Reestruturação dos cursos de engenharia sai do papel

A Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação deve levar para consulta pública, ainda em 2019, a reforma curricular das graduações de engenharia ofertadas no Brasil. O estudo começou em 2017 e considera propostas da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC) e do próprio Conselho Nacional de Educação (CNE). As mudanças curriculares focam em inovação, competitividade e empreendedorismo, no combate à evasão e na maior integração entre teoria e prática.
Entre as alterações, estão formação baseada em competências, utilização de metodologias inovadoras de ensino e fortalecimento de parcerias com empresas. Para o diretor de assuntos acadêmicos do Instituto de Engenharia, Ângelo Sebastião Zanini, a formação de engenheiros deve ser mais interdisciplinar, integradora, empreendedora e humanística. Porém, não pode deixar de manter o foco nos fundamentos matemáticos, científicos e tecnológicos. “As atividades práticas de experimentação em laboratório também não podem ser minimizadas ou suprimidas”, ressalta.
Ao encaminhar a proposta de mudança na grade curricular dos cursos de engenharia, a Câmara de Educação Superior faz ressalvas que abrangem a queda do Brasil em índices internacionais de competitividade e inovação. “O Índice Global de Inovação (IGI), elaborado pela Universidade de Cornell, INSEAD e Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), mostra que o país caiu 22 posições entre 2011 e 2016, colocando-se em 69º entre 128 nações avaliadas, posição que manteve em 2017 e em 2018”, destaca o documento. Também é sublinhado o baixo número de engenheiros por habitantes. O Brasil hoje registra 4,8 graduados para 10 mil habitantes.
Proposta também defende que escolas de engenharia se tornem de vanguarda
Para atingir uma mudança curricular que realmente modernize o ensino de engenharia no Brasil, e consiga atrair os jovens, os organismos que estão envolvidos na reforma são unânimes quanto à necessidade das universidades conseguirem fortalecer parcerias com as empresas. Um exemplo bem sucedido é o intercâmbio técnico-científico que acontece entre a Cia. de Cimento Itambé e os cursos de engenharia civil de três universidades: a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e a FAE Curitiba.
Mas a proposta em estudo também defende que as escolas de engenharia se tornem de vanguarda e agreguem disciplinas optativas ao currículo, sem precisar que haja uma ação governamental para que isso ocorra. É o que a Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo-SP, fez em 2018 ao acrescentar a nova disciplina sobre túneis no curso de graduação de engenharia civil. Os alunos podem optar pela matéria “Túneis e Obras Subterrâneas” quando forem cursar o 10º período. Segundo a coordenadora do curso, a professora-doutora Magda Duro, a Mackenzie é a primeira instituição brasileira a trazer a disciplina de túneis para a grade curricular de graduação. “Estamos sempre atentos e focados nas demandas atuais do mercado, nas inovações acadêmicas e também nos interesses dos alunos”, diz a coordenadora, indo ao encontro do que a reestruturação dos cursos de engenharia irá propor.
Entrevistados
Conselho Nacional de Educação
Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Descoberta melhora “DNA” das micropartículas do cimento

Pesquisadores da Rice University, em Houston-Texas, nos Estados Unidos, decodificaram as propriedades cinéticas do cimento e conseguiram programar as partículas microscópicas do material para que elas se arregimentem quando em contato com a água e demais agregados durante o processo de transformação em concreto. A inovação está em dar formas geométricas regulares às partículas na fase de cristalização, em vez de permitir que elas formem aglomerados desordenados, os quais costumam deixar vazios no concreto, por onde penetram as manifestações patológicas – principalmente, as infiltrações.
Com o ordenamento das micropartículas elas podem tomar formas de cubos, esferas ou prismas. Isso possibilita um concreto menos poroso e mais durável. Os pesquisadores batizaram o estudo de “cimento programável” e comparam a descoberta a uma modificação genética no DNA de células. Em escala nano, a equipe à frente da pesquisa conseguiu sintetizar o hidrato de silicato de cálcio (CSH), garantindo-lhe formas específicas. “O cimento programável levará a estruturas mais fortes, que podem ajudar a reduzir as emissões de carbono”, avalia Rouzbeh Shahsavari, professor do departamento de engenharia civil da Rice University.
