Ponte Guaratuba-Matinhos depende da BR-101 no PR
Por: Altair Santos
Reivindicação antiga da população que frequenta o litoral paranaense - principalmente as praias dos municípios de Matinhos e de Guaratuba -, a tão esperada ponte ligando as duas cidades só sairá do papel se for viabilizado o trecho paranaense da BR-101. O estado interrompe o percurso da rodovia federal, que começa na cidade de Touros, no Rio Grande do Norte, e atinge o município de São José do Norte, no Rio Grande do Sul, passando também por Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

Oficialmente denominada Rodovia Mário Covas, a BR-101 voltou a ter o trecho paranaense colocado na pauta depois das chuvas que atingiram o litoral do estado em março de 2011, causando colapso nas rodovias BR-277 e BR-376 e isolando boa parte dos municípios localizados ao nível do mar no Paraná. O Departamento de Estradas e Rodagem (DER) desengavetou projetos que adormeciam há mais de 20 anos e, com eles, vieram também a da ponte ligando Matinhos a Guaratuba, cuja única ligação, há mais de cinco décadas, é feita por ferryboat.
Em 2013, o Ministério Público do Paraná, através da 1ª Promotoria de Guaratuba, ajuizou ação civil pública exigindo que o governo estadual viabilize procedimento licitatório para construir a ponte. Ainda não há nenhum estudo conclusivo sobre a obra. Cogitou-se, inclusive, substituir a construção de uma ponte por um túnel. Houve uma consulta ao Comitê Brasileiro de Túneis, que vem trabalhando no projeto do túnel Santos-Guarujá, no litoral paulista, porém o DER do Paraná desistiu da hipótese e investirá seus esforços na construção de uma ponte, cuja extensão deverá ter 800 metros.
O complexo não será construído no mesmo local onde atualmente ocorre a travessia do ferryboat, e fará parte de todo o sistema rodoviário que englobará o percurso da BR-101 no Paraná. Essa nova estrada terá 180 quilômetros e tem custo estimado de R$ 1,5 bilhão. Seu grande desafio será cruzar áreas de Mata Atlântica, causando o menor dano ambiental possível. Por isso, estima-se que o projeto terá um bom número de pontes e túneis, fazendo a ligação entre as BRs 116 (Régis Bittencourt) e 376 (sentido Santa Catarina). Perguntada sobre os estudos de viabilidade da obra, a secretária de infraestrutura e logística do Paraná emitiu a seguinte nota ao Massa Cinzenta:
"O Governo do Paraná está concluindo os estudos da futura Parceria Público-Privada que será responsável pela construção da ponte de Guaratuba e a da nova rodovia BR-101, que fará a ligação entre o Estado de São Paulo e os portos do Paraná - Paranaguá e o futuro Porto de Pontal do Paraná - e de Santa Catarina. Nesta parceria também está inclusa a construção da ponte entre Matinhos e Guaratuba e também os acessos rodoviários a estes dois municípios. A nova PPP vai interligar a BR 116 e a BR 376, iniciando a 20 quilômetros antes de represa do Capivari, até o município de Garuva, em Santa Catarina. O Estado vai fazer, no primeiro trimestre de 2014, o chamamento público convidando empresas para fazer os estudos técnicos, projetos e a obtenção de licenciamento para construir a rodovia e a ponte, ao molde do que foi feito na PPP da PR-323 (entre Maringá e Francisco Alves, no Noroeste do Estado)."
Entrevistados
Secretaria estadual de infraestrutura e logística do Paraná (via assessoria de imprensa)
Contato: www.infraestrutura.pr.gov.br
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Obra no RJ aguça reciclagem de resíduos no Brasil
Demolição e reaproveitamento dos entulhos do Elevado da Perimetral serve de modelo para que país pratique políticas de gerenciamento de escombros
Por: Altair Santos
A implosão de um trecho do Elevado da Perimetral, na cidade do Rio de Janeiro, gerou 5.104 toneladas de entulhos - dos quais, cerca de 2.500 m³ de resíduos de concreto armado. O processo de demolição, que começou no final de novembro de 2013, deve se completar ao longo de 2014. O plano de gerenciamento dos escombros da obra prevê que, quando toda a operação for concluída, 56.675,25 m³ de resíduos de concreto armado terão sido gerados. Trata-se da demolição - considerando apenas um empreendimento - com o maior volume de aglomerados atualmente no Brasil.

