Brasil terá centro de P&D para via Hyperloop

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Hyperloop Transportation Technologies (Hyperloop TT) firmaram parceria para instalar um centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em Contagem-MG, a fim de construir a primeira via Hyperloop no país. O sistema opera sobre plataformas elevadas construídas com concreto pré-moldado, onde são assentados os tubos pelos quais trafegam as cápsulas que podem transportar tanto pessoas quanto cargas.
A tecnologia usa levitação magnética e ausência de atrito com o ar. Com o acordo, o Brasil será um dos 40 países que já trabalham em cima da nova tecnologia e, consequentemente, candidata-se a receber uma via do transporte futurista, que atinge velocidade equivalente à do som (1.234 km/h). O sistema Hyperloop foi idealizado em 2013 pelo empresário Elon Musk, dono da Tesla e do SpaceX. Em 2014, o megaempreendedor liberou a patente da tecnologia para que outras empresas pudessem desenvolvê-las.
Segundo o presidente da ABDI, Guto Ferreira, o objetivo é aproximar a Hyperloop de instituições brasileiras de pesquisa para desenvolver tecnologias e alternativas ao atual sistema de transporte de carga, baseado em rodovias, e que acarreta custo elevado para o país. “Transporte e logística são gargalos importantes que o Brasil precisa resolver para impactar positivamente o conjunto da economia”, diz Ferreira.
Junto com o centro de P&D, será desenvolvida no Brasil a Hyperloop Academy, para buscar parcerias com universidades, outros centros de P&D e startups brasileiras. A escolha de Contagem-MG está relacionada ao apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e da prefeitura de Contagem. O acordo foi consolidado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), com investimento de R$ 26 milhões.

Primeira via Hyperloop do mundo será inaugurada em 2020, em Abu Dhabi
Além disso, o município mineiro cederá uma área construída de 22 mil m2 para abrigar a divisão de pesquisas da companhia e um laboratório para a fabricação da primeira via Hyperloop brasileira. A previsão é de que o centro de P&D comece a operar no final de 2018. "Minas Gerais e o município de Contagem são um dos centros de distribuição de carga mais importantes para o Brasil. A posição geográfica estratégica nos estimulou a montar o primeiro centro de pesquisa da Hyperloop TT no país", afirma o presidente da empresa, Bibop Gresta.
A primeira via Hyperloop do mundo está em construção em Abu Dhabi e deve ser concluída até 2020. Ela vai ligar a região próxima da fronteira com Dubai ao aeroporto Internacional Al Maktoum. O trecho terá 10 quilômetros e o protótipo está em construção na cidade de Toulouse, na França, para ser levado aos Emirados Árabes. O sistema será alimentado por painéis solares instalados ao longo das linhas e estações.
Uma das missões dos engenheiros envolvidos no projeto é pesquisar um concreto de alta resistência que suporte o sistema de transporte. O projeto prevê que as cápsulas corram dentro de túneis de aço sustentados por elementos pré-moldados, numa arquitetura que lembra os monotrilhos e os metrôs de superfície.

Entrevistado
Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) (via assessoria de imprensa)
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abdi@abdi.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Na construção, tecnologia 3D chega lentamente ao Brasil

No mundo, a impressão 3D já movimenta um mercado de 35 bilhões de dólares. Um dos setores que usufrui desta tecnologia é a construção civil. No Brasil, equipamentos capazes de moldar de artefatos a casas começam a ser apresentados ao mercado, ainda que lentamente. Por enquanto, o segmento de maquetes é o primeiro a se beneficiar da tecnologia, já que máquinas conseguem imprimir em gesso, em tempo recorde e com muito mais precisão as miniaturas.
Existem também as impressões 3D em nylon, como explica Tiago Ferraz de Barros, gerente de marketing para a América Latina da 3D Systems. “As impressões em gesso servem para modelos visuais completos, sendo ideais para apresentar conceitos e para a aprovação de projetos. Já as impressões em nylon, na tecnologia SLS, permitem criar modelos com resistência e boa resolução, podendo ser usados para testar projetos funcionais”, diz.
Por sua capacidade ilimitada de reproduzir qualquer objeto, as impressoras 3D também possibilitam que os engenheiros criem novos projetos, testando materiais mais leves, flexíveis e resistentes. Porém, apesar de toda a potencialidade da tecnologia, ela ainda é pouco explorada pela construção civil brasileira. “A impressão 3D amplia o leque de possibilidades dentro dos projetos, principalmente se eles estiverem ligados ao uso do BIM”, destaca Tiago Ferraz de Barros.
A quebra de patente da impressão 3D, ocorrida em 2014, passou a tornar a tecnologia cada vez mais popular e com custos cada vez mais palpáveis. Atualmente, existem impressoras cujos preços variam de 500 dólares a 20 mil dólares. A viabilidade econômica passou a gerar uma série de startups vinculadas à tecnologia, inclusive dentro da construção civil. Porém, o setor ainda perde para outros segmentos em que a impressão 3D já está completamente agregada ao dia a dia das pesquisas e do desenvolvimento de projetos e materiais.
