Novo desafio à engenharia: as hidrelétricas reversíveis

Em países como Estados Unidos, Japão, China, Itália, Portugal e França cresce a demanda por hidrelétricas reversíveis, as PSHPs (do inglês, Pumped-storage hydropower plants). São usinas que operam com dois lagos, um inferior e um superior, o que permite que a água usada para gerar energia seja bombeada de baixo para cima e reutilizada para gerar mais eletricidade, quando houver necessidade. Isso poupa rios e a necessidade de grandes reservatórios, tornando a energia limpa das hidrelétricas ainda mais sustentável.
A construção dessas usinas cresce em regiões onde há parques eólicos e fazendas de energia solar. Elas compensam os períodos em que há pouco vento ou baixa insolação, abastecendo a rede com energia extra. Para a engenharia, o desafio está em construí-las, pois a instalação desse modelo de hidrelétrica exige perfurações em rochas, geralmente em áreas montanhosas, além da construção de grandes paredões de concreto. Em Portugal, a 40 quilômetros da cidade de Braga, foi executada a obra de uma das PSHPs mais ousadas do mundo: a Frades II.

A construção teve início em 2010 e foi concluída em 2015. Ela aproveita dois reservatórios naturais localizados no rio Rabagão. O projeto exigiu a escavação de 9 quilômetros de túneis em rocha, por onde fluem 200 m3 de água por segundo. A casa de força da usina está dentro de uma caverna com 95 metros de altura e revestido em concreto. Sua capacidade geradora varia entre 50 megawatts e 1.000 megawatts – a média é de 383 megawatts. As turbinas são reversíveis e funcionam também como bombas, impulsionando a água do reservatório inferior para o superior.
EUA e China disputam título da maior hidrelétrica reversível do mundo
Apesar de ser uma obra desafiadora, a Frades II não é a maior PSHP do mundo e nem Portugal é o país com mais quantidades de usinas com esse modelo de construção. A maior hidrelétrica reversível está nos Estados Unidos e tem capacidade instalada de 3 GW, mas em breve será superada. Em Fengning, na China, está em execução uma PSHP com 12 unidades de turbina-bomba, capaz de produzir 3,6 GW. A previsão é de que entre em operação em 2021. Na China, outras duas usinas também estão em construção, ambas com capacidade de 3 GW. Em 2020, o Japão vai concluir uma usina de 2,8 GW e a Ucrânia uma de 2,3 GW.
Pela contribuição ambiental e pelo modelo de negócio que proporcionam ao mercado de energia, as PSHPs são vistas atualmente como a alternativa mais lucrativa para o setor de hidrelétricas. “Elas operam em um ciclo fechado, empregando principalmente a mesma quantidade de água, poupando os rios. Este ciclo fechado representa uma grande oportunidade de lucro para os proprietários de PSHPs”, diz relatório de 2018 da National Hydropower Association (Associação Nacional de hidrelétricas dos Estados Unidos). O Brasil tem apenas duas hidrelétricas do gênero, ambas no rio Pinheiros, no estado de São Paulo, mas com tecnologia obsoleta: a usina Pedreira, com 108 MW, construída em 1939, e a usina Traição, com capacidade de 22 MW, de 1940.
Veja como funciona uma hidrelétrica reversível
Entrevistado
Reportagem com base no relatório anual do mercado de hidrelétricas, produzido pela National Hydropower Association (Associação Nacional de hidrelétricas dos Estados Unidos)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Inovação e produtividade pautam 91ª edição do ENIC

O foco do 91º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), que aconteceu de 15 a 17 de maio na cidade do Rio de Janeiro-RJ, esteve no empreendedorismo e nas novas tecnologias. Para o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fabio Queda Bueno da Silva, é inadiável que o setor da construção absorva técnicas inovadoras para melhorar sua produtividade, reduzir custos e oferecer obras de melhor qualidade ao consumidor. “Grandes transformações precisam ser acompanhadas, compreendidas e utilizadas pelas empresas de construção. Isso é fundamental para a competitividade e a inovação futura do setor perante as mudanças da indústria no mundo e no Brasil”, explica.
