Maior ponte de concreto em 3D é inaugurada na China

Uma ponte pedonal (ponte para tráfego de pedestres) com 26,3 metros de comprimento e 3,6 metros de largura é a maior obra de arte em concreto construída por meio de impressão 3D. A estrutura foi concluída recentemente em Xangai, na China. O tabuleiro da ponte é composto por 44 elementos de concreto, enquanto os guarda-corpos são divididos em 68 unidades. Os componentes foram impressos a partir de materiais compósitos, contendo concreto misturado a fibras de polietileno para melhorar o desempenho estrutural da ponte. O projeto é do professor Xu Weiguo, da escola de arquitetura da Universidade de Tsinghua.
Construída para a circulação de pedestres, a ponte teve seus elementos impressos em 450 horas e foi montada em uma semana, por 10 operários da construção civil. O projeto causou economia de 33% em relação a um sistema convencional de construção. Os dois robôs que atuaram na impressão trabalharam ininterruptamente. Com isso, evitou-se a obstrução no processo de extrusão e eventuais colapsos durante o empilhamento de camadas do material. Outra inovação envolve a fórmula da pasta para a impressão, cujo foco se concentrou no desempenho acima de 80 MPa e na estabilidade da reologia do concreto.
A ponte também incorpora sistema de monitoramento em tempo real, incluindo sensores de tensão e de deformação de alta precisão. Isso permite coletar os dados e possibilita aos pesquisadores rastrear o desempenho do concreto e as propriedades mecânicas dos componentes da estrutura. “A conclusão da ponte representa mais um passo na consolidação da tecnologia de impressão 3D em concreto e coloca a China como um dos países de vanguarda no uso deste modelo de construção”, avalia o professor Xu Weiguo. A impressão e a construção da ponte contaram com a participação da empresa Wisdom Bay Innovation Park, que já atuou em outros projetos com impressão 3D na China.
Estrutura se inspira na ponte mais antiga da China, construída há 1.400 anos
A estrutura para pedestres em Xangai foi inspirada na ponte mais antiga da China, construída entre 589 e 618 d.C, em Zhaoxian, no norte do país. Apesar de ser a maior obra de arte em concreto construída por meio de impressão 3D, o projeto não é inédito. A primeira ponte de concreto impressa em 3D do mundo foi inaugurada na Holanda, em outubro de 2017, medindo 8 metros. A estrutura foi projetada pela Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na cidade de Gemert, com a função de ligar dois pontos de uma ciclovia.
Em seu comunicado sobre a construção da ponte, o professor Xu Weiguo constata que a impressão 3D em concreto ainda precisará amadurecer para ser utilizada pela “engenharia real”. “Ainda há muitos pontos de estrangulamento que precisam ser resolvidos na construção da impressão 3D de concreto. O ponto positivo é que já existem algumas instituições de pesquisa científica e empresas de construção no mundo que estão comprometidas com a pesquisa técnica nesta área. Entendemos que será a tecnologia do futuro, até porque a demanda por mão de obra em projetos de construção será cada vez mais escassa", finaliza.
Veja vídeo sobre a construção da ponte construída em Xangai
Entrevistado
Professor Xu Weiguo, da escola de arquitetura da Universidade de Tsinghua
Contato: xwg@mail.tsinghua.edu.cn
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Novas tecnologias para o concreto: dizer sim ou dizer não?

Implantar novas tecnologias na indústria de concreto não é como lançar um smartphone para o público, diz Jon Belkowitz, diretor de P&D do Instituto Concreto Inteligente, localizado no estado do Colorado, nos Estados Unidos. “À medida que o concreto endurece as tecnologias cessam”, complementa o engenheiro civil e pesquisador do material. Belkowitz, que palestrou no WOC (World of Concrete) 2019, afirma ser favorável que a tecnologia atenda as necessidades de quem vai usar o concreto. “As práticas diárias é que definem se uma tecnologia é interessante para aquele concreto ou não”, completa.
Para o pesquisador, existem problemas do mundo real que não precisam de grandes tecnologias para se obter uma solução. No entanto, ele reconhece que a adoção de uma nova tecnologia deixa um legado importante para a construção civil. Porém, alerta: a decisão de adotar algo inovador na obra precisa ser em conjunto. “Empreiteiros costumam só adotar uma tecnologia depois de cinco anos. Antes disso, a pergunta que eles mais fazem quando lhes mostram uma inovação é: quem vai pagar por isso se algo der errado? Assim, a tomada de decisão deve envolver o engenheiro responsável pela obra, a concreteira, o empreiteiro, o incorporador e o projetista”, diz.
