Megaprojetos que vão desafiar a engenharia até 2030
Canal da Nicarágua, cidade de Songdo, Khazar islands e ITER. Além de milhões de m³ de concreto, obras envolvem bilhões de dólares
Por: Altair Santos

O que vem pela frente em termos de megaobras? Alguns projetos já começam a ser viabilizados e podem se transformar em ícones da engenharia até 2030. Entre eles, o Grande Canal da Nicarágua, com o propósito de concorrer com o centenário Canal do Panamá. O empreendimento era para ter começado em 2014, com financiamento da China, mas houve um recuo, por causa do impacto ambiental. Até agora, foi instituída apenas a empresa que fará a gestão da obra: a HKND Group (Hong Kong Nicaragua Canal Development).
Os números previstos para o Grande Canal da Nicarágua são superlativos. O orçamento estimado é de US$ 50 bilhões - 4 vezes mais que o PIB do país. Entre empregos diretos e indiretos, deve gerar 200 mil vagas, dos quais 50 mil dentro do canteiro. O cronograma estima a construção em 10 anos. A obra terá 278 quilômetros de extensão (quase 4 vezes mais que o Canal do Panamá) e movimentará também a economia da Costa Rica, pois uma fábrica de cimento será instalada no país exclusivamente para fornecer material ao canal. Estima-se consumo anual de 1,1 milhão de toneladas de cimento.

Outra megaobra desafiadora está na Coreia do Sul. É a cidade inteligente de Songdo, que começou a ser construída em 2004 e só deve estar 100% concluída em 2025. O empreendimento ocupará área de 9,3 km² - 2/3 localizados sobre um aterro no Mar Amarelo. O projeto está orçado em US$ 35 bilhões. Songdo quer ser “um laboratório vivo para a construção verde”, como diz Stan Gale, CEO da obra. A cidade terá 45 mil habitantes, 22 milhões de m² de edificações com certificações LEED e sistemas inovadores. Entre eles, reúso de 40% da água e reciclagem de 76% dos resíduos, além de controle inteligente do tráfego de veículos e 100% de cobertura wireless.
Prédio mais alto do mundo e “mini Sol”
Se comparada à Khazar Islands, Songdo é um projeto modesto. A proposta de construir um arquipélago artificial no Azerbaijão nasceu em 2010. Com investimento de US$ 100 bilhões, terá 41 ilhas conectadas por 150 pontes e vai abrigar aeroporto, prédios residenciais, comerciais, shopping centers, hospitais, hotéis, escolas, universidades e outros serviços que possam atender um milhão de habitantes. Construída no Mar Cáspio, Khazar Islands ocupará área equivalente a 3 mil hectares. No centro do arquipélago estará o prédio mais alto do mundo: o Azerbaijan Tower, com 1.050 metros de altura e 189 pavimentos. A megaobra já está em construção e o cronograma prevê que seja concluída em 2030. Atualmente, 1/3 da produção anual de cimento do Azerbaijão, que em 2015 foi de 1,62 milhão de toneladas, é destinada para a Khazar Islands.

Mais econômico em termos de consumo de concreto – serão 250 mil m³ até o final da obra, em 2030 – o ITER é igualmente um megaprojeto. Com o canteiro instalado a 70 quilômetros de Marselha, na França, o empreendimento científico pretende recriar, para fins industriais, uma usina de fornecimento inesgotável de energia. O ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor) busca gerar energia baseada nos mesmos conceitos do sol, ou seja, através da fusão nuclear do hidrogênio a 100 milhões de graus Celsius. O objetivo é que o “mini Sol” gere 500 MW de energia superlimpa por dia. O desafio da obra passa pelas especificações do concreto. A parede do fosso onde ficará o reator (batizado de tokamak) terá 1,5 metro de espessura e a resistência à compressão deve ser de 3 mil toneladas por metro quadrado. Por isso, o concreto deverá atingir pelo menos 250 MPa. Até que o ITER fique pronto, terá consumido 18 bilhões de euros. O projeto conta com investimento de 35 países. Por ter a maior reserva mundial de Nióbio, o Brasil foi convidado, mas não aceitou.
Entrevistados
- HKND Group (Hong Kong Nicaragua Canal Development) (via assessoria de imprensa)
- Songdo IBD (via assessoria de imprensa)
- Avesta Concern (via assessoria de imprensa)
- Departamento de comunicação do ITER
Contatos
contractor_admin@nicaraguacanal.com
mldinardo@tkprpublic.com
office@avestaconcern.com
itercommunications@iter.org
Crédito Fotos: nicaraguacanal.com/ Songdo IBD/ Avesta Concern/ ITER
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Rodoviárias também têm arquiteturas surpreendentes
Conceitos inovadores, agregados a projetos que não abrem mão da versatilidade do concreto, revitalizam terminais de ônibus em vários países
Por: Altair Santos

Não são apenas os terminais aéreos que ganham projetos ousados de arquitetura. A valorização da mobilidade urbana passou a atrair também conceitos inovadores para rodoviárias e terminais de ônibus. Em concreto ou estruturas mistas, as edificações para embarque e desembarque de passageiros agora se destacam no ambiente urbano, principalmente em países europeus. Portugal, Alemanha e Turquia saem na frente neste quesito.
Na pequenina Rio Maior, a 80 quilômetros de Lisboa, a prefeitura local encomendou o projeto do terminal rodoviário para que fosse um marco a quem visita a cidade portuguesa. Resultado: o prédio com estrutura única de concreto branco, e amplas janelas, tornou-se uma das edificações mais premiadas do país na década passada. A obra é de 2005. Além da arquitetura arrojada, a edificação surpreende também pela funcionalidade. Com dois pavimentos, atende o setor de passagens na parte superior e o embarque e desembarque no térreo.