O palestrante aproveitou o ENIC para lançar a plataforma digital Construção 2030, cujo objetivo é transformá-la em uma rede social que agregue tudo de inovador que estiver em desenvolvimento ou em aplicação na construção civil. “O Construção 2030 foi desenvolvido para ajudar a compreender as transformações que o presente está causando no futuro”, observa Fábio Queda, que fez a plateia refletir sobre as mudanças que estão a caminho. “O futuro não é imutável. Está sendo construído neste instante, pelas pessoas e pelas organizações de hoje. Queremos trazer a seguinte reflexão para o setor: quem está construindo o nosso futuro e qual a nossa participação nessa construção?”, questiona.
Ações que envolvam inovação dependem de mudanças de paradigmas na construção
Futurismo, tecnologias e novas formas de construção também nortearam as palestras do Congresso Técnico de Engenharia, que aconteceu dentro do ENIC. Foram apresentados dados sobre o avanço das construtechs no país. O Brasil já conta com 562 startups da construção civil atuando em vários tipos de projetos. São Paulo lidera o ranking com 230, seguido de Santa Catarina, com 79, e Minas Gerais, com 58. Cerca de 9% dessas empresas atuam no segmento de projetos e viabilidade de obras; 26%, na criação de inovações no segmento de construção; 35%, na aquisição de imóveis; e 30% estudam formas de melhorar propriedades que já estão em uso. No ano passado, as construtechs movimentaram 611,7 milhões de reais em investimentos.
Para o segmento da industrialização, a construção civil já oferece inúmeras oportunidades para que obras sejam mais eficazes no país. O que falta, segundo o engenheiro civil Davidson Deana, especialista em processos construtivos industrializados, é uma maior união entre as partes envolvidas em uma construção. “A área de projetos, construtoras e o setor de suprimentos devem estar integrados, devem ser parceiros na obra, transcendendo o produto e chegando efetivamente no serviço”, avalia. Mauro Campos, presidente do Sinduscon-Sul Fluminense, complementa que a construção industrializada e todas as outras ações que envolvam inovação dependem de mudanças de paradigmas do setor. “O empresariado precisa ter coragem de sair da zona de conforto para enxergar o futuro”, diz.
Acesse o Construção 2030
Entrevistado
Reportagem com base nas palestras ocorridas nos seminários “A Industrialização na Prática: como as construtoras e o mercado estão se preparando?”, “Congresso Técnico de Engenharia” e “O Futuro da Construção: Inovação e Trabalho”, que aconteceram dentro do 91º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC)
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Mentoria reversa: nunca é cedo ou tarde para aprender

O conceito mentoria reversa surgiu em 1999, quando o então presidente da General Electric, Jack Welch, pediu a uma equipe de executivos que procurassem jovens colaboradores para ensiná-los a navegar na internet. A prática foi aperfeiçoada ao longo de 20 anos e hoje grandes corporações globais a adotam. Para Paulo Sardinha, presidente da ABRH-Brasil, nem todas as empresas têm perfil para implantar a mentoria reversa. “Mentoria reversa exige que empresas estejam abertas para contrariar o fluxo natural de autoridade e hierarquia dentro da corporação. A empresa tem que estar muito bem preparada para ouvir, entender e comunicar”, alerta.
No Brasil, a mentoria reversa ainda está restrita às subsidiárias das companhias globais que atuam no país e às empresas que financiam startups e incubadoras. “Estamos falando de companhias abertas à inovação, às novas tecnologias e aos novos negócios. Também são empresas que têm práticas inovadoras de recursos humanos, o que faz com que a mentoria reversa seja adotada sem muitas mudanças em suas rotinas”, esclarece o presidente da ABRH-Brasil. “A mentalidade de trabalhar de forma inovadora, de gerenciar grupos, é o fundamento da mentoria reversa, a fim de desobstruir canais de comunicação dentro da empresa, permitindo que os mais jovens compartilhem seus conhecimentos”, completa.
Paulo Sardinha afirma que a mentoria reversa também pode ser útil para romper paradigmas dentro das empresas. “As organizações têm uma dificuldade natural de enfrentar mudanças, e isso é quase universal. É comum ouvir expressões como ‘no meu tempo era assim’, ‘isso já foi tentado e não trouxe resultados’ ou ‘isso não adianta fazer’. Então, soluções novas precisam de respostas novas. A mentoria reversa é uma forma de se buscar essas respostas”, diz. Ele destaca ainda que a adesão deve ser espontânea e contar com pessoas que tenham o que comunicar, o que transmitir em termos de conhecimento, assim como pessoas dispostas a aceitar o contraditório: o mais novo ensinando o mais velho - no caso, mentor e mentorado.