Grande parte do trecho do Elevado da Perimetral terá de ser demolida por equipamentos, por que áreas de risco impedem o uso de explosivos. Isso exige ainda mais do planejamento na execução do trabalho. A estratégia é promover o desmantelamento do restante da obra em horários e dias alternativos e levar os entulhos para uma base de reciclagem montada próxima da operação. Para a Abrecon (Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição) a principal virtude deste plano é que ele venha a servir de modelo para outros programas de demolição no país.
Segundo dados da entidade, atualmente nem 10% do que poderia ser feito em termos de boas práticas de reciclagem de entulhos de concreto armado estão adequados à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). De acordo com a Abrecon, em todo o Brasil são reaproveitados por ano 80 milhões de toneladas de escombros provenientes da construção civil. O ideal seria que esse número fosse pelo menos o triplo. A perspectiva, no entanto, é de que, conforme a PNRS se consolide, o volume de reaproveitamento de entulhos também aumente. A lei 12.305, que delibera sobre as obrigações de destinação correta de resíduos sólidos, é de 2010.
Pela legislação, municípios, estados e União devem desenvolver planos de gerenciamento dos resíduos da construção civil. O não cumprimento estabelece penalidades aos infratores, sejam do setor privado ou do setor público. No processo de reciclagem, os resíduos beneficiados, de acordo com a granulometria, são utilizados em rebocos, argamassas de assentamento, alvenaria de vedação, contrapisos, blocos de vedação, solo-cimento, fabricação de artefatos de concretos como blocos de vedação, pisos intertravados, tubos de concretos, fabricação de concretos não estruturais e drenagens.

No caso dos entulhos do Elevado da Perimetral, eles serão reaproveitados, em boa parte, como reforço de subleitos de pavimentos em ruas que serão recuperadas na cidade do Rio de Janeiro. "Sem função estrutural, o reaproveitamento dos resíduos sólidos da construção civil equivale a 30% do que se usa, em média, em uma obra", diz Gilberto Meirelles, diretor de comunicação da Abrecon. Apesar dos avanços, o país ainda está longe de números como os alcançados na Holanda, onde 90% do volume de resíduos gerados pela construção civil é reciclado.
No entanto, não é por causa da legislação que o Brasil deixará de evoluir na reciclagem de entulhos da construção civil. Além da PNRS, há ainda outras leis, normas e resoluções que regulamentam nacionalmente o setor. A saber:
- Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) - Regulamentada pelo Decreto nº 7.390/2010.
- Resolução CONAMA nº 307, de 5 de Julho de 2002, e suas alterações
- Dispõe sobre a gestão dos resíduos da construção civil.
- Lei Federal de Saneamento Básico - Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007.
- NBR 15112:2004 - Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos, Áreas de Transbordo e Triagem. Diretrizes para Projeto, Implantação e Operação.
- NBR 15113:2004 - Resíduos Sólidos da Construção Civil e Resíduos Inertes – Aterros. Diretrizes para Projetos, Implantação e Operação.
- NBR 15114:2004 - Resíduos Sólidos da Construção Civil – Áreas de Reciclagem Diretrizes para Projetos, Implantação e Operação.
- NBR 15115:2004 - Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil Execução de camadas de pavimentação – Procedimentos.
- NBR 15116:2004 - Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil – Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural – Requisitos.
Entrevistado
Gilberto Meirelles é graduado em administração, com especialidade em empreendedorismo social e sustentabilidade. Dirige a Estação Resgate - empresa de reciclagem em São Paulo. Já presidiu a Abrecon (Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição) e atualmente é seu diretor de comunicação.
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Tendências de gestão que farão a diferença em 2014
Empresas ligadas à construção civil têm o seguinte desafio: adequar estruturas de capital e de financiamento para viabilizar seus projetos
Por: Altair Santos
O Instituto Aquila - consultoria de soluções em gestão avançada - terminou 2013 avaliando as tendências de gestão que farão a diferença em 2014. Para o grupo de especialistas que atuou no estudo, as corporações precisarão estar atentas a dois pontos fundamentais: ampliar a capacidade de atingir resultados e desenvolver planejamentos anuais corporativos que garantam valor. "Nenhum planejamento deverá ser realizado de maneira separada ou por área. Não deve existir a meta comercial, a meta industrial, a meta administrativa. Deve existir a meta da empresa. Não adianta a área comercial cumprir sua meta, e outra área não. Isso não agrega valor", explica Felipe Saraiva, coordenador de projetos do Instituto Aquila.