Ao publicar a pesquisa no Journal of Materials Chemistry A, Rouzbeh Shahsavari explica como sua equipe conseguiu dar forma às micropartículas de cimento. “Técnicas anteriores para ordenar os cristais exigiam altas temperaturas, tempos de reação prolongados e uso de precursores orgânicos, mas nenhuma era eficiente. O que fizemos foi adicionar pequenas quantidades de surfactantes iônicos positivos e negativos e silicato de cálcio à CSH, expondo a mistura a dióxido de carbono e som ultra-sônico. As partículas tomaram forma em 25 minutos. Uma vez que as calcitas se formam, elas acionam as moléculas ao seu redor para se organizarem em cubos, esferas e outras formas”, escreve Shahsavari.
Pesquisa partiu de estudo do Massachusetts Institute of Technology em 2009
Os pesquisadores da Rice University partiram do estudo desenvolvido no Massachusetts Institute of Technology, em 2009, quando foi conseguido decodificar o "DNA" molecular do cimento. Para Rouzbeh Shahsavari, as estratégias desenvolvidas durante o projeto podem ter implicações em outras áreas, incluindo engenharia de tecido ósseo, entrega de medicamentos e materiais refratários, assim como a indústria cerâmica e de colóides.
No entanto, o professor afirma que sua equipe tem foco exclusivo no concreto. “O concreto usado hoje é um material amorfo com porosidade significativa, o que afeta sua força e durabilidade. A nova técnica tem vários benefícios. Um deles é criar um concreto mais forte, por causa do melhor agrupamento das partículas. A outra é que ele vai ser mais durável. Menos porosidade torna o material mais resistente a invasores químicos indesejáveis, permitindo que o concreto faça o trabalho de proteger sua estrutura de aço com mais eficácia”, finaliza.
Acesse a publicação original da pesquisa.
Entrevistado
Rouzbeh Shahsavari, professor do departamento de engenharia civil da Rice University (via assessoria de imprensa da Rice University)
Contato: rouzbeh@rice.edu
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Paredes inteligentes substituem ar-condicionado

O Departamento de Construção Inteligente do Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha (IAAC), na Espanha, trabalha no desenvolvimento de paredes inteligentes que são capazes de reter umidade em dias frios e resfriar o ambiente interno quando houver calor. Os testes em laboratório mostram que elas podem reduzir em até 5 °C a temperatura de uma casa ou apartamento em períodos muito quentes, assim como ajudam a preservar o desempenho térmico das paredes em situações de frio.
O sistema funciona com uma camada-sanduíche aplicada no meio das paredes. São esferas de hidrogel implantadas em elementos cerâmicos, e que podem ser instalados tanto em paredes estruturais quanto em paredes de sustentação. A líder da pesquisa, Areti Markopoulou, que chefia o IAAC, explica que as esferas operam por sensores. Se a temperatura estiver abaixo de 15 °C, o hidrogel vai para um reservatório e as placas cerâmicas passam a atuar para melhorar o isolamento térmico da parede.
Caso a temperatura esteja acima de 25 °C, os sensores fazem o processo inverso: voltam a inflar as esferas com hidrogel, a fim de que o material ajude a esfriar as paredes. Segundo Areti Markopoulou, a solução é apontada como uma alternativa viável para o enfrentamento do efeito estufa e a elevação das temperaturas no planeta, além de ser uma opção mais econômica para o uso de ar-condicionado. A pesquisadora relata a eficácia do sistema, de acordo com os resultados obtidos em laboratório. “Na fase de testes, em 20 minutos a temperatura da sala foi reduzida em 5 °C e a umidade do local aumentada em 15%”, diz.
Quanto ao custo, os pesquisadores estimam que, se produzido em escala comercial, o metro quadrado das placas cerâmicas com hidrogel pode custar cerca de 28 euros (aproximadamente 135 reais) - isso considerando as tributações na União Europeia. A economia viria no consumo de energia do aparelho de ar-condicionado, que pode chegar a 7% por hora de funcionamento. “A conclusão é que o material inteligente tem a capacidade de resfriar áreas habitacionais, além de transferir umidade para o ambiente”, afirma Areti Markopoulou.