Outra rodoviária premiada em Portugal foi construída na também pequenina Mogadouro, no norte do país, a 470 quilômetros de Lisboa. O projeto é das arquitetas Fátima Fernandes e Michele Cannatà e explora as estruturas pré-moldadas. A planta lembra um bunker, que se mistura à paisagem urbana através de uma praça. O setor de serviços, embarque e desembarque fica em uma área subterrânea. “A busca foi pela dinâmica do espaço público, unindo a estação a uma praça”, explicam as arquitetas.
Seja em Trujillo, distrito de Cáceres, na Espanha, ou em Nevsehir, na Turquia, o concreto é elemento predominante nas rodoviárias europeias que se destacam pela arquitetura. Em Trujillo, o projeto propunha praticidade e pouco requinte. A região é eminentemente agrícola e o concreto armado aparente foi o material escolhido para se adequar ao ambiente. O mesmo ocorreu em Nevsehir, mas por outro motivo: o concreto com elementos vazados nas paredes, e o vidro, permitem a ventilação da rodoviária, localizada em uma das regiões mais quentes da Turquia.
Também em território turco, a rodoviária de Kayseri complementa o rol de terminais com arquitetura exuberante. O projeto, neste caso, contempla estruturas mistas de concreto e aço, combinadas com o vidro. O mesmo conceito inspirou o escritório Studio Twenty Seven Architecture para projetar o novo terminal de ônibus interestaduais de Washington, nos Estados Unidos. Concreto, aço e vidro ganharam mais um componente arquitetônico: a madeira.

Brasil
No Brasil, há terminais novos chamando a atenção pelo design, como o da Água Branca, na cidade de São Paulo, o qual explora vários elementos arquitetônicos sem deixar de priorizar o concreto. Mas nada se compara aos projetos que Vilanova Artigas fez para as rodoviárias de Jaú-SP e o antigo terminal de Londrina-PR – cidade que depois substituiu a edificação por uma mais moderna, desenhada por Oscar Niemeyer. Há ícones também em Fortaleza-CE, projetado por um dos principais nomes da arquitetura do nordeste: Marrocos Aragão. Em comum, todos eles exploram o concreto armado aparente.
Boa parte das exuberantes rodoviárias brasileiras foi construída entre a metade dos anos 1960 e a década de 1970. Neste portfólio, também dá para incluir a obra de Ribeirão Preto, projetada por Oswaldo Bratke (1907-1997) junto com seu filho, Carlos Bratke, que morreu no começo de janeiro de 2017. A estação de Ribeirão Preto é considerada um clássico da arquitetura, pois foi a primeira rodoviária do país a usar concreto armado em 100% de seu projeto.
Entrevistados*
Núcleo de Arquitetura
Bahadir Kul Architects
Studio Twenty Seven Architecture
Ismo Arquitectura
Canattà & Fernandes
Domitianus Arquitecto
Fundação Vilanova Artigas
Carlos Bratke Arquitetos
*Via assessorias de imprensa
Contatos
nucleo@nucleoarquitetura.com.br
media@bahadirkul.com
info@studio27arch.com
info@ismoarquitectura.es
cf@cannatafernandes.com
arquitectura@domitianus.com
centenarioartigas@gmail.com
cbratke@uol.com.br
Crédito Fotos: FG+SG/ Luis Ferreira Alves/ Ket Kolektif/ Fernando Alda/ Anice Hoachlander/ FAU-Mackenzie/ Ana Carolina Gleria Lima
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Norma de Desempenho fecha o cerco às construtoras
Novo regimento do SiAC estabelece como prioridade o enquadramento das construtoras aos requisitos da ABNT NBR 15575, e ao seu cumprimento
Por: Altair Santos
O ano de 2017 começou com a entrada em vigor do novo regimento do SiAC (Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil) do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat). As mudanças ocorreram em 9 de janeiro, e passam a vigorar no prazo de 6 meses, respeitando o período de transição, ou seja, serão exigidas a partir de 9 de julho. Na prática, obrigam incorporadoras e construtoras a adequarem seus projetos à Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575).

