Queda de prédio em Fortaleza-CE é alerta para condomínios

Marcelo Solera, da COSEDI: responsabilidade legal pela manutenção do prédio é do síndico Crédito: Cia. de Cimento Itambé
Marcelo Solera, da COSEDI: responsabilidade legal pela manutenção do prédio é do síndico
Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Para o coordenador-técnico da COSEDI (Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis), o engenheiro civil Marcelo Solera, a lição que o desabamento do edifício Andrea, em Fortaleza-CE, deixa é de que os condomínios precisam se preocupar com a manutenção das edificações pelas quais são responsáveis. “Houve uma clara negligência do condomínio daquele prédio para com a manutenção. A ponto de comprometer totalmente a estrutura do prédio”, diz o engenheiro, que palestrou recentemente na Habitacon, em Curitiba-PR. 

Solera alerta que a melhor forma de evitar acidentes e problemas com a estrutura em imóveis, que podem causar desabamentos e provocar vítimas, é fazer a manutenção periódica da edificação. A orientação é que, uma vez por ano, o dono do imóvel contrate um engenheiro civil para fazer uma avaliação e verificar se há necessidade de manutenção da edificação. “A responsabilidade legal pela manutenção é do proprietário do imóvel e, no caso de um prédio, do síndico”, alerta o coordenador da COSEDI, organismo ligado à prefeitura de Curitiba.

O engenheiro civil explica que situações preocupantes ocorrem quando o aço de pilares e vigas começa a ficar visível em meio ao concreto - a chamada armadura exposta. “Se isso acontecer, é preciso acionar os organismos competentes. Esse tipo de situação acontece quando a umidade infiltra no concreto, enferruja e oxida o aço, fazendo com que ele se expanda e estoure o concreto. Esse processo deteriora a resistência do concreto e cresce a possibilidade de toda a estrutura desabar”, diz Marcelo Solera. 

Síndicos devem sempre observar pilares, vigas e lajes de concreto dos prédios que administram

O coordenador da COSEDI recomenda sempre que os síndicos observem pilares, vigas e lajes de concreto. “Uma fissura capilar nesses pontos é mais preocupante que uma rachadura em uma parede de alvenaria não-estrutural”, orienta. “Afundamento no imóvel é outra situação preocupante, por indicar problemas na fundação ou desestabilização do solo. Telhado também requer cuidados, pois uma infiltração de água de chuva pode apodrecer o madeiramento e causar a queda da cobertura”, completa.

O coordenador da COSEDI recomenda que o revestimento das fachadas e a pintura estejam sempre bem conservadas, pois contribuem para minimizar a entrada de umidade nas estruturas da edificação. Esse tipo de manutenção foi negligenciada no prédio que desabou em Fortaleza-CE, no dia 15 de outubro de 2019. Havia 14 anos que a edificação começou a revelar problemas estruturais, o que foi confirmado pelo CREA-CE. A tragédia deixou um saldo de 9 mortes.

O presidente do CREA-CE, Emanuel Maia Mota, acrescenta que contribuiu para o desabamento o fato da lei de inspeção predial da capital cearense não ser respeitada. “Temos registrado repetidos acidentes causados pela falta de manutenção das construções. E mesmo quando essas edificações tinham alvará, o poder público não tinha detalhes sobre o plano de manutenção da estrutura predial”, afirma. O edifício Andrea foi construído há 40 anos, mas a prefeitura de Fortaleza só tinha registro da obra a partir de 15 de setembro de 1995. 

Ouça áudio da palestra

Entrevistado
Reportagem com base na palestra “Riscos estruturais iminentes e obrigatoriedade de manutenção em condomínios”, do engenheiro civil Marcelo Solera, coordenador-técnico da COSEDI (Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis), na Habitacon
Contato: cosed@smds.curitiba.pr.gov.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Construtoras voltam a se valorizar no mercado de ações

Percepção do investidor é de que as ações das construtoras e incorporadoras estão relativamente baratas e vão se valorizar. Crédito: Banco de Imagens
Percepção do investidor é de que as ações das construtoras e incorporadoras estão relativamente baratas e vão se valorizar.
Crédito: Banco de Imagens

As construtoras e incorporadoras que estão listadas na Bolsa de Valores experimentam nova valorização de suas ações. Levantamento da consultoria Alvarez&Marsal mostra que algumas empresas já alcançaram altas significativas em seus papéis, no período de 12 meses (novembro de 2018 a outubro de 2019). São os casos da Trisul (301,2%), da Helbor (105,63%), da Eztec (95,59%), da Even (78,23%), da Cyrela (65,97%), da Direcional (49,76%) e da Tenda (44,45%) - todas com sede na cidade de São Paulo-SP -, além da MRV (39%), de Belo Horizonte-MG. Só em 2019, essas empresas, somadas, já captaram 4,4 bilhões de reais na Bolsa.

