Curitiba ganha prédio com pontuação máxima LEED Platinum

Construção possui estação para tratamento de esgoto, é capaz de tornar a água da chuva potável e tem ponto para carregar carro elétrico

Prédio da RAC Engenharia, em Curitiba: LEED Platinum com pontuação máxima na América Latina
Prédio da RAC Engenharia, em Curitiba: LEED Platinum com pontuação máxima na América Latina

A edificação com a maior pontuação já concedida a uma obra que buscou certificação LEED Platinum na América Latina está em Curitiba-PR. O prédio da RAC Engenharia, inaugurado no começo de 2017, recebeu 97 pontos para empreendimentos corporativos. Significa que o projeto atendeu vários requisitos. O principal deles, o NET Zero Energia, o qual permite que o edifício faça a geração de sua própria energia, inclusive para movimentar aparelhos de ar-condicionado e elevadores. Os painéis fotovoltaicos instalados na obra possibilitam geração anual de 26.509 kW, em condições climáticas normais da cidade. 

O prédio também usa soluções arquitetônicas, como brises (também conhecidos como quebra-luz) e telhado verde, o que ajuda a reduzir o consumo do ar-condicionado e, consequentemente, de energia elétrica. “Comparando com um prédio-padrão, o projeto conta com uma redução de 46% no consumo de ar-condicionado”, explica o engenheiro civil Ricardo Cansian, diretor da RAC Engenharia. O edifício possui ainda uma estação própria de tratamento de esgoto, a qual permite o reúso das águas cinzas e negras nos vasos sanitários e da água da chuva, tornando-a potável.

A edificação tem ainda um ponto de recarga para carros elétricos, o que é novidade em termos de prédio corporativo no Brasil - o requisito ajudou a obter a pontuação inédita para a certificação LEED Platinum. Por conta das inovações, a construção também foi condecorada no 4º Prêmio Saint Gobain de Arquitetura, na categoria habitat sustentável, o que denota a vocação da RAC para obras sustentáveis. Após concluir seu prédio, a empresa agora se debruça em dois projetos que também buscam a certificação verde: a sede do Conselho Regional de Educação Física do Paraná e a escola profissionalizante Dr. Celso Charuri, ambas em Curitiba.

Prédio gera economia de R$ 20 mil por ano

Além disso, a empresa está envolvida em vários outros projetos que buscam a certificação LEED, e que vão começar a ser executados a partir de 2018. “As construções verdes se tornaram a melhor opção de negócio do mercado imobiliário, principalmente para prédios corporativos. Isso se deve ao engajamento de toda a cadeia produtiva da construção civil, que envolve construtoras, arquitetos, fornecedores de produtos e serviços e outros agentes do mercado. A gama de empreendimentos que buscam certificações está crescendo significativamente”, diz Ricardo Cansian.

A projeção é de que o investimento no prédio da RAC Engenharia se pague em, no máximo, 10 anos. “A economia proporcionada pelo correto dimensionamento dos sistemas é capaz de reduzir o consumo geral do edifício em 27%. Só a economia de energia, se comparado a um edifício-padrão, é de aproximadamente R$ 20 mil por ano. Porém, o que norteia a opção por esse tipo de construção não é a questão monetária, mas a busca por soluções que tornam a edificação mais eficiente, otimizando o uso dos recursos naturais e evitando excessos. Trata-se mais de uma mudança de visão sobre a forma de conduzir os negócios e os projetos na construção civil do que meramente uma questão de custo”, opina Cansian.

Entrevistado
Engenheiro civil Ricardo Cansian, diretor da RAC Engenharia
Contato: rac@raceng.com.br

CréditoFoto: RAC Engenharia

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Livro mostra evolução das tecnologias na construção civil

Obra aborda o progresso de São Paulo, impulsionado pela cafeicultura, e as construções inovadoras, a partir da verticalização da cidade

Com o apoio do SindusCon-SP, o livro “História, desenvolvimento e tecnologia na construção civil em São Paulo” (BB Editora) aborda a evolução dos métodos construtivos ao longo do final do século 19 e do início do século 21, e também a formação do setor da construção civil na capital de São Paulo, com
o ressalta o autor. “A partir da fundação da escola politécnica da USP, em 1893, e com os investimentos da elite cafeeira, surgiram as primeiras obras emblemáticas da cidade: Pinacoteca do Estado (1900), Theatro Municipal (1911), Estação Pinacoteca (1914), Palácio dos Correios (1922) e Palácio das Indústrias (1924)”, diz o jornalista Eder Santin.

Eder Santin, com o livro que retrata a evolução da construção civil na cidade de São Paulo
Eder Santin, com o livro que retrata a evolução da construção civil na cidade de São Paulo

Para compor o livro, o autor consolidou várias entrevistas. Entre elas, com o professor e engenheiro Paulo Helene, que destaca que a tecnologia na construção civil foi incorporada com a verticalização das obras. “A construção de edifícios altos, por si só, é um indutor de evolução tecnológica. Nesse aspecto, a primeira obra importante da cidade foi o edifício Martinelli, de 1929 (30 andares). Depois do Martinelli, o desafio da altura tornou-se uma marca da cidade de São Paulo, destacando-se os edifícios altos que surgiram no centro da cidade (Zarzur, Altino Arantes-Banespa, Edifício Itália e Copan) e também no chamado centro expandido de São Paulo”, relata Santin.

O livro retrata parte do acervo fotográfico do SindusCon-SP, que, ao ser fundado em 1934, teve papel importante na incorporação de novas tecnologias construtivas e na vocação de São Paulo para obras inovadoras. Entre elas, o hotel Unique e o edifício e-Tower, recordista em resistência à compressão, com concreto de 125 MPa. “O valor é considerado um recorde mundial em resistência de concreto colorido”, afirma Jorge Batlouni Neto, da Tecnum, que construiu o edifício em 2002. Tem ainda o prédio Torre Norte do CENU (1999), cujas fundações consumiram 2.700 m3 de concreto, em uma operação contínua com duração de três dias.