Antes, o SiNAT se limitava a fazer avaliação por desempenho apenas de produtos e sistemas inovadores. Agora, os sistemas convencionais de construção também passarão por análise. Segundo o arquiteto Marcos Galindo, presidente da Comissão Nacional do SiAC e membro da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Comat/CBIC), o novo regimento do SiAC busca repercutir a Norma de Desempenho em seus requisitos, para contribuir com os sistemas de gestão da qualidade das empresas.
O novo regimento abrange também as construtoras que atuam no Minha Casa Minha Vida. De acordo com Marcos Galindo, para as empresas que praticam a gestão da qualidade no seu dia a dia, a tendência é que seus procedimentos sejam ajustados de forma natural às novas determinações do SiAC. Já para quem ainda não se adequou à Norma de Desempenho, não há como adiar. Confira a entrevista do presidente da Comissão Nacional do SiAC:
Com o novo regimento do Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil (SiAC), daria para dizer que a Norma de Desempenho fecha o cerco às construtoras?
O objetivo do SiAC é avaliar a conformidade dos sistemas de gestão da qualidade de empresas do setor de serviços e obras que atuam na construção civil, através de um processo de certificação conduzido por Organismo de Avaliação da Conformidade – OAC – acreditado pelo INMETRO. O novo regimento do SiAC buscou repercutir a Norma de Desempenho em seus requisitos, visando contribuir para a adequação dos sistemas de gestão da qualidade das empresas às demandas da ABNT NBR 15575. Para as empresas que praticam a gestão da qualidade no seu dia a dia, a tendência é que seus procedimentos sejam ajustados de forma natural, organizando os processos que possibilitarão o atendimento da Norma de Desempenho.
A Norma de Desempenho vai completar quatro anos em julho. Ela ainda enfrenta resistência das construtoras?
O setor da construção participou de forma muito ampla e colaborativa durante a elaboração da atual Norma de Desempenho, publicada em fevereiro de 2013. Portanto, não existe essa questão de resistência das construtoras. O que existe é o imenso desafio de transformar a construção habitacional brasileira, para incluir a dimensão desempenho na qualidade da obra construída. Esse desafio envolve incorporadores, órgãos responsáveis por empreendimentos habitacionais, agentes financeiros, projetistas, fabricantes e fornecedores de produtos e sistemas, prestadores de serviços, construtores e usuários. Não é mais suficiente construir de acordo com as normas prescritivas. Não basta utilizar materiais compatíveis com suas normas de fabricação e executar os serviços de acordo com os procedimentos previstos nas respectivas normas ou boas práticas. Agora, é tudo isso mais o atendimento aos requisitos e critérios estabelecidos na Norma de Desempenho. É uma mudança estrutural no ciclo de realização de um empreendimento habitacional, que atinge a definição dos atributos do empreendimento pelo seu responsável, a elaboração dos projetos e especificações de acordo com as normas e requisitos aplicáveis, o planejamento e a construção da obra rigorosamente de acordo com aqueles projetos e especificações, a correta entrega do empreendimento e, na sequência, a manutenção adequada da edificação pelos usuários.
As mudanças no SiAC abrangem também o Minha Casa Minha Vida?
As construtoras que atuam nos programas de habitação de interesse social vinculados ao ministério das Cidades devem ser certificadas pelo SiAC, ou no nível A ou no nível B. Respeitadas as disposições transitórias, não é mais possível atuar nestes programas mediante uma simples Declaração de Adesão.
O novo regimento não pode encarecer as obras e, consequentemente, o preço das unidades?
O novo regimento do SiAC não criou procedimentos que encarecem as obras. O SiAC trata dos aspectos de gestão dos processos e certificação. No caso das edificações habitacionais, por exemplo, as novas demandas decorrem da Norma de Desempenho e foram incluídas no regimento para esclarecer à empresa construtora os pontos‐chaves para adequação dos seus processos.
As mudanças no SiAC impactam também no SINAT? De que forma?
Há um alinhamento entre o SiAC e o SiNAT (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas de Produtos Inovadores e Sistemas Convencionais), mas não existe um impacto do SiAC sobre o SiNAT. Existe, sim, uma sinergia em sentido contrário. As empresas podem se valer de sistemas inovadores ou convencionais validados pelo SiNAT para comprovar o atendimento de requisitos de desempenho.
Antes, a avaliação por desempenho era apenas para produtos e sistemas inovadores. Agora, os sistemas convencionais de construção também passarão por auditoria?
O SiNAT passou a incluir a avaliação de sistemas convencionais com o objetivo de avaliar aqueles sistemas cujos desempenhos já foram testados e que podem ser utilizados em projetos e obras habitacionais, sem necessidade de comprovações adicionais de atendimento à Norma de Desempenho, desde que sejam executados rigorosamente conforme previsto. O regimento do SiAC prevê que “no caso de utilização de sistemas convencionais em edificações habitacionais, o fornecedor deverá comprovar atendimento à Ficha de Avaliação de Desempenho ‐ FAD - existente no Catálogo de Desempenho de Sistemas Convencionais do SiNAT do PBQP‐H ou deverá comprovar o atendimento do sistema convencional à ABNT NBR 15575 por meio de relatórios de ensaios e avaliações técnicas”.
Essas novidades podem tornar mais difícil o acesso das construtoras aos financiamentos da Caixa Econômica Federal para viabilizar projetos habitacionais?
O processo de certificação do SiAC é essencialmente o mesmo. Os ajustes feitos no novo regimento objetivaram essencialmente apoiar as empresas no atendimento à Norma de Desempenho e promover melhorias operacionais no funcionamento do SiAC. Não há impacto quanto ao acesso das construtoras aos financiamentos da Caixa Econômica Federal para viabilizar projetos habitacionais.
As ITAs (Instituições Técnicas Avaliadoras) terão que se adequar às mudanças?
Os parâmetros para o funcionamento das ITAs estão definidos no regimento do SiNAT.
Quando essas mudanças vão entrar em vigor?
O novo regimento do SiAC entrou em vigor no dia 9 de janeiro de 2017. Há um período de transição de 180 dias, cujos detalhes devem ser consultados no próprio regimento, que está disponível na página do SiAC, no site do PBQP‐H.
Sistemas industrializados de construção tendem a ganhar espaço em projetos habitacionais com essas mudanças?
Como uma tendência geral, sim. Mas não em função do novo regimento do SiAC.
Confira aqui o novo regimento do SiAC.
Entrevistado
Arquiteto Marcos Galindo, presidente da Comissão Nacional do SiAC e membro da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Comat/CBIC)
Contato
galindo.lopes@gmail.com
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
BIM torna-se aliado no combate à corrupção em obras
Projetos governamentais concebidos sobre a plataforma tecnológica ganham em produtividade e em economia no custo real da execução
Por: Altair Santos
O Brasil vive um processo inverso do que se observa em boa parte dos países sul-americanos, e também na América do Norte, na Europa e na Ásia. Em outras nações, o governo está à frente de programas que estimulam a criação de projetos através do BIM (Modelagem da Informação da Construção). Um exemplo é o Chile. “No Chile, o fenômeno é o contrário do que acontece no Brasil. Lá existe uma força muito grande para implementar o BIM, pois o governo e a Câmara Chilena da Construção estão articulados. Diferentemente do Brasil, em que as construtoras estão usando bastante a plataforma e o governo está começando agora a se mobilizar”, diz Paulo Sanchez, líder do projeto BIM, da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (COMAT/CBIC).

