa reformar os mais de 700 mil prédios públicos espalhados pelo país - segundo levantamento do ministério das Cidades -, a fim de torná-los sustentáveis, sob o ponto de vista do uso racional de água e energia elétrica. “O retorno deste investimento, em termos de economia de consumo de água e de energia, se dá em menos de um ano. Então, sugerimos que a Caixa dê um Construcard para o governo também poder viabilizar essas reformas”, diz Cláudio Conz.
A expectativa dos dois representantes de setores da construção civil (Abramat e Anamaco) é de que os grandes beneficiados pelo Construcard possam ser as pequenas construtoras. Este segmento sofreu uma queda grande de produtividade, a partir do momento em que o programa Minha Casa, Minha Vida reduziu sensivelmente os investimentos. “O importante é que estamos construindo uma agenda positiva para 2017”, destaca Conz. De acordo com estudo da Abramat e da Anamaco, sete obstáculos têm afetado o crescimento da construção civil no país. São eles: juros altos, custos empresariais elevados, endividamento das famílias, baixo investimento governamental, desemprego, queda na renda do assalariado e consumidor receoso. “Precisamos superar essas barreiras”, finaliza Walter Cover.
Entrevistados
Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat)
Cláudio Elias Conz, Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco)
Gilberto Occhi, presidente da caixa Econômica Federal
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Crédito Foto: Ana Nascimento/CEF
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Queda de 45% na venda de equipamentos é histórica
Dados da Sobratema mostram que projeções para 2017 estimam retomada de crescimento do setor de máquinas para a construção civil
Por: Altair Santos
O segmento de equipamentos para a construção civil é considerado um dos melhores parâmetros para o setor medir as tendências de crescimento ou de queda no volume de obras em todo o Brasil. A venda de máquinas sinaliza não apenas que existem construções em andamento, mas que há viabilidade econômica para que outros projetos saiam do papel. No entanto, se as vendas caem, o sinal é de retração no mercado. Foi isso o que aconteceu em 2016, com uma queda histórica de 45% no comércio de equipamentos para a construção. “Os números demonstram que houve uma desconstrução da economia brasileira de 2014 para cá”, afirma o presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), Afonso Mamede.

A retração de 45,1% registrada em 2016 é em comparação a 2015, que também não foi um período bom. No ano passado, foram comercializadas 26,2 mil unidades. Neste ano, estima-se que sejam vendidas 14,4 mil, considerando que o mês de dezembro tradicionalmente é o mais fraco para o fechamento de negócios no setor de máquinas para a construção civil. “Podemos dizer que, desta vez, nem a linha amarela (equipamentos para movimentação de terra) escapou. Em 2014, foram vendidas 30 mil máquinas; em 2015, 12 mil, e, neste ano, não chegaremos a 8 mil unidades”, diz Afonso Mamede. A linha amarela vai fechar 2016 com retração de 36,5% em relação a 2015. Outro número que demonstra o tamanho da crise está no mercado de locação de equipamentos, onde 2/3 do maquinário ficou parado neste ano.
Betoneiras
Entre as máquinas usadas na construção civil, as escavadeiras hidráulicas foram as que tiveram a menor queda nas vendas (21,4%), seguidas de tratores de esteira (24,2%). Já a maior queda foi registrada na venda de rolos compactadores (68,7%). Também teve queda acentuada o comércio de gruas, guindastes, compressores portáteis, plataformas aéreas, manipuladores telescópicos e tratores de pneus, cuja retração chegou a 63% em relação a 2015. Já o segmento de caminhões rodoviários, que inclui betoneiras, centrais de concreto e caminhões para lançamento de concreto teve queda de 51,5% nas vendas. Os números são do estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de equipamentos da Construção, divulgado no começo de novembro, em São Paulo-SP.
Para 2017, o mesmo estudo prevê crescimento lento, que pode variar entre 7% e 10%. “Esses percentuais não minimizam as perdas acumuladas pelo setor, e que vêm desde 2011, mas sinalizam para uma retomada que pode se consolidar ou não, dependendo das ações governamentais, principalmente no que se refere às obras de infraestrutura. Há inúmeros empreendimentos parados, e por fazer. O Brasil carece de estradas, ferrovias, portos e aeroportos. Já é consenso de que essas obras precisam ser viabilizadas. Se o país conseguir destravá-las, seguramente o segmento de equipamentos para a construção civil voltará a crescer”, avalia Afonso Mamede. Segundo o dirigente, o sucesso do setor está diretamente relacionado com as obras públicas, o que explica a forte retração em 2016.
Entrevistado
Engenheiro civil Afonso Mamede, presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção)
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sobratema@sobratema.org.br
Crédito Foto: Cia. Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
“Fator Trump” pode fazer Brasil retomar crescimento
Expectativa é de que ações do presidente eleito dos EUA direcionem investimentos chineses ao país, além de estimular alta nas commodities
Por: Altair Santos
Para 2017, o setor da construção civil no Brasil passa a conviver com mais uma variável que pode influenciar em seu crescimento. Trata-se do “fator Trump”. A vitória do candidato republicano nas eleições dos Estados Unidos é vista como uma incógnita no curto prazo, mas, no médio e no longo prazo, analistas entendem que ela pode ser benéfica. Uma das projeções é que Donald Trump endureça as regras para a China. Neste caso, entende Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), o capital chinês pode vir a procurar o Brasil. “Se os Estados Unidos fecharem portas para a China pode ser favorável ao Brasil, já que o país poderá atrair parte destes investimentos chineses, ainda que a economia brasileira represente apenas 1,5% do PIB mundial”, analisa.
Outra possibilidade é que Trump torne a economia dos Estados Unidos mais aberta às commodities brasileiras. Tradicionalmente, o partido Republicano, quando está no poder, desenvolve um livre comércio mais forte com o Brasil, principalmente na compra de produtos agrícolas. “Acho que as commodities brasileiras podem ganhar mercado nos EUA, o que, indiretamente, é bom para a cadeia produtiva da construção civil, já que o agronegócio tem sido um dos setores que mais investe em obras no país”, complementa Mário Humberto Marques, também vice-presidente da Sobratema. Para o dirigente, Donald Trump promoverá um “freio de arrumação” na economia mundial. “Acho que, desde que ele não cause conflitos internacionais e nem guerras, pode, sim, ser positivo para estimular a economia brasileira e, consequentemente, a construção civil do país”, diz Mário Humberto Marques.
Regras claras
No entanto, o “Fator Trump” terá menor influência na retomada do crescimento da construção civil do que a necessidade do país rever suas próprias regras para atrair investimentos e reativar obras de infraestrutura. “O Brasil usou recursos públicos sem critérios para estimular o crescimento e acabou exaurindo o BNDES. O que o país precisa agora é criar regras adequadas para resolver esses problemas em sua infraestrutura, mas sem artificialismos. São necessários bons projetos e segurança jurídica para atrair investimentos. Quanto menos governo, melhor. O papel do Estado deve ser regular e fiscalizar, e não o de tocar obra”, afirma Mário Humberto Marques. O dirigente da Sobratema avalia que, a partir do momento em que o país fizer essas correções de rota, o capital estrangeiro estará disposto a investir no Brasil. “Eles procuram bons negócios, mas também segurança para seus investimentos”, completa.
A expectativa do setor é de que no primeiro trimestre de 2017 possam ser divulgadas novas licitações para obras, como a ferrovia Transnordestina. Lançado em 2006, o empreendimento deveria ter 1.752 quilômetros, ligando Eliseu Martins, no Piauí, aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. No entanto, apenas 600 quilômetros de ferrovia foram concluídos. Aguarda-se também, para o início do próximo ano, as privatizações dos aeroportos de Salvador-BA, Florianópolis-SC, Fortaleza-CE e Porto Alegre-RS. “Se essas obras atraírem capital estrangeiro será o sinal de que começamos a fazer a lição de casa para voltar a crescer. Daí, tomara que o ‘fator Trump’ também ajude”, diz Eurimilson Daniel.
Entrevistados
Eurimilson Daniel e Mário Humberto Marques, vice-presidentes da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Escaneamento a laser 3D recupera obras com precisão
Tecnologia tem sido usada no restauro de construções icônicas e para resgatar a documentação detalhada da obra, conhecida como as built
Por: Altair Santos
Equipamentos de scanner fabricados exclusivamente para a construção civil têm revolucionado o retrofit de edificações e prédios históricos. O escaneamento permite fazer um diagnóstico preciso das condições das estruturas e, sobretudo, detectar o grau de patologias no concreto. Além disso, possibilita uma documentação detalhada da obra - o as built.

