Tecnologia nacional minimiza perda de grãos em silos

Revestimento à base de borracha líquida é adaptado às necessidades do agronegócio, para ajudar a combater perdas no armazenamento

Por: Altair Santos

Dados da Embrapa revelam que os produtores de grãos chegam a perder até 15% de seus estoques por causa da armazenagem incorreta da safra. Em silos e armazéns com piso de concreto, um dos problemas mais comuns é o acúmulo de umidade sobre os grãos que ficam em contato com o contrapiso, gerando infecção por fungos e micotoxinas. Para combater esse problema, o agronegócio se juntou à indústria de impermeabilizantes de concreto para minimizar a perda.

Revestimento com borracha líquida impede que grãos umedeçam e contaminem a safra armazenada em silos
Revestimento com borracha líquida impede que grãos umedeçam e contaminem a safra armazenada em silos

Através de testes validados pelo laboratório Falcão Bauer e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da USP, chegou-se a um piso impermeável à base de borracha líquida e nanotecnologia. O material, aplicado sobre o contrapiso de concreto, controla o aquecimento dos grãos estocados e minimiza a perda de líquidos - fatores que geram umidade nos silos e a infecção por fungos. Trata-se de uma nova geração de impermeabilizante de borracha líquida, também usado no setor naval e nas indústrias química e automotiva.

Outra conclusão das análises feitas pelo laboratório Falcão Bauer e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) é que a borracha líquida tem 500% de elasticidade e 95% de memória de recuperação. Isso garante alto desempenho em substratos como concreto, metal e fibrocimento. “Os testes mostraram também que a borracha líquida reflete 90% dos raios ultravioletas, são resistentes à abrasão, ao ozônio, à chuva ácida, à salinidade, além de fungos e bactérias”, diz Elcio Machado, da HM Rubber, que foi quem desenvolveu a tecnologia no Brasil e a apresentou na recente edição do Concrete Show.

O piso à base de borracha líquida ajuda também a evitar a corrosão em silos, já que os grãos estocados liberam o gás fosfina (gás PH3) bastante nocivo às estruturas dos armazéns – principalmente os que usam componentes mistos, como pisos e paredes de concreto, telhados metálicos, ou pisos de concreto e paredes e telhados metálicos. “Os armazéns que conseguem controlar a emissão de fosfina evitam infiltrações indesejáveis, contribuem para a manutenção do empreendimento e melhoram o resultado final da colheita”, afirma Elcio Machado.

Nanotecnologia

Revestimento recobre todo o contrapiso de concreto do silo, para minimizar perdas no armazenamento
Revestimento recobre todo o contrapiso de concreto do silo, para minimizar perdas no armazenamento

A nanotecnologia aplicada no material também foi desenvolvida no Brasil, usando nanolâminas de argila dispersas em borracha. Elcio Machado explica como funcionam: “As lâminas de argila aderem ionicamente ao polímero e funcionam como reforços estruturais. A nanotecnologia também serve para adequar a granulometria ideal na impermeabilização dos materiais suscetíveis à ação da umidade. Sendo borracha, ela precisa manter suas propriedades impermeabilizantes, independentemente das dilatações ou das retrações. É isso que fará o silo se tornar hermeticamente fechado a vazamentos e infiltrações”, diz.

Segundo a pesquisa da Embrapa sobre armazenamento inadequado da produção, além de fungos e micotoxinas, ataques por insetos, pragas e roedores é que levam a perdas de até 15% dos estoques. No entanto, de acordo com o pesquisador Marco Aurélio Guerra Pimentel, da área de entomologia da Embrapa, o armazenamento inapropriado pode trazer perdas ainda maiores para o pequeno produtor. "Nas pequenas propriedades familiares, onde a armazenagem utiliza estruturas rústicas, como paióis de madeira, as perdas causadas podem ultrapassar 40%", ressalta.

Entrevistado
Administrador de empresas Elcio Machado, diretor-comercial da HM Rubber

Contato
contato@hmrubber.com.br

Crédito Fotos: HMRubber

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Inovação ainda é o grande dilema da construção civil

Setor ocupa espaço relevante na economia nacional, mas resiste a incorporar processos novos de produção para finalmente entrar no século 21

Por: Altair Santos

Na edição 2017 da Concrete Show, o engenheiro civil Alexandre Pandolfo - especialista em marketing e desenvolvimento comercial na construção civil - palestrou sobre o “calcanhar de Aquiles” do setor no Brasil: a dificuldade em adotar sistemas inovadores. O especialista apresentou estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o qual mostra a construção civil no fim da fila ao incorporar inovação à sua capacidade produtiva.

Construção civil está abaixo de outros setores da indústria nacional quando o assunto é investimento em inovação
Construção civil está abaixo de outros setores da indústria nacional quando o assunto é investimento em inovação

De acordo com os dados do IBGE, na média o percentual de inovação da indústria nacional é de 35,7%, enquanto que, no setor da construção civil, limita-se a 29,6%. “Contrasta com seu tamanho. A construção civil representa 8% do PIB. É grande, mas ineficiente na incorporação de tecnologias para aumentar a produtividade”, avalia Pandolfo, que entende ser possível a transformação. “A construção civil tem ativos que vão conduzi-la à inovação”, diz.