Por enquanto, houve apenas tentativas do governo brasileiro de exigir a plataforma tecnológica nos projetos que se candidatam a obras públicas. Em 2013, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) chegou a esboçar pedir projetos em BIM em suas licitações, mas não foi adiante. Depois, somente em 2016, quando o país já estava no epicentro das denúncias levantadas pela operação Lava Jato, é que surgiram novos movimentos. Em agosto do ano passado, por exemplo, o ministério do Planejamento promoveu pela primeira vez um seminário para tratar do assunto - o Seminário BIM para Obras Públicas. O evento foi concluído com o reconhecimento de que o Brasil está atrasado na adoção da tecnologia. “É inegável o papel dos governos na indução do processo de desenvolvimento e aplicação da tecnologia BIM em obras públicas, conforme demonstrado pela experiência internacional”, disse documento elaborado pelo ministério.
Quem está na nossa frente?
Apenas para comparação, os Estados Unidos, desde 2007, por meio do General Services Administration, incorporaram totalmente a tecnologia BIM na gestão de todos os prédios federais. Na Inglaterra, o governo reconheceu o papel crucial da tecnologia, estabelecendo a obrigatoriedade de elaboração de todos os projetos públicos em metodologia BIM a partir de 2016. Na Finlândia, o Senates Properties (organização governamental responsável pela gestão de bens de propriedade do Estado) exige a utilização do BIM em seus projetos desde outubro de 2007. Na Noruega, há obrigatoriedade em utilizar o BIM em todos os projetos públicos desde 2010. Aqui no Brasil, a iniciativa de estímulo a esse tipo de procedimento parte mais das próprias construtoras e de organismos ligados à construção civil, como CBIC e SindusCons, que do próprio governo.
Na América do Sul, o país que está mais à frente na implantação de um plano de governo que torne a tecnologia BIM ferramenta obrigatória em obras públicas é o Chile. Em 2016, o governo chileno lançou o Plano BIM. Ele estabelece que todos os projetos públicos a partir de 2020 precisam estar inseridos na plataforma tecnológica. Paralelamente, a Universidade do Chile implantou a Pesquisa Nacional BIM, que no final do ano passado já havia detectado que 22% das construtoras do país estavam usando a ferramenta. Estimulados pela iniciativa chilena, Peru, México, Colômbia e Argentina estão criando grupos de trabalho para também ter o BIM como elemento de eficácia na gestão e na execução de obras públicas, minimizando o risco de desvio de recursos.
Entrevistado
Engenheiro civil Paulo Sanchez, líder do projeto BIM, da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (COMAT/CBIC) (via assessoria de imprensa)
Contato
comunica@cbic.org.br
Crédito Foto: SindusCon-SP
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Em 2017, Brasil ganha sua primeira cidade inteligente
Localizada no interior do Ceará, e com investimento de italianos e israelenses, a Croatá Laguna EcoPark começa a sair do papel
Por: Altair Santos

