Retomar obras paradas abre 500 mil vagas na construção

Estudo encomendado pela CBIC detecta 4.669 projetos contratados pelo PAC, e que se encontram abandonados

Angra 3
Concluir a usina nuclear Angra 3 está entre as prioridades do governo federal, em relação às obras paralisadas. Crédito: Eletrobras

Se as obras paralisadas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) fossem retomadas, permitiriam abrir 500 mil vagas na construção civil. É o que aponta levantamento encomendado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que detectou 4.669 projetos parados relacionados ao programa. A soma dessas obras chega a 135 bilhões de reais, dos quais 65 bilhões de reais já foram executados. Os dados foram obtidos de organismos do governo federal – portanto, são oficiais. As regiões nordeste e sudeste são as que têm mais obras paralisadas. Algumas não avançaram nem 10% desde o início da execução. Outras faltam menos de 10% para serem concluídas. Porém, não há previsão de que sejam retomadas no curto e médio prazo.

Os números fazem parte do estudo “Obras Paralisadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, elaborado pela Brain (Bureau de Inteligência Corporativa) em conjunto com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Das 4.669 obras detectadas, 33,4% representam investimento acima de R$ 15 milhões e 21,8% entre R$ 1 milhão a R$ 3 milhões. Os estados da região sudeste acumulam 39,8% dessas obras, enquanto os do nordeste têm 24,3%. Outro dado do estudo mostra que 29,8% dos empreendimentos paralisados estão em áreas urbanas e relacionados com saneamento e construção de unidades básicas de saúde, creches e pré-escolas.

O levantamento mapeou as razões para que as obras sigam paralisadas. Entre elas, há pendências de engenharia relacionadas com falhas na licitação, as quais envolvem 93% dos projetos analisados. Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, é relevante o governo federal se preocupar com a reativação desses empreendimentos. “Trata-se de um patrimônio em que já foram investidos 65 bilhões de reais, espalhado pelo Brasil, e que está deteriorando e sendo vandalizado. Pior: não gera renda, não gera empregos, não gera desenvolvimento social. Pelo contrário, consome recursos públicos e ainda precisa de mais algumas dezenas de bilhões de reais para que seja concluído. É um problema de grande gravidade”, analisa.

Governo federal define prioridades e espera atrair a iniciativa privada

Para o coordenador-geral da Comissão de Infraestrutura do TCU (Coinfra), o engenheiro civil e advogado Nicola Khoury, boa parte das obras paralisadas tem em comum um projeto básico deficiente. “Isso desencadeia outras deficiências, como estudo de viabilidade e projeto executivo. A lei 8.666, que trata das licitações de obras públicas, é clara: o projeto básico deve caracterizar a obra, avaliar custos, definir métodos, mas o que se vê na maioria das obras paralisadas é a antiengenharia. Isso resulta em construções que começam e não terminam, e que acabam judicializadas. São obras que, na verdade, não estão paralisadas. Elas já nasceram paralisadas”, reforça.   

Em busca de soluções, está em estudo no governo federal a criação de um comitê específico para analisar o tema. A opção mais viável é incluir as obras paradas em um Programa de Parcerias de Investimentos, a fim de que elas sejam submetidas a novos processos de licitação e atraiam investidores privados. “São desafios que serão tratados na Secretaria de Obras Estratégicas do PPI ainda este ano (2019)”, promete o secretário especial do PPI, Adalberto Vasconcelos, que também participou do seminário Paralisação e Retomada de Obras de Infraestrutura no Brasil, realizado em abril, em Brasília. Para o governo, 4 projetos são prioritários: a usina nuclear de Angra 3, a linha de transmissão de energia entre Manaus e Boa Vista, a transposição do rio São Francisco e a hidrovia no rio Tocantins.

Assista o seminário Paralisação e Retomada de Obras de Infraestrutura no Brasil

Leia o estudo Obras Paralisadas do PAC

Entrevistado
Reportagem com base no seminário Paralisação e Retomada de Obras de Infraestrutura no Brasil

Contato: ascom@cbic.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Massa Cinzenta

Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.

Veja todos os Conteúdos

Cimento Certo

Conheça os 5 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS

Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32

Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40

Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.

Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI

O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.

descubra o cimento certo

Cimento Certo

Conheça os 5 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

descubra o cimento certo