Construção civil pode adotar práticas básicas nos canteiros de obras
Na construção civil, a mentoria reversa tem sido usada para treinar engenheiros civis com larga experiência prática às novas tecnologias de gestão de canteiro de obras e de execução de projetos, como o BIM. Profissionais com menos experiência de campo, mas com familiaridade em softwares, ajudam a capacitar os mais antigos. O presidente da ABRH-Brasil, no entanto, avalia que a mentoria reversa não seja a mais alta prioridade da construção civil nacional no momento. Mesmo assim, ele sugere uma prática básica do conceito que pode ser adotada nos canteiros de obras. “Antes de começar o dia de trabalho, o engenheiro pode reunir os operários e colher opiniões sobre o que vem dando certo e o que está errado nos processos de produção. Com certeza, vai melhorar a gestão de pessoas, que é a essência da mentoria reversa”, finaliza.
Entrevistado
Paulo Sardinha, presidente da ABRH-Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos)
Contato: abrh_portal@abrhbrasil.org.br
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Brasil busca menor emissão de CO2 por tonelada de cimento

Crédito: ABCP
O Brasil já é um dos países com menor emissão de CO2 por tonelada produzida de cimento. Na média global, a indústria cimenteira responde por 7% de todo o gás carbônico lançado na atmosfera. No país, esse percentual é de 2,6%, mas com o Roadmap Tecnológico do Cimento, assinado em abril de 2019 pelo SNIC (Sindicato Nacional da Indústria Cimenteira) e as empresas associadas, o objetivo é fazer com que o Brasil reduza ainda mais a emissão de CO2 por tonelada de cimento. “Por trás desse produto tão essencial, está uma indústria altamente complexa, intensiva em capital humano e financeiro e firmemente comprometida com a mitigação dos impactos ambientais, inerentes a operações desse porte”, afirma Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).
As metas serão alcançadas em duas etapas: até 2030 e até 2050. Elas estão traçadas no Roadmap Tecnológico do Cimento, documento que define as diretrizes para que o setor possa reduzir a emissão de CO2 nas cimenteiras. Um dos primeiros passos resultou na publicação da nova norma técnica de Cimento Portland, a ABNT NBR 16697. Além disso, a indústria definiu 4 pilares para cumprir os objetivos:
- Dobrar a utilização de combustíveis alternativos.
- Melhorar em 15% a eficiência energética do processo de produção.
- Estimular a busca de novas tecnologias para aumentar a utilização de resíduos de outras indústrias, e reduzir a utilização de clínquer.
- Investir em tecnologias inovadoras, como a captura do próprio carbono emitido no processo fabril.
O Roadmap Tecnológico do Cimento começou a ser produzido em 2014, por um corpo técnico coordenado pelo professor e ex-ministro da educação (1991 e 1992) José Goldemberg. Organismos internacionais também se envolveram na elaboração do documento. Entre eles, a Agência Internacional de Energia (IEA), a Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento (CSI) do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e a Corporação Financeira Internacional (IFC) - membro do Banco Mundial. “As soluções são realistas e a transição da indústria do cimento sugerida neste mapeamento só pode ser alcançada mediante uma estrutura reguladora de apoio e investimentos efetivos e sustentados. O roteiro mapeia políticas públicas necessárias, avalia mecanismos de fomento e descreve desafios técnicos para alcançar os objetivos propostos”, completa Paulo Camillo Penna.
Previsão é de que o Brasil aumente a produção de cimento entre 60% e 120% até 2050
O documento divulgado pelo SNIC e pela ABCP projeta ainda que, até 2050, o Brasil deve aumentar a produção de cimento entre 60% e 120% na comparação a 2014, ano de mais alta demanda no país, quando foram produzidas 70,9 milhões de toneladas. Por outro lado, estima-se redução da razão clínquer/cimento de 67% em 2014 para 52% em 2050. Pela projeção, seria possível evitar a emissão cumulativa de 290 Mt (megatoneladas) de CO2, o que representaria 69% do potencial de redução do setor até 2050. O desafio para se atingir tais metas está no fato de que as diferentes alternativas de redução não se encontram distribuídas de forma homogênea pelo país, considerando as dimensões continentais do Brasil e suas diferenças regionais. “É fundamental entender que as diversas ações apontadas neste Roadmap, bem como seus potenciais de penetração e redução de CO2, não necessariamente poderão ser replicadas em todas as regiões brasileiras com a mesma intensidade”, conclui o relatório.