Carga tributária nacional é um dos obstáculos para a impressão 3D
Entre eles, o aeroespacial, onde a tecnologia possibilita a produção de peças de alta performance e resistência. A medicina também se beneficia intensamente das impressões 3D, criando próteses e órteses cada vez mais eficazes e adaptadas ao corpo humano. O mesmo ocorre com a odontologia, o setor automotivo, a moda e a indústria plástica.
Na construção civil, o país que lidera a tecnologia 3D é a Holanda. Em 2017, os holandeses produziram a primeira obra de infraestrutura usando a tecnologia: uma ponte na região rural de Gemert, no norte do país. Impulsionada pelas pesquisas desenvolvidas dentro da Universidade Tecnológica de Eindhoven, a Holanda se prepara para construir condomínios de casas com impressão 3D em concreto.
As unidades terão uma arquitetura futurista, com formatos curvos. Batizado de Project Milestones, o condomínio tem incentivos fiscais da autoridade municipal de Eindhoven. Diferentemente do Brasil, onde a carga tributária para a importação da tecnologia 3D ainda é proibitiva, incidindo tributos como ICMS, ISS e IPI sobre produtos impressos em três dimensões.
Entrevistados
Universidade Tecnológica de Eindhoven, BAM Infra e 3D Systems (via assessorias de comunicação)
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info@tue.nl
info.infra@bam.com
press@3dsystems.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Norma de Desempenho entrará em processo de revisão

Publicada em 19 de julho de 2013, a ABNT NBR 15575 - Norma de Desempenho de Edificações - vai entrar em processo de revisão. A engenheira civil Maria Angélica Covelo Silva, que acompanhou todo o processo de elaboração da norma técnica, assim como sua implantação, entregou formalmente, no 90° ENIC (Encontro Nacional da Indústria da Construção), o pedido de abertura de processo de revisão à direção da ABNT. Segundo ela, a revisão vai partir de um levantamento efetuado em conjunto pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), pelo SENAI Nacional, pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). O foco da revisão estará em aspectos como segurança contra incêndio, desempenho térmico, lumínico, acústico e durabilidade. Para cada um deles, um conjunto de ajustes e avanços necessários foi identificado, envolvendo aspectos como a definição de conceitos, atualização de normas referenciadas e a harmonização com outras normas e legislações. Na entrevista a seguir, Maria Angélica Covelo Silva explica os principais pontos da revisão. Confira:
Recentemente, no 90º ENIC, a senhora abordou a revisão da Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575). Como está esse processo de revisão?
Como a norma completa em 19 de julho cinco anos em vigor, partiu da CBIC, SENAI, SindusCon-SP e Secovi-SP a iniciativa de fazer um trabalho de levantamento das necessidades de revisão face à experiência dos diversos agentes da construção civil desde 2013. Este levantamento foi realizado sob minha coordenação técnica, mas com a coordenação-geral da COMAT (Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da CBIC) e do SindusCon-SP, além de amplo envolvimento das entidades representativas das áreas de projeto, fabricação de materiais e sistemas e construção, assim como instituições de pesquisa. Uma vez organizadas as necessidades identificadas, isso permitiu planejar a melhor forma de realizar o processo de revisão. Assim, com este planejamento, se espera que seja um processo objetivo e diretamente focado nos pontos que requerem aperfeiçoamento, com o princípio básico de não se alterar parâmetros e critérios, mas de focar na precisão, clareza e adequação às práticas dos diversos processos produtivos envolvidos.
Quando deve ser instalada comissão de revisão e quem vai coordená-la?
A instalação está prevista para o mês de agosto, o que ainda vai ser confirmado por solicitação das entidades à ABNT. A coordenação de uma comissão de estudos só é definida na instalação dela.
A senhora participará do processo de revisão? Caso sim, de que forma?
Sem dúvida participarei, pois a comissão de estudos requer contribuição de todos os profissionais do setor que têm vivência no tema. A princípio serei uma participante da comissão, contribuindo com minha experiência como consultora na aplicação da norma.
O estudo técnico da CBIC, do SENAI, do SindusCon-SP e do Secovi-SP vai nortear a revisão?
Na verdade não é um estudo técnico. Como mencionei, estas entidades tomaram a iniciativa de levantar de forma organizada as necessidades apontadas por especialistas, projetistas, consultores, pesquisadores, profissionais de empresas incorporadoras e construtoras, a fim de elaborar documentos que identificam melhorias a serem propostas na comissão de estudos. Não é possível listar aqui os principais pontos, pois são detalhes técnicos que não podem ser resumidos. Podemos dizer apenas que nos debruçamos neste trabalho, de forma mais detalhada, nos requisitos de segurança contra incêndio, desempenho térmico, desempenho lumínico e desempenho acústico. Além disso, numa iniciativa da Escola Politécnica da USP, sob a coordenação do professor-doutor Vanderley John, as entidades apoiaram também a análise do requisito de durabilidade em workshop específico.
Qual balanço a senhora faz da Norma de Desempenho nestes cinco anos?
