Setor da construção civil começa a dar sinais de reação
Indicadores apontam para retomada da confiança dos empresários a partir deste semestre, caso governo federal tome as medidas certas
Por: Altair Santos
Lentamente, a cadeia produtiva da construção civil começa a dar sinais de recuperação. A expectativa dos principais agentes do setor é de que haja um impulso maior neste segundo semestre de 2016, para que se consolide um viés de alta em 2017. Segundo o mais recente termômetro da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), existem expectativas positivas, mas com ressalvas. “Apesar da evolução no humor dos empresários, a realidade das vendas ainda aguarda melhoras. Quem sabe, em julho, haja a consolidação de números positivos”, afirma Walter Cover, presidente da associação.

O termômetro da ABRAMAT mostra que 54% dos empreendedores das indústrias de materiais de construção afirmam pretender realizar investimentos nos próximos 12 meses. A pesquisa também indica que 23% dos empresários estão otimistas com os sinais emitidos pelo governo federal para o setor da construção civil. Isso, ressalta a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), implica no resgate da credibilidade do país e no controle e qualificação dos gastos públicos “São passos que permitirão recuperar a capacidade de investimento”, diz o presidente da CBIC, José Carlos Martins.
O presidente da ABRAMAT lembra que é preciso também pensar em soluções para o comércio de materiais de construção. “O desemprego e o medo do desemprego têm postergado reformas nas moradias, responsável por 50% do consumo de materiais de construção. A indústria do setor requer uma política para estimular esse mercado. Já o segmento das construtoras depende de crédito imobiliário em condições favoráveis e de um programa consistente de obras para infraestrutura”, afirma, já fazendo o alerta: “Mesmo com esses incrementos não voltaremos tão cedo ao ritmo de atividade do passado recente (período 2009-2014)”.
Alternativas viáveis
No entanto, não dá para ficar parado. Voltar a crescer, ainda que minimamente, é fundamental. Por isso, Walter Cover afirma que a ABRAMAT vem realizando reuniões com organismos governamentais, em particular com a Caixa Econômica Federal e com o comitê gestor do FGTS, para reestimular o crédito. Esses encontros têm trazido resultados. Recentemente, a Caixa Econômica ampliou o limite de financiamento de R$ 1,5 milhão para R$ 3 milhões nas operações de crédito do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), válido a partir de 25 de julho de 2016. Essa modalidade financia imóveis sem emprestar dinheiro do FGTS.
A Caixa também está prestes a fomentar o crédito para obras menores. A intenção do governo federal é anunciar, em breve, um pacote de medidas que reaqueçam o varejo da construção civil. Entre elas, o lançamento de um cartão que vai disponibilizar R$ 5.000 de saldo para famílias que recebem até R$ 1.600 por mês. Os recursos poderão ser usados para pequenas reformas, sendo possível sacar para pagar a mão de obra e comprar material diretamente na loja de construção. “São medidas ainda tímidas, mas que começam a movimentar o mercado. O importante é sair da inércia”, avalia Walter Cover.
Entrevistados
Walter Cover, engenheiro agrônomo, Ph.D em economia agrícola e presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
Engenheiro civil José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Contatos
abramat@abramat.org.br
comunica@cbic.org.br
Crédito Foto: Dênio Simões/ Agência Brasília
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Por qualidade de vida, novo engenheiro quer empreender
Pesquisa em 16 países revela que conceitos como startups, compartilhamento de ideias e bem social formam novo perfil dos profissionais
Por: Altair Santos
Pesquisa global com novos engenheiros de 16 países, incluindo o Brasil, mostra que a geração de 18 anos a 34 anos está mais disposta a empreender do que a buscar empregos convencionais dentro do setor. Boa parte dos entrevistados pensa em atuar em startups, trabalhando com inovações em suas áreas, seja qual for o ramo da engenharia. Eles buscam empreender em pesquisa e colocar no mercado produtos que ajudem a transformar o ambiente em que vivem. Além disso, não abrem mão da qualidade de vida quando o assunto é conciliar trabalho com vida pessoal.