Jon Belkowitz ressalta que cada um dos atores envolvidos com a obra tem responsabilidades profissionais. “Independentemente do concreto ser inovador ou não, todos devem se certificar de que o material é fabricado e entregue com qualidade e controle, e que a colocação atenderá aos requisitos de vida útil e de resistência e durabilidade”, resume. Essa dinâmica, continua o diretor do Instituto Concreto Inteligente, oferecerá à nova tecnologia do concreto uma chance justa de mostrar a sua eficácia. “Dizer não economiza tempo e dinheiro, mas também reduz a curva de aprendizado que a indústria do concreto consegue ter quando uma nova tecnologia é agregada ao material”, complementa.
Tecnologias inovadoras do concreto trazem soluções para o amanhã
O pesquisador lembrou que uma tecnologia, quando bem sucedida, aumenta a resistência, a durabilidade e a vida útil do concreto. “Ao empregar novas tecnologias, agimos nas moléculas do concreto e endurecemos sua espinha dorsal contra manifestações patológicas. Nenhuma inovação agregada ao concreto, e comprovadamente eficaz, deixou de melhorar o material. As tecnologias sempre deixam seu legado positivo”, reconhece Jon Belkowitz, para quem as universidades e os centros de pesquisa têm papel relevante neste trabalho. “Nosso papel, como inovadores do concreto, é permitir que o mundo continue usando concreto. Isso é feito por meio da educação, da pesquisa e da adoção de tecnologias inovadoras que trarão soluções para o amanhã”, finaliza.
Entrevistado
Reportagem com base em palestra de Jon Belkowitz, diretor de P&D do Instituto Concreto Inteligente, na edição 2019 do World of Concrete (WOC)
Contato: jon.belkoiwitz@intelligent-concrete.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Portugal desvenda 90 anos da arquitetura brasileira

“Infinito Vão - 90 Anos de Arquitetura Brasileira” é considerada a mais completa exposição sobre os principais arquitetos do país e suas obras. Organizada pela Casa da Arquitectura (CA), ela acontece até 28 de abril de 2019 em Matosinhos-Portugal. Foram dois anos de pesquisa para reunir um patrimônio com mais de 200 doações, e que vai integrar o acervo permanente da CA. O acervo ainda conta com 103 projetos originais e mais de 50 mil elementos entre desenhos, fotografias, documentos textuais, filmes, maquetes, cerâmicas e outros objetos históricos. O material foi todo digitalizado e, em breve, poderá ser visto também pela internet. Porém, os originais não retornam mais ao Brasil.
O título da exposição foi inspirado no trecho da música Drão, de Gilberto Gil, onde um dos poemas diz: “... o verdadeiro amor é vão, estende-se infinito, imenso monolito, nossa arquitetura...”. A seleção dos projetos e dos objetos esteve a cargo dos curadores brasileiros Fernando Serapião e Guilherme Wisnik, que procuraram abranger diferentes gerações de arquitetos brasileiros. Entre os autores selecionados destacam-se Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, MMM Roberto, Sergio Bernardes, Roberto Burle Marx, Vilanova Artigas, Lina Bo Bardi, Rino Levi, Severiano Mario Porto, João Filgueiras Lima (o Lelé) e Paulo Mendes da Rocha.
Os projetos que estão em Portugal resultaram de contratos de doação assinados pelos arquitetos e seus herdeiros. A maior parte dos desenhos originais destes autores estava no acervo de coleções públicas e privadas (faculdades, fundações e instituições brasileiras), com quem os curadores, em nome da Casa da Arquitectura, realizaram um acordo, a fim de viabilizar a exposição. A maior parte da coleção é dedicada à fase contemporânea dos autores, mas contempla também profissionais de gerações mais jovens da arquitetura brasileira, como Marcos Acayaba, Brasil Arquitetura, Angelo Bucci, Andrade Morettin e Carla Juaçaba.
Veja os períodos abordados na exposição
1924 a 1943
Envolve o vertiginoso processo de “formação” da arquitetura moderna brasileira, documentado na mostra Brazil Builds, em 1943, no Museu de Arte Moderna de Nova York.
1943 a 1957
No período que vai da Pampulha até o concurso para o Plano Piloto de Brasília, o Brasil viveu o apogeu de uma geração que inventou uma arquitetura arrojada, de espaços amplos e perfis sinuosos, que sublima os esforços da construção e seus grandes vãos. Destacam-se nesta fase Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.
1957 a 1969
Enquanto a arquitetura carioca declina, surge em São Paulo, o centro industrial do país, uma produção vigorosa, baseada no uso pleno do concreto armado e aparente, na afirmação do peso e na exploração formal das estruturas.
1969 a 1985
No norte do país, Severiano Porto cria uma arquitetura que combina a linguagem moderna com a tradição construtiva indígena. Em São Paulo, aproveitando o clima de distensão da ortodoxia moderna, Lina Bo Bardi, no Sesc Pompeia, e Eurico Prado Lopes e Luiz Telles, no Centro Cultural São Paulo, criam edifícios lúdicos, nos quais a didática estrutural já não é o centro da questão.