Ela foi um importante avanço para o setor, na medida em que incorporou requisitos e critérios que definem o que é qualidade de empreendimentos habitacionais. Isso possibilitou nivelar o mercado com base no comportamento das edificações em relação a requisitos que são internacionalmente definidos como aqueles que as edificações precisam apresentar quanto à segurança, habitabilidade e sustentabilidade. Embora toda a base conceitual venha de normas ISO, publicadas desde a década de 1980, a ABNT NBR 15575 foi objeto de grande discussão e avaliação para a nossa realidade, tendo resultado em uma norma totalmente moldada às nossas práticas no Brasil. Por outro lado, o mercado brasileiro de produção habitacional ainda não a incorporou por inteiro e levará algum tempo para uma maior homogeneidade em sua aplicação. Mas é uma questão de tempo para ela se tornar natural para todos e poder balizar melhor o mercado, tanto do ponto de vista competitivo do setor, gerando competição saudável quando se baliza os empreendimentos por suas características, quanto pelo lado do usuário, que vai encontrar produtos imobiliários mais uniformes naquilo que é o desempenho mínimo definido pela norma.
Em sua exposição sobre a norma, no ENIC, a senhora disse que é necessário “revisar a redação em itens onde há necessidade de maior clareza e precisão”. A norma ainda suscita problemas de interpretação?
Sim, percebemos que há interpretações diferentes do que foi o objetivo do requisito em alguns itens da norma e, ao analisar o texto, é possível constatar que dá margem para interpretações diferentes.
O desaquecimento que a construção civil experimentou recentemente causou algum impacto na absorção da Norma de Desempenho pelo mercado?
Para empresas que não haviam trabalhado ainda para incorporar os requisitos em seus projetos e produtos, no caso da indústria, o desaquecimento fez postergar as ações necessárias. Há necessidade de dedicação de profissionais e outras implicações para atender a norma, seja nos empreendimentos, seja para quem projeta ou fabrica sistemas e componentes. Para quem não se mobilizou para isso na época da publicação da norma, houve sim impacto.
Em termos de programa Minha Casa Minha Vida, a Norma de Desempenho foi absorvida nestes cinco anos?
Do ponto de vista de adequação das especificações e requisitos do ministério das Cidades, para que os empreendimentos do programa atendam a norma, sim. Houve a adequação dos Programas Setoriais da Qualidade e do SiAC do PBQP-H, que incorporou a necessidade das construtoras evidenciarem em seus sistemas da qualidade o atendimento à norma. Desde então, as empresas que desenvolvem empreendimentos no programa Minha Casa Minha Vida vêm sendo levadas a demonstrarem o atendimento à norma. Mas não se pode dizer ainda que todas integralmente estejam já prontas em todos os requisitos, pois há diferenças regionais grandes quanto à disponibilidade de recursos técnicos e até de postura e planejamento de cada empresa para cumprir a norma.
Existe expectativa de quando o texto revisado da norma deverá entrar em vigor e, entrando em vigor, qual o impacto que causará na construção civil?
O trabalho todo está sendo planejado para que a revisão esteja concluída no primeiro semestre de 2019. Então será uma questão de prazos de consulta nacional e publicação, mas espera-se concluir tudo dentro do ano de 2019. Não se espera impacto no sentido de mudar o que ela tem hoje. O impacto que se espera é no sentido de dar mais clareza, de facilitar o entendimento, a aplicação e a adequação às práticas técnicas, assim como os processos de produção que temos no mercado.
Entrevistada
Engenheira civil Maria Angélica Covelo Silva, mestre e doutora em engenharia, diretora da NGI Consultoria e Desenvolvimento
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ngi@ngiconsultoria.com.br
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Indústria busca competitividade em concretos de alto desempenho

A construção industrializada do concreto prepara-se para dar um novo salto tecnológico no Brasil. Nos próximos anos, a meta é desenvolver estruturas com concretos cada vez mais resistentes. “Nosso objetivo será focar especialmente nos concretos de resistência ainda mais elevadas, como o de 60 MPa. Assim como já consolidamos o autoadensável, chegaremos lá também", diz o novo presidente do conselho estratégico da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) José Antonio Tessari.
O conselho estratégico da Abcic é responsável por definir ações para a evolução e desenvolvimento do setor de pré-fabricados, em concordância com os interesses das empresas que compõem a cadeia produtiva e, ao mesmo tempo, o quadro associativo. Para José Antonio Tessari, a competitividade do setor passa pelo CUAD (Concreto de Ultra Alto Desempenho). A fim de atingir a excelência nesses materiais, a associação age paralelamente com as universidades e os centros de pesquisa.
Atualmente, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade de São Paulo (UFSC) e a PUC Campinas-SP são as referências em estudos com esses concretos especiais. Na UFSC, o professor Wellington Longuini Repette está à frente de aplicações que usam o Concreto de Ultra Alto Desempenho (CUAD) e as oportunidades do material na indústria de pré-fabricados. Na PUC Campinas, o professor Marco Cárnio aborda o material conhecido como Concreto Reforçado com Fibras (CRF), adequando-o às práticas recomendadas pelo IBRACON, pela ABECE e pela normalização brasileira.