O engenheiro civil elencou os pontos positivos da construção civil nacional que podem levar o setor a ter melhor interatividade com a inovação. Entre eles, a capacidade de investimento. Por ano, as empresas da cadeia produtiva injetam 212 bilhões de reais em compras e contratações. Outro ponto relevante é a interação dos profissionais com as redes sociais - um campo naturalmente estimulante à inovação.

Estima-se que atualmente 500 mil trabalhadores vinculados à construção civil tenham cadastro em ferramentas de relacionamento, como Facebook, Linkedin, Instagram e Twitter. Destes, 260 mil são profissionais da engenharia civil e da arquitetura, e com inscrições no Crea e no CAU. Pandolfo enumerou em sua palestra no Concrete Show que há 186 mil empresas nacionais ligadas à cadeia produtiva com potencial para implantar sistemas inovadores.

Alexandre Pandolfo, no Concrete Show: construção civil brasileira tem potencial para inovar, mas precisa superar obstáculos
Alexandre Pandolfo, no Concrete Show: construção civil brasileira tem potencial para inovar, mas precisa superar obstáculos

Para isso, é preciso superar obstáculos, que, de acordo com o especialista, são os seguintes:
- Cadeia produtiva altamente fragmentada, o que inibe a liderança transformadora;
- Baixa colaboração entre construtores e fornecedores, o que reduz o potencial de ganhos múltiplos;
- Baixo investimento em processos e gestão;
- Pouco acúmulo de conhecimento;
- Baixo nível de treinamento.

Investimento em P&D cai
Contribui com esses obstáculos a atual situação da economia brasileira, que acabou impondo uma redução significativa de investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). Dados da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) revelam que o país destina apenas 1,27% do PIB à inovação, ficando atrás de Rússia, Índia, China e África do Sul - os demais países do BRICS. Em termos comparativos, a Coreia do Sul investe 4% do PIB em P&D.

Para finalizar sua palestra, Alexandre Pandolfo lembrou de ações inovadoras praticadas em outros países, e que podem ser copiadas por empresas da construção civil no Brasil. “Já existem cimenteiras usando energia renovável (eólica e solar) para abastecer sua linha de produção . Da mesma forma, fabricantes de material de construção fomentam startups para pesquisar e testar novos materiais e design em seus produtos. Será que é difícil fazer isso aqui no Brasil?”, questiona.

Entrevistado
Engenheiro civil Alexandre Pandolfo, especialista em marketing e desenvolvimento comercial na construção civil

Contato
pandolfo@uol.com.br

Crédito Fotos: Divulgação e Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concreto cumpre lado social com cisternas no nordeste

Construções são essenciais para a sobrevivência na região do semiárido e as próprias famílias são estimuladas a atuar na obra

Por: Altair Santos

Curso de cisterneiro ensina a fazer a armadura de ferro da cisterna
Curso de cisterneiro ensina a fazer a armadura de ferro da cisterna

A Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) elegeu no final de agosto de 2017 o Cisternas no Sertão como o mais relevante programa no combate à desertificação em todo o mundo. O prêmio é uma parceria entre a UNCCD e a ONG internacional World Future Council, que escolheu o Cisternas no Sertão pela promoção de acesso à água para o consumo humano e para a produção de alimentos por meio de tecnologias sociais simples e de baixo custo.

O programa foi implantado em 2008 pela Casa da Mulher do Nordeste, que em nove anos viabilizou 5.600 cisternas no sertão do Pajeú, no semiárido de Pernambuco. O público-alvo são famílias de agricultores de baixa renda atingidas pela seca ou pela falta regular de água, além de escolas da região. Para disseminar a construção de cisternas com placas de concreto, a associação dá cursos de cisterneiros, ensinando como projetar, moldar as placas e construir as cisternas. Em média, elas conseguem armazenar de 20 mil a 50 mil litros de água.

Famílias são estimuladas a aprender a montar as placas cimentícias
Famílias são estimuladas a aprender a montar as placas cimentícias

As cisternas mais comuns são as de captação de água da chuva e de enxurrada. Ambas coletam a água da chuva. Porém, a primeira faz o armazenamento através de um sistema de canos e calhas que direcionam a chuva que cai sobre o telhado das casas para dentro do compartimento. Já a de enxurrada fica com 2/3 dela enterrados abaixo do solo e a captação é feita através de uma calçada com declive que envolve a cisterna. Quando a chuva cai, a água escorre e fica armazenada. Os dois modelos são encontrados no semiárido nordestino.

Se as cisternas são construídas com mão de obra especializada podem custar até 1.800 reais. Quando os próprios moradores são treinados, o custo cai até pela metade deste valor. No curso de cisterneiro, as famílias aprendem a montar as armaduras de ferro, a montar as placas cimentícias, a fazer a base de concreto para sustentar a cisterna, a montar as peças e a fazer a manutenção da cisterna quando pronta. “A melhor estratégia para as famílias que vivem no semiárido é armazenar água. Aprender a fazer cisternas é uma questão de sobrevivência”, diz Espedito Brito, coordenador-geral da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) – um dos organismos que ensina a construir cisternas.

