Quais obras usam concreto de ultra-alto desempenho?
Também conhecido como CUAD, material tem uso limitado. Geralmente, a aplicação se limita a obras militares e projetos em laboratório
Desenvolvido nos anos 1990, em parceria entre pesquisadores franceses e canadenses, o concreto de ultra-alto desempenho (CUAD) é uma evolução do concreto de alto desempenho (CAD). Surgiu como uma encomenda especial da engenharia militar, para a construção de pontes pré-fabricadas com elementos esbeltos. Para a produção deste concreto auto adensável são utilizados Cimento Portland, sílica-ativa, pó de quartzo, agregados miúdos, aditivos superplastificantes, pequenas quantidades de água e microfibras de aço para alcançar resistências que podem atingir 800 MPa.
No Brasil, um dos tipos de concreto de ultra-alto desempenho mais usados é o concreto de pós-reativos (CPR). Sua aplicação, porém, tem sido extremamente limitada. Além do custo, o fato de outros concretos suprirem as exigências de boa parte das obras especiais faz com que o CAUD seja praticamente um concreto usado em protótipos. Até hoje, apenas quatro países aplicaram esse concreto especial em obras públicas: Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Canadá. O material foi usado em pré-fabricados para construir passarelas esbeltas e elementos côncavos que recobrem estações de trem.

Boa parte destas obras foi erguida nos anos 1990, quando o CUAD tentou um impulso no mercado da construção civil. Fora do Brasil, o material é chamado de Ultra-high Performance Concrete (UHPC) e a construção mais emblemática é a ponte Seonyu – uma passarela para pedestres erguida em Seul, na Coreia, cujo arco central possui 120 metros de vão. O deck da estrutura tem 4,3 metros de largura e 3 centímetros de espessura, com resistência de 500 MPa. A passarela está localizada em um parque com várias espécies nativas de bambus. Por isso, seu projeto arquitetônico busca homenagear a flexibilidade da planta.
Novas pesquisas
Atualmente, há um bom número de universidades trabalhando em pesquisas com o concreto de ultra-alto desempenho. O objetivo é torná-lo um produto tão mais resistente quanto mais acessível ao mercado. Nas universidades de Michigan e Connecticut, nos Estados Unidos, está em desenvolvimento um CUAD (ou UHPC) que permita processos menos caros. ”O alto custo do material, juntamente com procedimentos de construção complicados e dispendiosos, impediu a adoção generalizada do UHPC nos EUA”, dizem os professores Tony Naaman, da Universidade de Michigan, e Kay Wille, da Universidade de Connecticut.
Os dois trabalham em parceria no desenvolvimento do que eles chamam de um “UHPC alternativo”. “O que buscamos é um produto que possa ser comercialmente viável. Hoje há casos em que o metro cúbico do concreto de ultra-alto desempenho ultrapassa os 500 dólares. Nosso objetivo é reduzir esse custo pela metade. De que forma? Utilizando componentes que estão disponíveis no mercado, sem que o material perca suas principais características: desempenho extremamente alto, alta resistência à compressão, alta resistência à tração e alta resistência à penetração de cloretos”, completam os pesquisadores norte-americanos.
Entrevistados
- Tony Naaman, professor-emérito do departamento de engenharia civil da Universidade de Michigan
- Kay Wille, professor-assistente da Universidade de Connecticut
Contatos
naaman@umich.edu
kay.wille@uconn.edu
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Curitiba redescobre pavimento de concreto para BRT
Trecho norte da Linha Verde vai transformar capital paranaense entre as que mais têm malha urbana com piso rígido