Leia a íntegra do Roadmap Tecnológico do Cimento
Assista vídeo sobre a produção de cimento no Brasil
Entrevistado
Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), com base no prefácio do Roadmap Tecnológico do Cimento
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Retomar obras paradas abre 500 mil vagas na construção

Se as obras paralisadas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) fossem retomadas, permitiriam abrir 500 mil vagas na construção civil. É o que aponta levantamento encomendado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que detectou 4.669 projetos parados relacionados ao programa. A soma dessas obras chega a 135 bilhões de reais, dos quais 65 bilhões de reais já foram executados. Os dados foram obtidos de organismos do governo federal - portanto, são oficiais. As regiões nordeste e sudeste são as que têm mais obras paralisadas. Algumas não avançaram nem 10% desde o início da execução. Outras faltam menos de 10% para serem concluídas. Porém, não há previsão de que sejam retomadas no curto e médio prazo.
Os números fazem parte do estudo “Obras Paralisadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, elaborado pela Brain (Bureau de Inteligência Corporativa) em conjunto com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Das 4.669 obras detectadas, 33,4% representam investimento acima de R$ 15 milhões e 21,8% entre R$ 1 milhão a R$ 3 milhões. Os estados da região sudeste acumulam 39,8% dessas obras, enquanto os do nordeste têm 24,3%. Outro dado do estudo mostra que 29,8% dos empreendimentos paralisados estão em áreas urbanas e relacionados com saneamento e construção de unidades básicas de saúde, creches e pré-escolas.
O levantamento mapeou as razões para que as obras sigam paralisadas. Entre elas, há pendências de engenharia relacionadas com falhas na licitação, as quais envolvem 93% dos projetos analisados. Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, é relevante o governo federal se preocupar com a reativação desses empreendimentos. “Trata-se de um patrimônio em que já foram investidos 65 bilhões de reais, espalhado pelo Brasil, e que está deteriorando e sendo vandalizado. Pior: não gera renda, não gera empregos, não gera desenvolvimento social. Pelo contrário, consome recursos públicos e ainda precisa de mais algumas dezenas de bilhões de reais para que seja concluído. É um problema de grande gravidade”, analisa.
Governo federal define prioridades e espera atrair a iniciativa privada
Para o coordenador-geral da Comissão de Infraestrutura do TCU (Coinfra), o engenheiro civil e advogado Nicola Khoury, boa parte das obras paralisadas tem em comum um projeto básico deficiente. “Isso desencadeia outras deficiências, como estudo de viabilidade e projeto executivo. A lei 8.666, que trata das licitações de obras públicas, é clara: o projeto básico deve caracterizar a obra, avaliar custos, definir métodos, mas o que se vê na maioria das obras paralisadas é a antiengenharia. Isso resulta em construções que começam e não terminam, e que acabam judicializadas. São obras que, na verdade, não estão paralisadas. Elas já nasceram paralisadas”, reforça.
Em busca de soluções, está em estudo no governo federal a criação de um comitê específico para analisar o tema. A opção mais viável é incluir as obras paradas em um Programa de Parcerias de Investimentos, a fim de que elas sejam submetidas a novos processos de licitação e atraiam investidores privados. “São desafios que serão tratados na Secretaria de Obras Estratégicas do PPI ainda este ano (2019)”, promete o secretário especial do PPI, Adalberto Vasconcelos, que também participou do seminário Paralisação e Retomada de Obras de Infraestrutura no Brasil, realizado em abril, em Brasília. Para o governo, 4 projetos são prioritários: a usina nuclear de Angra 3, a linha de transmissão de energia entre Manaus e Boa Vista, a transposição do rio São Francisco e a hidrovia no rio Tocantins.
Assista o seminário Paralisação e Retomada de Obras de Infraestrutura no Brasil
Leia o estudo Obras Paralisadas do PAC
Entrevistado
Reportagem com base no seminário Paralisação e Retomada de Obras de Infraestrutura no Brasil
Contato: ascom@cbic.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Sem fiscalização, obras irregulares crescem no Brasil

A cidade do Rio de Janeiro-RJ ainda se recupera da tragédia ocorrida em abril de 2019, por conta de construções irregulares que desabaram e causaram a morte de 24 pessoas. No Brasil, o município é campeão de obras que burlam a lei e são erguidas sem nenhuma fiscalização e regras de boa engenharia. Nem a prefeitura tem dados precisos, mas estima-se que as construções irregulares em território carioca passem de 1,2 milhão. Em São Paulo-SP, a prefeitura calcula 830 mil. A região nordeste do Brasil também tem número elevado de obras sem habite-se legal.
