Projeto transforma WhatsApp em fiscal de obra pública

Projeto de lei à espera de votação no Congresso Nacional permite que qualquer cidadão possa acompanhar e denunciar irregularidades em obras públicas em construção, através do WhatsApp. Pela proposta, os organismos públicos das três esferas de poder (federal, estadual e municipal) deverão criar grupos na ferramenta, sempre que lançarem uma obra pública. Assim, os cidadãos poderão fazer o acompanhamento em tempo real, denunciando atrasos, desperdícios e malfeitos.

Cada grupo no WhatsApp deverá ter obrigatoriamente um representante do poder público responsável pela obra, assim como da empresa contratada para a execução, prestação do serviço e aquisição de materiais. Os responsáveis têm sete dias para responder as demandas de quem estiver no grupo, define o projeto, exceto quando o pedido de esclarecimento não estiver relacionado ao objetivo do grupo, for formulado fora dos termos do regulamento ou de forma ofensiva.

O projeto de lei se estende também para autarquias, fundações públicas e estatais, quando estas contratarem obras. Aprovada pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, de Finanças e Tributação e também pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, ambas na Câmara dos Deputados, a proposta está pronta para ser votada em plenário. Se virar lei, ela prevê que a empresa ou o consórcio contratado para a execução de obra possa ser impedido de concorrer a futuras licitações por dois anos, caso não faça a “gestão compartilhada” pelo WhatsApp.

Em caso de aprovação, lei entrará em vigor após 180 dias de sua publicação oficial

A iniciativa partiu do Senado Federal, através do projeto de lei 9617/18. Segundo o texto, a ideia é que “os olhos e ouvidos das autoridades responsáveis pelos processos de execução do orçamento sejam amplificados pela participação atenta da cidadania, apoiada pela tecnologia”. Cada obra poderá ter até três grupos no WhatsApp. Caso exista número superior de pedidos de cadastro, os grupos serão definidos por critérios de desempate. Terão preferência os grupos que tiverem moradores, trabalhadores ou empresários da região afetada pelo objeto da “gestão compartilhada”.

Desde 2016, a ferramenta permite que cada grupo comporte até 256 pessoas. No entanto, em 21 de janeiro de 2019, o WhatsApp anunciou que em sua próxima atualização vai reduzir para 1/4 seu atual limite de encaminhamento de mensagens. Isso significa que os usuários, antes autorizados a enviar um mesmo conteúdo para 20 pessoas, passarão a fazê-lo para, no máximo, 5 contatos. Os dispositivos Android receberão primeiro a versão atualizada. Atualmente, no Brasil, o WhatsApp tem 125 milhões de usuários.

Não há prazo para que o projeto de lei vá à votação após 1º de fevereiro de 2019, quando os deputados federais e senadores eleitos tomam posse. Em caso de aprovação, a lei entrará em vigor após 180 dias de sua publicação oficial.

Entrevistado
Reportagem com base em publicação da Agência Câmara de Notícias

Contato: imprensa@camara.leg.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Faixa de pedestre em 3D lembra elementos de concreto

Santo André
Santo André é a primeira cidade brasileira com mais de 500 mil habitantes a adotar as faixas de pedestres em 3D. 
Crédito: Prefeitura de Santo André

Cidades do Amazonas, do Acre, do Mato Grosso e de São Paulo decidiram copiar ideias que trouxeram bons resultados na Índia, na China e na Islândia: as faixas de pedestres em 3D. As pinturas criam uma ilusão de ótica que induz o motorista a frear. A uma distância de até 20 metros, lembram elementos de concreto encravados no asfalto. Na Islândia, é onde há os resultados mais positivos. Os atropelamentos caíram 25% nas ruas em que as faixas 3D foram pintadas. No Brasil, existe a expectativa de alcançar percentuais próximos disso.

A ponto de a ideia começar a se espalhar pelo país. Também já existem cidades dos estados do sul pensando em adotar o mesmo modelo de faixa de pedestre. A iniciativa deve partir das Circunscrições de Trânsito, as Ciretrans, que são os organismos municipais encarregados de fiscalizar, organizar e planejar o trânsito em cada cidade.

No Brasil, quem primeiro colocou a ideia em prática foi o município de Primavera do Leste, no Mato Grosso, onde quatro faixas de pedestres em 3D foram pintadas por grafiteiros. O secretário de infraestrutura da prefeitura, Eduardo Wolff, comenta os resultados. “A repercussão foi boa. Como é algo novo, os motoristas se assustam com o aparente volume da faixa e diminuem a velocidade. Já deu para sentir o efeito”, diz.

