Brasil não é 100% imune a sismos e precisa se proteger
Por pressão internacional, primeira norma técnica sobre o tema só surgiu em 2006. Estado do Acre é o mais vulnerável a tremores no país

No Brasil, o maior abalo sísmico já ocorrido chegou a 6,2 na escala Richter. A área atingida foi o norte do Mato Grosso, em 1955, e, como a região era inabitada, não houve maiores danos. Apesar de constatado o risco de que o país não é totalmente imune a terremotos, a primeira norma técnica a tratar de sismos só foi publicada em novembro de 2006. Trata-se da ABNT NBR 15421 - Projeto de estruturas resistentes a sismos - Procedimento. Para o engenheiro civil Fábio Wosniak, que recentemente palestrou na 23ª Semana da Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná, a resistência brasileira em aceitar que o território nacional tem regiões vulneráveis a tremores custou ao país quase um século de evolução tecnológica sobre o tema.
Segundo o especialista, nações que têm fronteira com o Brasil estão muito mais avançadas em projetar estruturas adequadas a esse tipo de risco. Um exemplo é o Peru, que possui códigos sobre sismos que acompanham as tecnologias japonesas. No país, a própria normalização sobre sismos só surgiu por causa de pressões internacionais. “Foi praticamente exigido que o Brasil tivesse uma norma técnica sobre o tema, porque, como a engenharia se tornou globalizada, era necessário que o engenheiro brasileiro tivesse esse conhecimento”, explica Wosniak. “Antes, havia o senso comum - e ainda há - de que sismos não ocorrem aqui. Por isso, grande parte das escolas de engenharia do país nunca se preocupou em ensinar como construir estruturas sob essas condições. Hoje já existem disciplinas”, completa o engenheiro.
No Brasil, apenas estruturas especiais, como hidrelétricas e usinas nucleares, possuem projetos dimensionados para suportar abalos sísmicos. No entanto, há um estado em que essa atenção deveria se voltar também para as edificações. Trata-se do Acre, que faz fronteira com o Peru e, por isso, encontra-se em uma zona 4 de riscos sísmicos. A classificação é a mesma para o Peru e para a Bolívia, o que exigiria que estruturas como pontes, viadutos, fundações e pilares de edifícios recebessem tratamento especial para conter pontos que dissipassem a energia causada por um eventual tremor, o que, no entanto, não ocorre. “Riscos de sismo devem influenciar nas obras. Quanto mais rígida a estrutura, mais intensamente ela vai sofrer com os abalos”, explica Wosniak.
Japão e EUA: referências
A escala Richter vai de 0 a 9. Para cada ponto, há uma medição diferente para detectar a energia liberada pelo sismo. No caso de um tremor que chegue a 6, a energia que chegará na superfície é 32 vezes maior que o grau do abalo. Já um terremoto com escala 7, libera mil vezes mais energia. O 9 chega a um bilhão a magnitude da energia que se propaga para a superfície. O estudo aprofundado dos terremotos fez com que Japão e Estados Unidos desenvolvessem a engenharia sísmica, a qual se tornou referência para o resto do mundo. “Tudo o que há de conhecimento hoje está baseado em normas e estudos destes dois países. As pesquisas causaram reduções drásticas no número de vidas perdidas em terremotos”, conclui o palestrante.
Entrevistado
Engenheiro civil Fábio Augusto Wosniak, especialista em projeto de estruturas resistentes a sismos (com base em palestra apresentada na 23ª Semana de Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná)
Contato: contato@wosniakengenharia.com
Crédito Fotos: IEP e Reuters
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Nova linha férrea a Paranaguá será recortada por túneis
Projeto foi apresentado na 23ª Semana de Engenharia, evento promovido recentemente pelo Instituto de Engenharia do Paraná

Em 2016, o Porto de Paranaguá, no litoral paranaense, movimentou 45,1 milhões de toneladas de cargas. Desse total, apenas 10 milhões foram transportadas por trens. O dado mostra o tamanho do gargalo ferroviário que impede a competitividade de um dos principais terminais portuários do Brasil. Focado neste problema, o engenheiro civil Alber de Andrade Pinto apresentou na 23ª Semana de Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná, um dos projetos mais ousados para a infraestrutura ferroviária nacional: um novo traçado cortando a Serra do Mar, que alavancaria o transporte de cargas por trem até o Porto de Paranaguá.
Pelo terminal portuário paranaense passa boa parte da safra de grãos produzida desde o Mato Grosso, passando por Mato Grosso do Sul e Paraná, sem contar que serve também para escoar as exportações e importações realizadas pelo Paraguai. Por conta dessa importância, o governo federal, através da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), passou todo o ano de 2017 trabalhando na elaboração de uma PMI (Proposta de Manifestação de Interesse), que busca atrair investimentos para modernizar principalmente o trecho ferroviário que liga a Lapa-PR a Curitiba-PR, e o que se estende da capital paranaense a Paranaguá, cortando a Serra do Mar.
No projeto apresentado por Alber de Andrade Pinto, e que tem sido aprimorado desde o seu pai, Reinaldo de Andrade Pinto - também engenheiro civil -, o trecho conhecido como estação Engenheiro Bley, na Lapa-PR, seria o entroncamento ligando o traçado novo às ferrovias que vêm do Mato Grosso do Sul, do interior do Paraná e do oeste de São Paulo. No trecho 1, entre Lapa e Curitiba, seria aproveitado o traçado existente e construída uma terceira via para bitolas mais largas e trens elétricos. Já o trecho 2, entre a capital paranaense e Paranaguá, começaria no bairro Umbará e iria até Alexandra, percorrendo uma extensão de 88,3 quilômetros.
O novo traçado contaria com 222 passagens de nível, desviaria das manchas urbanas, cortando trechos rurais, e passaria por 25 túneis. Cinco destes túneis seriam subterrâneos, com profundidade entre 200 metros e 500 metros, para não causar impactos ambientais no Parque Nacional Guaricana (4 túneis) e no Parque Nacional Saint Hilaire/Lange (1 túnel) – ambos áreas de preservação da Mata Atlântica. Em alguns trechos, o projeto usa como referência o traçado já existente da BR-277, que liga Curitiba a Paranaguá, evitando encostas e com raios de curva de 450 metros, bem diferente da ferrovia existente, inaugurada em 1885, que possui raios de curva de, no máximo, 90 metros.
Valorização da engenharia regional