Mas o que leva o país a ter tantas habitações nessa situação? A principal razão é a falta de fiscalização, principalmente em áreas conflagradas das cidades, onde o tráfico e as milícias impedem a atuação do poder público, assim como a falta de programas que efetivamente combatam o déficit habitacional. Outro motivo é que as construções irregulares erguidas nas regiões metropolitanas das grandes cidades brasileiras têm o propósito de abrigar a família do dono original do imóvel. Como os terrenos não possuem espaço suficiente para receber mais de uma casa, a solução é empilhar lajes.
O método de construir prédios sem conformidade também se tornou uma forma de investimento. Hoje é comum encontrar edifícios de até cinco pavimentos frutos de autoconstruções, como os que desabaram no condomínio Figueiras do Itanhangá, na Muzema, no Rio de Janeiro-RJ. A prática prolifera pelo país, como mostra pesquisa de 2015, encomendada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-BR). Os dados revelam que 85% dos brasileiros constroem sem a supervisão de um engenheiro civil ou de um arquiteto. O resultado são os inúmeros problemas relacionados à segurança nas edificações e aos acidentes de trabalho na construção civil.
Informalidade é um dos principais obstáculos ao crescimento sustentável da construção civil
Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também confirma que a informalidade é um dos principais obstáculos para o crescimento sustentável da cadeia produtiva da construção civil. A média nacional do setor é de 1 trabalhador formal para 1,7 informal. Isso reflete na qualidade e na legalidade da obra, assim como na indústria de materiais de construção. As chances de uma autoconstrução adquirir produtos de baixa qualidade são bem maiores que uma construção com projeto e atenta aos aspectos técnicos da obra.
Mesmo assim, iniciativas para combater a informalidade ainda são tímidas no país. O Paraná é que tem uma política mais consolidada de fiscalização, através do Comitê de Incentivo à Formalização na Construção Civil, criado em 2002. Ação conjunta entre CREA-PR, SindusCon-PR e organismos ligados aos trabalhadores da construção civil permite que o comitê tenha capilaridade em todo o estado. O resultado é que, em 17 anos de atuação, a informalidade nos canteiros de obras instalados no Paraná caiu abaixo de 30%, enquanto a média nacional supera os 50%.
Leia guia de incentivo à formalidade na construção civil
Entrevistado
Comitê de Incentivo à Formalização na Construção Civil e SindusCon-PR
Contato: imprensa@sindusconpr.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Centro-sul brasileiro se destaca em ranking smart cities

A edição mais atualizada do ranking Connected Smart Cities, da Urban Systems, mapeia os municípios com maior potencial de se tornarem cidades inteligentes no Brasil. A lista envolve 11 indicadores: mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo e governança. As cidades das regiões sul e sudeste dominam as primeiras posições no ranking. Por apresentar maior desenvolvimento econômico, o centro-sul brasileiro conta com avanços sociais mais consolidados que o norte e o nordeste do país, impactando no resultado do ranking.
A cidade de Curitiba-PR alcançou a 1ª colocação no ranking Connected Smart Cities, superando São Paulo-SP. A capital paranaense assumiu a liderança por causa de três novos indicadores: tecnologia e inovação, empreendedorismo e governança. Curitiba também se destacou nos eixos meio ambiente, educação, saúde e economia. O estudo analisa o potencial de desenvolvimento das cidades, dando mais pontos àquelas com as melhores oportunidades para se investir. Além disso, inclui os melhores municípios em infraestrutura, capital humano e desenvolvimento social.
A lista é composta por 100 cidades, divididas em 3 segmentos: de 50 mil a 100 mil habitantes, de 100 mil a 500 mil habitantes e acima de 500 mil habitantes. Todas as líderes do ranking são metrópoles localizadas nas regiões sul e sudeste, com população acima de 500 mil e entre 100 mil e 500 mil moradores. Além de Curitiba e São Paulo, destacam-se também Vitória-ES, Campinas-SP, Florianópolis-SC, Rio de Janeiro-RJ, Belo Horizonte-MG, Porto Alegre-RS, Santos-SP e Niterói-RJ. Campo Grande- MS, a melhor colocada no centro-oeste, aparece na 11ª posição, seguida por Recife-PE, do nordeste, na 12ª Palmas-TO, a melhor representante da região norte, aparece em 18º.