A segunda cidade brasileira a adotar a ideia também avalia como positiva as pinturas de faixas de pedestres em 3D. “Essa faixa em 3D cria um impacto visual maior. Isso deve alertar mais o condutor em relação à existência da faixa de pedestres nestes locais. Queremos que o condutor tenha o sentido de alerta aguçado”, afirma o chefe da Ciretran de Cruzeiro do Sul, no Acre, Valdeci Dantas.

Na Islândia, os atropelamentos foram reduzidos em 25% nas ruas com faixas de pedestres em 3D. Crédito: Gusti Productions
Na Islândia, os atropelamentos foram reduzidos em 25% nas ruas com faixas de pedestres em 3D. Crédito: Gusti Productions

Alto índice de atropelamentos levou Nova Déli, na Índia, a ser pioneira

Primavera do Leste e Cruzeiro do Sul são municípios com menos de 100 mil habitantes. A cidade brasileira mais populosa a adotar as faixas de pedestres em 3D é Santo André, no ABC Paulista, com mais de 500 mil habitantes. Dois projetos-pilotos foram instalados no município, no final de 2017. O trabalho foi executado por funcionários do Departamento de Engenharia de Tráfego (DET) de Santo André, treinados para esse tipo de pintura. 

Fora do Brasil, a cidade pioneira na pintura de faixas de pedestres em 3D foi Nova Déli, na Índia, em 2015. A metrópole indiana tem algumas das maiores incidências de atropelamentos de pedestres no mundo. A ideia se espalhou para outras cidades do país e chegou em Xingsha, China. Na Europa, Ísafjörður, na Islândia, foi a primeira.

Primavera do Leste
Primavera do Leste, em Mato Grosso, foi a pioneira no Brasil a adotar faixa de pedestre em 3D. Crédito: Prefeitura de Primavera do Leste

Na Califórnia, nos Estados Unidos, também existem faixas de pedestres em 3D. O conceito se espalha pelo mundo para conseguir combater uma estatística perversa. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 22% das mortes no trânsito no mundo são causadas por pedestres atropelados. O Brasil aparece em 5º lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, precedido por Índia, China, EUA e Rússia e seguido por Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito.

Entrevistado
Reportagem com base em relatório da Organização Mundial de Saúde sobre alternativas para minimizar mortes no trânsito

Contato: eportuguese@who.int

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Curitiba

Perfil imobiliário de Curitiba é amplamente residencial

Curitiba
Curitiba tem dois cinturões de edifícios altos, que se estendem nas direções Leste-Oeste e Nordeste-Sudoeste. Crédito: Prefeitura de Curitiba

De acordo com o estudo “Perfil da Produção Imobiliária Formal em Curitiba”, coordenado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a capital paranaense tem sua construção ainda altamente focada em obras residenciais. O levantamento, que coletou dados dos últimos 18 anos, e também projeta números até 2020, revela que 72% dos empreendimentos imobiliários que despontaram na cidade neste período contemplaram exclusivamente a produção habitacional. Deste percentual, 61% foram voltados para a construção de habitações unifamiliares (casas e sobrados).

A análise mostra ainda que Curitiba tem dois cinturões de edifícios altos, mas na maior parte de seu território ainda predomina a construção de casas, sobrados e condomínios de até cinco pavimentos. Os prédios se concentram na região central e, especialmente, na porção do território que se estende nas direções Leste-Oeste e Nordeste-Sudoeste. O cenário mostra que a verticalização se concentra em duas frentes de crescimento. Uma que inicia no bairro Portão, e se estende até o Cabral, e outra que vai do bairro Cristo Rei ao Bigorrilho.

A pesquisa, concluída no final de 2018, influenciou o projeto encaminhado à Câmara Municipal, e que propõe uma nova Lei de Zoneamento, Uso e Ocupação do Solo para Curitiba. A expectativa é de que a votação ocorrerá em 2019. “É um trabalho inédito, referenciado nos alvarás de construção emitidos pela Secretaria Municipal do Urbanismo, e que já obtiveram Certificado de Vistoria de Conclusão de Obras (CVCO), ou seja, os empreendimentos imobiliários efetivamente concluídos”, explica a arquiteta Mônica Máximo da Silva, coordenadora do estudo.