No plano apresentado por Alber de Andrade Pinto, toda a tecnologia está disponível na engenharia nacional, principalmente na engenharia paranaense. “As técnicas utilizadas não são diferentes das usadas para construir PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), e que escoam a água por túneis. Obviamente, os túneis para as ferrovias serão maiores. Projetamos túneis com 12 metros de largura e 7,90 metros de altura, que podem ser abertos por detonação, dispensando os chamados tatuzões (Tunnel Boring Machines [TBM], em inglês)”, explica o engenheiro civil. A largura dos túneis se justifica para poder suportar linhas com bitolas mistas. Uma com 1 metro, que é a utilizada atualmente, e outra de 1,60 metro, para trens modernos.
De acordo com o projeto, os túneis terão galerias de fuga e chaminés de ventilação, por causa das locomotivas movidas a diesel. O plano prevê ainda que os trilhos possam capturar a energia gerada pela frenagem dos trens. A tecnologia já está em uso na Europa, nos Estados Unidos e em países asiáticos, como China, Japão e Coreia do Sul. “Cada locomotiva em movimento pode gerar 5 MW ao longo do traçado. Hoje, essa energia é dissipada em forma de calor, mas com a tecnologia os trens podem virar uma PCH em movimento”, revela Alber de Andrade Pinto, prevendo que a obra, atualmente, seria viabilizada com R$ 1,5 bilhão. “O cronograma seria rápido, pois a pesquisa sobre o traçado ideal já está consolidada”, completa.
O engenheiro civil afirma que o segredo da nova ferrovia na Serra do Mar é seguir a formação geológica da região. “O granito é que vai nos mostrar o caminho para a nova ferrovia”, diz. A projeção é que a abertura dos túneis exija a remoção de 2,5 milhões de m3 de escavações subterrâneas. “A opção pelos túneis é a mais segura. Túneis raramente são obras que apresentam problemas e são sustentáveis, pois preservam o meio ambiente”, avalia Alber de Andrade Pinto. Ainda segundo o plano, o traçado antigo, projetado pelos irmãos Rebouças, continuaria em uso, mas apenas para o turismo.
Entrevistado
Engenheiro civil Alber de Andrade Pinto (com base em palestra apresentada na 23ª Semana de Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná)
Contato: iep@iep.org.br
Créditos Fotos: Enefotos/IEP e Baixaki
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Elevação de impostos preocupa construção civil do PR
Desde que sancionadas pelo governador Beto Richa e pelo prefeito Rafael Greca, medidas podem impactar na retomada de crescimento do setor

Na Assembleia Legislativa foi aprovada a elevação das alíquotas de ICMS para micro e pequenas empresas, o que, dependendo da faixa em que a companhia se encontra, pode acarretar em majoração de até 58% do imposto a partir do ano que vem. Já a Câmara Municipal de Curitiba aprovou, em primeira discussão, o aumento do IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) em 4% para imóveis e 7% para terrenos sem edificação, e também encaminhou votação para elevar a alíquota do ISS e acabar com o regime simplificado para a indústria da construção civil. “Se isso se confirmar, deve prejudicar em muito as pequenas e médias empresas do setor, principalmente os prestadores de serviços, que formam a base do nosso sindicato”, afirma Crema.
Além disso, a prefeitura de Curitiba já aumentou em 12,5% a alíquota do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) para imóveis entre R$ 150 mil e R$ 300 mil, excluindo definitivamente o percentual de 2,4%, e elevando a taxa para 2,7%. “Em um momento em que estamos vendo a luz no fim do túnel, com perspectivas melhores para 2018, com retomada de crescimento, o governo estadual e a prefeitura de Curitiba optam por um ‘tratoraço fiscal’ que vai impactar diretamente no setor da construção civil. Somos contrários a isso, não apenas como entidade de classe, mas como empresários e cidadãos”, reforça Sérgio Luiz Crema, que no dia 6 de dezembro de 2017 promoveu uma apresentação sobre as perspectivas para 2018 na construção civil paranaense.
Geração de empregos