Para atingir o que chama de "alinhamento de metas", o Instituto Aquila orienta que as corporações precisam garantir que os recursos humanos (indivíduos e equipes) materiais e financeiros sejam empregados na direção desejada. "Em um mundo rápido, as empresas precisam visualizar agilmente os resultados das partes componentes que afetam o resultado final de cada processo, tomando as ações necessárias. Temos visto, em nossa experiência, empresas com alta maturidade em gestão, que apresentam resultados fantásticos, e outras, do mesmo setor, que não têm destaque, pois possuem baixa maturidade de gestão", avalia Felipe Saraiva.
O coordenador de projetos do Instituto Aquila considera que a construção civil está entre os setores onde há um bom número de companhias com alta e baixa maturidade. "Enxergarmos a construção civil com desalinhamento entre capital investido e capital a receber, o que tem provocado rupturas nos negócios. As empresas com disponibilidade de capital para financiamento de suas operações têm conseguido minimizar essas rupturas, enquanto promovem os ajustes necessários", diz, relatando o que acontece com as corporações que conseguem alinhar o desempenho. "À medida que mais e mais processos sofrem melhorias, as mudanças que antes eram lentas começam a acontecer mais rápido", completa.
Felipe Saraiva também indica os desafios que as construtoras que ainda estão desalinhadas precisam superar em 2014. Os principais são:
1) Adequar suas estruturas de capital e financiamento junto a investidores e instituições financeiras. A confiança de investidores e bancos será maior para com as empresas com melhor grau de gestão de seus empreendimentos.
2) Trabalhar a gestão dos empreendimentos, melhorando o planejamento e o acompanhamento, cumprindo cronogramas e evitando incorrer em desperdício de custos fixos, multas e não recebimento de parcelas de serviços.
Entrevistado
Felipe Saraiva, administrador com pós-graduação em gestão estratégica de preços pelo Management Centre Europe, na Bélgica. Ocupa o cargo de coordenador de projetos do Instituto Aquila.
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Fabricação de cimento baliza sinais econômicos
Crescimento do setor fica abaixo do esperado em 2013, mas expectativa de que obras de infraestrutura saiam do papel no novo ano animam indústria
Por: Altair Santos
Em 2013, o desempenho da indústria de cimento no Brasil foi um pouco superior ao do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Alcançou crescimento de 2,7% no acumulado de 12 meses, contra 2,3% de tudo o que o país produziu no mesmo período. Para o presidente do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) José Otávio Carneiro de Carvalho, o indicador ficou abaixo do que previa o setor - esperava crescer 4% -, mas serviu para sinalizar que a atividade econômica precisa de novos impulsos em 2014, a fim de obter taxas mais elevadas de desenvolvimento. "A produção de cimento serve como indicador antecedente da atividade da economia, e é usada por diversos organismos públicos, como Banco Central, secretarias de planejamento, bancos de investimento e consultores. Por isso, mostra que será preciso mudar esse viés em 2014", diz.

Para o presidente, no novo ano a expectativa da indústria cimenteira é de que o crescimento atinja patamares entre 3% e 4%. Dois motivos fazem José Otávio Carneiro de Carvalho acreditar nestes números: as concessões de estradas, ferrovias, portos e aeroportos à iniciativa privada, o que finalmente deve tirar do papel um volume grande de obras, e os investimentos do setor para aumentar a capacidade instalada de fabricação de cimento. "Há novos projetos anunciados, e em execução, e que irão aumentar o potencial da indústria. Além disso, a infraestrutura é meio fundamental para o crescimento do país e da indústria do cimento. Há uma necessidade de investimentos que eliminem gargalos e fomentem a demanda. O Brasil precisa de um programa sustentável de investimento em infraestrutura para voltar a crescer", avalia.
No entender do SNIC, a expectativa de que 2014 será o ano das obras de infraestrutura deverá compensar a previsão de queda no setor da construção civil voltado para o mercado imobiliário. "Acreditamos que poderá haver uma desaceleração nos lançamentos imobiliários", estima José Otávio Carneiro de Carvalho, lembrando que o crescimento do setor em 2013 colocou em risco a posição do Brasil no ranking mundial de produção de cimento, onde o país ocupa a 4ª colocação. "O Irã já nos ameaça. Aliás, foi o país que mais se destacou pela produção e pelo consumo de cimento em 2013. Já a Espanha foi a que mais caiu no ano", revela. Mesmo assim, o dirigente estima que o Brasil atingirá a produção anual de 70 milhões de toneladas de cimento e consumo aparente próximo de 71 milhões. Quando esta reportagem foi finalizada, os números oficiais do SNIC ainda não haviam sido anunciados.