Nos EUA, CUAD já é utilizado para overlay de pavimentos de concreto
Na USP, o professor Antonio Domingues de Figueiredo, professor associado da Universidade de São Paulo (USP), tem o foco de suas pesquisas nos desafios que se impõem à indústria de pré-moldados com a chegada destes novos materiais. Segundo Íria Doniak, presidente executiva da Abcic, não há como pensar no futuro da indústria de pré-fabricados de concreto sem focar nos benefícios que esses tipos de concreto trazem para a construção industrializada. “Os concretos especiais, o CRF e o CUAD, são tendência internacional para determinadas aplicações na indústria. Eles possibilitam melhorar o desempenho de elementos estruturais e permitem o desenvolvimento de elementos mais esbeltos, proporcionando a redução de peso dos elementos, ampliando, dessa maneira, a competitividade do sistema construtivo”, explica.
Principalmente em países asiáticos e nos Estados Unidos, o CUAD já se tornou referência para a construção de pontes e viadutos. Recentemente, a engenharia norte-americana passou a testar o material em restauração de pavimentos de concreto, usando a técnica conhecida como overlay (restauração de pavimento em concreto com outra camada de concreto). O objetivo é proteger a estrutura das estradas de patologias desencadeadas pelo uso de sal no descongelamento da neve. No pavimento comum, o cloreto de sódio consegue penetrar e causar danos nos vergalhões, o que não ocorre com o CUAD.
Entrevistado
Entrevista com base em publicações da Abcic (Associação Brasileira da Construção industrializada do Concreto)
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abcic@abcic.org.br
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Curso forma especialista em desatar nó da infraestrutura

Que o Brasil precisa de obras de infraestrutura, isso é sabido por todos. Mas para impulsionar as carências em várias áreas estratégicas são necessários mais do que recursos, projetos e engenheiros. É importante que o país tenha especialistas em temas como regulação, financiamento de longo prazo e alocação de risco. Esses são vetores fundamentais para destravar os nós que impedem a infraestrutura nacional de sair do papel.
A fim de desenvolver profissionais capazes de produzir soluções para os gargalos que afetam energia, transporte e saneamento, a Fundação Getúlio Vargas lançou recentemente o curso de mestrado em Economia de Infraestrutura. “É preciso abrir o campo de políticas públicas e da regulação. Os profissionais que fazem parte da administração pública precisam não só ter capacidade de desenvolver conhecimento, de resolver problemas, mas também entender o impacto das ações, das regras e das leis sobre a sociedade”, explica a professora da FGV/EPGE (Escola Brasileira de Economia e Finanças), Joísa Campanher Dutra, uma das coordenadoras do novo curso.
A nova linha de pesquisa busca soluções para a atual realidade nacional, diante de um cenário que exige transparência e desburocratização, os quais demandam novos arranjos regulatórios, desenhos de mercado, mecanismos de precificação e monitoramento da qualidade dos serviços, para que possam gerar resultados. “O setor ligado à infraestrutura tem muitos engenheiros e advogados envolvidos, mas lhes falta um conhecimento econômico mais abrangente sobre como funciona a indústria de infraestrutura. É necessário entender os problemas sob uma ótica econômica”, diz a coordenadora do curso, sobre o público-alvo do mestrado.
Joísa Campanher Dutra afirma que o curso faz outras abordagens necessárias para que obras de infraestrutura vençam os obstáculos e possam se tornar realidade no país. Entre elas, as políticas climáticas. “O Brasil é signatário de acordos climáticos. Portanto, deve levar isso em consideração, assim como o desenvolvimento tecnológico. São fatores que mudaram a cena e passaram a influenciar nas decisões que envolvem infraestrutura”, reforça a professora, destacando que o mestrado possui quatro linhas de pesquisa: finanças, economia empresarial, regulação e avaliação de políticas públicas e economia de infraestrutura.
Banco Mundial faz diagnóstico que vai ao encontro do conteúdo do curso da FGV
O curso vai ao encontro de um estudo do Banco Mundial intitulado “Repensando a infraestrutura na América Latina e Caribe - Melhorar o gasto para alcançar mais”. No capítulo sobre o Brasil, o relatório faz as seguintes observações:
Um plano nacional de infraestrutura que delineie as principais prioridades com base em um diagnóstico das lacunas de serviços
O Brasil tem um plano plurianual de investimentos que mais se parece com uma lista de desejos, sem dotação orçamentária suficiente nem priorização com base em necessidades de desenvolvimento e recursos disponíveis;
Uma lista restrita de projetos selecionados com base em critérios objetivos
No caso do Brasil, isso significaria o abandono da prática de emendas orçamentárias no Congresso, que, muitas vezes, não têm as motivações certas e enfraquecem a ligação entre o planejamento e a alocação orçamentária;
Uma abordagem plurianual de seleção de projetos e alocação orçamentária
Em tese, o Brasil conta com orçamentos plurianuais, mas, na prática, a previsibilidade do financiamento ao longo dos anos é baixa;
Regras orçamentárias que fortaleçam a execução do projeto em vez de apenas controlar os gastos
No Brasil, a falta de disciplina durante a elaboração do orçamento faz com que o “sequestro” orçamentário seja usado como ferramenta de controle fiscal, comprometendo, assim, a execução do processo;
Um conjunto de salvaguardas sociais e ambientais para administrar os riscos
O Brasil tem leis e normas de alto nível, mas a capacidade de implementação é limitada.
