Perfil imobiliário de Curitiba é amplamente residencial

Pesquisa do Ippuc revela que 61% das construções da capital paranaense são unifamiliares, ou seja, casas e sobrados

Curitiba
Curitiba tem dois cinturões de edifícios altos, que se estendem nas direções Leste-Oeste e Nordeste-Sudoeste. Crédito: Prefeitura de Curitiba

De acordo com o estudo “Perfil da Produção Imobiliária Formal em Curitiba”, coordenado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a capital paranaense tem sua construção ainda altamente focada em obras residenciais. O levantamento, que coletou dados dos últimos 18 anos, e também projeta números até 2020, revela que 72% dos empreendimentos imobiliários que despontaram na cidade neste período contemplaram exclusivamente a produção habitacional. Deste percentual, 61% foram voltados para a construção de habitações unifamiliares (casas e sobrados).

A análise mostra ainda que Curitiba tem dois cinturões de edifícios altos, mas na maior parte de seu território ainda predomina a construção de casas, sobrados e condomínios de até cinco pavimentos. Os prédios se concentram na região central e, especialmente, na porção do território que se estende nas direções Leste-Oeste e Nordeste-Sudoeste. O cenário mostra que a verticalização se concentra em duas frentes de crescimento. Uma que inicia no bairro Portão, e se estende até o Cabral, e outra que vai do bairro Cristo Rei ao Bigorrilho.

A pesquisa, concluída no final de 2018, influenciou o projeto encaminhado à Câmara Municipal, e que propõe uma nova Lei de Zoneamento, Uso e Ocupação do Solo para Curitiba. A expectativa é de que a votação ocorrerá em 2019. “É um trabalho inédito, referenciado nos alvarás de construção emitidos pela Secretaria Municipal do Urbanismo, e que já obtiveram Certificado de Vistoria de Conclusão de Obras (CVCO), ou seja, os empreendimentos imobiliários efetivamente concluídos”, explica a arquiteta Mônica Máximo da Silva, coordenadora do estudo.

Cidade ainda tem disponibilidade de terrenos a preços relativamente baixos

A nova Lei de Zoneamento busca estimular áreas comerciais em Curitiba. Ela propõe o aumento da área de comércio e serviços para 400 m² em qualquer lugar da cidade, aumenta o coeficiente para habitação no centro e amplia de 400 m² para 2.000 m² o tamanho de obras comerciais em vias setoriais e coletoras. Além disso, cria uma nova tipologia: a Zona de Uso Misto 3 (ZUM-3) que estimula a convivência entre habitação e não-habitação. Essas alterações tendem a incentivar a construção conhecida como built to suit (construção sob medida) na capital paranaense.

Outro dado relevante é que a cidade tem alta disponibilidade de terrenos a preços relativamente baixos, se comparado a outras capitais do país. Principalmente no sentido sudoeste do município, onde a ocupação urbana ainda não está consolidada e onde o preço da terra é significativamente barato. Já a zona central, o Centro Cívico e os eixos estruturais, onde há um elevado grau de consolidação de edificações, são as áreas onde o valor da terra é o mais caro de Curitiba. Por fim, a pesquisa do Ippuc ainda revela que, desde 2000, a capital paranaense teve uma média de 1.970 empreendimentos imobiliários concluídos por ano. 

Leia a íntegra da pesquisa intitulada “Perfil da Produção Imobiliária Formal em Curitiba

Entrevistado
Reportagem com base no relatório da pesquisa “Perfil da Produção Imobiliária Formal em Curitiba”, divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc)

Contato: ippuc@ippuc.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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