Projetada para receber 21 mil habitantes, em uma área que ocupa 330 hectares em Croatá – distrito do município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará – a Croatá Laguna EcoPark será a primeira cidade inteligente do Brasil. A expectativa é de que a infraestrutura para receber as residências esteja pronta ainda em 2017. Segundo Susanna Marchionni, que administra o empreendimento, a opção pelo território cearense se deu por uma combinação de fatores. “Para desenvolver o projeto de smart city social precisávamos de alguns elementos: área com grande desenvolvimento, carência habitacional, fibra ótica e uma rodovia que a ligasse ao principal centro urbano do estado”, disse.
São Gonçalo do Amarante está a 55 quilômetros de Fortaleza. A viabilidade do projeto permitiu atrair investimento internacional. O grupo italiano Planet Idea & SocialFare – voltado para o mercado de inovações – e a SG Desenvolvimento, ligada ao mercado imobiliário, são parceiros no empreendimento e fizeram um aporte de R$ 100 milhões. Outro investidor é o israelense StarTAU, um centro de empreendedorismo vinculado à Universidade de Tel Aviv. “O que diferencia a cidade inteligente em construção no Ceará é que não se trata de um assentamento para a elite. A Croatá pretende atender a população da cidade, principalmente os trabalhadores do complexo industrial e portuário do Pecém (também no Ceará)”, diz Giovanni Savio, CEO da Planet Idea & SocialFare.
A cidade terá bairros que atenderão o programa Minha Casa Minha Vida. Cada lote é vendido a partir de R$ 24.300,00, podendo ser parcelado em 120 vezes. É ofertada também uma variedade de plantas que pode ser escolhida pelos proprietários para construir suas casas. O objetivo é pôr fim às habitações construídas em série. As primeiras 150 casas estão em fase final de conclusão. “Assim, a cidade inteligente se torna também democrática, intervindo no déficit habitacional da região e oferecendo qualidade de vida à população de baixa renda”, afirma Giovanni Savio.
Infraestrutura digital

A primeira fase da Croatá Laguna EcoPark envolve a urbanização de 90 hectares. A cidade terá infraestrutura digital, mobilidade urbana voltada para o pedestre e uso de bicicleta, além de transporte público controlado por GPS e aplicativos, o que permite ao usuário saber quando o ônibus está próximo do ponto. A infraestrutura foi projetada para reaproveitar águas residuais e fazer o controle computadorizado da iluminação pública. Outra inovação está nos equipamentos esportivos instalados nas praças da Croatá Laguna EcoPark. Os aparelhos serão conectados a uma central, permitindo que, enquanto as pessoas se exercitam, gerem energia para abastecer a iluminação pública.
Os gestores da cidade asseguram que o assentamento não foi projetado para ser uma cidade-dormitório e nem uma “catedral no meio do deserto”. “Existem rotas de transporte público e, além das residências, centros comerciais e de negócios estão se instalando na cidade, assim como infraestrutura de saúde e educacional”, garante Giovanni Savio. Se a Croatá Laguna EcoPark for bem sucedida, os empreendedores projetam lançar uma outra cidade inteligente entre os municípios cearenses de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, em uma área de 437 hectares. O novo projeto já tem nome: Cidade Cauype. Ao contrário de Croatá, esse empreendimento não será um pólo industrial, mas de serviços, a fim de atrair centros de logística, shopping centers, hotéis, bancos e supermercados.

Entrevistado
Giovanni Savio, CEO da Planet Idea & SocialFare (via assessoria de comunicação)
Contato
info@planetsmartcity.com
Crédito Fotos: PlanetSmartCity
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Passageiros crescem 5 vezes mais que rede de metrô
Soma de todas as linhas que operam no Brasil chega a 309 quilômetros. País precisaria ter mais 850 quilômetros para atender demanda atual
Por: Altair Santos
Somando todas as linhas de metrô que operam no Brasil, elas alcançam 309 quilômetros. Só para comparar, Nova York tem 370 quilômetros, o que mostra o quanto o transporte metroviário brasileiro está defasado em relação ao crescimento de passageiros. Entre 2012 e 2016, a quilometragem das linhas cresceu 7% - muito por conta das obras viabilizadas para atender demandas da Copa do Mundo e das Olimpíadas. No mesmo período, o volume de passageiros que utiliza as linhas de metrô no país aumentou 38%, ou seja, cinco vezes mais.