Aparelhos de ar-condicionado têm potencial para se tornar o “mal do século”
A pesquisa começou no período 2013-2014 e ainda segue em aperfeiçoamento. O próximo passo é conseguir parceria que permita construir um protótipo habitacional, em que as placas sejam testadas em um ambiente normal, fora do laboratório. Outra intenção é testar o invento como camada-sanduíche em paredes de concreto pré-fabricadas. “Acreditamos que o projeto é uma alternativa de baixo custo para atender às necessidades de consumo de energia”, finalizam os pesquisadores.
O mercado da arquitetura sustentável estima que os aparelhos de ar-condicionado têm potencial para se tornar o “mal do século”. A utilização deste tipo de equipamento deve aumentar 30 vezes a nível global até o ano 2100. Só nos Estados Unidos, as pessoas já usam quase 200 bilhões de quilowatts-hora de eletricidade para abastecer sistemas de ar-condicionado a cada ano. Países como Índia e China estão próximos de superar a marca norte-americana. No Brasil, estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostra que o consumo de energia elétrica por condicionadores de ar no setor residencial triplicou entre 2005 e 2017.
Veja vídeo de como funciona a placa de hidrogel
Entrevistado
Departamento de Construção Inteligente do Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha (IAAC) (via assessoria de imprensa)
Contato: press@iaac.net
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Rio será a capital mundial da arquitetura em 2020

Entre 19 e 26 de julho de 2020, a cidade do Rio de Janeiro será sede da 27ª edição do Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos (UIA). O evento acontecerá no edifício Palácio Gustavo Capanema, recentemente restaurado, e tende a atrair cerca de 20 mil profissionais de todo o mundo, em parceria com a UNESCO. Por isso, o organismo mundial voltado para educação, ciência e cultura decidiu nomear o Rio a capital mundial da arquitetura em 2020. É a primeira vez que uma cidade receberá esse título.
A escolha se deve também ao fato do Rio de Janeiro ser um mosaico de tendências arquitetônicas. Fundada no século XVI, a cidade vai desde os Arcos da Lapa (construídos no período colonial), passando pelo Cristo Redentor (do início do século XX) e culminando com o Museu do Amanhã (inaugurado em 2015). “A iniciativa de passar a nomear uma capital mundial da arquitetura a cada congresso da UIA mostra o compromisso da UNESCO de preservar o patrimônio arquitetônico no contexto urbano”, diz Ernesto Ottone R., diretor-geral adjunto para a cultura da UNESCO.
No Congresso Mundial da UIA, que acontece a cada 3 anos, o tema central será a construção sustentável e as cidades inteligentes. Serão discutidos temas como planejamento urbano, cultura, mobilidade, obras públicas e construção de cidades inclusivas. "A cidade é também uma referência de desafios contemporâneos para os arquitetos e de experiências positivas no campo do urbanismo. O Rio sintetiza essas características encontradas em cidades de diversos países do mundo", afirma o presidente do Instituto de Arquitetos Brasileiros, Nivaldo Vieira de Andrade Júnior.
Para o presidente do comitê-executivo do Congresso Mundial de Arquitetos UIA2020Rio, Sérgio Magalhães, o evento será muito importante para a recuperação da imagem do Rio de Janeiro no cenário mundial. "A escolha do Rio como capital mundial da arquitetura e a realização do Congresso Mundial de Arquitetos na cidade formam um binômio de extrema importância para o Rio e para a cultura arquitetônica brasileira. Especialmente por proporcionar um diálogo com a sociedade e um novo tempo para o enfrentamento dos desafios da cidade", avalia.
Escolha é oportunidade de reflexão sobre o seu futuro urbanístico do Rio de Janeiro
Além de um reconhecimento ao passado arquitetônico, histórico e cultural da cidade, o título é, acima de tudo, uma grande oportunidade de reflexão sobre o futuro urbanístico do Rio, como define o presidente da UIA, Thomas Vonier. "Que melhor cidade do que o Rio para destacar os desafios que enfrentamos em nossa sociedade e em nossas cidades, com uma população crescente, jovem, que tem muitas necessidades, e com muita gente vivendo em condições difíceis? A arquitetura e o design urbano podem atender a esses desafios ao mesmo tempo em que protegem o maravilhoso legado e o meio ambiente?", questiona.