1985 a 2001
Sediado na Bahia, João Filgueiras Lima, o Lelé, adapta as “formas livres” de Niemeyer a um raciocínio de industrialização, utilizando da fabricação pré-fabricada do concreto para amparar a construção dos hospitais da rede Sarah Kubitschek por todo o Brasil.
2001 a 2018
Esse período aborda a convivência contrastante entre uma valorização hedonista da arquitetura, em edifícios culturais e prédios ligados ao mercado imobiliário, e um forte ativismo de coletivos e movimentos sociais por moradias.
Números da exposição
• Anos de preparação: 2
• Arquitetos com obras na exposição: 136
• Projetos em exposição: 90
• Metros quadrados de área expositiva: 1.000
• Meses de programação: 7
• Coleção: 103
• Projetos doados: 2.822
• Quilos de material levados do Brasil: 50.292
• Documentos doados: 45.581
• Desenhos originais: 2.950
• Fotos: 1.485
• Publicações: 150
• Documentos em texto: 92
• Maquetes: 18
• Fac-similes: 11
• Filmes: 3
• Cerâmicas: 10
Entrevistado
Reportagem com base no material de divulgação da exposição “Infinito Vão - 90 Anos de Arquitetura Brasileira” (via assessoria de imprensa)
Contatos
info@casadaarquitectura.pt
http://casadaarquitectura.pt/exposicoes/
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Tecnologia faz lama de barragem virar agregado do concreto

No Brasil, já existe tecnologia para transformar a lama de rejeitos de mineradoras, acumulada em perigosas barragens a montante, em agregados que podem ser empregados na produção de concreto, argamassa, cerâmica, tijolos e blocos, com aproveitamento em várias obras. A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) mantém linhas de pesquisa relacionadas ao aproveitamento de rejeitos. O departamento de engenharia de minas da universidade já consegue, através do processo de calcinação (queima controlada), separar componentes da lama, como areia, pozolana e pigmentos, que podem ser reaproveitados pela indústria da construção civil.
Segundo o chefe do departamento de engenharia de minas da UFMG, Roberto Galèry, já há tecnologias que possibilitam o aproveitamento de 100% desses rejeitos e sua transformação em artefatos cimentícios e cerâmicos. "Não são tecnologias caras”, argumenta. Seu colega de departamento, Evandro Moraes da Gama, também defende que o resultado destas pesquisas possa integrar o processo de economia circular na área da mineração. De acordo com o professor, o conceito de aproveitamento total de rejeitos já é adotado em vários países, como a China, que tem como meta aproveitar 22% de seu volume de rejeitos minerais até 2022.
Pesquisas têm o apoio da ABCP e ganham impulso para virar lei
Uma casa-protótipo construída em Pedro Leopoldo-MG, pela escola de engenharia da UFMG, demonstra a viabilidade desses materiais. Estudo semelhante também envolve o grupo de pesquisa em resíduos sólidos (RECICLOS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais. Todas essas inovações contam com o apoio da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), a exemplo do que ocorre também no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CEPED), ligado à Universidade Estadual da Bahia. Nesta pesquisa, o foco está na produção de tijolos solo-cimento a baixo custo, a fim de construir habitações populares na região cacaueira do estado.
Recentemente, a tecnologia para transformar a lama de rejeitos de mineradoras em agregados e artefatos ganhou um impulso importante. Passou a tramitar no Senado Federal o projeto de lei (PL 1496/2019) que altera a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e obriga as empresas a destinar parte dos resíduos de mineração para a fabricação de materiais de construção. O texto determina que a lama não-tóxica seja destinada à fabricação de blocos para alvenaria, tijolos, telhas, cerâmicas e lajotas. A medida deverá ser implantada progressivamente. O objetivo é que, a partir do quinto ano após a publicação da lei, 100% dos resíduos sejam destinados à produção de artefatos para a construção civil. Atualmente, o projeto tramita na Comissão de Serviços de Infraestrutura e depois será apreciado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado.
Veja vídeo sobre as pesquisas na UFMG
Entrevistado
Departamento de engenharia de minas da UFMG, ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e Senado Federal (via assessoria de imprensa)
Contatos
agencia@senado.gov.br
meioambiente@abcp.org.br
assessoriadeimprensa@ufmg.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Lima, no Peru, é canteiro de obras. Motivo: o Pan 2019

Outro evento esportivo transforma uma cidade sul-americana em canteiro de obras. Desta vez, é Lima, no Peru, que de 26 de julho a 11 de agosto vai sediar o Pan. Além das instalações esportivas, cuja execução das obras passou de 98% em março, a capital peruana investe também em saneamento básico e em projetos de mobilidade, que vão desde a implantação de linhas de BRT até a construção de pontes, metrô e ampliação do aeroporto. Os projetos se apóiam maciçamente na construção industrializada do concreto para conseguir cumprir o cronograma, que pretende estar com 100% das obras concluídas até abril deste ano.