Segundo a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), o Brasil precisaria ter mais 850 quilômetros de metrô para equalizar o número de linhas com o crescimento de passageiros. Pelos cálculos preliminares, seriam necessários R$ 167,130 bilhões para a ampliação das linhas, para a aquisição de veículos metroviários e para a recuperação da infraestrutura existente. No entanto, 2015 foi o último ano que o governo federal – principal financiador de obras de metrô no país – liberou recursos para esse tipo de empreendimento.
Mesmo assim, o dinheiro equivaleu a apenas 26% dos recursos autorizados, que deveriam chegar a quase R$ 8 bilhões. Foram liberados aproximadamente R$ 2 bilhões, dos quais 95% beneficiaram apenas uma obra: a Linha 4 do Rio, que tinha prioridade por causa dos Jogos Olímpicos. Para viabilizar aquela obra, o governo federal precisou congelar os projetos de metrô em Belo Horizonte-MG e em Curitiba-PR, cujos recursos foram contingenciados. A capital mineira receberia R$ 3,4 bilhões e a paranaense R$ 1,8 bilhão. A prefeitura de Belo Horizonte ainda mantém o plano de ter metrô. Já a de Curitiba descartou o projeto.
Para o presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores, é um equívoco o país desistir de ampliar ou instalar novas linhas de metrô. Ele afirma ainda que seria necessário o desenvolvimento de projetos estruturados, de forma que a viabilidade da obra não fosse comprometida. “Precisamos de projetos básico e executivo que tenham o detalhamento suficiente para que a previsão deste custo esteja bem garantida desde o início da implantação”, explica Joubert, que ainda defende que o Brasil facilite a participação de investidores privados na construção de linhas de metrô.
Falta planejamento
A superintendente da ANPTrilhos, Roberta Marchesi, enfatiza que os governantes precisam entender que não há solução de mobilidade para os grandes centros urbanos que não passem por um transporte estruturador como o sobre trilhos. “Um dos problemas que o setor de trilhos tem é não ser pensado no longo prazo no planejamento das cidades. As cidades crescem, se estruturam e depois precisam inserir os sistemas estruturantes. Se pensarmos o planejamento das cidades com 20 anos, atendendo essa demanda, é mais fácil. O custo é menor quando o transporte estruturante é previsto com o crescimento da cidade”, completa.
Atualmente, só a cidade de São Paulo possui obras de metrô. O município tem três linhas inconclusas, que já deveriam ter sido entregues. Para finalizá-las, deverão ser gastos mais de R$ 12 bilhões. Os recursos vêm do governo de São Paulo e do governo federal. As obras ampliarão em 31 quilômetros a atual rede de metrô da capital paulista, que é a maior do país (75 quilômetros). O estudo da ANPTrilhos analisou também linhas de trem, VLTs, monotrilhos e aeromóveis que operam nas regiões metropolitanas do país. Somados esses modais, o Brasil tem 1.062 quilômetros de transporte público que opera sobre trilhos.
Veja aqui o estudo da CNT.
Entrevistados
Joubert Flores e Roberta Marchesi, respectivamente presidente e superintendente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) (via assessoria de imprensa)
Contato
contato@anptrilhos.org.br
Crédito Foto: Governo de SP
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Com novas regras, Minha Casa Minha Vida anima mercado
Medidas do governo federal pretendem contratar 610 mil unidades em 2017, reativar venda de materiais e gerar empregos na construção civil
Por: Altair Santos
Ao ampliar o limite de renda nas faixas 1.5, 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida, o governo federal espera dar uma injeção de ânimo no mercado da construção civil, que enfrentou em 2016 um de seus momentos mais críticos. Com as medidas, a intenção é que 610 mil unidades sejam contratadas em 2017, recolocando o programa a serviço da geração de empregos no setor. “Essas medidas terão um efeito muito positivo sobre a construção civil e, consequentemente, sobre a economia brasileira”, diz José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

No entender do dirigente, o impulso ao Minha Casa Minha Vida deve reabrir 150 mil postos de trabalho na construção civil em 2017. A expectativa inverte um viés de pessimismo no setor, confirmado recentemente por dados divulgados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), e com base em informações do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE). Segundo o levantamento, em 27 meses mais de 1,080 milhão de trabalhadores da construção perderam emprego.
Para o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, as medidas anunciadas pelo governo no dia 6 de fevereiro de 2017 são vistas como emergenciais para voltar a movimentar o setor. “Com exceção do Minha Casa Minha Vida, não vemos no curto prazo outras iniciativas que levem à contratação de mão de obra para o setor”, aponta José Romeu Ferraz Neto.
Já Walter Cover, presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) entende que os estímulos deveriam se estender também ao ConstruCard. “Disse ao vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Nelson Antonio de Souza, que será muito difícil o novo Construcard deslanchar com os atuais juros próximos de 3% ao mês. O Construcard, no passado recente, já chegou a financiar R$ 6 bilhões de reformas, mas teve uma queda brusca em 2016. Insisto na queda dos juros”, avalia.
Entenda as alterações
As mudanças nas novas faixas de renda do Minha Casa Minha Vida estendem o acesso ao programa para famílias com renda mensal de até R$ 9 mil. Antes, o limite para participar do programa era R$ 6,5 mil. Com as alterações, o limite para a faixa 1.5 passará de R$ 2.350 para R$ 2,6 mil por família. Para a faixa 2, a renda de enquadramento passou de R$ 3,6 mil para R$ 4 mil e para a faixa 3, de R$ 6,5 mil para R$ 9 mil.
O valor máximo dos imóveis que podem ser financiados pelo Minha Casa Minha Vida também subiu, variando de acordo com a região. No Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro, o teto passará de R$ 225 mil para R$ 240 mil. Nas capitais do Norte e do Nordeste, o limite subirá de R$ 170 mil para R$ 180 mil. Nas demais regiões, o ministério das Cidades ainda definirá os valores. O governo promete disponibilizar o novo pacote a partir de março de 2017.
Das 610 mil unidades que deverão ser contratadas, 170 mil moradias serão na faixa 1, para famílias com renda mensal bruta de R$ 1,8 mil; 40 mil, para a faixa 1.5 do programa, e 400 mil, para as faixas 2 e 3. De acordo com o ministério das Cidades, a faixa 1 não sofreu alteração no limite de renda por que a intenção é diminuir o número de inadimplência para depois propor mudanças nesta faixa do Minha Casa Minha Vida.
Entrevistados
- Engenheiro civil José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
- Engenheiro civil José Romeu Ferraz Neto, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP)
- Engenheiro agrônomo Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat)
Contatos
comunica@cbic.org.br
abramat@abramat.org.br
sindusconsp@sindusconsp.com.br
Crédito Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Arquiteto só deixa entrar concreto em seus projetos
Kazunori Fujimoto faz parte da escola japonesa conhecida como “amigos do concreto”, e que se desenvolveu na Universidade de Tóquio
Por: Altair Santos
O arquiteto japonês Kazunori Fujimoto decidiu radicalizar. Em seus projetos, o único material permitido é o concreto. Especialista em construção de casas, ele vem assombrando a arquitetura mundial com seus conceitos. À exceção das esquadrias e dos vidros nas janelas, além das portas, nenhum outro material é usado, senão o concreto. “As paredes de concreto permitem criar um ambiente interno confortavelmente silencioso em espaços amplos. É isso que me faz preferir trabalhar com o material”, diz o arquiteto.