Entrevistado
José Otávio Carneiro de Carvalho, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), engenheiro de produção, com pós-graduação em engenharia econômica, e larga experiência no setor da indústria do cimento.
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Fora do Brasil, construção civil está otimista
Após período de incertezas, empresas de engenharia e construtoras que atuam internacionalmente se mostram confiantes para 2014, diz pesquisa
Por: Altair Santos
Entre 2012 e 2013, o setor da construção civil cresceu, em média, 5%. Não no Brasil, mas em regiões como Oriente Médio, África e Ásia. Os países localizados nestas áreas foram os que mais atraíram as multinacionais da engenharia e construtoras acostumadas a atuar internacionalmente. Depois da crise global deflagrada em 2008, foi o melhor desempenho do setor, indica pesquisa da KPMG, uma cooperativa global que atua em 156 países.

O principal propulsor de crescimento da construção civil em outros países são as obras de infraestrutura. Elas foram citadas por 66% das empresas de engenharia consultadas. Outro impulso, para 42% dos entrevistados, veio do crescimento econômico global. Já 38% atribuíram a retomada das obras ao aumento populacional. A pesquisa da KPMG, intitulada “Preparado para a próxima grande onda?” (em inglês, Global Construction Survey 2013: Ready for the Next Big Wave?) ouviu 165 executivos de empresas de 29 países.
Também foram entrevistados CEOs de grandes construtoras que atuam em vários países das Américas. No continente, onde a construção civil registrou crescimento relevante, os bons resultados foram atribuídos aos planos de infraestrutura dos governos (58%), às parcerias público-privadas (48%) e aos investimentos em fontes de energia renovável (42%). "O panorama geral do setor é positivo”, afirma Augusto Sales, sócio da KPMG no Brasil.
Já o diretor da KPMG no Brasil, Erico Giovannetti, avalia que a construção civil global começa a experimentar um novo período. “O que vimos é que, passado o momento de incerteza, em função da crise econômica que atingiu diversos países, as empresas mundiais estão se preparando para uma retomada de crescimento e se mostram bastante otimistas com o que está por vir. Por outro lado, o levantamento apontou os possíveis obstáculos ao crescimento, sendo o déficit de orçamento e de financiamentos públicos o fator decisivo, de acordo com 72% dos entrevistados”, alerta.
O estudo elencou também algumas das recomendações apontadas como prioritárias pelos executivos. Entre elas, a de que os investidores precisam balancear a necessidade de contratos ou projetos de capital de longo prazo com as pressões das fontes de financiamento dos proprietários. Além disso, admitem que não se deve investir muito, e antecipamente, já que a demanda pode não aparecer e deixar a empresa com recursos ociosos. Por outro lado, recomendam não investir tardiamente. "Com as recomendações feitas pelos próprios gestores, a ideia é que as companhias não percam a onda de oportunidades que está por vir e saibam investir e agir no momento certo de forma correta”, finaliza Giovannetti.
Entrevistado
Augusto Sales e Erico Giovannetti, executivos da KPMG no Brasil (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Investimento pautou indústria do pré-fabricado em 2013
Entre as empresas associadas da Abcic, ferramenta BIM – Building Information Modeling - despontou como a tecnologia mais requisitada no ano passado
Por: Altair Santos
Em 2013, um dos segmentos da cadeia produtiva da construção civil que mais recebeu investimentos foi o ligado à indústria de pré-fabricados. Estudo da Fundação Getúlio Vargas, encomendado pela Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) mostra que 55% das empresas do setor aprimoraram seus negócios no ano passado e somente 10% reduziram investimentos.

De acordo com os dados levantados pela FGV, os recursos investidos pelas indústrias de pré-fabricados tiveram as seguintes prioridades: 87,5% foram aplicados na aquisição de equipamentos para produção; 62,5% se destinaram ao aumento da área produtiva; 56,3% na ampliação da área de estocagem; 50% no aumento dos galpões; e 31,3% para a compra de equipamentos utilizados na montagem das estruturas.