Chamada de “Sage’s Walk With Me”, a pesquisa foi encomendada pela britânica Sage, que atua mundialmente no segmento de contabilidade integrada, controle de folha de pagamento e recursos humanos. No levantamento, foram detectados cinco perfis de novos engenheiros-empreendedores, assim divididos:
• Planejadores
Extremamente metódicos na forma de trabalhar gostam de planejar cuidadosamente todos os passos para o sucesso. São ambiciosos, nunca tomam nada pelo valor da aparência e costumam ser questionadores.
• Técnicos
Amam seus trabalhos e não suportam a ideia de ficar sem nada para fazer. Confiam no poder e na eficiência da tecnologia para estar sempre um passo à frente da concorrência. Acreditam em sua capacidade de manter e de conquistar novos clientes.
• Exploradores instintivos
Amam o desconhecido e adoram explorar novos territórios. Confiam em seus instintos e nas “armas” que possuem. Valorizam a imagem moderna que transparecem, assim como o legado que esperam deixar.
• Realistas
Engenhosos, mas costumam atrelar o sucesso dos negócios à tecnologia e não a eles mesmos. Alternam a tomada de decisões entre se deixar levar pelo instinto e por assumir abordagens mais técnicas.
• Caçadores de emoção
Como se entediam facilmente, estão sempre em busca do próximo desafio e não se importam com as aparências. Trabalham melhor na companhia de outras pessoas e acreditam que a ideia de causar um “impacto social” é superestimada.
Foram ouvidos 7.400 engenheiros com vocação para o empreendedorismo. Uma das principais tendências mostradas pelo estudo é o desejo de fazer a diferença. Proporcionar um “bem social” é especialmente importante para os entrevistados no Brasil (81%) e na África do Sul (80%). Para os pesquisados na Suíça (24%), Austrália (20%) e França (19%), a felicidade dos empregados é um fator de motivação, enquanto 34% dizem que começaram um negócio no intuito de serem donos de seus próprios destinos.
Futuros líderes empresariais
Abrir mais de um negócio próprio é o desejo de 62% dos entrevistados. Desse total, 52% dizem que devem empreender mais vezes, pois têm muitas ideias que querem compartilhar. “O Brasil se destaca nesse quesito. Por aqui, os jovens estão descobrindo o empreendedorismo cada vez mais cedo e 72% dos entrevistados declararam que já têm planos de serem donos de pelo menos duas empresas. Eles anseiam em poder transformar suas ideias em realidade, e em serem seus próprios chefes”, diz Jorge Santos Carneiro, presidente da Sage no Brasil.
Foram entrevistados profissionais em início de carreira nos seguintes países: Brasil, África do Sul, Estados Unidos, Cingapura, Espanha, Portugal, França, Suíça, Austrália, Bélgica, Nigéria, Polônia, Alemanha, Canadá, Inglaterra e País de Gales. Segundo Stephen Kelly, CEO da Sage, o objetivo da pesquisa é procurar entender como pensa a futura geração de líderes empresariais. “Os dados coletados são importantes para quem quer fazer negócios com esses jovens empreendedores, comprar deles, contratá-los ou criar políticas para ajudá-los a crescer”, afirma.
No levantamento, as respostas que obtiveram os maiores percentuais foram:
•61% dos 7.400 entrevistados globalmente disseram que podem sacrificar o lucro da empresa para se manter fiéis aos próprios valores. Essa realidade é ainda maior entre os ouvidos na África do Sul, onde 78% concordaram com a pergunta estimulada. Nos Estados Unidos, a pergunta foi opção de 70% dos entrevistados e em Cingapura de 72% dos entrevistados.
•66% dos 7.400 entrevistados globalmente marcaram que a vida pessoal vem antes do trabalho. A afirmação é ainda mais relevante para entrevistados da Espanha, onde 79% concordaram com a pergunta estimulada. Em Portugal, a pergunta foi opção de 75% dos entrevistados e na França de 65% dos entrevistados.
•Entre os 7.400 entrevistados globalmente, um em cada três (34%) é movido pelo desejo de ser dono do seu próprio destino, à frente do anseio em ganhar dinheiro (21%).
Acesse o conteúdo completo da pesquisa (em inglês).
Entrevistados
Stephen Kelly, CEO da Sage Global e Jorge Santos Carneiro, presidente da Sage no Brasil
Contatos
imprensa@sage.com.br
www.sage.com
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Inconcluso, novo metrô será testado nos Jogos Olímpicos
Mais importante obra de mobilidade para a cidade do Rio de Janeiro era para ter sido entregue há 16 meses, e a um custo de R$ 5 bilhões
Por: Altair Santos
A Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, obra estratégica para os Jogos Olímpicos, entra em operação dia 1º de agosto, mas sem estar concluída. A estação da Gávea, por exemplo, só ficará pronta no primeiro semestre de 2018. Além disso, o período de testes do trecho de 16 quilômetros, que engloba as cinco estações recentemente concluídas (Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alah, Antero de Quental, São Conrado e Jardim Oceânico), vai ocorrer durante o evento.

O planejamento inicial previa que a obra seria concluída 16 meses antes das Olimpíadas, e que seria testada sem passageiros por 12 meses. Por conta do cronograma atrasado, os testes começaram dia 1º de junho de 2016, no período da madrugada, e irão até o dia 31 de julho de 2016. A partir do dia 1º de agosto de 2016, e no período olímpico (de 5 a 21 de agosto de 2016), o metrô só estará acessível para quem tiver ingressos ou credenciais. Serão seis composições, cada uma com seis vagões, com capacidade para transportar 11 mil passageiros por hora, em cada um dos sentidos.
Após os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, em setembro, a Linha 4 voltará a ser fechada para receber os ajustes finais, e só deve ser plenamente liberada no começo de 2017. A previsão é que o modal transporte 300 mil passageiros por dia. Recente relatório do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) julgou temerário esse procedimento de testes com passageiros no período olímpico, principalmente pelo histórico de obras que apresentaram problemas logo após terem sido inauguradas.
Diz o relatório do TCE-RJ: “É preciso cautela, lembrando o que aconteceu com algumas obras do legado olímpico: os buracos que surgiram na pista do novo Joá (túnel) apenas dez dias depois da inauguração; a queda de um trecho da ciclovia Tim Maia, em 21 de abril, e que provocou a morte de duas pessoas, além das falhas na geração de energia para o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), o que deixou dezenas de passageiros a pé.”

Custo superior a R$ 10 bilhões
A secretaria de transportes do Estado do Rio de Janeiro rebate a preocupação do TCE-RJ. “A fase de testes ocorreu durante as madrugadas dos meses de junho e julho, em paralelo à conclusão das obras. Já a etapa atual, com “marcha em branco” (simulação da operação sem passageiros), é utilizada para o treinamento da equipe de profissionais, a checagem de tempo do percurso entre as estações, a abertura e fechamento de portas e a aceleração dos trens. Para esses procedimentos, a gestão da Linha 4 usou a mais rigorosa norma técnica de segurança para funcionamento de metrô no mundo: a NFPA-130”, conclui a nota.
A NFPA-130, que ganhará uma nova versão em 2017, define que antes de uma linha de metrô entrar em operação ela precisa passar pelas seguintes averiguações, com as composições em funcionamento, e sem passageiros: bitola dos trilhos; risco de estrangulamento na entrada das estações; sistema de freios automáticos; sinalização da via; energia da linha férrea; energia das estações e energia das composições; cruzamentos X e Y dos trilhos; sistema de ventilação; elevadores, escadas rolantes, iluminação, bilheterias, catracas, sistema de alto-falantes, situações de pânico e emergência; saídas de emergência, baldeação e testes de oferta, além de demanda para não superlotar o metrô.
Orçada inicialmente em R$ 5 bilhões, a Linha 4 do Metrô do Rio chegou ao custo de R$ 9,77 bilhões, dos quais R$ 6,6 bilhões foram financiados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em junho de 2016, o Estado do Rio de Janeiro precisou levantar mais R$ 989 milhões para concluir a obra no trajeto olímpico e reservar mais R$ 500 milhões para continuar as obras do trecho da estação da Gávea. Apesar de todos os recursos disponíveis, mesmo assim as obras atrasaram cerca de um ano e meio.