Cidade ainda tem disponibilidade de terrenos a preços relativamente baixos

A nova Lei de Zoneamento busca estimular áreas comerciais em Curitiba. Ela propõe o aumento da área de comércio e serviços para 400 m² em qualquer lugar da cidade, aumenta o coeficiente para habitação no centro e amplia de 400 m² para 2.000 m² o tamanho de obras comerciais em vias setoriais e coletoras. Além disso, cria uma nova tipologia: a Zona de Uso Misto 3 (ZUM-3) que estimula a convivência entre habitação e não-habitação. Essas alterações tendem a incentivar a construção conhecida como built to suit (construção sob medida) na capital paranaense.

Outro dado relevante é que a cidade tem alta disponibilidade de terrenos a preços relativamente baixos, se comparado a outras capitais do país. Principalmente no sentido sudoeste do município, onde a ocupação urbana ainda não está consolidada e onde o preço da terra é significativamente barato. Já a zona central, o Centro Cívico e os eixos estruturais, onde há um elevado grau de consolidação de edificações, são as áreas onde o valor da terra é o mais caro de Curitiba. Por fim, a pesquisa do Ippuc ainda revela que, desde 2000, a capital paranaense teve uma média de 1.970 empreendimentos imobiliários concluídos por ano. 

Leia a íntegra da pesquisa intitulada “Perfil da Produção Imobiliária Formal em Curitiba

Entrevistado
Reportagem com base no relatório da pesquisa “Perfil da Produção Imobiliária Formal em Curitiba”, divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc)

Contato: ippuc@ippuc.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

EUA prevêem maior crescimento da construção em 50 anos

Todas as projeções de indicadores econômicos dos Estados Unidos apontam que a construção civil do país vai bater recorde de produção em 2019. Um sinal é a taxa de desemprego do setor, que já é histórica, superando o menor nível registrado em 1969 (3,7%). Cinquenta anos depois, o índice de desemprego da construção civil norte-americana está em 3,6%, segundo dados preliminares de janeiro de 2019. Porém, as projeções são de que fique abaixo de 3% ao longo do ano.

No auge da crise desencadeada em 2008, o desemprego na construção civil dos EUA chegou a 27,1%. Atualmente, há quase 7 milhões de empregos disponíveis na cadeia produtiva da construção civil dos Estados Unidos. Em cidades como Orlando e Tampa, na Flórida; Riverside, na Califórnia; Houston e Dallas, no Texas; Phoenix, no Arizona; Charlotte, na Carolina do Norte; Portland, no Oregon; Seattle, em Washington, e Denver, no Colorado, já falta mão de obra. A ponto de ocorrer recrutamento de trabalhadores em outros países.

Na cidade de Suzano-SP foi instalado um processo de seleção para levar 600 profissionais para fora do Brasil. As vagas são para armador (50), carpinteiro (50), encanador (50), gesseiro (50), marceneiro (50), montador (50), pedreiro (50), pintor (50), servente (100) e soldador (100). Os salários oferecidos são a partir de 6 mil reais e boa parte tem Miami como destino, para trabalhar na construção de um shopping center. Outra parte vai para Portugal, atuar na construção de uma rodovia.

Polêmico muro na fronteira com o México pode impulsionar ainda mais o setor

Está tão pujante a construção civil nos Estados Unidos, que nem as enchentes na Carolina do Sul, em setembro de 2018, e os incêndios na Califórnia, em novembro do ano passado, foram capazes de conter o crescimento do setor. Um dos índices que baliza a construção dos EUA, o Conference Board’s Leading Economic, mostra não haver sinais de queda de ritmo ao longo de 2019. Pelo contrário, se o presidente republicano Donald Trump conseguir viabilizar a construção do muro na fronteira com o México, daí sim é que o setor tende a crescer mais.

Também contribui para o volume de obras o fato do país ter passado por uma reforma tributária em 2017. Os resultados começam a ser colhidos agora e 34 dos 50 estados norte-americanos experimentam sobra de caixa para investir em obras de infraestrutura. Os setores que mais recebem investimentos são abastecimento de água (cresceu 37% de 2017 para 2018), conservação e abertura de estradas (34%), transporte público (23%) e mobilidade urbana nas cidades (14%).