Viçosa-MG e Balneário Camboriú-SC foram as que deram o maior salto no ranking
A primeira cidade com menos de 100 mil habitantes a se destacar no ranking Connected Smart Cities é Viçosa-MG, na 26ª posição, impulsionada pela suas posições nos eixos de educação (2ª colocada), empreendedorismo (16ª), governança e tecnologia e inovação. A cidade mineira galgou 50 posições em relação ao ranking anterior. Quem também avançou consideravelmente foi Balneário Camboriú-SC, que saiu da 62ª posição para a 24ª. Entre as 10 cidades que se destacaram entre 2017 e 2018, Brasília-DF foi a que mais caiu, saindo da 7ª colocação para a 14ª.
Para elaborar a 4ª edição do ranking Connected Smart Cities, a Urban Systems mapeou as principais publicações internacionais e nacionais sobre os temas cidades inteligentes, cidades conectadas, cidades sustentáveis e artigos sobre assuntos correlatos. A partir daí, foram estudadas todas as publicações e destrinchados os indicadores, fontes de informações e conceitos, a fim de identificar a viabilidade de uso de cada indicador no nível municipal, pois alguns critérios utilizados em pesquisas internacionais não estão disponíveis para a aplicação no Brasil ou não se adaptam para uso na pesquisa nacional.
Veja a pesquisa documento em pdf anexo
Entrevistado
Reportagem com base no relatório do ranking Connected Smart Cities, da Urban Systems
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Ponte do Guaíba é principal obra rodoviária do Brasil

Principal obra rodoviária em execução no país sob a jurisdição do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), o novo complexo viário sobre o rio Guaíba, em Porto Alegre-RS, atingiu 83,5% de execução no mês de abril de 2019. A obra tem orçamento aproximado de R$ 1 bilhão e, ao todo, já foram investidos cerca de R$ 668 milhões no empreendimento, iniciado em outubro de 2014. A travessia amplia a interligação da região metropolitana de Porto Alegre com o sul do Rio Grande do Sul, sem as interrupções que ocorrem diariamente na ponte Getúlio Vargas, que possui vão móvel e está em operação desde 1958.
Com previsão de inauguração em 2020, o complexo terá extensão de 12,3 quilômetros, com um total de 5 quilômetros de trecho em aterro e 7,3 quilômetros em obras de arte especiais (ponte sobre os canais navegáveis, ponte elevada, viadutos e alargamento da ponte conhecida como Saco da Alemoa). Com 28 metros de largura nos vãos principais, a pista contará com duas faixas de rolamento com acostamento e refúgio central. A previsão do DNIT é de que 50 mil veículos utilizem as novas estruturas diariamente.
A obra atravessa o parque estadual Delta do Jacuí, considerada área de preservação ambiental, o que demanda atenção especial durante a execução. A opção da engenharia foi construir os pilares sobre a água. Já as aduelas para montar o tabuleiro foram pré-fabricadas no próprio canteiro. A estrutura elevada vai permitir que a fauna e a flora nativas não sejam isoladas pelo complexo rodoviário. Outro desafio está relacionado com a realocação de 450 famílias. A expectativa é de que essa etapa seja concluída ainda em 2019.
Previsão é de que obra consuma 170 mil m³ de concreto de alta resistência
Pelo projeto aprovado na licitação que definiu o consórcio responsável pela obra foi previsto o uso de 170 mil m³ de concreto de alta resistência, além de 17.600 toneladas de aço. Outro número que exprime o tamanho do empreendimento é o que envolve a contratação de mão de obra pelas empreiteiras Queiroz Galvão e Engevix. Mais de 2.000 operários atuam na construção do complexo rodoviário em Porto Alegre-RS. Metade trabalha no canteiro Industrial localizado em Canoas-RS, onde ocorre a fabricação das peças pré-moldadas. São 15.250 ao todo, entre estacas, blocos, vigas, pilares, aduelas e guarda-rodas.