Cisternas de plástico não agradaram

Escavação e concretagem da base da cisterna também são ensinadas no curso
Escavação e concretagem da base da cisterna também são ensinadas no curso

Para as associações que coordenam as construções de cisternas, os cursos de cisterneiros também ajudam a gerar emprego no semiárido, já que aquele que aprende o ofício passa a construir em outras localidades. “As cisternas ajudam a movimentar a economia do semiárido, e lutamos por isso. No passado recente o governo tentou intervir nessa produção, mas não foi bem-sucedido”, recorda o coordenador da ASA.

Em 2012, para atingir mais famílias, o governo federal passou a distribuir cisternas de polietileno, que saiam ao custo de 5.090 reais aos cofres públicos. O objetivo era espalhar um milhão pelo semiárido nordestino, mas apenas 300 mil chegaram ao destino de origem. No entanto, não agradaram os moradores, por apresentarem problemas de deformação por causa da incidência do sol forte, além de não conservarem o frescor da água. A distribuição gerou protestos das comunidades e foi interrompida no final de 2014.

 

 

Entrevistados
ONG Casa da Mulher Brasileira (via assessoria de imprensa)
Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) (via assessoria de imprensa)

Contatos
pajeu@casadamulherdonordeste.org.br
cmn@casadamulherdonordeste.org.br
asa@asabrasil.org.br

Crédito Fotos: Comitê Betinho e Ministério do Desenvolvimento Social

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

ABRAMAT combate sonegação fiscal e sonegação técnica

Presidente da associação, Walter Cover lembra que toda a cadeia produtiva é prejudicada nos critérios competitividade e qualidade

Por: Altair Santos

O presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) Walter Cover, está à frente de uma campanha que busca combater a sonegação fiscal e o que ele define como “sonegação técnica”. Neste caso, trata-se da falta de qualidade e de conformidade técnica dos materiais de construção. De acordo com Cover, a sonegação fiscal afeta diretamente a competitividade no setor. Já a “sonegação técnica” atinge o consumidor. “São produtos que chegam ao mercado sem confiabilidade e sem testes de durabilidade. Por isso, acabam trazendo danos às obras, no curto ou médio prazo”, alerta.

Walter Cover: cruzada contra sonegação fiscal e sonegação técnica na produção de materiais para a construção
Walter Cover: cruzada contra sonegação fiscal e sonegação técnica na produção de materiais para a construção

Cover destaca que os produtos que optam pela “sonegação técnica” são fabricados fora das especificações e em desacordo com as normas técnicas homologadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). “O Código de Defesa do Consumidor proíbe a fabricação e comercialização de materiais fora das normas brasileiras. Quem produz, está sujeito às penalidades da lei”, destaca. O presidente da ABRAMAT ressalta ainda que a sonegação técnica e a sonegação fiscal coexistem. “Quem sonega imposto produz material de má qualidade. É o barato que sai caro”, diz.

O dirigente destaca que os dois modelos de sonegação levam a uma cadeia de prejuízos que atinge consumidores, fabricantes, comerciantes e governos. “Os temas estão relacionados. A queda de arrecadação faz com que os governos não tenham recursos para investir em obras públicas e de infraestrutura. Os danos são em cadeia. Além de prejudicar os governos, prejudica as empresas que pagam seus impostos e prejudica também os cidadãos. Pior é que em um momento de crise como o que vive o Brasil a sonegação aumenta, tanto a fiscal quanto a técnica”, relata.

Nota fiscal é essencial
Walter Cover afirma que iniciou uma série de reuniões com representantes de governos para começar uma cruzada contra os dois tipos de sonegação que atingem diretamente a cadeia produtiva da construção civil. “É uma batalha que precisa do apoio de todos. Os comerciantes devem exigir nota fiscal de seus fornecedores da indústria e o consumidor deve exigir nota fiscal de quem vende”, afirma o presidente da ABRAMAT, completando que não é por falta de normalizações que os produtos fabricados no Brasil deixam de ter qualidade. “Existem dois programas que cuidam da certificação de materiais de construção, de acordo com as normas brasileiras. Um são os programas setoriais de qualidade e o outro a certificação do INMETRO”, completa.

O presidente da ABRAMAT lembra ainda que um ambiente de sonegação dificulta a retomada do crescimento. “Veja que de janeiro a agosto de 2017, o mercado da construção teve queda de 6,1% em relação a 2016. Voltamos a um nível de produção semelhante a 2003. O impacto maior é no mercado das construtoras, que registra queda de menos 15%. Já o varejo experimenta crescimento de 2% este ano, em relação ao ano passado. É preciso reverter isso, e o combate à sonegação é uma das ferramentas”, finaliza.