A restauração do edifício Palácio Gustavo Capanema é uma prova de que a cidade do Rio de Janeiro tem condições de responder aos desafios. O prédio, que em sua fase de construção reuniu nomes como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Ernany de Vasconcelos, Jorge Machado Moreira, Le Corbusier, Burle Marx, Cândido Portinari, Bruno Giorgi, Adriana Janacópulus, Celso Antônio e Jacques Lipchitz, foi recuperado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com intervenções em sua fachada, na impermeabilização de sua cobertura e na recuperação do piso de pedra, do mobiliário dos auditórios e dos painéis de azulejo. Antes da transferência da capital federal para Brasília, a edificação abrigou a sede do ministério da Educação e Saúde Pública, criado por Getúlio Vargas.
Entrevistados
União Internacional de Arquitetos (UIA) (via assessoria de imprensa)
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)(via assessoria de imprensa)
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) (via assessoria de imprensa)
Contatos
uia@uia-architectes.org
comunicacao@iphan.gov.br
gcomunicacao@unesco.org.br
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Manusear cimento em obra não enseja insalubridade, diz TST

Valendo-se de jurisprudência gerada pela Súmula 448 e pela Norma Regulamentadora 15 do Ministério de Trabalho - agora absorvido pelo Ministério da Economia -, a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho confirmou, por unanimidade, que o manuseio de cimento em canteiro de obras não enseja pagamento do adicional de insalubridade. A decisão foi publicada em 7 de janeiro de 2019.
O relator do caso, ministro Walmir Oliveira da Costa, lembrou que a constatação da insalubridade mediante laudo pericial não é suficiente para o deferimento do adicional. “É necessária a classificação da atividade insalubre na relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho. Assim, é firme o entendimento deste Tribunal de que as atividades exercidas pelos trabalhadores da construção civil relacionadas ao manuseio de cimento e cal não ensejam o pagamento da parcela”, concluiu.
A decisão é favorável a construtoras e empreiteiras de pequeno, médio e grande porte. A empresa-alvo da ação trabalhista era de Erechim-RS. Porém, com a decisão, a medida do TST ganha jurisprudência. Anteriormente, chegou a ocorrer uma condenação pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, mas nem tanto pelo manuseio do cimento e da cal, mas por que a construtora não fornecia corretamente os equipamentos de proteção individual ao trabalhador, como luvas e botas impermeáveis e aventais.
No recurso julgado pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho foi destacado o Anexo 13 da Norma Regulamentadora 15, que diz: “Dentre as atividades e operações envolvendo agentes químicos considerados insalubres, não contempla a manipulação do cimento no exercício da atividade de pedreiro. A classificação como insalubridade de grau mínimo restringe-se à fabricação e transporte de cal e cimento nas fases de grande exposição a poeiras, e não à simples manipulação do produto.”
Decisão isenta de trabalho insalubre todas as diversas fases da obra que envolvem cimento
A decisão do TST isenta de trabalho insalubre todas as diversas fases da obra que envolvem manuseio de cimento e cal. Entre elas, estruturas de concreto, levantamento de alvenaria, revestimento com argamassa, confecção, lançamento e adensamento de concreto em pilares, lançamento e adensamento de concreto em lajes e vigas e lixamento de paredes.
A decisão destaca também a importância do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) no canteiro de obras. Para Haruo Ishikawa, vice-presidente do SindusCon-SP e presidente do Seconci-SP (Serviço Social da Construção Civil), as empresas que dão importância à prevenção obtêm os melhores resultados. “A empresa que investe em saúde e segurança do trabalho sai no lucro. Aumenta a produtividade e gasta bem menos do que o prejuízo advindo de acidentes decorrentes da ausência de uma gestão prevencionista”, comenta.