Entre os que buscaram agregar tecnologia à produção de pré-fabricados, 18,8% implantaram em suas fábricas a ferramenta BIM – Building Information Modeling. Já 31,2% responderam que pretendem adotá-la nos próximos dois anos. Somando quem já utiliza e quem pretende implantar o BIM até 2016, a ferramenta abrange 50% das empresas de pré-fabricados associadas à Abcic.
A pesquisa da FGV revela também dados sobre o perfil de produção das empresas do segmento. Atualmente, 47% das indústrias produzem até 10 mil m³ por ano. Em relação ao uso de insumos, o estudo encomendado pela Abcic mostra que os pré-fabricadores de estrutura de concreto consumiram 474,8 mil toneladas de cimento e 126 mil toneladas de aço no período analisado. A produção total do segmento alcançou a marca de 1,1 milhão de m3 em estruturas pré-moldada, revelando capacidade instalada da ordem de 1,9 milhão de m³.
Outras constatações do estudo:
- 54,3% da produção em 2013 foi de concreto protendido e 45,7% de concreto armado.
- 54,2% das empresas utilizam concreto autoadensável em sua linha de produção.
- 16,7% das empresas produzem as estruturas metálicas empregadas nas estruturas.
- 28,6% delas executam pré-fabricados nos canteiros de obras.
Em relação às áreas onde as estruturas pré-fabricadas são mais empregadas, as obras industriais lideraram o ranking. Na sequência aparecem shopping centers, seguidos de centros de distribuição e logística. Obras de infraestruturas e especiais registraram um avanço considerável e ficaram em quarto lugar no uso de pré-moldado. O ranking se completa com obras realizadas para o varejo, edifícios comerciais e setor habitacional.
Coordenado pela diretora de projetos de construção civil da FGV, Ana Maria Castelo, o levantamento encomendado pela Abcic constata ainda que, durante o ciclo do estudo, as indústrias de pré-fabricados empregavam 14.492 pessoas. “O estudo contextualiza o pré-fabricado de concreto no setor da construção civil brasileira", explica a pesquisadora.
Confira aqui o estudo completo da FGV sobre a indústria de pré-fabricados no Brasil.
Entrevistado
Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) (via assessoria de imprensa)
Contato: meccanica@meccanica.com.br
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Sem estímulo, PIB da construção será de 2,8% em 2014
Sondagem nacional realizada pela FGV, por encomenda do SindusCon-SP, mostra que empresas estão confiantes, porém pedem novos ajustes na economia
Por: Altair Santos
Em sua mais recente Sondagem Nacional da Indústria da Construção - a 57ª da série -, o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) procurou projetar um cenário para 2014, com base na expectativa do setor. O estudo, coordenado pela Fundação Getúlio Vargas, mostra que as empresas estão confiantes no crescimento de médio e longo prazo, mas veem necessidade de novos estímulos para a economia. Entre as construtoras consultadas, a expectativa com relação à necessidade de impulsos econômicos atingiu 78,3 pontos. Ao mesmo tempo, a confiança dos entrevistados de crescimento no médio e longo prazo ficou em 62 pontos.

Sem que ocorram os incentivos necessários, o estudo encomendado pelo SindusCon-SP estima que o PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil brasileira deverá crescer 2,8% em 2014 - caso o PIB do país se eleve em 2%. Já o emprego formal no setor deverá apresentar alta de 1,5%, enquanto a produção de materiais aumentará 3,6% e a taxa de investimento deverá ficar em 19,8% do PIB. Para a economista da FGV, Ana Maria Castelo, que coordenou a pesquisa, os dados apurados revelam claramente o final de um ciclo da construção civil brasileira, que teve seu auge entre os anos 2008 e 2010. “Desde 2006 não tínhamos um crescimento do produto setorial menor que o do PIB”, disse.
Em 2013, de acordo com o estudo da FGV, o PIB da construção foi de 2% e ficou abaixo do que é projetado para o país no mesmo período - entre 2,3% e 2,5%. “O ano de 2013 não vai deixar saudades, como 2012 não deixou. O governo implementou várias ações pontuais de incentivo à economia e, com a outra mão, interveio demais. A economia não decolou. Foi uma frustração. O Brasil perdeu muita credibilidade, não só do ponto de vista dos investidores externos, mas também dos internos. Nos segmentos industrial e comercial, muitos investimentos foram suspensos porque o empresariado não enxergava crescimento suficiente da demanda", afirma o presidente do SindusCon-SP, Sérgio Watanabe.