Tirando as surpresas fiscais, o SindusCon-PR apresentou dados que apontam para um viés de alta no próximo ano. Um dos números mais relevantes mostra que no terceiro trimestre de 2017 (julho, agosto e setembro) o investimento na construção civil cresceu 1,6%. Foi o primeiro índice positivo em 15 trimestres - equivalente a três anos e nove meses. Com isso, os indicadores de confiança do setor também cresceram. Segundo o consultor de mercado do SindusCon-PR, Marcos Kahtalian, caiu drasticamente o número de empresários da construção que pensa em demitir em 2018. Entre os entrevistados, 54% planejam manter seu quadro de empregados, 34% projetam aumentar e apenas 12% têm a perspectiva de reduzir o número de colaboradores. “São sinais positivos, que não vemos desde o segundo semestre de 2014”, finaliza Kahtalian.
Veja o balanço de 2017 do SindusCon-PR e as projeções para 2018
Entrevistados
Engenheiro civil Sérgio Luiz Crema, presidente do SindusCon-PR, e Marcos Kahtalian, especialista em marketing e consultor de mercado do SindusCon-PR (com base em entrevista coletiva concedida por ambos, em 6 de dezembro de 2017)
Contato: imprensa@sindusconpr.com.br
Crédito Fotos: SindusCon-PR
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Shopping paulistano é a obra pré-fabricada de 2017
Parque da Cidade consumiu 14.600 m3 de concreto para a produção de elementos pré-moldados e venceu tradicional premiação da ABCIC

A Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) elegeu o shopping center Parque da Cidade como o vencedor do prêmio Obra do Ano em Pré-Fabricados de Concreto. A construção abrange 65,7 mil m², distribuídos em quatro pavimentos de lojas e seis subsolos de garagens, além de três pavimentos técnicos e cobertura. A estrutura engloba lajes, vigas e pilares pré-moldados no local. O desafio foi produzir elementos resistentes ao empuxo desequilibrado do terreno, mas mantendo as estruturas pré-moldadas como premissa. A opção pela construção industrializada também garantiu à edificação a certificação LEED for Neighborhood Development (LEED ND) nível Silver, desenvolvido pelo US Green Building Council.
Significa que o projeto agregou melhorias ao entorno, como áreas verdes, espaços para lazer e novos acessos à mobilidade urbana. Além disso, o principal conceito do shopping, que é combinar entretenimento, socialização, natureza, cultura, diversidade, conveniência e compras, foi absorvido pela região em que ele se encontra – entre os bairros do Morumbi e Santo Amaro, na capital paulista. O complexo engloba 120 lojas, uma torre de salas comerciais, cinco torres corporativas, um hotel, dois edifícios residenciais, além de quiosques e restaurantes integrados a um parque linear. O projeto estrutural foi de Francisco Paulo Graziano, o projeto arquitetônico de Luiz Felipe Aflalo Herman, do escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos, e o fornecimento das estruturas de pré-fabricado de concreto ficou a cargo da CPI.
Segundo Íria Doniak, presidente-executiva da ABCIC, nesta edição houve um recorde de obras inscritas, o que demonstra a versatilidade dos pré-fabricados de concreto como solução de engenharia para atender os mais diversos segmentos da construção - desde projetos de pequeno porte até obras especiais de infraestrutura. “O prêmio visa reconhecer os esforços e comprometimento do setor, dos engenheiros projetistas e dos arquitetos para o desenvolvimento do pré-fabricado de concreto no Brasil. Além disso, a quantidade de projetos inscritos mostra que, mesmo neste período desafiador, nosso segmento continua a trabalhar fortemente, trazendo técnica, qualidade, sustentabilidade, produtividade e cumprimento de prazos ousados dos clientes”, diz Íria Doniak.
Tecnologias inovadoras
O volume de concreto pré-fabricado usado na construção do Parque da Cidade chegou a 14.600 m3. Entre as tecnologias inovadoras usadas na construção do shopping paulistano estão as lajes leves com elementos Bubbledeck®, o aterro ultraleve com EPS (Expandend Polysterene), adequado para fundações em terrenos moles, as paredes de alta performance, que consistem em montantes de perfis galvanizados plaqueados com gesso e preenchidos com argamassa - método que reduz em 75% a produção de resíduos no canteiro de obras -, além de banheiros prontos, fachadas pré-moldadas e centrais de concreto dosado em central para a produção de elementos pré-moldados no local.
Três obras também foram agraciadas pela comissão julgadora do Prêmio Obra do Ano em Pré-Fabricados de Concreto 2017. Como destaque do júri, foi premiada a expansão da estação general Osório do metrô do Rio de Janeiro, com projeto estrutural de Eriton Nunes da Costa. Já nas menções honrosas, destaque para outros dois empreendimentos: Casa das Pérolas Deslizantes, em Bauru-SP, com projeto arquitetônico de Fernando Fonte e projeto estrutural de autoria de Flávio Isaia; e a expansão do Jaraguá do Sul Park Shopping, em Jaraguá do Sul-SC, com projeto estrutural de João Kerber e projeto arquitetônico de Manoel Doria P.G. Neto. O Prêmio Obra do Ano foi criado em 2011 pela ABCIC.
Veja detalhes do projeto estrutural do Parque da Cidade
Entrevistada
Engenheira civil Íria Lícia Oliva Doniak, presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto)
Contato: abcic@abcic.org.br
Crédito Foto: ABCIC
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Construção quer empregar 6 milhões em 2018... nos EUA
Após crise desencadeada entre 2007 e 2008, país experimenta crescimento sustentável desde 2013, a taxas médias de 4%

