EUA prevêem maior crescimento da construção em 50 anos

Taxa de desemprego é histórica e supera menor nível registrado em 1969. Há quase 7 milhões de vagas disponíveis

EUA prevêem maior crescimento da construção em 50 anos

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construção civil dos EUA

Situação de pleno emprego na construção civil dos EUA leva país a importar mão de obra, inclusive do Brasil. Crédito: Divulgação

Todas as projeções de indicadores econômicos dos Estados Unidos apontam que a construção civil do país vai bater recorde de produção em 2019. Um sinal é a taxa de desemprego do setor, que já é histórica, superando o menor nível registrado em 1969 (3,7%). Cinquenta anos depois, o índice de desemprego da construção civil norte-americana está em 3,6%, segundo dados preliminares de janeiro de 2019. Porém, as projeções são de que fique abaixo de 3% ao longo do ano.

No auge da crise desencadeada em 2008, o desemprego na construção civil dos EUA chegou a 27,1%. Atualmente, há quase 7 milhões de empregos disponíveis na cadeia produtiva da construção civil dos Estados Unidos. Em cidades como Orlando e Tampa, na Flórida; Riverside, na Califórnia; Houston e Dallas, no Texas; Phoenix, no Arizona; Charlotte, na Carolina do Norte; Portland, no Oregon; Seattle, em Washington, e Denver, no Colorado, já falta mão de obra. A ponto de ocorrer recrutamento de trabalhadores em outros países.

Na cidade de Suzano-SP foi instalado um processo de seleção para levar 600 profissionais para fora do Brasil. As vagas são para armador (50), carpinteiro (50), encanador (50), gesseiro (50), marceneiro (50), montador (50), pedreiro (50), pintor (50), servente (100) e soldador (100). Os salários oferecidos são a partir de 6 mil reais e boa parte tem Miami como destino, para trabalhar na construção de um shopping center. Outra parte vai para Portugal, atuar na construção de uma rodovia.

Polêmico muro na fronteira com o México pode impulsionar ainda mais o setor

Está tão pujante a construção civil nos Estados Unidos, que nem as enchentes na Carolina do Sul, em setembro de 2018, e os incêndios na Califórnia, em novembro do ano passado, foram capazes de conter o crescimento do setor. Um dos índices que baliza a construção dos EUA, o Conference Board’s Leading Economic, mostra não haver sinais de queda de ritmo ao longo de 2019. Pelo contrário, se o presidente republicano Donald Trump conseguir viabilizar a construção do muro na fronteira com o México, daí sim é que o setor tende a crescer mais.

Também contribui para o volume de obras o fato do país ter passado por uma reforma tributária em 2017. Os resultados começam a ser colhidos agora e 34 dos 50 estados norte-americanos experimentam sobra de caixa para investir em obras de infraestrutura. Os setores que mais recebem investimentos são abastecimento de água (cresceu 37% de 2017 para 2018), conservação e abertura de estradas (34%), transporte público (23%) e mobilidade urbana nas cidades (14%).

Para o economista-chefe da Associated Builders and Contractors (Associação de Empreiteiros e Construtores) dos EUA, Anirban Basu, “as perspectivas econômicas dos Estados Unidos para 2019 parecem benignas”. Ele só alerta para as pressões inflacionárias e o excesso de crédito, que foram cenários que levaram para as recessões de 1980-1981, 1990-1991, 2001 e 2007-2009. “Os empreiteiros devem estar cientes de que as recessões geralmente ocorrem dentro de dois anos após o pico de confiança”, avisa.

Entrevistado
Reportagem com base em análise da Associated Builders and Contractors (Associação de Empreiteiros e Construtores) assinada pelo economista-chefe Anirban Basu

Contato: basu@abc.org 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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