As construtoras e incorporadoras mais bem avaliadas no mercado de ações se dividem entre as que atuam no segmento de edifícios de luxo e superluxo e as que têm suas marcas atreladas ao programa Minha Casa Minha Vida. Destas, apenas a Tecnisa não teve valorização de suas ações no recente período de 12 meses. A empresa registrou desvalorização de 18,54%, porém não afetou a percepção positiva do mercado. A análise é de que a construção civil está iniciando um novo ciclo, fruto da inflação controlada e dos juros baixos. 

Otimistas, as empresas estão indo ao mercado de ações para captar mais recursos para seus empreendimentos. “O setor entendeu que o governo não irá mais subsidiá-lo e está buscando investidores. Isso demonstra maturidade”, revela relatório da Alvarez&Marsal. Dados da consultoria Economatica comprovam isso. A Trisul, por exemplo, viu seu valor de mercado saltar de 599 milhões de reais para 2 bilhões de reais. Capitalizada, a construtora espera fechar 2019 com 10 lançamentos e um VGV (Valor-Geral de Vendas) entre 900 milhões de reais e 1 bilhão de reais, contra 664 milhões de reais em 2018.

Empresas ligadas ao mercado imobiliário contrastam das que atuam na construção pesada

Já a Eztec é a que mais captou com ofertas de ações em 2019, entre as empresas da construção civil que operam na Bolsa. Foram 979 milhões de reais. Para o presidente da ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras), Luiz França, a percepção do investidor é de que as ações dessas empresas estão relativamente baratas e podem se valorizar com os sinais de que o setor da construção civil está, finalmente, voltando a crescer. “O que tem sustentado as captações é a mudança do ponto de vista dos investidores institucionais, inclusive de estrangeiros, sobre o quadro econômico do Brasil. O ambiente está melhor no país e o mercado imobiliário vai tirar proveito disso”, afirma.

O sucesso das construtoras ligadas ao mercado imobiliário contrasta com os constantes prejuízos das empresas que atuam na construção pesada. Em três anos, as receitas do grupo que inclui Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, UTC e Constran diminuíram 85%. O principal motivo para essa contração é o envolvimento das construtoras no escândalo de corrupção trazido à tona pela operação Lava Jato. A receita das empresas citadas caiu de 71 bilhões de reais para 10,6 bilhões de reais, entre 2015 e 2018.  

Entrevistado
Reportagem com base em relatório da consultoria Alvarez&Marsal, sobre o desempenho das empresas da construção civil no mercado de ações

Contato: info@amcapitalre.com

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Distratos despencam e vendas na planta voltam a crescer

Lei dos Distratos: advogados recomendam que corretores sejam treinados e que os contratos possuam uma redação clara Crédito: Banco de Imagem
Lei dos Distratos: advogados recomendam que corretores sejam treinados e que os contratos possuam uma redação clara
Crédito: Banco de Imagem

Perto de completar um ano (foi sancionada em 27 de dezembro de 2018), a Lei dos Distratos  já apresenta resultados positivos para o mercado imobiliário. No balanço parcial de 2019, os contratos rompidos despencaram 34,1%, segundo dados trazidos pelas incorporadoras e apresentados pela ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras e Imobiliárias). Comparativamente, em 2015 - no auge dos distratos no Brasil -, a agência de risco Fitch detectou que, de cada 100 apartamentos comprados na planta, 41 foram devolvidos. Atualmente, de cada 100, 27 são alvos de distratos.  

Como consequência desta mudança de cenário, o volume de vendas de unidades recém-lançadas, ou seja, compradas na planta, cresceu 11% no balanço parcial de 2019. De acordo com relatório de outra agência de risco, a J.P. Morgan, o percentual de vendas tende a crescer e o de distratos continuará caindo. “Os distratos devem seguir em queda, os preços dos imóveis estão acomodados há mais ou menos dois anos e o índice de desemprego começa a cair. Com isso, financiar volta a ser uma meta de quem conseguiu se manter no mercado de trabalho. Some-se a isso a demanda reprimida por casa própria que existe no país”, cita. 

Para o economista do Fipe-Zap e FGV, Eduardo Zylberstajn, o distrato, antes da aprovação da lei, era uma anomalia do mercado imobiliário brasileiro. “Ao adquirir um imóvel na planta, o dinheiro dado pelo comprador vai para a obra. Assim, o custo do distrato, quando reconhecido pela Justiça, sai do bolso da incorporadora. Com isso, vimos algumas empresas quebrarem, e isso virou um problema para o mercado e para os consumidores também”, avalia. No entender do Secovi-SP, a lei ajudou a mudar esse cenário. “O maior mérito da lei é o reforço do vínculo contratual e o estímulo à compra responsável”, diz nota do sindicato. 