De acordo com a 57ª Sondagem Nacional da Indústria da Construção, as perspectivas dos empresários da construção de crescimento para a economia seguiram em alta, com acréscimo de 14,1% em relação à pesquisa anterior (agosto de 2013). Em comparação a novembro de 2012, porém, o indicador ainda acumula queda de 26,2%. No que diz respeito aos indicadores de desempenho corrente das empresas da construção, foi registrado ligeiro avanço, com alta de 0,6% frente ao levantamento anterior. Em doze meses, no entanto, o indicador apresenta queda de 4,5%. Com relação às perspectivas futuras de desempenho, foi registrada queda de 1,9% em relação à sondagem anterior e baixa de 4,1% em 12 meses.
Clique aqui e confira íntegra dos dados da 57ª Sondagem Nacional da Indústria da Construção.
Entrevistados
Engenheiro civil Sérgio Watanabe, presidente do SindusCon-SP, e economista Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos de construção civil da FGV . (via assessoria de imprensa)
Contato: sindusconsp@sindusconsp.com.br
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Cbic espera regras claras para construção crescer em 2014
Previsão de que PIB do setor chegaria a 4% em 2013 foi frustrada. Um dos motivos é a insegurança para se investir em obras de infraestrutura no país
Por: Altair Santos
Apenas no final de 2013 é que o governo federal conseguiu atrair investidores para as concessões de rodovias que foram a leilão. Entre os receios do setor privado estava o que foi definido como "risco Dnit", ou seja, o medo de que o organismo deixasse de cumprir sua parte em algumas obras rodoviárias, de acordo com o que preveem as licitações. Foram necessários ajustes, retardando obras e impactando no PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil.

As estimativas de organismos como a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) eram de que o setor crescesse até 4% no ano passado, mas as previsões foram caindo - muito por conta dos atrasos nas obras de infraestrutura - até chegar ao patamar de 2% (abaixo, inclusive, da previsão do PIB nacional, que deve ser de 2,5%).
Para o vice-presidente da CBIC, José Carlos Martins, são necessárias regras claras para que o país consiga viabilizar as obras de que tanto precisa para romper os gargalos que atrapalham seu crescimento. “A economia não correu como a gente queria e isso causou impacto no setor. Quando a economia não anda na velocidade que se imagina, o investimento privado também não anda. O risco tem um custo. Quando se faz uma concessão, se ele existir vai ser precificado”, avaliou em entrevista coletiva, no final de novembro de 2013, durante balanço anual da CBIC.
A CBIC também atribuiu o desempenho da construção civil abaixo do esperado, no ano passado, ao fato de as construtoras vinculadas ao setor imobiliário terem vendido mais unidades que estavam no estoque do que lançado novos empreendimentos. Além disso, o fato de o governo federal não sinalizar que pretende transformar o programa Minha Casa Minha Vida em uma política de estado também inibiu investimentos.
Mas, apesar dos percalços, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção se posiciona com otimismo para 2014. A CBIC estima que o setor crescerá 4% neste ano e que, com as arestas aparadas, o pacote de concessões poderá gerar cerca de R$ 500 bilhões em investimentos. Pelo menos quanto ao "risco Dnit", o governo federal garante que ele não existe. "Estamos dando total garantia de que o Dnit vai concluir as obras previstas em cinco anos. Caso não venha a concluir, [a solução] seria dar equilíbrio econômico e financeiro de tal forma que não haja prejuízo para o concessionário”, diz o ministro dos transportes, César Borges.
Entrevistado
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) (via assessoria de imprensa)
Contato: comunica@cbic.org.br
Crédito Foto: Agência CNT
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Pesquisa decifra perfil do empreendedor brasileiro
Estudo aponta que gestão de pessoas, fluxo de caixa e administração de negócios são os principais problemas de quem se lança na iniciativa privada
Por: Altair Santos
Os três maiores problemas enfrentados pelos empreendedores brasileiros são: gestão de pessoas, fluxo de caixa e administração de negócios. Soma-se a isso o fato de que muitos acreditam que empreender é algo intrínseco à vocação e à intuição e, portanto, colocam o preparo em segundo plano. Esse é um dos pontos abordados na pesquisa Empreendedores Brasileiros: Perfis e Percepções 2013, realizada pela Endeavor Brasil em parceria com o Ibope Inteligência. O estudo coletou dados de 3.240 entrevistados, entre proprietários de empresas e potenciais empreendedores, e classificou o empreendedor brasileiro em nove categorias: desbravador, empolgado, provedor, apaixonado, antenado, independente, arrojado, pragmático e lutador.