Conferência realizada em Chicago, nos Estados Unidos, e que reuniu os principais players do mercado da construção civil norte-americano, fez previsões otimistas para 2018. As projeções econômicas dão conta de que o PIB do setor mantenha o viés de alta que vem experimentando desde 2013, podendo fechar o próximo ano com 3,5% de crescimento. Outra boa expectativa se refere à geração de empregos. Estima-se que em 2018 a construção empregue 6,1 milhões, atingindo quase o pleno emprego.
Cristian deRitis, diretor-sênior da Moody’s Analytics, promoveu a apresentação de um relatório que mostra um alto grau de confiança das empresas e dos consumidores norte-americanos para 2018. "A economia hoje está bastante boa. As perspectivas econômicas para 2018 são muito positivas. Tanto os consumidores quanto as empresas estão confiantes em investir na construção civil, principalmente na área habitacional", diz o economista, ao expor os dados pesquisados na Moody's Housing and Housing Finance Conference.
O relatório preparado pela Moody’s Analytics faz a seguinte análise, desde que eclodiu a crise no mercado imobiliário norte-americano, entre 2007 e 2008. “Após os tumultos da década passada, os mercados norte-americanos de habitação se estabeleceram em um novo patamar de segurança nos últimos anos. As taxas de juros extremamente baixas, a retomada das construções e a forte qualidade do crédito hipotecário mudaram completamente o ambiente de negócios, tornando-o muito confiante”, afirma.
As projeções da Moody’s Analytics são confirmadas por outro escritório especializado em análises futuras para a construção civil dos EUA: o Dodge Data & Analytics. Os dados divulgados pelo economista-chefe Robert Murray revelam que o setor cresceu em média 4%, entre 2013 e 2016. Os números devem se confirmar quando o balanço de 2017 for fechado. “Isso revela que o crescimento é sustentável, o que se comprova pelos vários tipos de projetos em construção. Desde obras unifamiliares (casas) até multifamiliares (prédios residenciais)”, cita Murray.
Mão de obra mais especializada
O estudo da Dodge Data & Analytics detecta ainda que em 2018 as obras do setor hoteleiro, de edifícios corporativos e de condomínios industriais também tendem a crescer. Por isso, as projeções para a criação de empregos coincidem com as Moody’s Analytics. “Estamos, de fato, a caminho de uma situação de praticamente pleno emprego na construção para 2018. O cenário tende a seguir em 2019 e pode melhorar se o governo Trump materializar sua promessa de campanha, que seria investir US$ 1 trilhão em obras de infraestrutura”, comenta Murray.
Dentro da avaliação da Dodge Data & Analytics, um dado relevante: a de que a mão de obra que atua na construção civil norte-americana procurou se especializar e se adequar às novas tecnologias adotadas nos canteiros de obras para se manter em atividade. “Hoje, os profissionais que atuam na área estão muito mais preparados”, confirma o estudo, que prevê que o faturamento bruto da cadeia produtiva do setor, nos Estados Unidos, deve fechar 2017 em US$ 746 bilhões.
Veja os segmentos que mais crescem na construção civil dos EUA (dados de 2016)
- Habitação unifamiliar (casas): 9%
- Construções multifamiliares (prédios residenciais): 6%
- Prédios corporativos e setor hoteleiro: 2%
- Edifícios institucionais (escolas e hospitais): 3%
- Construções industriais: 1%
- Obras de infraestrutura: 3%
Entrevistados
- Economistas Cristian deRitis, diretor- sênior da Moody’s Analytics, e Robert Murray, economista-chefe Robert Murray (via assessorias de comunicação)
Contatos
dodge.events@construction.com
mediarelations@moodys.com
Crédito Foto: Fortune
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Construção espera crescimento lento e gradual para 2018
Projeções de economistas da FGV/IBRE, a pedido do SindusCon-SP, estimam que PIB do setor saia da retração e atinja 2% no próximo ano