Veja vídeo do teste da Linha 4 do Metrô do Rio
Entrevistados
Secretaria de transportes do Estado do Rio de Janeiro e Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) (via assessorias de imprensa)
Contatos
transportes.imprensa@gmail.com
ouvidoria@tce.rj.gov.br
Créditos Fotos: Henrique Freire/Ascom Secretaria de Transportes RJ/
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Negligência é a principal patologia das barragens
Especialista alerta que estruturas devem ser monitoradas constantemente, o que muitas vezes não ocorre na prática, principalmente no Brasil
Por: Altair Santos
Todo ano, em média, ocorrem de 3 a 4 acidentes com barragens no mundo. A probabilidade de rompimento é maior que a queda de aviões de grande porte. Os dados são do US Army Corps of Engineers (USACE, da sigla em inglês para Corpo de Engenheiros dos Estados Unidos). O organismo é responsável por monitorar e fiscalizar as quase 90 mil barragens que existem no país e dispõe de um orçamento anual de US$ 4,6 bilhões (quase R$ 15 bilhões) para fazer o gerenciamento das construções.

Segundo informações trazidas pelo professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Lucas Sobral Marques, no 1º Simpósio Paranaense de Patologia de Construções (SPPC), os Estados Unidos possuem também as mais eficientes leis sobre controle de barragens. Tanto é que serviram de inspiração para que o Brasil criasse a 12.334/10, que estabeleceu a política nacional de segurança de barragens. Até 2010, o país não tinha uma legislação específica sobre o tema. Mesmo assim, ela não foi capaz de impedir a tragédia que ocorreu em Mariana-MG, em novembro de 2015.
O Brasil, no entanto, não é o país mais vulnerável a rompimento de barragens. Antes de Mariana-MG, a maior tragédia ocorreu em 1960, em Orós, no Ceará, quando a estrutura construída no município rompeu durante o período de enchimento e provocou mil mortes. Nada comparado, porém, ao rompimento da barragem de Vajont, na região dos Alpes italianos, em 1963, e que deixou um saldo oficial de 1.917 mortos. Construída em 1960, a obra deu vários sinais de que tinha problemas, e que foram ignorados.
Obras eternas

De acordo com o professor José Lucas Sobral Marques, a negligência é fator determinante para o rompimento de barragens. “Nove em cada dez rompem por negligência ou falta de comunicação entre projetista, construtora e empreendedor”, alerta. O especialista destaca ainda que, por isso, é tão importante fazer a análise de risco do início ao fim do projeto de construção de uma barragem. “Neste tipo de obra, mais do que nunca, vale a máxima da construção civil: nenhum projeto está livre de risco, que podem ser gerenciados, minimizados, compartilhados, transferidos ou aceitos, mas jamais ignorados”.
O engenheiro civil destaca que ao longo da vida útil de uma barragem existe um processo contínuo pela qual elas devem passar, e que envolve identificação de problemas, medição, monitoramento e comunicação. “Isso independe da tecnologia usada para a construção”, afirma. No caso das barragens com estrutura em concreto, esses cuidados devem ser ainda mais intensos. “As barragens de concreto se submetem a variáveis maiores, o que demanda mais cuidados. A começar por um rigoroso estudo topográfico e do solo, para ver se aquela geologia aceita concreto. Em seguida, a atenção deve se voltar para o projeto, o controle tecnológico do concreto e a qualificação da mão de obra”, destaca.
José Lucas Sobral Marques lembra ainda que barragens de concreto devem ser projetadas com fck (resistência do material) muito acima do que convencionalmente se trabalha. “Estamos falando de estruturas superdimensionadas, e que devem ser projetadas para durar séculos. Hidrelétricas como Três Gargantas, na China, e Itaipu, no Brasil, são obras praticamente eternas. Felizmente, a engenharia hoje está cada vez mais habilitada tecnologicamente para mantê-las intactas”, finaliza.
Entrevistado
Engenheiro civil José Lucas Sobral Marques, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para o curso de graduação de engenharia civil e especialista em barragens, tendo como orientador o professor-doutor José Marques Filho
Contato: petcivilufpr@gmail.com
Créditos Fotos: Divulgação/PetCivil-UFPR/Arquivo Nacional da Itália
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Rotina na Europa: obras executadas no final de semana
Em menos de três dias, túnel pré-fabricado pesando 3.600 toneladas foi instalado em rodovia da Holanda, sem interromper tráfego de veículos
Por: Altair Santos
Túneis, pontes e passarelas montados em um final de semana, sem interferir no trânsito e sem causar transtornos para a população local. Este tipo de obra urbana, viabilizada cada vez mais rápido, já é rotina na Europa. Nos países escandinavos, as concessionárias de rodovias investem maciçamente em equipamentos e mão de obra especializada para empreender um volume cada vez maior de construções que demandem cronogramas enxutos de execução.