Para o economista-chefe da Associated Builders and Contractors (Associação de Empreiteiros e Construtores) dos EUA, Anirban Basu, “as perspectivas econômicas dos Estados Unidos para 2019 parecem benignas”. Ele só alerta para as pressões inflacionárias e o excesso de crédito, que foram cenários que levaram para as recessões de 1980-1981, 1990-1991, 2001 e 2007-2009. “Os empreiteiros devem estar cientes de que as recessões geralmente ocorrem dentro de dois anos após o pico de confiança”, avisa.

Entrevistado
Reportagem com base em análise da Associated Builders and Contractors (Associação de Empreiteiros e Construtores) assinada pelo economista-chefe Anirban Basu

Contato: basu@abc.org 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

concreto com nanopartículas de cenoura

Pesquisa tenta criar "filtro solar" para o concreto

concreto com nanopartículas de cenoura
Mohamed Saafi com as amostras de concreto com nanopartículas de cenoura: aditivo natural contra manifestações patológicas. Crédito: Youtube

Fibras extraídas de cenouras, e transformadas em nanopartículas, têm sido agregadas ao concreto em pesquisa desenvolvida na Universidade de Lancaster, no Reino Unido. A constatação é que os efeitos causados no material são semelhantes aos que protetores solares à base do legume propiciam à pele humana. Ou seja, protegem o concreto dos raios UV (ultravioleta). O objetivo do estudo, que tem prazo até 2020 para ser concluído, é chegar a um aditivo natural para o concreto.

O estudo revela que as nanopartículas atuam como “filtro solar” e ajudam a proteger o concreto principalmente nas primeiras idades do material, quando ele está mais exposto a fissuras provocadas por retração de origem térmica. “A capacidade de resistência mecânica do concreto apresenta significativa evolução”, diz relatório preliminar, já que a pesquisa terá mais um ano para chegar às conclusões finais. Em 2019, a pretensão dos pesquisadores é testar nanopartículas extraídas de outros legumes para comparar os resultados obtidos com a cenoura.    

As primeiras impressões revelam que as nanopartículas à base de cenoura trabalham tanto para estimular a reatividade do hidrato de silicato de cálcio como para prevenir contra rachaduras. O estudo está a cargo do pesquisador Mohamed Saafi, professor do departamento de engenharia civil da Universidade de Lancaster. “Os compósitos cimentícios que testamos apresentaram microestruturas mais densas, o que é importante para evitar a corrosão e aumentar a vida útil dos materiais”, diz.

Estudo também quer chegar a uma tinta que proteja melhor fachadas e estruturas à base de cimento

Os elementos de concreto produzidos nos laboratórios na Universidade de Lancaster utilizam Cimento Portland comum. No estudo, os pesquisadores detectaram que a flexibilidade do concreto melhorou com a aplicação das nanofibras vegetais. A constatação é de que o material tem desempenho semelhante aos que utilizam fibra de carbono. “Produzimos vigas de concreto capazes de resistir a forças potencialmente prejudiciais quando submetidas a uma carga de flexão”, explica Mohamed Saafi.

Os próximos passos da pesquisa serão no sentido de descobrir o volume ideal de nanopartículas por m³ de concreto, a fim de que possa ser testado o fck (resistência à compressão) do material. Para os pesquisadores, essa etapa será muito importante, pois pode significar a aprovação do compósito para uso em grandes estruturas, como pontes e viadutos. “Ter esses dados será a fronteira entre uma mera pesquisa de laboratório e a aplicação prática de nossa pesquisa”, afirma o coordenador do estudo.

Paralelamente aos testes em concreto, o departamento de engenharia civil da Universidade de Lancaster também pesquisa sobre a aplicação das nanopartículas na composição de tintas para revestimentos à base de cimento. A intenção é criar um material que proteja as estruturas e fachadas das ações das intempéries e também das ações dos raios UV e que, ao mesmo tempo, cause menos danos ambientais, substituindo elementos noviços das tintas por componentes naturais.

Entrevistado
Reportagem com base em relatório preliminar a da pesquisa, publicado pela Universidade de Lancaster

Contato: engineering@lancaster.ac.uk

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

“Sonho da casa própria” tem um vilão: o frete

frete
Reivindicação da construção civil é que frete seja regulado pelo mercado, e não por tabelamento. Crédito: CNI

Está pensando em realizar o sonho da casa própria em 2019? Saiba que o plano pode ficar mais caro. A culpa não é do mercado imobiliário, mas do frete cobrado para transportar materiais de construção e até os móveis que podem decorar a futura residência. A questão é polêmica. A ponto do Supremo Tribunal Federal (STF) adiar a decisão sobre a constitucionalidade do tabelamento do frete, que foi adotado depois da greve dos caminhoneiros, em maio de 2018. Porém, existe a expectativa de que o novo governo restabeleça a lei de mercado para o frete e que o STF não interfira favoravelmente ao setor de transporte.