Os canteiros de obras devem seguir a NR 18 (Norma Regulamentadora 18) cujos principais pontos são:
- Uso obrigatório de equipamentos de proteção coletiva e individual
- Plataforma de proteção obrigatória e andaimes do tipo fachadeiro para obras com mais de 4 pavimentos
- Treinamento de atividades de segurança para os contratados
- CIPA para canteiros com mais de 70 contratados
- Armazenamento correto de materiais, com o canteiro de obras limpo e organizado
- Prevenção de combate a incêndio
Entrevistado
Secretaria de Comunicação Social do Tribunal Superior do Trabalho e Seconci-SP (Serviço Social da Construção Civil)
Contato
secom@tst.jus.br
relacoesempresariais@seconci-sp.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Prédios aderem às varandas pré-fabricadas de concreto

As varandas ou sacadas pré-fabricadas de concreto surgiram como uma solução para retrofit de edifícios antigos. No Brasil, os artefatos já foram usados em reformas de prédios construídos entre os anos 1940 e 1960, tanto na cidade do Rio de Janeiro-RJ quanto na de São Paulo-SP. Agora, esses elementos pré-fabricados começam a ser incluídos em projetos de edificações novas. Motivo: viabilidade econômica, produtividade e qualidade.
Quanto maior a escala, mais a viabilidade econômica e a produtividade melhoram. Projetos de edifícios que têm acima de 50 unidades são os que mais se beneficiam deste tipo de solução industrializada à base de concreto. O motivo é que a repetição das peças acaba equiparando o preço ao do sistema de construção in loco, e que utiliza métodos convencionais. Outro componente importante para a viabilidade econômica está na logística para transportar os elementos.
A Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) alerta que somente para projetos especiais o limite de 200 quilômetros entre o fabricante das peças e a obra pode ser extrapolado. Outro ponto relevante está ligado à qualificação da mão de obra que vai instalar as varandas pré-fabricadas de concreto. A execução exige cuidados com o escoramento e o nivelamento dos elementos junto às lajes em balanço.
Economicamente, instalar varanda pré-fabricada em projeto de retrofit tem custo elevado

Os projetos hidráulicos e elétricos da edificação também precisam ser adaptados na área em que a varanda pré-fabricada será instalada. Para edificações novas, os elementos só poderão ser acoplados quando o concreto estrutural atingir a resistência definida em projeto. O mesmo vale para as escadas pré-fabricadas, seja em edifícios habitacionais, corporativos ou edifícios-garagem.
Para edifícios que passam por processo de retrofit, a instalação de varandas e sacadas pré-fabricadas de concreto só é possível se houver um rigoroso estudo do projeto estrutural, a fim de que se certifique se o prédio consegue suportar a carga adicional. Há ainda questões burocráticas que envolvem o condomínio e a prefeitura do município onde a obra será executada. Entre elas, se a edificação pode agregar área construída em relação ao potencial do terreno.
Economicamente, instalar varanda pré-fabricada em projeto de retrofit tem custo elevado, se comparado ao uso da mesma tecnologia em uma edificação ainda em construção. Mesmo assim, a solução tem sido opção para grupos hoteleiros que adquirem prédios antigos, exceto aqueles tombados como patrimônio histórico e que não permitem alterações arquitetônicas em suas fachadas.
Entrevistado
Reportagem com base em artigos técnicos divulgados pela AECweb e Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), além de publicações na revista Industrializar em Concreto, também da Abcic
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abcic@abcic.org.br
contato@email.aecweb.com.br
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Sua estrutura de concreto passa por controle de qualidade?
Os requisitos de qualidade e conformidade previstos na ABNT NBR 6118:2014 - Projeto de estruturas de concreto - Procedimento - recomendam que estruturas de concreto passem por averiguações de conformidade antes, durante e após a execução. Trata-se de um processo de controle de qualidade conhecido como ATP (Avaliação Técnica do Projeto) o qual tem três etapas fundamentais: análise de estabilidade e rigidez do sistema estrutural, verificação de dimensionamento de pilares, vigas, lajes e travamentos, e emissão de relatório técnico de validação de projeto.