Confira vídeos com explicações do presidente da ABRAMAT:


Entrevistado
Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat)

Contato
abramat@abramat.org.br

Crédito Foto: ABRAMAT

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Debates buscam agenda futura para a engenharia brasileira

Organismos ligados aos setores de obras procuram sensibilizar o poder público a adotar boas práticas na contratação e execução de projetos

Por: Altair Santos

Os Institutos de Engenharia do Paraná e de São Paulo, junto com o Clube da Engenharia do Rio de Janeiro e a Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR), iniciaram uma série de debates que buscam, além de discutir o momento da engenharia brasileira, criar uma agenda futura para o setor. O objetivo é elaborar ações propositivas para a valorização desta área vital para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

Presidentes dos institutos de engenharia de São Paulo e do Paraná, Eduardo Lafraia e José Rodolfo de Lacerda, lideram ações propositivas
Presidentes dos institutos de engenharia de São Paulo e do Paraná, Eduardo Lafraia e José Rodolfo de Lacerda, lideram ações propositivas

Também outros organismos, como SindusCons e CREAs, foram convidados para elaborar uma agenda futura, cujos principais pontos estarão em um documento em defesa das boas práticas da engenharia brasileira. Na entrevista a seguir, José Rodolfo de Lacerda, presidente do Instituto de Engenharia do Paraná, antecipa quais tópicos serão abordados no manifesto. Confira:

Lideranças se reuniram recentemente para debater ações propositivas para a valorização da engenharia nacional - área vital para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. Que ações são essas?
1. Dotar o país de infraestrutura para escoamento da produção e circulação ágil de bens e mercadorias em todo o território brasileiro.
2. Criar no país uma mentalidade de uso constante de energias renováveis.
3. Criar mecanismos confiáveis de contratação de serviços e obras.

Haverá novos encontros, a fim de que saia um documento direcionado ao poder público. Atingir a transparência em licitações é um dos objetivos?
Esse documento está em gestação e um dos objetivos é direcioná-lo ao poder público em todas as instâncias – municipal, estadual e federal, bem como aos poderes legislativo e judiciário. Atingir a transparência em licitações é um dos objetivos, mediante indicações de caráter técnico-jurídicas.

Quanto ao envolvimento da construção civil nacional em escândalos de corrupção, até onde vai a “culpa” do poder público?

Reuniões entre organismos representantes da engenharia nacional buscam alertar o poder público
Reuniões entre organismos representantes da engenharia nacional buscam alertar o poder público

Não se deve usar o termo “culpa”, mas responsabilidade. Nisso, o poder público, por ser o grande contratador e por englobar um volumoso número de pessoas que conseguem cargos por indicação política, e não por competência e conhecimento, passou a gerar verdadeiros conluios entre a entidade fiscalizadora e o executor mal-intencionado. Isso resultou na corrupção inevitável.

A operação Lava Jato atingiu muitas empresas ligadas à construção. O que deve mudar a partir dela?
1. Aperfeiçoar os controles de fiscalização.
2. Agilizar os processos contra os maus executores de serviços públicos.
3. Melhorar o nível técnico dos projetos.
4. Aperfeiçoar os regimes de contratação de serviços de projetos e obras.
5. Instituir auditorias em todos os serviços.

Qual o papel de organismos como IEP-PR, Clube de Engenharia, SindusCons e outros nesta mudança conceitual?
Exigir dos organismos estatais que as obras que devem ser executadas para melhorar as condições de mobilidade, produção, transporte e energia só devam ser feitas após estudos de viabilidade, bons projetos-executivos e auditoria constante dos custos financeiros.

O Brasil não consegue ter um plano nacional de infraestrutura. Por que isso ocorre?
Porque a parte técnica fica a reboque dos interesses políticos. Não há interesse por parte do poder público em resolver os grandes problemas nacionais, como saneamento básico, logística, ensino básico, ensino técnico, enfim, o “status quo” é mantido.

Privatizar e atrair empreiteiras internacionais é a saída?
Isto já é uma realidade hoje. Mas não se pode prescindir de tecnologia externa. Não existe país que detenha o conhecimento de tudo e o Brasil não é exceção. Privatizar alguns serviços é salutar, mas com controle e fiscalização eficientes. O poder público é péssimo gestor e a ocorrência de corrupção é consequência.

É contrastante a situação atual da construção civil brasileira com a capacidade técnica da engenharia nacional. Como convergir isso para a retomada do crescimento?
Diria que não há contraste, mas é flagrante que os mecanismos da construção civil no Brasil ainda estão em um patamar abaixo dos níveis internacionais em termos tecnológicos. Agora, a retomada do crescimento é função da gestão política oficial, já que o maior contratador é o Estado.

Há o risco da crise atual fazer a engenharia perder cérebros como ocorreu nos anos 1980 e 1990?
Já está perdendo. É um processo cíclico, assim como a economia e a política.