Para a produção dos elementos há o emprego de 50,4 mil m 3 de concreto e 6,2 mil toneladas de aço, além de 1,2 mil tonelada de cordoalhas (cabos de aço). As peças pré-moldadas têm pesos variando de 2,6 toneladas (guarda-rodas) a 100 toneladas (aduelas). Para facilitar o transporte até o local da obra, o consórcio optou por trabalhar com dois modais: carretas pranchas e dollys para os trechos em terra e balsas para as obras em área fluvial.
Nove embarcações transportam matérias-primas, estruturas e equipamentos, além de trabalhadores. As balsas têm estrutura apropriada para que os trabalhadores possam executar as atividades de fundação de estacas, montagem, concretagem, deslocamento de cargas e construção dos pilares. O serviço por via fluvial também reduz o volume de caminhões nas ruas que circundam o complexo viário.
Veja em que estágio se encontra a obra
Acesse o projeto do complexo viário do rio Guaíba
Entrevistados
DNIT e Consórcio Ponte do Guaíba (via assessoria de imprensa)
Contatos
comunicacao@pontedoguaiba.com.br imprensa@dnit.gov.br
Contratar uma construtora é o 1º passo para obra legal
Não quer comprar um imóvel já construído? Prefere construir ou adquirir um imóvel na planta? Então, contrate uma construtora que atenda todos os requisitos da boa engenharia e os cuidados legais que envolvem a obra: documentação junto à prefeitura local, impostos e questões trabalhistas. Sem contar que uma construtora com experiência sabe fazer todo o processo de gerenciamento de execução da obra, além de ter uma visão global do projeto arquitetônico. A empresa que segue os parâmetros de uma obra legal abrange desde a sondagem do terreno, passando pelo cálculo estrutural e de fundações, além das instalações e compra de materiais de construção.
O ponto de partida para assegurar uma obra legal é o SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) ou o CREA de sua região. Suas equipes técnicas têm condições de indicar construtoras que oferecem segurança para quem quer fugir da informalidade na construção. No Paraná, por exemplo, o SindusCon Noroeste tem um sistema de controle que é o selo “Obra Legal”. Ele certifica as construtoras que aderem ao programa, o que dá ao consumidor ferramentas para verificar a credibilidade da empresa. O selo vale tanto para quem quer construir a casa própria como para quem pretende comprar um imóvel na planta.
O certificado se ampara na lei 4.591/64, que dispõe sobre as incorporações imobiliárias. O primeiro SindusCon a adotar um formato de selo Obra Legal foi o do Ceará, com o selo “Juridicamente Perfeito”. Em seguida, veio o SindusCon do Nordeste do Paraná, que abrange 126 municípios da região que têm Maringá como sua principal cidade. “O imóvel é um bem durável e representa a realização do sonho de muitos consumidores. É uma negociação que merece muito cuidado. Por isso, a iniciativa busca mostrar quais empresários da construção civil estão comprometidos com a transparência e a seriedade de uma obra”, diz nota do SindusCon Noroeste.
Veja os cuidados a serem tomados para uma obra legal Lote e código de edificações
A atenção deve começar já pela compra do lote
Os cuidados vão desde a posse do terreno, através de sua escritura, até a zona residencial em que ele está localizado, e que vai ditar que tipo de obra pode ser executado no local. Cada cidade tem um código de edificações, o qual estabelece suas regras para construções e reformas. Assim, é necessário ter certeza de que a construtora contratada tenha conhecimento das normas locais.
Referência da construtora
É importante consultar o histórico, ver se há portfólio e sempre procurar referências sobre as obras contratadas e os serviços prestados pela empresa. O SindusCon da região e o CREA têm como auxiliar neste item, informando sobre a qualidade da construtora e se não há autuações contra ela.
Garantia pós-obra
Ao entregar sua obra a uma construtora credenciada, o contratante assegura as garantias de pós-entrega, que é fundamental para sua segurança.
Mão de obra
O contratante precisa observar se os funcionários da construtora são próprios da empresa ou terceirizados. Neste caso, é importante verificar se a terceirizada mantém seus colaboradores de acordo com a lei trabalhista. Durante o processo de execução da obra, o contratante se torna corresponsável por todas as ações tomadas pela empresa contratada.
Material de construção
Deve-se ter acompanhamento físico e financeiro de tudo que for feito e usado na obra. Desde o material comprado até os funcionários. Por isso, a contratada deve emitir as notas fiscais referentes às compras realizadas e aos serviços prestados, inclusive os comprovantes de pagamento das guias de INSS e ISS.