A nova etapa da Linha Verde, em Curitiba - agora concentrada na região norte da capital paranaense - tem o pavimento de concreto como protagonista. A obra, depois de anos parada, foi retomada e a canaleta central, projetada para receber um BRT (Bus Rapid Transit) recebe piso rígido. O concreto também está presente nas várias trincheiras ao longo do percurso novo da avenida, construída para minimizar congestionamentos e aprimorar o transporte público em Curitiba.
Com o novo trecho, a Linha Verde da capital paranaense terá 18 quilômetros de pavimento em concreto, e cortando 14 bairros da cidade. Segundo o gerente da regional sul da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), o engenheiro civil Alex Maschio, trata-se da obra com pavimento em concreto mais extensa de Curitiba. “Consequentemente, é a com maior consumo de concreto. Somando todos os trechos já executados, com este que será em breve licitado, deve-se ter um total de 33.000 m³ de concreto em pavimento. Acrescentando as camadas de base cimentada (BGTC) das vias comuns, estima-se um consumo total de cimento na ordem de 15.000 toneladas”, diz.
Em relação ao trecho sul da Linha Verde, em função da geometria da pista, foi possível utilizar o asfalto existente como base para o novo pavimento de concreto (whitetopping). Já a parte norte da obra terá apenas pavimentação bruta em concreto. Isso, no entanto, não interfere na qualidade de um ou outro trecho. “O dimensionamento se mantém igual ao longo de toda a extensão”, afirma Alex Maschio, lembrando que a ABCP possui um termo de cooperação técnica com a prefeitura de Curitiba para supervisionar as obras que utilizem soluções a base de cimento.
Com a conclusão do trecho norte da Linha Verde, e outros projetos ainda não licitados, Curitiba estará entre as capitais com mais quilômetros em pavimento em concreto. “Incluindo esse trecho faltante da Linha Verde norte, a extensão total de malha com pavimento de concreto em Curitiba deve ultrapassar os 100 quilômetros. Isso a coloca entre as capitais com maior quantidade de pavimento de concreto. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília também executaram muitos corredores em concreto por causa da Copa do Mundo 2014. Assim como São Paulo, que tem números muito mais expressivos que as demais capitais quando se trata de pavimento em concreto”, explica Maschio.
Concreto x asfalto

O gerente da regional sul da ABCP afirma que, finalmente, as prefeituras estão superando o mito de que o pavimento em concreto é mais caro que o asfalto e, por isso, acabava perdendo terreno nas cidades. “Essa resistência é bem menor hoje. Além disso, com as recentes altas no preço do asfalto, é fácil identificar situações em que o custo inicial em concreto já é mais baixo do que o pavimento flexível. Considerando no longo prazo então, não há discussão”, comenta.
Além disso, as diretrizes das agências financiadoras (Caixa, FGTS, BRDE e BID) cada vez mais exigem que as soluções implantadas tenham durabilidade maior e pouca manutenção. “Isso se encaixa perfeitamente ao pavimento de concreto. O próprio Conselho Curador do FGTS, por exemplo, já recomenda a adoção de pavimentos com durabilidade acima de 20 anos para os BRTs, o que invariavelmente torna a opção pelo pavimento de concreto muito competitiva. Em alguns casos, até mais barata que soluções em asfalto, se compararmos apenas o custo de implantação”, finaliza Maschio.
Veja as vantagens do pavimento em concreto
Leia o que diz o Conselho Curador do FGTS
Entrevistado
Engenheiro civil Alex Maschio, gerente regional sul da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Contato: alexsander.maschio@abcp.org.br
Crédito Fotos: Pedro Ribas/SMCS
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E se o prédio em que você mora virar patrimônio histórico?
Retrofit e pequenas reformas não são proibidos, mas aumenta a burocracia. Geralmente, os cuidados maiores são com a preservação da fachada

Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Paulo são as cidades com o maior número de prédios tombados pelo patrimônio histórico, em uma tendência que se espalha pelo Brasil. Recentemente, passou a crescer também a quantidade de construções residenciais com essas características. Neste caso, para quem mora no edifício tombado, o que fazer? A primeira informação relevante é saber que o prédio não fica impossibilitado de receber retrofit ou de passar por pequenas reformas. O que aumenta é a burocracia.
Além de o imóvel não poder ser demolido, as obras de manutenção, restauração e reforma devem ser previamente submetidas à análise e aprovação dos respectivos organismos de preservação. Boa parte dos edifícios residenciais tombados no Brasil foi construída entre a década de 1930 e 1950. As edificações costumam entrar para o patrimônio histórico depois que completam 50 anos de vida útil. Um exemplo é o condomínio Três Irmãos, prédio construído em 1946 no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro-RJ.
O projeto de restauração da fachada do edifício, que é tombado pelo patrimônio histórico, precisou atender exigências do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). O organismo aprovou o uso de equipamentos de pintura industrial para o retrofit de 1.700 metros lineares de fachada. “Levamos sete dias para cobrir a área, contra 30 dias se fizéssemos a pintura de forma manual, com rolo”, compara o arquiteto Diogo Caprio, responsável pela restauração. A opção por máquinas se deu por causa da precisão na pintura, o que ajudará a preservar o edifício.
Prédios tombados também precisam de uma administração diferenciada. Síndico do edifício Metropolitain, no Largo do Machado, no Rio, Levi Soares Vieira está à frente da construção que antigamente era conhecida como Palácio Rosa, de 1936, e que foi tombada em 1998. A edificação foi reconhecida pelo patrimônio histórico do Rio de Janeiro por causa de sua arquitetura art-déco carioca e a importância como marco na paisagem do bairro do Catete.
Até 1988, pouco se preservava
Levi Soares lembra que, em 2010, o prédio recebeu autorização para se transformar em um edifício comercial com 162 escritórios. Toda a infraestrutura hidráulica, elétrica e de telefonia foi refeita, mas a fachada precisou ser preservada. O retrofit teve a coordenação do Conselho de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. “Os condôminos também recebem orientações específicas, sobre como preservar o prédio, por causa do valor para a coletividade”, explica.
No Brasil, patrimônios tombados são relativamente novos. A preservação de edificações só se tornou lei a partir da constituição federal de 1988, que em seu artigo 216 trata “da proteção do patrimônio cultural brasileiro, constituído pelos bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. A constituição fortaleceu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que foi fundado em 1937, no primeiro governo de Getúlio Vargas, mas raramente cumpria sua função. A partir de 1988, os governos estaduais e municipais também passaram a criar seus organismos de preservação patrimonial.
Entrevistado
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Contato: comunicacao@iphan.gov.br
Crédito Foto: Divulgação
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Desemprego só vai cair se construção civil subir
Dados oficiais mostram que setor já chegou a empregar 8 milhões de trabalhadores; hoje, vê seu PIB decrescer mais que o do país

A alta taxa de desemprego no Brasil - 12,4%, segundo a mais recente medição do IBGE - está diretamente relacionada ao baixo desempenho da construção civil. O setor é o único que tem capacidade de gerar vagas no curto prazo. Dos atuais 13,1 milhões de trabalhadores sem emprego no Brasil, estima-se que 2/3 atuavam no segmento. No auge da empregabilidade, entre 2009 e 2014, segundo dados da PNAD Contínua, a cadeia produtiva da construção chegou a absorver 8 milhões de trabalhadores.
Desde 2015, com o aprofundamento da crise, a construção civil viu seu PIB despencar mais que o PIB nacional. Caiu 14,3% contra 5,5% do país. Resultado: a cadeia produtiva só absorve atualmente três milhões de vagas formais. Entre setembro de 2016 e setembro de 2017, segundo o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram fechadas 1,5 milhão de vagas. Estudo da LCA Consultores, encomendado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), mostra que, enquanto a construção civil não voltar a absorver mão de obra em grande volume, a taxa de desemprego no país seguirá alta.
Os números, no entanto, seguem instáveis. Em setembro de 2017, de acordo com dados do CAGED, foram criadas 380 vagas formais na construção civil em todo o país. Já em outubro de 2017, os números voltaram a ser negativos: houve o fechamento de 4.764 empregos no setor. "A economia brasileira está melhorando, mas a construção que é um setor que tem um impacto enorme não está. O PIB da construção já caiu 3 anos seguidos e continua caindo", resume Petrônio Lerche Vieira, diretor-executivo do Sinicon.
Para o Instituto Brasileiro de Economia, ligado à Fundação Getúlio Vargas, o PIB da construção civil fechará 2017 com queda de 5,7%, ante uma alta de 0,8% do PIB nacional – soma de todas as riquezas produzidas pelo Brasil. Por causa destas projeções, dirigentes de cinco das mais importantes representações sindicais no país - Central Única dos Trabalhadores (CUT); Força Sindical; União Geral dos Trabalhadores (UGT); Nova Central e a Federação Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM) - estiveram recentemente em audiência com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.
União de forças
O objetivo é unir forças para encontrar soluções que permitam à construção civil retomar o crescimento, principalmente reativando pelo menos 5 mil obras públicas paralisadas desde 2015. “A indústria de construção civil e pesada encontra-se majoritariamente paralisada em todo o país”, diz Nilson Freitas, representante da ICM. Já o presidente da CBIC entende que é importante também atrair investimentos. “Essa é uma agenda comum, em que temos trabalhado intensamente. Além de retomar obras paralisadas, o reaquecimento do setor passa também pela recuperação do investimento”, afirma José Carlos Martins.
Para ressaltar a importância da cadeia produtiva da construção civil na economia, o Sinicon lembra que cada R$ 1 milhão investido no setor gera 46 novos empregos diretos e R$ 450 mil em salários ao longo de toda a cadeia. Os dados destacam ainda que os investimentos em infraestrutura têm impactos de longo prazo sobre a competitividade e a produtividade da economia. Por outro lado, destaca que homens com idade entre 30 e 40 anos, e com ensino médio incompleto, são os mais vulneráveis ao desemprego no setor.
Entrevistados
Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) (via assessoria de imprensa)
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) (via assessoria de imprensa)
Contatos
comunica@cbic.org.br
sinicon@sinicon.org.br
Crédito Foto: Divulgação
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Guaratuba terá praça-modelo com pavimento permeável
Projeto vai recobrir 10 mil m2 e segue os conceitos de “rua completa”, do Sinaenco, e Soluções para Cidades, da ABCP