Juristas entendem que legislação tem pontos polêmicos e precisará de ajustes

Mesmo com os avanços, alguns juristas entendem que a Lei dos Distratos ainda suscita controvérsias. Os pontos polêmicos da legislação foram debatidos no 7º Congresso Jurídico do SindusCon-SP, realizado recentemente. Entre eles, o fato da lei não ser aplicada aos contratos anteriores à sua promulgação. Outra questão mal resolvida é que a legislação não diferencia o investidor que desiste do contrato do consumidor que ficou sem condições financeiras de cumpri-lo. Por isso, o advogado Olivar Vitale, membro do conselho-jurídico do SindusCon-SP considera a lei tecnicamente ruim. “Ela ainda gera insegurança e ficou longe de afastar todos os pontos polêmicos”, diz.

Uma recomendação que os advogados têm passado para as incorporadoras é que os corretores sejam treinados e que os contratos possuam uma redação clara, contendo quadros-resumo completos e assinatura dos adquirentes ao lado das cláusulas mais relevantes. No 7º Congresso Jurídico do SindusCon-SP, os especialistas também recomendaram que as empresas estipulem em seus contratos cláusulas com penalidades escalonadas de acordo com o valor da entrada paga pelos consumidores. No entender deles, a Lei dos Distratos, apesar de já impactar positivamente o mercado imobiliário, precisará de pelo menos mais três anos para se consolidar e ter seus pontos frágeis corrigidos.

Entrevistados
ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras e Imobiliárias), SindusCon-SP e Secovi-SP (via assessoria de imprensa)

Contatos
aspress@secovi.com.br
sindusconsp@sindusconsp.com.br
comunicacao@abrainc.org.br

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Casamento e divórcio movimentam mercado imobiliário

Marcelo Luís Gonçalves: segmento dos que casam e divorciam é responsável por um volume significativo de compra, venda e locação do mercado imobiliário Crédito: Cia. de Cimento Itambé
Marcelo Luís Gonçalves: segmento dos que casam e divorciam é responsável por um volume significativo de compra, venda e locação do mercado imobiliário
Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Os dados mais recentes do IBGE mostram que o Brasil superou a taxa de 1 milhão de casamentos por ano (1,178 milhão) e que, anualmente, ocorrem quase 400 mil divórcios (390 mil) no país. Segundo Marcelo Luís Gonçalves, sócio-diretor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, as uniões e as separações são como “injeção na veia” para o mercado imobiliário. “As pessoas que casam precisam morar e as que se divorciam também. Anualmente, há pelos menos 1,5 milhão de pessoas buscando novas moradias”, avalia.

Casamentos e divórcios, cita o analista, respondem por 45% da movimentação do mercado imobiliário - 30% representados pelos que se casam e 15% pelos que voltam a morar sozinhos ou se unem a outra pessoa. Segundo Marcelo Luís Gonçalves, trata-se de uma fatia muito grande para ser ignorada por construtoras, incorporadoras e imobiliárias. “Esse é um segmento que independe do momento econômico do país é responsável por um volume significativo de compra, venda e locação do mercado”, diz.

De acordo com as Estatísticas do Registro Civil do IBGE, o tempo de duração de um casamento formal caiu de 17 anos para 14 anos, em média. O mesmo levantamento mostra que as uniões registradas em cartório diminuíram 2,3% e os divórcios aumentaram 8,3%. Este é o segundo ano consecutivo com aumento do número de divórcios e diminuição de casamentos, aponta a gerente de pesquisa do IBGE, Klívia Oliveira. “A proporção atual está em três casamentos para cada divórcio”, completa.

Estatística impacta no mercado de unidades para uma só pessoa

Para Marcelo Luís Gonçalves, essa estatística tem impactado também no mercado de unidades projetadas para uma só pessoa. “De 2018 para cá houve um crescimento de 15% no volume de vendas de apartamentos compactos”, informa o analista. Os dados coincidem com o do índice FipeZap, que desde 2012 registra crescimento nas transações de imóveis com até um dormitório. Segundo o FipeZap, as vendas desse modelo de unidade aumentaram 35% em 6 anos, enquanto as locações cresceram 33%.

A ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) qualifica que o mercado dos compactos engloba unidades que vão de 10 m2 a 40 m2. Nos grandes centros urbanos, essa modalidade de apartamento atrai os seguintes tipos de consumidores: recém-casados que optaram por não ter filhos, divorciados, solteiros, estudantes e trabalhadores de outras cidades. Também é o segmento mais procurado por investidores, por causa da rapidez na locação.

