Por que há cimentos que resistem mais aos sulfatos?

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Por que há cimentos que resistem mais aos sulfatos?

Por que há cimentos que resistem mais aos sulfatos? 470 359 Cimento Itambé

Geólogo Arnaldo Forti Battagin mostra quais medidas devem ser tomadas para prevenir patologias, seguindo adequadamente as normas técnicas

Por: Altair Santos

O concreto, quando exposto a determinadas condições, pode ter a vida útil de sua estrutura comprometida caso não sejam tomadas medidas adequadas para prevenir ou reduzir o risco potencial de deterioração. Entre os agentes químicos mais agressivos ao material estão os sulfatos, também conhecidos como óxidos sulfúricos. Normalmente, eles encontram-se diluídos na água, o que torna os concretos destinados a obras marítimas, subterrâneas ou de condução de rejeitos industriais e esgotos os mais vulneráveis a esses ataques.

Arnaldo Forti Battagin: ABCP está sempre trabalhando para melhorar a qualidade do cimento Portland.

O mecanismo de ataque consiste em reagir com alguns compostos do cimento, produzindo reações expansivas, podendo ocasionar fissuras e trincas ou até mesmo danos mais sérios nas estruturas a médio e longo prazos.

Como medida preventiva, a fabricação de concretos destinados a obras onde pode haver presença de sulfatos requer duas medidas básicas. Uma é reduzir ao máximo a permeabilidade do material; outra, é utilizar cimentos resistentes a esses agentes químicos agressivos – as chamadas águas sulfatadas. Uma norma técnica orienta quais tipos de cimento são os mais adequados para estruturas submetidas a essas condições: a ABNT NBR 5737:1992 – Cimentos Portland resistentes a sulfatos.

De acordo com o gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) Arnaldo Forti Battagin, já há consenso no meio técnico em aceitar que o aumento do teor de escória ou pozolana leva a um aumento da resistência aos sulfatos do concreto. A afirmação se deve ao fato de que à medida que as adições são incorporadas no cimento, há uma redução no teor do clínquer Portland na composição e, consequentemente, menor proporção de compostos que favorecem a ação dos sulfatos. “Além disso, as adições emitem pouca ou nenhuma liberação de hidróxido de cálcio durante a hidratação, componente esse imprescindível para reagir com sulfatos”, explica Battagin.

Dentre os cimentos Portland existentes no mercado, os mais adequados para obras sujeitas ao ataque de águas sulfatadas são os tipos CP III, CP IV e os RS (resistentes a sulfatos). Outros tipos que tenham antecedentes, com base em ensaios de longa duração ou referências de obras, também podem ser considerados resistentes a sulfatos, de acordo com a NBR 5737. A Cia. de Cimento Itambé fabrica o CP IV-32 e dois tipos de CP V-ARI resistentes a sulfatos.

Entrevistado
Geólogo Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e representante da ABCP nas comissões de estudos de normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
Contato
arnaldo.battagin@abcp.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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