A cidade de Guaratuba, no litoral do Paraná, terá a primeira praça-modelo, seguindo todos os parâmetros do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) e do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil). A escolha do projeto passou por um concurso público nacional, que envolveu 40 escritórios. O vencedor foi um consórcio de arquitetos de Florianópolis-SC (Desterro Arquitetos + Bloco B Arquitetura + Giz de Terra). “O projeto em si resgata a história da formação urbana de Guaratuba, quando praça e igreja formavam um largo voltado para a baía. A visita ao local e a conversa com moradores foram determinantes para o desenvolvimento de um desenho marcante e linhas simples”, explica o arquiteto Arthur Lins.
Conhecida como Praça Central, a praça Coronel Alexandre Mafra é uma das mais antigas do Paraná. Ela é o marco-zero da cidade de Guaratuba, que foi fundada em 1771. A revitalização envolverá uma área de 10 mil m2, recebendo pavimento intertravado permeável. CAU e IAB avaliam que o projeto pode servir de modelo para futuras revitalizações de praças em cidades com população até 50 mil habitantes. “O paisagismo desenvolvido projeta uma praça viva e conectada aos espaços verdes pré-existentes. Além de uma praça de qualidade para a população local, também será um espaço de qualidade para o turismo de Guaratuba”, completa Arthur Lins.

Segundo Carolina Huergo, arquiteta da secretaria municipal do urbanismo da prefeitura de Guaratuba, uma das prioridades era que o projeto vencedor contemplasse elementos que garantissem sustentabilidade à praça. “Por isso, a pavimentação com blocos de concreto era uma das exigências no edital do concurso”, diz. A expectativa da prefeitura é de que as obras possam iniciar em 2018. Antes, será feita uma nova licitação para a contratação das empresas que irão executar o projeto. “A proposta é iniciar a licitação em 2018. Itens quanto à execução e aos fornecedores serão definidos dentro do processo licitatório, para que sejam seguidas as legislações vigentes”, afirma Carolina Huergo.
Inspiração
Além da revitalização da praça, o projeto se estenderá ao entorno do local, que envolve prédios históricos de Guaratuba. “Essa integração resulta em um desenho que prioriza o pedestre, a acessibilidade universal e a restrição ao automóvel. O objetivo é estimular o uso da bicicleta através de ciclofaixas e vias compartilhadas, sem alterar o fluxo de veículos. As vias serão delimitadas por balizadores e a velocidade máxima reduzida, garantindo assim o trânsito seguro de pedestres e ciclistas, já que todo o entorno da praça estará no mesmo nível”, explicam os arquitetos, que se inspiraram em dois conceitos: o “rua completa”, apoiado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), em parceria com a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), e a plataforma Soluções para Cidades, da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).