Para o arquiteto Bruno Raquena, autor do livro “Habitar Híbrido: Subjetividades e Arquitetura do Lar na Era Digital”, não é apenas o mercado imobiliário que busca se adaptar a essa transformação familiar, mas também os profissionais diretamente ligados à construção civil, como projetistas, engenheiros e arquitetos. “A onda dos compactos vem ao encontro de uma alteração de comportamento. Hoje, as pessoas trocam de casa com mais frequência e acumulam menos bens. O entendimento desse conceito é fundamental para a análise das mudanças ocorridas no espaço físico da habitação e para os futuros projetos”, comenta. 

Entrevistado
Reportagem com base na palestra do sócio-diretor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, Marcelo Luís Gonçalves, no seminário “Mercado Imobiliário em foco”, promovido pela ADEMI-PR

Contato: ademipr@ademipr.com.br

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Tecnologia não vai substituir as pessoas na obra, diz estrategista

Jeff Sample: primeiro as pessoas, em seguida os processos e depois a tecnologia Crédito: eSUB
Jeff Sample: primeiro as pessoas, em seguida os processos e depois a tecnologia
Crédito: eSUB

Estrategista em inovações para a construção, o norte-americano Jeff Sample tem uma visão diferente sobre a influência da tecnologia na construção civil. Para ele, robótica e Inteligência Artificial não conseguirão substituir as pessoas e nem os processos de execução nos canteiros de obras. “São pessoas, processos e depois tecnologia. É nessa ordem”, defende, admitindo, porém, que será cada vez mais importante para as empresas do setor manter as pessoas certas em posições estratégicas. “Posso treinar por realidade virtual, mas dentro do canteiro de obras preciso de seniores em construir. Não para assentar tijolos, mas para coordenar e supervisionar os mais novos e a própria tecnologia agregada à construção”, diz.

Sample palestrou recentemente no seminário “Construction Technology - Through the Looking Glass” (Tecnologia da Construção através do espelho), que aconteceu em Nashville, no Tennessee-EUA. O estrategista lembrou que a construção civil ainda retém suas informações em papel e precisa aprender a digitalizar esses dados se quiser ingressar no universo da Indústria 4.0 e da Inteligência Artificial. “Para conseguir essa migração de fase, a construção vai precisar de lideranças experientes, que saibam coletar e interpretar essas informações que vêm de anos de conhecimento acumulado”, afirma. “Os seniores vão passar seus conhecimentos para que os jovens possam aplicá-los através da tecnologia”, completa.

Para o especialista, a construção civil do futuro vai se beneficiar mais da Inteligência Artificial do que da robótica. “Os robôs humanóides podem auxiliar em uma ou outra tarefa no processo de construir, mas não substituirão o homem em trabalhos mais intrínsecos. Por outro lado, vejo a Inteligência Artificial mais presente. Ela deve trazer uma nova geração de ferramentas BIM e vai influenciar não apenas os projetos como os ambientes construídos, como já vemos com os scanners a laser, que conseguem gerar uma representação tridimensional perfeita do espaço construído”, analisa.  

Viabilizar obras vai ficar cada vez mais barato e mais rápido, prevê especialista

Seniores da construção civil serão fundamentais para fazer a migração do conhecimento que hoje está no papel para a era digital Crédito: Banco de Imagens
Seniores da construção civil serão fundamentais para fazer a migração do conhecimento que hoje está no papel para a era digital
Crédito: Banco de Imagens

O processo de escaneamento em obras se assemelha ao da tomografia do corpo humano. O retrato tridimensional capta variações de temperatura, pontos de umidade e graus de rugosidade de lajes e pilares dos prédios, gerando tons de cores para cada caso. No Brasil, a tecnologia foi empregada pela primeira vez em 2016, no restauro arquitetônico da Casa de Vidro, construída nos anos 1950 e projetada pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi. A mesma tecnologia deverá ser empregada na restauração do MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), também na cidade de São Paulo-SP. 

Com todos os recursos tecnológicos que já começam a ficar disponíveis para a construção civil, Jeff Sample acredita que viabilizar obras vai ficar cada vez mais barato, conforme os novos processos construtivos forem disseminados. “A tecnologia vai baratear custos. Por duas razões: haverá mais opções de materiais para construir e a mão de obra melhor qualificada terá mais produtividade e consumirá menor tempo na obra”, conclui.