Outra predileção de Kazunori Fujimoto é construir residências de verão em praias japonesas, e também casas de campo. “São ambientes em que é possível explorar estruturas mais amplas, com visão panorâmica, e que permitem combinar requinte com simplicidade”, completa o arquiteto, que não dispensa o concreto nem no piso das casas que projeta. Sua preferência é pelo material polido. Além disso, ele também se diferencia ao desenhar as escadas de suas casas - geralmente construídas em dois pavimentos.
Apontado como sucessor de Tadao Ando, 74 anos - considerado o principal arquiteto japonês do período pós-guerra -, Kazunori Fujimoto, que completa 40 anos em 2017, faz parte da escola japonesa de arquitetura conhecida como “amigos do concreto”. Esse grupo se fortaleceu depois que a Universidade de Tóquio desenvolveu pesquisas para melhorar os desempenhos acústicos e térmicos do material, a fim de atender aos requisitos exigidos pelo governo japonês.
A Universidade de Tóquio trabalhou intensamente em um tipo de concreto em que a areia é substituída por cinzas vulcânicas - abundantes no país, ao contrário da areia de rio -, criando um material mais acessível financeiramente para projetos de residências. Além das pesquisas acadêmicas, o Japão possui também ateliês de arquitetos e engenheiros que se propõem a desenvolver materiais para a construção civil do país, abastecendo as inovações projetadas por nomes como o de Kazunori Fujimoto.
Casas perenes

Outro fator que induz Fujimoto a trabalhar intensamente com o concreto é o tipo de terreno em que é desafiado a projetar e construir suas casas. Na maioria das vezes, são espaços com desníveis acentuados. Essa característica dos terrenos também leva Kazunori Fujimoto a se concentrar em projetos com no máximo 100 m² de área construída. Outra especialidade do arquiteto é conceber casas que caibam em terrenos estreitos. Um de seus projetos mais destacados é a residência construída em Ropponmatsu – distrito de Fukuoka – em um terreno que mede 6 metros x 18 metros.
As casas de concreto de Kazunori Fujimoto também têm razão de ser por causa do intenso risco de abalos sísmicos e tsunamis no Japão. Seus projetos já contemplam esse tipo de acidente. Em Mihara, Hiroshima, o arquiteto projetou uma casa em que o telhado de concreto armado, com laje de 12 centímetros de espessura, tem formato ondulado para permitir que a água flua sobre ele. O objetivo é minimizar o impacto de tsunamis e preservar a estrutura. “Desenvolvemos projetos com o objetivo de que sejam perenes”, afirma Fujimoto.

Entrevistado
Arquiteto Kazunori Fujimoto (via assessoria de imprensa)
Contatos
fujimoto@jutok.jp
www.jutok.jp
Crédito Fotos: Kazunori Fujimoto
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Prédio tem termelétrica para gerar a própria energia
Instalar usina foi solução para tornar maior edifício corporativo da cidade de São Paulo invulnerável às oscilações da rede
Por: Altair Santos
Com área construída de 167.700 m², o Pátio Victor Malzoni é o maior edifício corporativo da cidade de São Paulo e também o primeiro do país a ter uma usina termelétrica (UTE) para atender sua demanda de energia. O prédio entrou em operação em 2012, mas constantemente ficava refém das oscilações de rede, principalmente em dias de chuva. A solução foi implantar um sistema que tornasse a edificação autossustentável. “Como somos um prédio comercial com várias empresas, não tem como deixar esse recurso faltar”, diz Flávio Engel, gerente de operações prediais da CB Richard Ellis - empresa que administra o condomínio.

A termelétrica instalada no Pátio Victor Malzoni tem capacidade para gerar 5.800 megawatts (MW) por dia. O equipamento funciona no modelo de paralelismo e opera com cinco geradores – dois a gás e três a diesel. “Por sermos um prédio sustentável, sempre optamos pelos geradores movidos a gás natural. Entretanto, para deixar o sistema mais eficiente, a operação de geração de energia é feita inicialmente com quatro geradores e, na sequência, são desligados os dois geradores a diesel, para que o fornecimento de energia siga com os geradores a gás”, explica Flávio Engel. Quando funciona plenamente, a UTE gera mais que o dobro de energia que o edifício necessita diariamente.
Localizado na região da Avenida Faria Lima, o Pátio Victor Malzoni opera com 35 elevadores e vários sistemas automatizados. Circulam pelas suas instalações cinco mil pessoas por dia. Mesmo autossuficiente, o prédio ainda opera interligado à rede. No horário de pico de energia, a UTE responde por 90% da energia e 10% vêm da distribuidora de energia. “Quando nossos sistemas detectam oscilação ou outro tipo de falha nesses 10%, a central automaticamente assume o controle e comunica esse comando à distribuidora”, afirma Flavio Engel. A usina termelétrica opera desde setembro de 2016 e, em média, fica ligada durante 11 horas por dia.
Arquitetura inovadora