Tema inesgotável

Além dos aspectos históricos e técnicos, o livro destaca o importante papel da geração de construtores que ocupou o SindusCon-SP a partir dos anos 1990. “Esses jovens empresários à época organizaram-se para buscar respostas para questões amplas e complexas sobre os temas que afetavam a indústria da construção, como produtividade, tecnologia, relacionamento com empregados, fornecedores e parceiros, meio ambiente e recursos naturais, legislação, economia e políticas para o setor (mercado imobiliário, habitação e infraestrutura). Graças a essa visão, o setor evoluiu em termos de conhecimento técnico e de gestão”, cita Eder Santin.

O autor avalia que o livro não esgotou o tema, e que novos volumes podem surgir. No entanto, ele procurou fazer uma ampla abrangência sobre a construção civil em São Paulo. “O livro conduz o leitor pelos principais pontos que marcaram o crescimento da cidade de São Paulo e o papel das empresas e dos engenheiros nesse percurso. Como um relato histórico, a obra trata de obstáculos e superações, na medida em que qualquer mercado - principalmente a construção civil - está sujeito a fatores econômicos, comportamentais, ambientais, tecnológicos e legais. A evolução do setor reflete a adaptação das empresas a esses fatores”, conclui.

Entrevistado
Jornalista Eder Santin, autor do livro “História, desenvolvimento e tecnologia na construção civil em São Paulo”

Contato: esantin@cidadela-editora.com.br

Foto
Eder Santin, com o livro que retrata a evolução da construção civil na cidade de São Paulo
Crédito: SindusCon-SP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Artefatos de concreto vibroprensado: saiba como fazer

Tecnologia é a mais utilizada no mundo para fabricar artefatos, mas cimento de boa qualidade e máquinas calibradas são imprescindíveis

O processo vibroprensado é o mais utilizado no mundo para a fabricação de artefatos de concreto. A tecnologia resulta em melhor desempenho do produto e mais produtividade. Além disso, as vibroprensas permitem a produção de uma grande família de produtos. Mas é preciso atenção à calibragem da máquina de vibrocompressão, que é o coração do processo produtivo. Outros cuidados estão relacionados ao preparo do concreto, passando pela granulometria, a qualidade do cimento e os ensaios de resistência à compressão. 

Idário Fernandes: cimento de boa qualidade pode suprir outras deficiências
Idário Fernandes: cimento de boa qualidade pode suprir outras deficiências

Engenheiro civil com 35 anos de experiência em produtos vibroprensados, Idário Fernandes já proferiu mais de 250 cursos e palestras no Brasil e no Mercosul sobre cimento, concreto e artefatos. Autor do livro “Blocos e Pavers - Produção e Controle de Qualidade”, o especialista está no 59º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo IBRACON, e que acontece em Bento Gonçalves-RS, de 31 de outubro a 3 de novembro de 2017. Sua palestra vai tratar de concreto vibroprensado. Antes, ele detalha a tecnologia na entrevista a seguir. Confira:

O processo vibroprensado ainda é o mais utilizado no mundo para a fabricação de artefatos de concreto?
Sim, é o mais utilizado no mundo. São conhecidos como artefatos de concreto os produtos cimentícios de pequeno porte, feitos com Cimento Portland, agregados, água, aditivos e, opcionalmente, adições, independentemente do método empregado, seja ele o do concreto plástico, extrusado ou vibroprensado. São exemplos de artefatos de concreto vibroprensados os blocos, os
blocos intertravados, tubos, cobogós, vasos, balaústres, entre outros. De concreto plástico, os principais artefatos são os pisos e revestimentos cimentícios. Do processo extrusado, alguns modelos de pisos e as telhas de concreto, que na verdade são telhas de argamassa. Destes, com certeza, os produtos obtidos no processo vibroprensado são maioria no mundo.

Bloco de concreto produzido em vibroprensas: processo permite fabricar uma grande família de produtos
Bloco de concreto produzido em vibroprensas: processo permite fabricar uma grande família de produtos

As outras tecnologias conseguem ser competitivas sob o ponto de vista mercadológico?
Sim, elas conseguem o seu lugar ao sol porque agregam valor devido, sobretudo, à melhor aparência do produto, em virtude do acabamento proporcionado pelos moldes de silicone, poliuretano, fiberglass, plástico ou aço. Um piso cimentício, seja ele elevado, fulget
(cimento e pedriscos), levigado (antiderrapante) e atérmico (não transmite calor nem frio), ou mesmo o intertravado feito em forminha de plástico, é mais bonito que o produto vibroprensado e o mercado valoriza e compra beleza. Muito embora seja possível fazer um intertravado dormido de alta resistência no quesito concreto, ele sofre nos quesitos formato e produtividade, devido à necessária concavidade da peça para desforma e as poucas possibilidades de automação do processo. Mesmo com estas dificuldades, o processo vibroprensado é um segmento que cresce a cada dia, sobretudo ao baixo investimento para se iniciar um negócio.

O que é mais relevante para se produzir artefatos de concreto com qualidade: uma vibroprensa bem calibrada, concreto com granulometria adequada ou um bom cimento?
Todos são muito importantes. É um conjunto. Faltou um quarto item muito importante, que é o conhecimento do processo. Mas se tiver que eleger um, com certeza será o cimento. Com uma supermáquina e um superagregado não se faz um bom produto se o cimento não for bom. Já se o cimento for de qualidade, ele pode suprir a deficiência dos outros itens. Porém, com ônus, que cairá no custo do produto, pois as deficiências serão pagas com o maior consumo do aglomerante. 