O Peru investe 1,5 bilhão de dólares na infraestrutura esportiva para sediar os jogos. O maior e mais caro projeto envolve a construção da Vila Pan-Americana. Trata-se de um complexo de 1.120 apartamentos, divididos em um edifício de 20 andares e outros três com 19 pavimentos, onde ficará hospedada a maioria dos 9.000 participantes do evento. Para atender o cronograma, os prédios foram construídos usando a tecnologia de paredes de concreto moldadas in loco, através de fôrmas metálicas. São 548 apartamentos de 70 m2, 212 de 73 m2 e 336 de 75 m2 - esses, habilitados para receber paratletas. "Esses sete prédios são os primeiros que atendem conceitos de acessibilidade no país”, revela o operations-manager do Pan, Alberto Valenzuela.
O complexo esportivo do Lima 2019 está em construção em uma área de 21 hectares, que engloba três arenas poliesportivas, um centro de surfe e campos de tiro. Entre as edificações está o estádio aquático, com capacidade para 4.300 pessoas, e uma arena poliesportiva para 1.800 espectadores. Também se encontra em reforma o estádio de atletismo, com capacidade para 10.000 lugares. A pista foi construída com materiais semelhantes aos que serão usados nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e aprovada nos testes de certificação da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, por sua sigla em inglês).
Ampliação do aeroporto de Lima e nova linha de metrô serão legados dos jogos
Entre as obras de infraestrutura em andamento, duas são relevantes para a cidade-sede do Pan: a ampliação do aeroporto internacional Jorge Chávez, que terá capacidade de receber 23 milhões de passageiros/ano, entre voos nacionais e internacionais, e a construção da Linha 2 do Metrô de Lima, com 27 quilômetros de extensão. Havia a expectativa de que a obra ficasse pronta para o evento esportivo, mas os reflexos da operação Lava Jato, deflagrada no Brasil, se fizeram sentir no Peru. Isso porque, do consórcio construtor faziam parte as empreiteiras Odebrecht Latinvest Peru, Construtora Andrade Gutierrez Filial Peru e Construtora Queiroz Galvão Filial Peru.
O primeiro trecho da Linha 2 do Metrô de Lima só deverá ser inaugurado em 2020. A obra está estimada em 5,2 bilhões de dólares e envolve 3 mil trabalhadores. Quando pronto, terá capacidade para transportar 660 mil passageiros por dia. É a primeira obra de metrô subterrâneo do Peru. A perfuração dos túneis usa duas tecnologias: o Novo Método Austríaco para Abertura de Túneis (NATM, New Austrian Tunnelling Method), que utiliza concreto projetado nas paredes, e o TBM (Tunnel Boring Machine) em que aduelas de concreto pré-fabricado são montadas na parede da escavação, dando acabamento ao túnel. Essa etapa está bem atrasada, pois a fábrica para a produção de aduelas só deve entrar em operação no fim do primeiro semestre de 2019.
Entrevistado
Comitê Olímpico dos Jogos Lima 2019 (via assessoria de imprensa)
Contato: prensacop@coperu.org
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Omnichannel na construção civil: como usar a ferramenta?
O cliente está cada vez mais propenso a comprar em ambientes integrados, ou seja, utilizar diversos canais e poder cruzar experiências em lojas físicas e online. Para facilitar esse novo comportamento do consumidor, e traçar uma estratégia aos varejistas, surgiu a ferramenta omnichannel. Ela permite acompanhar o ciclo de compras de um cliente através de qualquer um dos canais de atendimento da empresa: loja física, loja online e loja integrada. Do latim, omni significa “tudo”, ou seja, é preciso se preocupar em oferecer um atendimento amplo ao cliente, utilizando o máximo de tecnologia e inovação disponíveis. Quem explica é a especialista em Omnichannel, Fabíola Paes. Confira a entrevista:
Para um leigo, como poderia se definir Omnichannel?
De uma forma simples, o conceito se traduz pela unificação de todos os canais de venda (e-commerce, assistentes virtuais, aplicativos e lojas físicas) em uma só experiência. Desta forma, o cliente pode usar o e-commerce ou app para comprar e a loja física para fazer a retirada dos produtos. Também pode pesquisar na loja física e comprar de madrugada usando a plataforma como uma “prateleira infinita”, que, além de trazer os produtos e as ofertas, oferece formas de pagamento, entrega e retirada eficazes. É por isso que dizemos que, dentro do chamado Varejo 4.0, as soluções tecnológicas vieram para facilitar tanto a vida do cliente - onde ele pode pesquisar à vontade, fazer comparações, comprar com segurança e ter rapidez na entrega -, como a do varejista, que pode integrar seus estoques, transformando-os em minicentros de distribuição, diminuindo custos, ampliando a conversão das vendas e melhorando o seu diálogo com o consumidor. Outra possibilidade é a integração de canais com o chamado clique & retire, que traz comodidade e diminuição de taxas, ao mesmo tempo em que alavanca o fluxo de clientes no PDV.