Para cada uma delas, a pesquisa aponta virtudes e defeitos. São análises que servem também para os pequenos e médios empresários da construção civil. Os perfis definem os empreendedores de acordo com os grupos a que pertencem:
Prestes a se tornar empreendedores
Desbravador: quer empreender para ganhar mais dinheiro, mas não possui experiência e renda. Demanda conteúdo básico e rápido sobre diversos temas, como finanças pessoais.
Empolgado: quer empreender para ter mais independência pessoal. É mais jovem do que a média. Possui interesse em educação à distância e conteúdo inspiracional.
Provedor: composto principalmente por mulheres e pessoas mais velhas, com baixa escolaridade e renda pessoal. Neste caso, são necessários engajamento através de eventos locais ou na comunidade e conteúdos mais simples.
Empreendedores formais
Apaixonado: a maioria é mulher, entre 25 e 35 anos. Em geral possui empresa na área de saúde, estética e venda de acessórios. Enfrenta dificuldades burocráticas e falta de investimento. Poderia se beneficiar de cursos sobre acesso a capital, inovação e networking.
Antenado: geralmente jovem e com maior renda familiar. Enfrenta obstáculos de conhecimento e investimento. Necessita de mentoring e coaching, além de ajuda com recursos humanos.
Independente: empreendedor mais maduro e estável. Não acessa muito a internet, portanto precisa de conteúdo por meio de revistas e jornal. Para resolver problemas financeiros, requer educação sobre linhas de financiamento e oportunidade de acesso a capital.
Arrojado: a maioria é formada por homens com maiores rendas pessoal e familiar. Para crescer, precisaria de ajuda sofisticada e mentoring/networking com especialistas para resolver problemas de conhecimento empresarial, obstáculos financeiros e pessoais.
Empreendedor informal
Pragmático: escolaridade mediana, se comparada a empreendedores informais em geral. Trabalha sozinho e utiliza muito a internet e redes sociais. Para aumentar o baixo faturamento anual e a falta de investimento, carece de conteúdo bem prático e inspiracional, preferencialmente online.
Lutador: empreendedor com mais idade e menor escolaridade, que abriu o negócio por necessidade. Não costuma acessar a internet, demandando mais conteúdo através da televisão e de cursos básicos em gestão de negócios.
A pesquisa, independentemente da categoria do empreendedor, detectou que existe um grande déficit educacional a suprir. Um dado que comprova isso é que, embora quase 100% dos proprietários de negócios formais conheçam o Sebrae, apenas 46% deles já tiveram algum tipo de relacionamento com a instituição; entre os informais, a mesma taxa fica em 31%. "Atualmente, muitos cursos para empreendedores têm foco nas empresas e não no empreendedor em si. Com isso, é mais difícil chamar a atenção do empreendedor. Ele reconhece os cursos de empreendedorismo como um benefício para a empresa, mas não para ele, como pessoa ou líder. Acreditamos que esta é uma das razões pelas quais os empreendedores não recorram aos cursos, embora saibam da sua existência”, destaca Amisha Miller, gerente da área de pesquisa e políticas públicas da Endeavor.
O estudo da Endeavor Brasil mostra também que o brasileiro tem uma relação ambígua com o empreendedorismo. Ao mesmo tempo que 76% dos entrevistados dizem ter o sonho de empreender, apenas 19% avaliam que conseguirão abrir o próprio negócio e 14% afirmam ter o desejo de ter uma empresa que gere empregos. Neste quesito, a pesquisa mostra que os empreendedores com funcionários representam apenas 4% da população brasileira. Tratam-se dos mais desenvolvidos economicamente (sua renda pessoal é quase o dobro em comparação à renda do total de empreendedores) e com maior nível de escolaridade (24% deles completou o ensino superior, enquanto a média dos empreendedores brasileiros é de 16%). Outro diferencial é que este grupo recorre a mais fontes de informação e busca mais treinamento e cursos na área.