Convictos de que o frete deve ser regulado pela lei de mercado, 75 organismos de classe empresarial entregaram uma carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro, a fim de que seja revogada a lei 13.703/18, que instituiu a tabela de fretes. A medida gerou mais de 60 questionamentos judiciais, sob a alegação de que prejudica a competitividade da economia brasileira ao aumentar a burocracia e os custos dos produtos brasileiros para os mercados domésticos e internacionais. “Isso atrapalhará, em especial, as exportações de produtos de maior valor agregado, que ficarão mais caros do que seus concorrentes internacionais, e impedirá que mais recursos estrangeiros venham para o Brasil”, alegam os organismos que assinam a carta aberta. 

Entre as signatárias do documento estão a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e o SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento). Segundo Maurício Lima, especialista da consultoria ILOS, o setor de cimento é um dos que viram o custo com frete aumentar em 2018. “Para as cimenteiras, a frota própria pode valer a pena, pois o transporte representa mais de 30% do preço do produto. Outra alternativa é alugar caminhões com motoristas próprios ou contratar uma frota dedicada. Porém, há uma insegurança muito grande no momento, até que o STF tome uma decisão”, avalia.

Custo com logística varia de 5% a 12% da receita líquida das empresas

Hoje, 58% de tudo que é transportado no Brasil circulam em rodovias. O encarecimento do frete ainda é potencializado pelo envelhecimento da frota, o baixo investimento em infraestrutura e o aumento dos registros de roubos de carga. Atualmente, o custo com logística no orçamento das empresas cresceu consideravelmente, variando de 5% a 12% da receita líquida, dos quais cerca de 2/3 estão diretamente ligados com os meios de transporte. No fim de 2018, atendendo o recurso da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) o ministro Luiz Fux decidiu em caráter liminar que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está proibida de multar os transportadores que não seguirem a tabela de preços mínimos de fretes. No entanto, vai caber ao plenário do STF uma decisão final. Ainda não existe data para o julgamento.

Cenário atual da logística no Brasil

  • 45% da frota brasileira têm mais que 20 anos
  • 85% da frota são de profissionais autônomos
  • 58% do que é transportado são por rodovias
  • 5% a 12% da receita líquida das empresas equivalem ao custo logístico (2/3 apenas com transporte)

Leia a íntegra da carta aberta encaminha à Presidência da República. 

Entrevistado
Reportagem com base em documento conjunto da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Real Estate

Engenheiro civil precisa entender de Real Estate? Sim

Real Estate
Entender de Real Estate é divisor de águas entre o empreendedor da construção civil que busca bons negócios e o que pode vir a ter problemas. Crédito: Divulgação

Aos engenheiros civis com vocação para empreender é imprescindível ter conhecimento de Real Estate. O termo abrange toda a cadeia do mercado imobiliário. Desde a prospecção do terreno, passando pelo desenvolvimento do projeto, a pesquisa de mercado e o perfil de público a quem vai se destinar a edificação. Envolve também a produção e a construção do empreendimento, além da etapa comercial e a fase pós-ocupação. Portanto, conhecer sobre Real Estate é como um divisor de águas entre o engenheiro civil que sabe viabilizar bons negócios para sua construtora e o que pode vir a ter problemas.

Na prática, a formação dos engenheiros civis no Brasil tem pouco foco no tema. Entre as escolas de engenharia do país, apenas a Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) conta com uma disciplina em sua graduação. Além disso, a universidade oferece um curso de MBA para quem quer se aprofundar, ministrado pelo Núcleo Real Estate da USP, criado na década de 1980. Batizado de Real Estate, Economia Setorial e Mercados, o MBA é presencial, com carga horária de 420 horas, e também online, com um pacote mínimo de 10 aulas. O próximo ciclo presencial está previsto para começar no dia 19 de fevereiro de 2019.