Dos setores da economia brasileira, qual está usando com mais frequência o Omnichannel?
O conceito de omnicalidade ainda é algo novo no Brasil, mas já tem muitos adeptos na área do varejo. Isso porque, um varejo conectado vende até 20% a mais, pois além de enviar ofertas exclusivas ao cliente estimula a vontade de ir até à loja para conhecer ou experimentar determinado produto. Pesquisas também mostram que 47% dos consumidores conectados vão até as lojas físicas por que desejam experimentar ou ver algo pessoalmente. Entre os segmentos mais maduros estão o de eletroeletrônicos e móveis (impulsionados pela Magazine Luiza, Lojas MM e Via Varejo) e moda (impulsionados pela Centauro, Hering e C&A).
A cultura Omnichannel já foi apresentada à construção civil? Caso sim, como tem sido essa relação?
Acredito que a cultura omnichannel tem chegado ao setor por meio das revendas de construção e pelas grandes lojas de departamento que trabalham com produtos e insumos voltados para esta área. O objetivo desta cultura é a convergência de todos os canais e a possibilidade de fazer com que o consumidor não veja a diferença entre o mundo online, offline e o PDV (ponto de venda) físico. Varejistas desse setor podem se digitalizar para atender consumidores que estão em busca de materiais para obras, por exemplo. A escolha e compra do produto pode ser feita por um canal digital (e-commerce, aplicativo, WhatsApp ou assistente virtual) e a retirada é feita na loja no mesmo dia. Vale a pena investir em sistemas omnichannel nesse setor. Segundo estudo do IDC Retail Insights, divulgado recentemente no portal Home Center View, varejistas que utilizam o conceito multicanal omnichannel perceberam um aumento de 15% a 35% no ticket médio das transações, e alta de 5% a 10% na rentabilidade com clientes. As informações tomam como base dados do 3º trimestre de 2018.
Especificamente, no varejo de materiais de construção, como a ferramenta pode ajudar, por exemplo, a alavancar vendas?
A inovação é uma aliada importante para quem deseja crescer e se manter atualizado. Além de alavancar vendas e trazer novos consumidores para o PDV, que estejam interessados em conhecer determinado produto já pesquisado na internet, as ferramentas proporcionam o conhecimento de hábitos e interesses do consumidor. Isso proporciona uma gama ainda maior de negócios e estratégias de marketing exclusivas para o cliente. Importante lembrar que, segundo estudo da Criteo, 22% de todas as transações em desktop no Brasil são precedidas de um clique em um dispositivo mobile. Das empresas que atuam com produtos para o segmento da construção civil, uma que investiu forte na cultura omnichannel foi a Leroy Merlin. Entre os resultados anunciados pela companhia estão “crescimento de 36% nas visitas às lojas e 26% de redução no custo por visita, após a implementação de campanhas no Google Shopping”.
“Os varejistas precisam estar dispostos a enfrentar as barreiras para conseguir evoluir dentro do processo de relacionamento e experiência entre consumidor e marca.”
Quando apresentada aos colaboradores de uma empresa, qual impacto o Omnichannel causa?
O que as organizações precisam é de uma real sintonia entre objetivo e prática. Isso significa que, além dos investimentos em tecnologia e inovação, é preciso observar a operação dentro e fora da loja e centralizar o consumidor diante todas essas ações. Atualmente, existem no Brasil diversas startups que podem ajudar nesse processo. Por outro lado, já existem muitos varejos implementando os “labs” (laboratórios de inovação) dentro da própria infraestrutura empresarial. Com essa proximidade, fica mais simples e rápido expandir e colocar em prática todas as ideias de sucesso. Os varejistas, sobretudo, precisam estar dispostos a enfrentar as barreiras para conseguir evoluir dentro do processo de relacionamento e experiência entre consumidor e marca. Nem sempre o novo é bem aceito, por isso é interessante despir-se de preconceitos e investir em conhecimento.
É necessário treinamento dos colaboradores para usufruir o melhor do Omnichannel?
Sempre digo que o primeiro passo é estar aberto às inovações e tendências do novo varejo e desejar conhecer e compreender esse universo omnichannel. O segundo passo é procurar investir em soluções tecnológicas que permitam a integração de canais de venda, de acordo com o modelo de negócios do segmento. O terceiro é preparar e remodelar as estratégias de marketing e comerciais, oferecendo treinamentos às suas equipes, a fim de que todos vejam a tecnologia como uma aliada na geração de novos negócios e ferramenta essencial para o crescimento exponencial em vendas e engajamento do consumidor.
Qual o futuro do Omnichannel no Brasil?