A mão de obra que atua nas fábricas de artefatos está bem capacitada ou ainda precisa se adequar aos novos tempos?
É um círculo vicioso.  A oferta é muito maior que a demanda. Logo não se tem um preço justo pelo produto. Com preço baixo a margem é baixa, e não tendo margem não tem como se manter ou investir em treinamento de mão de obra especializada. Isto gera uma rotatividade grande de pessoal. Alguns vendedores/instaladores de máquinas não prestam o devido treinamento aos seus clientes, porque se enquadram nos critérios citados. Cerca de 20% das recomendações dos meus relatórios de consultoria dizem respeito a alterações ou melhorias nos equipamentos, inclusive em alguns equipamentos importados. Já a ABCP (www.abcp.org.br) oferece cursos para aperfeiçoamento da mão de obra de produção de artefatos de concreto.

Blocos hidráulicos, que evitam recortes nas paredes, são opções para quem trabalha com vibroprensas
Blocos hidráulicos, que evitam recortes nas paredes, são opções para quem trabalha com vibroprensas

Há uma família grande de artefatos de concreto, mas o principal continua sendo o bloco de concreto. Com a chegada da Norma de Desempenho, esse produto já está adaptado às novas exigências do mercado?
O bloco em si ainda não. Mas, com a integração do revestimento e uso de cores claras, que refletem a luz, o sistema atende a ABNT NBR 15575 – Norma de Desempenho. O bloco de concreto de hoje é praticamente o mesmo produto de quando o sistema chegou ao Brasil, na década de 1960. Pouco evoluiu, mas isto não é um problema do Brasil. Ocorre em outros lugares também. Em países muito frios o bloco ganhou recheio de EPS (isopor) ou paredes mais espessas e maiores vãos, com bolsões de ar para isolamento térmico. Já estão em andamento na ABCP esforços em busca de alternativas para que o bloco melhore seu desempenho térmico e acústico. O sistema carece também de uma atuação forte da interface entre o produtor e o usuário, a fim de acabar com cortes das peças, elementos compensadores. É preciso divulgar o bloco elétrico, com encaixe da caixinha do interruptor; o bloco hidráulico, para evitar o corte da parede; os blocos em ângulo, para sair do quadrado, ou seja, tem campo para evoluir e tornar o sistema ainda mais atraente. Isto facilitaria a vida do produtor, que teria menos componentes e menor investimento em moldes, além
do produto ficar mais competitivo, por ser mais simples de aplicar.

Com relação aos artefatos permeáveis, como está o mercado e qual a qualidade dos produtos disponíveis?
O piso drenante, seja ele em formato de
bloco intertravado ou de placas, vem ganhando significativa fatia no segmento de calçamento e é uma excelente ajuda para diminuir os efeitos das enchentes. O artefato evoluiu muito e tem excelente aceitação no mercado graças ao trabalho da ABCP, que designou profissionais competentes para dedicação com foco neste produto. Falta maior consciência do poder público em exigir um percentual de área pavimentada em piso drenante nas novas edificações e em áreas públicas, além do incentivo aos munícipes para trocarem suas calçadas impermeabilizadas por essa inteligente e ecológica forma de calçamento.

As indústrias de artefatos se preocupam com ensaios de resistência à compressão, e outros ensaios, como deveriam se preocupar?
Existem três grupos:
1. O que possui laboratório próprio e faz uso disso como ferramenta para ajustar custos, evitando enviar ao mercado produtos com resistência muito acima do exigido por norma ou abaixo do que foi vendido
.
2. O grupo que faz ensaios esporádicos, ou quando é argumento de venda, pois o cliente exige.
3. O grupo que não faz ensaios e vende para quem prefere pagar barato, fazendo vista grossa para as especificações técnicas do produto.
Particularmente, no segmento de pisos cimentícios e de telhas, este cenário é menos preocupante, pois eles atuam em segmentos mais elitizados e mais exigentes.

Pisos drenantes também são alternativas para quem busca ampliar o mercado
Pisos drenantes também são alternativas para quem busca ampliar o mercado

O que as indústrias de artefatos de concreto estão buscando em termos de inovação e sustentabilidade?
No segmento concreto seco ou, como dizem os americanos, "semi dry concrete”, além do piso drenante, evoluímos pouco. No segmento concreto plástico ou dormido  temos o avanço dos revestimentos cimentícios e do
s cobogós. No extrusado, as telhas cresceram em tamanho, diminuindo o número de peças e peso por m².

Comparativamente ao mercado internacional, como o senhor qualificaria a indústria de artefatos de concreto no Brasil?
Se compararmos com países de primeiro mundo, temos quilômetros a percorrer. Eles utilizam muito o
intertravado mesclado, intertravado dupla capa - combinação de dois ou mais formatos -, paginação inteligente e perfeita harmonia com a jardinagem, o que mantém o piso limpinho. Se compararmos com alguns de nossos vizinhos temos produtos, equipamentos, tecnologia e normas superiores. Servimos inclusive de referência a eles. O problema, diria, é que temos normalização adequada, mas não temos a responsabilidade em cumpri-la ou a coragem de exigi-la.

No início desta década houve um grande crescimento de pequenas indústrias de artefatos de concreto no Brasil. Provavelmente, estimuladas pelo bom momento que a construção civil viveu até 2014. A pergunta é: as que sobreviveram estão conseguindo produzir artefatos de qualidade?
Aí temos dois cenários: empresas que têm lastro, que não dependem exclusivamente daquele negócio, e que optaram por manter a qualidade e apostar no “compra quem concorda em pagar o custo de um bom produto”. Por outro lado, há empresas que não possuem outra fonte de renda, entraram numa guerra de preço absurda, às vezes com produtos vendidos a preço de custo para manter o negócio rodando. Nestas, infelizmente, a qualidade tem deixado a desejar. 