Entrevistados
Arquiteto e urbanista Arthur Lins, da Desterro Arquitetos, e Carolina Huergo, arquiteta da secretaria municipal do urbanismo da prefeitura de Guaratuba-PR
Contatos
arthur@desterro.arq.br
urbanismo@guaratuba.pr.gov.br
Crédito Fotos: Desterro Arquitetos + Bloco B Arquitetura + Giz de Terra
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Prédio verde já tem a preferência em vendas e locações
Empreendimentos corporativos com certificação sustentável começam a se tornar tendência na cidade de São Paulo e se espalham pelo país

As empresas que compram e alugam lajes em edifícios corporativos estão optando por prédios verdes. As edificações com certificação de sustentabilidade registraram taxa de vacância de 20,6% no terceiro trimestre de 2017 (julho, agosto e setembro) contra 32% dos edifícios convencionais. Em quatro anos, a curva sofreu uma drástica inversão. Até 2013, os prédios de escritórios A e A+ (alto e altíssimo padrão) mas que não possuíam selos verdes, registravam vacância de 11,4%.
A razão desta guinada a favor dos edifícios sustentáveis é a economia. Não está relacionada apenas com o impacto da crise econômica, mas com o desejo das corporações em gerar economia com a logística que envolve seus negócios. Um exemplo: prédios verdes têm taxas de condomínio que custam entre 15% e 25% a menos que os valores cobrados por edifícios convencionais. Os dados foram apurados pela Engebanc Real Estate, com base em dados levantados em uma pesquisa condominial na cidade de São Paulo-SP.
Apesar de abranger lajes corporativas na capital paulista, o levantamento reflete uma tendência nacional: a de que os projetos para prédios corporativos estão preferindo buscar os selos de sustentabilidade para ganhar mercado. O motivo é que as empresas multinacionais, que são as que mais compram ou alugam lajes, estão preferindo os empreendimentos com certificação. É uma tendência que cresceu sobremaneira nesta década. Conectadas com essa preferência dos locatários, as construtoras estão optando por erguer prédios verdes.
Segundo o levantamento da Engebanc Real Estate, atualmente na cidade de São Paulo 72% dos edifícios construídos a partir de 2012, ou em construção, têm certificação de sustentabilidade. Quando todos os empreendimentos forem concluídos, o que deve ocorrer até 2020, a capital paulista terá mais prédios verdes do que edifícios convencionais nas novas regiões corporativas da cidade, que englobam Pinheiros, Faria Lima, Avenida Paulista, Jardins, Jardim Paulistano, Itaim Bibi, Vila Olímpia, Berrini, Roque Petroni, Santo Amaro, Chácara Santo Antônio e Morumbi.
Sustentabilidade ainda é mito
Nestas localidades há 138 imóveis comerciais, dos quais 63 já possuem certificação sustentável. Para 2018, o estudo da Engebanc Real Estate estima que a oferta de lajes novas em prédios verdes crescerá mais 11%. Nas regiões pesquisadas, há mais seis edifícios em fase final de construção, e que possuem selos de sustentabilidade, o que vai acrescentar mais 150 mil m2 a favor dos empreendimentos certificados. “Essa movimentação aconteceu por uma tendência mundial e, principalmente, pela necessidade das empresas estrangeiras que, ao vir para o Brasil, trazem a premissa de ocupar prédios com essas características, por um posicionamento já consolidado lá fora”, destaca Leandro Angelino, gerente de inteligência de mercado e marketing da Engebanc Real Estate.
A projeção é que em dez anos o m2 dos edifícios sustentáveis esteja igual ou até mais barato que dos edifícios convencionais. Hoje, as construções com certificação têm custo 10% maior. Para Angelino, o encarecimento ainda se deve ao fato de que a sustentabilidade ainda é muito subjetiva na hora de precificar uma obra. “Conforme ela (a sustentabilidade) for deixada de ser tratada como mito, e incorporada ao dia a dia das pessoas, os custos tendem a diminuir”, avalia.
Entrevistado
Engebanc Real Estate (via assessoria de imprensa)
Contato: escritorios@engebanc.com.br
Crédito Foto: Divulgação
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Materiais de construção antifogo são desafio à indústria
Grupos de engenheiros defende que certificações sustentáveis só sejam concedidas a edifícios que forem resistentes a incêndio
A indústria de materiais de construção da Europa está à frente de pesquisas que buscam criar produtos que sejam imunes ao fogo. Os avanços foram debatidos em vários simpósios e conferências realizadas no continente, entre maio e setembro de 2017. Quem lidera o movimento é a Fire Safe Europe (FSEU), para quem a denominação de construção sustentável só será 100% verdadeira quando as edificações, e os materiais empregados nas obras, conseguirem ser “imunes” ao fogo.
Em um dos eventos promovidos pela FSEU o palestrante foi Karl Downey, gerente de construção sustentável da European Cement Association (CEMBUREAU). Ele também integra o Concrete Initiative - movimento que apoia construções de prédios com a tecnologia de paredes de concreto. Seus integrantes defendem que o concreto é o material com a melhor eficiência quando o assunto é resistência ao fogo. “Infelizmente, quando se trata de construir sobre os preceitos de sustentabilidade, o fogo não é levado em consideração”, diz Karl Downey.
O representante da CEMBUREAU critica os certificadores de construções sustentáveis, alegando que eles ignoram as normas de resistência ao fogo. "Geralmente, o fogo não é apresentado como um problema de sustentabilidade. Talvez, por que seja tratado em um contexto diferente, ou inserido em questões como eficiência energética. Mas nosso entender é de que um edifício sustentável só pode realmente receber essa denominação se for resistente a incêndios", afirma.
O movimento Concrete Initiative atua para que normas técnicas europeias sejam revistas, a fim de que abranjam a resistência ao fogo nos pontos em que se referem a construções sustentáveis. “Temos novas propostas para que sejam definidos quesitos como desempenho energético. Acreditamos que a sustentabilidade deve ser resiliente a condições climáticas extremas e condições de incêndio", afirma Karl Downey, revelando a razão pela qual apoia construções com paredes de concreto. “O concreto não gera combustão, não derrete, não emite gases tóxicos e atua como um escudo na proteção de pessoas, quando elas escapam de um incêndio”, completa.
Dados alarmantes
As discussões sobre incêndios em edificações aumentaram na Europa após a tragédia que atingiu o prédio Grenfell Tower, em Londres-Inglaterra, em junho de 2017. O uso de revestimento inadequado transformou um incêndio de pequenas proporções, que começou a partir do curto-circuito em uma geladeira, em uma tragédia com 79 mortes. Esse caso engrossou as estatísticas europeias. Dados da Fire Safe Europe revelam que ocorrem 5 mil incidentes de incêndio por dia no continente.
Anualmente, 70 mil pessoas são hospitalizadas devido a ferimentos graves causados por fogo em edificações e 4 mil são mortas. Os gastos e os prejuízos causados por incêndios envolvem 126 bilhões de euros por ano na Europa, o que equivale a 1% do PIB do continente. “Projetar e fabricar materiais pensando em combater incêndios deve ser prioridade na indústria da construção. Caso contrário, continuaremos a conviver com histórias tristes causadas pelo fogo, e que poderiam ser evitadas", finaliza Karl Downey.
Entrevistados
- Engenheiro civil Karl Downey, gerente de construção sustentável da European Cement Association (CEMBUREAU) e integrante do movimento Concrete Initiative
- Fire Safe Europe (FSEU) (via assessoria de imprensa)
Contatos
info@eupave.eu
secretariat@firesafeeurope.eu
Crédito Foto: European Pressphoto Agency
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Venda de máquinas para concretagem tende a reagir em 2018
Estudo da Sobratema, ancorado por dados de outros organismos ligados à construção civil, sinaliza que fim da recessão está próximo