A solução está nas estruturas à base de elementos pré-fabricados de concreto, como ocorreu recentemente na autopista A12 - uma das mais movimentadas da Holanda. O organismo que faz a gestão das obras de infraestrutura rodoviária no país, conhecido como Rijkswaterstaat, precisava fazer um túnel ligando as pequenas cidades de Ede e Grijsoord, sem interromper o tráfego na estrada. Todo o planejamento foi para que a obra começasse às 20h de sexta-feira, 20 de maio de 2016, e se estendesse até às 5h da segunda-feira seguinte, 23 de maio.
O projeto previa retirar 12 mil m³ de terra, para assentar uma estrutura pré-fabricada de concreto, com 3.600 toneladas, medindo 70 metros de comprimento e 13,5 metros de largura. A obra ficou a cargo da construtora holandesa Heijmans, especializada em empreender tecnologias inovadoras em obras relacionadas à mobilidade urbana, e que atua como concessionária de um dos trechos da A12 até 2032. “Elaboramos esse projeto do começo ao fim, que inclui concepção, construção, financiamento e manutenção”, explica Mark Thompson, CEO da Heijmans.
Obra ecologicamente correta
Questões ambientais também obrigaram que o túnel fosse pré-fabricado, pois promover a construção in loco poderia comprometer a fauna da região. “Existe uma reserva animal perto da região e a obra precisou contemplar também passagens para as espécies que habitam o parque, sem que elas ficassem expostas ao fluxo de veículos”, completou Mark Thompson. A Heijmans empreende outras obras semelhantes ao longo da A12, como a construção de viadutos e passarelas. Todas as obras têm uma característica em comum: não interromper o fluxo de veículos.
A importância do túnel ligando Ede e Grijsoord é que os moradores que habitam as duas cidades-dormitórios, e trabalham em Haia, enfrentavam congestionamentos de até cinco quilômetros para sair da A12 e pegar um antigo contorno. O trajeto para a entrada das cidades também foi encurtado em 11 quilômetros. “Foi realmente a melhor solução e aprovamos integralmente”, disse Jan Hendrik Dronkers, diretor-geral de obras públicas da Rijkswaterstaat.
Outras quatro passagens semelhantes serão construídas ao longo da A12. As estruturas de pré-moldado já estão em fabricação, e cada uma delas receberá cerca de 28 mil m³ de concreto. A construtora Heijmans também já tem obras semelhantes contratadas na Bélgica e na Alemanha, em que será empregada a mesma tecnologia.
Veja timelapse com a construção do túnel na A12 da Holanda
Entrevistados
Rijkswaterstaat e construtora Heijmans (via departamentos de comunicação)
Contatos
civiel@heijmans.nl
informatiepuntwvl@rws.nl
Crédito Foto: Divulgação/Heijmans
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Infraestrutura precária dá prejuízo de R$ 151 bi/ano
Precariedade em estradas, portos e aeroportos brasileiros equivale quase ao rombo fiscal deixado de herança pelo governo Dilma Rousseff
Por: Altair Santos
Estudo da GO Associados revela que o Brasil perde anualmente, com a precariedade de sua infraestrutura, quase o equivalente ao déficit fiscal herdado do governo Dilma Rousseff. O rombo nas contas públicas, de acordo com o que foi aprovado no Congresso Nacional, chegou a R$ 170,5 bilhões para 2016. Já o déficit de obras de infraestrutura causa um prejuízo de R$ 151 bilhões por ano, segundo o levantamento. “O Brasil precisa de um novo ambiente de negócios para atrair investimentos em infraestrutura e romper essa trava ao crescimento”, diz o doutor em economia Gesner de Oliveira, e consultor da GO Associados.

Além de não conseguir estimular o capital estrangeiro a investir em infraestrutura no país, o governo brasileiro tem uma das mais baixas taxas do mundo em investimento no setor. Mesmo quando a economia estava no auge, o Brasil destinava apenas 2,2% do PIB para a infraestrutura, enquanto a média mundial é de 3,8%. “É por isso que nossa economia está entre as dez maiores do mundo, mas quando se analisa o ranking de desempenho da infraestrutura estamos abaixo da centésima posição”, cita Venilton Tadini, presidente-executivo da ABDIB (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base).
O dirigente alerta que sem equacionar a questão da infraestrutura o Brasil não conseguirá se inserir na economia global. “O Brasil está em um impasse. Para ter PPPs (Parcerias-Público Privadas) precisa atrair o mercado de capitais e os fundos de pensão. Mas o governo concorre com ele mesmo quando oferece taxas de juros acima de 14% para manter o capital especulativo aqui, ou seja, quem poderia investir em infraestrutura ganha com o dinheiro parado”, destaca Venilton Tadini, em recente conferência entitulada “Desafios da infraestrutura e o papel da iniciativa privada para a retomada do crescimento”.

Venilton Tadini ainda destaca que o “modus operandi” que viabilizava obras de infraestrutura no Brasil está esgotado. “Ele se baseava no financiamento do BNDES e na captação das empreiteiras. Mas a Operação Lava Jato comprometeu essa fórmula. O país precisa atrair novos players, e eles estão fora do país”, esclarece. O presidente-executivo da ABDIB também elenca dois obstáculos que ajudam a atrasar ainda mais um novo ambiente de negócios. Um deles são os licenciamentos ambientais, que atrasam demasiadamente as obras; o outro, a urgente adoção do seguro de performance nas licitações, o qual leva a empreiteira vencedora a prestar contas da execução do projeto à seguradora.
Enquanto o país não desata os nós para atrair novos investimentos, Venilton Tadini lembra que o Brasil já licitou um lote de concessões que podem colocar R$ 15 bilhões na economia quando o governo quiser. Ele também cita que existe um novo pacote esperando ser destravado, e que soma R$ 20 bilhões. “É um estoque de R$ 35 bilhões que ajudaria o país a começar a andar de novo, pois precisamos tirar a economia da inércia. Senão, daqui a pouco não teremos indústria para usufruir da infraestrutura”, afirma.
Entrevistados
Economistas Gesner de Oliveira, consultor da GO Associados, e Venilton Tadini, presidente-executivo da ABDIB (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base)
Contatos
contato@goassociados.com.br
abdib@abdib.org.br
Créditos Fotos: Divulgação/GO Associados
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Basílica da Sagrada Família em Barcelona, enfim, será concluída
Projetada por Gaudí, a icônica edificação - símbolo da arquitetura expressionista - será concluída até 2026, por R$ 900 milhões
Por: Altair Santos
A Basílica da Sagrada Família, na cidade de Barcelona, é famosa por três motivos: foi projetada por Antoni Gaudí, tornou-se um símbolo da arquitetura expressionista e suas obras, iniciadas em 1882, nunca foram concluídas. Pois agora, um grupo de arquitetos catalães definiu uma data para que a igreja seja, finalmente, finalizada. O prazo é 2026. O orçamento, estimado em 250 milhões de euros (cerca de R$ 900 milhões), será bancado pelo Vaticano, por doações e pela venda de ingressos.