Entrevistado
Estrategista em inovações para a construção, Jeff Sample, diretor de estratégias da eSUB Construction Software
Contato: contact@esub.com

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Ferramenta ajuda cidades a se tornarem inteligentes

Ideia da Bright Cities partiu do trabalho da pesquisadora da UNICAMP, Raquel Cardamone (centro) e foi desenvolvida pela Action Labs, de Paulo Renato Oliveira (dir.)
Ideia da Bright Cities partiu do trabalho da pesquisadora da UNICAMP, Raquel Cardamone (centro) e foi desenvolvida pela Action Labs, de Paulo Renato Oliveira (dir.)

Bright Cities é o nome da plataforma que ajuda as cidades a se tornarem Smart Cities. A ferramenta auxilia os gestores públicos a adotarem procedimentos compatíveis com o das cidades inteligentes. Através de comparativos, a tecnologia analisa o potencial da cidade em 10 pontos: energia, meio ambiente, governança, mobilidade urbana, segurança pública, saúde, empreendedorismo, educação, urbanismo e tecnologia e inovação. “Bright Cities é um guia passo a passo para tornar a cidade mais inteligente a cada dia”, define Paulo Renato Oliveira, Founder & Chief Creative Officer da Action Labs, responsável pelo desenvolvimento da Bright Cities.

A plataforma agrega indicadores reconhecidos por organismos internacionais, como ONU, ISO e WCCD (World Council on City Data), e ajuda a maximizar os pontos fortes e melhorar as vulnerabilidades das cidades. Obviamente, os objetivos traçados não são atingidos da noite para o dia. É um trabalho de longo prazo, como explica Paulo Renato Oliveira. “Cada cidade deve atacar suas questões prioritárias, aproveitando seus próprios diferenciais, que podem ser localização geográfica, grau de instrução da população e disponibilidade de recursos naturais, entre outros aspectos”, diz. A plataforma criada no Brasil já desperta interesse de cidades norte-americanas, como Boston. No país, Juazeiro do Norte-CE e Aracaju-SE são as primeiras a utilizá-las.

Apresentação aconteceu na Smart City Expo World Congress, em Barcelona

A Bright Cities não é uma ferramenta exclusiva para os gestores públicos. Ela pode também ser utilizada por organizações não-governamentais, associações ligadas à gestão de uma cidade e empresas que atuam como provedoras de soluções. A plataforma oferece um mapa completo sobre as áreas em que esses agentes podem atuar, e é aberta também aos cidadãos. “Eles têm como ver as condições de sua cidade em comparação com outras municipalidades, nas 10 áreas de avaliação”, afirma Paulo Renato Oliveira. A Bright Cities atua com base em um algoritmo de recomendação de soluções, que analisa o impacto que cada proposta teve nas cidades. A ferramenta foi apresentada na Smart City Expo World Congress, em Barcelona, em novembro de 2018.

A ideia partiu do trabalho desenvolvido pela pesquisadora da UNICAMP, Raquel Cardamone, e CEO da Bright Consulting. O foco são as cidades de médio e pequeno porte, que na maioria das vezes são carentes de indicadores e recursos para contratar uma consultoria que faça o levantamento de dados e ajude-as a se tornarem cidades inteligentes. A Action Labs foi parceira da ideia no desenvolvimento tecnológico da ferramenta. “Fizemos a modelagem do negócio, estruturamos o algoritmo de diagnóstico e transformamos a metodologia em uma plataforma tecnológica que analisa centenas de dados e sugere soluções para quem utiliza a plataforma”, resume Paulo Renato Oliveira.

Entrevistado
Paulo Renato Oliveira, Founder & Chief Creative Officer da Action Labs, e responsável pela tecnologia da Bright Cities

Contatos
contact@brightcities.city
http://www.actionlabs.com.br/contato/

 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Panamá ganha maior ponte de concreto protendido do mundo

O Panamá inaugurou há 3 meses a Ponte Atlântico, a terceira sobre o Canal do Panamá. Trata-se da maior do mundo construída em concreto protendido. A estrutura tem 4,605 quilômetros de extensão e vão central de 530 metros, sustentado por estais. A vida útil projetada da obra é de 100 anos. 

A opção pelo concreto protendido se deve à sua maior resistência à tração do que o concreto armado. Normalmente, essa tecnologia é usada para pontes localizadas em regiões marítimas, e com grandes vãos, por ser menos propensa à corrosão das armaduras. O concreto protendido utiliza armadura ativa, sujeita ao pré-alongamento. A isso se dá o nome de protensão, ou seja, a compressão prévia da estrutura para minimizar ou anular as tensões de tração.

A construção da Ponte Atlântico começou em 2013 e tem execução chinesa e francesa, com projeto francês. Foi construída pela China Communications Construction Company, em parceria com a Louis Berger Group, que também construiu as pontes das Américas e Centenária. O projeto é da Vinci Construction Grands Projects, cujo portfólio inclui as pontes da Normandia, na França, e a ponte da Confederação, no Canadá.