Entrevistado
Engenheiro civil José Rodolfo de Lacerda, presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP)

Contato
iep@iep.org.br

Crédito Fotos: IEP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Estruturas mistas de concreto e aço: prós e contras

Sistema empresta velocidade à obra e pode barateá-la. Porém, é importante que o projeto previna exposição ao fogo e riscos de corrosão

Por: Altair Santos

Gilson Queiroz: rapidez na construção de estruturas é a principal virtude do concreto associado ao aço
Gilson Queiroz: rapidez na construção de estruturas é a principal virtude do concreto associado ao aço

O professor-doutor Gilson Queiroz, do departamento de engenharia de estruturas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é considerado uma das sumidades brasileiras em estruturas mistas de concreto e aço. Recentemente, ele compartilhou seu conhecimento ao palestrar sobre os efeitos destes dois materiais, quando aplicados em elementos como pilares, vigas e lajes. Em web seminário, o especialista começou expondo os pontos positivos das estruturas mistas de concreto e aço em relação às estruturas 100% de aço e 100% de concreto, que são:

Vantagens em relação às estruturas de aço
- Baixo custo do concreto
- Proteção contra corrosão
- Proteção contra incêndio

 

Vantagens em relação às estruturas de concreto
- Redução ou eliminação de fôrmas e escoramentos
- Redução das dimensões de vigas e pilares
- Redução do peso próprio
- Aumento da precisão dimensional

Estruturas mistas com lajes alveolares pré-fabricadas são empregadas na construção de vários edifícios
Estruturas mistas com lajes alveolares pré-fabricadas são empregadas na construção de vários edifícios

Entre as virtudes das estruturas mistas destaca-se, principalmente, a rapidez na execução da obra. “O próprio concreto armado, quando surgiu, trouxe componentes de segurança, durabilidade e rapidez às construções. Afinal, o concreto armado também é uma estrutura mista, onde o componente de aço não é o perfil metálico, mas as barras da armadura”, destaca Gilson Queiroz, citando como exemplo uma obra em que ele atuou como consultor: o Shopping Center Estação BH, em Belo Horizonte-MG. O empreendimento ganhou menção honrosa no Prêmio ABCIC 2012 e ficou pronto em 11 meses, graças ao emprego de estruturas mistas em pilares, vigas e lajes.

Recorde mundial
Atualmente, o recorde mundial de construção com estruturas mistas pertence à Torre do Milênio. Trata-se de um prédio com 171 metros de altura, inaugurado em 1999, em Viena, na Áustria. O sistema de construção associando concreto e aço permitiu que, após a fase de execução das fundações, o edifício avançasse dois pavimentos e meio a cada 15 dias. “É uma obra muito bonita, com um núcleo de concreto armado, de onde partem vigas e pilares tubulares mistos, o que faz da edificação uma estrutura híbrida”, cita Gilson Queiroz.

Pilares de aço revestidos com concreto: uma das vantagens é a precisão dimensional
Pilares de aço revestidos com concreto: uma das vantagens é a precisão dimensional

No Brasil, o professor-doutor da UFMG lembra que os projetos que preveem o emprego de estruturas mistas de concreto e aço devem atender quatro normas técnicas:
- ABNT NBR 8800:2008 - Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios
- ABNT NBR 14762:2010 - Dimensionamento de estruturas de aço constituídas por perfis formados a frio
- ABNT NBR 14323:2013 - Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios em situação de incêndio
- ABNT NBR 6118:2014 - Projeto de estruturas de concreto - Procedimento

Gilson Queiroz reforça ainda que, no projeto de estruturas em situação de incêndio devem ser avaliados, além da resistência estrutural, os aspectos de isolamento térmico e estanqueidade à passagem dos gases devido às chamas. O especialista alerta também sobre o uso de sistemas mistos em regiões litorâneas e áreas industriais excessivamente poluídas. “Em ambientes agressivos demais, essa é uma solução que não é indicada, principalmente para situações em que os pilares são parcialmente revestidos. Neste caso, o concreto armado é a melhor opção”, ressalta.

Clique aqui e assista ao web seminário com o engenheiro civil Gilson Queiroz.

Torre do Milênio, em Viena, na Áustria: recorde mundial de construção com o emprego de estruturas mistas
Torre do Milênio, em Viena, na Áustria: recorde mundial de construção com o emprego de estruturas mistas

Entrevistado
Engenheiro civil Gilson Queiroz, professor-doutor do departamento de engenharia de estruturas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Contato
gilson@dees.ufmg.br

Crédito Fotos: UFMG, Gerdau e Wikipedia

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Apartamento com 2 quartos vira xodó do setor imobiliário

Pesquisa da CBIC, em parceria com o SENAI, revela que unidades-padrão dominam volume de vendas e lançamentos no primeiro semestre de 2017

Por: Altair Santos

Números trazidos pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) com base em dados coletados nas 18 maiores regiões metropolitanas do Brasil, mostra que os prédios residenciais com unidades que possuem dois quartos são o novo xodó do mercado imobiliário. De acordo com a pesquisa, 74% dos lançamentos feitos no primeiro semestre de 2017 envolvem apartamentos de 2 quartos e 65% das vendas, seja na planta ou de unidades já construídas, estão relacionados a produtos com essa característica.

Apartamento com dois quartos tornou-se a preferência dos brasileiros
Apartamento com dois quartos tornou-se a preferência dos brasileiros

O economista Celso Luiz Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC - e coordenador da pesquisa - confirma a tendência. “O destaque no trimestre continua sendo a predominância dos lançamentos de imóveis com dois dormitórios e também a venda de unidades com esse padrão, com taxas de 74% e 65% , respectivamente. Isso indica uma presença muito forte do produto no momento econômico no país”, avalia. O estudo, intitulado “Indicadores Nacionais do Mercado Imobiliário”, foi realizado pela CBIC em parceria com o SENAI nacional.