Saiba mais sobre o mestrado em Economia de Infraestrutura
Entrevistado
Reportagem com base em entrevista da professora da FGV/EPGE (Escola Brasileira de Economia e Finanças), Joísa Campanher Dutra, coordenadora do curso sobre Economia de Infraestrutura
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Pista de teste ajuda a aprimorar pavimento de concreto

Do tamanho equivalente a 150 campos de futebol (1,3 milhão de m²) a nova pista de provas para caminhões e ônibus da Mercedes-Benz será também um campo de testes para o pavimento de concreto. Construído em Iracemópolis-SP, o centro de pesquisas funciona como um laboratório a céu aberto para simular as características de durabilidade dos veículos que circularão em diferentes ruas e estradas do Brasil. Cada trecho foi desenhado para testar aspectos específicos dos veículos, como robustez, ruído, segurança e performance off-road.
A trafegabilidade permitirá à fabricante alemã transferir conhecimento para a indústria de pavimento em concreto, sugerindo melhorias que possam causar menor impacto no desgaste dos veículos. Entre as informações que poderão ser repassadas estão o nível de rigidez do concreto e o grooving ideal (estrias transversais feitas no pavimento para melhorar o gripping) para emitir menor ruído dos pneus e gerar um pavimento mais silencioso e flexível. O modelo segue o que já é praticado na pista localizada em Wörth, na Alemanha.
Cada quilômetro das pistas de testes aciona 260 sensores capazes de medir os danos que determinado tipo de pavimento gera nos veículos. O circuito é formado por 16 diferentes tipos de terrenos, num total de 12 quilômetros de extensão. Catorze trechos servem para verificar a durabilidade estrutural dos veículos, uma para medir conforto acústico e térmico e outra, de terra, para a avaliação de veículos que operam fora de estrada, como os extrapesados usados no transporte de cana-de-açúcar, grãos e minérios.
Campo de provas tem 840 diferentes placas de concreto pré-moldado

Foram usadas na pista de testes de durabilidade mais de 840 placas de concreto pré-moldado, que não se repetem e têm exatamente o mesmo perfil das placas que estão nas pistas da Alemanha e na de Madras, nos Estados Unidos. Os elementos para a pista em pavimento rígido foram desenvolvidos na Leonardi, indústria de pré-fabricados localizada no estado de São Paulo, e contou com a assessoria técnica da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) e da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). Os materiais usados devem assegurar 30 anos de uso das pistas, sem alteração na consistência das placas.
Para projetar o campo de provas, um caminhão-laboratório trazido da Alemanha percorreu 16 mil quilômetros em estradas brasileiras (1.500 quilômetros de trechos off-road) ao longo de 120 dias, coletando dados de diferentes topografias em diversas regiões do país. O veículo circulou com diferentes simulações de cargas, trações e implementos para possibilitar as medições de deformações, deslocamentos, temperaturas e acelerações. Trata-se de dados que podem tanto ser compartilhados com a indústria do pavimento de concreto quanto com a indústria asfáltica, já que a pista tem 18 variedades de pavimentos, entre asfalto, concreto e terra, ao longo de sua extensão.
Entrevistado
Comunicação do grupo Daimler
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dialog@daimler.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Medição da obra vai muito além do uso da trena

Ensina a boa engenharia que cabe à medição de obra verificar a compatibilidade entre o que está em execução e o que está previsto no projeto e nos quantitativos do orçamento. Com o surgimento de softwares, a tarefa ficou facilitada, mas não menos importante para o sucesso de uma obra. A medição influencia diretamente na área de suprimentos, no custo do empreendimento, na qualidade da construção e no tempo de duração da obra. Essencial para qualquer incorporador, principalmente aqueles que operam com grandes volumes de projetos, a medição da obra costuma estar a cargo de um grupo de profissionais da engenharia civil treinados para executar a tarefa.
É a medição da obra que permite ao incorporador mensurar se a obra cumpre os cronogramas de execução e financeiro. Ela funciona como um modelo de gestão, capaz de discriminar os serviços envolvidos no empreendimento, a fim de mensurá-los e questioná-los - se for o caso. Por isso, a medição da obra é também um instrumento de correção, já que ela ajuda a identificar problemas e também gerar informações para preveni-los. Com a chegada da ferramenta BIM, já existem softwares que atuam em conjunto com a tecnologia para o controle da medição da obra. Com eles, é possível avaliar o que já foi executado, o que precisa ser comprado pela área de suprimentos e quais as próximas prioridades.
Em obras de condomínios residenciais ou corporativas, a medição envolve 10 pontos básicos:
- Limpeza de terreno.
- Escavações para fundações.
- Concretagem das fundações.
- Reaterro.
- Concretagem das estruturas.
- Alvenaria.