A tendência é a consolidação e uma permeabilidade cada vez maior em vários setores da cadeia comercial. Encontraremos mais lojas integradas, experiências envolvendo tecnologia e o consumidor sempre centralizado em meio a toda modernização para que ele tenha uma jornada sem atritos em todos os canais. No entanto, já caminhamos para a era do chamado “Commerce Relevancy”, onde as ofertas e promoções em qualquer canal de vendas serão individualizadas e personalizadas. Como conhece melhor o consumidor, o varejo poderá ser mais preciso nas ofertas de real interesse dos seus clientes.
Por fim, como a senhora se tornou especialista em Omnichannel?
A minha trajetória vem de uma longa caminhada no varejo. Conheci o termo Omnichannel na NRF, a maior feira do setor nos Estados Unidos e, com o objetivo de me aprimorar, estudei este conteúdo no mestrado, defendendo na minha dissertação, em 2016, com base na utilização de diversos canais para compras, integrando a experiência das lojas físicas e online. Assim, passei a difundir um conceito no qual acredito e no qual vejo um infinito de possibilidades para o varejista e para o consumidor.
Entrevistada
Fabíola Paes, especialista em varejo, co-fundadora da Neomode (startup que oferece soluções omnichannel para o mercado varejista), professora da ESPM e no MBA de Varejo e Mercado na USP/Esalq.
Contato: fabiola@neomode.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Inovar não é modismo, mas fundamental à construção civil

Em palestra no seminário “Novas Perspectivas no Mercado Imobiliário”, Marcel Malczewski, fundador da empresa de tecnologia Bematech e CEO da M3 Investimentos, afirmou que investir em inovação é uma necessidade vital para as empresas – principalmente, as ligadas à construção civil. Ele citou cases como a CONAZ e a AMBAR Brasil, construtechs que agregaram sistemas novos à forma de se construir. Ambas trabalham para transformar o canteiro de obras em linha de produção, melhorando a cadeia de suprimentos e investindo na indústria de pré-fabricados de concreto. Com a palestra “Inovar é preciso... e você não tem mais escolha”, Marcel Malczewski revela também como entrou para o mundo das startups da construção civil.
Apelidado de “Bill Gates curitibano”, Marcel Malczewski aderiu a um mercado que só faz crescer no Brasil. Atualmente, existem no país 350 startups ligadas aos setores da construção civil e imobiliário no país. A porta de entrada para que investisse neste segmento foi a CONAZ - construtech de Florianópolis-SC voltada para a orçamentação e a tomada de preços para pequenas e médias construtoras. Santa Catarina, aliás, destaca-se no mercado de construtechs. O estado também é sede da Welob, que atua no planejamento e no controle de obras. O empreendedorismo catarinense em inovação só fica atrás de São Paulo, onde a USP tem papel importante no fomento a startups, através do Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), a incubadora de empresas da Universidade de São Paulo.
Target das construtechs é atuar na desintermediação das várias etapas de uma obra
Marcel Malczewski lembra que o target das construtechs é atuar na desintermediação de processos nas várias etapas de uma obra. “Basicamente, elas buscam soluções para aumentar a produtividade”, diz. Partindo deste princípio é que a AMBAR Brasil se transformou na construtech mais bem sucedida do país. A empresa, que tem sede em São Carlos-SP, faturou 100 milhões de reais em 2018 e está avaliada em mais de 230 milhões de reais. A startup da construção criou um processo batizado de “full installation”. Ele diminui o tempo de produção, a quantidade de mão de obra necessária, melhora a qualidade e minimiza desperdício de materiais. O segredo está na prioridade que se dá aos produtos industrializados e à instalação modular, a fim de transformar o canteiro de obras em uma linha de montagem.
Para Malczewski, o Brasil vive o melhor momento para startups e construtechs. Porém, ele orienta quem pretende empreender nesse nicho. “Pense em um produto ou solução que tenha como foco a redução de custos de alguma etapa da obra que as grandes construtoras não conseguem resolver”, diz. Quanto à disponibilidade de recursos, ele assegura que uma boa ideia sempre vai conseguir atrair investidores. “Hoje, há mais dinheiro disponível do que projetos realmente inovadores e que podem ter escala. Além disso, a tecnologia está disponível para todos. Muito diferente de quando fundamos a Bematech, nos anos 1980”, recorda o palestrante.
Entrevistado
Reportagem com base na palestra “Inovar é preciso... e você não tem mais escolha”, de Marcel Malczewski, ocorrida dentro do seminário “Novas Perspectivas no Mercado Imobiliário”
Contato: contato@m3invest.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Contra o calor, Los Angeles faz asfalto mimetizar concreto

Los Angeles, na Califórnia-EUA, já se prepara para o verão 2019 e prevê temperaturas superiores a 40 °C no auge da temporada. Cercada por deserto, e com grande quantidade de ruas asfaltadas, a principal cidade do oeste dos Estados Unidos é um paraíso para as chamadas “ilhas de calor”. Há pontos em que a temperatura se eleva até 10 °C acima do que, de fato, marcam os termômetros oficiais. Para minimizar esse efeito, a prefeitura de Los Angeles está testando pintar as ruas asfaltadas com tinta cinza claro. A ideia é mimetizar o efeito causado pelo pavimento de concreto, que não absorve tanto o calor quanto o asfalto e, consequentemente, reduz o impacto das “ilhas de calor” (UHI, do inglês urban heat island).