Trabalharam na obra 1.100 pessoas e foram utilizados 175.760 m3 de concreto, 36 mil toneladas de aço reforçado, 14,2 quilômetros de pilares pré-moldados e 16 mil toneladas de cabos de protensão. 

Sobre o Canal do Panamá também passam a Ponte das Américas, inaugurada em 1962, e a Ponte Centenária, de 2005, ambas localizadas no setor do Pacífico. A Ponte Atlântico é a primeira do lado do Oceano Atlântico e foi construída a um custo de 379 milhões de dólares (aproximadamente 1,5 bilhão de reais).

Ponte também é a mais longa estrutura de concreto protendido do mundo a possuir 4 pistas

O ponto mais alto do vão da ponte está a 75 metros de altura, a fim de permitir a passagem de grandes navios de carga. Acima, o tabuleiro com 4 pistas para veículos, calçada para pedestres e ciclovia está suspenso por estais conectados a dois pilares de 212 metros de altura cada um. Isso rende outro título à ponte. Trata-se da mais longa estrutura de concreto protendido do mundo a possuir quatro pistas.

A Ponte Atlântico foi projetada para receber um fluxo diário de 40 mil veículos. Estima-se que a estrutura e seu complexo de viadutos garantam a fluidez do tráfego por pelo menos 50 anos. Porém, outra ponte já está em planejamento. Essa ligará o canal diretamente à Cidade do Panamá, e por ela passará uma nova linha de metrô. 

O projeto e a execução da quarta ponte sobre o Canal do Panamá será 100% de um consórcio chinês, formado pela China Communications Construction Co (CNC) e pela China Harbour Engineering Company (CHEC). O grupo venceu um contrato de 1,42 bilhão de dólares (cerca de 5,7 bilhões de reais).

As obras estão previstas para começar em 2020, com duração de 3 anos. O complexo viário terá 6,5 quilômetros de extensão, com seis faixas para veículos, além da linha de metrô. O Panamá também está prestes a inaugurar outra ponte, que ligará o país à Costa Rica. Batizada de Ponte Binacional Sixaola, a estrutura está 62% no território costarriquenho e 38% no panamenho. Sua extensão é de 260 metros de comprimento e 17 metros de largura, e será concluída no primeiro trimestre de 2020.

Veja vídeo da Ponte Atlântico

Entrevistados
China Communications Construction Company, Louis Berger Group e Vinci Construction Grands Projects (via departamentos de comunicação)

Contatos
media.relations@vinci.com
ir@ccccltd.cn
lbg@louisberger.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Empregos na construção fecham 6º mês de saldo positivo

Pelos números do CAGED, em 2019 a construção civil já criou 114,3 mil vagas formais e voltou a empregar diretamente mais de 2 milhões de pessoas no país Crédito: Marcello Casal/Agência Brasil
Pelos números do CAGED, em 2019 a construção civil já criou 114,3 mil vagas formais e voltou a empregar diretamente mais de 2 milhões de pessoas no país
Crédito: Marcello Casal/Agência Brasil

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) confirma que a indústria da construção civil consolida 6 meses consecutivos com saldo positivo em seu mercado de trabalho. Significa que de abril a setembro de 2019, as admissões superaram as demissões. A tendência de viés de alta deve se confirmar quando saírem os números de outubro do CAGED, o que acontece na metade de novembro. Porém, outros indicadores já certificam que o volume de emprego formal no setor seguirá em elevação, como aponta a mais recente Sondagem Indústria da Construção, monitorada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

O nível de oferta de emprego na construção civil é o maior desde novembro de 2013, diz o indicador da CNI/CBIC. “Mesmo caminhando a passos ainda lentos, o setor da construção já consegue gerar importantes vagas com carteira assinada no mercado de trabalho e dar mais dinamismo à economia nacional. Ainda falta muito para a construção retomar o patamar de anos anteriores, mas não se pode deixar de ressaltar a importância do fato de que o setor parou de piorar”, destaca a economista do Banco de Dados da CBIC, Ieda Vasconcelos. A Sondagem Indústria da Construção é realizada com 490 empresas do setor da construção, das quais 175 são de pequeno porte, 203 de médio e 112 de grande porte.

Construção civil está em 4º lugar entre os setores que mais empregam no Brasil

Pelos números do CAGED, em 2019 a construção civil já criou 114,3 mil vagas formais. Destaque para os canteiros de obras de edificações residenciais, que são as que mais têm contratado no setor. Em seguida, vem o segmento de geração e distribuição de energia elétrica e de telecomunicações. Com a série positiva, a construção civil volta a empregar diretamente mais de 2 milhões de pessoas no país, mas segue ainda longe do auge de sua empregabilidade, que ocorreu entre 2013 e 2014, quando chegou a ter 3,5 milhões de vagas ocupadas. Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, se houvesse a retomada de obras paralisadas poderiam ser criados mais de 400 mil empregos. 