Em sua seção 5, a ABNT NBR 6118:2014 recomenda que a ATP não seja um procedimento apenas para “grandes obras”, mas para qualquer estrutura de concreto armado ou protendido. Também pode ser realizada em paralelo ao projeto ou após a conclusão do projeto ou da estrutura. Resume o engenheiro civil Leonardo Braga Passos, vice-presidente de marketing da ABECE. “A ATP - Avaliação Técnica de Projetos - é, antes de tudo, uma solução natural e uma ação para valorizar, auxiliar e amparar o projetista estrutural, melhorar a qualidade técnica do projeto e tornar a atividade do projetista mais segura, equilibrada e com riscos minimizados”, diz.
A ATP deve ser realizada por pessoal técnico especializado, e não vinculado ao projetista. Veja o que diz a norma técnica em seu item 5.3.1. “A avaliação da conformidade do projeto deve ser realizada por profissional habilitado, independente e diferente do projetista, requerida e contratada pelo contratante, e registrada em documento específico, que acompanhará a documentação do projeto”, afirma. Na mesma norma, em sua versão revisada, a ABNT NBR 6118:2014 extraiu o termo “dependendo do porte da obra”, ou seja, atualmente, desde um estádio de futebol até uma portaria de veículos, desde que construídos com estruturas em concreto, todos devem se submeter a uma ATP.
Realização da ATP requer profissional experiente e medidas éticas
No 8º Ciclo de Atividades da Comunidade da Construção de Belo Horizonte-MG, realizado no dia 11 de dezembro de 2018, o engenheiro civil Leonardo Braga Passos apresentou um guia prático de procedimentos sobre como realizar uma ATP e suas implicações éticas. Ele ressalta: “É fundamental para o sucesso da ATP que seja contratado um profissional habilitado para a avaliação técnica do projeto e que este profissional não seja o próprio engenheiro estrutural que irá realizar o projeto. Um dos motivos de o avaliador (verificador, analista) ser independente é o fato de ser um profissional que irá verificar o projeto com ‘outros olhos’.”
O guia de procedimentos destaca ainda a importância da experiência profissional de quem vai realizar a ATP e também a importância de medidas éticas para a realização do trabalho. “Independentemente da obrigatoriedade ou não da norma, da norma ser lei ou não, devemos tomar como parâmetro que o papel fundamental da ATP é o de se evitar erros que poderão gerar acidentes e, para isso, é coerente que os profissionais sejam independentes e éticos”, complementa.
Entrevistado
Reportagem com base no relatório 2018 de atividades da Comunidade da Construção de Belo Horizonte, elaborado pelo Leonardo Braga Passos, vice-presidente de marketing da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE).
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Oportunidades em infraestrutura podem somar R$ 250 bi

O governo do presidente Jair Bolsonaro herdou do antecessor, Michel Temer, um pacote fechado de projetos de concessões que tem condições de ser leiloado em abril de 2019. São licitações para 12 aeroportos, 4 portos e 3 ferrovias, com investimento estimado na ordem de 250 bilhões de reais. Existe ainda a expectativa de que seja destravada boa parte dos empecilhos que retardam ou inviabilizam a atração de capital privado em obras de infraestrutura.
Criado no governo anterior, o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) foi mantido pela atual Presidência da República. O objetivo é acelerar licenciamentos ambientais, simplificar regulamentações e agilizar desapropriações para a entrega de concessões. Além da PPI, o novo governo tem em mãos um estudo que foi apresentado pelo professor da UnB, Paulo Coutinho, ao grupo de trabalho de infraestrutura durante o período de transição.
As metas são ousadas. Há a intenção de resolver até o fim do governo Bolsonaro boa parte dos gargalos de infraestrutura. Novos instrumentos financeiros para a captação de recursos no exterior devem ser lançados, segundo foi revelado pelo próprio Paulo Coutinho, no seminário “Infraestrutura: planos do governo Bolsonaro e novas oportunidades em concessões, privatizações e parcerias público-privadas”.
De acordo com o economista, no que tange à infraestrutura em transporte, o governo federal quer dar ênfase à expansão de ferrovias e estimular a navegação de cabotagem (transporte marítimo pela costa do país), além de acelerar o Plano Nacional de Segurança Hídrica, que prevê 114 obras. A intenção é atrair investimento estrangeiro. “O país é muito atrativo e os investidores virão", declarou Paulo Coutinho, durante o seminário realizado dia 21 de janeiro de 2019.