- Estrutura para cobertura.
- Esquadrias e grades.
- Azulejos, cerâmicas ou pedras.
- Pintura.
Em obras públicas, medição ainda é um desafio
Em obras privadas, a medição da obra é uma tarefa cotidiana. No entanto, em obras públicas ela ainda é um desafio. Em tese, a empresa vencedora da licitação deveria apresentar regularmente as medições, assim como cabe aos organismos públicos fiscalizadores cumprir a execução desta tarefa. “São as medições de obras públicas assinadas pelos fiscais que deverão ser entregues aos órgãos controladores, como os tribunais de contas. O cruzamento entre os dados apresentados pelos fiscais e o previsto nas licitações contribui para evitar desvios de dinheiro público”, escreve a analista de negócios Rosi Fabiane Hoffmann Moro, em seu artigo “Medições de obras públicas: um desafio a superar”.
A especialista afirma ainda que as medições de obras públicas são o instrumento usado para acompanhar o andamento de cada etapa da obra, pois retratam a evolução do trabalho desenvolvido pelas empreiteiras. Se por um lado o cronograma de execução de obras apresenta uma estimativa de trabalho, por outro a medição descreve exatamente o que foi realizado. São as medições que determinam a parcela de pagamento que será feita, já que a remuneração está condicionada à execução. “Quando começa a executar uma obra, a empresa vencedora da licitação deve apresentar regularmente as medições. Porém, cabe ao poder público acompanhar e fiscalizar a veracidade dos dados apresentados”, alerta.
Entrevistado
Reportagem com base em artigos do engenheiro civil Antônio Fascio Terceiro, diretor-presidente da Orçafascio, e da analista de negócios Rosi Fabiane Hoffmann Moro
Contato
fascio@orcafascio.com
contato@e-gestaopublica.com.br
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Quer montar uma fábrica de artefatos de cimento? Veja como

A ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) tem incentivado o empreendedorismo voltado para a abertura de fábricas de artefatos de cimento. Sistematicamente, promove cursos com especialistas neste tipo de negócio. Eles orientam desde o chão da fábrica até a certificação da qualidade, a busca de padronização dos produtos, além dos números que envolvem o empreendimento: custos, distribuição dos produtos, segmentos de mercado e produto a serem comercializados.
O curso apresenta três modelos de plantas de fábricas de blocos de concreto, pisos e outros artefatos, com as respectivas expectativas de produção. De acordo com a ABCP, os artefatos de cimento são termos genericamente empregados para os mais diversos produtos, desde tubos de concreto para saneamento até pré-lajes, sacadas e escadas pré-fabricadas, mourões, blocos, telhas, lajotas e mobiliário urbano, como explica um dos orientadores do curso, o engenheiro civil Idário Fernandes.
A ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) tem incentivado o empreendedorismo voltado para a abertura de fábricas de artefatos de cimento. Tem havido bom interesse neste segmento, através do curso que o senhor ministra?
Sim, a mais recente edição, realizada em 22 e 23 de maio de 2018, contou com a presença de 21 participantes, um bom número considerando o atual momento pelo qual passa a economia, sobretudo a construção civil.
Qual o perfil de quem busca o curso e com qual noção ele sai do curso?
O perfil é muito variado. Desde recém- formados a profissionais maduros que buscam conhecer o segmento, para avaliar oportunidades de um novo negócio. O curso é ministrado por mim e pelo arquiteto Flávio Nese. A minha parte tem foco nas características do produto, obtenção dos insumos, exigências de normas, detalhes de produção e controle de qualidade. A parte do arquiteto Flávio é mais focada na montagem e gestão da planta. No geral, a avaliação dos participantes já é muito boa, mas estamos investindo para somar novos conhecimentos para as próximas edições. Uma delas será agregar ações de marketing, competitividade do setor e formação de preços dos produtos.
O senhor percebe que há muitos engenheiros civis recém-formados buscando empreender em fábricas de artefatos de concreto?
Existem alguns engenheiros recém-formados em busca de uma opção de negócio, mas a maioria dos participantes é composta de pessoas experientes em outro setor, em busca de diversificar seus negócios, entrando para a área de cimentícios. Em geral, os participantes vêm para o curso focado em blocos e pavimento intertravado, mas saem com uma gama de opções de produtos a base de cimento. Entre eles, piso cimentício, telhas e objetos decorativos.
Artefatos de cimento englobam diversos produtos. O curso abrange todos estes produtos ou prioriza um segmento em especial?
Realmente, artefatos de cimento englobam uma gama muito grande de produtos e soluções. Temos cadastrados na DoutorBloco mais de 250 itens conhecidos no mundo, que vão desde anéis e brincos até pequenos pré-moldados, como bancos e churrasqueiras. Cerca de 70 destes produtos são fabricados no Brasil. O curso é oferecido para os segmentos blocos, pavimento intertravado, tubos, telhas, cobogós, balaustres e outros artefatos de concreto vibroprensados ou dormidos. Porém, o interesse dos inscritos é sempre centralizado nos blocos e nos intertravados, com pequena parcela voltada para tubos de concreto e pisos cimentícios.