As grades do MBA presencial e do online são semelhantes, mas no presencial há um aprofundamento maior. O curso também abrange graduados em arquitetura, administração de empresas e em direito, e engloba os seguintes temas:

  • Ajuste do produto a ser lançado ao mercado-alvo, o valor do imóvel e os fatores que o influenciam
  • Análise da qualidade do investimento para empreendimentos imobiliários
  • Ciclos de mercado e configurações que favorecem o surgimento de bolhas, através de técnicas de análise de risco
  • Financiamento imobiliário
  • Parceria nas incorporações

Comitê do Núcleo Real Estate faz prognósticos para o mercado imobiliário em 2019

O coordenador do curso, professor-doutor João da Rocha Lima Jr., explica as razões que levaram à escolha das disciplinas. “Elas envolvem a formatação do produto residencial, a construção de modelos de análise para dar suporte à decisão de empreender e as técnicas para construção de cenários e decisão diante do risco. Também abrangem os sistemas de funding para a implantação desses empreendimentos e a formação de parcerias para seu desenvolvimento. Esses são pilares do conhecimento em Real Estate, sobretudo no Brasil, e que, com raras exceções, é pouco abordado nos cursos de graduação de engenharia, arquitetura ou administração”, diz.

Além de ensinar, o Núcleo Real Estate da USP também faz avaliações do mercado, que são publicadas bimestralmente pelo seu comitê de mercado. A mais recente, divulgada em novembro de 2018, analisa o mercado imobiliário para 2019. No documento, o grupo faz projeções para empreendimentos residenciais, corporativos, hotéis, shopping centers, galpões logísticos e industriais. No estudo, destacam-se alguns pontos relevantes. Entre eles, o prognóstico de que os preços de imóveis residenciais estarão sob pressão inflacionária e que o FGTS não será suficiente para financiar a continuidade de programas como o Minha Casa Minha Vida. O estudo também aponta que empresas de porte médio da construção civil vão ganhar protagonismo. “Empresas de menor escala terão mais facilidades para desfrutar das oportunidades diferenciadas que vão surgir”, avalia a nota do comitê.

Clique aqui para ler a íntegra da nota do comitê de mercado do Núcleo Real Estate da USP

Assista vídeo sobre real estate
(clique e cadastre-se para ver o vídeo gratuitamente)

Entrevistado
Reportagem com base em estudo do Núcleo Real Estate da Universidade de São Paulo (USP)

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

concreto aparente

Mão de obra é peça-chave para concreto aparente colorido

concreto aparente
No Brasil, o complexo de edifícios da Praça das Artes, em São Paulo-SP, é considerado referência como obra em concreto aparente colorido. Crédito: Bayferrox

Em obras com concreto aparente colorido, seja em fachadas ou áreas internas, a mão de obra é peça-chave para o sucesso do projeto. Autor do livro “Como Qualificar a Mão de Obra na Construção Civil”, e especialista em trabalhar com concreto aparente colorido, o engenheiro civil Gabriel Regino expôs em web seminário quais os cuidados que se deve ter para o uso do material. O bom resultado é uma combinação de fatores que incluem a escolha e a dosagem correta dos pigmentos, a produção e o controle técnico do concreto e a execução dos elementos moldados in loco. “Executar concreto aparente colorido é igual a andar de moto. Quem acha que sabe muito, cai”, exemplifica Gabriel Regino.

Na escolha dos pigmentos que serão misturados ao concreto, para que ele ganhe cor, o recomendado é que a opção recaia sobre os inorgânicos, pois resistem aos raios ultravioletas (UV) e às intempéries climáticas, diferentemente dos orgânicos, que tem baixa resistência e perdem propriedades quando expostos à alcalinidade do cimento. No Brasil, não existe uma norma técnica para concreto aparente colorido, por isso quem trabalha com esse material se baseia nas instruções da norte-americana ASTM C979 - partes 1, 2, 3, 4 e 5, normalização dos pigmentos para concreto aparente (concreto colorido). Entre suas recomendações está, por exemplo, a escolha do cimento.

O cimento gera influência na cor final do concreto aparente colorido, em função de suas adições - principalmente as pozolânicas. Os agregados finos, como a areia, também afetam a pigmentação. Da mesma forma, a relação água-cimento no preparo do concreto, juntamente com a dispersão do pigmento na mistura. O recomendável é que a concentração de pigmento não passe de 8% do volume total do concreto. No mercado, estabeleceu-se como padrão um percentual entre 4% a 6%. Gabriel Regino lembra que trabalhar com concreto aparente colorido é um “processo empírico de tentativa e erro”. Por isso, ele recomenda que, para chegar na cor ideal, engenheiro, arquiteto e cliente definam o tom almejado na fase de projeto.