O edifício não precisou passar por nenhuma reforma para receber a UTE, pois seus projetos estrutural, arquitetônico e elétrico já previam a instalação do sistema. O Pátio Victor Malzoni tem uma planta inovadora. Sua laje central está elevada a 30 metros do solo e tem um vão de 44 metros. A arquitetura arrojada foi a solução para que o empreendimento preservasse a Casa Bandeirantista, localizada nos fundos do terreno em que o edifício foi construído. A construção antiga, do século 17, é um marco da colonização do estado de São Paulo e tombada como patrimônio histórico. Durante as obras do Pátio Victor Malzoni, a casa Bandeirantista também passou por um processo de restauração.
Para que mantenha o selo de prédio verde, o edifício conta com um sistema de catalisadores para mitigar o impacto ambiental causado especialmente pelos geradores a diesel. O empreendimento também conta com uma estação de efluentes, que trata a água e a faz retornar para o uso na irrigação de jardins e banheiros. É realizada ainda a coleta seletiva do lixo. A compostagem do material orgânico gera adubo, que é vendido para cooperativas de agricultores na região metropolitana de São Paulo.

Entrevistado
Flávio Engel, gerente de operações prediais da CB Richard Ellis (via media center)
Contato
patiomalzoni.oper@cbre.com.br
Crédito Fotos: Staffa
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Governo e setor imobiliário buscam regulamentar distrato
Alegação é que falta segurança jurídica, tanto para quem vende quanto para quem compra, e pedido é para que medida estabeleça regras
Por: Altair Santos
Representantes do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), da Abrainc (Associação Nacional dos Incorporadores) e da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) iniciaram 2017 participando de rodadas de negociação com integrantes dos ministérios do Planejamento e da Fazenda, além da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) e da Seplan (Secretaria de Planejamento) em busca de solução para regulamentar o distrato imobiliário.

A meta do setor é que até o final do primeiro trimestre deste ano possa-se chegar a um consenso, permitindo que o governo federal edite medida provisória para restringir a ocorrência de distratos. Parte do setor imobiliário defende a seguinte proposta: que a construtora possa reter 80% do valor pago pelo comprador. O percentual hoje varia entre 10% e 15%, o que, no entender dos empresários, é insuficiente para cobrir os custos.
Outra sugestão é que as construtoras possam cobrar de 9% a 15% do valor da unidade – dependendo do que o cliente já pagou – para assinar o distrato. Neste caso, se um imóvel custa R$ 300 mil, o comprador teria de desembolsar de R$ 27 mil a R$ 45 mil. Uma terceira via é a que propõe a retenção de 10% do valor estabelecido em contrato, independentemente do que o comprador já tenha pagado.
Para entender o caso, distrato é o termo usado para designar a intenção do comprador de um bem de desfazer o contrato e devolvê-lo ao fabricante, ao construtor ou ao intermediador da negociação. No caso do distrato imobiliário, a regra em vigor diz o seguinte: o comprador que estiver com as prestações em dia e ainda não recebeu as chaves do imóvel, mas se sente sob risco financeiro, ou seja, pode não ter condições de seguir pagando as mensalidades, tem o direito de recorrer ao distrato.
Para CBIC, governo deve arbitrar
O problema é que essa regra não especifica valores, o que normalmente acaba transformando os distratos em processos judiciais. Diante deste cenário, o setor imobiliário alega que falta segurança jurídica tanto para quem vende quanto para quem compra imóvel no Brasil. Por isso, o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary, ressalta a importância da criação de um marco regulatório. “Em razão da instabilidade econômica, cresceu muito o volume de distratos de 2014 para cá. Para o setor voltar a operar com segurança é necessário um regramento objetivo", afirma.
O setor imobiliário calcula que, entre 2014 e 2016, 25% dos contratos imobiliários assinados no período resultaram em distrato. A situação complicou ainda mais após decisão considerada equivocada do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o qual tentou criar jurisprudência para o caso e acabou desencadeando uma série de ações dos organismos de defesa do consumidor. Resultado: atualmente, os tribunais de justiça dos estados têm dado sentenças muito diferentes uma das outras, complicando principalmente as construtoras que operam em várias regiões do país.
Para José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), até agora o governo federal tem atuado apenas como mediador, mas está na hora de arbitrar. “A pacificação através de regras claras e dentro da realidade é essencial”, afirma. A CBIC defende que a base de cálculo do distrato seja sobre o valor do imóvel e não sobre o valor pago pelo comprador até o momento em que ele decidiu desfazer o contrato. Já os organismos que defendem o consumidor não apoiam essa tese.
Saiba mais sobre distrato imobiliário: Falta de análise faz distratos de imóveis aumentarem
Entrevistados
- Engenheiro civil José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) (via assessoria de imprensa)
- Administrados de empresas Flávio Amary, presidente do Secovi-SP (via assessoria de imprensa)
Contatos
comunica@cbic.org.br
aspress@secovi.com.br
Crédito Foto: Divulgação