Em 2017, as projeções da ABIMAQ (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), da ANFIR (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários) e da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) apontavam expectativa de venda de 400 novos caminhões betoneira em todo o Brasil. Até setembro deste ano, foram comercializados 165 equipamentos. O volume atual permite dizer que a queda, em relação ao que foi projetado, deve ser de 56% em 2017. Já para 2018, os números são mais animadores. Espera-se que 235 caminhões betoneira sejam vendidos em todo o país no próximo ano.
A estatística faz parte do anuário da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), intitulado “Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção”. De acordo com o levantamento, divulgado dia 9 de novembro de 2017, na cidade de São Paulo-SP, a queda no volume de vendas de máquinas para concretagem está diretamente relacionada ao consumo de cimento no Brasil, que até setembro de 2017 havia sido 7,4% menor que em relação ao mesmo período de 2016. “É um impacto em toda a cadeia”, diz o economista e consultor da Sobratema, Brian Nicholson.
Outro segmento afetado foi o de centrais de concreto comercializadas no país. No começo de 2017, a expectativa era de que 30 novos equipamentos fossem vendidos em todo o território nacional. No entanto, até setembro deste ano apenas 15 tinham sido comercializados. Para 2018, o estudo da Sobratema aponta que 23 novas centrais de concreto tendem a ser vendidas. “Apesar da retração, entendemos que o setor está no fim de um forte ciclo de recessão”, prevê Afonso Mamede, presidente da associação. O segmento de máquinas para a construção experimenta o terceiro ano de forte queda nas vendas.
Em seu levantamento, a Sobratema alerta que o mercado de construção e de infraestrutura ainda não foi impactado de forma significativa pelo início da recuperação econômica, mas alguns dados já apontam para um viés de alta. Segundo Eurimilson Daniel, vice-presidente da associação, um desses sinais vem do setor de máquinas seminovas e usadas. “Muitas empresas colocaram suas frotas à venda para pagar dívidas e outras, com mais saúde financeira, estão comprando. Com a previsão de reaquecimento, a tendência é que mais empresas voltem às compras, incluindo equipamentos novos. O que precisa é que as obras voltem. Sem obras, não há compra de máquinas”, comenta.
Otimismo gradual

