Olimpíadas dá ao Rio maior túnel urbano do país

Sobre a estrutura do túnel ocorreu a revitalização urbana da região portuária da cidade do Rio de Janeiro

Olimpíadas dá ao Rio maior túnel urbano do país

Olimpíadas dá ao Rio maior túnel urbano do país 920 612 Cimento Itambé

Via subterrânea com 3.022 metros emprega tecnologias inéditas no Brasil e substitui antigo elevado da Perimetral na área do Porto Maravilha

Por: Altair Santos

Com 3.022 metros de extensão, o túnel Marcello Allencar ganha o título de maior subterrâneo urbano do Brasil. O empreendimento faz parte do rol de projetos que nasceram com a escolha da cidade do Rio de Janeiro como sede dos jogos olímpicos. O canteiro de obras foi instalado em 2012, e faz parte do complexo Porto Maravilha. A função do túnel é substituir o antigo elevado da Perimetral, perto da região portuária do Rio. Sua construção empregou tecnologias inéditas no Brasil, como o uso de fôrmas metálicas móveis em formato de arco, que permitiram revestir e moldar o concreto aplicado nas paredes do túnel.

Fôrmas metálicas móveis em formato de arco permitem moldar o concreto nas paredes do túnel

Fôrmas metálicas móveis em formato de arco permitem moldar o concreto nas paredes do túnel

Confeccionadas sob medida para a geometria do subterrâneo, quatro fôrmas deslizantes possibilitaram a acomodação do concreto, melhorando a produtividade e garantindo um acabamento sem irregularidades. De acordo com o gerente de serviços e obras da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), João Carlos Zimpel, a tecnologia é indicada para escavações abaixo do nível do mar, como é o caso do túnel Marcello Alencar. “As fôrmas ajudaram a aplicar uma manta de PVC sobre o concreto, impermeabilizando as paredes escavadas”, explica o engenheiro civil.

Outra inovação usada na obra foi a substituição das tradicionais malhas de aço por fibras plásticas para estruturar o concreto. Isso, segundo João Carlos Zimpel, acelera o processo de cura e eleva a resistência do material. “Com as fibras plásticas e o sistema de aquecimento das fôrmas, foi possível controlar o processo de cura do concreto e fazer a desfôrma depois de 12 horas”, afirma. Em formato de pórtico, cada fôrma tem 7,5 metros de largura e seu deslocamento se dá por meio de trilhos. Os equipamentos começaram a ser montados em agosto de 2015 e foram utilizados até abril de 2016. Neste período, foram utilizados quase 18 mil m³ de concreto.

Após o revestimento com concreto, o túnel recebeu uma manta de PVC para impermeabilização

Após o revestimento com concreto, o túnel recebeu uma manta de PVC para impermeabilização

Transformação urbana

O túnel Marcello Allencar será inaugurado em junho de 2016. Em seu trecho mais profundo, as escavações chegaram a 46 metros. Por isso, o pavimento para o tráfego de veículos também é em concreto. Para Alberto Silva, presidente da Cdurp, a opção pelo material, tanto para revestir quanto para servir como pavimento, oferece duas vantagens à obra. “O empreendimento vai precisar de pouca manutenção, por causa da maior durabilidade do concreto, e a visibilidade para quem trafega por ele será melhor, pois as paredes brancas refletem bem a iluminação de LED ao longo do trecho”, explica.

Construído pelo consórcio Porto Novo, que engloba as construtoras Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia, o túnel Marcello Alencar foi viabilizado pelo regime de PPP (Parceria Público-Privado). Suas vias, com três pistas cada uma, interligarão Aterro do Flamengo, Avenida Brasil e Ponte Rio-Niterói. Sobre a estrutura do subterrâneo foi construído um passeio público com 3,5 quilômetros de extensão e 287 mil m² de espaço de convivência, indo do Armazém 8 do Cais do Porto até a Praça da Misericórdia. Arborizada, a área histórica será voltada à circulação de pedestres e ciclistas e cortada pelo Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT).

Veja vídeos sobre a construção do túnel Marcello Alencar

Sobre a estrutura do túnel ocorreu a revitalização urbana da região portuária da cidade do Rio de Janeiro

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Entrevistados
Engenheiros civis Alberto Silva e João Carlos Zimpel, respectivamente presidente e gerente de serviços e obras da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp)
Contato: cdurp@cdurp.com.br

Créditos Fotos: Bruno Bartholini/Prefeitura do Rio/Divulgação/Consórcio Porto Novo

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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