Nas suas consultorias, quais os erros mais comuns que o senhor detecta nas fábricas de artefatos?
Os principais são cinco:
1. Alto desvio padrão, provocado pelo desconhecimento do problema da dispersão de massa (peso) na bandeja, resultante da diferença de massa alimentada nas diferentes cavidades do molde.
2. Desconhecimento da influência da variação da umidade na compactação e na resistência do produto.
3. Desconhecimento de métodos expeditos e baratos para um controle de qualidade “just in time” com a produção. É uma inocência esperar o laudo do laboratório para saber que o produto necessita de ajustes.
4. Ausência de qualquer processo de cura dos produtos. Alguns acreditam que para curar basta colocar o produto dentro de um compartimento sem portas, com grandes aberturas no teto ou paredes.
5. Desconhecimento dos recursos e dos princípios de funcionamento dos equipamentos. Tem máquina que faz 800 ciclos em 7 horas e outra, da mesma marca e modelo, em outra empresa, que produzem 1.600 ciclos no mesmo período.

A indústria de vibroprensas nacional já está no mesmo patamar das máquinas produzidas fora do país?
Infelizmente ainda não. Das seis maiores empresas de máquinas que existiam no país há seis anos, quatro praticamente desapareceram por conta do mercado extremamente recessivo. Surgiram novas e boas opções, mas de pequeno porte para se adaptarem a um mercado retraído. Elas possuem desempenho proporcional ao investimento quando comparadas com as estrangeiras, porém com custo unitário de produto maior, devido ao emprego de muita mão de obra (pouca automação) emprego de mais cimento na mistura, devido à pouca capacidade de prensagem, e alto índice de paradas para manutenção ou reparos, devido à idade de desenvolvimento ainda precoce.  

Entrevistado
Engenheiro civil Idário Fernandes, consultor em tecnologia de concreto e sistemas construtivos e dono da Doutorbloco Consultoria em Concreto

Contatos
idario@doutorbloco.com.br
www.doutorbloco.com.br

Crédito Fotos: Doutorbloco

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

PET Civil: no que eles ajudam os futuros engenheiros?

Programas de Educação Tutorial servem como ferramentas para melhorar a graduação e estimular trocas de conhecimento entre estudantes

ENAPET 2017, realizado em agosto em Brasília: trabalhos acadêmicos ajudam a melhorar cursos de engenharia civil
ENAPET 2017, realizado em agosto em Brasília: trabalhos acadêmicos ajudam a melhorar cursos de engenharia civil

Os Programas de Educação Tutorial (PET) de Engenharia Civil, mais conhecidos como PET Civil, estão presentes em praticamente todas as universidades públicas brasileiras. O objetivo é que eles sirvam como ferramentas para melhorar a graduação, estimulando trocas de interesses e disseminando conhecimento. Os PET Civil se utilizam bastante da internet para cumprir essas funções. Anualmente, eles também promovem encontros nacionais. Os eventos, conhecidos como ENAPET (Encontro Nacional dos PET) reúnem não apenas participantes de cursos de engenharia civil, mas também de outras graduações. A edição de 2017 ocorreu em Brasília-DF.

Nos ENAPET são apresentados trabalhos que demonstram a real função dos Programas de Educação Tutorial, que é propagar assuntos de interesse comum e procurar orientar estudantes que tenham dificuldades em alguma disciplina. Normalmente, grupos de professores atuam como tutores dentro do programa. O resultado deste trabalho pode ser visto em Brasília, onde os PET Civil se destacaram pelo volume de temas mostrados. Alunos da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) fizeram a apresentação da pesquisa “Responsabilidade social: a influência do programa de educação tutorial na formação de engenheiros civis”.

Já a Universidade Federal do Paraná (UFPR) apresentou o trabalho “Vídeos didáticos como ferramentas de aprendizado no curso de engenharia civil da UFPR”. Destacou-se também a apresentação do PET Civil da Universidade Federal do Ceará (UFC), intitulado “Curso de Pré-engenharia”. Nele, os veteranos dão aula de reforço de matemática e física para os calouros com dificuldades e orientam também como os novos alunos devem se preparar para o que virá na graduação. Trabalho semelhante faz a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com o programa “Calourada da Civil”.

Regulamentação

Criado em 1979 pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) o Programa de Educação Tutorial é regulamentado e reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação). Ele é definido como “um programa acadêmico direcionado a alunos regularmente matriculados em cursos de graduação, cujos objetivos são: a melhoria do ensino de graduação, a formação acadêmica ampla do aluno, a interdisciplinaridade, a atuação coletiva, o planejamento e a execução de um programa diversificado de atividades acadêmicas”.

Atualmente, o PET está sob a responsabilidade do Departamento de Projetos Especiais de Modernização e Qualificação do Ensino Superior (DEPEM) e é avaliado anualmente por uma comissão local, dentro de cada universidade, em conjunto com uma comissão de avaliação do SESu/MEC (Secretaria de Educação Superior). Dependendo do desempenho, eles podem sofrer intervenção destas comissões ou até serem fechados. O PET de cada uma das graduações, dentro das universidades, é importante também para manter o grau de qualidade do curso. Não existe um ranking de PET Civil, já que cada um opera de acordo com a realidade de cada universidade pública do país. Pioneiros, os PET Civil são maioria.