Quando pronta, a basílica terá 18 torres – atualmente 8 estão concluídas -, sendo que a mais alta alcançará 172,5 metros de altura. Assim, a igreja se tornará a mais alta da Europa, e também a maior edificação de Barcelona. Na simbologia projetada por Gaudí, cada torre representa um dos 12 apóstolos, além de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos quatro Evangelistas (Mateus, Marcos, Lucas e João). A torre que levará o nome de Jesus será a mais alta de todas.
A data de conclusão da Basílica da Sagrada Família não é por acaso. Ela coincidirá com o centenário da morte de Antoni Gaudí. Até lá, a expectativa é de que a edificação, que foi declarada patrimônio da humanidade em 2005, chegue à marca de 5 milhões de visitantes por ano. Segundo rankings especializados em turismo, a basílica é o 5º lugar que mais desperta o interesse de turistas em todo o mundo. Em 2015, 3,4 milhões de pessoas que estiveram em Barcelona passaram pela igreja.
Tecnologia a serviço da obra

O arquiteto à frente da obra é o catalão Jordi Fauli. Ele conta que, juntas, as torres em construção vão pesar 23 mil toneladas. Para sustentá-las, a engenharia projetou elementos estruturais de pedra, cada um medindo seis metros de base por cinco metros de altura, em formato de “M”. Tirantes de aço no interior de cada bloco irão tensionar as torres, para que elas resistam ao vento. “A basílica está 70% concluída e Gaudí deixou todos os projetos concebidos para finalizá-la. Óbvio que o avanço tecnológico permite que alteremos alguns conceitos na execução da obra”, explica o arquiteto.
Jordi Fauli está no comando do projeto de conclusão da Basílica da Sagrada Família desde 2012. Ele comanda uma equipe de outros cinco arquitetos: Carles Buxadé, Joan Margarit, Josep Gómez, Jordi Coll, Mark Burry. O objetivo do grupo é preservar ao máximo o projeto original de Gaudí. O arquiteto catalão morreu em 1926, vítima de um atropelamento. Todo o seu legado encontra-se em Barcelona e na região da Catalunha, na Espanha. Admirador do estilo neogótico, suas obras influenciam fortemente a arquitetura da cidade catalã.
Gaudí tinha 31 anos quando assumiu o projeto da basílica. Antes de morrer, o arquiteto havia conseguido construir apenas uma torre. Do projeto original, ele deixou as plantas e uma maquete em gesso, que foi seriamente danificada durante a Guerra Civil espanhola (1936-1939).

Veja o vídeo de como ficará a Basílica da Sagrada Família após a conclusão
Entrevistado
Fundação para a construção do templo expiatório da Sagrada Família (via departamento de comunicação)
Contatos
informacio@sagradafamilia.org
www.Sagradafamilia.org
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Universidade mexicana cria cimento fosforescente
Material funciona como uma bateria solar: durante o dia, alimenta-se de energia; à noite, emite luz. Segredo está nos microagregados
Por: Altair Santos
Pesquisadores do departamento de engenharia civil da Universidade Michoacana de San Nicolás de Hidalgo (UMSNH), no México, anunciaram recentemente ter conseguido produzir um tipo de cimento branco fosforescente. O material funciona como uma bateria: durante o dia, alimenta-se da energia solar; à noite, emite luz. Para chegar à matriz com propriedades luminescentes, a equipe da UMSNH agregou elementos de sílica, resíduos industriais e hidróxido de sódio e potássio ao cimento.

Os elementos alteraram a microestrutura do material, reduzindo a opacidade inerente ao cimento. Quando usado para a produção de concreto, o produto preserva suas propriedades e pode ser utilizado na iluminação sustentável de edifícios, na sinalização de ciclovias e mobiliários urbanos, além de servir como efeito decorativo em ambientes internos e externos. “Na verdade, a aplicação dele é ampla”, define José Carlos Rubio Ávalos, Ph.D do departamento de engenharia da UMSNH.
Os estudos coordenados por Rubio partiram de pesquisas sobre fotoluminescência, e que já são aplicadas na indústria de plástico. "Achamos que poderíamos agregar essas propriedades ao cimento, com resultados bem satisfatórios", diz o cientista, que ressalta: não se consegue dar o efeito de fosforescência ao cimento Portland. “No cimento branco, a luz consegue penetrar. Já no cimento convencional, ou Portland, isso não ocorre. A luz atinge a superfície, mas não penetra", revela.
Um dos maiores desafios dos pesquisadores do novo material foi a manutenção da durabilidade e das características de trabalhabilidade do cimento branco original. Ao contrário dos produtos poliméricos fotoluminescentes, o concreto fabricado com o material fosforescente é capaz de resistir à ação da radiação ultravioleta sem se deteriorar prematuramente, sendo capaz de manter o seu desempenho mecânico por um período similar ao do concreto convencional.