Entre tubos de concreto, pré-lajes, sacadas, escadas pré-fabricadas, mourões, blocos, telhas, lajotas e mobiliário urbano, quais artefatos hoje têm um melhor mercado?
O bloco de concreto é o artefato que tem a maior procura dos interessados, mas é o pior mercado atualmente devido a uma grande oferta de produtos e menor demanda. Por esta razão, sempre alertamos os inscritos a não entrar neste mercado neste momento, a não ser que já estejam produzindo ou que tenham plena segurança de êxito, caso o mercado local mostre um cenário diferente da média nacional.
Entre a intenção de montar uma fábrica de artefatos de cimento e a entrada dela em operação, quanto tempo o empreendedor vai levar?
Não dá para ser preciso. Depende de vários fatores. Entre eles, se o empreendedor vai comprar uma planta usada completa que já estava em operação, comprar uma planta nova nacional, importar uma máquina, importar uma fábrica completa, além de quanto dinheiro ele tem para investir.
Em termos de investimento, qual o capital mínimo necessário para montar e operar uma fábrica de artefatos?
Depende do artefato que será fabricado. Uma planta de piso cimentício convencional custa de 60 mil a 100 mil reais, mais a parte civil. Uma planta para blocos e intertravados, com equipamento nacional, requer um investimento aproximado de 2 milhões de reais. Uma planta importada, totalmente automática, para produzir 20 mil blocos ou 1.200 m² de intertravados/dia, pode custar de 6 a 8 milhões de reais, só os equipamentos.
Dos que participam do curso, todos são interessados em empreender ou boa parte já tem fábrica e busca aprimorar conhecimentos?
A maior parte já tem outro negócio ou tem uma fábrica pequena no ramo de cimento e visa conhecer melhor o processo para identificar onde pode melhorar. É muito pequeno o número de profissionais recém-formados que querem conhecer o assunto para analisar se entram ou não neste mercado. Mesmo assim, o curso tem a preocupação de alertar para que não entrem no negócio por aventura. O segmento de blocos não está tão atrativo atualmente, pois a oferta é maior que a demanda. Muitos pensam que vão ganhar muito, mas a margem não chega a 12% ou 15% para quem já tem a expertise do negócio, e é menor ainda para quem vai ter que pagar pelos percalços do aprendizado.
Questões como desperdício, uso da tecnologia, qualificação da mão de obra e concreto autoadensável são abordados no curso?
Concreto autoadensável não, pois praticamente não se aplica a artefatos. Desperdício, tecnologias de produção, qualificação da mão de obra e muitos outros temas são discutidos no curso com grande interesse e aproveitamento dos participantes.
Quantas fábricas de artefatos estão em operação hoje no Brasil?
É muito difícil responder a esta pergunta, pois o mercado está muito confuso. Em 2016, fizemos uma estimativa de, aproximadamente, 2.400 plantas operando, incluindo pequenos, médios e grandes produtores. Nos últimos dois anos, muitas fecharam por conta da forte retração do mercado, principalmente aquelas cujo foco eram blocos para construtoras.
N.R: dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que no Brasil, até 2014, existiam aproximadamente 12,5 mil estabelecimentos dedicados a esse tipo de negócio.
Entrevistado
Engenheiro civil Idário Fernandes, consultor em tecnologia de concreto e sistemas construtivos e dono da Doutorbloco Consultoria em Concreto
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idario@doutorbloco.com.br
cursos@abcp.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Interação solo-estrutura é o que mantém Torre de Pisa em pé

Estudo iniciado há 25 anos conclui que a Torre de Pisa tende a ficar em pé por mais 300 anos, graças a um fenômeno conhecido na engenharia como interação solo-estrutura. A pesquisa envolveu 16 engenheiros liderados pelo professor-emérito Michele Jamiolkowski, que atua no Instituto Politécnico de Turim, na Itália. O grupo afirma que, assentada sob terreno arenoso, as fundações da torre estão imunes a abalos que poderiam derrubá-la. É como se o solo funcionasse como uma suspensão para a edificação, dizem os pesquisadores.
O relatório da pesquisa define que “o mesmo solo que causou a inclinação e trouxe a torre à beira do colapso pode ser creditado por ajudar a estrutura a sobreviver a eventos sísmicos”. O documento ainda acrescenta que “a rigidez da Torre de Pisa, combinada com a maciez do solo da fundação, faz com que as características vibracionais da estrutura sejam substancialmente modificadas, de tal maneira que a construção não ressoa com o movimento de um terremoto”. Ainda de acordo com os pesquisadores, não há nenhuma outra estrutura semelhante no mundo.
Os estudos comandados pelo professor Michele Jamiolkowski começaram em março de 1993, quando a Torre de Pisa saiu de uma inclinação de 3,99 graus para 4,5 graus. O risco de colapso levou o governo italiano a decretar sua interdição. Antes, a visitação já havia sido interrompida em 1990 e se estendeu até 2001. O monumento de 55,86 metros de altura, cuja construção começou em 1174 e só foi concluída em 1370, se manteve escorado por estruturas metálicas até abril de 2011, quando seu trabalho de recuperação foi 100% concluído.