Entrevistado
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
(via assessoria de imprensa)

Contato: imprensa@capes.gov.br

CréditoFoto: UFMS

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

México já teve bolsa-concreto para combater doenças

Programa “Piso Firme” atendia famílias que viviam em casas de chão batido, distribuindo concreto para construção de contrapisos

Programa Piso Firme ajudou a reduzir número de crianças e adultos infectados por parasitoses
Programa Piso Firme ajudou a reduzir número de crianças e adultos infectados por parasitoses

Em 2000, o estado mexicano de Coahuila lançou um programa para concretar os pisos de chão batido das casas de famílias que viviam na linha da pobreza. Batizado de Piso Firme, o plano atingiu 34 mil lares e, em função do sucesso, em 2005 transformou-se em um programa nacional. O governo federal estendeu o Piso Firme para todo o país. O objetivo era atingir cerca de quatro milhões de famílias carentes, a fim de acabar com as casas de chão batido no México.

A política pública doava o equivalente a 150 dólares de concreto por residência, que era transformado em contrapiso. As betoneiras passavam pelas ruas distribuindo o material, que era colocado em carrinhos de mão e levado para as casas para, em seguida, ser espalhado por uma equipe de operários das prefeituras locais. A razão do programa era o combate à parasitose. Por viverem descalças dentro de casa, muitas crianças e adultos contraíram vermes.

Até 2013, 2,3 milhões de m³ de concreto tinham sido convertidos em contrapiso - o equivalente a pavimentar uma rodovia ligando o México à Argentina. Também se verificou que as doenças causadas por parasitas intestinais reduziram 20% em crianças até seis anos nas regiões alcançadas pelo Piso Firme. Os casos de diarréia caíram 13% e de anemia 20%. Outro dado interessante do programa: os níveis de depressão e de estresse das mães reduziram 12,5% e 10,5%, respectivamente, por causa da “sensação de casa limpa” que os pisos concretados transmitiam. 

Apesar do sucesso do programa, ele foi descontinuado há quatro anos. O motivo: corrupção. Foi descoberto que parte do concreto era desviado das betoneiras. O material acabou abastecendo obras de funcionários do governo ou vendido a preços abaixo de mercado para outras construções. O concreto também foi usado para a compra de votos em períodos eleitorais. Resultado: o Piso Firme não atingiu a meta de zerar as casas com chão batido no México.

Programa pode ser retomado

De acordo com o Instituto Nacional de Geografia do México (INEGI) as casas com pisos de chão batido voltaram a crescer entre 2015 e 2016. O estado de Vera Cruz é onde existe a maior parcela da população morando nestas condições: 14,4%. Em seguida, vêm Chiapas (10,9%), Oaxaca (10,7%), Guerrero (9,1%) e Puebla (7,1%). O organismo também calcula que esses cinco estados concentram 52,5% das casas com chão batido do México. Recentemente, o ministério de desenvolvimento agrário, territorial e urbano do país passou a estudar a retomada do Piso Firme. 

Para a ministra Rosario Robles Berlanga, o México está mais maduro e menos suscetível a escândalos de corrupção como os que atingiram o programa até 2013. “O que aconteceu antes não ocorrerá agora, pois o governo aprimorou a fiscalização. O Piso Firme é um programa bem-sucedido, que tem condições de ser reativado, pois trouxe resultados muito positivos ao México”, discursa Rosario Robles. O governo mexicano, no entanto, não tem prazo para reiniciar o plano.

Entrevistado
Centro de Desenvolvimento Global – ONG voltada para disseminar programas sociais bem-sucedidos em um país para outros países
(via assessoria de imprensa)

Contato: globalhealthpolicy@cgdev.org

CréditoFoto: Piso Firme

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concreto permite torres de 140 m para captar energia eólica

Peças pré-fabricadas, desenvolvidas na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, possibilitam alcançar ventos de alta velocidade

Batizado de Hexcrete, por causa do formato hexagonal de suas estruturas, a tecnologia em concreto pré-fabricado desenvolvida na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, vai permitir que os geradores eólicos captem ventos a uma altitude de 140 metros. Atualmente, as maiores torres em concreto alcançam no máximo 80 metros, enquanto as em aço podem atingir 120 metros. "É justo dizer que fizemos grandes progressos na validação de um novo conceito de uso de concreto pré-fabricado para torres de turbinas eólicas para grandes altitudes", diz Sri Sritharan, professor de engenharia da construção da Universidade de Iowa, e pesquisador de energia eólica.

Batizadas de Hexcrete, as estruturas pré-fabricadas têm formato hexagonal, o que dá sustentação para atingir grandes alturas
Batizadas de Hexcrete, as estruturas pré-fabricadas têm formato hexagonal, o que dá sustentação para atingir grandes alturas

Os pesquisadores estão usando concreto de ultra-alto-desempenho (CUAD) - cuja resistência pode chegar a 800 MPa - para produzir as peças pré-fabricadas que, encaixadas umas nas outras, possibilitam erguer as superestruturas. A torre tem uma base mais larga e vai afunilando até o topo, o que oferece maior sustentação ao equipamento. Além disso, os módulos podem ser transportados em caminhões, facilitando a montagem. Outro ponto positivo é que, em alturas maiores, os geradores podem carregar turbinas com capacidade de até 2,3 megawatts. ”São colunas e painéis pré-fabricados facilmente transportáveis. As peças são ligadas por cabos para formar células hexagonais que podem ser empilhadas verticalmente para formar torres de 140 metros”, explica Sri Sritharan.

O engenheiro que coordena o projeto afirma que o Hexcrete está em fase de teste de fadiga. “Não foram detectados danos após quase 200 mil ciclos de carga”, afirma Sri Sritharan. O próximo passo da equipe é construir uma torre-protótipo em Iowa. "Agora, nosso objetivo é identificar parceiros que possam trabalhar conosco neste projeto. Também trabalhamos para desenvolver um plano de comercialização", diz o pesquisador-chefe, que avançou na pesquisa do Hexcrete com recursos do departamento de energia dos EUA, do Iowa Energy Center e de cimenteiras da região. Ao todo, o projeto já consumiu US$ 1,102 milhão.