O programa foi batizado de CoolSeal (selo fresco, na tradução literal) e deve se manter pelos próximos 20 anos. Ele inclui também a substituição do asfalto pelo concreto em vias mais movimentadas, e que recebem tráfego pesado. A meta é reduzir em 2 °C a temperatura de Los Angeles, até 2039. Para o departamento de manutenção de ruas da prefeitura da cidade, os resultados têm sido animadores. Em algumas ruas onde foi aplicado o CoolSeal, a temperatura do pavimento ficou até 9 °C mais baixa. A tinta usada foi inicialmente desenvolvida para a indústria de defesa dos Estados Unidos, que buscava reduzir a temperatura das pistas de decolagem para impedir que satélites espiões usassem raios infravermelhos para localizar aviões.
Universidade da Califórnia desenvolve argamassa cimentícia que baixa temperatura
O produto aplicado nas ruas de Los Angeles foi aperfeiçoado para absorver ainda menos o calor produzido pela luz solar. O problema tem sido o custo. Por milha (1,6 quilômetro), a aplicação do produto equivale a 40 mil dólares. A tinta tem durabilidade de 7 anos. Por isso, outras soluções estão em desenvolvimento para enfrentar as “ilhas de calor”. O departamento de energia do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, ligado à Universidade da Califórnia, desenvolveu uma argamassa cimentícia com nanotecnologia que, quando aplicada sobre o asfalto, consegue baixar a temperatura do pavimento em até 11 °C. A pesquisa é financiada pela fundação Emerald Cities e a descoberta foi batizada de “Cool Pavement”.
O produto foi aplicado inicialmente sobre a área do estacionamento de uma escola de Los Angeles, onde a temperatura do asfalto ao meio-dia se aproximava dos 60 °C. Os resultados positivos estimularam a Emerald Cities a lançar o programa “100 Cities Project”, que pretende testar o “Cool Pavement” em outras 99 cidades dos Estados Unidos, e que tenham alta incidência de “ilhas de calor”. A pesquisa também comprova que o estado da Califórnia é, atualmente, o local de onde partem os estudos mais avançados sobre pavimento em concreto e seus derivados. Exatamente pela necessidade de buscar alternativas que combatam as altas temperaturas geradas pelo asfalto.
Além disso, testes secundários com o “Cool Pavement” revelaram que o produto melhorou a abrasão, o que resultou em melhor frenagem dos veículos, e também aumentou a resistência à compressão em até 10%, elevando o tempo de vida útil do pavimento.
Entrevistado
Bureau da Engenharia da prefeitura de Los Angeles (via assessoria de imprensa)
Contato: eng.pm.lastreetcarproject@lacity.org
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Quer vender mais? Conheça bem os produtos da loja

Vender é uma arte, desde que não se cometam erros básicos. Sobretudo quando se está no varejo de material de construção. Esse setor não perdoa um clássico do desperdício de vendas: o vendedor que não conhece os produtos. Desde a especificação do melhor cimento para a obra até o tipo de amperagem ideal da tomada para instalar em casa, tudo deve ser dominado por quem vende. Quanto mais conhecer, mais confiança desperta no consumidor. Até porque, pesquisas revelam que um cliente insatisfeito com o atendimento contará para até 20 pessoas sobre sua má experiência. Custa pelo menos cinco vezes mais conseguir um cliente novo do que fidelizar um antigo.
Essa lei da venda vale, principalmente, para lojas de pequeno e médio porte de materiais de construção, onde o cliente, na maioria das vezes, está em busca de soluções para um problema. Quem tem um comércio com essas características sabe quantas vezes deixou de vender por causa de erros cometidos por colaboradores não-treinados. Por isso, é muito importante conhecer e saber corrigir os equívocos cometidos no atendimento. Seja para quem compra para construir, para reformar ou para um pequeno reparo na residência. Esse, aliás, é o caso em que o vendedor precisar estar mais atento, pois em obras maiores o consumidor costuma ir com o próprio pedreiro na loja, a fim de orientá-lo.
O principal erro é não conhecer bem os produtos. Atender não é simplesmente saber sorrir. O vendedor de uma loja de materiais de construção tem essa peculiaridade entre vendedores de outros segmentos: ele influencia no fechamento da compra, desde que conheça o que sua loja oferece. O produto ideal, combinado com o preço ideal, encanta muito mais o consumidor que a simpatia, a qual, neste caso, é complemento e não o “core” (núcleo) da venda. Comércio de materiais de construção exige profissionais qualificados, e isso só é possível com investimento constante em treinamento.