A pesquisa detectou que, em números absolutos, foram vendidas 17.135 unidades de 2 quartos no país no primeiro semestre de 2017, porém apenas 41,2% eram lançamentos. A maioria pertencia a estoques, o que faz com que as vendas imobiliárias de janeiro a junho deste ano ainda sejam inferiores ao primeiro semestre de 2016 em 21,6% - avaliando-se os números nacionais. Quando se pega por região, percebem-se diferenças. Curitiba e região metropolitana, por exemplo, teve aumento de 58% no volume de vendas de lançamentos no primeiro semestre de 2017, em comparação ao mesmo período do ano passado.

A pesquisa abrangeu as seguintes regiões metropolitanas de grandes centros urbanos: Cuiabá, Distrito Federal, Goiânia, Belo Horizonte, Uberlândia, Rio de Janeiro, São Paulo capital, região metropolitana de São Paulo (38 municípios), Curitiba, Joinville, Porto Alegre, Fortaleza, Natal, Recife, Maceió, São Luís, João Pessoa e Manaus. No mesmo estudo de abrangência nacional, verificou-se que os apartamentos de 3 quartos representam 18,7% dos lançamentos e 22,2% das unidades vendidas. Já os com quatro quartos equivalem a 2,4% (lançamentos) e 4,5% (vendas). Para finalizar, os imóveis residenciais com um quarto são 5,9% (lançamentos) e 8,3% (vendas).

Razões
Analisando região por região pesquisada, o estudo concluiu que o desempenho das regiões tem sido desigual. Na comparação do segundo trimestre de 2017 contra o segundo trimestre de 2016, nove regiões aumentaram lançamentos e nove regiões reduziram os lançamentos na comparação do mesmo período do ano anterior. Na mesma análise, houve crescimento em vendas em sete regiões e queda em dez, sendo que uma ficou estável. “Tudo isso sinaliza que não se pode generalizar o desempenho de todas as regiões”, cita Celso Luiz Petrucci. Outro detalhe trazido pela pesquisa é que a média nacional do m2 no primeiro semestre foi de 5.924 reais. O m2 mais barato foi verificado em Uberlândia e o mais caro no Distrito Federal.

Segundo a diretora de marketing do portal VivaReal, as razões que levam o apartamento de 2 quartos a se tornar a preferência nacional têm dois aspectos. Um motivado pelas construtoras, que criaram um tamanho-padrão para aumentar a produtividade e aproveitar melhor os terrenos cada vez menores nos grandes centros urbanos; outro, pelo novo perfil do comprador. Na maioria dos casos, são solteiros, divorciados, casais sem filhos ou famílias com pouco número de filhos. Além disso, contando cada vez menos com empregadas domésticas, as pessoas optam por morar em imóveis menores e práticos.

Confira aqui o estudo completo.

Entrevistado
Economista Celso Luiz Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)

Contato
comunica@cbic.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Infraestrutura sustentável faz Brasil atrair investidores

No longo prazo, parcerias com o BID devem trazer 10 bilhões de reais ao país, principalmente em projetos para a região amazônica

Por: Altair Santos

O Brasil assumiu o compromisso internacional de, até 2025, reduzir em 37% as emissões de CO2 - em relação aos níveis de 2005 -, além de restaurar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e aumentar para 45% a parcela dos recursos renováveis em sua matriz energética. Para atingir essas metas, terá de investir maciçamente em infraestrutura sustentável, principalmente em áreas como saneamento, transporte e energia.

Marilene Ramos, diretora do BNDES: sozinho, Brasil não consegue viabilizar infraestrutura sustentável
Marilene Ramos, diretora do BNDES: sozinho, Brasil não consegue viabilizar infraestrutura sustentável

Para apontar soluções que levem ao cumprimento destas metas foi promovida recentemente a conferência Infrainvest - Infraestrutura Sustentável para o Brasil. No encontro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para um aporte inicial de R$ 2,8 bilhões (US$ 900 milhões) em projetos de energia sustentável - usinas eólicas e fotovoltaicas.

No longo prazo, a parceria pode chegar a 10 bilhões de reais, se forem viabilizados os projetos em aterros sanitários e saneamento básico, além de hidrovias, ferrovias e rodovias verdes. Participante do debate, que reuniu ainda dirigentes do BID e representantes de organismos internacionais voltados à sustentabilidade, a diretora do BNDES, Marilene Ramos, destacou que o mundo precisa ajudar o Brasil a investir em infraestrutura sustentável, sobretudo no que se refere à região amazônica.

A engenheira civil, que também é professora da Escola Brasileira de Administração Pública e Empresas da FGV, lembrou que o país não consegue sequer dar conta de investir em infraestrutura convencional. “O Brasil precisaria investir 5% do PIB em infraestrutura, mas a média histórica é de, no máximo, 2,5%. Porém, esse investimento só vem caindo, pois no aperto fiscal o primeiro setor a sofrer cortes é o de infraestrutura”, destaca.