Ventos com 80 km/h 

O projeto para construir torres que conseguem captar ventos de alta velocidade começou em 2010. "Durante muito tempo, os fabricantes de turbinas têm aspirado construir torres mais altas, pois os recursos de vento são mais consistentes e confiáveis ​​em altitudes mais elevadas. Este projeto tem um grande potencial para tornar este plano realidade", comenta Kurt Bettenhausen, chefe de automação e tecnologia do campo do departamento de energia dos EUA. Através da pesquisa liderada por Sri Sritharan chegou-se, ao que tudo indica, à solução. “A chave para as torres mais altas é construir com concreto em vez de aço", acrescentou o engenheiro.

Os ventos que os pesquisadores buscam podem alcançar até 80 km/h. Por isso, o Hexcrete é feito com estruturas maciças de concreto pré-fabricado, cada uma medindo 4,5 metros de altura e 2 metros de largura. O formato hexagonal permite que uma se una à outra, formando a estrutura principal. Individualmente, cada peça consome 120 m³ de concreto. “Com essa modulação, as células podem ser montadas em vários arranjos, de acordo com os objetivos da torre”, conclui Sri Sritharan. 

Veja vídeo sobre o Hexcrete

Entrevistada: Engenheiro civil Sri Sritharan, professor de engenharia da construção da Universidade de Iowa
Contato: sri@iastate.edu

Crédito foto: Iowa State University

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Informações no saco de cimento ajudam a boa obra

Norma técnica e boletim da ABCP definem dados relevantes que devem vir impressos na embalagem do produto para orientar consumidor

Embalagem de cimento Itambé: frente e verso seguem orientações da norma técnica e da ABCP
Embalagem de cimento Itambé: frente e verso seguem orientações da norma técnica e da ABCP

Os sacos de Cimento Portland trazem informações relevantes para a qualidade da obra e também para a segurança de quem manipula o material. Por isso, o recomendável é observar as orientações. A embalagem traz desde a composição do produto até a maneira correta para estocá-la. Também são relevantes dados de como aplicar o cimento, para qual tipo de obra ele é recomendado e os tempos de mistura e de cura. A principal norma técnica do produto é a ABNT NBR 5732:1991 – Cimento Portland Comum, que define também as informações que a embalagem deve trazer na frente e no verso.

É igualmente importante que o saco tenha o selo de qualidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) o que atesta que o material foi produzido atendendo todas as exigências de norma. Em seu boletim técnico 106, a ABCP orienta como estocar os sacos. “Recomenda-se a estocagem de cimento sobre um tablado de madeira, montado a pelo menos 30 cm do chão ou do piso, e não formar pilhas maiores do que 10 sacos. O acúmulo de muitas embalagens umas sobre as outras tende a criar sobrecarga nos primeiros sacos, o que pode endurecer o material contido na embalagem”, diz o documento.

A pilha recomendada de 10 sacos, além de preservar as propriedades do cimento, também facilita a contagem, tanto na hora da entrega quanto no controle do estoque. No mesmo documento, a ABCP alerta que as propriedades do cimento se conservam intactas por três meses, a partir da data da fabricação, desde que bem estocado. Aliás, a embalagem tem grande importância na preservação das propriedades do cimento. Não é à toa que ela é usada em todo o mundo. Feito em papel kraft de múltiplas folhas para proteger o cimento da umidade e facilitar o manuseio no transporte. Além disso, permite o enchimento com o material ainda bem quente.

Embalagem é a bula do cimento

Informações que vêm no verso da embalagem de cimento Itambé: aplicações de uso, além de uma linha 0800 para falar diretamente com a empresa
Informações que vêm no verso da embalagem de cimento Itambé: aplicações de uso, além de uma linha 0800 para falar diretamente com a empresa

Orienta a ABCP que não é recomendável usar o cimento quente, pois pode afetar a trabalhabilidade da argamassa ou do concreto. Deve-se deixá-lo descansar até atingir a temperatura ambiente. Em caso de uso em regiões de clima frio, a temperatura ambiente pode ser tão baixa que ocasionará um retardamento do início de pega. Para que isso não ocorra, convém estocar o cimento em locais bem protegidos.

O saco de cimento está para o material como a bula para o remédio. No caso dos produtos da Cimento Itambé, por exemplo, o verso da embalagem traz os seguintes dados: informações ao consumidor, composição, recomendações quanto ao uso, como aplicar na produção de concreto, os cuidados na concretagem, o transporte e o lançamento, além de informações sobre adensamento e cura e, em destaque, orientações de risco à saúde. O saco traz também a ficha técnica do produto e para quais aplicações aquele tipo de cimento é recomendado. Um diferencial é o telefone 0800 41 9002 impresso na embalagem, onde o usuário pode esclarecer dúvidas com a assessoria técnica do fabricante.

Fora do Brasil não é diferente. As embalagens de cimento também seguem normas técnicas e precisam trazer as sete informações fundamentais:
- Como manipular o produto
- Riscos ao usuário
- Forma correta de estocar
- Recomendações de uso
- Composição do cimento
- Quais as suas aplicações
- Ficha técnica do produto

Veja o Cimento Certo para cada tipo de obra: clique aqui

Acesse aqui o boletim técnico da ABCP sobre utilização do Cimento Portland.