Após três anos de queda ininterrupta do PIB da construção civil, o setor parece retomar a confiança para 2018. A expectativa é de que o crescimento seja lento e gradual ao longo de todo o próximo ano, colocando fim aos números negativos registrados em 2015, 2016 e 2017. Segundo projeções apresentadas pela coordenadora de projetos da construção da FGV/IBRE, Ana Maria Castelo, por encomenda do SindusCon-SP, existe a possibilidade de, em 2018, o PIB da construção voltar a ser positivo, fechando o ano em 2%. O número, no entanto, não recupera as perdas dos anos anteriores.
Em 2017, o PIB do setor deve encerrar o ano com queda de 6,4%. Juntando-se aos números negativos de 2015 e 2016, a retração será de 20% em três anos. Segundo Ana Maria Castelo, o PIB da construção é o que mais impacta no PIB do país. Ela lembra que, ao final de 2016, as projeções indicavam que o setor retomaria o crescimento em 2017, crescendo 0,5% - o que não se confirmou. “Se a previsão tivesse se concretizado, o PIB nacional teria o potencial de crescer 1,2% em 2017, ou seja, o setor segurou o PIB do país”, afirma a economista, garantindo que os dados usados para projetar 2018 são mais realistas.
Uma das razões que estimulam a retomada de crescimento a partir do próximo ano está no fato de 2018 ser um período eleitoral. Ana Maria Castelo entende que o atual governo vai querer ter influência nas decisões dos eleitores, e que seu cartão de visitas será a retomada do crescimento econômico em setores importantes, como a construção civil. Por isso, investimentos públicos em infraestrutura e a liberação de recursos para o programa Minha Casa Minha Vida tendem a ser ferramentas importantes para que o governo federal consiga, sobretudo, gerar empregos.
O que impactou 2017
Em sua exposição sobre as perspectivas para 2018, a economista do FGV/IBRE lembra que, mesmo que a construção civil resgate a capacidade de absorver mão de obra em 2018, não será suficiente para que as taxas de desemprego cedam drasticamente. “Ainda deveremos ver um saldo negativo no acumulado do próximo ano, mas que deve sair da taxa de dois dígitos”, diz. Atualmente, o índice de desemprego encontra-se na faixa de 12,2%, o que equivale a 12,7 milhões de pessoas fora do mercado formal de trabalho - dos quais, 2,5 milhões estão vinculadas à construção civil.
Quanto às projeções para 2017, e que não se concretizaram, o estudo do FGV/IBRE cita que os principais pontos que impactaram o setor foram os seguintes: excesso de oferta no mercado imobiliário, que não conseguiu desovar seus estoques e solucionar distratos; as contratações do Minha Casa Minha Vida, que ficaram aquém da meta; os efeitos da operação Lava Jato, que comprometeram o desempenho das empresas; a crise fiscal, o desemprego elevado e a restrição ao crédito. “São fatores que não irão se recuperar todos ao mesmo tempo, mas que vão se ajustar com o tempo. Por isso, a nossa crença em um crescimento lento e gradual a partir de 2018”, conclui Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do SindusCon-SP.
Entrevistados
Economistas Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV/IBRE, e Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do SindusCon-SP (com base em palestras concedidas na Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, que ocorreu em 30 de novembro de 2017)
Contato: sindusconsp@sindusconsp.com.br
Crédito Foto: SindusCon-SP
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Pré-fabricação digital: afinal, o que é isso?
Na Holanda, pesquisas em parceria com outros países dão primeiros passos para revolucionar a construção industrializada

Startups holandesas, alemãs e britânicas, além de gigantes de tecnologia da informação dos Estados Unidos, estão unidas no desenvolvimento do que eles chamam de pré-fabricação digital. O que é isso, afinal? Em resumo: são robôs programados para produzir peças no local da obra, utilizando tecnologia 3D, e com capacidade de instalar os elementos na etapa de execução. Em Amsterdã, na Holanda, está a incubadora do primeiro projeto com esse perfil.
A startup MX3D vai construir uma passarela com estrutura metálica, recoberta por pavimento de concreto, imprimindo os materiais enquanto faz a montagem. A ponte é sobre um dos vários canais que cruzam a cidade holandesa, e vai medir pouco mais de dois metros de cumprimento. No entanto, terá a capacidade de mostrar até onde a robótica será capaz de levar a construção civil.
Segundo Joris Laarman, designer do MX3D, a obra irá inaugurar uma nova etapa no uso da tecnologia 3D dentro da construção civil. “Acredito firmemente no futuro da pré-fabricação digital, ou seja, máquinas que não apenas fabriquem elementos, mas executem a montagem. Esta pequena ponte mostrará como a impressão 3D finalmente pode entrar no mundo de objetos funcionais de grande escala e dos materiais sustentáveis. O simbolismo da ponte é uma bela metáfora para conectar a tecnologia do futuro com o presente”, afirma.
A máquina em desenvolvimento permite não apenas incorporar a construção industrializada à robótica, mas combinar materiais em 3D, juntando, por exemplo, concreto a estruturas de aço ou plástico. “De grandes a pequenas estruturas, a tecnologia MX3D pode imprimir estruturas fortes e complexas de materiais duráveis. A nova técnica é um passo à frente aos métodos atuais de impressão 3D e oferece soluções criativas de produção e construção”, completa Tim Geurtjens, CTO (Chief Technology Officer [(diretor-técnico]) da MX3D.
Pedra-fundamental
Por trás dos softwares que alimentam os robôs está a Autodesk - empresa que nasceu no Vale do Silício, na Califórnia-EUA, e criadora de uma das ferramentas mais usadas na construção civil: o AutoCAD. Sobre a pré-fabricação digital, o líder industrial da empresa, Dominic Thasarathar, avalia que a pedra-fundamental das novas tecnologias está relacionada com a padronização, a qualidade e a produtividade.
Para ele, a forma de construir sofrerá uma revolução. “A tecnologia de pré-fabricação em desenvolvimento permitirá alcançar um alto grau de padronização. Sem contar que haverá um desbloqueio nos níveis de produtividade e de estilo de fabricação. Como hoje se importam veículos para o mundo todo, edificações pré-fabricadas ou obras de infraestrutura poderão ser compradas em um país e montadas em outro. Isso vai implicar em uma grande mudança na competitividade da construção civil”, prevê.
Veja vídeo sobre a pré-fabricação digital
Entrevistados
Joris Laarman, designer do MX3D; Tim Geurtjens, CTO (Chief Technology Officer [(diretor-técnico]) da MX3D, e Dominic Thasarathar, líder industrial da Autodesk (via assessorias de comunicação)
Contato: press@mx3d.com
Crédito Foto: MX3D
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Resíduo de concreto vira aliado do “pavimento verde”
Estudo desenvolvido na UTFPR mostra que transformação de RCD em agregado para estradas vicinais gera ganhos ambientais e econômicos