Requisitos básicos são qualificação, estrutura da loja e equipe saudável
Além de qualificar seus vendedores, estruture sua loja para torná-la atraente. Sentindo-se familiarizado no ambiente, e sendo bem atendido, o cliente tem maior probabilidade de voltar. A lógica que deve predominar é a de fazer o consumidor se sentir em casa, mas sem perder tempo. Ou seja, ele deve achar tudo o que precisa dentro do período a que se propôs ficar na loja. Esse componente, combinado com um bom preço e um mix diversificado e atualizado com as tendências dos produtos, tem potencial para estimular o retorno do cliente. A estrutura da loja deve ter um layout que facilite a localização dos produtos. É preciso também ser ágil na finalização da compra e evitar filas nos caixas.
Além de bem treinados e motivados, os colaboradores de uma loja de materiais de construção devem ser estimulados a cuidar da saúde para obter produtividade. Segundo estudo do Institute for Health and Productivity Studies, dos Estados Unidos, as empresas brasileiras chegam a perder 42 bilhões de reais por ano por causa de funcionários doentes. Mesmo não faltando ao trabalho, pessoas que estejam sentindo incômodos, como dor de cabeça, cansaço, gripe e outros males, dão prejuízo à empresa onde trabalham. Além disso, o colaborador se sente valorizado quando recebe investimento em qualidade de vida. Ao contrário do que possa parecer, o ganho pode não ser a principal motivação de uma equipe de vendas, mas sim a oportunidade de se desenvolver pessoal e profissionalmente.
Entrevistado
Reportagem com base em seminário sobre como vender em lojas de materiais de construção, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)
Contato: ascom@cnc.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Geração Millenials refuta modelos tradicionais de imóveis

Em 2018, 15% da geração Millenials dos países que possuem mercado imobiliário regular seguiam morando com os pais. Trata-se de consumidores com idade entre 25 e 38 anos, que ainda não constituíram família e que, somente nos Estados Unidos, deixaram de comprar 2,2 milhões de residências na comparação com a geração X, quando essa estava na mesma faixa etária. É o que mostra a pesquisa da norte-americana LEK Consulting, encomendada por bancos de investimento com negócios em boa parte do mundo. As razões também estão explicitadas no estudo: parte dos millenials refuta o modelo tradicional de imóveis, voltado para o conceito unifamiliar, e também descarta estar amarrado a hipotecas e financiamentos de longo prazo.
Soluções como coliving e coworking, em prédios comprovadamente sustentáveis, capazes de agregar as modernas tecnologias, são as apostas do mercado para virar esse jogo e criar uma nova geração de compradores de imóveis. Afinal, de acordo com a LEK Consulting, os millenials começarão a se tornar maioria em cargos de liderança a partir de 2023. “A projeção é que, somente nos Estados Unidos, 1,54 milhão de jovens adultos galgue a esses postos nos próximos cinco anos. Mas, apesar das dinâmicas econômicas e comportamentais, essa geração não tem a cultura de comprar nem de acumular residências. Ela busca praticidade e conforto. Quer estar em todos os lugares”, resume o relatório. É o que explica fenômenos como Airbnb, por exemplo.
Mercado imobiliário precisa acompanhar tendências das futuras gerações
O estudo também leva em consideração a parcela dos millenials com baixo nível de escolaridade. Essa é a que tende a permanecer na casa dos pais até perto dos 40 anos. São mudanças comportamentais que no Brasil seguem a mesma tendência. Recentemente, no evento "Os caminhos da inovação na construção civil", realizado em Curitiba, o sócio-diretor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, Marcos Kahtalian, apresentou dados que vão ao encontro da pesquisa da LEK Consulting. Ele mostrou a palestra “O que está mudando no comportamento do consumidor” e definiu o que está acontecendo com a seguinte frase “As pessoas estão comprando menos tijolos e mais a possibilidade de ter experiências. Elas não querem mais a casa na praia, mas poder usufruir do compartilhamento de residências, que existe em qualquer lugar do mundo”, resume.
Marcos Kahtalian cita que um dos problemas do mercado imobiliário é que ele está sempre uma geração atrás. “O mercado está pensando na geração X e o mundo já está conectado no ritmo dos millenials. Como integrar isso é o grande dilema. Mas já existem empresas se atualizando. As que fazem plantas adaptáveis estão entre essas. Idem para as que unem ambiente de escritório com o de residência. Da mesma forma, construtoras que abdicam de vagas de garagem para oferecer outros diferenciais aos clientes, como bicicletários, por exemplo, também começaram a se adaptar a esses novos tempos”, conclui.
Leia estudo do Núcleo Real Estate da Poli-USP sobre o assunto
Entrevistados
Reportagem com base na pesquisa “Volatilidade no setor da construção”, da LEK Consulting, e na palestra “O que está mudando no comportamento do consumidor”, de Marcos Kahtalian, sócio-diretor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa
Contato: pressus@lek.com
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330