CBIC defende regulação que cuide da precarização das obras públicas
Para dar agilidade aos projetos, o governo Bolsonaro teve o cuidado de fortalecer o ministério de Infraestrutura, sob o comando do ministro Tarcísio Freitas. Há também a intenção de se criar uma superagência dedicada a viabilizar todas as obras pendentes. Para a comissão de infraestrutura (Coinfra), da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os sinais são positivos. Principalmente, porque o governo demonstra que pretende atrair capital privado.
O secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Vasconcelos, enfatiza a importância dessas iniciativas. “Se queremos um Brasil com crescimento competitivo e sustentável, não podemos esperar os investimentos públicos. O governo não tem capital estoque para investir em infraestrutura. Então, temos que recorrer à iniciativa privada”, ressaltou em evento promovido pela CBIC, no dia 12 de fevereiro de 2019.
Na reunião, o presidente da Coinfra, Carlos Eduardo Lima Jorge, destacou que o governo federal precisa implantar uma modelagem internacional de atração de investidores, a qual funciona bem em outros países, e que, segundo ele, não tem porque não dar certo também no Brasil. Lima Jorge diz ainda que é necessário ter uma regulação que cuide da precarização das obras públicas. “A gente tem assistido pelo Brasil afora muitas obras que precisaram ser demolidas por ficar muito tempo abandonadas ou por problemas na construção”, finaliza.
Acompanhe vídeo da reunião da Coinfra da CBIC
Entrevistado
Reportagem com base nas exposições realizadas nos seminários “Infraestrutura: planos do governo Bolsonaro e novas oportunidades em concessões, privatizações e parcerias público-privadas” e na primeira reunião de 2019 da Comissão de Infraestrutura (Coinfra) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
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Comércio de material de construção espera crescer 8,5%

Pesquisa da ANAMACO (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) realizada no fim de 2018, revela que 87% dos varejistas do setor estão otimistas em relação a 2019. Isso faz a associação projetar crescimento de 8,5% para este ano – maior que os 6,5% do ano passado, quando o varejo da construção civil movimentou 112 bilhões de reais. Para Cláudio Elias Conz, presidente da ANAMACO, mesmo que o governo não priorize o setor de habitação, mas invista em saúde, segurança pública e educação, estará influenciando positivamente no setor de materiais de construção. “Obras para escolas, hospitais e presídios também movimentam o comércio de materiais de construção”, resume.
O otimismo da ANAMACO se propaga por outros segmentos da cadeia produtiva da construção civil. Mesmo projetando percentuais menores, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) prevê avanço de 2% no faturamento do setor em 2019. O presidente do organismo, Rodrigo Navarro, explica que esse número pode ser revisado em função de variáveis políticas e econômicas. “O resultado está sujeito a uma série de fatores, como a aprovação da reforma da Previdência, expansão de programas habitacionais e retomada de obras paradas de infraestrutura. O novo governo sabe que um caminho rápido para gerar emprego, renda e movimentar a economia é retomar essas obras”, diz.
Setor de cimento também projeta crescer, após quatro anos consecutivos de retração
A expectativa do empresariado da indústria de materiais de construção se traduz em números. De acordo com a ABRAMAT, 56% das associadas estão confiantes com as medidas econômicas que virão a ser tomadas ao longo de 2019. Por isso, 64% das indústrias de materiais pretendem investir nos próximos 12 meses. Outro dado positivo é a expectativa positiva sobre as vendas de fevereiro. Para 44% das empresas, o desempenho deste mês deve ser “bom ou muito bom”, enquanto que para 54% o período será “regular”. Nenhuma associada declarou prever um mês de fevereiro “ruim ou muito ruim”. “Notamos a continuidade de um otimismo dos últimos meses, algo que não era observado nas lideranças do setor desde 2012”, avalia Rodrigo Navarro.