País não dá conta sozinho
Sobre a geração de infraestrutura na Amazônia, Marilene Ramos lembrou que se não houver investimento internacional, o Brasil seguirá apostando em projetos do século passado, que desencadeiam mais desmatamento. “Cito o exemplo da BR-163, que é a principal ligação do setor produtivo do Centro-Oeste com os portos do Pará. No período de chuvas, a estrada se transforma em um atoleiro, que gera perdas de 150 milhões de reais ao país a cada dez dias, pois os caminhões não conseguem atravessá-la e a produção de grãos apodrece nas carrocerias. O que fazer ali: asfaltar ou construir uma ferrovia?”, questionou.

A diretora do BNDES prosseguiu com seu raciocínio: “Se não houver investimento em infraestrutura sustentável na região, o que custa caro, o Brasil, com seus recursos próprios, provavelmente optará por asfaltar a BR-163, o que vai gerar concentração urbana em volta da estrada e mais desmatamento. A melhor solução é uma ferrovia, mas que custa 15 bilhões de reais. Então, os investidores internacionais precisam acordar para o problema e ver que o Brasil não consegue fazer isso sozinho. Coloca-se sobre os ombros do país a obrigação de preservar a floresta, mas que ele não tem condições de operacionalizar apenas com recursos próprios”, destacou.

Veja a íntegra da conferência Infrainvest - Infraestrutura Sustentável para o Brasil:

Entrevistado
Reportagem com base nos debates ocorridos na conferência Infrainvest - Infraestrutura Sustentável para o Brasil

Contato
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Crédito Foto: FGV-RJ

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Onde estão os melhores cursos de engenharia civil do mundo?

Entre os dez melhores, nove estão distribuídos entre o Reino Unido e os Estados Unidos. Oxford e Cambridge lideram ranking 2017/2018

Por: Altair Santos

A Times Higher Education, revista britânica que desde 2011 avalia universidades em todo o mundo, acaba de lançar o ranking anual das 1.000 principais universidades do mundo. A publicação é a mesma que recentemente listou as 100 melhores universidades sul-americanas, e que colocou a Unicamp como a principal do continente. Desta vez, a relação permite saber também quais se destacam no planeta em um determinado curso de graduação. Especificamente, sobre a engenharia civil, as duas melhores estão no Reino Unido: Oxford e Cambridge.

Universidade de Oxford, na Inglaterra: fundada em 1096, está no topo mundial do conhecimento
Universidade de Oxford, na Inglaterra: fundada em 1096, está no topo mundial do conhecimento

Entre as dez melhores na graduação em engenharia civil, nove se concentram no Reino Unido e nos Estados Unidos. A exceção é o Instituto de Tecnologia de Zurique, na Suíça. Na Grã-Bretanha, além de Oxford e Cambridge, há também o Imperial College London, que ocupa a 8ª posição. Nos EUA, estão California Institute of Technology (3º), Stanford University (4º), Massachussets Institute of Technology (5º), Harvard University (6º), Princeton University (7º) e University of Chicago (9º).

O que faz da Oxford a melhor é que ela prioriza a pesquisa e é uma das poucas no mundo em que a engenharia é estudada como uma disciplina unificada, ou seja, a universidade entende que um engenheiro civil precisa também entender de eletrônica, mecânica e outras disciplinas gerais da engenharia. O curso está vinculado ao departamento de Ciências da Engenharia. O ensino de graduação se concentra em quatro pilares: estruturas, geotecnia, engenharia de recursos oceânicos, costeiros e recursos hídricos e energia.

Em Cambridge, a engenharia civil está sob a tutela do centro Laing O'Rourke de Engenharia e Tecnologia de Construção. As disciplinas concentram-se no futuro das construções, buscando novos paradigmas e modelos inovadores, com base em pesquisas de gerenciamento, tecnologias e processos de construção. Tanto Oxford quanto Cambridge aceitam estudantes de outros países. No caso dos brasileiros, as universidades exigem que os alunos saídos do ensino médio façam um curso - o A-Levels, International Baccalaureate - e depois se submetam a uma espécie de vestibular para conseguir ingressar.

O caminho é mais fácil para quem já estiver cursando a graduação em engenharia civil no Brasil. Neste caso, o candidato precisa estar em uma universidade brasileira conceituada e ter notas impecáveis. Por outro lado, as escolas britânicas e norte-americanas estão sempre atentas a grandes cérebros em outros países e costumam oferecer bolsas de estudo para que eles se desenvolvam em seus cursos. No entanto, vale ressaltar que nenhuma das grandes universidades destes dois países é gratuita. Estima-se que atualmente 30 brasileiros cursem engenharia civil no top 10 do ranking da Times Higher Education.

No Brasil
Entre as 1.000 melhores universidades do mundo, 21 estão no Brasil. Na edição 2016/2017 do ranking, eram 27. Saíram da lista as seguintes escolas: UFPR (Universidade Federal do Paraná), UFBA (Universidade Federal da Bahia), UFG (Universidade Federal de Goiás), UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), UFLA (Universidade Federal de Lavras), UFV (Universidade Federal de Viçosa), UFF (Universidade Federal Fluminense), UEL (Universidade Estadual de Londrina) e UEM (Universidade Estadual de Maringá).