Atualmente, não é apenas o setor de máquinas para concretagem que está afetado. De acordo com o estudo da Sobratema, a queda é generalizada desde 2015. Neste ano, as vendas devem totalizar 12,1 mil unidades contra 14,4 mil em 2016. Só a linha amarela (máquinas para movimentação de terra) vai fechar o ano com queda de 9%. Para 2018, o levantamento projeta retomada nas vendas. “A linha amarela deverá apresentar crescimento de 8%. As demais categorias de equipamentos tendem a ter um aumento de 7,3%, incluindo o setor de máquinas para concretagem”, diz o relatório da associação.
Entrevistado
Reportagem com base no “Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção” (via assessoria de imprensa)
Contato: sobratema@sobratema.org.br
Crédito Fotos: Sobratema
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Tecnologia 3D já permite “imprimir” pontes de concreto
Pequena cidade holandesa incorpora estrutura desenvolvida pela Universidade Tecnológica de Eindhoven em seu plano de mobilidade urbana

Na Holanda, a tecnologia que permite imprimir estruturas de concreto em 3D deu mais um passo. Desta vez, viabilizou a construção de uma ponte. A estrutura serve a uma ciclovia e possui 8 metros de comprimento e 3,5 metros de largura. Com capacidade para suportar 5 toneladas, a obra de arte foi projetada para durar 30 anos, pelo menos. Desenvolvida por engenheiros da Universidade Tecnológica de Eindhoven, junto com a empresa de construção BAM Infra, a ponte é a primeira impressa em 3D a usar concreto protendido na concepção de suas peças.
A estrutura foi dividida em seis partes e montada in loco na região rural de Gemert, no norte da Holanda, no dia 17 de outubro de 2017. O processo de impressão foi inédito porque os pesquisadores da Universidade Tecnológica de Eindhoven conseguiram aprimorar a tecnologia de impressão em 3D ao incorporar cabos de aço, tornando o concreto protendido. O material melhora os esforços de tração da ponte, aumentando a resistência e a durabilidade. Apesar de ter sido projetada para receber bicicletas e pedestres, a estrutura pode perfeitamente suportar veículos leves sobre quatro rodas.

Como as peças foram impressas em laboratório, a emissão de CO2 foi controlada, o que diminuiu a pegada de carbono das estruturas. Outra característica da impressão é que ela permite produzir peças a uma velocidade muito maior em relação ao método convencional. Segundo os pesquisadores da universidade, quando a tecnologia estiver amplamente dominada, a impressão de estruturas de concreto poderá ser até três vezes mais veloz que os métodos convencionais. “Só o fato de dispensar o uso de fôrmas já acelera todo o processo”, afirmam.
Preferência à inovação