Luz por oito horas
A capacidade de armazenamento de energia do cimento branco fosforescente desenvolvido na universidade mexicana pode emitir luz por um período máximo de oito horas. Isso, em condições meteorológicas favoráveis, ou seja, com luz solar intensa. “Quanto maior o nível de intensidade solar, melhor, pois os elementos microagregados ao cimento reagem bem aos raios ultravioletas, ajudando o material a manter sua coloração e evitando riscos patológicos às estruturas do concreto”, afirma José Carlos Rubio Ávalos.
À frente de uma pesquisa que já dura nove anos, o Ph.D da UMSNH evita revelar detalhadamente a formulação do cimento, pois o material ainda está em processo de obtenção de patente junto ao Instituto Mexicano de Propriedade Industrial (IMPI) . O pesquisador também não divulga dados sobre a resistência do cimento fotoluminescente. Pioneiro, o projeto mexicano desencadeou pesquisas em outros países. A Academia Real de Engenharia de Londres também desenvolve um cimento com características semelhantes, assim como a Universidade de Tecnologia de Delf, na Holanda.
Porém, à frente dos concorrentes, a UMSNH agora trabalha para transferir a tecnologia para a indústria cimenteira. Os pesquisadores da universidade também desenvolvem estudos para conseguir tornar materiais como gesso e cerâmicos igualmente fosforescentes. “Já imaginou banheiros e piscinas emitindo luz própria?”, questiona José Carlos Rubio Ávalos, convicto de que seu invento vai revolucionar a indústria do cimento no mundo.
Entrevistado
José Carlos Rubio Ávalos, Ph.D em ciência dos materiais, pelo Centro de Investigación y de Estudios Avanzados (Cinvestav) e pelo Instituto Politécnico Nacional (IPN) do México
Contato: j.c.rubio.avalos@gmail.com
Créditos Fotos: Divulgação/UMSNH
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Bloco de concreto família 11,5 faz mais com menos
Material assegura ganho de produtividade, facilita a modulação, racionaliza o canteiro e permite economia média de 30% no custo da obra
Por: Altair Santos
A ABCP Sul (Associação Brasileira de Cimento Portland da região Sul) tem acompanhado obras com o emprego do bloco de concreto família 11,5. Entre os empreendimentos, estão casas com 50 m2, que tiveram a estrutura e a alvenaria concluídas em dois dias. O canteiro envolve poucos profissionais, além de ressaltar a fácil modulação, a praticidade e a produtividade, explica o engenheiro civil Alex Maschio, gerente regional Sul da ABCP. Na entrevista a seguir, ele explica como o uso de blocos de concreto ajuda a fazer mais com menos, sem abdicar da qualidade. Confira:

O senhor poderia explanar como se deu a construção de casas de 50 m², cuja alvenaria de cada unidade ficou pronta em dois dias usando blocos de concreto 11,5?
Isso foi possível devido à alta produtividade obtida quando utilizados blocos de concreto. Pela simplicidade do processo construtivo, e a facilidade de modulação dessa família de blocos, um profissional com pouca experiência consegue produzir até quatro vezes mais que no sistema convencional, com tijolos de barro. Trata-se de um salto de 7 m²/homem/dia, no convencional, para mais de 30 m²/homem/dia. É importante deixar claro que em dois dias ficou pronta a alvenaria e a estrutura de cada edificação, e não a residência como um todo. Para atingir essa produtividade, é fundamental também optar por argamassa industrializada (ensacada ou estabilizada), evitando assim desperdícios e perda de tempo em obra.
O bloco de concreto 11,5 é o ideal para projetos que envolvem alvenaria estrutural?
A palavra ideal limita muito. Cada obra é uma obra, e essa família de blocos certamente é uma opção muito interessante para uma boa gama de situações. Mas há outras situações em que outras famílias de blocos de concreto podem ser mais adequadas. A ABNT NBR 6136:2004 (Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Requisitos) especifica nove famílias de blocos, entre as quais a 12,5 x 25 (utilizada na obra em questão e conhecida como família 11,5). Neste caso, os blocos têm 11,5 cm de largura x 24 cm de comprimento e 19 cm de altura, mas considerando a argamassa de assentamento e acabamento, considera-se 12,5 x 25 x 20 cm de altura. Cada tipo de bloco tem suas características específicas e adapta-se melhor a determinados tipos de obra. Em obras verticais de maior porte, por exemplo, são utilizadas famílias com blocos maiores e com paredes mais espessas na busca por uma maior produtividade e maior resistência das peças. Outro aspecto importante é pensar nos desempenhos térmico, acústico e de durabilidade, que também irão impactar no tipo de bloco a ser utilizado. Enfim, a família 12,5 x 25 (com blocos de 11,5 centímetros) certamente é uma excelente opção para obras de alvenaria estrutural, principalmente térreas, mas não podemos dizer ideal para todas as situações.
A principal vantagem do bloco de concreto 11,5 é que ele permite fazer mais com menos?
Não só o bloco 11,5 cm, mas todos os blocos de concreto. A solução de alvenaria estrutural racionaliza o processo construtivo, elimina desperdícios e aumenta a produtividade, proporcionando uma economia de até 30% no custo total da obra (em relação apenas aos blocos, podemos dizer que 1,0 m² de alvenaria com bloco 11,5 custa, em termos gerais, 25% menos que os blocos convencionais de 14 cm). O bloco 11,5 cm, em obras baixas, possibilita acentuar esse ganho, pois a fácil modulação e baixo peso das peças aceleram ainda mais o processo construtivo. Vale frisar que os blocos 11,5 são também uma excelente solução para alvenaria de vedação/fechamento em obras com estrutura de concreto armado convencional. Eles aceleram a execução, eliminam desperdícios e simplificam a passagem de tubulações. Em resumo, as vantagens são:
- Fácil e precisa quantificação, em virtude de sua modulação simplificada (um dois e três "furos" apenas)
- Limpeza da obra (pequena ou nenhuma geração de resíduos)
- Ganho de produtividade
- Redução no consumo de argamassa de assentamento
- Regularidade e redução nos revestimentos
- Execução simplificada
- Excelente desempenho térmico e acústico
- Menor custo da alvenaria