Entraram: Unifei (Universidade Federal de Itajubá), UnB (Universidade de Brasília), UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e a UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa). Todas têm cursos de engenharia civil em suas graduações. As melhores do país continuam sendo a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No ranking mundial, elas se posicionam entre as posições 251 e 500.

Veja os 10 melhores cursos de engenharia civil do mundo:

1. University of Oxford (Reino Unido)

2. University of Cambridge (Reino Unido)

3. California Institute of Technology (EUA)

4. Stanford University (EUA)

5. Massachussets Institute of Technology (EUA)

6. Harvard University (EUA)

7. Princeton University (EUA)

8. Imperial College London (Reino Unido)

9. University of Chicago (EUA)

10. ETH Zurich - Swiss Federal Institute of Technology Zurich (Suíça)

 

Confira aqui o ranking completo das 1.000 universidades.
 

Entrevistado
Reportagem com base no relatório da Times Higher Education sobre as 1.000 melhores universidades do mundo

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Crédito Foto: University of Oxford

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Flórida desenvolve tecnologia para construir casas antifuracões

Estruturas são industrializadas com concreto pré-fabricado, não possuem partes metálicas ou de madeira, e suportam ventos de até 280 km/h

Por: Altair Santos

Casa antifuracão é toda em concreto pré-fabricado
Casa antifuracão é toda em concreto pré-fabricado

Desde que o furacão Katrina atingiu o estado da Luisiana, em 2005, destruindo cidades inteiras e importantes dos Estados Unidos, como New Orleans, um grupo de engenheiros da Flórida passou a trabalhar no desenvolvimento de tecnologia que permitisse construir casas antifuracões. Outra preocupação era que o sistema pudesse ser acessível para a compra, com preço médio de US$ 150 mil (algo em torno de R$ 500 mil). Chegou-se ao projeto batizado de ForeverHome.

A casa é inteiramente industrializada com concreto pré-fabricado e não possui nenhuma estrutura metálica ou de madeira. Outra característica é que todos os elementos são assentados sobre um radier suspenso sobre potentes pilares que ficam a 1,8 m do solo. Os fabricantes asseguram que a construção resiste a ventos de até 170 mph (cerca de 280 km/h), ou seja, furacões de categoria 5 - o mais destruidor de todos. “Nosso projeto excede as especificações da FEMA em duas vezes e meia”, diz Joseph Rogge, porta-voz da ForeverHome.

Casa é montada sobre potentes pilares de concreto que ficam a 1,80 m do solo, para permitir a passagem do vento
Casa é montada sobre potentes pilares de concreto que ficam a 1,80 m do solo, para permitir a passagem do vento

A FEMA (Federal Emergency Management Agency) ou Agência Federal de Gestão de Emergências estabeleceu critérios para a construção de casas mais seguras desde que os Estados Unidos foram atingidos pelo Katrina. Além disso, o ANSI (American National Standards Institute), que é o organismo que chancela as normas técnicas nos EUA, também já obriga uma série de medidas para projetos de edifícios construídos em áreas sob o risco de furacões. “Também no âmbito do ANSI nossas casas atendem além das normas”, assegura Rogge.

Clinton Krell, engenheiro que desenvolveu o projeto da ForeverHome, conta que os pilares e o radier de 8 polegadas (20 cm) são moldadas no local, para, em seguida, as peças pré-moldadas da casa serem montadas sobre as estruturas construídas no terreno. As paredes são fabricadas com concreto convencional de 60 MPa de resistência e medem 3 polegadas (7,5 cm). Internamente, elas são preenchidas com 2 polegadas (5 cm) de isolantes termoacústicos. O telhado segue o mesmo padrão, e ainda recebe uma membrana externa à prova d’água para evitar infiltrações.

LEED Platinum

Todas as estruturas da casa são erguidas sobre um radier de concreto suspenso por pilares
Todas as estruturas da casa são erguidas sobre um radier de concreto suspenso por pilares

A construção possui certificação LEED Platinum. Os fabricantes garantem que entregam a casa com a “chave na mão” em um prazo de dez semanas. A edificação mede 360 m2 e uma preocupação dos arquitetos foi evitar que a construção tivesse um aspecto brutalista. Pelo contrário, depois de pronta a habitação se parece muito com uma casa de veraneio. “É um bunker, mas não se parece com um bunker”, comenta Joseph Rogge.

Os construtores asseguram que a casa antifuracão permite ao comprador economizar com seguro. O prêmio anual para construções na costa do golfo dos Estados Unidos costuma chegar a US$ 7 mil (R$ 22 mil). Da ForeverHome, em função das certificações que a construção obteve, as seguradoras cobram o prêmio de US$ 2,8 mil (perto de R$ 9 mil) por ano. Nos recentes furacões que atingiram os Estados Unidos, muitas famílias na região de Miami e de Orlando, na Flórida, e no Texas - alvo do Harvey - não precisaram procurar abrigo, pois estavam instaladas em seus “bunkers de concreto”.

 

 

Entrevistado
Joseph Rogge, porta-voz da ForeverHome

Contatos
jrogge@epiccreative.com
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Crédito Fotos: ForeverHome

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330