Pelos cálculos da CBIC, com o investimento de 10 bilhões de reais via concessões (0,11% do PIB) seriam geradas 76 mil vagas diretas e 114 mil indiretas no setor de obras de infraestrutura. Ao mesmo tempo, com 40 bilhões de reais do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) - 0,45% do PIB - seriam criadas 305 mil vagas diretas no segmento da construção habitacional, totalizando 420 mil empregos formais. “A demanda atual do país é pela geração de empregos. Isso tem a ver com a construção civil, que é a locomotiva de empregos”, destaca Martins. 

Apesar do crescimento da oferta de vagas, a construção civil atualmente está em 4º lugar entre os que mais empregam no Brasil. O 1º é setor de serviços, seguido da indústria de transformação e do comércio.

Entrevistado
Reportagem com base nos dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e da Sondagem Indústria da Construção, monitorada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Contatos
imprensa@mte.gov.br
ascom@cbic.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Urbanismo tenta tirar cidades do monopólio dos carros

De 19 a 23 de julho de 2020, o Rio de Janeiro-RJ vai sediar o Congresso Mundial de Arquitetura: futuro das metrópoles estará no foco dos debates Crédito: UIA
De 19 a 23 de julho de 2020, o Rio de Janeiro-RJ vai sediar o Congresso Mundial de Arquitetura: futuro das metrópoles estará no foco dos debates
Crédito: UIA

O Dia Mundial do Urbanismo, que se comemora em 8 de novembro, reforça o desafio que se impõe às cidades neste século 21: buscar soluções que acabem com o monopólio dos carros no desenvolvimento urbano. Os veículos influenciaram maciçamente o desenho e o crescimento das metrópoles, mas agora o novo urbanismo tenta minimizar esse impacto com mobilidade urbana, transporte coletivo, transportes alternativos e valorização do pedestre. 

Segundo o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN Desa), até 2050 cerca de 6,7 bilhões de pessoas estarão vivendo em cidades, o que tornará o mundo quase 70% urbano. Consequentemente, 70% das emissões globais de dióxido de carbono também estarão concentrados nos centro urbanos.

Isso levou o secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, a decretar que é nas metrópoles que a “batalha climática será amplamente vencida ou perdida”. No entanto, o chefe da ONU avalia que o urbanismo ajudará a vencer esse duelo. “As escolhas que serão feitas na infraestrutura urbana nas próximas décadas, em planejamento urbano, eficiência energética, geração de energia e transporte, terão influência decisiva nessa batalha”, diz.

Guterres também lembra que a solução está nas cidades-inteligentes. “Muito do que será necessário para abrigar e servir a esse mundo, cada vez mais urbano, ainda não foi construído, e até mesmo algumas novas cidades precisarão surgir. Isso traz enormes oportunidades para desenvolver e implantar soluções que possam enfrentar a crise climática e abrir caminho para um futuro sustentável”, completa.

Congresso Mundial de Arquitetura terá o futuro das cidades como tema central

Esse também será o tema central do Congresso Mundial de Arquitetura, que acontecerá de 19 a 23 de julho de 2020, no Rio de Janeiro-RJ. Os que apóiam o novo urbanismo defendem que os bairros se transformem em “cidades compactas” e possam permitir que seus moradores façam a maior parte das atividades sem usar o carro. “As cidades devem ser redesenhadas em função das dimensões, dos movimentos e das necessidades do corpo humano, em vez de serem projetadas em função do automóvel”, reforça o arquiteto brasileiro Roberto Simon, conselheiro da UIA (União Internacional dos Arquitetos).

Para a ONU, as metrópoles não devem ser combatidas, mas transformadas. “A urbanização apresenta vários desafios de sustentabilidade relacionados à habitação, meio ambiente, mudanças climáticas, infraestrutura, serviços básicos, segurança alimentar, saúde, educação, empregos, segurança e recursos naturais. Ao mesmo tempo, ela também pode produzir grandes oportunidades, além de ser uma ferramenta crítica para o desenvolvimento sustentável, se aplicada da maneira correta”, diz relatório da organização. 

António Guterres reforça ainda que a economia global depende das metrópoles. “As cidades geram mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) global e, como centros de educação e empreendedorismo, são pólos de inovação e criatividade. Por isso, a ONU acredita que é possível usar a urbanização para alcançar o desenvolvimento sustentável, adaptando a maneira como as cidades são planejadas, projetadas, financiadas, desenvolvidas, governadas e gerenciadas”, conclui.