Esse tipo de obra seria uma solução para habitações de interesse social?
Certamente é, e não só para habitações de baixa renda, mas para qualquer tipo de edificação a ser construída. Como mencionei anteriormente, a utilização de blocos de concreto possui uma série de vantagens que permitem fazer mais com menos. O bloco 11,5 vem para agregar ainda mais, pois traz consigo também a simples modulação.
As casas construídas foram um protótipo ou já têm condições de ser construídas em larga escala?
Trata-se de um projeto da Construtora Joama, sendo a residência parte de um condomínio residencial. Portanto, não é um protótipo. Com certeza, pode ser produzida em larga escala e, inclusive, temos diversos exemplos espalhados no Brasil que já utilizam bloco 11,5. Inclusive, alvenaria estrutural com blocos de concreto é o sistema mais utilizado nas obras do programa Minha Ca Minha Vida. O grande ponto aqui não é o ineditismo, mas sim a versatilidade desse bloco de 11,5cm.
Outra vantagem foi o emprego reduzido de mão de obra, correto?
Sem dúvida, a utilização de blocos de concreto racionaliza o canteiro e, por si só, permite a redução de mão de obra. A produtividade aumenta e a simplicidade executiva permite que uma pequena equipe execute um serviço de alto rendimento, sem que haja perda de qualidade.
Os profissionais têm alguma especialização ou são pedreiros e mestre de obras?
Mão de obra normal, sem especialização. Quanto mais se faz, mais produtivo fica. Obviamente, uma equipe com mais experiência irá produzir com maior velocidade, mas nada impede que qualquer pessoa possa efetuar uma ampliação de sua casa utilizando-se desse sistema.
Qual a praticidade da obra em termos de modulação e produtividade?
A fácil modulação permite utilizar este tipo de bloco em qualquer obra, desde uma pequena ampliação em uma residência até um edifício. Dependendo do tipo de uso se faz necessário um projeto específico e detalhado - no caso de edifícios, por exemplo. Principalmente, se o uso for pelo sistema de alvenaria estrutural.
Qual o custo de uma obra deste tipo?
O custo é um aspecto muito abrangente e dependente de vários fatores, entre eles acabamento e terreno. O que posso salientar é que, com a utilização dos blocos 11,5, a construção pode chegar a uma economia de 30% no custo total, variando de acordo com a especificidade de cada obra.

Para entregar a casa pronta para morar levaria quantos dias mais, já que apenas a alvenaria ficou pronta em dois dias?
Esse é outro aspecto complexo. Quanto maior a repetição, menos dias se leva para edificar uma casa. Isso é racionalização. A ideia é transformar o canteiro de obras em linha de produção. Para exemplificar: se tivermos um condomínio com 180 casas iguais de 50 m² é muito provável que seja possível concluí-las em menos de seis meses, o que daria uma casa por dia. Como é possível, se só a alvenaria leva mais de um? Aí entra a industrialização ou racionalização. No entanto, se formos fazer apenas uma casa de 50 m², é provável que se leve em torno de um mês, ou algo assim, pois cada etapa tem de ser feita respeitando o prazo da anterior. Portanto, é melhor se evitar parâmetros quando se fala em custo e prazo, para não incorrer em erros.
Como está o emprego deste sistema nas construtoras e nas companhias de habitação?
Várias são as empresas que constroem edificações desse tipo e, inclusive, trabalham com companhias de habitação. Da mesma maneira, são vários os fornecedores de blocos de concreto que vendem o material. Porém, são poucos os que fabricam com qualidade, o que vale um parágrafo à parte. Os blocos devem atender as especificações da ABNT NBR 6136 e, para simplificar esse conhecimento, existe a ferramenta do selo de qualidade da ABCP. A ABCP coleta peças nas fábricas e ensaia de acordo com a norma. Caso a empresa atenda integralmente os requisitos, ela obtém essa certificação. Além disso, tem o PSQ (Programa Setorial de Qualidade) do Ministério das Cidades, onde fornecedores são certificados de acordo com a qualidade dos seus insumos para que os mesmos possam ser utilizados em obras do MCMV, por exemplo.
Entrevistado
Engenheiro civil Alex Maschio, especialista em administração com ênfase em planejamento e gestão de negócios. Atua na ABCP há 10 anos e, desde 2010, é gerente regional Sul da ABCP
Contatos
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www.abcp.org.br
Créditos Fotos: Divulgação/ABCP Sul
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Loteamento: do projeto à execução, saiba como fazer
Seja para empreendimentos de alto padrão ou construção de casas populares, área tem que cumprir algumas exigências antes de receber obras
Por: Altair Santos
Loteamentos para empreendimentos de alto padrão ou para a construção de casas populares precisam cumprir algumas exigências, antes de receber obras. Obter licença ambiental, ter um estudo de geotecnia do solo e adequação à legislação local são alguns dos procedimentos básicos. Em seguida, o projeto deve levar em consideração a topografia do terreno, a drenagem e as instalações para saneamento básico, eletricidade e telefonia. Pavimentação e paisagismo também são relevantes. Além da localização, loteamentos se valorizam de acordo com as benfeitorias que agregam e da infraestrutura em seu entorno. É o que garante o arquiteto e urbanista Eduardo Paranhos Coelho, que explica o passo a passo para um loteamento não enfrentar problemas. Confira:

Quando se pensa em empreender um loteamento quais exigências devem ser cumpridas antes que as obras iniciem?
Antes de iniciar qualquer obra é preciso obter todas as licenças necessárias para sua execução. Licenciamento ambiental e aprovação na prefeitura municipal são itens básicos a serem cumpridos. Dependendo da complexidade e porte do empreendimento, exigências adicionais podem ocorrer, como, por exemplo, desenvolvimento de estudos ambientais mais detalhados como EIV (Estudo de Impacto da Vizinhança) ou EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental), nos quais são definidas medidas mitigadoras para o impacto a ser gerado. A etapa de regularização da área (retificação, subdivisão ou unificação) também é muito importante e, por vezes, demorada, principalmente quando envolve retificação. No entanto, havendo essa necessidade, é preciso regularizar a matrícula para que o processo de aprovação seja concluído com base em uma matrícula que descreve a realidade do terreno.
Como funciona a obtenção de licença ambiental, estudos de geotecnia do solo e adequação à legislação local. Esses procedimentos são os mais demorados para se conseguir?
O processo de licenciamento ambiental normalmente é dividido em três etapas:
1. Licença prévia, apresentando os estudos iniciais de ocupação da área.
2. Licença de instalação, apresentando todos os projetos de urbanismo e infraestrutura aprovados pelos organismos competentes.
3. Licença de ocupação, após certificar-se da correta execução das obras.
Sem dúvida é uma das etapas mais demoradas de todo o processo de aprovação.
Já os estudos de geotecnia do solo (ou sondagem) são fundamentais para o desenvolvimento dos projetos de infraestrutura. Neles, podemos identificar o tipo de solo, profundidade do lençol freático e existência de rochas. Todas essas informações são muito relevantes para o desenvolvimento dos projetos executivos.
Com relação à legislação, apesar do parcelamento de solo ser regido pela lei federal 6766/79, é sempre importante a análise detalhada da legislação municipal, visto que podem existir exigências municipais mais restritivas que a lei federal.
Loteamentos têm projetos? Caso sim, o que eles envolvem?
Para a aprovação de loteamentos é necessário desenvolver diversos projetos. Entre eles: urbanístico, paisagismo, arborização viária, sinalização viária (vertical e horizontal), pavimentação, rede de drenagem de águas pluviais, rede de esgoto, rede de água, rede elétrica e terraplenagem.
Todos os projetos precisam ser aprovados por organismos públicos, seja a prefeitura e suas secretarias ou alguma concessionária, no caso da rede elétrica ou rede de água e esgoto, por exemplo.
Topografia (terraplenagem) do terreno, drenagem e instalações para saneamento básico são obras que ficam a cargo da incorporadora do loteamento?
Todas as obras de infraestrutura necessárias para a implantação de um loteamento são responsabilidade da incorporadora. É necessário entregar a obra com todas as redes (água, esgoto, elétrica e telefônica) devidamente testadas e aceitas pelas respectivas concessionárias para que a prefeitura emita o termo de recebimento, garantindo que todas as obrigações do incorporador foram devidamente executadas.
Pavimentação e paisagismo também são relevantes?
São projetos importantes para a implantação do loteamento. O projeto de pavimentação fornece o correto dimensionamento para garantir que a estrutura viária suporte o tráfego pretendido para o local. É uma garantia importante, visto que as vias públicas de um loteamento são doadas ao município, ficando a responsabilidade da manutenção à cargo das prefeituras. Quanto ao paisagismo, as prefeituras normalmente exigem apenas o projeto de arborização viária, que deve seguir as diretrizes municipais para definição das espécies. O projeto de paisagismo mais abrangente pode contribuir bastante como diferencial do loteamento. Tratamentos paisagísticos adequados, criação de parques lineares ao longo dos cursos d’água, valorização de pontos focais, criando perspectivas atrativas, podem agregar muito ao local.
Loteamentos se valorizam de acordo com as benfeitorias que agregam e da infraestrutura em seu entorno?
Pensar em diferenciais no projeto sempre colabora com a valorização da área e do seu entorno. E este é, sem dúvida, um dos aspectos importantes a serem considerados quando nós, arquitetos e urbanistas, propomos a expansão na ocupação da cidade. Sem dúvida as benfeitorias e melhorias na infraestrutura local colaboram para a valorização da área. Além disso, a lei de parcelamento do solo exige a doação ao município de um percentual de área institucional para que a prefeitura possa implantar equipamentos comunitários necessários para atender a demanda da população (escolas, postos de saúde, hospitais etc).
O que muda quando um loteamento é pensado para receber construções de alto padrão dos projetados para receber habitações populares?
As premissas da lei federal 6766/79 devem ser respeitadas para qualquer tipo de loteamento. Destinar áreas institucionais, implantar infraestrutura completa, respeitar diretrizes viárias existentes e restrições ambientais da área são princípios básicos. A diferença maior ocorre no tamanho dos lotes. Nas áreas com vocação para loteamentos populares, normalmente são permitidos lotes menores. Já as áreas com vocação para loteamentos de alto padrão, normalmente são áreas com maiores restrições quanto à densidade habitacional permitida, o que reflete em lotes maiores. Os parâmetros para os diferentes zoneamentos da cidade são definidos pela Lei de Uso e Ocupação do Solo. Essa lei direciona a forma e sentido de crescimento das cidades. Define diferentes gabaritos e densidades de ocupação.
A escassez de terrenos nos grandes centros urbanos projeta qual cenário para os loteamentos?
É importante que os organismos públicos utilizem bem os instrumentos que possuem para evitar a ocupação desordenada nos centros urbanos. As revisões periódicas na lei de uso e do solo são os melhores mecanismos para conduzir esse processo. Em virtude da escassez de terrenos, a tendência é que os novos loteamentos sigam os eixos de crescimento da cidade, expandindo o perímetro urbano existente. Cabe às prefeituras limitarem essa expansão para que não sejam criados vazios urbanos, dificultando a prestação dos serviços básicos, como transporte público e coleta de lixo.
Arquitetos e engenheiros que atuam na urbanização de loteamentos devem ter qual expertise?
Precisam conhecer o mercado local e entender as demandas da cidade. Acertar o produto a ser oferecido é essencial. Também devem ter pleno conhecimento da legislação, garantindo o atendimento a todas as exigências legais para a execução da obra. Entender a relação entre todos os projetos necessários para implantação de loteamentos é igualmente importante. A correta compatibilização dos projetos permite identificar antecipadamente eventuais interferências entre as redes de infraestrutura, evitando ajustes durante a obra. Tudo isso colabora para um correto provisionamento financeiro do empreendimento, bem como previne retrabalhos e gastos imprevistos, o que é bastante relevante ao analisarmos o negócio como um todo. Por fim, gera impactos nos lucros projetados, que atraem parceiros e investidores.
Diante deste apanhado, quais os principais custos que compõem a infraestrutura de loteamentos?
Os custos de obra mais significativos são pavimentação, rede elétrica e drenagem. Eventuais medidas mitigadoras exigidas em função do porte do empreendimento também podem ser significativas no custo global da obra.
Entrevistado
Arquiteto e urbanista Eduardo Paranhos Coelho, com graduação pela PUC-PR e pós-graduação em construções sustentáveis pela UTFPR. É gerente de projetos na Paysage Empreendimentos
Contato: eduardo.coelho@paysage.com.br
Crédito Foto: Divulgação