A equipe sediada no Instituto Politécnico de Turim, mas que envolvia pesquisadores de outras universidades, como George Mylonakis, do departamento de engenharia civil de Bristol, nos Estados Unidos, tinha duas opções para recuperar a inclinação original da torre. Uma seria injetar concreto no solo; a outra, seria investir em uma técnica não-invasiva, conhecida como "escavação subterrânea". Foram feitas remoções de terras em pontos estratégicos da torre, o que permitiu que ela recuperasse meio grau e estabilizasse sua inclinação em 4 graus.
Pesquisa será apresentada na 16ª Conferência Europeia de Engenharia Sísmica
Para utilizar essa técnica, os pesquisadores colocaram sensores na fundação da edificação quase secular para realizar as escavações. Foi aí que perceberam como a interação solo-estrutura age na Torre de Pisa. “A considerável altura e rigidez da torre, combinada com a maciez do solo da fundação, faz com que as características vibracionais da estrutura sejam substancialmente modificadas, de tal maneira que a torre não responde a movimentos sísmicos. Essa tem sido a chave para sua sobrevivência. A combinação faz com que a Torre de Pisa tenha uma interação solo-estrutura única no mundo”, conclui o estudo.
A conclusão da pesquisa será apresentada em um workshop dentro da 16ª Conferência Europeia de Engenharia Sísmica, que acontece de 18 a 21 de junho em Salónica, na Grécia. Na ocasião, os pesquisadores dirão que a Torre de Pisa não corre nenhum risco de desabar e que sua estrutura deve resistir por pelo menos mais trezentos anos. Portanto, está assegurada a visitação ao monumento mais conhecido da Itália, o qual recebe anualmente cerca de 1,2 milhão de turistas.
Entrevistado
Reportagem com base na pesquisa “Torre de Pisa, intervenções e estudos para a sua salvaguarda”, comandada pelo Instituto Politécnico de Turim, na Itália, em parceria com a Universidade de Bristol, nos Estados Unidos
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michele.jamiolkowski@polito.it
public-relations@bristol.ac.uk
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Enfim, leis incentivam reúso de água em edificações

Projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados busca incentivar edificações que contemplem o reúso de água. O objetivo é dar prioridade a projetos com essas características, quando construtoras pedirem financiamento na Caixa Econômica Federal. A proposta também define taxas menores de juros. No caso de ambientes residenciais, como condomínios de casas e apartamentos, as linhas de crédito para projetos que contemplem sistemas de reúso vão possibilitar aumento de 65% no limite financiável, redução de 25% na menor taxa de juros do mercado e prazo de 30 meses para o início do pagamento.
O projeto de lei foi aprovado no começo de maio na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e será incluído na Política Nacional de Gestão e Manejo Integrado de Águas Urbanas, que abrange o tratamento e o reúso de águas pluviais (chuvas) e das chamadas águas cinzas (chuveiros, lavatórios, banheiras, tanques e máquinas de lavar roupas). A proposta tem caráter conclusivo e agora será analisada pelas comissões de Desenvolvimento Urbano e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovada, não passará por votação em plenário, salvo solicitação contrária dos partidos, e seguirá para o Senado.
Os empreendimentos habitacionais de interesse social também poderão contar com subsídios do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). O texto do projeto de lei sugere ainda que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destine 0,5% de seu orçamento anual ao financiamento de projetos com essas características.
Paralelamente ao projeto de lei sobre reúso da água, tramita na Câmara dos Deputados a Política Nacional de Racionalização e Combate ao Desperdício do uso da Água. Segundo o texto, terão prioridade para receber recursos de convênios com a União os municípios que instalarem equipamentos de controle de consumo de água em edifícios não-residenciais de uso público, como prédios comerciais, escolas públicas e privadas, hotéis, motéis e clubes. Entre os equipamentos a serem usados, estão torneiras para pias, registros de chuveiros e válvulas de mictórios que sejam desligados automaticamente quando não estiverem em uso.
Proposta também sugere uso de água do mar em equipamentos sanitários
A política prevê ainda torneiras com acionamento restrito em áreas externas e vasos sanitários com volume de descarga reduzido. Também fica prevista a captação, nos edifícios, de água das chuvas para regar jardins e lavar veículos, calçadas e pisos. A proposta ainda estabelece, como objetivos na nova política nacional, a promoção de campanhas de conscientização dos consumidores sobre o uso eficiente da água e a integração com as políticas de saúde, meio ambiente, saneamento, recursos hídricos e de desenvolvimento urbano e rural.
O tema reúso da água também levou a Comissão de Desenvolvimento Urbano a aprovar projeto de lei que permite o uso de água do mar em equipamentos sanitários das instalações prediais das cidades litorâneas do país, como tanques, privadas, pias e tubulação correspondente. A proposta ainda incentiva o uso da tecnologia de dessalinização de água do mar e da água salobra (aquela que apresenta nível de salinidade intermediário entre a da água doce e a da água salgada).
Entrevistado
Reportagem com base em informações da Agência Câmara
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