Antes da tecnologia laser scanning, que no caso das obras de construção civil atua em parceria com a metodologia BIM, o processo de as built tradicionalmente era manual e, em muitos casos, impreciso. Graças à união destas duas tecnologias, é possível recuperar a forma original dos edifícios, e em um plano 3D.
O diagnóstico torna-se mais preciso se a obra a ser recuperada tiver um as built completo. Essa documentação pode ser feita ao longo de todas as etapas da construção - o que é o ideal -, ao final da execução, para documentar a versão final do que foi construído, incorporando as mudanças ao projeto original, ou posteriormente, em situações onde inexiste documento.
É para estes casos que o escaneamento a laser 3D torna-se imprescindível. No Brasil, a tecnologia está sendo empregada principalmente no restauro arquitetônico de obras icônicas, como a Casa de Vidro, construída nos anos 1950 e projetada pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi. Localizada no bairro Morumbi, na cidade de São Paulo, a construção passa por um processo de retrofit coordenada por uma equipe de arquitetos da Universidade de Ferrara, na Itália.

A mesma tecnologia deverá ser empregada na restauração do MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), também na cidade de São Paulo. A tarefa do escaneamento a laser 3D será mapear a estrutura do prédio, que também tem seu projeto arquitetônico assinado por Lina Bo Bardi, e que é considerado um marco da arquitetura brutalista.
O processo de escaneamento em obras se assemelha ao da tomografia do corpo humano. O retrato tridimensional capta variações de temperatura, pontos de umidade e graus de rugosidade de lajes e pilares dos prédios, gerando tons de cores para cada caso. A precisão, segundo o arquiteto Marcello Balzani, da equipe de restauro da Universidade de Ferrara, é cirúrgica.
Tecnologia para explorar Marte
A tecnologia laser scanning foi desenvolvida pela canadense Optech - companhia especializada na produção de equipamentos para a NASA. O primeiro aparelho foi instalado no sistema embarcado da sonda não-tripulada Phoenix, que pousou em Marte em 2008. A princípio, o objetivo era rastrear terrenos. Em seguida, o escaneamento foi adaptado para realizar levantamentos topográficos. Daí, para o uso na construção civil, foi uma questão de tempo.
O aperfeiçoamento da tecnologia não para. O próximo passo da aplicação do escaneamento a laser na construção civil é vinculá-lo à impressão 3D. A intenção é conseguir reproduzir peças de reposição para restaurar estruturas, fachadas e até elementos de acabamento. A Itália, por causa da rotina de restauros em construções seculares que existem no país, e que devem ser preservadas por lei, é um dos países que lidera esse tipo de pesquisa.
Entrevistado
Arquiteto Marcello Balzani, da equipe de restauro da Universitá degli Studi di Ferrara (Universidade de Ferrara)
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Crédito Fotos: Divulgação