Outra vantagem da impressão em 3D, de acordo com os envolvidos no desenvolvimento da tecnologia, é que ela possibilita criar estruturas de qualquer tamanho e formato. “Com a incorporação do concreto protendido à impressora, em breve será mais vantajoso economicamente substituir pontes do que tentar consertá-las”, garantem os pesquisadores, afirmando que o próximo passo da Universidade Tecnológica de Eindhoven é conseguir imprimir elementos maiores. Para isso, eles terão que desenvolver uma impressora com mais estrutura.
A ponte instalada em Gemert faz parte de um projeto de mobilidade urbana para a pequena cidade holandesa de pouco mais de 16 mil habitantes. Além da estrutura em 3D, o complexo viário também ganhou uma rotatória pré-fabricada em concreto e aço, pesando 1,2 milhão de toneladas e que foi instalada em seis horas. A opção por projetos inovadores é estimulada pela prefeitura de Gemert. “Desafiamos os players do mercado a inovar, desenvolver novas tecnologias sustentáveis e reutilizar materiais tanto quanto possível. Ao avaliar cotações e convites para nossos projetos, as empresas que vêm com um plano inovador e sustentável têm sempre a nossa preferência”, diz o representante de Gemert, Christophe van der Maat. A cidade também está financiando um projeto para a construção de casas com impressão em 3D.
Veja vídeos sobre a construção da ponte
Entrevistados
Universidade Tecnológica de Eindhoven e BAM Infra (via assessorias de comunicação)
Contato
info@tue.nl
info.infra@bam.com
Crédito Fotos: BAM Infra
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Intenção de abrir mercado da construção gera polêmica
Governo quer desburocratizar entrada de empresas e profissionais estrangeiros no país, a fim de retomar obras de infraestrutura

O governo federal prepara um projeto de lei que busca destravar a burocracia e acabar com a reserva de mercado na construção civil brasileira. O objetivo é permitir que construtoras estrangeiras operem no Brasil, e que engenheiros de outras nacionalidades possam trabalhar no país. Atualmente, engenheiros civis estrangeiros que vêm atuar no Brasil precisam esperar mais de um ano para obter licença do CONFEA-CREA. Com o projeto de lei, assim que uma construtora vencer uma licitação pública, a emissão do registro deve ser automática para os engenheiros estrangeiros que ela contratar para a obra.
A medida é polêmica e gera mobilização dos engenheiros brasileiros. Recentemente, a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) alegou que o projeto de lei pode agravar o desemprego entre engenheiros brasileiros. O organismo estima que existam atualmente 50 mil profissionais fora do mercado de trabalho no país. "Isso significa que, mesmo diante de um trágico cenário de desemprego na engenharia brasileira, o governo irá privilegiar profissionais de outros países. É uma medida que aprofunda a desnacionalização da economia e o desmonte da engenharia nacional", protesta o presidente da Fisenge, Clóvis Nascimento.
Dentro do governo, a visão é de que o projeto de lei possa criar um ambiente de novos investimentos na infraestrutura do país, já que as grandes empreiteiras brasileiras - em função das descobertas reveladas pela operação Lava Jato - ficaram com sérias restrições (financeiras e jurídicas) de atuar em licitações e concessões públicas. Além disso, setores estratégicos entendem que, com a retomada da atividade econômica, construtoras nacionais médias e pequenas não terão como dar conta de todos os projetos que tendem a surgir, em função da demanda reprimida no setor da construção civil.
Confiança e barreiras
No mais recente boletim da Sondagem da Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a ociosidade no setor chega a 42%. Significa que a cadeia produtiva está operando com apenas 58% de sua capacidade máxima. No mesmo levantamento, a CNI detecta que o Índice de Confiança do Empresário da Construção está em alta. Em outubro, atingiu 53,8 pontos. O resultado está acima da média histórica, de 52,6 pontos. Na avaliação da CNI, o indicador demonstra otimismo do empresariado com as condições da economia e das empresas nos próximos seis meses.
Em nota, a economista da confederação, Flávia Ferraz, avalia que a confiança cresceu em função da redução dos juros e da recuperação gradual da economia. "A construção depende muito de financiamentos e, com a queda dos juros, caem os custos dos empréstimos para os compradores de imóveis e para as empresas que precisam de recursos", afirma. No entanto, há barreiras que ainda precisam ser vencidas, segundo revelou a recente Sondagem Indústria da Construção. As mais mencionadas foram carga tributária, demanda interna insuficiente e falta de capital de giro. A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), que apoia o projeto de lei gestado pelo governo, entende que essas barreiras podem ser superadas com o ingresso de construtoras estrangeiras no país.
Entrevistado
- Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (via assessoria de imprensa)
- Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) (via assessoria de imprensa)
- Confederação Nacional da Indústria (CNI) (via assessoria de imprensa)
- Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) (via assessoria de imprensa)
Contatos
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