Quem está comprando imóveis no Brasil, e como?

Em função da crise, comprador de imóveis ficou mais pragmático

Quem está comprando imóveis no Brasil, e como?

Quem está comprando imóveis no Brasil, e como? 1024 576 Cimento Itambé

Mercado imobiliário do país tem um novo perfil de consumidor. Ele busca financiamentos menores e desiste de usar aquisição como investimento

Por: Altair Santos

O mercado imobiliário brasileiro tem um novo perfil de consumidor. Em função da crise econômica, o setor registra mudanças comportamentais. O primeiro sinal é de que a prioridade de quem procura imóvel, agora, é por moradia própria e não para investimento. Trata-se de uma fatia que abrangeu 87% das vendas realizadas até o primeiro semestre de 2016, segundo aponta a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).

Em função da crise, comprador de imóveis ficou mais pragmático

Em função da crise, comprador de imóveis ficou mais pragmático

Quem está indo ao mercado tem entre 28 anos e 45 anos, possui de um a dois filhos, já é dono de um imóvel e busca outra residência com dois objetivos: quer uma moradia maior e melhor localizada. Boa parte destes compradores tem renda familiar entre R$ 9 mil e R$ 15 mil e dispõe, em média, de 45% do valor do imóvel para dar de entrada. O objetivo é reduzir o financiamento para, no máximo, 15 anos.

Outro dado coletado é que 10% dos compradores têm preferido fazer o pagamento à vista, para obter descontos. A preferência deste consumidor é por imóveis com padrão standard (de R$ 250.001,00 a R$ 400 mil), o que equivale a 28%, e por imóveis com padrão médio (de R$ 400.001,00 a R$ 700 mil), que responde por 19,8%. Isso tem ajudado a reduzir os estoques, principalmente nas capitais.

Em Curitiba, por exemplo, pesquisa encomendada à BRAIN Bureau de Inteligência Corporativa detectou 33.996 imóveis em oferta na cidade. Trata-se do menor volume registrado desde março de 2013, quando havia 33.981 unidades. Em julho do ano passado, a oferta de apartamentos residenciais novos na capital paranaense era 36.865 unidades. No Brasil, segundo a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o estoque de imóveis residenciais fechou o primeiro semestre de 2016 com 111,3 mil unidades.

Imóveis de até R$ 1,5 milhão
Essas novas tendências do mercado imobiliário levaram o Conselho Monetário Nacional (CMN), no final de setembro de 2016, a autorizar os bancos a financiar imóveis novos com valor até R$ 1,5 milhão, com juros de até 12% ao ano. A medida não vale para operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que financia imóveis de menor valor. O SFH se limita a unidades residenciais de até R$ 750 mil em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal e R$ 650 mil nos demais estados, usando recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Segundo a chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central (BC), Sílvia Marques, o FGTS não será usado nos financiamentos para imóveis de até R$ 1,5 milhão. A decisão é temporária e vale apenas por um ano. De acordo com a técnica do BC, caso seja bem-sucedida, a medida será aplicada de forma permanente. “Estamos apenas dando mais uma opção ao mercado imobiliário”, disse.

Um dos motivos que levou o Conselho Monetário Nacional a liberar financiamento para imóveis com valor até R$ 1,5 milhão está diretamente relacionado ao perfil do consumidor que busca empreendimentos que ofereçam certificações de sustentabilidade, e que estão neste patamar de preço. Segundo Carlos Leite, arquiteto e professor-doutor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Fundação Dom Cabral, apartamentos de alto padrão que façam reuso da água e tenham elementos construtivos que minimizem o custo da energia têm a preferência de quem vai ao mercado imobiliário comprar imóveis com essas características. “Os consumidores, de uma forma geral, começam a encarar a sustentabilidade como uma exigência”, diz.

Entrevistados
– Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi)
– Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)
– Conselho Monetário Nacional (CMN)
– Secovi-SP

Contatos
atendimento@ademi.org.br
abrainc@abrainc.org.br
imprensa@bcb.gov.br
aspress@secovi.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Ademi

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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