Concreto colorido comprado em concreteira requer controle técnico mais rigoroso

No web seminário, Gabriel Regino lembra ainda que a validação do material com arquiteto e cliente deve ser feita com uma amostra em escala real. Antes, é necessário definir também a textura e o tipo de fôrma. Os mais comuns utilizam compensado plastificado, compensado OSB, fôrma de bambu, tábuas ou ripas de pinus. Outra recomendação é quanto o uso do concreto comprado em concreteira. É necessário um controle técnico mais rigoroso, para que o tom não destoe de um caminhão-betoneira para outro. “O ideal é que a concretagem se dê em etapa única, o que nem sempre é possível. Neste caso, existem aditivos que ajudam no ajuste fino”, revela o engenheiro.

No Brasil, atualmente o concreto aparente colorido tem sido usado com maior frequência em projetos de residências de alto padrão, como decoração interna ou para realçar fachadas. A obra pública mais emblemática do país com essa tecnologia é o complexo de edifícios da Praça das Artes, em São Paulo-SP. Na Espanha e nos países do Oriente Médio é mais comum a aplicação do material. Já a Alemanha está testando o concreto colorido em rodovias, para alertar os motoristas em trechos que carecem de maior atenção. Neste caso, os pigmentos amarelo e vermelho são os mais usados.

Clique aqui para assistir ao web seminário.

Entrevistado
Reportagem com base no web seminário “Soluções sustentáveis de pigmento com alta performance para concreto colorido”, com o engenheiro civil Gabriel Regino e o químico Nitemar Vieira

Contato: contato@email.aecweb.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Saneamento

Saneamento básico vira foco de estrangeiros no Brasil

Saneamento
Universalizar o saneamento básico no Brasil custa, atualmente, 304 bilhões de reais. Crédito: Divulgação

O mercado de saneamento básico do Brasil, antes uma prerrogativa do poder público, tende a ser cada vez mais entregue ao investimento privado. Por dois motivos: os governos não conseguem universalizar o tratamento de água e a coleta de esgoto, e existe amplo interesse de empresas estrangeiras em atuar neste setor – destaque para chinesas, espanholas e canadenses. O foco inicial está em 447 projetos paralisados no país, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O potencial de negócios pode superar 100 bilhões de reais.

Boa parte do sistema de saneamento básico brasileiro está sob a gestão de governos estaduais e prefeituras. Isso facilita os negócios, pois as parcerias com o setor privado independem de ações do governo federal. Assim, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) são firmadas com menos burocracia e as concessões operam com mais rapidez. Desde 2013, quando o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) foi lançado, prevendo a universalização nacional do sistema até 2033, surgiu a autorização para que houvesse a privatização do setor.

Atualmente, 322 municípios têm o sistema de saneamento básico operando através de concessões plenas ou parciais. Essas cidades respondem por 20% de todo o investimento anual em saneamento no país. Os recursos das concessões privadas no setor devem chegar a 34 bilhões e 800 milhões de reais até 2020. De acordo com ranking divulgado pela ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental) 7 dos 14 municípios que estão próximos de atingir 100% no tratamento de água e na coleta de esgoto têm o saneamento gerido pela iniciativa privada.

Os municípios que lideram o ranking da ABES são Niterói-RJ (concessão plena), Araçatuba-SP (concessão plena), Limeira-SP (concessão plena), Votorantim-SP (concessão plena), Jundiaí-SP (concessão parcial de esgoto), Piracicaba-SP (Parceria Público-Privada (PPP) de esgoto) e Birigui-SP (concessão parcial de água). As demais ranqueadas, mas que ainda estão sob o controle do poder público, são Araraquara-SP, Curitiba-PR, Franca-SP, Maringá-PR, Santos-SP, São José dos Campos-SP e Taubaté-SP.

País não tem como dispensar o capital privado, diz o Instituto Trata Brasil

O mais recente estudo do Instituto Trata Brasil, intitulado “Benefícios Econômicos e Sociais de Expansão do Saneamento no Brasil”, mostra que não há mais como o país dispensar o capital privado neste tipo de serviço. O diagnóstico é de que o Brasil não conseguirá universalizar o sistema apenas com recursos públicos. Em 12 anos (2004 a 2016) a distribuição de água tratada passou de 80,6% para 83,3%. Já a parcela da população com acesso aos serviços de coleta de esgoto progrediu de 38,4% para 51,92%, entre 2005 e 2016. “A despeito dos inegáveis avanços do saneamento básico no Brasil, o número de brasileiros sem acesso a esses serviços ainda é enorme e o desafio da universalização é cada vez maior”, diz a Trata Brasil.