Um dos gargalos da construção civil no quesito sustentabilidade passa pela destinação do RCD (Resíduos da Construção e Demolição). Mas há soluções. Uma delas é apontada pelo engenheiro florestal Marcelo Langer, conforme pesquisa desenvolvida por ele na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). O estudo mostra as vantagens do uso do RCD na pavimentação de estradas rurais. Na entrevista a seguir, Langer explica como. Confira:
O senhor desenvolveu um estudo em 2015 sobre o uso de resíduos da construção para pavimentar estradas rurais. Houve a aplicação prática da pesquisa?
O estudo que desenvolvi entre os anos de 2014 e 2015 foi o resultado de implantações práticas que desenvolvi ao longo de mais de 20 anos como gestor florestal. Especificamente, para o trabalho desenvolvido durante curso de especialização em Construções Sustentáveis na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), fiz a implantação e acompanhamento técnico por um ano em uma área florestal na cidade de Arapoti-PR, e em um condomínio residencial em São José dos Pinhais-PR. No primeiro, utilizei os Resíduos da Construção e Demolição (RCD) transformados em Agregados de Resíduos de Concreto (ARC) por meio de usina móvel. No segundo, utilizei os RCD transformados em Agregados de Resíduos Mistos (ARM) produzidos em usina fixa.
Em quais trechos das estradas rurais de Arapoti-PR o pavimento alternativo foi aplicado e quais ganhos foram obtidos?
Houve a aplicação em trechos de estradas florestais, estradas municipais e estaduais da zona rural. Também foi aplicado em trevos de acesso e saída de máquinas e veículos, além de levantamento da base de estradas, cabeceiras de pontes, construção de bueiros e outras estruturas de rodagem. Foi empregado ainda para a formação de base para estradas localizadas em terrenos de elevado acúmulo hídrico. No condomínio em São José dos Pinhais-PR, foi usado para a construção de estacionamentos, calçadas, quadras esportivas e áreas de lazer.