Entrevistados
Organização das Nações Unidas (ONU), União Internacional dos Arquitetos (UIA) e Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU) (via assessorias de imprensa)

Contatos
atendimento@caubr.gov.br
uia@uia-architectes.org
contato@onu.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Natureza ensina como projetar prédios superaltos

Mark P. Sarkisian, no ENECE 2019: flor do deserto inspirou o Burj Khalifa, enquanto o bambu foi a base do projeto das torres do China World Trade Center Crédito: Cia. de Cimento Itambé
Mark P. Sarkisian, no ENECE 2019: flor do deserto inspirou o Burj Khalifa, enquanto o bambu foi a base do projeto das torres do China World Trade Center
Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Para o engenheiro estrutural Mark P. Sarkisian, projetar prédios superaltos requer uma observação minuciosa da natureza. “Os princípios da natureza norteiam os cálculos. Há princípios matemáticos muito definidos e que devem nos inspirar”, diz uma das sumidades mundiais em arranha-céus. Sarkisian esteve recentemente palestrando no ENECE 2019 (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural) - evento anual promovido pela ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural).

Entre as análises feitas por Mark P. Sarkisian, ele destacou que o bambu e os furacões são os elementos da natureza que mais o inspiram. “O bambu é uma fonte inspiradora para quem projeta prédios superaltos. Os colmos da planta possuem uma precisão matemática incrível. E são eles que dão sustentação para que o bambu possa atingir até 20 metros, dependendo da espécie”, relata. Sobre os furacões, Sarkisian destaca que a forma de caracol do fenômeno climático é que permite que ele atinja grandes alturas sem perder a sustentação.

China World Trade Center: elementos da natureza serviram de base para projetar as torres inauguradas em 2017, em Pequim Crédito: SOM
China World Trade Center: elementos da natureza serviram de base para projetar as torres inauguradas em 2017, em Pequim
Crédito: SOM

Autor do livro “Projetando edifícios altos: estrutura e arquitetura”, o engenheiro lembra em sua palestra que os dois elementos da natureza que mais o inspiram serviram de base para que projetasse as torres do China World Trade Center, em Pequim, inauguradas em 2017, e o Burj Khalifa, em 2010, em Dubai. “Quem vê as torres do CWTC enxerga uma estrutura que lembra muito o bambu. Já o Burj Khalifa tem um formato inspirado em uma espiral e suas fundações tiveram como ponto de partida as raízes e o caule da flor do deserto”, revela. 

A princípio, Burj Khalifa havia sido projetado para ter 560 metros

Sócio do escritório Skimore, Owings & Merril, sediado em São Francisco-EUA, Sarkisian conta que, inicialmente, o Burj Khalifa havia sido projetado para ter 560 metros. “No entanto, a base em forma de tripé e o formato espiralado nos deram segurança para que ele fosse crescendo mais. À medida que o edifício ia subindo, menores eram os efeitos do vento sobre ele”, comenta o projetista. Com 828 metros de altura, o Burj Khalifa ainda é o maior prédio do mundo e teve seu projeto estrutural todo concebido em concreto armado.

Burj Khalifa: à medida que o edifício ia subindo, menores eram os efeitos do vento sobre ele Crédito: Banco de Imagens
Burj Khalifa: à medida que o edifício ia subindo, menores eram os efeitos do vento sobre ele
Crédito: Banco de Imagens

Por isso, Mark P. Sarkisian avalia que o material seguirá predominante na construção de edifícios superaltos. “Os prédios superaltos têm um futuro ótimo. Também estamos convictos de que essas edificações não precisarão ser construídas com concreto de ultra-alto desempenho (CUAD), mas com concretos com resistência que variem de 80 MPa a 120 MPa. O que eles precisam ser é resilientes. Essa foi a nossa maior lição depois do 11 de setembro (ataques às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, em 2001): precisamos construir edificações resilientes. E a natureza está aí para nos ajudar”, sentencia.

Mark P. Sarkisian finaliza sua palestra lembrando que os projetos estruturais de edifícios superaltos devem se concentrar no equilíbrio das cargas. “Nem sempre é importante pensar em materiais super resistentes, mas nos princípios matemáticos das forças que vão agir sobre aquela edificação. Principalmente, se formos construir em áreas propensas a furacões e terremotos”, ressalta.

Entrevistado
Reportagem com base na palestra do engenheiro estrutural Mark P. Sarkisian, sócio do escritório Skimore, Owings & Merril, sediado em São Francisco-EUA, no ENECE 2019 (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural).

Contato: abece@abece.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330