Pelas metas traçadas pelo Plansab, o país deverá fazer um investimento de 304 bilhões de reais até 2033, a fim de universalizar o saneamento básico. No entanto, a diferença entre o que deveria ser investido e o orçamento real do poder público destinado para essas obras é abissal. Em 2018, para se ter ideia, os governos federal e estaduais disponibilizaram 5 bilhões e 500 milhões de reais para o saneamento básico, quando o valor mínimo deveria ter sido de 22 bilhões de reais. É por isso que a entrada do capital privado parece ser inadiável para o setor.

Veja a íntegra do estudo Benefícios Econômicos e Sociais de Expansão do Saneamento no Brasil. Clique aqui.

Entrevistado
Reportagem com base no estudo do Instituto Trata Brasil, intitulado “Benefícios Econômicos e Sociais de Expansão do Saneamento no Brasil”

Contato: tratabrasil@tratabrasil.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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IPTU Verde: veja se você pode usufruir desta vantagem

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IPTU Verde: nos estados das regiões sul, sudeste e centro-oeste, todas as capitais já adotam desconto no imposto municipal. Crédito: Divulgação

No Brasil, já são 65 municípios com mais de 200 mil habitantes que adotam o IPTU Verde. Trata-se de desconto sobre o valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na medida em que a edificação faz uso de soluções sustentáveis, seja em construções novas ou reformadas. As exigências impostas pelas prefeituras não variam muito para casas individuais, condomínios horizontais ou verticais. O que muda de cidade para cidade é o valor do desconto, que pode ir de 5% até a isenção total do imposto.

A adoção do IPTU Verde é uma prática recente. Começou em 2008 e veio se espalhando pelo país. Tornou-se mais comum nos estados do sul e sudeste e gradativamente foi alcançando outras regiões. No entanto, ainda é novidade em algumas partes do Brasil. Em Pernambuco, por exemplo, a cidade de Caruaru será a primeira do estado a dar desconto para construções sustentáveis ou que preservem áreas verdes. A novidade será implantada a partir de 2020, com desconto máximo de 20%.

Além de IPTU Verde, o imposto predial diferenciado também recebe outros nomes pelo país afora, como IPTU Ambiental, IPTU Sustentável ou IPTU Ecológico. A primeira cidade brasileira a adotar o sistema foi São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em 2008. Depois vieram Guarulhos, também na região metropolitana de São Paulo-SP, e Poços de Caldas, em Minas Gerais. No ranking de municípios que mais oferecem descontos, dois paulistas também lideram a lista: Tietê, a única que concede isenção total do imposto, e Campos do Jordão, onde o abatimento pode chegar a 90%.

Edificações com certificações sustentáveis obtêm melhores descontos

Nos estados das regiões sul e sudeste do Brasil, todas as capitais já possuem o IPTU Verde, assim como no centro-oeste. No nordeste, a capital que tem o programa mais consolidado é Salvador, na Bahia. Outras cidades possuem um sistema de desconto menos abrangente e focado principalmente no aproveitamento da energia solar em residências, como é o Palmas Solar, na capital do Tocantins. Nos municípios com ampla cobertura do IPTU Verde, edificações com certificações sustentáveis, com LEED e AQUA-HQE, asseguram melhores descontos no imposto. Quanto mais graduada a certificação, maior o percentual de abatimento.

Para as construções que se credenciam aos descontos, os requisitos para obter os benefícios do IPTU Verde são os seguintes:

  • Captação de água da chuva e utilização
  • Reúso de água
  • Aquecimento com uso de painéis fotovoltaicos
  • Uso de materiais sustentáveis na construção
  • Separação e encaminhamento de resíduos sólidos inorgânicos para reciclagem (sistema de coleta seletiva de lixo)
  • Plantios de espécies arbóreas nativas
  • Disposição de áreas verdes de acordo com a extensão total do imóvel
  • Sistema para manutenção de áreas permeáveis
  • Permitir recarga do lençol freático
  • Construção de calçadas ecológicas
  • Arborização no calçamento
  • Instalação de telhado verde
  • Uso de lâmpadas de LED

Entrevistado
Reportagem com base no seminário “Sustentabilidade? Isso já fazemos. Agora a busca é por inovação”, ocorrido dentro do GreenBuilding Brasil 2018

Contato: contato@gbcbrasil.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330