E quanto aos ganhos obtidos?
Os ganhos foram os seguintes:
- Reaproveitamento dos resíduos, transformando-os em ARM e ARC, aumentando o ciclo de vida e atendendo aos princípios da sustentabilidade, economia circular e a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS);
- Redução da contaminação ambiental, da poluição sólida a ambientes rurais e urbanos, do uso de matéria-prima natural (cascalhos) e de custos operacionais;
- Redução da perda de partículas sólidas dos leitos de estradas em períodos chuvosos e, como consequência, redução da contaminação dos rios e corpos hídricos;
- Compatibilidade técnica, pois a capacidade de agregação dos materiais ARM e ARC às partículas do solo foi comprovada, gerando uma camada de cobertura resistente e adequada aos níveis de volume e carga de trafegabilidade;
- Resistência dos ARM e ARC após um ano de fluxo intenso de veículos, tanto de passeio como de cargas pesadas, e também às intempéries climáticas.
Além da questão da sustentabilidade, quais as vantagens de se pavimentar estradas vicinais com resíduos da construção?
Normalmente, os RCD são materiais que geram custos para as empresas da construção civil, pois necessitam ser descartados corretamente em locais adequados e ambientalmente licenciados. Para isso, há taxas e custos de transporte e descarte. Utilizando o sistema de transformação dos RCD em ARM e ARC, se evitam os custos e passa-se a ter uma nova matéria-prima para um novo sistema produtivo. Em breve, os resíduos resultantes da construção e demolição deverão se tornar matéria-prima e oportunidade de negócios para muitas empresas no Paraná e no Brasil.
Os resíduos da construção são o calcanhar de Aquiles do setor, no que se refere à destinação. A aplicação dos resíduos para pavimentar estradas é a solução?
Os resíduos de qualquer setor produtivo se tornam problema quando não gerenciados e quando não é compreendido seu potencial econômico. Como exemplo, em um grande edifício residencial na cidade de São Paulo-SP, onde realizei o levantamento dos custos da gestão dos RCD para pagamento de taxas, serviços de transportes e uso de locais para a destinação final, o valor destes custos foi da ordem de 4 milhões de reais. Isso, sem considerar as perdas e desperdícios identificados no processo construtivo convencional. Por outro lado, as empresas agroflorestais têm custos anuais elevados para a aquisição de cascalhos e outros materiais de revestimento, a fim de assegurar a trafegabilidade das estradas rurais. Então, por que não promover este diálogo e integração entre o setor da construção civil, agroflorestal, governos e sociedade, por meio do uso dos RCD, ARM e ARC, que possuem custos inferiores à aquisição de outros materiais naturais com alto impacto ambiental e elevados benefícios socioambientais? O ganho é para todos.
É possível saber o quanto é necessário de resíduos para pavimentar um quilômetro de estrada vicinal?
Depende de várias condições. Entre elas, as condições do terreno, sua declividade, tipo do solo e do material a ser empregado, além de precipitação pluviométrica média no local, trafegabilidade, intensidade e volume de cargas, largura e classificação de uso do modal. Seria imprudente afirmar qualquer quantia, mas é possível fazer o seguinte exercício para um recapeamento simples, sem base e outras infraestruturas necessárias para a edificação correta e sustentável de uma estrada rural: em um modal de um quilômetro de extensão, com cinco metros de largura média, onde normalmente se emprega uma camada de 20 centímetros de material de cobertura, serão necessários mil metros cúbicos de ARM ou ARC para o recapeamento.
É possível estimar o volume de resíduos de construção e demolição (RCD) que é gerado no Brasil anualmente?
A indústria da construção civil, em seu processo produtivo, gera perdas estimadas em 150 quilos de resíduos por metro quadrado, e cerca de 75% dos resíduos gerados pela construção nos municípios provêm de descarte de reformas e demolições, geralmente realizadas pelos próprios usuários dos imóveis. A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) informou que em 2014 foram coletados cerca de 45 milhões de toneladas de RCD, aproximadamente 55% de todo o Resíduo Sólido Urbano (RSU), apresentando aumento de 4,3% em relação aos volumes coletados em 2013. Em 2010, na cidade de Curitiba, segundo a secretaria municipal de meio ambiente, o volume de RCD foi de 2.400 t/dia (toneladas por dia). No Paraná o volume de resíduo da construção civil se aproxima a 17.000 t/dia. De acordo com o relatório de pesquisa setorial 2014/2015 da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil (ABRECON), a produção de RCD é de aproximadamente 500 quilos por habitante/ano. Considerando a população brasileira em 2014, o volume de RCD gerado por ano no país é de cerca de 101.399.759 t/dia.

Entrevistado
Doutor em engenharia florestal Marcelo Langer, com experiência em gerenciamento de operações, gestão de recursos naturais, florestais e engenharia de produção. Também é especialista em certificações ambientais, sociais e econômicas (FSC, ISO, LEED, Aqua)
Contato: malanger04@yahoo.es
Crédito Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Atraso na infraestrutura do Brasil intriga o mundo
Relatório do Banco Mundial aponta os porquês de o país não conseguir impulsionar seu desenvolvimento em ritmo semelhante ao do século 20

O Banco Mundial publicou recentemente o documento “Back to Planning: How to Close Brazil’s Infrastructure Gap in Times of Austerity” (De volta ao planejamento: como preencher uma lacuna de infraestrutura no Brasil em tempos de austeridade). O estudo faz questionamentos sobre as razões do país não conseguir modernizar sua infraestrutura, apesar de despender grandes volumes de recursos. O principal argumento do relatório é que o Brasil precisa melhorar sua capacidade de planejar. “A falta de um plano que ataque os principais problemas do país é uma das razões pelas quais os sucessivos programas governamentais não resultam em soluções concretas”, diz o documento do Banco Mundial.
O relatório levou a Escola Brasileira de Economia e Finanças, vinculada à Fundação Getúlio Vargas, a promover o seminário “Modernização da Infraestrutura Brasileira”. O evento foi concluído com uma conferência de Mansueto Almeida, secretário de acompanhamento econômico do ministério da Fazenda, que reconheceu que a modernização da infraestrutura do país é pré-condição para o crescimento sustentável da economia. No entanto, o representante do governo alertou que o ponto de inflexão para o Brasil conseguir retomar sua capacidade de investimento, e também atrair investimentos internacionais em infraestrutura, passa pela aprovação da reforma da Previdência.
No passado, outra realidade
Segundo o Banco Mundial, o país pode estar perto de destravar um de seus principais gargalos. Tanto é, que faz uma análise otimista na conclusão de seu documento. “O Brasil está em excelente posição para atrair financiamento comercial para sua infraestrutura. Com mais atenção ao planejamento e governança do setor, as perdas podem ser reduzidas e os recursos efetivos disponíveis para a infraestrutura podem ser dobrados rapidamente. Isso, por sua vez, ajudaria a impulsionar o crescimento e melhorar a qualidade dos serviços públicos, sem a necessidade de muito dinheiro público adicional”, avalia. O relatório cita que infraestrutura em transporte e saneamento básico são setores que mais podem atrair investimento no curto prazo.
O Banco Mundial também faz um comparativo entre o presente do país e seu passado, revelando que o Brasil já foi um dos maiores investidores em infraestrutura do mundo. “O Brasil nem sempre foi um país que investiu pouco em infraestrutura. Entre as décadas de 1920 e 1980, as taxas de investimento em infraestrutura excederam 5% do PIB. Estes foram anos em que os rendimentos per capita do país cresceram cerca de 4% ao ano. O Brasil explorou seu vasto território interior, mudou a capital do Rio de Janeiro para Brasília e investiu fortemente em geração de energia e telecomunicações. Ao mesmo tempo, sofreu um rápido processo de urbanização”, relata o documento.
Veja a íntegra do relatório
“Back to Planning: How to Close Brazil’s Infrastructure Gap in Times of Austerity”
(De volta ao planejamento: como preencher uma lacuna de infraestrutura no Brasil em tempos de austeridade)
Veja vídeo do seminário "Modernização da Infraestrutura Brasileira"
Parte 1
Parte 2
Entrevistado
Reportagem com base no relatório do Banco Mundial e do seminário “Modernização da Infraestrutura Brasileira”, da FGV (via assessoria de imprensa)
Contato: speakersbureau@worldbank.org
Crédito Foto: EPGE/FGV-RJ
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Bloco imita Lego e permite construção industrializada versátil
Invenção britânica atende a uma série de obras. De muros de contenção a barreiras para rodovias, além de armazéns para estocar produtos