Entrevistado
Reportagem com base no boletim técnico 106, da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), na norma técnica ABNT NBR 5732:1991 – Cimento Portland Comum e na embalagem do produto da Cimento Itambé

Contato
abcpsp@abcp.org.com
www.cimentoitambe.com.br/produtos/

Crédito fotos: Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Exército dos EUA faz casas em 3D para desabrigados

Tecnologia também permite construir instalações militares e, em breve, vai possibilitar erguer barreiras, cais e até pontes 

A primeira edificação impressa pela B-Hut 3D foi apresentada no final de agosto de 2017
A primeira edificação impressa pela B-Hut 3D foi apresentada no final de agosto de 2017

As forças armadas dos Estados Unidos estão empenhadas no programa “Construção Automatizada de Estruturas Expedicionárias” (ACES, da sigla em inglês). Trata-se da construção de casas de concreto com impressão 3D, e que podem ser erguidas em 24 horas. Cada unidade mede 47m2 e o objetivo é atender situações de calamidade e de conflito, oferecendo moradias provisórias para desabrigados por situações climáticas extremas ou por guerras.

O equipamento que imprime as casas pode ser transportado em aviões e caminhões para qualquer região e a vantagem é que a construção oferece melhor conforto e é mais durável que as tradicionais barracas. Em desenvolvimento desde 2013, no Construction Engineering Research Laboratory (Laboratório de Pesquisa de Engenharia de Construção) da U.S Army, o ACES também permite imprimir instalações para operações militares.

À frente do programa, o gerente do laboratório, Michael Case, afirma que o ACES está agregando novas demandas, as quais permitirão ao exército norte-americano não apenas imprimir edificações, mas barreiras, cais e até pontes. A impressora 3D, batizada de B-Hut 3D, foi desenvolvida em parceria com a NASA. Uma das características inovadoras, em relação a outras máquinas similares, é que o equipamento aceita agregados maiores.

Segundo Michael Case, é possível usar agregados de até 3/8’’ (polegadas). “Significa que a máquina pode misturar ao concreto boa parte dos agregados que ela encontrar no terreno em que a impressora for instalada. Isso amplia sua versatilidade e permite gerar estruturas com características mais robustas, sejam elas horizontais ou verticais. Além disso, alivia a carga de material de construção a ser transportada para pôr a impressora em funcionamento. Basicamente, só precisamos levar cimento”, afirma.

NASA quer tecnologia em Marte

Impressora 3D desenvolvida pelas forças armadas dos Estados Unidos pode ser transportada para qualquer lugar
Impressora 3D desenvolvida pelas forças armadas dos Estados Unidos pode ser transportada para qualquer lugar

Michael Case complementa que, para as forças armadas dos Estados Unidos, a capacidade de imprimir em 3D com concreto feito a partir de agregados de origem local reduzirá em mais de 60% a necessidade de transportar suprimentos extras em missões. “Projetos como este, estão abrindo uma nova porta para que os militares construam em qualquer lugar, reduzindo custos e mão de obra”, diz.

Paralelamente à impressora 3D para construir edificações, a US Army trabalha também no projeto X-FAB. Trata-se do emprego da tecnologia 3D para fabricar peças de reposição para equipamentos de defesa e veículos. O objetivo é reparar máquinas em qualquer lugar.

Para a NASA, a funcionalidade da impressão 3D é fundamental, já que ela entrou na parceria pensando no “Projeto Marte”. O plano da agência é levar uma tripulação ao planeta vizinho até 2030. Outro objetivo do programa ACES é viabilizar a impressora comercialmente. Por isso, o laboratório de engenharia estabeleceu um acordo de pesquisa e desenvolvimento cooperativo com a Caterpillar Inc. “Queremos disseminar a tecnologia que permite construir rapidamente e com segurança, e a impressão em 3D provou que é capaz de fazer as duas coisas”, relata Michael Case.

Entrevistado
Doutor Michael Case, Ph.D em engenharia mecânica e gerente do Construction Engineering Research Laboratory (Laboratório de Pesquisa de Engenharia de Construção) da U.S Army

Contato
Michael.P.Case@erdc.usace.army.mil

Crédito fotos: Mike Jazdyk

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Constituição Federal trava crescimento, diz estudo

Excesso de normas tributárias editadas pelos governos federal, estadual e municipal atrapalha investimentos e gera insegurança jurídica 

Constituição Federal: em 29 anos, ela recebeu 5,7 milhões de normas tributárias
Constituição Federal: em 29 anos, ela recebeu 5,7 milhões de normas tributárias

Segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), desde que foi promulgada, em 5 de outubro de 1988,  a Constituição Federal recebeu 5,7 milhões de normas tributárias - média de 798 por dia útil. Muitas destas normas são “conflitantes e conflituosas”, como define o levantamento. O resultado, é que elas geram insegurança jurídica e prejudicam o investimento no país. Consequentemente, atrapalham o desenvolvimento da economia e a retomada do crescimento.
Para o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, o problema é que a maioria destas normas foi editada sem qualidade legislativa. “Há a necessidade de se fazer uma compilação de todas as normas, para excluir as conflitantes (incompatíveis juridicamente) e as conflituosas (que geram desentendimento jurídico), e que, muitas vezes, foram editadas sem qualquer qualidade legislativa. O excesso de legislação constatado no estudo quebra a harmonia entre os poderes, que é cláusula pétrea, prevista em nossa Carta Magna, artigo 2º”, afirma.

O levantamento também aborda as 16 emendas constitucionais que criaram tributos como CPMF, COFINS, CIDE, CIP, CSLL, PIS Importação, COFINS Importação, ISS Importação. De acordo com o IBPT, o Brasil precisa de uma nova realidade tributária para se adequar aos processos competitivos globais e para voltar a crescer, em vez de decretar tributos apenas para cobrir rombos fiscais. O mais recente está em debate: a mudança do regime de cobrança do imposto PIS/COFINS.