Responsabilidades do contratante
Em um processo de auditoria fiscal ou trabalhista, caso seja identificada a não-conformidade da obra, o contratante é tão responsável quanto a construtora contratada.
Seguir a normalização vigente
A construtora precisa executar a obra de acordo com o projeto aprovado e com a legislação vigente. Também precisa cumprir as exigências técnicas e normativas estabelecidas pelos organismos competentes, sejam municipais, estaduais ou federais.
Entrevistado
Reportagem com base nas recomendações feitas por SindusCons que possuem certificados como “Obra Legal” e “Juridicamente Perfeito”
Contatos
administrativo@sindusconnoroeste.org.br
sinduscon@sindusconce.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Engenharia de manutenção: sempre ou de vez em quando?
Debate no Secovi-SP, reunindo os experientes engenheiros civis Eduardo Lafraia, presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo, e João Crestana, diretor e ex-presidente do Secovi-SP, colocou em xeque a forma como se pratica engenharia de manutenção no Brasil. Os dois concluíram que o país desperdiça muitos recursos financeiros para recuperar obras públicas degradadas, quando a manutenção sistemática dessas estruturas permitiria grande economia aos cofres públicos e não submeteria a população a riscos. “Obras de engenharia não são perpétuas e necessitam de manutenção”, diz Crestana.
O debate também lembrou que as obras de grande impacto construídas no Brasil raramente possuem seguro. “Obras de engenharia não são perpétuas. Por isso, deve haver um modelo de manutenção. Atualmente, existem modelos securitários, em que as seguradoras preveem planos de manutenção para obras seguradas”, reforça João Crestana, para quem a manutenção deve ser prevista desde o projeto. “Com os anos, as tecnologias vão mudando. Então, o projeto determina diretrizes do que vai acontecer na obra, inclusive com a manutenção”, completa.
Eduardo Lafraia reforça o argumento do diretor do Secovi-SP dizendo que a função da engenharia é minimizar ao máximo os riscos. “Em Brumadinho, por exemplo, não se aplicou a engenharia como se deve. O Brasil precisa mudar a cultura de manutenção, principalmente em obras de infraestrutura”, cita o presidente do Instituto de Engenharia, que aborda também a questão das obras paradas. “A guarda das obras paralisadas, bem como a deterioração desses empreendimentos, gera um desperdício de dinheiro que permitiria não só concluí-las, mas viabilizar outras obras”, diz.
Engenheiros e arquitetos perderam autonomia de decidir pela qualidade da obra
Lafraia também abordou a questão dos projetos. “Quem decide o melhor jeito de fazer a obra é o corpo técnico, formado por engenheiros e arquitetos. Atualmente, a engenharia não é mais controlada por engenheiros, mas por advogados, promotores públicos e pelos tribunais de contas. Esses organismos priorizam o menor preço, mas nem sempre o menor preço representa a melhor obra. O projeto mais barato é o que gera melhor custo-benefício no longo prazo. Um bom projeto representa de 3% a 4% do orçamento de uma obra. Economia no projeto é comprometer os outros 97% do empreendimento”, lembra.
João Crestana ainda alerta que os governos municipais, estaduais e federal desmontaram seus corpos técnicos e perderam seus melhores engenheiros. Ao mesmo tempo, as escolas de engenharia deixaram de investir em conhecimento prático e priorizaram a teoria. “O país vive um arcabouço político que não se preocupa com a manutenção de obras. Isso deve ser permanente, e não de acordo com o secretário ou o político de plantão no cargo”, complementa Eduardo Lafraia.
No dia 21 de maio de 2019, o Instituto de Engenharia volta a debater o assunto, com o seminário Manutenção do Patrimônio Público. Serão abordados os seguintes tópicos: aspectos institucionais do ambiente construído, a gestão de manutenção, impactos econômicos e sociais, aspectos jurídicos, procedimentos de contratação de serviços e responsabilidades jurídicas. O evento terá transmissão online pelo site do Instituto de Engenharia.
Assista o debate
Entrevistado
Reportagem com base em debate promovido pelo Secovi-SP, entre engenheiros civis Eduardo Lafraia, presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo, e João Crestana, diretor e ex-presidente do Secovi-SP.
Contato: aspress@secovi.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330