Muros de contenção, que precisam suportar grandes cargas, podem ser erguidos com blocos maciços de concreto inspirados no Lego. As estruturas, inventadas no Reino Unido, têm versatilidade para atender vários tipos de projetos: de paredes corta-fogo a galpões, passando por barreiras para isolar rodovias e ferrovias. Os blocos têm medidas que podem chegar a 1,6 m x 0,8 m x 0,8 m, e pesar 2.400 quilos. Pré-fabricados, eles permitem que a construção industrializada amplie seu raio de atuação.
Os blocos, registrados como Legioblocks, possibilitam que as construções sejam rearranjadas de acordo com a necessidade e do espaço disponível. Por exemplo, servem para criar compartimentos que armazenem materiais, construir muros e paredes de contenção, edifícios industriais ou atender obras emergenciais, com barreiras para isolar áreas de deslizamento e criar desvios para rodovias em obra. “Esses blocos são disruptivos (provocam modificações ou alterações), no sentido de que são um passo à frente na tecnologia existente”, avalia Owen Batham, diretor de marketing da Elite Precast Concrete, uma das duas empresas britânicas que produzem Legioblocks.

A versatilidade deste tipo de pré-fabricado amplia seu uso na Europa. Recentemente, ao sul de Eindhoven, na Holanda, foi usado como barreira de som para proteger os animais que vivem em uma pequena floresta às margens de uma das autoestradas mais movimentadas do país: a A2. Outra aplicação ocorreu na divisa entre a Inglaterra e a Escócia, em que os blocos de concreto foram usados para canalizar um rio e impedir que seu transbordamento interditasse uma das principais linhas de trem da região.
Resistência de 50 MPa
Por dispensar argamassas ou outros materiais para fixação, os blocos de concreto inspirados no brinquedo Lego só precisam de uma equipe treinada para operar o guindaste e que saiba encaixar as peças. Por causa do peso, os blocos também dispensam fundações. O único pré-requisito é a preparação do terreno para que ocorra o assentamento das estruturas de concreto.

Os Legioblocks também foram fundamentais na modernização do porto de Porto Mulhouse-Rhin, na França, instalado à beira do rio Reno. O terminal abastece com cargas a terceira principal hidrovia do país. Nele, foi construída uma área de 18 mil m2 para o armazenamento de minerais, que é o principal produto escoado pelo porto. Um dos pré-requisitos é que as estruturas suportassem a pressão dos minerais, sem impedir o trabalho dos equipamentos de carga e descarga.
Os blocos de concreto são produzidos com 50,0 MPa de resistência. Os fabricantes garantem que podem erguer paredes com até 8,8 m de altura – há casos especiais que atingiram 13,0 m. As peças podem ser empilhadas e desempilhadas a qualquer momento, o que permite que se ajustem a qualquer capacidade de armazenamento. A solução britânica ainda é compatível com as certificações de construção sustentável. "O concreto usado para fazer os blocos usa escombros de concreto antigo como agregado em sua composição. Assim, recursos não são desperdiçados e ficam na cadeia produtiva, o que limita os efeitos ambientais negativos", completa Jan Busser, diretor-gerente da Jansen Recycling BV - outra empresa que fabrica Legioblocks na Grã-Bretanha.

Entrevistados
Owen Batham, diretor de marketing da Elite Precast Concrete, e Jan Busser, diretor-gerente da Jansen Recycling BV (via assessorias de imprensa)
Contatos
sales@legioblock.com
sales@eliteprecast.co.uk
Crédito Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330