Segundo Gilberto Luiz do Amaral, a alteração que está em debate no Congresso Nacional pode aumentar o desemprego no Brasil. “De cada dez postos de trabalho, dois serão encerrados porque as empresas terão um aumento de custo que pode chegar a cinco pontos percentuais sobre seu faturamento. Temos 20 milhões de trabalhadores no setor de serviços e poderemos ter um desemprego de dois milhões de pessoas”, avalia. Sua estimativa é de que 1,5 milhão de empresas serão atingidas com o aumento de R$ 50 bilhões em arrecadação de tributos.

Perdas com burocracia

A proposta para um novo PIS/COFINS prevê o aumento da alíquota do imposto dos atuais 3,65% para 9,25%. Além disso, altera a forma de cobrança, ao acabar com o regime cumulativo. Mas esse não é o único problema. O estudo também atribui à burocracia a perda de R$ 60 bilhões por ano por parte das empresas. É o dinheiro que elas precisam tirar da produtividade e do investimento para fazer a gestão das normas tributárias. Em média, cada companhia - independentemente do tamanho – deve seguir 3.940 normas, 44.249 artigos, 103.100 parágrafos, 329.656 incisos e 43.364 alíneas.

Pior: não é apenas o governo federal que sufoca a produção com a burocracia tributária. Desde a promulgação da Constituição Federal, os estados já editaram 1.549.106 normas, 355.322 leis complementares e ordinárias, 515.307 decretos e 678.477 normas complementares. Em média, foram 217,76 normas por dia útil. Já os municípios são responsáveis pela edição de 3.965.412 normas, divididas em 679.780 leis complementares e ordinárias, 753.320 decretos e 2.532.312 normas complementares. Considerando que existem 5.567 municípios no Brasil, cada um deles editou, em média, 712,31 normas por dia útil.

Veja a íntegra do estudo do Gilberto Luiz do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. Clique aqui.

Entrevistado
Advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT)

Contatos
gilberto.amaral@ibpt.org.br
https://ibpt.com.br/

Crédito foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Cimbramento: não se faz concreto armado sem esse aliado

Sistema pode utilizar estruturas metálicas ou ser montado com madeira, o qual, atualmente, é o menos recomendado pelos especialistas

Cimbramento metálico: permite todo tipo de escoramento, e é o preferido pelos engenheiros
Cimbramento metálico: permite todo tipo de escoramento, e é o preferido pelos engenheiros

Resumidamente, cimbramento é um conjunto de estruturas provisórias em uma obra, e que auxiliam no escoramento de fôrmas para lajes, vigas e outros elementos de concreto armado. As peças sustentam o peso do próprio concreto, até que o material endureça e cumpra seu período de cura inicial. Metálicos ou de madeira, os modelos de cimbramento mais comuns são em formato de escoras, torres e vigotas.

Em edificações residenciais, o cimbramento com madeira ainda é o mais usado, por causa do custo menor, apesar da baixa durabilidade. Já as estruturas metálicas são recomendadas para obras mais complexas, quando o concreto é moldado no local. Um exemplo de cimbramento de alto desempenho foi aplicado na duplicação da rodovia Régis Bittencourt, no trecho da serra do Cafezal, onde as torres de sustentação chegaram a 25 metros de altura na construção de viadutos.  

Os engenheiros da Comunidade da Construção – movimento ligado à Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) – explicam as vantagens do cimbramento metálico, em relação ao de madeira. “As escoras metálicas possibilitam a desforma de todo o sistema de distribuição de cargas sem que a escora seja removida. Isso confere segurança contra deformações impostas em idades baixas do concreto e a possibilidade do reaproveitamento das fôrmas e do vigamento de suporte”, descrevem.

Metal ou madeira?

Cimbramento em madeira: ainda é utilizado, mas limita-se cada vez mais a obras residenciais
Cimbramento em madeira: ainda é utilizado, mas limita-se cada vez mais a obras residenciais

Já as escoras de madeira, por causa da baixa capacidade de carga, acabam gerando grande concentração de peças sob a laje escorada, dificultando o trânsito. Atualmente, por questões ambientais, todo cimbramento em madeira precisa ter certificação e selo verde, o que comprova que o material vem de reflorestamento e não de extração ilegal. Existem três tipos de cimbramento em madeira:
1. Troncos: sistema extremamente rudimentar e desaconselhável. O material é heterogêneo, as peças são disformes e a capacidade de carga é limitada. O ajuste de altura é extremamente difícil e o reaproveitamento é baixo.
2. Pontaletes: normalmente utilizam pinho de reflorestamento e certificado. Trata-se de um material mais homogêneo, apesar da capacidade de carga ser limitada. Dependendo da estrutura a ser escorada, há necessidade de uma grande quantidade de elementos.
3. Garfos: consistem em um conjunto de sarrafos, que permitem boa capacidade de carga a uma altura máxima de 4,5 metros. Acima disso, a estabilidade já se torna precária.

O projeto estrutural da obra - incluindo o tipo de concreto a ser usado, se armado ou autoadensável, por exemplo -, além do planejamento do canteiro e do custo, são fundamentais para definir o tipo de cimbramento que poderá ser usado na construção. No caso dos conjuntos metálicos, os mais usados são:
1. Escoras: boa parte das construtoras utiliza esse sistema, já que existem empresas especializadas em locação. A capacidade de carga é elevada e permite o uso em muitas obras.
2. Torres: usada em obras especiais, onde a carga transferida aos pavimentos inferiores é muito elevada ou o pé direito é muito alto.

Entrevistado
Reportagem com base no guia de cimbramento da Comunidade da Construção, da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)

Contatos

dcc@abcp.org.br
www.comunidadedaconstrucao.com.br

Crédito fotos: Divulgação