Quem também projeta crescimento, depois de quatro anos consecutivos colhendo resultados negativos, é o setor de cimento. O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) projeta aumento próximo a 3% nas vendas do material em 2019. “A indústria cimenteira do Brasil tem capacidade de produção de cerca de 100 milhões de toneladas por ano, mas está utilizando 52% de seu potencial”, cita o presidente do SNIC, Paulo Camillo Penna. No ano passado, houve retração de 1,2% nas vendas em comparação a 2017. Se as projeções para 2019 se confirmarem, o volume negociado ao final do ano deve ultrapassar os 54 milhões de toneladas. O auge de consumo de cimento no Brasil aconteceu em 2013, quando foram vendidas 70 milhões e 974 mil toneladas no ano.
Entrevistado
Reportagem com base em pesquisas e projeções da ANAMACO, da ABRAMAT e do SNIC
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Saiba por que barragens de rejeito não usam concreto

Em 9 de maio de 2018, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados rejeitou o projeto de lei 4214/15, o qual criava novas regras de segurança de barragens e depósitos de resíduos tóxicos. Um dos pontos mais relevantes da proposta indicava que barragens com capacidade superior a 4 milhões de m3, sejam de rejeitos minerais, de resíduos industriais tóxicos e de reservatórios de água, deveriam priorizar sistemas construtivos à base de concreto para dar mais segurança para essas estruturas.
O projeto de lei é de 2015, e passou a tramitar no Congresso Nacional desde o rompimento da Barragem do Fundão na região de Mariana-MG. Após a rejeição da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, foi arquivado nos termos do artigo 105 do regimento interno da Câmara dos Deputados no dia 31 de janeiro de 2019. Coincidentemente, 6 dias depois do rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, localizada em Brumadinho-MG. A estrutura, assim como a de Mariana-MG, era uma barragem construída pelo método de alteamento a montante.
A barragem que vitimou mais de 300 pessoas tinha 86 metros de altura e a área ocupada pelos rejeitos era de aproximadamente 250 mil m2, com volume de 12,7 milhões de m3. A forma como foi construída parece condenada, como definem organismos ligados à engenharia. Em manifesto, o Instituto de Engenharia reforça a ideia. Nele, o instituto critica a “abordagem excessivamente financeira” que envolve as obras, o que conduz à “redução progressiva da utilização da engenharia brasileira nos processos de escolha e contratação de projetos, construção, gerenciamentos, fiscalização de obras e montagens. Cabe lembrar que o que interessa é o menor preço no fim da obra”, alerta.
Barragens de rejeitos descartam uso de concreto para minimizar custos

O Comitê Brasileiro de Barragens também procurou se manifestar sobre o rompimento da barragem em Brumadinho-MG. No documento, referenda os argumentos do Instituto de Engenharia. “É importante frisar que as decisões de engenharia devem ser independentes de pressões, e as ações necessárias devem ser feitas dentro dos prazos necessários. Não deve haver submissão dos processos de segurança à produção, minimizando o risco de demora na decisão da ação de correção ou alerta. As barragens e seus órgãos complementares são estruturas extremamente complexas, necessitando de sedimentação do conhecimento para sua execução e operação. Portanto, é necessário o treinamento constante e qualificação dos profissionais envolvidos em todas as fases destes empreendimentos”, diz.
Seguindo a mesma linha de pensamento, o chefe do departamento de engenharia de minas da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Roberto Galéry, avalia que as barragens de rejeitos, por não pagarem seus custos, utilizam sistemas construtivos menos onerosos para as empresas. Por isso, as tecnologias que usam concreto são descartadas nesta modelagem de negócio. “A barragem de rejeito é feita para minimizar custo operacional. As hidrelétricas são feitas de concreto, mas a geração de energia paga o custo”, salienta. O especialista participou do workshop “Opções tecnológicas para a mineração: extração, barragens e rejeitos”, promovido pela UFMG na primeira semana de fevereiro de 2019. Também participaram os professores Evandro Gama e Beck Nader, que consolidaram a tese de Galéry.
Entrevistado
Reportagem com base no conteúdo do projeto de lei 4214/15, nos manifestos do Instituto de Engenharia e do Comitê Brasileiro de Barragens e no workshop “Opções tecnológicas para a mineração: extração, barragens e rejeitos”, da UFMG
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330