Por outro lado, 66% dos que empreendem sozinhos reconhecem que a falta de capital é o grande empecilho para ter funcionários. Aliás, a pesquisa mostra também que empreender priorizando o dinheiro é um dos equívocos do brasileiro, pois inovação, ética e a transformação de problemas em soluções são colocados em segundo plano. O estudo detectou ainda apenas 10% dos que se propõem a empreender avaliam os riscos que envolvem o negócio. Boa parte destes são os chamados empreendedores seriais, ou seja, aqueles que já tiveram mais de um negócio. Também estão neste grupo os que tiveram exemplo de empreendedorismo na família. Um em cada três, entre os donos de empresas que empregam, tem esse perfil. Por fim, o relatório da pesquisa conclui que o brasileiro ainda precisa aprender a cultura do empreendedorismo.
Contato: contato@endeavor.org.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Concreto é material inspirador para obras de arte
De Pablo Picasso à centenária Tomie Ohtake, artistas plásticos e arquitetos viabilizam peças e monumentos combinando cimento, areia, brita e água
Por: Altair Santos
A artista plástica Tomie Ohtake, que em 2013 comemorou seu centenário, fez do concreto um de seus materiais preferidos. Mas não é a única. Nomes como o de Pablo Picasso (1881-1973) e outros tantos artistas - mundo afora e no Brasil - também se utilizaram e ainda utilizam da combinação cimento, areia, brita e água para converter suas inspirações em obras de arte. Isso se estende aos arquitetos, inclusive Ruy Ohtake - filho de Tomie Ohtake. Porém, nenhum é mais representativo do que Oscar Niemeyer (1907-2012). Não apenas pela construção de Brasília, mas pelos monumentos que projetou.

Com Niemeyer, a densidade do concreto tornou-se leve. É o que se pode constatar no conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, ou nos verdadeiros palácios que projetou em Brasília. Do Alvorada ao Planalto, passando pelo Congresso Nacional, pelo prédio do Supremo Tribunal Federal ou pela catedral do Distrito Federal, é possível ver um Niemeyer comprometido com sua paixão pelas curvas e com a funcionalidade dos prédios que idealizou. Essa característica própria do arquiteto o fez espalhar obras por todos os continentes. Calcula-se que cerca de quinhentas, assinadas por ele, estejam hoje em algum lugar do mundo.
Tomie Ohtake, uma das principais representantes do movimento estético conhecido como abstracionismo, hoje é referência em uso de concreto em obras de arte. Em sua biografia, disponível no site do Instituto Tomie Ohtake (www.institutotomieohtake.org.br) consta que ela começou a utilizar o material como inspiração há 19 anos. "Desde a 23ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1995, Tomie passou a investir em formas tridimensionais. Hoje, 27 obras públicas de sua autoria fazem parte da paisagem urbana de algumas cidades brasileiras. Em São Paulo, parte delas se tornaram marcos paulistanos, como a escultura em concreto armado na avenida 23 de maio, em homenagem aos 80 anos da imigração japonesa no Brasil."

Fora do país, o concreto também é inspirador. Pablo Picasso tem nos prédios do Regjeringskvartale (Quarteirão do Governo), em Oslo, na Noruega, um de seus mais conhecidos painéis esculpidos no material. Trata-se da primeira incursão do artista espanhol no concreto. Os murais variam em tamanho. Vão do "The Fisherman", uma imagem de 12 metros de largura que ocupa uma parede inteira, a "The Beach", gravada na parede interior de outro prédio. Essas obras, no entanto, estão sob risco. Em 2011, um atentado terrorista com carro-bomba afetou parte do complexo de edificações e o governo norueguês estuda demolir os prédios, já que restaurá-los envolve a quantia de US$ 70 milhões (cerca de R$ 166 milhões).
Na engenharia civil, pontes, túneis e viadutos construídos em concreto também podem ser definidos como obras-primas quando atingem o chamado "estado da arte". Por vezes, não é nem o empreendimento em si que merece esse adjetivo, mas o trabalho intelectual desenvolvido por um projetista ou por um engenheiro. Como define o pesquisador Luciano Décourt, até um canteiro de obras é digno do conceito. "Se a infraestrutura para se construir uma edificação levar em conta aspectos ambientais e sócio-econômicos, além de utilizar práticas recomendadas sob o ponto de vista tecnológico, e conseguir mitigar ações de natureza gerencial, as chances de a obra atingir o estado da arte são bem maiores", explica.
Fontes
Instituto Tomie Ohtake, Instituto Pablo Picasso, Instituto Oscar Niemeyer
Contatos
www.institutotomieohtake.org.br
www.instituto-picasso.com
www.niemeyer.org.br
Créditos Fotos: Divulgação